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Ceia de Natal dos polícias de Macau
O Governador de Macau procedendo à distribuição do bodo (distribuição de alimentos, dinheiro e vestuário aos pobres, em dias festivos) às famílias dos bombeiros falecidos.
Festas desportivas nas escolas, realizadas no dia de Natal
Distribuição de merenda e prendas às crianças no Jardim de Camões
Aspecto da festa militar desportiva no dia de Natal

Extraído de «BGC» XXVI-296, 1950.

Entrada do Jardim de Camões – Maio 2017

Com uma área de 2,45 hectares (1) é um dos jardins mais antigos de Macau (a par do jardim interior do Leal Senado e do jardim de S. Francisco), situado numa pequena elevação que se estende para norte da Praça de Luís de Camões (2) onde está a entrada. Entra-se por um amplo portão de ferro, visualizando logo à entrada quatro belos exemplares de árvores do pagode (Ficus microcarpa L. f.), com as suas longas e delgadas raízes adejando ao vento. Ao fundo uma escadaria, enquadrada por belos exemplares de palmeiras elegantes ou palmeiras Alexandras, juntamente com palmeiras leque e palmeiras bambus, que conduz à parte superior do jardim, onde se encontra o busto do poeta. (1)

Jardim de Camões – 1950

O local ocupado pelo jardim situava-se nos limites da cidade, sendo ainda a visível na sua parte norte, o que devem ter sido umas antigas muralhas. Era propriedade de um dos homens mais ricos de Macau, o conselheiro Manuel Pereira, tendo-a adquirido em 1815.
A Companhia das Índias Orientais arrendaram a propriedade e forma os ingleses que ao gosto romântico da época que criaram sobre o cerrado arvoredo, estreitas alamedas seguindo a orografia do terreno, para o que mandaram inclusivamente vir jardineiros de Inglaterra. (1)

Jardim de Camões -1960

Segundo Carlos Estorninho (3), os ingleses conseguiram reunir no jardim numerosos e valiosos exemplares da flora da China, Malaca, Java, Manila e Índia que mereceram, nos finais do século XVIII e princípios do século XIX, a atenção dos botânicos ingleses David Stornach,(4) William Kerr (5) e Thomas Beale,(6) tendo este último enviado para o Jardim Botânico de Kew, em Inglaterra, mais de 2500 plantas exóticas. Com a a extinção da Companhia das Índias Orientais, a propriedade voltou a ser administrada pelos familiares do conselheiro Manuel Pereira (falecido em 1826), nomeadamente o seu genro comendador Lourenço Marques (7). A propriedade foi depois vendida ao Governo de Macau em 1885.
(1) ESTÁCIO, António Júlio Emerenciano; SARAIVA, António Manuel de Paula – Jardins e Parques de Macau, IPOR, 1993, 63 p.
(2) A Praça está situada entre a Igreja de Santo António e o Jardim de Camões e tem ligação com a Travessa da Palanchica, a Calçada do Botelho, o Largo de Santo António e a Rua Coelho de Amaral. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I. ICM, 1997).
(3) ESTORNINHO, Carlos – Boletim do Instituo Luís de Camões, Vol. XIV, n.º 1 a 4, Macau, 1980 in (1)
(4) David Stornach, botânico que integrou a 1.ª embaixada britânica à China conhecida como “A Embaixada Macartney” em 1793. A expedição chegou a Macau a 19 de Junho de 1793 e partiu a 21 de Junho para Pequim (Beijing) sem passar por Cantão (Guangzhou).
(5) William Kerr foi jardineiro escocês do Jardim de Kew (Escócia) que foi enviado para a China em 1803 por Sir Joseph Banks (botânico que fez parte da 1.ª viagem do capitão James Cook a bordo do “HMS Endeavour”) tendo estado em Cantão até 1812, a recolher e catalogar plantas dos jardins chineses até então desconhecidas na Europa (a ordem  de Sir Banks  era recolher especialmente as plantas do chá).  Conhecido como o primeiro profissional colecionador de plantas na China , enviou cerca de 238 exemplares de plantas à Europa de Cantão. Em 1812 foi enviado a Colombo (antiga capital do Ceilão; hoje Sri Lanka) como superintendente do jardim botânico colonial (“The Royal Botanic Gardens” aberto em 1810 sob a supervisão de Sir Joseph Banks). Faleceu em 1814 talvez relacionado com a dependência ao ópio.
htps://en.wikipedia.org/wiki/William_Kerr_(gardener)
https://www.helpmefind.com/gardening/l.php?l=18.11352
(6) Sobre Thomas Beale (1775-1841), ver anterior referência neste blogue em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/12/11/noticia-de-11-de-dezembro-de-1841-o-malogrado-thomas-beale/
(7) – Segundo o livro (1) por 35 mil patacas; o Padre Teixeira refere 30 000 patacas, apesar de a Missão Francesa ter oferecido 35 000. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I. ICM , 1997).

Retirado (disponível na net) em:
The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, Straits … , 1904, p. 492

Para ilustrar a descrição dos locais de interesse turístico de Macau no folheto turístico de 1928 (1) o autor apresenta duas fotografias da Gruta de Camões (2) com a seguinte nota:
a-vistors-handbook-to-romantic-macao-gruta-de-camoes-iTHE GROTT OF THE POET CAMOENS is formed by a group of granite boulders situated in the grounds of the gardens bearing the poet´s name. This is one of the most interesting of the many sights of Macao. These gardens, as well as the bronze busto f the poet, are a tribute offering to the memory of Portugal´s immortal bard by the late Senhor Lourenço Marques, na ardente admirer of the great poet´s writings. Tradition has it that the famous Portuguese poet wrote some cantos of his immortal poem, The Lusiad, is this very place.
Surrounding the pedestal on which the bus tis placed, mortised into boulders, are several slabs of granite engraved with tributes from the masterly pens of Sir John Bowring, Rienzi, Sir John Davis and others – in several tongues.
a-vistors-handbook-to-romantic-macao-gruta-de-camoes-ii(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/01/24/leitura-folheto-turistico-de-1928-a-visitors-handbook-to-romantic-macao/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/gruta-de-camoes/

manual-de-identificacao-das-aves-de-macau-capamanual-de-identificacao-das-aves-de-macau-1-a-pagLivro com 116 páginas que o autor, Leonel Barros pretendeu ser um manual que pudesse ser útil a todas as pessoas que se interessassem pelas aves e dedicado àqueles que amam a natureza. Além da descrição pormenorizada de cada ave (estão referenciadas 39 espécies) que se observa (ou observava) em Macau, Taipa e Coloane, o autor apresenta esquemas e muitos desenhos (excelentes) pormenorizados das aves, ilustrações todos do próprio autor, que como é do conhecimento geral era um excelente desenhador e pintor.
manual-de-identificacao-das-aves-de-macau-contracapa

 Contracapa com três «postais»:
1 – Reservatório da Guia
2 – Bosque em miniatura em Hac-Sá
3 – Praia de Hac-Sá.

As fotos da contracapa e as do interior também são da autoria de Leonel Barros.
A seguir três mapas (Macau, Taipa e Coloane) com indicação da espécie de ave e o local onde foi observada. Cada número no mapa representa uma espécie.
manual-de-identificacao-das-aves-de-macau-mapa-macauQuase toda a área de Macau está ocupada por edifícios. Portanto, dificilmente se consegue um lugar para a observação das aves. Mesmo assim, os que gostam de observar as aves fazem-no em meia dúzia de lugares, onde a vegetação abunda. Os lugares ideais fazem-no em meia dúzia de lugares, onde a vegetação abunda. Os lugares ideais são: A Colina da Guia, também conhecido pelo Pinheiral da Guia, a Montanha Russa, o Jardim da Flora, o Jardim de Camões, também conhecido por Gruta de Camões, a Fortaleza de Mong-Há e finalmente a Ilha Verde. “ (1)
manual-de-identificacao-das-aves-de-macau-mapa-taipaPara um observador que pretenda dedicar-se à observação das aves procurando descobrir novas espécies, aconselhamos uma deslocação até às ilhas de Taipa e Coloane, onde poderá ter ocasião de apreciar em certa época do ano a Gaivota, o Pato Bravo, o Maçarico Real, a Galinhola, a Cordoniz, a Galinha da Água, etc, etc, etc.” (1)
manual-de-identificacao-das-aves-de-macau-mapa-coloanePorém, devido ao desenvolvimento previsto para o Concelho das Ilhas é natural que cada vez seja menor a área disponível à fixação de aves, pelo que nos parece elementar consciencializar as pessoas no sentido de que o actual Património poderá ficar extremamente reduzido ou mesmo atingir à extinção, caso não sejam desde já definidas medidas tendentes a preservar ao longo do ano as espécies existentes no Território.” (1)
manual-de-identificacao-das-aves-de-macau-observando-avesO próprio autor num desenho auto-retratando-se a observar as aves com um binóculo prismático 10×50.
(1) BARROS, Leonel – Manual de Identificação das Aves de Macau, Aves Residentes e Migradoras. Publicação da Direcção dos Serviços de Turismo de Macau, Ano ????,+ 116 p., 23 cm x 17 cm.

A cerimonia pública promovida pelo Conselho de Instrução, que não pode realizar no dia 10 de Junho de 1955, por causa da chuva, teve lugar no dia 12, domingo, pelas 12 horas.
Presidiu à cerimónia o Governador da Província, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, que se fez acompanhar de  sua esposa e o pessoal do seu gabinete. Estiveram ainda presentes as principais autoridades da Província, representações das escolas portuguesas e chinesas de Macau e filiados da Mocidade Portuguesa.
Proferiu o discurso, Leonel Adalberto Jorge Batalha, professor primário, alocução que foi sobretudo dirigida à mocidade escolar ali presente.

MBI II-45 15JUN55 10 de Junho-Camões (I)O professor da instrução primária, Leonel Adalberto Jorge Batalha proferindo a sua alocução.

Finda a alocução do sr. Leonel Batalha proferiu uma alocução em chinês sobre Camões, o professor primário chinês, sr. Hong Hin Seng.

MBI II-45 15JUN55 10 de Junho-Camões (II)Hong Hin Seng, professor primário chinês proferindo a sua alocução.
Na tribuna à direita, o governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, ladeado pelo Comissário da Mocidade Portuguesa, Intendente José Peile da Costa Pereira e pelo representante do Leal Senado , Dr. José Marcos Batalha

MBI II-45 15JUN55 10 de Junho-Camões (III)Quatro filiados da Mocidade Portuguesa, empunhando os estandartes da organização, prestaram «Guarda de Honra» ao busto do Poeta , durante a cerimónia pública.

Seguidamente, os filiados da Mocidade Portuguesa e as representações dos estabelecimentos escolares desfilaram perante o busto do poeta, junto do qual, à medida que iam passando, deixavam lindos ramos de flores naturais.

MBI II-45 15JUN55 10 de Junho-Camões (IV)Estudantes das escolas portuguesas e chinesas desfilando perante o busto de Luís de Camões

Reportagem de «Macau. Bol. Inf.,1955, »

Continuação da leitura do “Géographie universelle: ou description de toutes les parties du monde” de Conrad Malte-Brun (1)
Geographie Universelle de Malte-Brun 1841 VToutes les rues sont étroites, tortueuses, plus ou moins en pente, mais propres et bordées de petites maisons à un seul étage, en pierre et blanchies à la chaux. (2)
Au centre de la ville européenne est situé le Bazar ou la ville chinoise, réunion de petites rues à peine larges de deux mètres et bordées de chaque côté de magasins et de boutiques. Ce quartier est inteèrement peuple de Chinois.
Geographie Universelle de Malte-Brun 1841 VIUn groupe de rochers, près d´une des plus hautes éminences d la ville, forme un antre appelé grotte du Camoens: la tradition dit que c´est la que le poéte de ce nom.
composé son fameux poême de la Lusiade. Un habitant de Macao a su encadrer dans son jardin cet endroit pittoresque, asile sacré du malheur et du génie»

Gruta de Camões 1880A GRUTA DE CAMÕES EM 1880

Cette grotte se compose de deux énormes blocs de rochers laissant entre eux un vide haut de 6 pieds et large de 3, et d´un troisième qui forme le toit et supporte un kiosque. Aujourd´hui, dit un Français qui visitait Macao dans ces  dernières années (3), la barbare admiration de ses compatriotes a défiguré cet asile du génie: le banc naturel de la grotte a été taille au ciseau ; on a été jusqu´à blanchir à la chaux les parois du rocher. Àu-dessus du bane on a apiani la surface du roe, et on y a gravé quelques vers français en l´honneur de Camoéns.(4)
Geographie Universelle de Malte-Brun 1841 VIILes îles des Larrons, voisines de Macao, sont toujours remplies de pirates que fréquemment enlèvent les petits bâtiments chinois emplyés au cabotage entre Macao et Canton. Une peite puissance européenne exterminerait facilement ces pirates, mais le gouvernement de la Chine fait de vaines tentatives pour s´en délivrer. Ces pirates son liés avex les rebelles  et les mécontents de l´intérieur.
A douze lieues de Maco, s´éléve l´Ile Lintin, qui sert de mouillage aus navires qui arrivent en Chine pendant la mousson de nord-est. Cette île est un cône aride d´environ 200 métres de hauteur; un village chinois est adossé à un des flans de la montagne.” (1)
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/04/19/leitura-descricao-de-macau-em-geographie-universelle-de-1841-i/
(2) LAPLACE, M – Voyage autour du Monde par les mers de l´Inde  et le Chine, 1833
(3) BARROT, M. Adolphe – Un Voyage en Chine.  Revue des Deux-Mondes, 1839.
A “Revue des deux Monde” é uma revista semanal  francesa (política, administração e costumes), fundada em 1829 com o nome de ” Revue des deux mondes. Journal des voyages, de l’administration et des mœurs, etc., chez les différens peuples du globe ou archives géographiques et historiques du XIXe siècle ; rédigée par une société de ­savants, de voyageurs et de littérateurs français et étrangers”. O primeiro período inicial da publicação terá terminado em 1848. Seguiram-se no total 7 séries, o último terminou em 1930.
https://fr.wikipedia.org/wiki/Revue_des_deux_Mondes
(4) “Le vers qu´on lit dans la Caverne de Camõens sont de M. de Rienzi, qui a consacré plusieurs années à parcourir l´Inde, les côtes de la Chine et l´Océanie. Nous tenons de ce voyageur qu´il fit sculpter à Macao un buste de Camõens; qu´il le plaça dans la grotte, et qu´il fit graver autour de l´image de poête une inscription en chinois et une autre qu´il composa en vers français; mais qu´un Anglais, locataire du jardin, jaloux de ce que l´honneur rendu à la mémoire d´un grand homme rejaillissait sur la nation française, fit enlever l´inscription qui décorait le buste monumental. Voice la traduction de l´inscription chinoise:
«AU LETTRÉ PAR EXCELLENCE.
Les qualités de l´esprit et du coeur l´élevérent au-dessus de la plupart des hommes: de sages lettrés l´ont loué et vénéré, mais l´envie le réduisit à la misère. Ses vers sublimes sont répandus dans le monde entier. Ce monument a été construit pour transmettre sa mémoire à la postérité.»
L´inscription en vers de M. de Rienzi est trop longue pour que nous la donnions ici; mais nous produirons celle em style lapidaire qui termine le tout

Au grand Louis de Camõens,
Portugais, d´origine castillane,
L´humble Louis de Rienzi,
Français, d´origine romaine
23 nout 1838″ (1)