Archives for category: LIvros

No livro escolar, editado em 1963, de João Soares, antigo Professor do Instituto dos Pupilos do Exército (1) referente a Macau, só aparece duas fotos (que já são conhecidas doutros manuais escolares dessa época) e um pequeno mapa dentro do MAPA : Índia Portuguesa, Macau e Timor.

Macau, uma rua típica
NOTA: Rua da Felicidade
Vista aérea de Macau
NOTA: não é uma vista aérea , mas uma foto tirada da fortaleza da Guia.
MAPA: Índia Portuguesa, Macau e Timor
Mapa de Macau – escala de 1:500000

(1) SOARES, João – Novo Atlas Escolar Português, [Histórico-geográfico]. Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa, Nona edição actualizada, 1963, 149 p.

Do Livro “Portugal no Mundo”, livro de leituras para a 4.ª classe da Província de Moçambique, de 1966, (1) na página 146, pequena referência a Macau, um pequeno trecho da Hermengarda Marques Pinto, do seu livro ”Macau, Terra de Lendas” (2)
(1) “Portugal no Mundo”, livro de leituras para a 4.ª classe da Província de Moçambique, de 1966, 188 p.
(2) PINTO, Hermengarda Marques – Macau terra de lendas. Campanha Nacional de Educação de Adultos, Tipografia da Atlântida-Coimbra, 1955, 128 p.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hermengarda-marques/ 

Pequeno opúsculo de 24 páginas (23cm x 16 cm) escrito por Hugo C. de Lacerda Castelo Branco (na altura, Vice-Almirante da reserva engenheiro hidrógrafo) e publicado pela Imprensa da Armada (Lisboa) em 1932.
O autor traça o historial do “projecto porto de Macau” que defendeu desde 1912 (então como capitão dos portos) em favor do Pôrto Interior, desde finais do século XIX:
“Fôra um muito considerado oficial da marinha, o Comandante Cinatti, então capitão dos portos de Macau, que, no último quartel do passado século, levantára o grito de alarme contra a crescente envasamento que cada vez mais entulhava o pôrto e bloqueava aquela colónia…
Parte do conteúdo foi apresentado pelo autor no Congresso Colonial da Sociedade de Geografia realizado em 1921 com a tese: “A Valorização do novo pôrto de Macau como base de maior ressurgimento da Colónia
O autor viria mais tarde, após ter sido director das Obras dos Portos de Macau, a defender em favor do Porto Exterior, justificando que as circunstâncias iniciais eram totalmente diferentes entre as duas épocas (considerações políticas e económicas). Apresenta as razões de não ter tido maior afluência da navegação ao Porto Interior apesar das melhorias para a navegação. Na nota final , apresenta um recorte duma carta do autor escrita ao «Diário de Notícias» de 17 de Junho de 1933, a propósito das afirmações do Governador de Macau (António José Bernardes de Miranda nomeado em 21 de Junho de 1932) numa a entrevista desse jornal.
BRANCO, Hugo C. de Lacerda Castelo – Considerações sôbre o pôrto para navios em Macau. Separata dos “Anais do Club Militar Naval”. Imprensa da Armada, Lisboa, 1932, 24 p.
Anteriores referências a Hugo C. de Lacerda Castelo Branco em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hugo-lacerda-castelo-branco/

“Macau, era, quando lá estive, entre 1949 e 1961, uma cidade cheia de encanto – pelo menos para mim que lá vivi 12 anos, numa idade em que se é excecionalmente receptivo à novidade e ao exotismo. (…)
Vivi 12 anos em Macau. Fui como médico militar, na sequência de uma conversa, na Bijou, com um meu amigo que, sabendo da necessidade que eu tinha de começar a ganhar a minha vida e cortar o cordão umbilical familiar, em falou, sem grandes pormenores, do exotismo daquelas paragens. Num dos repentes que às vezes me dão, fui aos Restauradores e ofereci-me como voluntário. (…)
Foi um desilusão geral:  (aquando da visita a Macau em 1972, integrado na romagem da saudade, organizado pela Casa de Macau de Lisboa) cheia de arranha-céus de arquitectura pelintra , com tráfico intenso, suja e desordenada – Macau pagava o preço do progresso, como me disse a presidente do leal Senado de então. Esta questão do chamado «progresso» é, nos nossos dias, um grave problema que degrada o meio ambiente e constantemente nos agride em todas as latitudes. (1)

Ao centro (de óculos) o Director dos Serviços de Saúde, Dr. Paiva Martins (3) por inerência, Director do Hospital Central Conde de S. Januário (o autor no livro regista-o erradamente como Dr. Costa Martins).
À direita em primeiro plano o Delegado da Saúde de Macau e Ilhas, médico de 1.ª classe do quadro médico comum do Ultramar, Dr. João Albino Ribeiro Cabral.
Muito possivelmente a fotografia é de 1957, ano em que o Dr. José Marcos Batalha, (à direita, em segundo plano) foi nomeado médico oftalmologista do Hospital (embora já trabalhasse desde 1949, no Hospital S. Rafael).
No fundo à direita, o então jovem enfermeiro António Fernandes (um grande abraço para este amigo e parente).
(1) MORAES, Álvaro de – Macau Memórias Década de 50. Livros do Oriente , 1994, 187 p. ISBN 972.9418-26-8, 19cm x 12,5 cm.
(2) Álvaro Ferrão Antunes de Moraes, médico cirurgião, veio para Macau, em 1949, como médico voluntário da guarnição militar de Macau. Foi nomeado em 1951 cirurgião militar. Em 1955, concorreu ao lugar cirurgião dos Serviços de Saúde de Macau. Durante os 12 anos que viveu em Macau (1949-1961), além da sua clínica privada (consultório de clínica geral na Travessa do Paralelo, n.º1 – 1.ª; n.º telefone: 3513), foi também cirurgião do Hospital de S. Rafael (1956-57) e trabalhou na clinica Anticancerosa Lara Reis, que mais tarde dirigiu. Foi também director do Serviço de Radiologia e Agentes Físicos (1956-1957).
(3) – José de Paiva Martins  – médico chefe do quadro médico comum do Ultramar e  Director dos Serviços de Saúde de  15-10-1955 até 26-06-1963 (data da portaria ministerial da sua nomeação de inspetor provincial dos Serviços de Saúde de Moçambique.

Luis de Pina (1) neste seu trabalho científico, (2) apresentado nas Sessões Científicas de Medicina do Porto no dia 21 de Janeiro de 1943, descreve por ordem alfabética, as localidades ultramarinas onde existiram hospitais portugueses nos séculos XVI e XVII.
Em relação a Macau e a Liampó, (p. 46)diz o seguinte:
Hospitais de Liampó (3)
Sôbre estes estabelecimentos, vid. Fernão Mendes Pinto, Peregrinação (ed. De 1930, VII, pág. 123). Eram dois hospitais e uma casa da Misericórdia, que dispendia, por ano, mais de trinta mil cruzados.
Hospitais de Macau
Havia Santa Casa da Misericórdia e hospitais de S. Lázaro e S. Rafael, fundados em 1569 por D. Belchior, S. J., o 1.º Bispo da China e do Japão (Domingos Tang, «Macau, ponto de irradiação do lusismo no Extrêmo- Oriente», em Actas do «Primeiro Congresso da História da Expansão Portuguesa no Mundo, 2.ª Secção, vol. II, Lisboa, 1938, págs. 297).(4)
A Misericórdia recebia o seu Compromisso, em 1627 (Arlindo Camilo Monteiro, ob. Cit., transcreve o diploma, que encontrou na Biblioteca da Ajuda – Colecção «Jesuítas na Ásia»)”
(1) Luís José de Pina Guimarães ou Luís de Pina (1901 – 1972) foi um médico, professor universitário e político português.
Concluiu na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra os estudos preparatórios médicos vindo a licenciar-se (1927) e depois a doutorar-se (1930) na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Nesta faculdade ocupou o lugar de assistente de Anatomia (1927), professor auxiliar de Medicina Legal, História da Medicina e Deontologia Criminal (1931) e de professor catedrático de História da Medicina e Deontologia Profissional (1944).
Para além da docência foi Procurador-vogal do Centro de Estudos Demográficos do Instituto Nacional de Estatística, vogal da Junta das Missões Geográficas e de Investigações Coloniais, vogal da Comissão Nacional de História das Ciências, Vice-presidente do Conselho Regional da Ordem dos Médicos (1942-1944), Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto (1953-1955), diretor do Instituto de Criminologia do Porto e foi também o primeiro diretor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1961-1966).
Restante biografia em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_de_Pina
http://app.parlamento.pt/PublicacoesOnLine/OsProcuradoresdaCamaraCorporativa%5Chtml/pdf/g/guimaraes_luis_jose_de_pina.pdf”>http://app.parlamento.pt/PublicacoesOnLine/OsProcuradoresdaCamaraCorporativa%5Chtml/pdf/g/guimaraes_luis_jose_de_pina.pdf
https://sigarra.up.pt/up/pt/web_base.gera_pagina?P_pagina=1006676″>https://sigarra.up.pt/up/pt/web_base.gera_pagina?P_pagina=1006676
(2) PINA, Luiz de – Expansão Hospitalar Portuguesa Ultramarina Séculos XVI e XVII. Separata da Revista Brotéria, Vol. XXXVII, Fasc. 5, Novembro de 1943.
Lisboa, 1943, 60 p. + 8 p. estampas. , 22,5 cm x 16 cm.
(3) Na anotação do autor, no pé da página refere “Ou Ningpó, perto de Xangai (Cfr. Jaime do Inso, China, Lisboa, 1936, pág. 368),
Liampó ou Ningbo (寧波) é um porto com status administrativo. A cidade tem uma população de 2.201.000 e está localizado no nordeste da província de Zhejiang, na China. Situada a sul da Baía de Hangzhou, e de frente para o Mar da China Oriental, a leste, fronteiras Ningbo Shaoxing a oeste e ao sul Taizhou, e é separado Zhoushan por um corpo de água estreito.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ningbo
(4) Ver anteriores referências a este Bispo, D. Domingos Tang Yi Ming
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-domingos-tang-yi-ming/

Livro publicado em 1896, “As Colonias Portuguezas: Geographia physica, Politica e Economica” foi escrita por Ernesto J. de C. e E. Vasconcellos (1) ( “capitão tenente da Armada, hydrographo, lente da Escola Naval , secretário da Comissão de Cartographia e da Sociedade de Geographia de Lisboa, etc”). Impresso na “Typographia da Companhia Nacional Editora”, Lisboa em 1896. (2)
Nas primeiras páginas , uma dedicatória do autor “Á Memória dos Navegadores Portuguezes” e “À Sociedade de Geographia de Lisboa”
No Prefácio: ”… Um livro em que as colonias portuguezas – não se imagine que ignoramos a denominação oficial de possessões ultramarinas, que a legislação nacional dá aos nossos domínios no ultramar, mas o título do adoptado é mais sugestivo, no momento presente, em que o publico tanto falla de colonias – se achassem descriptas nos seus mais importantes detalhes geográficos e económicos...”

MACAU Geographia Physica pp. 369-373
Geographia  Economica pp. 373 – 381
Geographia Politica pp. 381 – 386

Meios de Communicação – p. 401
O serviço (marítimo) para a Índia e Macau é feito pelas linhas extrangeiras, quer seja a «Peninsular e Oriental» (inglesa) que os passageiros vão tomar a Brindisi, na Itália; quer as “Messageries Maritimes» (franceza) que os passageiros vão tomar ao porto de partida que é Marselha
Quanto à comunicação telegráfica “ Macau está em conexão com Hong Kong, pelo cabo submarino expressamente subvencionado pelo nosso governo “.
(1) Ernesto Júlio de Carvalho e Vasconcellos (1852-1930)  – capitão de mar e guerra em 1910, engenheiro hidrográfico, professor da Escola Naval, jornalista, autor de vários livros sobre as colónias portuguesas, cartografia e história da colonização. Editor da “Revista Portugueza colonial e marítima” – revista dedicada a todas as questões de interesse colonial e marítimo, de 1897 até 1910.
Os seus trabalhos sobre colónias e sobre geografia tornaram-no conhecido no estrangeiro, e o dr. Mill convidou-o para colaborar na grande obra “A Nova Geografia Internacional”, e a “Enciclopédia Britânica” pediu-lho também a sua colaboração por parte de Portugal e colónias. O mesmo fez a casa “Larousse de Paris”.
Ver biografia mais pormenorizada em:
http://www.arqnet.pt/dicionario/vasconcelosernesto.html
(2) VASCONCELLOS, Ernesto J. de C. e E. – As Colonias Portuguezas: Geographia Physica, Politica e Economica. Typographia da Companhia Nacional Editora, Lisboa, 1896, 437 p. 18 cm x 12 cm.
Encadernação da época de lombada em pele e papel, com pequeno defeito
Entre 1896 e 1903, foram publicados 12 edições, corrigido, aumentado e com  incorporação de mapas.

Brochura de 49 páginas da Professora Dra. Ana Maria Amaro, editado em 1967, pelo Centro de Informação e Turismo (Macau) e imprimido na Tipografia da Missão do Padroado (acabou de se imprimir a 25-04-1967).

Na Capa: um Ká San (家神) figura em madeira, produto do artesanato local.

O artesanato, em Macau, está praticamente cantonado à população chinesa já que os portugueses, constituindo pequena parte da população local, ocupam, principalmente, diversos cargos do funcionalismo público.
Onde acaba, em Macau, o artesanato e começa o regime de fabriqueta, é realmete, muito difúicil, por vezes, de destrinçar, não só porque a maior parte dos maquinismos são muito rudimentares, mas, também, porque o modo de assalariamento  de aprendizes, entre os chineses, é diverso do que, actualmente , se verifica no Ocidente.
A maioria dos aprendizes, em regime de verdadeira corporação medieval, tradicional na velha China, recebe alimentação e ensinamentos, por vezes a par do alojamento, em lugar de salário, que, apenas, costuma ser atribuído à queles que desempenham já cargos de monitores e aos quais compete orientar os mais atrasados no ofício.
Entre os chineses conservadores, continua a ser adoptada, em Macau, esta aprendizagem de artes e ofícios, nos clássicos moldes do Império do Meio. E é deste modo que não há, em certos casos, por assim dizer, empregados e patrões mas sim o mestre e os seus discípulos. “
A autora descreve as verdadeiras formas artesanais (as chamadas indústrias caseiras) que  ainda existiam em Macau na década de 60 (século XX) enumerando-as por ordem decrescente de importância:
Trabalhos em bambu, panchões, objectos em papel, pivetes de culto, velas votivas, objectos em madeira, bordados, lampeões, vassouras espanadores, cordas, aprestos de pesca, objectos em rota (rotim, ola e fibra de plástico), objectos em folhas de Flandres e latão, objectos em arame, caixas de fósforos, pintura em vidro e gravação de espelhos, figuras em massa de farinha, colheres em casca de coco, objectos em fio de plástico, tamancos, roupas de criança, gravação em pedras de má tcheóng, e tecelagem.
AMARO, Ana Maria – Alguns Aspectos do Artesanato em Macau. Centro de Informação e Turismo (Macau), 1967, 40 p., 24,5 cm x 18 cm. Tiragem: 500 exemplares.
家神mandarim pīnyīn: jiā shēn ; cantonense jyutping: gaa1 san1 – divindade da família.