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Extraído de «BGM», IX-14 de 7 de Março de 1863, p. 54

Ver anterior referência em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/03/noticia-de-3-de-setembro-de-1864-concerto-no-teatro-d-pedro-v-pela-companhia-philarmoni-ca/

 “Com a presença do Governador da Província, Almirante Joaquim Marques Esparteiro e da esposa, Dra. Laurinda Marques Esparteiro, realizou-se no dia 4 de Fevereiro de 1956, o III Concerto da temporada, promovido pela Delegação de Macau do Círculo de Cultura Musical. Foram artistas dessa noite, no Teatro D. Pedro V, os dois conhecidos artistas ingleses Benjamin Britten, (1) compositor e pianista, e Peter Pears, (2) tenor de fama mundial.

Apesar do frio e da chuva miúda e impertinente, uma razoável assistência acorreu ao acolhedor Teatro D. Pedro V para ouvir os dois artistas. Peter Pears, possuidor de voz agradável e boa técnica, aguardou à assistência, cantando como emoção e perfeição plástica todos os números do programa, dos quais destacamos os cinco lieder de Schubert, e os «Sete Sonetos de Miguel Ângelo» (3) de Benjamin Britten. Este festejado compositor moderno mereceu também da assistência calorosos aplausos não só pelas suas inspiradas composições como pela forma brilhante como acompanhou ao piano o tenor Peter Pears.

Os artistas Benjamin Britten (ao piano) e Peter Pears durante o concerto que deram no Teatro D. Pedro

Dois artistas que se completam, Pears e Britten têm alcançado assinalados êxitos nas suas digressões artísticas pelo mundo, tendo somado mais um com o seu Concerto no Teatro D. Pedro V desta cidade.Os cumprimentos que receberam no final do recital foram testemunho do agrado com que a assistência os ouviu e de quanto lhes ficou devendo esses momentos de boa música.” (Extraído de «Macau B. I.», Ano III, n.º 61 de 15 de Fevereiro de 1956, p. 10).

(1) Edward Benjamin Britten (1913 — 1976), Barão Britten de Aldeburgh, foi um compositor, maestro, violista, coreógrafo e pianista britânico. Aos 14 anos teria já composto dez sonatas em piano e seis quartetos de cordas, não excluindo um oratório e um poema orquestral intitulado “Chaos and Cosmos” (o Caos e o Cosmos). Conhece, em 1936, o tenor Peter Pears de quem se tornaria amigo e companheiro para toda a vida. No Outono de 1937, Britten, cuja casa natal de Lowestoft fora vendida por morte dos pais, comprou “The Old Mill” na vila de Snape, no mesmo condado, um moinho antigo transformado em vivenda em 1933. Aí viveu, acompanhado frequentemente por Pears e outros amigos. Ver biografia mais completa em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Britten

(2) Sir Peter Neville Luard Pears, (1910 –1986) foi um tenor inglês e companheiro de toda a vida do compositor Benjamin Britten (conheceram-se em  1936, quando cantava no coro BBC Singers). Pears e Britten deram o seu primeiro recital em 1937 no Balliol College, na Universidade de Oxford. Muitas das obras de Britten foram escritas tendo em mente especificamente a voz de tenor de Pears, que foi uma fonte de inspiração e um catalisador fundamental da criatividade de Britten. Peter Pears foi considerado pela «BBC Music Magazine» um dos 10 melhores tenores de sempre. Peter Pears foi também um celebrado intérprete de lieder de Franz Schubert, tipicamente com Britten a acompanhá-lo ao piano. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Peter_Pears)

(3) Composto entre Abril e Outubro de 1940, no regresso duma viagem conjunta à América, Britten e Pears apresentaram em conjunto a obra “Seven Sonnets of Michelangelo”, de Britten, no Wigmore Hall, que posteriormente gravariam para a EMI, o seu primeiro disco em conjunto.

No dia 19 de Dezembro de 1909, realizou-se uma récita de caridade realizada no Teatro D. Pedro V, pelo «Grupo de Amadores», (1) sob a direcção de Constâncio José da Silva, em que se representaram 4 comédias. A Comissão do Grupo, compunha-se do coronel Fernando José Rodrigues, presidente (2); major Joaquim Augusto dos Santos, secretário (3); António A. Pacheco, tesoureiro; Aníbal C. Henriques, Conde de Sena Fernandes, (2) C. J. da Silva, Ernesto Álvares, Francisco Xavier Brandão, Gerardo J da Rocha, Henrique Manuel Vizeu Pinheiro (4), Dr. José Maria de Carvalho e Rego (director cénico dessa Academia) (5) e Cap. João de Sousa Carneiro Canavarro.

(1) Teve vários nomes: «Grupo de Amadores» no início, «Grupo de Amadores de Teatro e Música» em 1924, «Academia de Amadores de Teatro e Música» em 1934. (6) As suas récitas, concertos e saraus foram, com raras excepções, dados no Teatro D. Pedro V. Com o rebentar da guerra na Europa em 1939 e no Pacífico em 1941, a Academia entrou em agonia e extinguiu-se placidamente de morte natural. O último presidente foi o brigadeiro Temudo de Vera, gerente da Filial do Banco Nacional Ultramarino em Macau. (TEIXEIRA, P. Manuel – O Teatro D. Pedro V, pp. 33-34).

(2) Fernando José Rodrigues (Funchal 1863- Macau 1926). Assentou praça voluntária no Regimento de Infantaria nº 2, a 26 de Setembro de 1882; promovido a alferes para a guarnição de Macau e Timor a 12 de Maio de 1887; serviu em Timor de 1887 a 1890; transferido para a Guarda Policial de Macau em 1890; capitão em 1893, sendo novamente colocado em Timor; regressou a Macau em 1894; promovido a major em 1902; chefe do Estado Maior de Timor em 1903; chefe do Estado Maior de Macau em 1905; comandante do Corpo de Polícia de Macau em 1907; promovido a coronel em 1909 e passou à reserva em 1911 no posto de general de Brigada. Foi membro do Conselho do Governo de Macau, já reformado por vários anos provedor da Santa Casa da Misericórdia e presidente do Grémio Militar. Possuía várias condecorações. Casou em Macau a 16-06-1894, com Alina Clariza de Sena Fernandes (1868-1941), filha de Bernardino de Sena Fernandes e de Ana Teresa Vieira Ribeiro, condes de Sena Fernandes. Em sua homenagem o Leal Senado decidiu atribuir o nome “Rua do General Rodrigues” (7) a uma das artérias de Macau. (8) Ver:  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bernardino-de-senna-fernandes/

(3) Joaquim Augusto Tomé dos Santos 1867 – 1954, militar e administrador colonial português. Filho de Joaquim Tomé dos Santos, Cirurgião Ajudante do Regimento de Caçadores N.º 9, e de Angélica Monteiro, e neto paterno de Manuel Tomé dos Santos e de sua mulher Maria Joaquina de Jesus. Alferes da Guarda Policial de Macau na altura do seu primeiro casamento, em 2 de Outubro de 1890, e Alferes do Quadro Oriental do Ultramar na altura do seu segundo casamento, em 16 de Fevereiro de 1895, progrediu na carreira militar e passou à reforma no posto de Coronel. Foi Governador Interino de Macau por duas vezes (17 de Julho de 1919 a 23 de Agosto de 1919 e 16 de Julho de 1924 a 18 de Outubro de 1925) e era Comandante Militar de Macau quando se deram os graves distúrbios de 1922. (8) https://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Augusto_Tom%C3%A9_dos_Santos

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/henrique-manuel-vizeu-pinheiro/

(5) José Maria Ernesto de Carvalho e Rego, (Porto 1860 – Macau 1917) – Bacharel em Direito, magistrado judicial em Quelimane, Beira, Timor e Macau. Em 1908 radicou-se defensivamente em Macau como procurador administrativo dos negócios sínicos e advogado. Foi também jornalista, redactor do jornal «A Verdade». Casado com Joana Alexandrina Palmeira de Carvalho e Rego (1860 – Macau, 1934). Pai de José da Conceição Ernesto de Carvalho e Rego (1890-1977) (um dos fundadores do Grupo de Amadores de Teatro e Música, em 1924), Fernando Ernesto Palmeira de Carvalho e Rego (1894-1957) e Francisco Ernesto Palmeira de Carvalho e Rego (1898-1960)

 (6) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/01/noticia-de-1-de-setembro-de-1934-academia-dos-amadores-de-teatro-e-musica/

(7) Rua do General Rodrigues – começa na Rua de Afonso de Albuquerque, entre o prédio n.º 16 e a Esquadra Policial n.º 3, e termina na Rua do Bispo Medeiros, ao lado do prédio. N.º 25.

(8) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume III, Fundação Oriente, Macau, 1996, p. 255. TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Tomo II, 1997, pp. 414-415.

Outra notícia do mesmo acontecimento – sarau musical no palácio dos Barões do Cercal – já relatado em anterior postagem deste mesmo dia, (1) a presente é de outra fonte, do «Boletim do Governo de Macau».

Extraído de «BGM»,  IX- 54 de 13 de Dezembro  de 1863, p. 217

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/12/11/noticia-de-11-dezembro-de-1863-sarau-musical-em-casa-do-barao-do-cercal/

A Sociedade de Abastecimento de Águas (SAAM) trouxe até Macau, o grande pianista de renome mundial José Iturbi que na noite de 6 de Dezembro de 1953, deu no Teatro Oriental um Concerto de Piano. Entre a numerosa assistência, que enchia literalmente o referido teatro, estava o Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro com a esposa e filhas e o seu pessoal de Gabinete.

O produto líquido do concerto, que teve o patrocínio de D. Laurinda Marques Esparteiro, reverteu para os fundos da construção do Colégio de D. Bosco (1) e, por isso, foi de louvar a iniciativa da SAAM.

Após o concerto, o Governador e Esposa conversam com José Iturbi

 O bissemanário «O Clarim», referindo-se ao Recital de piano de José Iturbi escreveu: “O concerto constituiu uma lição magistral de verdadeira arte, que ficará, de certo, registada nas efemérides desta cidade, como facto deveras singular, dificilmente igualável. A magia com os mais harmoniosos acordes se desprendiam do instrumento, desconsertava-nos perante a aparente imobilidade das mãos de Iturbi cujos dedos vibráteis pareciam concentrar em si todo o nervosismo da sua alma de artista.

A Dança Ritual do Fogo, que tantíssimas vezes se apresenta ao público, ouvimo-la quase como uma novidade, tal a beleza que o artista conseguiu equilibradamente imprimir aos contrastes de que esta peça está impregnada; até o efeito de órgão se pôde verificar nesta celebérrima obra de Falla.

Na Rapsódia Azul pudemos apreciar tôdos os efeitos que se podem tirar do piano, tal a gama de sentimentos que o autor da peça nela reuniu e que Iturbi fez viver através as cordas do piano “ (2)

José Iturbi Báguena (1895 – 1980) pianista, regente e maestro, espanhol, considerado um dos cinco mais importantes pianistas nos EUA na primeira metade do século XX (3)

Muito popular pela sua participação em filmes musicais de Hollywood, na década de 40. “Thousands Cheer” (1943), “Music for Millions” (1944), “Anchors Aweigh” (1945), “That Midnight Kiss”(1949), and “Three Daring Daughters” (1948) (4) . No filme biográfico do compositor Frédéric Chopin, “A Song to Remember”, (1945)  (5) as cenas ao piano do actor Cornell  que interpreta Chopin, as “mãos que tocam” são de José Iturbi. https://en.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Iturbi

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-d-bosco/

(2) Extraído de «MACAU B. I.», AnoI, n.º 9 de 15de Dezembro de 1953 p. 14

(3) https://www.amazon.com/Jose-Iturbi-Life-Piano-Technique/dp/9059727894

(4) https://www.imdb.com/video/vi1630781209?ref_=nm_rvd_vi_1

(5) https://www.youtube.com/watch?v=kf6e4eoudE8

Continuação da leitura do número especial do “Diário Popular” dedicado ao Ultramar Português, em 1961 (1)

Os artigos com referência mais específica a Macau estão nas páginas 5 a 21 na sessão “Índia, Macau e Timor” IMT.

Página 5 (IMT): uma pequena coluna sobre o governador Comandante Marques Esparteiro e dois artigos:

– “Uma Província que atesta em terras do extremo oriente”

– “O Comercio e a indústria tem excepcional importância e deles vive a população da cidade”

Na página 6 (IMT):

– “A Santa Casa da Misericórdia tem nobres tradições de intensa obra assistencial”

– “A pesca e a cultura do arroz constituem as principais actividades dos habitantes das ilhas da Taipa e de Coloane”

– “Comércio intenso com os territórios limítrofes”

Na página 7 (IMT):

– Usos e costumes da cidade do Santo Nome de Deus onde se conserva o que a China possui de mais típico

 – Macau terra de sonho

Nas páginas 8/9 (IMT)

– “A Polícia de Segurança Pública admiravelmente organizada vela pela população e desempenha um importante papel no equilíbrio político e no bem-estar da província”

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/10/20/noticia-de-20-de-outubro-de-1961-diario-popular-dedicado-ao-ultramar-portugues-i/

Devido ao surto da pneumonia causada pelo novo tipo de coronavírus, o Festival Internacional de Música de Macau (FIMM), originalmente agendado para 4 de Outubro de 2020, teve um formato diferente. (1)

Assim, com o tema “Para um Ano Especial”, o FIMM deste ano apresentou, a partir do dia 22 de Agosto, 9 programas num total de 20 espectáculos por grupos musicais locais, incluindo concertos, e outras actividades (1)

A propósito deste festival, apresento, um postal pertencendo à colecção de dez postais impressos na Tipografia Seng Si Lda (5.000 exemplares), emitidos pela Direcção dos Serviços de Turismo, em Fevereiro de 2006, publicitando “Eventos de Macau” (3). Sem outras indicações (autores? datas?) (2)

Verso do postal (15 cm x 10 cm)

(1) Outras actividades como “Desfrute da Música no Cinema: Exibição de Musicais”, o “Programa Piano de Rua” e o evento amigo do ambiente “Oficinas para Criação de Instrumentos Musicais”, etc., actividades que visam levar a música a todos os cantos da cidade, satisfazendo as necessidades dos residentes em termos de diversidade cultural, assim como de outros locais assolados pela pandemia. O FIMM deste ano apresentará vários concertos e actividades comunitárias gratuitas (Fonte: Instituto Cultural da RAEM)..https://www.gov.mo/pt/noticias/235656/)

 (2) Ver o último publicado (VII) em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/17/postais-da-direccao-dos-servicos-de-turismo-eventos-de-macau-vii-concurso-internacional-de-fogo-de-artificio-de-macau/

Programa / Catálogo com 12 folhas (5 folhas – 9 páginas em português, 5 folhas – 9 páginas em chinês e 2 folhas com anúncios em chinês), agrafadas, da “SEMANA DE CULTURA CHINESA”, realizada de 30 de Setembro a 8 de Outubro de 1985, e editada pelo Instituto Cultural, com a colaboração do sector publicitário e cultural da Firma Nam Kwong, Livraria Seng Kwong, Ma Man Kei, Chui Tak Kei e “Southern Film Co.”

CAPA: 25 cm x 24,2 cm

No dia 30 de Setembro foi a inauguração no Teatro Alegria, pelas 20.00 horas, com a apresentação do Grupo de Música e Dança de Cantão que actuaram também nesse teatro, com o mesmo programa, nos dias 1 e 2 de Outubro de 1985.

Henrique de Senna Fernandes deixou estes apontamentos da inauguração do balneário – restaurante «Costa de Jade» bem como o ambiente de Macau de 1929: (1)

“Nesse ano, há um notável empreendimento do incipiente turismo macaense. A inauguração, em 21 de Setembro, do Balneário-Restaurante “Costa de Jade”, na baía de Pac On, na Taipa, hoje desaparecida com o aterro da praceta que se abre no termo da Ponte Macau-Taipa. Foi uma inauguração com a presença de centenas de pessoas transportadas pela lancha-motor “Jade”, de propósito construída para esse fim, nas Oficinas Navais. O embarque em Macau fazia-se pelo cais de pedra que havia na curva de S. Francisco. O local do Balneário era aprazível, a água do mar muito limpa e ainda não contaminada pelo lodo, e a mata exuberante dos Sete Tanques ficava-lhe mesmo em cima, com o suave ruído das suas águas a correr.

Naquele Outono esplendoroso de 1929, dizem os coevos, foi moda ir à “Costa de Jade“. Organizaram-se festas, jantares à americana, animados pela orquestra de jazz de João Franco. E quanto casamento dali não surgiu, aos acordes inspirados de “I’ll See You in My Dreams” (2) e à voz de tenor da “Ora Sorriento“, (3) em noites de luar, a toalha de prata chispando ao largo, os juncos de velas todas abertas, deslizando em silêncio, embebidos nas incansáveis fainas da pesca!

Como sabiam divertir-se os nossos maiores! O optimismo reinante, a boa disposição e a vida fácil e barata desviavam as atenções de trágicas realidades. Os acontecimentos internacionais não pareciam tocar naquele mundo. A guerra civil na China, entre o Governo Central e os senhores da guerra (warlords) era encarada como coisa de somenos. Todos estavam habituados, desde pequenos, àquelas questiúnculas internas, a esse sangrento extravasar de ódios e ambições que depauperavam e enxovalhavam um grande país.

Por mais espantoso que isso possa parecer, não há nos jornais da época uma notícia acerca da Terça-Feira Negra de Outubro, (4) onde se deu o “crash” da Bolsa de Nova Iorque. Nem há notícia dos suicídios e da crise que este facto gerou, dando origem à Depressão. Hong Kong e Macau estavam muito longe, a prosperidade era uma coisa certa e não havia motivos para alarme.”

(1) FERNANDES, Henrique de Senna – Cinema em Macau III (1932-1936). Revista de Cultura, N.º 23 (II Série), Abril/ Junho 1995. Instituto Cultural de Macau, pp. 133-170. http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30018/1706

(2) “I’ll See You in My Dreams” canção de 1924 de Isham Jones, e letras de Gus Kahn, Originalmente gravada por Isham Jones com a orquestra de Ray Miller Orchestra. Tornou- se muito popular com muitas versões. Foi título de filme, em 1951, “I’ll See You in My Dreams”, musical biográfico de Gus Kahn.

Uma das versões por DORIS DAY em:

(3) Creio tratar-se de “Torna a Surriento”, canção popular napolitana gravada por muitos cantores tenores e não só (ouvir a versão inglesa por Elvis Presley “Surrender”, de 1961)

Versão de Luciano Pavarotti:

Versão de Elvis Presley:

(4) A Quinta-feira Negra (Black Thursday) refere-se ao dia 24 de outubro de 1929, quando ocorreu o «crash» da Bolsa de Valores de Nova Iorque. O «crash» desencadeou a uma crise econômica da história dos Estados Unidos, alastrando para outros países ocidentais, para uma Grande Depressão, que durou 12 anos.

A Companhia Filarmónica das “Sociedades Ministreis do Christy”, (1) deu um grande concerto no Teatro D. Pedro V no dia 3 de Setembro de 1864, espectáculo marcado para às 20h30 e ao preço de entrada de $1 (1 pataca)

Extraído de «TSYK», I-48 de 1 de Setembro de 1864, p.197
Extraído de «TSYK», I-48 de 1 de Setembro de 1864, p.199
Extraído de «TSYK», I-49 de 8 de Setembro de 1864, p. 202

Uma opinião/crítica em forma de “COMMUNICADO” surgiu, assinado «J. S.» , no «Boletim Governo de Macao»

Extraído do BGM X-36 de 5 de Setembro de 1864, p. 142
Capa da partitura dos menestréis de Christy Fonte:  Folha da partitura dos menestréis de Edwin Pearce Christy, capa de 1847. https://pt.qwe.wiki/wiki/Hokum

(1) “Minstrel show” (espetáculo de menestréis) (2) ou “minstrelsy” (cantoria) é nome pelo qual ficou conhecido um tipo de espetáculo teatral popular tipicamente americano e notavelmente baseado em ideais racistas perpetuados nos Estados Unidos e no mundo, que reunia quadros cômicos, variedades, dança e música, inicialmente com artistas brancos maquiados como negros com o rosto maquiado de preto (blackfaces), principalmente depois da Guerra Civil. No início dos anos 1830, o espetáculo consistia em breves quadros “entre-actos” cômicos burlescos. Na década seguinte, era um show completo. Em 1848, o jogral das “cara-pretas” se tornou uma arte nacional da época, com um formato como de uma ópera mas que se utilizava de temas populares para plateias em geral. Edwin Pearce Christy (3) fundou o “Christy’s Minstrels”, combinando canções refinadas dos “Ethiopian Serenaders” (trabalho do compositor de Christy, Stephen Foster) com a irreverência da “Virginia Minstrels”. A companhia Christy estabilizou as apresentações em três actos, estrutura que permaneceria nas décadas seguintes. Isso trouxe a respeitabilidade dos proprietários de teatro que se esforçavam para tornarem as casas de espetáculos mais calmas e quietas. https://pt.wikipedia.org/wiki/Minstrel_Show

(2) Menestrel: poeta, cantor e músico ambulante na idade média; depois artista, poeta ou músico que recita ou declama poemas ou canta. Nos espectáculos dos menestréis, citados anteriormente, eram cantores / declamadores brancos que se “pintavam” de negro.

 (3) Edwin Pearce Christy (1815 – 1862) foi um compositor, cantor, actor e produtor americano. Mais conhecido como EP Christy, foi o fundador do grupo menestrel de “Christy Minstrels”, cerca de 1836. Devido a reveses financeiros durante a Guerra Civil Americana, Christy atirou-se de uma  janela em sua casa em Nova York no dia 20 de Maio de 1862. Morreu no dia seguinte. O nome do grupo original, “Christy Minstrels”, foi registado para uso de uma nova companhia. https://en.wikipedia.org/wiki/Edwin_Pearce_Christy