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Guia de “Macau Turístico” publicitado em 1922 , em português e inglês, de monumentos, relíquias históricas e outros lugares de interesse que podiam ser visitados.

Extraído de «Anuário de Macau», 1922, pp. 91-92
Extraído de «BPMT», XIV-2 de 13 de Janeiro de 1868, p. 8.

“No dia 13 de Maio de 1856 houve um leilão das casas denominadas do Barão sitas na rua da Praia do Manduco n.º 1 sendo de vinte mil patacas a base de licitação. As casas foram leiloadas pelo falecimento do proprietário Bernardo Estevão Carneiro” (1) (2)

O leilão foi publicitado no Boletim do Governo como “Avizo Judicial” de 24 de Abril de 1856 (3)

Extraído de «BGPMTS», II-27 de 26 de Abril de 1856, p. 108

No mesmo Boletim, na mesma página  e no nº seguinte, foi publicado outro anúncio, dos familiares do defunto (Bernardo Estevão Carneiro), Ana Maria Peres da Luz e Silva Carneiro (esposa) e Joaquim António Peres da Silva (genro) a contestarem a venda das Casas. (4)

Extraído de «BGPMTS », II-28 de 3 de Maio de 1856, p. 116

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954

(2) Bernardo Estevão Carneiro (1785-1854) – não se sabe em que ano veio para o Oriente, mas em 1819 já vivia em Manila destacando-se no comércio. Em 1831 veio para Macau onde em 1825 tinha comprado o palácio da Rua da Praia do Manduco, que fora do Barão de S. José de Porto Alegre. Foi um dos mais ricos comerciantes e proprietários do seu tempo. Exerceu por duas vezes o cargo de procurador do concelho. Era proprietário do chamado «Jardim do Carneiro», sito na Bela Vista que sua viúva vendeu mais tarde a Cleverly Osmond para servir de Cemitério Protestante. Casou pela 1.ª vez em Manila, com Gertrudes Maria Pereira e pela 2.ª vez em Macau (1837) com Ana Maria Peres da Luz e Silva (1807-1888). Joaquim António Peres da Silva (1806-1861) era o genro de Bernardo Estevão Carneiro, casado com a 1.º filha do 1.º casamento, Vicenta Sabina Carneiro, nascida em Manila (1817-1907). FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume I, pp. 661-662

3) Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor II-27 de 26 de Abril de 1856, p. 108

(4) Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor, II-28 de 3 de Maio de 1856, p. 116

Fotografia da capa – Ferreira de Castro na Porta do Cerco

Livro de 1998, com o título “Macau e a China”, (1) uma edição especial bilingue (em português e em chinês) da Câmara Municipal das Ilhas (por ocasião das comemorações do Dia das Ilhas) contendo parte do relato de viagem que o escritor Ferreira da Castro (2) efectuou entre 1939 e 1944 com a sua mulher, Elena Muriel, nomeadamente a passagem por Macau e China, publicada no Capítulo “China” do seu livro de viagem “ Volta ao Mundo” (nas pp 467 – 522. (3)
Com um pequeno prefácio (p. 5) de Joaquim Ribeiro Madeira de Carvalho (então Presidente da Câmara Municipal das Ilhas) e introdução/nota bibliográfica de Ricardo António Alves intitulada «Ferreira de Castro na “Cidade de Lilipute”».
A propósito de uma foto do escritor na Gruta de Camões (p. 13), escreve Ferreira de Castro: (pp. 36-37)
“Atravessamos os bairros novos e subimos a outra colina, a de Camões. No seu glauco sopé fecha-se um vetusto cemitério protestante, com as suas marmóreas sepulturas em forma de caixas quadrilongas. Nestas velhas tumbas encontram-se alguns dos primeiros europeus que morreram no Extremo-Oriente, sobretudo alguns magnates ingleses da famigerada Companhia das Índias, senhores que foram de milhentas traficâncias e de fabulosas riquezas, agora em repouso e olvido entre as bravas ervas que crescem em derredor de seus mausoléus. Poetas, missionários, nautas britânicos e esbeltas loiras de Albion dormem também, sob o sol da Ásia, na vizinhança dos feros homens que só o oiro adoravam. Uma indiscrição, um lagarto sobre as letras já a desvanecerem-se e o silêncio que vai dum extremo a outro do cemitério, como presença inexorável.
Mais acima da necrópole, topa-se um pequeno museu e, depois, entramos nas verdes sendas da colina de Camões. É um admirável parque, cheio de amáveis recantos, de árvores seculares, de flores, de chineses que meditam sobre os bancos, de pares que buscam as sombras e de crianças que brincam nas clareiras. Situado junto ao porto interior, o outeiro oferece belas perspectivas sobre os juncos ancorados, a Ilha Verde, no flanco da península, e as distantes montanhas de Chung-Shan. A única coisa feia é , justamente, a gruta onde o épico teria escrito parte dos “Lusíadas”. Dois penedos verticais, sobre eles um penedo horizontal, eis o sítio que se julga eleito por Camões para nele trabalhar. Sugestivo seria, sem dúvida, o lugar no tempo em que o poeta desempenhou, talvez, em Macau, o burocrático ofício de “Provedor dos defuntos e ausentes”..Mas, hoje, com um pobre busto de Camões entre as rochas e várias lápides portugueses e chinas em derredor, o que houve, aqui, de rude, de beleza selvagem, transformou-se numa espécie de fruste necrópole. “

Macau – A Gruta de Camões onde o poeta teria escrito parte de «Os Lusiadas»
Legenda e foto da p. 482 do livro “A Volta ao Mundo” (3)

(1) CASTRO, Ferreira de – Macau e a China. Câmara Municipal das Ilhas. Direcção da edição: António Aresta e Celina Veiga de Oliveira, 1998,115 p. ISBN972-8279-23-X (Versão Portuguesa)

Capa + contracapa

(2) Na contra-capa do livro: “No Romance português há um antes e um depois de Ferreira de Castro (1898-1974). Este escritor autodidacta, de origens camponesas humildes, nascido no litoral centro de Portugal, emigrado aos doze anos incompletos, em plena Amazónia (1911-1914) e, depois como afixador de cartazes, marinheiro e, por fim, jornalista em Belém (1914-1919), capital do estado brasileiro do Pará, em cuja biblioteca leu avidamente Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós, Balzac e Zola, Nietzsche e Gorki; o literato que após o regresso ao seu país continuou no jornalismo, apenas como meio de sustento que lhe possibilitasse escrever os seus primeiros livros; o jovem Ferreira de Castro, aos trinta anos, com o livro Emigrantes (1928), mudou o rumo da ficção narrativa portuguesa, passando a ser uma das figuras de proa – ou a figura de proa – entre os finais dos anos vinte e a primeira metade da década de cinquenta” (Ricardo António Alves)
(3) CASTRO, Ferreira de – A Volta ao Mundo. Emprêsa Nacional de Publicidade, 1944, 678 p.
Anteriores referências a este escritor em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/05/leitura-a-volta-ao-mundo-ferreira-de-castro/

Aviso publicado no «Boletim da Província de Macau e Timor», XVII-29 de 17 de Julho de 1871,  acerca da exumação dos cadáveres sepultados no Cemitério de S. Miguel Arcanjo que passou a ser administrado pelo Leal Senado em 27 de Novembro de 1868 (anteriormente a cargo da Diocese de Macau).

No dia 21 de Março de 1845, faleceu em Macau, antes de ser sagrado, (1) o 12.º Bispo de Diocese, D. Nicolau Rodrigues Pereira de Borja, que foi sepultado, no cemitério de S. Paulo, sendo os seus ossos transladados, em 1859, para o carneiro da capela do Santíssimo da Sé Catedral, cuja reconstrução é, em grande parte, devida ao Bispo Borja. (1) (2)
O Padre Nicolau Rodrigues Pereira de Borja (1841-1845), sacerdote da Congregação de Missão (lazarista) chegou a Macau em 1802, para Mestre na Sagrada Theologia no Real Colégio de S. José da Cidade de Macau, e desempenhou depois as funções de Reitor do mesmo Colégio. No ano 1834, devido a perseguição tanto em Portugal como em Macau, expulsando todos os religiosos e sequestrando os seus domínios, houve uma vagatura da Diocese por um período de treze anos, depois da morte do Bispo D. Francisco da Luz Chacim. O Padre Nicolau Borja, foi nomeado Bispo de Macau em 25 de Novembro de 1841, confirmado em 19 de Junho de 1843, e tomou posse do Bispado aos 14 de Novembro do mesmo ano.
(1) O Padre Manuel Teixeira – refere que a morte do Bispo Borja ocorreu a 29 de Março de 1945, baseado no ofício do Bispo D. Jerónimo José da Mata, sucessor de D. Nicolau Borja, comunicando a morte do prelado e convidando o Leal Senado para o enterro do Bispo D. Nicolau que se realizaria no dia 1 de Abril. O Bispo Nicolau Borja não chegou a ser sagrado (marcado para 8 de Setembro de 1844) encontrando-se para esse fim já em Macau D. Fr. Tomás Badia mas este falece a 1 de Setembro de 1844 e o Bispo Borja falece a 29 de Março de 1845 com 68 anos de idade. Foi sepultado no interior da Capela do cemitério de S. Paulo. Transladado depois para debaixo do altar principal da Sé Catedral.
TEIXEIRA, Pe. Manuel – Macau e a sua Diocese, II Volume, 1940, p. 393
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954 e PEREIRA; A. Marques –Ephemerides commemorativas da historia de Macau e das relações da China com os povos Christãos (Macau: da Silva, 1868)
Anterior referência a este prelado em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-nicolau-r-pereira-de-borja/

Para ilustrar os locais de interesse turístico de Macau, no folheto turístico de 1928 (1) o autor apresenta a fotografia do túmulo do Dr. Robert Morrison (2) no antigo cemitério dos protestantes, (3) com a seguinte nota:
a-vistors-handbook-to-romantic-macao-protestant-cemeteryTHE PROTESTANT CEMETERY – There are two Protestant Cemeteries in Macao. One is situated opposite Montanha Russa, on the way to Porta do Cerco, the other is close to Camoens´s Gradens. In this latter cemetery are interred, amongst others, the remains of:
GEORGE CHINNERY – Celebrated painter, whose pictures hang in the National Gallery , London – 1852.
Lord HENRY JOHN SPENCER CHURCHILL, R. N. – Commander of H. M. S. Druid – 1836.
EDMUND ROBERTS – U. S. A. Diplomatic Agent who concluded various friendly and comercial treaties for his country – 1843.
SIR HUMPHREY S. FLEMING SENHOUSE – Commander of the Brotish feleets in the China Seas – 1841.
The tiny chapel in the grounds is the Protestant place of Sunday worship and was recently built to replace na older one which had fallen into ruin.”
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/01/24/leitura-folheto-turistico-de-1928-a-visitors-handbook-to-romantic-macao/
(2) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/robert-morrison/ 

Transcrevo algumas chapas (1) com assuntos “curiosos” do   «Registo em portuguez das Chapas remetidas às autoridades chinezas, pelo Procurador de Macao, sendo este o morador José Baptista Miranda e Lima» (2)
CHAPA I – Chapa de resposta ao M. Cso-tam sobre as escavações no mato da Penha
“Eu o Procurador & respondendo à Chapa do Snr M. Cso-tam sobre as escavaçoens no matto da Penha, sou a dizer-lhe q. examinando eu o motivo das d.as escavaçoens , vim no conhecimt.º , de q. apenas se tem applainado o lugar onde hé prezentemt.e Semiterio de Christaons, cercando-o com pandões (3) para evitar, q. os caens ali entrem, e revolvão as sepulturas. O que partecipo ao Snr. M. para sua intelligencia.
Macáo 28 de Janr.º de 1833 – Lima”
CHAPA II – Chapa ao M. de Hiam-xan sobre a divida de Fonkua com C.A. Pacheco
“Eu o Procurador & faço saber ao Snr M. de Hiam-xan, q. havendo o anno passado, meu Antecessor feito varias chapas sobre a divida do China Fonkua com Cypriano Ant.º Pacheco não tem havido athé agora resposta deciziva sobre aquella divida, motivo por q. requeiro p.r esta a sua decizão; e q. mande entregar Botica ao d.º Pacheco, visto q. a divida excede o dobro do vallor da d.ª Botica
Macáo 2 de Abril de 1833 – Lima”
CHAPA III – Chapa ao M. Cso-tam sobre a divida de Fonkua a C. A. Pacheco
“Eu o Procurador & faço saber ao M. Sr M. Cao-tam, q. p.ª accabar a questão de Fonkua com C. Ant.º Pacheco, se sirva mandar ao d.º Pacheco a botica de Fonkua p.r conta de toda a divida, q. este tem com aquelle.
Mácao 22 de Agosto de 1833 – Lima”
(1) O termo “Chapas” ou “Chapas sínicas” significa ofícios ou ordens (registos) escritos pelos mandarins que eram enviados pelas autoridades chinesas às autoridades macaenses (nomeadamente ao Procurador) durante a Dinastia Qing (1693-1886) e vice-versa
(2)  «MOSAICO», Vol. VIII, n.º 47-49, 1954.
(3) pandões – paredões ?

Numerosos fiéis assistiram, no dia 22 de Setembro de 1953, ao solene «Te-Deum», cantado na Sé Catedral, em acção de graças por Deus ter poupado Macau a maiores estragos, a quando do tremendo tufão que assolou a cidade, em 22 de Setembro de 1874.
«A nossa cidade, que por suas recordações históricas e tradições religiosas era uma das mais famosas e notáveis do oriente, tão bela ainda há poucos dias, perdeu, em poucas horas, grande parte do seu esplendor e formosura, sofrendo a mais horrível e lastimosa transformação!»
«Tal é o destino de todas as coisas humanas! Só Deus é grande, só Ele é imutável!»
Tais as palavras que se lêem na Circular dirigida pelo Governador do Bispado de Macau, em 27 de Setembro de 1874, ao clero e fiéis desta Diocese, convidados a orar pelas necessidades desta cidade.
E os fiéis oraram, então, durante três dias consecutivos, nas igrejas paroquiais, no seminário diocesano e no convento de Santa Clara; e aqueles que não puderam ir ao templo, oraram com boas disposições no interior de suas casas.
E, desde então, todos os anos, se vem cantando um «Te-Deum» em cumprimento do voto feito por essa ocasião.
A 25 de Setembro de 1874, o Governador da província, Visconde de São Januário, publicou no Boletim da Província de Macau e Timor, o seguinte apelo à população de Macau:
«Habitantes de Macau!
Uma grande calamidade acaba de pesar sobre esta cidade!
Os terríveis efeitos do tremendo tufão, importando em graves perdas, levaram a desolação e a desgraça, aonde ainda há pouco reinava o bem estar e a alegria!.
Respeitemos os decretos da Previdência, mas não se abata por isso o nosso ânimo, e juntemos os nossos esforços para remediar os males que não nos era dado evitar .
Macenses! Trabalhai corajosamente para reconquistar o perdido, e confiai na autoridade que há-de velar pela vossa segurança; há-de acudir aos aflitos e há-de prover de pronto à s mais instantes necessidades públicas!
macaenses! Colaborai nobremente nesta grande empresa e tende fé que vereis ainda elevar-se esta antiga possessão portuguesa ao estado florescente em que há pouco se achava»
Os estragos e as perdas causadas foram enormes. Muitos pobres, tanto portugueses como chineses, achavam-se reduzidos às extremidades da fome. Os bairros de S. Lázaro e Santo António encontravam-se em ruínas , sob os montões jaziam muitos cadáveres.
O Hospital S. Rafael ficou destruído e o Hospital Militar de S. Januário seriamente abalado. Por oferta do Governador do Bispado, foi aproveitado o Paço Episcopal para hospital.
Por avaliação feita pelo Procurador dos Negócios Sínicos sabe-se que os estragos causados nos prédios dos chineses deram um prejuízo superior a cem mil patacas. Mais de 700 lorchas grandes de comércio e pesca se perderam completamente. Calculou-se em mais de mil o número das lorchas pequenas que foram destruídas. Todas as embarcações perdidas foram avaliada em quase um milhão de patacas. A perda de mercadorias foi avaliada em cerca de 432 mil patacas. Calculou-se em quatro mil o número de chineses mortos e Macau  e mil os mortos na ilha da Taipa.
Os cadáveres forma queimados uns e sepultados outros.
Os portugueses que sucumbiram e forma sepultados no Cemitério de S. Miguel foram 20, sendo 14 homens , 4 mulheres e 2 crianças.
Foram calculados em 300 mil patacas os prejuízos havidos nas propriedades dos portugueses, estando neste número incluídos os prejuízos sofridos pela administração dos bens das Missões Portuguesas e por algumas instituições de beneficência.
Anteriores referências a este tufão
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-ii-incendio-no-bairro-de-santo-antonio/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-tufao-e-o-farol-da-guia/
E sobre tufões:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/tufoes/

No dia 6 de Setembro de 1840, colocou-se neste lugar (Santa Casa de Misericórdia) por ordem da Mesa na 11.ª sessão, uma redoma com as cinzas de D. Belchior Carneiro, na sala de sessões.No entanto, as cinzas do Bispo Carneiro não foi possível modernamente encontrá-las e consideram-se desviadas para local desconhecido.” (1)
Bispo D. Belchior Carneiro (1576 -1581)Belchior/ Melchior Miguel Nunes Carneiro Leitão, S. J.   (1515 ou 1516 -1583), Bispo titular  de Niceia em 15-12-1560, chegou a Macau em 1568 para exercer o ministério pastoral.  Em 1576, no ano em que foi fundada a Diocese de Macau, foi nomeado Governador do Bispado da China e do Japão (1576-1581). Faleceu em Macau, de asma, em 19 de Agosto 1583.
Terá sido sepultado na igreja que os jesuítas possuíam em Santo António. A Igreja, assim como a Casa de Santo António foi completamente devastada por um violento incêndio em 1595. Todavia após a edificação da Igreja de Madre de Deus (S. Paulo) (1602), os restos mortais de D. Melchior foram sepultados junto do altar-mor, do lado do Evangelho, na capela-mor de S. Paulo numa campa de pedra. Mas um novo incêndio em 26 de Janeiro de 1835 destruiu a grandiosa igreja salvando-se apenas a esplêndida fachada. A Mesa da Santa Casa de Misericórdia (D.Belchior Carneiro foi o fundador, e seu primeiro provedor, da Santa Casa da Misericórdia de Macau, em 1569) requereu a concessão daquele vasto terreno devoluto após o incêndio a fim de lá instalar um cemitério. Em 1836, para execução do plano houve necessidade de revolver as terras  no antigo pavimento da Igreja e entre outras, a sepultura do Bispo D. Belchior, onde foram encontradas as suas cinzas e uma pequena cruz de madeira. As cinzas (2) forram recolhidas em pequena urna e ficou depositada numa das “catacumbas” (3)  até 1840. data da colocação das cinzas de D. Belchior Carneiro, na sala de sessões da Santa Casa de Misericórdia. (4)
(1) SOARES , José Caetano – Macau e a Assistência, 1950.
(2) Na dúvida se foram só as cinzas ou (também) uma cruz que foi achada em 1836 na sepultura, cruz essa que levava nas mãos. A proposta da Mesa nessa 11.ª sessão de 6 de Setembro de 1840 refere que ficou a cruz dentro de uma pequena redoma e colocada na sala das sessões na galeria com retratos dos benfeitores. (4)
(3) Há outras fontes que referem ter sido sepultado na Igreja da Madre de Deus e depois transferido para a Sé Catedral.
(4) TEIXEIRA. P. Manuel – D. Melchior Carneiro,1968.