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No dia 1 de Junho de 1982, iniciou a sua actividade, o «Cineteatro Macau» com 3 ecrans, remodelação do antigo Teatro/Auditório Diocesano, (1) junto ao Colégio de Santa Rosa de Lima, com a exibição do filme «Somewhere in time», (2) de produção britânica. Na sessão inaugural teve a presença do governador Almeida e Costa e de numerosos convidados.  

O« Cineteatro Macau» passou a ter três sessões diárias, com mais uma sessão aos sábados e domingos, dedicada aos estudantes e com preços reduzidos. Teve, ainda, sessões gratuitas no primeiro domingo de cada mês, com exibição de filmes do grupo «A», para todos, dedicadas aos estudantes. (3)   

(1) 1974 – Macau possui um teatro (D. Pedro V) com 360 lugares; 8 Cineteatros com um total de 8 934 luares e uma sala de espectáculos recente, o Auditório diocesano com 1200 lugares.

O Auditório Diocesano junto ao Colégio de Santa Rosa de Lima foi inaugurada a 1 de Novembro de 1972, tendo a lápide inaugural do Auditório Diocesano sido descerrada pelo Adjunto Particular do Secretário das Nações Unidas para os assuntos de emigração, Sr. Francis Kellog, A Diocese de Macau dispôs para o efeito de um subsídio de US $ 6 000 da «Catholic Relief Services» (3)

 (2) «Somewhere in time», filme romântico, de 1980, dirigido por Jeannot Szwarc com argumento de Richard Matheson (baseado no seu romance de 1975,“Bid Time Return”) e com os actores: Christopher Reeve, Jane Seymour, e Christopher Plummer. O filme é conhecido pela partitura musical composta por John Barry, (4) tocada pelo pianista Roger Williams. (https://en.wikipedia.org/wiki/Somewhere_in_Time)

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, pp. 383, 388 e 432) e «Macau82 Jornal do ano primeiro semestre». GCS, 1982, P. 129

(4) John Barry (1933 – 2011), compositor britânico e director de orquestra (maestro). Compôs para mais de 100 películas e programas televisivos e mais conhecido pelos 11 filmes da série de James Bond: «Dr. No»,« From Russia with Love», «Goldfinger», «Thunderball», «You Only Live Twice», «On Her Majesty’s Secret Service», «Diamonds Are Forever», «The Man with the Golden Gun», «Moonraker», «Octopussy», «A View to a Kill«, e «The Living Daylights».

Trailers: https://www.youtube.com/watch?v=o36EXzADXWc https://www.youtube.com/watch?v=egsrQ_ZkqRg

Esteve exposta, no período de 30 de Março a 2 de Abril de 1974, no átrio da Escola Comercial (hoje, Escola Portuguesa de Macau – 澳門葡文學校), “Uma Exposição de Pintura, Arte e Beneficência”, em que estiveram representados vários artistas chineses que vivem em Macau, entre os quais Tsang Ping Chow, Tsang Hon Fok, Cheang Wing Sin e Cheang Chi Lon.

Inaugurou o acontecimento a Sra. D. Julieta Nobre de Carvalho, dados os fins assistenciais a que se destinava o produto da venda dos quadros que se viesse a realizar. Um gesto de nobreza que só nobilita o artista pelo empenho de estender o resultado da sua actividade aos necessitados que são todos os que não tem pão suficiente para sobreviver nem uma casa condigna para habitar.

A esposa do Governador, Da. Julieta Nobre de Carvalho corta a fita da inauguração

A exposição compreendia mais de uma centena de obras, com uma considerável abundância de motivos, coma predominância de temas paisagísticos buscados em várias regiões do mundo, incluindo a própria China que os forneceu na região de Guilin , 桂林 onde avultam os mais belos trechos naturais. (1)

Um aspecto geral da Exposição no átrio da então Escola Comercial «Pedro Nolasco»

Alguns dos quadros da exposição com os comentários do autor do artigo (1)

«O Fumador de cachimbo»

O velho despreocupado, a fumar o seu cachimbo de bambú, repetindo a cena que nos habituámos a ver nas ruas de Macau, hoje a desaparecer, é outro texto da arte posta ao serviço do homem” (1)

«O menino ao colo»

Uma criança ao colo” deu-nos toda uma gama de sentimentos como os que despertam cenas simples, naturais, quando o centro de convergência é a pessoa humana, com tudo o que a dota e que irrompe dum interior onde vive um mundo de sentimentos que procuramos descobrir através dos sinais que transparecem à flor da expressão plásticas” (1)

«Inocência e o bruto»

“O «Menino Nu e o Porco», um quadro inocente como inocente é todo este conjunto, em que a ferocidade ou brutalidade do animal parece quebrar-se à beira da inocência do rapazinho na posição naturalíssima do seu corpo, donde se arredou toda a somra de maldade” (1)

«Juncos ao luar»

As cenas do mar não falam em qualquer exposição que tenha coo artistas homens que viviam em Macau, ou mais largamente, nestas terras do Oriente banhadas pelas águas do grande Oceano: os barcos de pesca, na faina, atracados ou varados nas praias inspiram pelo idílico aspecto que mostram, porque muitas vezes ou quase sempre os pescadores servem de instrumento de trabalho e de habitação, ali nascendo e ali passando a existência, entre os quatro pedaços de madeira e o mar inconstante, mas pródigo em bens.. (…) E as noites de luar, a claridade nostálgica da luz no seu disco fulvo e melancólico, dá saliência aos barcos que singram as águas ou descansam junto à terra.” (1)

«Velho»

“O retrato dum velho em cujas rugas se sente o extinguir das ilusões, enrugado e pensativo, que vê a vida pelo lado melancólico da saudade ou da sombra da desilusão.“ (1)

(1) Artigo não assinado e fotos extraídos de «MBIT», X-1/2 de Março/Abril. 1974, pp. 19-22

Envelope simples de 17 cm x 10 cm, com carimbo comemorativo do “DIA DO SELO” (1) (canto inferior esquerdo) emitido pelos “Correios, Telégrafos e Telefones” / C. T. T.”, (2) em 1 de Dezembro de 1974. No canto superior direito, sobre o selo de 50 avos com a figura do Bispo D. Belchior Carneiro emitido no “IV Centenário da Santa Casa da Misericórdia 1569-1969” (3)

ENVELOPE – verso

(1) Em Portugal, o primeiro “Dia do Selo” comemorou-se a 17 de Janeiro de 1955, no ano seguinte ao da fundação da Federação Portuguesa de Filatelia. Desde 1957, o “Dia do Selo” é comemorado em Portugal, a 1 de dezembro apesar de, em alguns anos, ter sido assinalados noutras datas.

(2) Ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/correios-de-macau-c-t-t/

(3) Emitido em 16 de Outubro de 1969: 1.º Dia de circulação do selo comemorativo do IV Centenário da Fundação da Santa Casa da Misericórdia de Macau 1569-1969, com carimbo e envelope comemorativo. Ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/10/16/noticia-de-16-de-outubro-de-1969-1-o-dia-de-circulacao-iv-centenario-da-fundacao-da-santa-casa-da-misericordi-a-de-macau/

A revista «Século Ilustrado», na fase revolucionária depois de Abril de 1974, (1) publicou um artigo intitulado “Por que não fomos expulsos de Macau” de Manuel de Lima, sobre os acontecimentos em dezembro de 1966, durante a revolução cultural chinesa em Macau, o chamado “1-2-3”, relatados pelo entrevistado Dr. Danilo Barreiros. (2)

“Graves acontecimentos foram vividos em Macau nos últimos meses de 1966, época de oiro da «revolução cultural» de Mao Tsé Tung. Apenas o reconhecimento e a confissão de violências por parte do Governo terá evitado a expulsão e o massacre dos portugueses.”

A reconstrução de uma escola pelos habitantes chineses da ilha de Taipa foi obstruída pelas autoridades portuguesas, que enviaram para o local uma força policial, resultando feridos e detidos.

Os documentos fotográficos que se encontram neste artigo, são reproduzidos de uma obra intitulada «Luta contra as Atrocidades Sanguinárias do Imperalismo Portugês em Macau», de Setembro de 1967, publicação do «Aomen Ribao» («Diário de Macau»).

No Palácio do Governo, a detenção de manifestantes
Fora do Palácio do Governo professores e alunos manifestam-se contra a actuação da Polícia portuguesa

(1) «Século Ilustrado», n.º 1897 de 18 de Maio de 1974, pp. 47 a 53. Disponível em: http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/OSeculoIlustrado/OSeculoIlustrado_N1897

 (2) “Danilo Barreiros que posteriormente exerceu as funções de delegado da Fazenda nas ilhas da Taipa e Coloane, de professor primário, do chefe de secretaria de Serviços de Saúde e cumulativamente, redactor de um jornal e uma revista “Arquivos de Macau” Foi também membro da Direcção da Delegação de Guerra da Cruz Vermelha, director e professor de uma escola de ensino secundário, particular, chefe e tesoureiro do Rádio Clube de Macau” (1) Leopoldo Danilo Barreiros (1910-1994) advogado e escritor de vários romances e ensaios, chegou a Macau em 1931. Casou em 1935, com Henriqueta, filha de José Vicente Jorge. Colaborou na Revista “Renascimento” (Macau, 1943-45). O seu filho Pedro Barreiros lançou uma biografia do seu pai no centenário do seu nascimento no dia 11 de Outubro de 2010. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leopoldo-danilo-barreiros/ https://jtm.com.mo/local/mundo-de-danilo-barreiros-em-imagens/

Extraído de «O Independente», Vol. I n.º 20 de 15 de Janeiro de 1869.

Onde ficava esta “ Rua do Hospital dos Gatos”?
Existia em Macau, na segunda metade do século XIX, um hospital francês, segundo Padre Manuel Teixeira:
Esse hospital francês ficava na freguesia de S. Lourenço, sendo estabelecido em 1858, e estava ao cuidado das Irmãs de Caridade de S. Vicente de Paulo, vindas da França. De 1850 a 1858, os franceses eram tratados na Enfermaria Militar do Hospital S. Rafael; em 1858, passaram a ser tratados, no seu hospital da freguesia de S. Lourenço.
De 1850 a 1862, faleceram em Macau 295 franceses:
1951 – 1; 1952 – 1; 1853 – 5; 1856 – 3; 1857 – 2; 1858 – 49; 1859 – 163; 1860 – 70
Os altos e baixos explicam-se pelas guerras da França com a China.
Permita-se-nos uma hipótese. Existe na freguesia de S. Lourenço, a Travessa do Hospital dos Gatos, que começa na Rua de S. Lourenço, entre a Rua de Inácio Baptista e o Pátio da Casa Forte, e termina na Rua do Bazarinho, entre os prédios n.º 24 e 18.
Não ficaria ali o hospital francês que, depois de abandonado, teria sido um ninho de gatos?” (1)
A Travessa do Hospital dos Gatos é chamada actualmente Rua de George Chinnery, desde 1974, bicentenário do seu nascimento. Pos tanto a Rua de George Chinnery começa na Rua de S. Lourenço entre a Rua de Inácio Baptista e o Pátio da Casa Forte, e termina na Rua do Bazarinho, entre os prédios n.º 24 e 28.
Quando chegou a Macau a 29 de Setembro de 1825, viveu alguns meses na Rua do Hospital, numa casa de Christopher August Fearon, empregado da East India C.º, mas logo no ano seguinte arrendou o prédio n.º 8 da Rua de Inácio Baptista e ali viveu até à morte, ocorrida a 30 de Maio de 1852″. (2)
NOTA: Do semanário “O Independente” V-168, de 25 de Dezembro de 1882, encontrei esta referência à Travessa do Hospital dos Gatos

(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, ICM, 1997.
(2) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau Volume II, ICM, 1997.

«BGU» XLV -523/524, 969.
POSTAL (15 cm x 10 cm) – “ A night view of the Macau Taipa Bridge and Praia Grande Bay “(1)

A inauguração oficial da Ponte Macau-Taipa, com o nome de Ponte Governador Nobre de Carvalho foi a 5 de Outubro de 1974.
Referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ponte-do-governador-nobre-de-carvalho/
(1) Copyright Dept. of Tourism (D. S. T.) MACAU -5000-86-12 – Impresso na Gráfica de Macau, Lda.

“A inscrição do Relicário Grande de S. Francisco Xavier, em prata, que está fechado à chave e selado exposto na Igreja de S. José (Seminário de S. José), consta o seguinte:

Aqui está depositada a reliquia do
Glorioso S. Francisco Xavier Apostolo do Oriente
Este relicário foi mandado fazer em Londres por
António Pereira
Seus filhos e noras
E oferecido a
Sé Cathedral de Macau
Em 1.º de Septembro do anno de
1865

Sala «Sacrarium» da Capela de S. Francisco na Igreja de S. José

A relíquia de S. Francisco Xavier que consiste em um grande pedaço de osso do braço do Santo Apóstolo do Oriente e que viera de Goa para a igreja de S. Paulo de Macau, onde se conservou posteriormente à expulsão dos Padres Jesuítas, foi salva do incêndio que destruiu o complexo de S. Paulo a 26 de Janeiro de 1835.
A Relíquia do Braço de S. Francisco estava exposta em S. Paulo durante a batalha contra os Holandeses (24-06-1622).
A 3 de Fevereiro de 1835, foram entregues por António Teixeira Machado Bastos, por parte do Procurador do Leal Senado aos Padres Lourenço Taveira de Lemos e Rafael A de Sousa (nomeados pelo Vigário Capitular para este efeito), três baús de ossos que foram tirados, a maior parte, da parede da capela de S. Francisco Xavier, onde o Bispo D.. Francisco de N. Sra. Da Luz (1) havia depositado e mais alguns bocados de ossos que estavam no Santuário. Entre os objectos entregues estava “o caixilho de prata queimado com a cana do braço do Gloriosos S. Francisco Xavier que se tirou do sítio chamado santuário, de cima da parede, onde estava guardada esta Relíquia…”

Pormenor do braço de S. Francisco Xavier, Macau, Igreja de S. José

Em 19 de Fevereiro de 1835, foi transportado para a Sé Catedral onde se acha inventariada com nota à margem de ter sido, por ordem do Bispo D. António Joaquim Medeiros, (2) e entregue aos Padres do Seminário de S. José para a guardarem.
Essa (e outras relíquias que então estavam no Seminário) foram confirmadas (“comprovativo da autenticidade”) pelo mesmo Bispo.de Macau D. António Joaquim de Medeiros (1884-1897).(3)
Em 1974, a relíquia de São Francisco Xavier juntamente com as ossadas de mártires portugueses e japoneses mortos em Nagasáqui, durante as perseguições no ano de 1597, e as ossadas dos mártires vietnamitas do séc. XVIII, foram transferidas para a Capela/Igreja de S. Francisco Xavier, em Coloane. (4) Posteriormente, o relicário de prata como o osso do braço de S. Francisco Xavier, foi transferido para a Igreja de S. José.(5)
(1) Francisco de Nossa Senhora da Luz Chacim, O. F. M – bispo de Macau de 1804 a
1928.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-francisco-de-n-s-da-luz-chacim/
(2) António Joaquim de Medeiros – bispo de Macau de 1884 a 1897.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-antonio-joaquim-de-medeiros/
(3) Informações extraídas de TEIXEIRA, Padre Manuel – Macau e a Sua Diocese, Tomo II, 1940, p. 485 – 486).
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-francisco-xavier/
(5) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-jose/

Anúncios, em português, dos três barcos que faziam a ligação diária entre Macau e Hong Kong, em 1962. Exceptuando os barcos da «Companhia Nacional de Navegação», todas as ligações de Macau com o exterior eram feitas através de Hong Kong por estes três barcos. O preço era sensivelmente igual nos três barcos. O custo das passagens:
Cabines de 1.ª classe (singular) …  $ 20,00
Cabines de 1.ª classe (duplas) …… $ 15,00 (por pessoa)
Salão de 1.ª classe ………………… $ 8,00
Cabines de 2.ª classe (duplas) ……. $ 10,00 (por pessoa)
Salão de 2.ª classe ………………… $ 6,00

M. V. TAI LOY -大來 

Concluído em 16 de Setembro de 1948. Lançado à água em 20 de Outubro de 1949.
Navegou de 1950 a 1968, ano em que alterou o nome para “Chung Shan” e depois até 1978, com o nome de “Hong Xing 801” na China Continental.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/tai-loy/

S. S. TAKSHING – 徳星

Construído na Doca de Taikoo (Hong Kong) em 1924, já efectuava a carreira nos finais de década de 40. Tinha o nome de “S.S.Sai On” (西安) e fazia a carreira Macau-Hong Kong antes da guerra. Foi atacado e rebocado para Hong Kong pelos japoneses em 19 de Agosto de 1943 (episódio relatado anteriormente com o nome de “Sean Maru”). Em 1945, voltou a denominar-se “Sai On” até 1950, quando a Companhia “Tai Hip Shipping C.º“, de Hong Kong, o comprou e lhe pôs o nome de “ S.S. Tak Shing”. Era um vapor de 1949 toneladas com dois (três ?) conveses, 225 pés de comprimento e 42 pés de boca. Em 1968, mudou de nome para “Tung Shan” e até ser desmantelado em Janeiro 1974.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/takshing/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/19/noticia-de-19-de-agosto-de-1943-episodio-relatado-por-um-militar-no-quartel-da-guia-aquando-do-assalto-ao-vapor-sai-on-ii/
NOTA: O “S.S. Takshing” foi também notícia em 1952, no dia 25 de Setembro, quando foi “capturado” pelos chineses comunistas perto da Ilha de Lafsami tendo os navios “HMS Mounts Bay” e “HMS Consort” da Marinha Inglesa aberto fogo e conseguido rebocar o navio para as águas territoriais inglesas.
Outra referência a este navio está no diário de Ian Fleming (1908-1964 ) autor dos livros de “James Bond”) que anotou o seguinte aquando da sua passagem por Macau em 1959:
“Richard Hughes and I took the S.S. Takshing, one of the three famous ferries that do the Macao run every day, These ferries are not the broken down, smokebillowing rattletraps engineered by whisky-sodden Scotsmen we see on the films, but commodious three-decker steamers run with workmanlike precision. The three hour trip through the islands anda cross Deep Bay, brown with the waters of Pearl River that more or less marks the boundary between the leased territories and Communist China, was beautiful and uneventful…. “

S. S. FAT SHAN – 佛山

Perdido (virou e afundou) no dia 17 de Agosto de 1971, aquando da passagem do Tufão Rose por Hong Kong (perdeu 88 dos 92 passageiros e tripulantes).
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fat-shan-%E5%BD%BF%E5%B1%B1/

No dia 22 de Janeiro de 1973, assumiu as funções de Comandante Militar do Comando Territorial Independente de Macau, (1) o coronel do C.E.M., Manuel de Mesquita Borges, (2) sucedendo neste cargo ao coronel José Luís de Azevedo Ferreira Machado.
Na parada do Quartel General a continência da Guarda de Honra, tendo passado revista à mesma, após o que a Força Armada de efectivo duma companhia, com Guião e Fanfarra sob o comando do Capitão Duarte Ferreira desfilou perante a tribuna.
A transmissão de poderes realizou-se a seguir na Sala da Bibliotecas do referido estabelecimento militar, com a presença dos oficiais da Guarnição Militar.
O Chefe do Estado Maior, major Rui Ravara, deu as boas vindas ao novo Comandante Militar, a quem desejou as maiores felicidades no exercício do elevado cargo que acabava de lhe ter transmitido, salientando as qualidades dos militares do C. T. I. que muito facilitariam a missão que a partir daquele momento lhe cabia desempenhar.
O coronel Mesquita Borges dirigindo-se aos oficiais agradeceu a sua presença nesta cerimónia, acentuando que era a segunda vez (3) que servia na Guarnição Militar de Macau onde, praticamente começara a sua carreira militar. (4)
(1) Em 17 de Janeiro de 1961, a Guarnição de Macau passou a  chamar-se «Comando Territorial Independente de Macau»
(2) O Tenente-Coronel Manuel de Mesquita Borges (1924-2006) foi nomeado 2.º Comandante Militar em 30 de Setembro de 1971 e em 11 de Janeiro de 1972 é promovido ao posto de coronel, deixando desde esta data de desempenhar as funções do 2.º Comandante. Em 1972, foi nomeado Chefe de Gabinete da fiscalização da construção da ponte Macau-Taipa (depois denominada Ponte do Governador Nobre de Carvalho) Foi exonerado das funções de Comandante Militar em 3 de Junho de 1974.
(3) Em Macau, nos princípios da década de 50. Em 1951, foi feita uma restauração do “Clube Militar” de Macau que ficou a cargo do então Alferes de Engenharia, Manuel de Mesquita Borges. Em 1952 foi promovido a Tenente.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-de-mesquita-borges/
(4) Extraído de «Macau B.I.T.» VIII, 1973

A ponte das Nove Curvas no jardim Lou Lim Ioc em 1973

No dia 28 de Dezembro de 1974, (1) abriu as portas como Jardim Público, o único jardim de estilo chinês que pertenceu em tempos a Lou Lim Ioc e que o Governo adquiriu em 12 de Maio de 1973 (assinatura da compra e venda) (2) ao seu mais recente proprietário, «Sociedade de Fomento Predial Sei Iek Lda.», cujo gerente geral era o Ho Yin. Recuperado foi entregue ao Leal Senado para gestão deste este espaço de grande beleza e serenidade. (3)

O jardim de Lou Lim Ioc em 2017

A abastada família de artistas e letrados de apelido Lou/Lu, de Chiun Lin (distrito de San Wui/ Xinhui/Sunwui), na província de Cantão (Guangdong), cujo chefe de família era Lu Cheok Chin, também conhecido por Lou Kau, ou Lu Cao, um letrado de fino gosto artístico, veio para Macau, em 1870, fixando-se no Largo da Sé. (4) Adquiriu para recreio e “casa de campo” um terreno nas húmidas e pantanosas várzeas do Tap Seac. Contratou em Cantão os serviços de dois artistas, Lau Kat Lok e Lei Tat Chun para construírem um jardim chinês, ao estilo do século XIV, em Sou Chou (Suzhou)

O jardim de Lou Lim Ioc em 2017

O «Jardim das Delícias» ou «Yu Yun» ficou conhecido por «Jardim de Lou Kao» ou de «Lou Lim Ioc». O nome de Lou Lim Ioc (5) deriva do seu filho mais velho, que herdou parte da propriedade e o gosto do pai em receber com fausto as grandes figuras da cidade. O outro irmão, vivendo entre académicos, já que herdara do pai o pendor intelectual e literário, desinteressou-se da metade que lhe cabia na propriedade. (3)

Jardim do Lu-cau (vista interior onde se vê os viveiros, área hoje urbanizada) – “Ilustração Portugueza”, 1908.

Cercado de altos muros, tem hoje, a sua entrada pela Estrada Adolfo Loureiro, ocupando uma área de 1, 23 hectares (inicialmente registada com uma área de mais de 20 000 m2) mas reduzida por sucessíveis desanexações (por exemplo, a área ocupada actualmente pelas escolas Pui Cheng e Leng Nam). Dispondo das duas portas típicas dos jardins chineses, a “porta da lua” e a “porta da jarra”, encerra um grande lago de margens irregulares, bordejado por uma cortina de bambus e de salgueiros. Sobre o lago o célebre Pavilhão da Relva Primaveril que fica perto da montanha artificial, da qual de desprende uma cascata, e da famosa Ponte das Nove Curvas. (6)
Dentro do jardim havia um coreto inaugurado em 1928, onde, no início, o dono do jardim realizava espectáculos de ópera chinesa, de que era grande apreciador. Este coreto encontrava-se em lugar diferente do actual, visto que a porta dava para a Av. Conselheiro Ferreira de Almeida, e foi um dos edifícios destruídos pela explosão no Paiol da Flora em 13 de Agosto de 1931. (7)
Anteriores referências a este jardim em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jardim-lou-lim-ieoc/

A ponte das Nove Curvas no jardim Lou Lim Ioc em 2017

(1) Esta data vem referenciada na obra da Dra. Beatriz Basto da Silva (3). No entanto em muitos artigos e livros, vem referido como data de  abertura do jardim ao público o dia 28 de Setembro de 1974 – como por exemplo em «Jardins e Parques de Macau », p. 20. (6)
(2) Iniciativa do governador José Manuel Nobre de Carvalho. Foi adquirido com todas as benfeitorias existentes pela quantia de 2, 7 milhões de patacas. Após a assinatura da escritura foi feito o pagamento de $ 1 000 000,00, o restante foi feito no prazo de 18 meses a contar da data da celebração do contrato. Para o pagamento da primeira prestação foi utilizada importância de $ 1 000 000,00, referida no parágrafo segundo da 16.ª cláusula do contrato com a S. T. D. M. e destinada a obras de fomento. Dado que a despesa total excedia a importância fixada na regra 23.ª do artigo 15.º do E. P. A. da província foi necessário obter a autorização ministerial. (Macau B.I.T., 1973)
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3 (1995) e Volume III (3.ª edição reformulada, 2015).
(4) Lou Cheok Chin ou Lu Cheok Chi ou Lu Cao (1837 – 1906) foi naturalizado português por Carta Régia de 11-05-1886.Teve 29 filhos das suas 10 mulheres. O mais velho e mais célebre foi Lou Lim Ioc.
(5) Lou Lim Ioc (1877 -1927), milionário, letrado, diplomata entre a China e Portugal, membro do Conselho Legislativo de Macau, foi agraciado com a comenda da Ordem de Cristo a 13 de Abril de 1925. Faleceu no dia 15 de Julho de 1927 e o funeral realizou-se com grande pompa e aparato no dia 31 de Julho de 1927. (7)
(6) ESTÁCIO, António Júlio Emerenciano; SARAIVA, António Manuel de Paula – Jardins e Parques de Macau. IPO, 1993
(7) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
NOTA: Conta-me o meu amigo Fernando Guerra, então alferes em comissão de serviço em Macau e aquartelado na Ilha Verde, onde estavam 90 militares – soldados europeus e macaenses (após a fase de recruta ; vigorava o serviço militar obrigatório) que em 1973 (após a compra pelo Governo do jardim), por ordem superior, foram os militares “encarregados” de limpar a área do jardim que estava em bastante estado de degradação e abandono. Mas entre os chineses e macaenses constava-se que a área (bem como a família) estava amaldiçoada e por isso havia “fantasmas” a circular por lá, pelo que os soldados macaenses recusaram participar na tarefa. Foram os soldados europeus a executar o trabalho.