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Extraído de «BGU» –  XXXIV – 398, Agosto 1958, pp. 198/199

 

Aquele que, deixando Hong Kong viesse a Macau pela primeira vez, gozava as delícias de uma curta viagem de quatro horas, rodeado do maior conforto e desfrutando uma paisagem admirável por entre ilhas e ilhotas cobertas de vegetação e semeadas a capricho, como se tal disposição obedecesse à finalidade de proporcionar o imprevisto.
Para trás ficava a imponente colónia inglesa, cheia de grandeza e majestade, lançada pela íngreme vertente, que parecia dirigir-se ao Céu… (…).
E quanto mais o pequeno e confortável navio se aproximasse de Macau, tanto mais mudava a feição de tudo, desde a brisa, que se tornava suave e branda, à cor das águas, que reflectiam na superfície o amarelado dos fundos que as correntes cobriam de lodo.

A Baía e a Praia Grande (final da década de 40, século XX)

Passadas as Nove Ilhas, semelhantes a nove irmãs imorredouras, que a lenda não deixa esquecer, avistava-se à distância a “Porta do Cerco”, a praia da “Areia Preta”, a “Chácara do Leitão”, mostrando-se no cimo da “Montanha da Guia” o célebre farol, o mais antigo da Costa da China.
Na outra elevação próxima, distinguia-se o “Hospital Conde de São Januário” , que dominava o grande casarão que outrora fora Convento de S. Francisco e que servia de Quartel de Infantaria.
É, então, à recortada costa de pequenas enseadas, seguia-se a “Baía da Praia Grande”, em curva caprichosamente feita, deixando antever as delícias de uma pequena cidade de paz e sossego…(…)
O casario caiado a cores garridas, as Igrejas, as Capelas, os Fortes, Fortins e Bastiões, as casas solarengas e a quietude dolente e embaladora, não deixavam dúvidas de que a China deveria estar longe desta terra, que tudo indicava ser portuguesa.
Ao dobrar a “Fortaleza do Bom Parto”, talhada no regaço do imponente “Hotel Bela Vista”, surgia o sinuoso caminho, que levava ao ”Tanque do Mainato”, com a colina despida de casario, à excepção da velha e abandonada vivenda de “Santa Sancha”.
Em cima, a velha Ermida da Penha, cheia de unção religiosa e graça na sua simplicidade.
Na última curva da ordenada beira-mar, via-se a “Fortaleza da Barra” e, mais adiante, em plano superior, a “Capitania dos Portos”, em estilo mourisco…
continua.
REGO, Francisco de Carvalho e – Macau … há quarenta anos in «Macau». Imprensa Nacional, 1950, 112 p.
Deste autor, anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-de-carvalho-e-rego/ 

No dia 10 de Março de 1956, o Governador da Província, Almirante Joaquim Marques Esparteiro e Sua Esposa, foram homenageados com um jantar, a bordo do aviso «João Lisboa», oferecido pelo seu comandante Capitão-de-fragata Francisco Gouveia Espínula, ao qual assistiram, além do imediato e oficiais daquele navio, o Comandante José Coutinho Garrido, Capitão dos Portos e esposa, e o Tenente Mário Lopes da Costa, oficial às ordens do Governador.

Decorreu o jantar naquele ambiente distinto e fidalgo que costuma caracterizar as reuniões dos homens da nossa Marinha de Guerra – daqueles que usam o Botão de Àncora – tendo na altura própria , sido trocados amistosos brindes entre o Comandante do «João Lisboa» e o Governador.
Reportagem e fotos de «MACAU B.I. , 1956»

macau-b-i-i-15-15mar1954-jacob-jebsen-iDa esqª p/dta.:Governador, Joaquim Marques Esparteiro, Sr. G. R. Hansen, D. Maria de Lurdes Leitão Rodrigues, D. Laurinda Marques Esparteiro e Primeiro-tenente Horácio de Oliveira.

O Comandante do barco «Jacob Jebsen», Sr. G. R. Hansen, e o agente em Macau, Sr. Engenheiro Humberto Rodrigues e sua esposa, Sra. D. Maria de Lurdes Leitão Rodrigues, ofereceram a bordo daquele barco, um jantar ao Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, a sua Esposa, Sra. Dra. D. Laurinda Marques Esparteiro, à filha Sra. Maria Helena, ao seu secretário Tenente Lopes da Costa, ao Capitão dos Portos, Capitão-tenente José de Freitas Ribeiro e esposa, Sra. D. Vera de Sena Fernandes Freitas Ribeiro e ao Comandante da Polícia Marítima, Primeiro-tenente Horácio de Oliveira.

macau-b-i-i-15-15mar1954-jacob-jebsen-iiDa esqª p/dta.: Tenente Lopes da Costa, Sra. Maria Helena Marques Esparteiro, Eng.º Humberto Rodrigues, Capitão-tenente José de Freitas Ribeiro e D. Vera de Sena Fernandes Freitas Ribeiro.

macau-b-i-i-15-15mar1954-jacob-jebsen-iiiO «Jacob Jebsen», barco de carga, de nacionalidade dinamarquesa, construído em 1952, de 3674 toneladas, atracou na “moderna gare marítima” (1) e foi até à data o maior barco a entrar nas águas do Porto Interior de Macau.
Foi especialmente fretado para trazer, de Bangkok para esta Província, 33.346 sacos de arroz para abastecimento da sua população.

jacob-jebsen-1952JACOB JEBSEN – 1952 – IMO 5167255

jacob-jebsen-dados-tecnicos
jacob-jebsen-bangsbo-museumCopyright BANGSBO MUSEUM

(1) Notícias da imprensa escrita da época.

Várias fotografias do navio “atracado” em Hong Kong na década de 60/70, descarregando arroz de Bangkok em:
M/S “Jacob Jebsen”- China Trader from Aabenraa, Denmark –em>http://globalariner.com/index111JacobJebsen.html
Ver “história” deste barco em:
http://www.jjsea.com/doc/ourhistory
http://www.jebsenlogistics.com/pagedisplay.aspx?did=f2f7fdc1-8630-49ab-825a-587c77d99fbd

O Governador de Macau, Almirante Joaquim Marques Esparteiro partiu de Macau no dia 23 de Dezembro de 1953 a bordo do Aviso «Gonçalo Velho» para a vizinha colónia de Hong Kong, a fim de assistir a um baile de gala, na Residência do Governo de Hong Kong em honra de S. A. o Príncipe Pedro da Grécia. (1)
Para esta gala o Governador foi acompanhado pela esposa, D. Laurinda Marques Esparteiro, e filhas, Maria Helena e Amélia Marques Esparteiro, do seu oficial às ordens capitão Dias da Silva, e do seu secretário, tenente Lopes da Costa.
Tanto à partida como à chegada, que se efectuou na Ponte cais n.º 1 da Capitania dos Portos, foram prestadas ao Governador as devidas honras

macau-b-i-i-10-1953-visita-governador-a-hk-iO Governador passa revista à guarda de honra
macau-b-i-i-10-1953-visita-governador-a-hk-iiAo desembarque, o Governador foi cumprimentado pelo Encarregado do Governo, Engenheiro José dos Santos Baptista
macau-b-i-i-10-1953-visita-governador-a-hk-iiiApós o desembarque, o Governador assiste ao desfile da guarda de honra.

Tanto na despedida como na recepção, uma bateria de terra e outra do Aviso «Gonçalo Velho» deram as salvas da ordenança. (2)
principe-pedro-da-grecia-1908-1980(1) Príncipe Pedro da Grécia e Dinamarca (1908-1980) era o herdeiro do trono grego mas foi preterido por ter casado com uma russa divorciada, Irina Aleksandrovna Ovtchinnikova. Distinto antropologista, especializado em cultura tibetana. Foi militar na II Guerra Mundial; antes fez uma expedição científica à Ásia (nomeadamente Tibete), e após a guerra, voltou várias vezes à Ásia para continuar as suas pesquisas tibetanas.
href=”https://en.wikipedia.org/wiki/Prince_Peter_of_Greece_and_Denmark”>https://en.wikipedia.org/wiki/Prince_Peter_of_Greece_and_Denmark
(2) Fotos e reportagem de «Macau B.I.» 1953 .

“20-08-1851 – O Governador António Gonçalves Cardoso fez ocupar a «Taipa Quebrada», (1) uma zona da Ilha que ficava afastada da actual vila, mas também a pedido dos moradores e suas embarcações, carecidos de defesa contra os piratas e outras espécies de lanchaes (ladrões). Entretanto Coloane servia-lhes de excelente esconderijo. Em contrapartida da protecção à Taipa, foi elaborado um pequeno mas eficaz articulado legislativo” (2)

MAPA - Esboço de Adolpho Loureiro - 1882Representação esquemática do projecto Adolpho Loureiro (1882)

(1) A Taipa, que em chinês é conhecida por  Tâm Tchai (3) ou Pequeno Lago.  após assegurada a sua posse em 1845 e ocupada por ordem do governador Ferreira do Amaral  (hasteada a bandeira portuguesa pela primeira vez em 9 de Setembro de 1847), (4) estava, ainda no início do século XX, dividida em duas ilhas – a Taipa Grande ou Taipa Quebrada e a Taipa Pequena – separadas por uma estreita língua de mar. Foram, mais tarde, unificadas por assoreamentos naturais e, posteriormente, por aterros. Foi junto a uma das suas colinas – na Taipa Pequena – que se constituiu a povoação da Taipa, com um ancoradouro. Aqui, desde o século XVII, “os barcos estrangeiros que se dirigiam a Cantão, subindo o rio das Pérolas e que deviam tomar a bordo, em Macau, piloto e intérprete, apenas eram autorizados a seguir viagem depois de fundearem na Taipa, local portanto bem conhecido dos marinheiros, a ponto de algumas cartas marítimas se referirem a Macau como “porto da Taipa”.
COSTA, Maria de Lourdes Rodrigues – História da Arquitectura em Macau. Instituto Cultural de Macau, 1997.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995.
(3) mandarim pīnyīn: dàng zǎi; cantonense jyutping: tam5 zai2

Esboço das Ilhas da Taipa 1912Esboço das Ilhas da Taipa (1912)

(4) “1847 – O Governador João Maria Ferreira do Amaral, na sequência de conversações diplomáticas encetadas com a China pelo seu antecessor resolve ocupar a Ilha da Taipa. De resto são mesmo os comerciantes que ali habitam que pedem protecção portuguesa contra os frequentes ataques de piratas que não só atacam do mar como se açoitam em grutas do litoral, de onde organizam investidas e roubos à população. O tenente Pedro José da Silva Loureiro constrói, no actual espaço da esquadra das Forças de Segurança, uma fortaleza, tendo em vista maior eficiência da defesa. Ali se ergue pela primeira vez a bandeira portuguesa, em Setembro deste ano. Pedro Loureiro (1792-1855) natural de S. Miguel (Açores), Oficial da Marinha de Goa foi também proprietário do brigue Genoneva e Capitão do Porto de Macau” (2)
Anterior referência à Taipa Quebrada:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ilha-da-taipa/page/2/

A 1.ª Exposição Colonial Portuguesa foi inaugurada em 16 de Junho de 1934, na cidade do Porto, no Palácio de Cristal (transformado em Palácio das Colónias)  entre os dias 16 Junho a 30 de Setembro de 1934. (1).
Hoje apresento o livro:

O Império Português na 1.ª Exposição Colonial Portuguesa (Album-Catalogo) CaoaO.IMPÉRIO.PORTUGUÊS NA. 1.ª EXPOSIÇÂO.COLONIAL.PORTUGUESA
ALBUM-CATÁLOGO (2)

No Pavilhão de Macau apresentava-se uma mostra de paisagens e curiosos aspectos da vida em Macau; uma constituição da música, actos religiosos e tradicionais, um pavilhão de chá, uma mostra de indústrias e outras de artes e literatura.
O Império Português na 1.ª Exposição Colonial Portuguesa - Pavilhão de cháNa secção Instrução nas colónias  (quarta secção à direita da nave central do Palácio de Cristal,  por baixo da galeria), havia  fotografias da sede e dos alunos do Liceu Nacional de Macau.
Também ficou em exposição, maquetas de embarcações usadas na navegação nos mares da China feitos na Capitania dos Portos e enviados pela Inspecção dos Serviços Económicos de Macau.
O Império Português na 1.ª Exposição Colonial Portuguesa - Palácio de CristalNa exposição industrial (galeria da direita da nave central do Palácio), na secção Pesca e conservas, estavam representadas de Macau, as seguintes empresas:

Kwong Me Chun & Co. –  conservas de peixe;
Hip Cheong –  conservas de peixe e frutas;
Sun Tack Loong C.ª Ld. – conservas de frutas
Sun Tack Loong Yuen Kee Co – conservas de frutas
Sun Tak Loong Canned Co. – conservas de frutas
Fook Tai Hing – molhos
Wing Sang – molhos
Une Xane – molhos
Tsu Chan – calda de tomate
Hin Kee – pastelaria; dôces

Na secção Óleos e sabões:

Hov King – sabões

Na secção Tabacos:

Sing Ping & Co – tabaco manipulado
James Tobaco Mig. Co – tabaco manipulado
Chan Sau Lan  (Rua 5 d e Outubro) – manocas de tabaco, mostruário de tabaco manipulado
Soi Fong – tabacos
Tat Cheong – charutos
Chan Ian Lan . cigarros
Tam Mon Lau (embora erradamente atribuída a Timor, neste Catalogo) (sede estava na Avenida Almeida Ribeiro) – aparelho de cortar tabaco.

Na secção Produtos Químicos:

Leung Wing Hing – (Rua 5 de Outubro) Mostruário de pivetes
Chun Lun Hing  (Rua Almirante Sérgio) – Mostruário de pivetes
Kuong Hing Tai – Mostruário de panchões
Kuong Yeen (Largo do Pagode do Bazar) – mostruário de panchões
Chan Tin Que – mostruário de fogos de artifício
Kwang Long Yuen – mostruário de fogos de artifício
Tai Cong (Avenida Almirante Lacerda) -mostruário de fósforos
Tung Hing ((Estrada Coelho do Amaral) – Mostruário de fósforos
Jorge & C.ª L.ª (Farmácia Moderna) – produtos farmacêuticos.

Na secção Metalurgia:

Metal Manufacturing  Co. L.ª – Lanternas electricas

Na secção Artes gráficas:

Imprensa Nacional de Macau – livros

Na secção Indústria textil e de vestuário

The Tung Wearing & Dyéong Factory – Mostruário de tecidos de fabrico regional (riscados)
Tack Son & Co. (Rua dos Mercadores) -chapéus
Pou Joc Lau – tera chinês
Li Chen Tong  (Rua da Erva) – rêdes

Na secção Peles e derivados:

Yan Yan – calçado
Dun Dun (Avenida Almeida Ribeiro – calçado
Si San (Beco dos Colaus) – calçado

Na secção Ceramica e vidros:

Chan Tin Quel – vidros; modelo de forno para derreter vidro

Na secção Produtos alimentares e de consumo

On Tai – farinhas
Cha Ian Lau – mostruário de chá
Xiao Sane – mostruário de chá
Yee Mow Tai – mostruário de chá
Hig Cheong – vinho chinez

Na secção Ourivesaria e Bijuteria

Veng Hap (Rua Camilo Pessanha) – objectos de cobre
Cong Cheong Seng (Rua da Terceira)- objectos de cobre

Na secção de Arte indígena (secção privativa, ao fundo da nave principal do Palácio)
Trabalhos artísticos em madeira, prata, tecidos e papel, confeccionados por naturais da colónia. Fotografias.
Na secção Etnografia (usos e costumes)
Documento Etnográfico do Governo da Colónia de Macau.
“A 1.ª Exposição Colonial Portuguesa dividia-se em duas grandes secções: A secção oficial e a outra dedicada as iniciativas privadas. A secção oficial dispunha de quinze sub-secções: A secção da História, de forma a referir a história colonial desde 1415; outra destinava-se a apresentar os empreendimentos coloniais portugueses dos últimos quarenta anos; representação etnográfica; a demonstração do exército; os monumentos; o parque zoológico; outra mostrava o teatro e cinema oficiais; outra a livraria colonial; uma secção destinada a provas de produtos coloniais; um salão de conferências e congressos; uma outra de assistência médica e sanitária aos nativos. …(…) …O edifício principal do Palácio de Cristal estava transformado no Palácio das Colónias. Na zona central, encontrava-se a exposição oficial, que incluía referências aos portos marítimos, caminhos-de-ferro, missões religiosas, aspectos relacionados as colónias, entre outros, e que pretendia dar uma maior visão sobre todos os benefícios que a colonização tinha levado aos territórios de além-mar. Na ala direita, estavam expostos os participantes privados vindos das colónias e, na ala esquerda, foram colocados os participantes privados vindos da metrópole. …(…) … O final da exposição marcou-se com o Cortejo Colonial que percorreu algumas ruas da cidade… (3)
(1) Referências anteriores a este tema:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/30/30-de-agosto-de-1934-dia-de-macau-e-a-1-a-exposicao-colonial-portuguesa/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/09/01/noticia-de-1-de-setembro-de-1934-dia-de-macau-na-exposicao-colonial/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/22/22-de-agosto-de-1849-assassinato-do-governador-ferreira-do-amaral/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/09/04/leitura-a-represen-tacao-de-macau-na-i-exposicao-colonial/
(2) O Império Português na 1.ª Exposição Colonial Portuguesa – Album-Catálogo Oficial. Direcção Literária de do Dr. Alberto Pinheiro Torres e Organização e Direcção Técnica de Mário Antunes Leitão. Tipografia Leitão (Porto), 457 p.
(3) Partes do trecho (recomendo a sua leitura integral) retirado do blog: Cromos da História: 1.ª Exposição Colonial Portuguesa em
http://1exposcaocolonial-porto1934.blogspot.pt/2009/03/1-exposicao-colonial-portuguesa-porto.html