Archives for posts with tag: Hospital Militar de Sam Januário

A propósito do temporal / ciclone que se abateu sobre Macau no dia 12 de Julho de 1883, (1) mais três relatórios datados de 14 de Julho de 1883, publicados no «Boletim da Província de Macau e Timor», no suplemento n.º 28 (Vol. XXIX), de 19-07-1883, respectivamente do Administrador (substituto) do Concelho de Macau, F. C. Lobo, do Director das Obras Públicas, Constantino José de Brito, (2)  do administrador do Concelho da Taipa e Colovane, tenente José Correa de Lemos, (3) bem como uma tabela de “Observações meteorológicas feitas no porto interior a bordo da canhoneira Tâmega” durante o cyclone” assinada pelo comandante A. J. Pinto Basto. (4)
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/07/12/noticia-de-12-de-julho-de-1883-temporal-ciclone-sobre-macau-i/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/constantino-jose-de-brito/
(3)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-correia-de-lemos/
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/06/leitura-cruzador-s-gabriel-viagem-de-circumna-vegacao/

Artigo do Capitão-Tenente Jayme do Inso, de Lisboa, Abril de 1932, publicado no n.º 2 do Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, Maio de 1932.

Extraído do Boletim do Governo de Macau, VIII- n.º 23 de 10-05-1862.

Uma lembrança do 130.º Aniversário do Centro Hospitalar Conde de São Januário (1874-2004)
Um “pisa-papeis” em forma de cubo (4,8 cm x 4,8 cm x4,8 cm) de vidro.
Do Boletim Oficial de 10 de Janeiro de 1874:
«Teve logar no dia 6 do corrente, como estava anunciado, a inauguração solemne do hospital militar de S. Januário segundo o programma que foi publicado n´esta folha. Sua Ex.ª o Governador da província de Macau e Timor, Visconde de S. Januário às 2 horas precisas deu entrada no edifício do hospital, dirigindo-se à sala destinada à inauguração.
A sala achava-se decorada com trophéos artisticamente dispostos, no centro do trophéo principal achava-se o retrato de S. Ex.ª. Na balaustrada que circunda o perímetro onde se acha edificado o hospital e no mesmo edifício tremulavam nas suas hastes, numerosas bandeiras, distinguindo-se nos dois torreos extremos as que são privativas dos hospitaes… (…).
O primitivo Hospital Militar inaugurado a 6-01-1874 começou a ser demolido em Novembro de 1952, para em três fases ser substituído por outro – Hospital Conde de S. Januário.
O primeiro centenário do Hospital de S. Januário foi comemorado no dia 6 de Janeiro de 1974, com uma exposição no salão nobre do Leal Senado intitulada «O Hospital e a Saúde Pública» seguida de uma sessão solene presidida pelo Nobre de Carvalho.
Ver anteriores referências do Centro Hospitalar:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-hospitalar-conde-s-januario/

Aquele que, deixando Hong Kong viesse a Macau pela primeira vez, gozava as delícias de uma curta viagem de quatro horas, rodeado do maior conforto e desfrutando uma paisagem admirável por entre ilhas e ilhotas cobertas de vegetação e semeadas a capricho, como se tal disposição obedecesse à finalidade de proporcionar o imprevisto.
Para trás ficava a imponente colónia inglesa, cheia de grandeza e majestade, lançada pela íngreme vertente, que parecia dirigir-se ao Céu… (…).
E quanto mais o pequeno e confortável navio se aproximasse de Macau, tanto mais mudava a feição de tudo, desde a brisa, que se tornava suave e branda, à cor das águas, que reflectiam na superfície o amarelado dos fundos que as correntes cobriam de lodo.

A Baía e a Praia Grande (final da década de 40, século XX)

Passadas as Nove Ilhas, semelhantes a nove irmãs imorredouras, que a lenda não deixa esquecer, avistava-se à distância a “Porta do Cerco”, a praia da “Areia Preta”, a “Chácara do Leitão”, mostrando-se no cimo da “Montanha da Guia” o célebre farol, o mais antigo da Costa da China.
Na outra elevação próxima, distinguia-se o “Hospital Conde de São Januário” , que dominava o grande casarão que outrora fora Convento de S. Francisco e que servia de Quartel de Infantaria.
É, então, à recortada costa de pequenas enseadas, seguia-se a “Baía da Praia Grande”, em curva caprichosamente feita, deixando antever as delícias de uma pequena cidade de paz e sossego…(…)
O casario caiado a cores garridas, as Igrejas, as Capelas, os Fortes, Fortins e Bastiões, as casas solarengas e a quietude dolente e embaladora, não deixavam dúvidas de que a China deveria estar longe desta terra, que tudo indicava ser portuguesa.
Ao dobrar a “Fortaleza do Bom Parto”, talhada no regaço do imponente “Hotel Bela Vista”, surgia o sinuoso caminho, que levava ao ”Tanque do Mainato”, com a colina despida de casario, à excepção da velha e abandonada vivenda de “Santa Sancha”.
Em cima, a velha Ermida da Penha, cheia de unção religiosa e graça na sua simplicidade.
Na última curva da ordenada beira-mar, via-se a “Fortaleza da Barra” e, mais adiante, em plano superior, a “Capitania dos Portos”, em estilo mourisco…
continua.
REGO, Francisco de Carvalho e – Macau … há quarenta anos in «Macau». Imprensa Nacional, 1950, 112 p.
Deste autor, anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-de-carvalho-e-rego/ 

Numerosos fiéis assistiram, no dia 22 de Setembro de 1953, ao solene «Te-Deum», cantado na Sé Catedral, em acção de graças por Deus ter poupado Macau a maiores estragos, a quando do tremendo tufão que assolou a cidade, em 22 de Setembro de 1874.
«A nossa cidade, que por suas recordações históricas e tradições religiosas era uma das mais famosas e notáveis do oriente, tão bela ainda há poucos dias, perdeu, em poucas horas, grande parte do seu esplendor e formosura, sofrendo a mais horrível e lastimosa transformação!»
«Tal é o destino de todas as coisas humanas! Só Deus é grande, só Ele é imutável!»
Tais as palavras que se lêem na Circular dirigida pelo Governador do Bispado de Macau, em 27 de Setembro de 1874, ao clero e fiéis desta Diocese, convidados a orar pelas necessidades desta cidade.
E os fiéis oraram, então, durante três dias consecutivos, nas igrejas paroquiais, no seminário diocesano e no convento de Santa Clara; e aqueles que não puderam ir ao templo, oraram com boas disposições no interior de suas casas.
E, desde então, todos os anos, se vem cantando um «Te-Deum» em cumprimento do voto feito por essa ocasião.
A 25 de Setembro de 1874, o Governador da província, Visconde de São Januário, publicou no Boletim da Província de Macau e Timor, o seguinte apelo à população de Macau:
«Habitantes de Macau!
Uma grande calamidade acaba de pesar sobre esta cidade!
Os terríveis efeitos do tremendo tufão, importando em graves perdas, levaram a desolação e a desgraça, aonde ainda há pouco reinava o bem estar e a alegria!.
Respeitemos os decretos da Previdência, mas não se abata por isso o nosso ânimo, e juntemos os nossos esforços para remediar os males que não nos era dado evitar .
Macenses! Trabalhai corajosamente para reconquistar o perdido, e confiai na autoridade que há-de velar pela vossa segurança; há-de acudir aos aflitos e há-de prover de pronto à s mais instantes necessidades públicas!
macaenses! Colaborai nobremente nesta grande empresa e tende fé que vereis ainda elevar-se esta antiga possessão portuguesa ao estado florescente em que há pouco se achava»
Os estragos e as perdas causadas foram enormes. Muitos pobres, tanto portugueses como chineses, achavam-se reduzidos às extremidades da fome. Os bairros de S. Lázaro e Santo António encontravam-se em ruínas , sob os montões jaziam muitos cadáveres.
O Hospital S. Rafael ficou destruído e o Hospital Militar de S. Januário seriamente abalado. Por oferta do Governador do Bispado, foi aproveitado o Paço Episcopal para hospital.
Por avaliação feita pelo Procurador dos Negócios Sínicos sabe-se que os estragos causados nos prédios dos chineses deram um prejuízo superior a cem mil patacas. Mais de 700 lorchas grandes de comércio e pesca se perderam completamente. Calculou-se em mais de mil o número das lorchas pequenas que foram destruídas. Todas as embarcações perdidas foram avaliada em quase um milhão de patacas. A perda de mercadorias foi avaliada em cerca de 432 mil patacas. Calculou-se em quatro mil o número de chineses mortos e Macau  e mil os mortos na ilha da Taipa.
Os cadáveres forma queimados uns e sepultados outros.
Os portugueses que sucumbiram e forma sepultados no Cemitério de S. Miguel foram 20, sendo 14 homens , 4 mulheres e 2 crianças.
Foram calculados em 300 mil patacas os prejuízos havidos nas propriedades dos portugueses, estando neste número incluídos os prejuízos sofridos pela administração dos bens das Missões Portuguesas e por algumas instituições de beneficência.
Anteriores referências a este tufão
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-ii-incendio-no-bairro-de-santo-antonio/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-tufao-e-o-farol-da-guia/
E sobre tufões:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/tufoes/

O jornal «O Século» (n.º 10575, p. 3) publicava no dia 22 de Maio de 1911 a notícia do falecimento do Conde de Arnoso: (1)
“O sr. Bernardo Pinheiro Correia de Melo, conde de Arnoso, contava 56 anos de idade. (…) Grande admirador de Eça de Queirós, seu companheiro no famoso grupo dos «Vencidos da Vida». Influiu bastante para que se erguesse a estátua do largo de Quintela à memória do autor da Relíquia. Após o regicídio (…) esforçou-se, na câmara dos pares, por obter a colocação de uma lápide no Terreiro do Paço, comemorando a morte do sr. D. Carlos. Nada conseguiu, porém, embrenhando num alheamento de todos os assuntos da política portuguesa (…). Essa atitude valeu-lhe ir ter que bater-se em duelo à espada, de que saiu levemente ferido.”
BRANCO E NEGRO 1896 n.º 38 pp.182-183 MACAU de Conde de Arnoso IPublicado no semanário ilustrado “Branco e Negro” de 29 de Dezembro de 1896, um artigo denominado “O ORIENTE – MACAU” (2), que reproduz a primeira parte do capítulo “Em Macau”  das “Jornadas pelo Mundo“.
José Sarmento director do  semanário (3) fez uma pequena introdução, a propósito das “«Jornadas pelo Mundo» do conde Arnoso (Bernardo Pindella), um livro “encantador e luminoso que nos falla d´essa impenetrável e silenciosa China, tão cheia de coisas imprevistas, tão typica, tão atrazada e por isso mesmo tão curiosa, onde ha, para quem saiba vêr, uma tão subtil e colorida analyse a fazer. É realmente de tentar este passeio ao paiz dos amarellos; e Bernardo Pindella, com raras qualidades de colorista, d´elle nos trouxe um pedaço delicioso, claro e aromal como um bosque …de tamarindos. … (…)
Das Jornadas pelo mundo que são, n´este ponto o livro de viagens que nos traduz melhor a impressão sentida, doce impressão, como a que se tem a um pôr de sol que morre n´uma gloria d´oiro, recortamos um bello trecho sobre a cidade de Macau.”
BRANCO E NEGRO 1896 n.º 38 pp.182-183 MACAU de Conde de Arnoso IIEncontrar terra portugueza, a mais de 3:600 leguas de distancia da nossa querida patria, é tamanha ventura, que os cinco dias que estivemos em Macau (4) contarão na nossa vida como para o caminhante no deserto contam as horas de descanço passadas à sombra bemfazeja das palmeiras d´um oásis. E o orgulho de ser portuguez parece crescer ainda quando, pisando a bella terra, volvemos os olhos para o passado e de memória folheamos as paginas da nossa gloriosa historia. … (…)
BRANCO E NEGRO 1896 n.º 38 pp.182-183 MACAU de Conde de Arnoso IIIO seminário de S. José é o unico estabelecimento de instrucção secundária da província. (⅟)
Esta casa de educação soffreu um grande golpe com a expulsão dos dois unicos professores estrangeiros, jesuítas que n´ella existiam. Foi o decreto de 1871 que reorganisando o seminario de S. José, prohibiu que n´elle professassem disciplinas padres estrangeiros. Esses dois unicos jesuitas, d´um grande saber, e que tão relevantes serviços tinham prestado á mocidade estudiosa de Macau, tiveram então de sair. Um é hoje professor em Melbourne; o outro tem a seu cargo em Roma, como redactor principal, a Civittà catolica. É triste vês como um simples traço de penna pôde ter tão funestos resultados.Não se imagina a differença que existe entre os macaístas que foram ainda discípulos d´esses dois padres, e aquelles que não puderam aproveitar das suas lições. Ao sexo feminino prestam  hoje relevantes serviços as irmãs de caridade italianas estabelecidas em Macau. Além de receberem as orphãos e as educarem,  as suas classes são frequentadas pelas filhas de macaístas e empregados da província. Ensinam tambem  a lêr e a trabalhar as ceguinhas pobres. Não se calcula a quantidade de chinas, ou absolutamente cegos ou vendo tão pouco que os fórça a trazer óculos fixos, que por toda a parte se encontram.

BRANCO E NEGRO 1896 n.º 38 pp.182-183 MACAU de Conde de Arnoso IV“Mais acima, no alto d´uma pequena colina, assenta o hospital S. Januario, magnífico e elegante estabelecimento que Macau teve, entre outras muitas coisas, á larga iniciativa do conde de S. Januário.”

As irmãs italianas, apezar de abençoadas por todos, não estão livres tambem de ser expulsoas um dia por algum ministro repentinamente atacado de liberal jacobinismo, formula estapafurdia e indígena muito do apreço de conspicuos conselheiros. O actual bispo de Macau, D. António de Medeiros, não descura um momento, com os eu incansável zelo, estes dois estabelecimentos de instrucção. Prelado d´uma illustração que eguala a sua virtude, não lhe serviu a purpura para descançar. Novo ainda, encontramol-o magro e pallido, mirrado pelas febres devoradoras de Timor, adquiridas na longa visita que ultimamente fez no pelo interior d´aquella ilha ás Missões por elle creadas. Durante algum tempo estivemos presos da iua palavra fluente, ouvindo-o discorrer com rara largueza de vistas e superior bom-sendo sobre o estado actual e o futuro de Timor.”
(⅟ ) Uma recente lei creou felizmente um lyceu em Macau que já está funccionando”

BRANCO E NEGRO 1896 n.º 38 pp.182-183 MACAU de Conde de Arnoso V(1) Bernardo Pinheiro Correia de Melo, conde de Arnoso, também conhecido pelo pseudónimo literário Bernardo Pindela (1855-1911). Fidalgo da Casa Real, capitão do Estado-maior de engenharia, oficial às ordens do rei D. Carlos e seu secretário particular, escritor  e diplomata. É filho do segundo matrimónio do primeiro visconde de Pindela, João Machado Pinheiro Correia de Melo, fidalgo cavaleiro da Casa Real, do conselho de S. M.
Chegou a Macau em 23 de Abril de 1887. Acompanhou o ex-governador Tomás de Souza Rosa a Pequim, em 1887, como secretário, numa missão diplomática, que tinha por fim celebrar um tratado com a China, e foi o negociador do convénio do primeiro de Dezembro do referido ano. As suas notas de viagem a Pequim, em 1887, (roteiro da viagem: Singapura,  Saigão, Hong Kong, Macau, Xangai, Tien-Tsin e Pequim) reuniu-as depois num livro com o título de Jornadas pelo Mundo, que publicou em 1895. A edição foi feita pela casa editora Magalhães & Moniz, do Porto. Pelo decreto de 28 de Setembro de 1895 foi agraciado com o título de conde de Arnoso. Até então assinava-se sempre Bernardo Pindela em todos os seus trabalhos literários.
http://www.arqnet.pt/dicionario/arnoso1c.html
Ver ainda anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/conde-de-arnoso/
(2) Publicado em “Branco e Negro, 1896, n.º 38, pp. 182- 183″
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/BrancoeNegro/1896/Dezembro/Dezembro_master/BrancoeNegroN36aN39.PDF
«BRANCO E NEGRO» – semanário ilustrado publicado em Lisboa de 5 de Abril de 1896 a 27 de Março de 1898 (total de 104 números) sob a chancela da Livraria e casa editora António Maria Pereira  sedeada na Rua Augusta n.º 50 a 54.
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/FichasHistoricas/BrancoeNegro.pdf
(3) José de Matos Sarmento de Beja (1870-1939), jornalista, escritor e tradutor. Na imprensa, registe-se que foi chefe de redacção do Diário de Notícias; redactor do Século, Novidades, O Dia e Jornal da Noite; e colaborou com muitos outros títulos de natureza literária e artística, como Serões, De Teatro, Domingo Illustrado, Noticias Illustrado, Século Illustrado, entre outros. Também exerceu cargos na administração do Estado e no universo empresarial.
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/FichasHistoricas/BrancoeNegro.pdf
(4) Chegou a Macau em 23 de Junho de 1887 juntamente com Tomás  de Sousa Rosa.