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“A inscrição do Relicário Grande de S. Francisco Xavier, em prata, que está fechado à chave e selado exposto na Igreja de S. José (Seminário de S. José), consta o seguinte:

Aqui está depositada a reliquia do
Glorioso S. Francisco Xavier Apostolo do Oriente
Este relicário foi mandado fazer em Londres por
António Pereira
Seus filhos e noras
E oferecido a
Sé Cathedral de Macau
Em 1.º de Septembro do anno de
1865

Sala «Sacrarium» da Capela de S. Francisco na Igreja de S. José

A relíquia de S. Francisco Xavier que consiste em um grande pedaço de osso do braço do Santo Apóstolo do Oriente e que viera de Goa para a igreja de S. Paulo de Macau, onde se conservou posteriormente à expulsão dos Padres Jesuítas, foi salva do incêndio que destruiu o complexo de S. Paulo a 26 de Janeiro de 1835.
A Relíquia do Braço de S. Francisco estava exposta em S. Paulo durante a batalha contra os Holandeses (24-06-1622).
A 3 de Fevereiro de 1835, foram entregues por António Teixeira Machado Bastos, por parte do Procurador do Leal Senado aos Padres Lourenço Taveira de Lemos e Rafael A de Sousa (nomeados pelo Vigário Capitular para este efeito), três baús de ossos que foram tirados, a maior parte, da parede da capela de S. Francisco Xavier, onde o Bispo D.. Francisco de N. Sra. Da Luz (1) havia depositado e mais alguns bocados de ossos que estavam no Santuário. Entre os objectos entregues estava “o caixilho de prata queimado com a cana do braço do Gloriosos S. Francisco Xavier que se tirou do sítio chamado santuário, de cima da parede, onde estava guardada esta Relíquia…”

Pormenor do braço de S. Francisco Xavier, Macau, Igreja de S. José

Em 19 de Fevereiro de 1835, foi transportado para a Sé Catedral onde se acha inventariada com nota à margem de ter sido, por ordem do Bispo D. António Joaquim Medeiros, (2) e entregue aos Padres do Seminário de S. José para a guardarem.
Essa (e outras relíquias que então estavam no Seminário) foram confirmadas (“comprovativo da autenticidade”) pelo mesmo Bispo.de Macau D. António Joaquim de Medeiros (1884-1897).(3)
Em 1974, a relíquia de São Francisco Xavier juntamente com as ossadas de mártires portugueses e japoneses mortos em Nagasáqui, durante as perseguições no ano de 1597, e as ossadas dos mártires vietnamitas do séc. XVIII, foram transferidas para a Capela/Igreja de S. Francisco Xavier, em Coloane. (4) Posteriormente, o relicário de prata como o osso do braço de S. Francisco Xavier, foi transferido para a Igreja de S. José.(5)
(1) Francisco de Nossa Senhora da Luz Chacim, O. F. M – bispo de Macau de 1804 a
1928.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-francisco-de-n-s-da-luz-chacim/
(2) António Joaquim de Medeiros – bispo de Macau de 1884 a 1897.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-antonio-joaquim-de-medeiros/
(3) Informações extraídas de TEIXEIRA, Padre Manuel – Macau e a Sua Diocese, Tomo II, 1940, p. 485 – 486).
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-francisco-xavier/
(5) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-jose/

Anúncios, em português, dos três barcos que faziam a ligação diária entre Macau e Hong Kong, em 1962. Exceptuando os barcos da «Companhia Nacional de Navegação», todas as ligações de Macau com o exterior eram feitas através de Hong Kong por estes três barcos. O preço era sensivelmente igual nos três barcos. O custo das passagens:
Cabines de 1.ª classe (singular) …  $ 20,00
Cabines de 1.ª classe (duplas) …… $ 15,00 (por pessoa)
Salão de 1.ª classe ………………… $ 8,00
Cabines de 2.ª classe (duplas) ……. $ 10,00 (por pessoa)
Salão de 2.ª classe ………………… $ 6,00

M. V. TAI LOY -大來 

Concluído em 16 de Setembro de 1948. Lançado à água em 20 de Outubro de 1949.
Navegou de 1950 a 1968, ano em que alterou o nome para “Chung Shan” e depois até 1978, com o nome de “Hong Xing 801” na China Continental.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/tai-loy/

S. S. TAKSHING – 徳星

Construído na Doca de Taikoo (Hong Kong) em 1924, já efectuava a carreira nos finais de década de 40. Tinha o nome de “S.S.Sai On” (西安) e fazia a carreira Macau-Hong Kong antes da guerra. Foi atacado e rebocado para Hong Kong pelos japoneses em 19 de Agosto de 1943 (episódio relatado anteriormente com o nome de “Sean Maru”). Em 1945, voltou a denominar-se “Sai On” até 1950, quando a Companhia “Tai Hip Shipping C.º“, de Hong Kong, o comprou e lhe pôs o nome de “ S.S. Tak Shing”. Era um vapor de 1949 toneladas com dois (três ?) conveses, 225 pés de comprimento e 42 pés de boca. Em 1968, mudou de nome para “Tung Shan” e até ser desmantelado em Janeiro 1974.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/takshing/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/19/noticia-de-19-de-agosto-de-1943-episodio-relatado-por-um-militar-no-quartel-da-guia-aquando-do-assalto-ao-vapor-sai-on-ii/
NOTA: O “S.S. Takshing” foi também notícia em 1952, no dia 25 de Setembro, quando foi “capturado” pelos chineses comunistas perto da Ilha de Lafsami tendo os navios “HMS Mounts Bay” e “HMS Consort” da Marinha Inglesa aberto fogo e conseguido rebocar o navio para as águas territoriais inglesas.
Outra referência a este navio está no diário de Ian Fleming (1908-1964 ) autor dos livros de “James Bond”) que anotou o seguinte aquando da sua passagem por Macau em 1959:
“Richard Hughes and I took the S.S. Takshing, one of the three famous ferries that do the Macao run every day, These ferries are not the broken down, smokebillowing rattletraps engineered by whisky-sodden Scotsmen we see on the films, but commodious three-decker steamers run with workmanlike precision. The three hour trip through the islands anda cross Deep Bay, brown with the waters of Pearl River that more or less marks the boundary between the leased territories and Communist China, was beautiful and uneventful…. “

S. S. FAT SHAN – 佛山

Perdido (virou e afundou) no dia 17 de Agosto de 1971, aquando da passagem do Tufão Rose por Hong Kong (perdeu 88 dos 92 passageiros e tripulantes).
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fat-shan-%E5%BD%BF%E5%B1%B1/

No dia 22 de Janeiro de 1973, assumiu as funções de Comandante Militar do Comando Territorial Independente de Macau, (1) o coronel do C.E.M., Manuel de Mesquita Borges, (2) sucedendo neste cargo ao coronel José Luís de Azevedo Ferreira Machado.
Na parada do Quartel General a continência da Guarda de Honra, tendo passado revista à mesma, após o que a Força Armada de efectivo duma companhia, com Guião e Fanfarra sob o comando do Capitão Duarte Ferreira desfilou perante a tribuna.
A transmissão de poderes realizou-se a seguir na Sala da Bibliotecas do referido estabelecimento militar, com a presença dos oficiais da Guarnição Militar.
O Chefe do Estado Maior, major Rui Ravara, deu as boas vindas ao novo Comandante Militar, a quem desejou as maiores felicidades no exercício do elevado cargo que acabava de lhe ter transmitido, salientando as qualidades dos militares do C. T. I. que muito facilitariam a missão que a partir daquele momento lhe cabia desempenhar.
O coronel Mesquita Borges dirigindo-se aos oficiais agradeceu a sua presença nesta cerimónia, acentuando que era a segunda vez (3) que servia na Guarnição Militar de Macau onde, praticamente começara a sua carreira militar. (4)
(1) Em 17 de Janeiro de 1961, a Guarnição de Macau passou a  chamar-se «Comando Territorial Independente de Macau»
(2) O Tenente-Coronel Manuel de Mesquita Borges (1924-2006) foi nomeado 2.º Comandante Militar em 30 de Setembro de 1971 e em 11 de Janeiro de 1972 é promovido ao posto de coronel, deixando desde esta data de desempenhar as funções do 2.º Comandante. Em 1972, foi nomeado Chefe de Gabinete da fiscalização da construção da ponte Macau-Taipa (depois denominada Ponte do Governador Nobre de Carvalho) Foi exonerado das funções de Comandante Militar em 3 de Junho de 1974.
(3) Em Macau, nos princípios da década de 50. Em 1951, foi feita uma restauração do “Clube Militar” de Macau que ficou a cargo do então Alferes de Engenharia, Manuel de Mesquita Borges. Em 1952 foi promovido a Tenente.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-de-mesquita-borges/
(4) Extraído de «Macau B.I.T.» VIII, 1973

A ponte das Nove Curvas no jardim Lou Lim Ioc em 1973

No dia 28 de Dezembro de 1974, (1) abriu as portas como Jardim Público, o único jardim de estilo chinês que pertenceu em tempos a Lou Lim Ioc e que o Governo adquiriu em 12 de Maio de 1973 (assinatura da compra e venda) (2) ao seu mais recente proprietário, «Sociedade de Fomento Predial Sei Iek Lda.», cujo gerente geral era o Ho Yin. Recuperado foi entregue ao Leal Senado para gestão deste este espaço de grande beleza e serenidade. (3)

O jardim de Lou Lim Ioc em 2017

A abastada família de artistas e letrados de apelido Lou/Lu, de Chiun Lin (distrito de San Wui/ Xinhui/Sunwui), na província de Cantão (Guangdong), cujo chefe de família era Lu Cheok Chin, também conhecido por Lou Kau, ou Lu Cao, um letrado de fino gosto artístico, veio para Macau, em 1870, fixando-se no Largo da Sé. (4) Adquiriu para recreio e “casa de campo” um terreno nas húmidas e pantanosas várzeas do Tap Seac. Contratou em Cantão os serviços de dois artistas, Lau Kat Lok e Lei Tat Chun para construírem um jardim chinês, ao estilo do século XIV, em Sou Chou (Suzhou)

O jardim de Lou Lim Ioc em 2017

O «Jardim das Delícias» ou «Yu Yun» ficou conhecido por «Jardim de Lou Kao» ou de «Lou Lim Ioc». O nome de Lou Lim Ioc (5) deriva do seu filho mais velho, que herdou parte da propriedade e o gosto do pai em receber com fausto as grandes figuras da cidade. O outro irmão, vivendo entre académicos, já que herdara do pai o pendor intelectual e literário, desinteressou-se da metade que lhe cabia na propriedade. (3)

Jardim do Lu-cau (vista interior onde se vê os viveiros, área hoje urbanizada) – “Ilustração Portugueza”, 1908.

Cercado de altos muros, tem hoje, a sua entrada pela Estrada Adolfo Loureiro, ocupando uma área de 1, 23 hectares (inicialmente registada com uma área de mais de 20 000 m2) mas reduzida por sucessíveis desanexações (por exemplo, a área ocupada actualmente pelas escolas Pui Cheng e Leng Nam). Dispondo das duas portas típicas dos jardins chineses, a “porta da lua” e a “porta da jarra”, encerra um grande lago de margens irregulares, bordejado por uma cortina de bambus e de salgueiros. Sobre o lago o célebre Pavilhão da Relva Primaveril que fica perto da montanha artificial, da qual de desprende uma cascata, e da famosa Ponte das Nove Curvas. (6)
Dentro do jardim havia um coreto inaugurado em 1928, onde, no início, o dono do jardim realizava espectáculos de ópera chinesa, de que era grande apreciador. Este coreto encontrava-se em lugar diferente do actual, visto que a porta dava para a Av. Conselheiro Ferreira de Almeida, e foi um dos edifícios destruídos pela explosão no Paiol da Flora em 13 de Agosto de 1931. (7)
Anteriores referências a este jardim em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jardim-lou-lim-ieoc/

A ponte das Nove Curvas no jardim Lou Lim Ioc em 2017

(1) Esta data vem referenciada na obra da Dra. Beatriz Basto da Silva (3). No entanto em muitos artigos e livros, vem referido como data de  abertura do jardim ao público o dia 28 de Setembro de 1974 – como por exemplo em «Jardins e Parques de Macau », p. 20. (6)
(2) Iniciativa do governador José Manuel Nobre de Carvalho. Foi adquirido com todas as benfeitorias existentes pela quantia de 2, 7 milhões de patacas. Após a assinatura da escritura foi feito o pagamento de $ 1 000 000,00, o restante foi feito no prazo de 18 meses a contar da data da celebração do contrato. Para o pagamento da primeira prestação foi utilizada importância de $ 1 000 000,00, referida no parágrafo segundo da 16.ª cláusula do contrato com a S. T. D. M. e destinada a obras de fomento. Dado que a despesa total excedia a importância fixada na regra 23.ª do artigo 15.º do E. P. A. da província foi necessário obter a autorização ministerial. (Macau B.I.T., 1973)
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3 (1995) e Volume III (3.ª edição reformulada, 2015).
(4) Lou Cheok Chin ou Lu Cheok Chi ou Lu Cao (1837 – 1906) foi naturalizado português por Carta Régia de 11-05-1886.Teve 29 filhos das suas 10 mulheres. O mais velho e mais célebre foi Lou Lim Ioc.
(5) Lou Lim Ioc (1877 -1927), milionário, letrado, diplomata entre a China e Portugal, membro do Conselho Legislativo de Macau, foi agraciado com a comenda da Ordem de Cristo a 13 de Abril de 1925. Faleceu no dia 15 de Julho de 1927 e o funeral realizou-se com grande pompa e aparato no dia 31 de Julho de 1927. (7)
(6) ESTÁCIO, António Júlio Emerenciano; SARAIVA, António Manuel de Paula – Jardins e Parques de Macau. IPO, 1993
(7) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
NOTA: Conta-me o meu amigo Fernando Guerra, então alferes em comissão de serviço em Macau e aquartelado na Ilha Verde, onde estavam 90 militares – soldados europeus e macaenses (após a fase de recruta ; vigorava o serviço militar obrigatório) que em 1973 (após a compra pelo Governo do jardim), por ordem superior, foram os militares “encarregados” de limpar a área do jardim que estava em bastante estado de degradação e abandono. Mas entre os chineses e macaenses constava-se que a área (bem como a família) estava amaldiçoada e por isso havia “fantasmas” a circular por lá, pelo que os soldados macaenses recusaram participar na tarefa. Foram os soldados europeus a executar o trabalho.

Uma lembrança do 130.º Aniversário do Centro Hospitalar Conde de São Januário (1874-2004)
Um “pisa-papeis” em forma de cubo (4,8 cm x 4,8 cm x4,8 cm) de vidro.
Do Boletim Oficial de 10 de Janeiro de 1874:
«Teve logar no dia 6 do corrente, como estava anunciado, a inauguração solemne do hospital militar de S. Januário segundo o programma que foi publicado n´esta folha. Sua Ex.ª o Governador da província de Macau e Timor, Visconde de S. Januário às 2 horas precisas deu entrada no edifício do hospital, dirigindo-se à sala destinada à inauguração.
A sala achava-se decorada com trophéos artisticamente dispostos, no centro do trophéo principal achava-se o retrato de S. Ex.ª. Na balaustrada que circunda o perímetro onde se acha edificado o hospital e no mesmo edifício tremulavam nas suas hastes, numerosas bandeiras, distinguindo-se nos dois torreos extremos as que são privativas dos hospitaes… (…).
O primitivo Hospital Militar inaugurado a 6-01-1874 começou a ser demolido em Novembro de 1952, para em três fases ser substituído por outro – Hospital Conde de S. Januário.
O primeiro centenário do Hospital de S. Januário foi comemorado no dia 6 de Janeiro de 1974, com uma exposição no salão nobre do Leal Senado intitulada «O Hospital e a Saúde Pública» seguida de uma sessão solene presidida pelo Nobre de Carvalho.
Ver anteriores referências do Centro Hospitalar:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-hospitalar-conde-s-januario/

Alguns ainda se vão conservando…

Outros, desapareceram ….

Extraído de BGU XLV- 528, 1969.
NOTA 1 :  A Casa de Macau em Lisboa foi fundada a 11 de Junho de 1966, tendo a sede num edifício arrendado. Em 1969 foi inaugurada a sede na Praça do Principie Real. Após a invasão da sede no período revolucionário de 25 de Abril, em 1974 e fecho das instalações, seria reaberto em 1979. Em 1988, foi declarada com o estatuto de Pessoa Colectiva de Utilidade Pública. (2) Em 1999 foi inaugurada a actual sede-social na Av. Almirante Gago Coutinho n.º 142 em Lisboa.
A propriedade da antiga sede da Casa de Macau, na Praça do Príncipe Real (1) é actualmente da Fundação Casa de Macau (sede e Centro de Documentação), nascida a 26 de Julho de 1996.
NOTA 2: O presidente do Leal Senado era Joaquim Morais Alves (e não como consta no texto, erradamente, “Dr. Moura Alves”.
(1) Praça do Príncipe Real, 25 1º  1250-184  LISBOA
(2) Diário da República –II Série n.º 22 – 27-1-1988, p. 761