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Luis de Pina (1) neste seu trabalho científico, (2) apresentado nas Sessões Científicas de Medicina do Porto no dia 21 de Janeiro de 1943, descreve por ordem alfabética, as localidades ultramarinas onde existiram hospitais portugueses nos séculos XVI e XVII.
Em relação a Macau e a Liampó, (p. 46)diz o seguinte:
Hospitais de Liampó (3)
Sôbre estes estabelecimentos, vid. Fernão Mendes Pinto, Peregrinação (ed. De 1930, VII, pág. 123). Eram dois hospitais e uma casa da Misericórdia, que dispendia, por ano, mais de trinta mil cruzados.
Hospitais de Macau
Havia Santa Casa da Misericórdia e hospitais de S. Lázaro e S. Rafael, fundados em 1569 por D. Belchior, S. J., o 1.º Bispo da China e do Japão (Domingos Tang, «Macau, ponto de irradiação do lusismo no Extrêmo- Oriente», em Actas do «Primeiro Congresso da História da Expansão Portuguesa no Mundo, 2.ª Secção, vol. II, Lisboa, 1938, págs. 297).(4)
A Misericórdia recebia o seu Compromisso, em 1627 (Arlindo Camilo Monteiro, ob. Cit., transcreve o diploma, que encontrou na Biblioteca da Ajuda – Colecção «Jesuítas na Ásia»)”
(1) Luís José de Pina Guimarães ou Luís de Pina (1901 – 1972) foi um médico, professor universitário e político português.
Concluiu na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra os estudos preparatórios médicos vindo a licenciar-se (1927) e depois a doutorar-se (1930) na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Nesta faculdade ocupou o lugar de assistente de Anatomia (1927), professor auxiliar de Medicina Legal, História da Medicina e Deontologia Criminal (1931) e de professor catedrático de História da Medicina e Deontologia Profissional (1944).
Para além da docência foi Procurador-vogal do Centro de Estudos Demográficos do Instituto Nacional de Estatística, vogal da Junta das Missões Geográficas e de Investigações Coloniais, vogal da Comissão Nacional de História das Ciências, Vice-presidente do Conselho Regional da Ordem dos Médicos (1942-1944), Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto (1953-1955), diretor do Instituto de Criminologia do Porto e foi também o primeiro diretor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1961-1966).
Restante biografia em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_de_Pina
http://app.parlamento.pt/PublicacoesOnLine/OsProcuradoresdaCamaraCorporativa%5Chtml/pdf/g/guimaraes_luis_jose_de_pina.pdf”>http://app.parlamento.pt/PublicacoesOnLine/OsProcuradoresdaCamaraCorporativa%5Chtml/pdf/g/guimaraes_luis_jose_de_pina.pdf
https://sigarra.up.pt/up/pt/web_base.gera_pagina?P_pagina=1006676″>https://sigarra.up.pt/up/pt/web_base.gera_pagina?P_pagina=1006676
(2) PINA, Luiz de – Expansão Hospitalar Portuguesa Ultramarina Séculos XVI e XVII. Separata da Revista Brotéria, Vol. XXXVII, Fasc. 5, Novembro de 1943.
Lisboa, 1943, 60 p. + 8 p. estampas. , 22,5 cm x 16 cm.
(3) Na anotação do autor, no pé da página refere “Ou Ningpó, perto de Xangai (Cfr. Jaime do Inso, China, Lisboa, 1936, pág. 368),
Liampó ou Ningbo (寧波) é um porto com status administrativo. A cidade tem uma população de 2.201.000 e está localizado no nordeste da província de Zhejiang, na China. Situada a sul da Baía de Hangzhou, e de frente para o Mar da China Oriental, a leste, fronteiras Ningbo Shaoxing a oeste e ao sul Taizhou, e é separado Zhoushan por um corpo de água estreito.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ningbo
(4) Ver anteriores referências a este Bispo, D. Domingos Tang Yi Ming
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-domingos-tang-yi-ming/

Livro publicado em 1896, “As Colonias Portuguezas: Geographia physica, Politica e Economica” foi escrita por Ernesto J. de C. e E. Vasconcellos (1) ( “capitão tenente da Armada, hydrographo, lente da Escola Naval , secretário da Comissão de Cartographia e da Sociedade de Geographia de Lisboa, etc”). Impresso na “Typographia da Companhia Nacional Editora”, Lisboa em 1896. (2)
Nas primeiras páginas , uma dedicatória do autor “Á Memória dos Navegadores Portuguezes” e “À Sociedade de Geographia de Lisboa”
No Prefácio: ”… Um livro em que as colonias portuguezas – não se imagine que ignoramos a denominação oficial de possessões ultramarinas, que a legislação nacional dá aos nossos domínios no ultramar, mas o título do adoptado é mais sugestivo, no momento presente, em que o publico tanto falla de colonias – se achassem descriptas nos seus mais importantes detalhes geográficos e económicos...”

MACAU Geographia Physica pp. 369-373
Geographia  Economica pp. 373 – 381
Geographia Politica pp. 381 – 386

Meios de Communicação – p. 401
O serviço (marítimo) para a Índia e Macau é feito pelas linhas extrangeiras, quer seja a «Peninsular e Oriental» (inglesa) que os passageiros vão tomar a Brindisi, na Itália; quer as “Messageries Maritimes» (franceza) que os passageiros vão tomar ao porto de partida que é Marselha
Quanto à comunicação telegráfica “ Macau está em conexão com Hong Kong, pelo cabo submarino expressamente subvencionado pelo nosso governo “.
(1) Ernesto Júlio de Carvalho e Vasconcellos (1852-1930)  – capitão de mar e guerra em 1910, engenheiro hidrográfico, professor da Escola Naval, jornalista, autor de vários livros sobre as colónias portuguesas, cartografia e história da colonização. Editor da “Revista Portugueza colonial e marítima” – revista dedicada a todas as questões de interesse colonial e marítimo, de 1897 até 1910.
Os seus trabalhos sobre colónias e sobre geografia tornaram-no conhecido no estrangeiro, e o dr. Mill convidou-o para colaborar na grande obra “A Nova Geografia Internacional”, e a “Enciclopédia Britânica” pediu-lho também a sua colaboração por parte de Portugal e colónias. O mesmo fez a casa “Larousse de Paris”.
Ver biografia mais pormenorizada em:
http://www.arqnet.pt/dicionario/vasconcelosernesto.html
(2) VASCONCELLOS, Ernesto J. de C. e E. – As Colonias Portuguezas: Geographia Physica, Politica e Economica. Typographia da Companhia Nacional Editora, Lisboa, 1896, 437 p. 18 cm x 12 cm.
Encadernação da época de lombada em pele e papel, com pequeno defeito
Entre 1896 e 1903, foram publicados 12 edições, corrigido, aumentado e com  incorporação de mapas.

Brochura de 49 páginas da Professora Dra. Ana Maria Amaro, editado em 1967, pelo Centro de Informação e Turismo (Macau) e imprimido na Tipografia da Missão do Padroado (acabou de se imprimir a 25-04-1967).

Na Capa: um Ká San (家神) figura em madeira, produto do artesanato local.

O artesanato, em Macau, está praticamente cantonado à população chinesa já que os portugueses, constituindo pequena parte da população local, ocupam, principalmente, diversos cargos do funcionalismo público.
Onde acaba, em Macau, o artesanato e começa o regime de fabriqueta, é realmete, muito difúicil, por vezes, de destrinçar, não só porque a maior parte dos maquinismos são muito rudimentares, mas, também, porque o modo de assalariamento  de aprendizes, entre os chineses, é diverso do que, actualmente , se verifica no Ocidente.
A maioria dos aprendizes, em regime de verdadeira corporação medieval, tradicional na velha China, recebe alimentação e ensinamentos, por vezes a par do alojamento, em lugar de salário, que, apenas, costuma ser atribuído à queles que desempenham já cargos de monitores e aos quais compete orientar os mais atrasados no ofício.
Entre os chineses conservadores, continua a ser adoptada, em Macau, esta aprendizagem de artes e ofícios, nos clássicos moldes do Império do Meio. E é deste modo que não há, em certos casos, por assim dizer, empregados e patrões mas sim o mestre e os seus discípulos. “
A autora descreve as verdadeiras formas artesanais (as chamadas indústrias caseiras) que  ainda existiam em Macau na década de 60 (século XX) enumerando-as por ordem decrescente de importância:
Trabalhos em bambu, panchões, objectos em papel, pivetes de culto, velas votivas, objectos em madeira, bordados, lampeões, vassouras espanadores, cordas, aprestos de pesca, objectos em rota (rotim, ola e fibra de plástico), objectos em folhas de Flandres e latão, objectos em arame, caixas de fósforos, pintura em vidro e gravação de espelhos, figuras em massa de farinha, colheres em casca de coco, objectos em fio de plástico, tamancos, roupas de criança, gravação em pedras de má tcheóng, e tecelagem.
AMARO, Ana Maria – Alguns Aspectos do Artesanato em Macau. Centro de Informação e Turismo (Macau), 1967, 40 p., 24,5 cm x 18 cm. Tiragem: 500 exemplares.
家神mandarim pīnyīn: jiā shēn ; cantonense jyutping: gaa1 san1 – divindade da família.

Anúncio na imprensa do Rio de Janeiro de 1932, do livro de Jaime do Inso. “O Caminho do Oriente!” (1)

“Obra patriotica e de ressurgimento nacional pelo regresso ao Oriente de cujo comercio ha tanto nos afastamos”
“A viagem e as cenas vividas nesse Oriente maravilhoso , onde ainda tanto perdura a tradição portuguesa, tornam este livro de uma leitura agradavel, em que o romance e a descrição se aliam numa linguagem que prende sem cansar”

(1) Ver em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/02/17/leitura-o-caminho-do-oriente/

Livro de Artur Levy Gomes, “Esboço da História de Macau 1511-1849”, editado pela Repartição Provincial dos Serviços de Economia e Estatística Geral (Secção da Propaganda e Turismo) de Macau, em 1975. Foi composto e impresso na Tipografia “Soi Sang Printing Press
Conforme o título sugere é um esboço cronológico da história de Macau, por anos desde 1511 a 1849. Este último, 1849, ano do assassinato do Governador Ferreira do Amaral e o episódio da tomada do forte de Passaleão.
No prólogo, o autor alerta “Ao leitor”:
O título que escolhemos para este pequeno trabalho, pobre de literatura e despido de erudição, mostra bem que não pretendemos fazer a História de Macau, para que não nos achamos com fôlego, mas simplesmente divulgar alguns dos episódios da acidentada vida desta nossa tão longínqua, quão encantadora província ultramarina.
Não espere, portanto, o leitor encontrar aqui um trabalho completo, mas queira resignar-se a ver nele apenas um sintético esboço dessa História, desculpando-nos, benevolamente, as lacunas que encontrar
GOMES, Artur Levy – Esboço da História de Macau 1511-1849. Repartição Provincial dos Serviços de Economia e Estatística Geral (Secção da Propaganda e Turismo), 1957, 409 p. |10| p. , 22 cm x 16 cm.

Apresento o livro: “O Jardim do Encanto Perdido – Aventura Maravilhosa de Wenceslau de Moraes no Japão”, que começou a ser escrito por Armando Martins Janeiro (1), em Tokushima , em 1 de Julho de 1954,  dia da inauguração do monumento a Wenceslau de Moraes, e acabado de escrever em Tóquio, em Novembro do mesmo.

A edição original foi de 300 exemplares, “em papel arroz japonês, ilustrada com estampas a cores gravadas, por meio de blocos de madeira, em papel especial japonês, na Adachi Hanga Kenkyujo, de Tóquio, e impressa na tipografia Yoshikawa-do, de Tokushima, e na tipografia da Livraria Simões Lopes, do Porto. Foram publicados vários capítulos no jornal «O Comércio do Porto», onde Wenceslau de Moraes deu a conhecer, também em folhetim, a mais importante parte da sua obra” (extraído última página do livro)
Da parte interior da contra-capa retiro o seguinte:
SOBRE ESTE LIVRO: O Jardim do Encanto Perdido
Até hoje houve apenas um ocidental que se passou para o modo de vida oriental e que nos deixou o relato da sua invulgar experiência – foi o português Wenceslau de Moraes. Moraes foi viver para o Oriente, para o Japão, com o simples propósito de encontrar a felicidade, depois de se convencer que o sistema europeu perdeu o sentido fundamental da vida, se afastou do espírito essencial da obra da criação. Desiludido dos ideais do Ocidente, abandonou a sua carreira de oficial de Marinha e de cônsul ´, a família, a sua terra, por outro ambiente social e outros ideais, que lhe pareceram mais sãos e mais conformes à natureza humana. Moraes foi a primeira vítima da atmosfera de frustração e descrença em si mesma que invadiu a Europa já antes da primeira guerra mundial.. (…)
A pedido dum japonês, o próprio Wenceslau de Moraes traça a um ano antes de morrer a sua biografia, e em relação a Macau refere (in pp. 43-44)
De Macau visita repetidas vezes a China e o Japão. Com o lugar de imediato acumula outros cargos: é inspector da importação e exportação do ópio por um ano; é professor de língua portuguesa no Seminário de São José. Aluga uma casa que mobila, cuidadosamente, «descendo às minuciosidades». Gosta de observar os vizinhos chineses na sua lida diária, o formigueiro humano que passa na rua, dos garotos, das mulheres, dos vendilhões, dos mendigos. Com a sua predilecção pelas ciências naturais, vai plantando o seu jardim, madrugador, «passando as manhâs num cómico afã de jardinagem». Tem um companheiro, um cão chinês, Kowloon.
Começa Já a escrever impressões da vida de Macau, do que vê nas curtas visitas à China, pequenas histórias extraídas do que, no espectáculo que o cerca, lhe encanta os olhos ou lhe comove o coração sensível. Tem um grande amigo em Macau, o poeta Camilo Pessanha, a quem dedica as «Paisagens da China e do Japão».
Nas suas viagens ao interior da China, que nunca levou muito longe, poor terra, ou no seu barco, vai conhecendo o povo e a sociedade, que o repelem pela promiscuidade e mau cheiro das imundícies…(…)
Em 1898 teve um enorme desgosto na sua carreira – foi preterido no preenchimento da vaga de Capitão do porto de Macau por um oficial de patente inferior à sua. Orgulhoso e sensitivo como era, nºão quis ficar, como imediato, debaixo da autoridade do coelga menos qualificado. Surgiu-lhe a ideia do Japão, que desde há muito o atría. Pede ao Governo que o nomeie Cônsul no Japão. O pedido é atendido.Em 1899 vem instalar-se em Kobe.

Wenceslau de Moraes ajoelhado sobre as esteiras de palha de arroz (tatami), ao lado do braseiro (hibachi), como um japonês. Em frente, a caixa de fumar (tabako-bon) , onde se põe o tabaco, o lume sempre aceso e o delgado cachimbo japonês (kiseru)

(1) Armando Martins Janeiro viveu três anos no Japão, (como Primeiro Secretário de Legação em Tóquio, de 1952 a 1955; viria posteriormente a exercer funções de Embaixador de Portugal em Tóquio, de 1964 a 1971), visitou lugares e conversou co pessoas que conviveram  com Moraes, na pequena cidade de Tokushima, e reuniu grande número de documentos e escritos inéditos, de fontes japonesa e portuguesa.
Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/armando-martins-janeiro/
JANEIRO, Armando Martins – O Jardim do Encanto Perdido – Aventura Maravilhosa de Wenceslau de Moraes no Japão, Manuel Barreira-Editor, Porto, 1956, 245 p. + XCIX anexos “101 Bilhetes Postais Ilustrados de Wenceslau de Moraes”
Traduzida para japonês uma versão resumida – Yoake no Shirabe (Em Busca da Madrugada) – a que se juntaram os estudos Lafcadio Hearn e Wenceslau de Moraes – Dois Intérpretes do Japão e Bases Ocidentais e Orientais para um Humanismo Universal; tradução de Minako Nonoyama, Katsura Shobo, 1969.

Deste livro, (1) transcrevo os dados históricos da corveta «D. João I» relacionados com as comissões em Macau; alguns dados não são condicentes com o publicado nas minhas postagens anteriores (2), dados esses que na altura recolhi do Arquivo Histórico da Marinha (3)
Pelo seu armamento em Goa, assumiu o comando o capitão de mar e guerra José António Marcelino Pereira e entrou pela primeira vez no porto de Lisboa, ido de Goa em 1831. O Governo francês, nas lutas entre liberais e miguelistas, tomou conta de vários navios de guerra portuguesa, entre eles, a corveta «D. João I» que enviou para Brest em 11 de Julho de 1831.
Após negociações ao fim de três anos, foi resgatada em 1834, tendo uma guarnição portuguesa chefiada pelo capitão-tenente João Maria Ferreira do Amaral partido e trazido de Brest com partida a 25 de Julho e chegada ao Tejo a 30 de Julho de 1834.

http://portalbarcosdobrasil.com.br/bitstream/handle/01/643/003101.pdf?sequence=1&isAllowed=y

Na sua oitava comissão (a primeira em direcção a Macau), saiu a 23 de Outubro de 1849, sob o comando do capitão-tenente Isidoro Francisco Guimarães, para a estação naval da América do Sul e dali para a de Macau em viagem sem escalas. Chegou ao seu destino, depois de 105 dias de viagem, isto é, a 25 de Abril de 1851. O comandante Guimarães deixou o comando ao oficial imediato, capitão-tenente Domingos Roberto de Aguiar, em 19 de Novembro por ter sido nomeado Governador de Macau.
A corveta partiu de regresso a Portugal a 27 de Dezembro e chegou a Lisboa em 18 de Agosto de 1852.
Na sua décima comissão, a missão de corveta era exigir das autoridades chinesas uma satisfação oficial e pecuniária pelas depredações e injúrias feitas ao comércio marítimo português pelo famoso pirata Apack que na altura havia atacado e roubado diferentes lorchas macaístas. Largou a 6 e Outubro de 1853 sob o comando do capitão-de-fragata Carlos Craveiro Lopes para a Estação Naval de Macau com escala pelo Cabo de Boa Esperança e Timor.  
Era imediato do navio o 1.º tenente Joaquim de Fraga Pery de Linde e faziam quartos os tenentes Zeferino Teixeira, Silva Costa Fonseca e João Eduardo Scarnichia.
O médico era Faustino José Cabral. Seguiam embarcados 10 guarda marinhas (entre estes Carlos Eugénio Correia da Silva (mais tarde conde de Paço d´Arcos)
Em 1 de Fevereiro de 1854 navegava no arquipélago de Sonda com mar de vaga larga, vento oesnoroeste fresco e céu limpo. Sucederam-se calmas, ventos variáveis e trovoadas que cansaram extraordinariamente a guarnição, pelas repetidas manobras que teve de fazer.
Seguia como intérprete o hábil e honesto João Rodrigues, de Macau. Uma parte da esquadra do pirata encontrava-se entre Ning-Pó e Compó, na força de 6 táo-maus ou juncos e 1 haipó, de 32 peças de artilharia. Parte desta artilharia havia sido da fragata D. Maria II, destruída em Macau pela explosão do seu paiol da pólvora.
Em Macau, cedeu à canhoneira «Camões», 12 carabinas pelo que ficou reduzida a 54 visto terem-se inutilizado as restantes.
Em 14 de Maio de 1854 largou a corveta de Macau com destino a Ning-Pó- Fu, fazendo escala por Hong Kong e Amoy. Entrou em Hong Kong no dia seguinte e largou a 17 para Amoy.
Fundeou diante da cidade de Ning-Pó-Fu a 22 de Junho. (4)
A corveta, em 1856 largou para Portugal e a 18 de Janeiro do ano seguinte entrava o Tejo. Em 1 de Agosto de 1859 tendo terminado as reparações, armou, assumindo o comando o capitão de fragata Feliciano António Marques Pereira.
A Décima primeira Comissão, novamente rumo a Macau (missão: viagem diplomática ao Japão) saiu em 28 de Agosto de 1859, sob o comando do capitão de fragata Feliciano António Marques Pereira, fazendo escala por Luanda, para onde levava passageiros e dinheiro, e por Dili. Apanhou uma tempestade próximo do cabo de Boa Esperança, passou por Batávia (autoridade holandesa) onde esteve 13 dias no porto e de onde saiu em 17 de Janeiro de 1860 em direcção a Dili que alcançou a 24 do mesmo mês – passado 6 dias largou para Macau onde só conseguiu ancorar em 15 de Março, devido a ventos banançosos e contrários.
Em Macau recebeu ordem do Governador para partir para Xangai fazendo escala por Hong Kong. Largou a 27 de Maio, tocou em Hong Kong na madrugada do dia seguinte, e saiu para o norte a 5 de Junho.
No dia 23 fundeou em frente de Wussung, um dos afluentes do Yang-Tsé, e a 29 foi embarcar na corveta o Governador de Macau, capitão-de-mar-e-guerra Isidoro Francisco Guimarães que seguia para o Japão na qualidade de ministro plenipotenciário a negociar um tratado de paz e comércio com os japoneses. A corveta em 5 de Agosto largou para Yokohama a fim de se abastecer e no dia 1 de Setembro subiu o rio Wussung e foi largar âncora em Xangai com a missão de proteger o consulado português (luta na China com os ingleses e franceses) e os mais súbditos portugueses pela maior parte macaístas, que ali se achavam empregados ou estabelecidos.
Em 10 de Outubro por ordem do Governador de Macau, largou para o porto de Amoy a exigir uma indeminização ao governador chino pelos roubos praticados pelos chineses num vapor mercante português. Entrou em Amoy a 14 de Outubro. Por ordem do mesmo governador a corveta largou a 29 para Macau onde entrava a 2 de Novembro para nova missão, em 1861 – segunda viagem diplomática.
A Décima Quinta Comissão foi novamente rumo a Macau, em 1869
A última viagem (décima nona comissão) foi cruzeiro na costa Angolana tendo largado a 22 de Novembro de 1873 e recolheu a Luanda a 10 de Dezembro.
(1) ESPARTEIRO, António Marques (capitão-tenente) – A corveta «D. João I» e o Ultramar Português. Subsídios para a História da Marinha de Guerra XII. Separata n.º 288 do Boletim da Agência das Colónias. 1949.
Este livro está disponível para leitura em:
http://portalbarcosdobrasil.com.br/bitstream/handle/01/643/003101.pdf?equence=1&isAllowed=y
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/corveta-d-joao-i/
(3) https://arquivohistorico.marinha.pt/details?id=2421)
(4) Sobre este combate publicarei numa próxima postagem.