Archives for posts with tag: 1910

Extraído de «BGC XXVI-302-303,1950»
12-07-1910 – O Governador Eduardo Marques ordenou por portaria, a suspensão de garantias constitucionais, em todos os territórios do Concelho de Taipa e Coloane, sendo enviadas, pelas 4.00 horas de madrugada, duas forças uma de 45 praças de infantaria, comandada pelo Tenente Aguiar e outra do destacamento da Taipa e Coloane, sob o comando do tenente Albino Ribas da Silva, para desalojarem os piratas da quadrilha de Leong Tai Tchan e Leong Ngi Uá, que tinham o seu covil, nas furnas da ilha de Coloane. Devido à resistência oferecida pelos piratas foi enviada uma força de artilharia e, pelas 11.30 horas, a lancha canhoneira Macau, chefiada pelo primeiro-tenente Joaquim Anselmo Mata e Oliveira À tarde, seguiu novo reforço de 105 homens do Corpo da Polícia e infantaria, sob o comando do Capitão de infantaria Eduardo Azambuja Martins, indo assumir o comando geral das forças o major Alfredo Artur de Magalhães, comandante da Polícia de Macau O combate iniciou-se no dia seguinte e a rendição dos piratas foi no dia 14 embora as operações “de limpeza” tenham prolongado até 29 do mesmo mês.Desta acção resultou o completo extermínio dos piratas que tinham o seu quartel-general nessa ilha de Coloane, com a libertação de 18 crianças, mulheres e velhos e aprisionados 21 piratas reconhecidos, 39 indivíduos suspeitos, 11 mulheres de piratas num total de 89 pessoas. (1) Morreram 3 portugueses, segundo algumas fontes (2) mas somente é referido nos relatórios oficiosos, a morte do cabo António Maria d´Oliveira Leite, no dia 12 de Julho.

Militares portugueses, durante os combates em Coloane contra os piratas, em 1910

NOVEMBRO de 1910 – Julgamento dos piratas sequestradores de Coloane no Quartel de S. Francisco. Condenados 8 piratas a 28 anos de prisão, com degredo em Moçambique. Sete piratas foram absolvidos por faltas de provas dos crimes imputados.
O Júri do Conselho de Guerra: (1)
Presidente: Major António Joaquim Garcia
Vogais: Capitão Manuel das Neves e Alferes Mendes
Auditor: Camilo de Almeida Pessanha
Promotor: Tenente Rosa
Defensor oficioso: Alferes Rebelo
04-02-1911 – É escolhido o feriado municipal – 13 de Julho – do Concelho das Ilhas, e apresentada a justificação no B. O. n.º 5, desta data. Trata-se de sublinhar na memória de todos, em cada ano, a data do «combate de Coloane», contra os piratas, no ano anterior. (3)
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954; TEIXEIRA, Pe. Manuel – Os piratas em Coloane em 1920, 1960
(2)  «MBI, III-71, 1956.»
(3) SILVA , Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.

Uma fotografia publicada no dia 25 de Março de 1916, na «Revista Colonial» (Portugal) mas referente ao ano de 1910 (?) com a legenda:
“Aspecto geral do Porto de Macau (Porto Interior) no dia de ano novo China (10-2-1910) – caes de vapores e carreira (Hong Kong, Cantão e Rio d´Oeste)
 

Anúncio publicado no «Diário Illustrado», em Portugal, no dia 4 de Outubro de 1910, pelos agentes “Henry Burnay & Co.” (sede: Rua da Princeza, 10 – 1.º Lisboa) da  “Companhia Trasatlantica”. (1)

Publicitava o serviço dos paquetes “hespanhoes” de Lisboa
para os “portos do Mediterraneo, Egypto, Extremo Oriente;
para Port-Said, Colombo (Ceylão), Singapura, Ho-Ho e Manilla”  e
“Recebendo  passageiros para os portos indicados, Bombaim (Índia), Hong Kong (Macau), Shanghai e mais portos da China e Japão”

anuncio-companhia-trasatlanticaDos paquetes anunciados, o mais conhecido e aquele que efectuava a viagem para o Oriente (trajecto Barcelona – Manila), era o «SS Isla de Panay», de 3545 toneladas, construído em 1882 como navio de carga e passageiros. A “Compania Trasatlantica Espagnola – António Lopez” adquiriu o navio em 1888. Foi utilizado na Guerra Espano-Americana (Junho-Julho 1898) como cruzador auxiliar da marinha espanhola na tentativa de furar o bloqueio às Filipinas feito pelos E.U.A. Após a guerra voltou a navio de carga para transporte de passageiros e soldados espanhóis e armamento para Filipinas. Ficou conhecido em 1896 por ter transportado o revolucionário nacionalista filipino José Rizal (1861-1896) ( médico oftalmologista, escritor, poeta e jornalista, que viria a ser executado em 30 de Dezembro de 1896, em Manila, por um esquadrão de soldados filipinos do exército espanhol) para Barcelona (chegou a 3 de Outubro de 1896) como prisioneiro dos espanhóis.
No dia 07-12-1929, aquando da viagem de Barcelona a Fernando Pó, encalhou nas ilhas perto de Fernando Pó, tendo-se afundado.

ssisla-de-panay-1901SS Isla de Panay, em 1901

(1) A “Compania Trasatlántica Espanola S.A.” (conhecida como a «Spanish Line») foi fundada em 1850 por António Lopez y Lopez, com a sede em Barcelona. Iniciou em 1884, uma carreira regular comercial entre Espanha e Filipinas. Por dificuldades económicas terminou as carreiras comerciais em 1974. Chegou a ter 33 navios de transporte de carga e passageiros em 1894.  Em 1898, 21 navios da empresa foram usados pela Marinha Espanhola na  Guerra Espano- Americano.
http://www.theshipslist.com/ships/lines/cte.shtml

Os Piratas em Coloane em 1910 - CAPAOpúsculo do Padre Manuel Teixeira, (1) sobre os acontecimentos decorridos em 1910, na Ilha de Coloane, descrevendo a origem dos factos, os pedidos de resgate das crianças que foram raptadas na aldeia de Tong-hang, do distrto de San-neng até ao assalto final da tropa portuguesa ao esconderijo dos piratas nos dias 12 e 13 de Julho de 1910 e operações de “limpeza” que terminaram a 26 desse mês.
Os Piratas em Coloane em 1910 - MAPA Ilha de ColoaneUma poesia dedicada aos marinheiros no regresso de Coloane feito por um anónimo.

Com qu´então não tiveram inimigo
Os nossos valorosos marinheiros !
Outros foram por certo mais felizes,
Mostrando, como são, belos guerreiros!
 
Ter lá ido, não vendo o inimigo
Sem dúvida, arrelia, é pouca sorte!
Tanto mais qu´infelizes camaradas
Por desgraça, lá tiveram a sua morte.

Que fallem os colegas de Macau
E digam os vestígios que ficaram,
Dos combates de doze e mais de treze,
Em que rijos, valentes, pelejaram!
 
Que o diga o Machado destemido
Quando ia da lancha timoneiro,
Como as ouviu zunir ao seu ouvido
E do seu camarada o artilheiro.
 
N´esses dias, a vida se arriscou
Colaborando Marte e mais Neptuno,
P´ra que não haja d´reito a alguém dizer
Que nuvens só se viram e não Juno.

Não devem pois ficar tão desgostos
Porque não conseguiram combater;
São nobres marinheiros  portugueses,
Avançam para o p´rigo, sem temer!
 
Era vel-os! Pelas serras epor montes,
Com que ância procuravam os piratas!
Esquadrinhando o terreno e os buracos
Desce aqui, sobe além, quási de gatas!
 
Não se lamentem pois! Se a Colovane
D´esta vez por ocaso foram tarde,
Ninguém d´isso tem culpa, que me conste,
De o pirata fugir e ser cobarde

Macau, 13 de Agosto de 1910 (1)

Os Piratas em Coloane em 1910 - MONUMENTO -CAPACOLOANE – Monumento comemorativo dos combates contra os piratas, em 1910.
Fotografia provavelmente dos finais dos anos 50 (século XX)

Os Piratas em Coloane em 1910 - MONUMENTO pp.20-21Monumento erigido em Coloane, em frente da Igreja de S. Francisco Xavier,comemorativo dos combates contra os piratas, em 1910″

Esta fotografia com a legenda está no interior do opúsculo (entre as páginas 20 e 21), e será de uma data anterior à foto da capa do opúsculo, provavelmente dos princípios dos anos 50 (século XX)
Como curiosidade, esta mesma fotografia está reproduzida em livros, revistas e na net de modo “invertida” como a que apresentei numa postagem anterior (2)

Os Piratas em Coloane em 1910 - OBELISCO Foto invertida“Obelisco em Coloane comemorando as operações contra os piratas.
Símbolo da Cruz e Espada homenageados na Igreja e no Monumento Militar”
. (2)

(1) TEIXEIRA, Pe. Manuel – Os Piratas em Coloane em 1910. Edição do Centro de Informação e Turismo, 1960, 24 p. (22,5 cm x 15, 7 cm)
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/07/13/noticias-de-13-de-julho-de-1950-e-1951-evocacao-pelos-sobreviventes-dos-combates-dos-dias-12-e-13-de-julho-de-1910/
Anteriores referências aos “Piratas em Coloane em 1910”, ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/piratas/

MBI I-15 15MAR1954 Seminário S. José IA fachada da Igreja do Seminário de S. José

A imponente fachada das Ruínas de S. Paulo não constitui apenas um monumento religioso. Aquela mole gigantesca de granito apregoa na sua aparente nudez, uma época brilhantíssima em que com toda a justiça, Macau era apontada como o ponto de irradiação da Cultura Lusíada nestas paragens.
Do Colégio-Universidade de S. Paulo (ou S. Paulo, o Grande – Tai Sam Pá / 大三巴) fundado no final do século XVI) saíram para a China, para o Japão, para todo o Extremo Oriente, legiões de missionários, padres e leigos empenhados na obra de difundir entre os infiéis, a Fé e a Civilização Cristãs.
Remonta também a essa época o começo do Seminário de S. José, fundado como Colégio de S. Paulo, pelos Jesuítas.
Há grande divergência entre os investigadores sobre a data da sua fundação. Sabe-se que já existia em 1749, podendo situar seguramente o seu começo no segundo quartel do século XVIII. Existia, então, no sítio onde se levanta o actual edifício, conhecido durante muito tempo como Monte do Mato Mofino, um grupo de 3 casitas pertencentes a um homem rico, Miguel Cordeiro, que as ofereceu aos missionários jesuítas. Nelas se instalou o primitivo Seminário e delas se foi erguendo, ano a ano, gradualmente o grandioso maciço que ainda é conhecido entre os chineses: Sam Pá Tchai ou S. Paulo Menor/ 三巴仔.(1)
Com a expulsão dos jesuítas, em 1762 , registou-se um período de abandono, até 1784, ano em que o Seminário foi confiado aos Lazaristas ou Padres da Missão, vindos do Seminário de Chorão (Goa).(2)
Dentre os novos professores, que conseguiram levantar o seu prestígio cultural a um grau bastante elevado, distingiu-se o famoso sinólogo, Padre Joaquim Afonso Guimarães, cujas cinzas, como as do Bispo de Pequim, D. Joaquim de Sousa Saraiva, ainda se conservam na igreja do Seminário.
Em 1820, ensinavam-se nela, além de ler, escrever e contar, as Línguas Portuguesa, Inglesa, Francesa e Chinesa, a Música, a Retórica, a Filosofia, os Estudos Eclesiásticos. Havia também aulas de Matemática, uma Academia e de Marinha.
Em 1828, o Seminário adquiriu, por compra, a Ilha Verde, então verdadeira ilha, para nela se construir uma casa de repouso, onde os seminaristas passavam as férias de Verão.(3)

MBI I-15 15MAR1954 Seminário S. José IIAltar de Nossa Senhora da Conceição

Com a execução, em Setembro de 1835, do decreto que extinguia toas as congregações religiosas e, mais tarde com a morte, em 1853, do Pe. Joaquim José Leite, último reitor lazarista, entrou o então «Real Colégio de S. José» num novo período de decadência.
Em Março de 1862, porém, graças aos esforços do bispo D. Jerónimo José da Mata, chegavam os jesuítas Padres Francisco Xavier Rôndina (o seu retrato está num dos salões do edifício do Leal Senado) e José Joquim de Afonso Matos, que deram notável impulso ao ensino, atraindo ao Seminário alunos de Hong Kong, das Filipinas e doutros pontos do Extremo Oriente.
Em 1870, os seus estudos foram oficializados, para os que se não destinavam ao sacerdócio, passando a denominar-se «Seminário-Liceu», facto este que confere o direito de ser considerado o primeiro Liceu da Província.(4)
Em 1871 com a expulsão, primeiro dos professores estrangeiros e, mais tarde, de todos os padres da Companhia de Jesus, sofreu o Seminário novo golpe.(5)
O bispo D. António Joaquim Medeiros confiou em 1890, o ensino, e, em 1893, a direcção e administração do Seminário, novamente, aos jesuítas.
Com a terceira expulsão destes, em 1910, tomou a direcção do Seminário, o clero secular, até 1929, ano em que o bispo D. José da Costa Nunes a entregou, outra vez, aos jesuítas que nela se mantiveram  até 1940. Desde então foi dirigido pelos cleros seculares, auxiliados por alguns religiosos e leigos até ao seu fecho em 1968 (externato); no ano anterior tinha sido encerrado o curso eclesiástico por falta de vocações.

MBI I-15 15MAR1954 Seminário S. José IIIAltar-mor da Igreja do Seminário

Em 1931, fundou-se o Colégio de S. José para alunos externos chineses, anexo ao Seminário até 1938, data em quer foi desligado, passando a funcionar independentemente.
Em Maio de 1938, fecharam-se as portas do Seminário aos alunos externos, sendo frequentado apenas pelos candidatos à vida missionária.(6)
Mas, em 1949, reabriu para os externos, o curso primário e, em 1950, o curso secundário.

MBI I-15 15MAR1954 Seminário S. José IVApós obras de reconstrução, em 1955, os dois edifícios novos do Seminário de S. José. Ao fundo o Salão de Actos e sala de estudo e em primeiro plano a nova escola para alunos esternos.

Em 1954, (7) após a restauração da igreja do Seminário construída igualmente pelos jesuítas, em data que se ignora, mas já existente em 1758, o bispo João de Deus Ramalho, S. J. inaugurou dois pavilhões novos, um para sala de estudos dos seminaristas e salão de actos e outro para aulas dos externos e residências dos professores.
Em 1954/1955 funcionavam neste estabelecimento, 4 cursos distintos, com 2 classes diferentes de estudantes (96 seminaristas e 330 alunos externos):
1 – Curso de Instrução Primária, para alunos portugueses;
2 – Curso Secundário, para alunos portugueses;
3 – Curso Secundário, para alunos chineses;
4 – Curso Eclesiástico, constituído por 2 anos de Filosofia e 5 de Teologia, comum a chineses e portugueses.
À parte funcionava ainda um Curso Especial nocturno de Português para chineses , frequentado especialmente por empregados comerciais.
No seu período áureo, por muitos anos, chegou a manter, com grande proveito para os que não pretendiam seguir a carreira eclesiástica, entre outros cursos especiais, uma Escola de Pilotagem e um Curso Comercial em língua inglesa.(8)
Durante mais de dois séculos, o Seminário de S. José formou sucessivas gerações de pessoas que se destacaram em Macau e no mundo, nomeadamente: Marechal Gomes da Costa, Leôncio Ferreira, o antigo governador de Macau  Artur Tamagnini Barbosa, D. José da Costa Nunes (Vice-Camarlengo da Santa Sé), D. Jaime Garcia Goulart, (Bispo de Timor), Guilherme José Dias Pegado Gouveia ((doutor e lente de Matemática/Física da Escola Polytécnica e seu irmão Manuel Maria e  Pedro José Lobo, Pedro Nolasco da Silva, José Silveira Machado, Manuel Teixeira, José Machado Lourenço, D. Jerónimo José da Mata, D. Arquimínio Rodrigues da Costa, D. Domingos Lam Ka-tseung, D. José Lai Hung-seng e D. Jaime Garcia Goulart. (9)

MBI I-15 15MAR1954 Seminário S. José VO corpo docente e discente do Seminário de S. José (1954/1955) com o novo reitor, Rev. Pe. Arquimínio Rodrigues

(1) 19-02-1783 – Foi erecto em seminário o antigo colégio de S. José, que os padres jesuítas tinham estabelecido em 1754 com três casitas que Miguel Cordeiro doou à Missão dos Jesuítas em Nanquim.(10)
      07-03-1783 – Foi criado no Colégio de S. José de Macau, um seminário para a educação da mocidade macaense.(10)
(2) 01-10-1784 – Foi inaugurado o Seminário de S. José, confiado aos lazaristas, com oito alunos. (10)
(3) Referências anteriores à Ilha Verde:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ilha-verde/
(4) O decreto de 20 de Setembro de 1870 é o primeiro documento oficial completo, referente ao Seminário, que, além dos estudos eclesiásticos e da formação dos missionários para a China, visava também oficializar os estudos no referente a alunos que não se destinavam ao sacerdócio. Na verdade, o n.º 3 do artigo 1.º diz assim « Servir de liceu em que recebam instrução secundária os indivíduos que não se destinarem aos estado eclesiásticos». Aparece, portanto, o Seminário de S. José, como o primeiro liceu na realidade, em Macau,  visto que o Liceu de Macau só foi criado em 27 de Julho de 1893.
22-12-1881 – Decreto organizando o Seminário de S. José, sob o nome de Seminário -Liceu de S. José de Macau, continuando, porém a serem mantidas a cadeira de náutica e as aulas do ensino comercial.(10)
(5) 20-09-1870 – Todos os professores estrangeiros do Seminário de S. José foram obrigados, por decreto, a deixar o ensino.(10)
(6) 18-05-1938 – Foi extinto o Colégio e ficou só o Seminário de S. José, por Portaria Eclesiástica, em cumprimento às instruções da Santa Sé de as aulas do Seminário só poderem ser frequentadas por candidatos à vida eclesiástica(SILVA, B. B. .Cronologia da História de Macau, Vol.4)
(7) MARÇO DE 1954 – Concluídas as obras de reparação nela introduzidas, foi reaberta ao público a Igreja do seminário de S. José. Nesse dia, Sua Exa. o Bispo D. João de Deus Ramalho conferiu o Santo Crisma a 18 seminaristas recentemente vindo vindos da metrópole. (Macau B. I., 1954)
(8) 22-12-1881 – Decreto organizando o Seminário de S. José, sob o nome de Seminário -Liceu de S. José de Macau, continuando, porém a serem mantidas a cadeira de náutica e as aulas do ensino comercial.(10)
(9) Seminário de S. José – Macau B. I. 1955 e Seminário de S. José in Anuário de Macau 1953-55.
(10) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau, 1954
NOTA: a Igreja e o Seminário de São José estão incluídos na lista dos monumentos históricos do “Centro Histórico de Macau”, que por sua vez foi classificado pela UNESCO em 2005 como sendo um Património Mundial da Humanidade.

ANÚNCIO de 1922 ANIMATÓGRAFO MACAUUm dos primeiros anúncios do “ANIMATÓGRAFO MACAU”  que começou em 1922.
O mais confortável salão cinematografico“, na Rua do Hospital (1) e pertencia ao empresário Filipe Hung
A 1.ª classe custava 20 avos (1.ª sessão) e 30 avos (2.ª sessão)
A 2.ª classe custava 10 avos (1.ª sessão e 2.ª sessão )
Para os “Praças sem graduação e crianças“: 20 avos só para a 2.ª sessão
Não sei em que mês foi a inauguração do “Animatógrafo Macau” mas há referência que em Maio desse ano, exibiu-se aí uma fita sobre Macau, destinada à Exposição do Rio de Janeiro. Apesar de algumas passagens escuras, era muito interessante e foi inteiramente feita por um amador, Sr. Antunes Amor (2).
Embora desde 1915  se passavam filmes no Teatro «D. Pedro V» (não regularmente) (3) e nos teatros então existentes em 1922 – o “Cheng Peng” construído em  1875, mas somente a partir de 1915 foi-lhe passada licença para exibições cinematográficas,  o “Teatro Vitória”  desde 1910 na Rua da Cadeia ( hoje Rua Dr. Soares)  (4) e o chamado “Cinematógrafo Chip Seng” (5) no Largo da Caldeira em 1912 (uma barraca onde se exibia fitas cinematográficas ), o primeiro cinema de Macau instalado para esse fim terá sido o “Teatro Yo Duo“, em 1921.(6)
(1) Em 22-04-1942 a Rua do Hospital passou a designar-se por Rua de Pedro Nolasco da Silva
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-pedro-nolasco-da-silvarua-do-hospital
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4,, 1997)
Ver também em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/04/19/leitura-macau-a-cidade-mais-pitoresca-do-nosso-dominio-ultramari-no-i/
(3) “Esta empresa cinematográfica, instalada no edifício do Teatro Dom Pedro V desta cidade, tem, sem exagero, procurado meios para agradar ao público, com ricos dramas e variadíssimas fitas cómicas, belas ventoinhas e toda a espécie de acomodações; ultimamente, contratou um trio que diariamente executará variado e escolhido reportório”. Do programa deste cinema, constavam matinés especialmente dirigidas às crianças, todas as quintas-feiras e aos domingos, das 16h00 às 18h00, com filmes apropriados. Os preços variavam entre os dez e os 40 avos, dependendo se fosse um bilhete para a galeria e plateia, para a plateia 1.ª classe ou plateia 2.ª classe. Crianças e soldados pagavam apenas metade do preço de um bilhete normal”. (Jornal «O Progresso» de 13 de Setembro de 1914)
http://www.revistamacau.com/2015/02/09/os-loucos-anos-do-cinema/
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2011/12/28/cinemas-de-macau-i/
(5) O escritor Senna Fernandes além de mencionar o “Cinematógrafo Chip Seng” nomeia outro com o nome de “Olympia”, na Rua do Hospital. Será o mesmo “Animatógrafo Macau” ?
 “o mais remoto cinematógrafo da altura era o Chip Seng, na Rua da Caldeira, com bilhetes cujos preços variavam entre os oito e os 35 avos (de pataca), dependendo do assento. Havia também o Tin Lin, no Largo de Hong Kong Mio, com preços entre os dez e os 50 avos. Entre os outros, contava-se também o Olympia, na Rua do Hospital (hoje, Rua Pedro Nolasco da Silva). Seja como for, eram apenas “sórdidos barracões, nada convidativos para os tai-pans (indivíduos ilustres) e os elegantes da época”.
http://www.revistamacau.com/2015/02/09/os-loucos-anos-do-cinema/
(6) “1921Neste ano foi instalado o primeiro cinema de Macau no Teatro «YO DUO». Estava-se no tempo do cinema mudo. Ao lado da pantalha sentava-se um indivíduo que, inspirado nos gestos dos actores principais, narrava vivamente uma história. Os lugares em frente da pantalha eram caros mas por detrás, onde as imagens apareciam do avesso, eram bastante acessíveis. Deve dizer-se que mesmo sem equipamento adequado, já se passavam filmes desde 1915 no Teatro «D. Pedro V» do Clube de Macau.”  (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997).

No dia 7 de Fevereiro de 1915, o jornal «O Progresso», publica o seguinte convite: «O Governador da Província de Macau e D. Berta de Castro e Maia têm a honra de convidar as pessoas das suas relações a visitar hoje, pelas 16 horas, no Palácio do Governo, a exposição de preciosidades chinesas da colecção do Exmo. Se. Dr. Camilo de Almeida Pessanha». Camilo proferiu então uma conferência sobre «Estética Chinesa». (1) É Camilo Pessanha quem organiza pessoalmente a exposição, escolhendo cento e vinte e cinco peças, cem delas classificadas no respectivo catálogo. (2)

POSTAIS CAMILO PESSANHA - 6SET1915Camilo Pessanha com o afilhada Ângela Gracias, em Macau,
no dia 6 de Setembro de 1915, véspera da sua última partida para Portugal (3)

Esta colecção seleccionada é oferecida ao Estado Português, seguindo-se uma outra, de sessenta peças doada por documento de 1926, ano da sua morte, ao Museu Machado de Castro , de Coimbra, terra natal do Poeta. Ambas as doações se encontram hoje nesse Museu, depois de várias vicissitudes e com seis peças em falta (4)

POSTAIS CAMILO PESSANHA - MARÇO 1916Camilo Pessanha com António Osório de Castro, em Lisboa, em Março de 1916
pouco antes de regressar definitivamente a Macau. (3)

(1) Camilo Pessanha já em 28 de Maio de 1910 proferira uma conferência sobre estética chinesa, no Grémio Militar de Macau, a qual se prolongara por duas horas.
O relato desta conferência “Estética Chinesa“, elaborada pelo próprio autor, foi publicado no jornal “”, de Macau, nº 85, em 2 de Junho de 1910. Poderá Lê-lo em: https://sites.google.com/site/pesscam/sinologo/estetica-chinesa
(2) “A sua colecção de arte chinesa é exposta no Palácio do Governo no dia 7 de Fevereiro de 1915. Constituída por cem peças, incluía exemplares de pintura e caligrafia, bordados, brocados, indumentária, joalharia, cloisonné, champlevé, bronze com incrustações, escultura em madeira e marfim, unicórnio, pedras duras e vidro, embutidos em madeira, charão e cerâmica. O poeta ofereceu-a então ao Estado português.” http://purl.pt/14369/1/cronologia1909.html
(3) Postais da Colecção «CAMILO PESSANHA no 70º aniversário da publicação do “CLEPSIDRA”». Edição do Instituto Português do Oriente, Macau, 1990.
Postais desta colecção em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/23/leitura-macau-e-a-gruta-de-camoes-xxv-por-camilo-pessanha/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/03/01/noticia-de-1-de-marco-de-1926-falecimento-de-camilo-pessanha-postal-poesia-camilo-pessanha-ii/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/06/poesia-postal-de-camilo-pessanha-i/
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.