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A propósito da celebração, hoje, da Festa do «Bolo Lunar» “Ut Peang” (月饼) – 15.º dia da 8.ª lua do calendário lunar chinês, quando a lua está no seu apogeu, mais redonda, clara e brilhante, retiro do artigo “A Festa da Lua em Macau” o seguinte: (1)

Bolo Lunar – 2018

“Segundo uma lenda milenária, a Lua, YIN (陰), princípio feminino, submete-se ao princípio masculino, o Sol, YANG (陽) neste dia. Por isso, não há noite nesta data memorável da criação. A Lua, símbolo da passividade, da submissão e da feminilidade, é adorada pelas mulheres só elas batem cabeça diante do seu altar, onde ardem duas velas (todos os símbolos têm de ser representados aos pares, para assim significarem os dois elementos).

Embalagem do Bolo – 2018

Quando no seu esplendor, o astro da noite aparece por sobre as copas das árvores e dos cimos das montanhas não há canto da terra que esteja em sombra. O YANG alcançou, enfim, o YIN e juntou-se-lhe. Apagam-se todas as lanternas e lampiões, até aí acesos, e fazem-se fogueiras. As mulheres novamente vão bater cabeça em frente do altar, decorado com velas e bolos da Lua, recheados de galinha, presunto e sementes de loto. Estes bolos têm desenhados imagens de lebres e sapos – os legendários animais que habitam a Lua. Em todas as casas existe uma figura de lebre, a habitante da Lua que pisa num almofariz a pérola da imortalidade, e que, nesta noite, ´e queimada com cerimonial. A festa termina com partidas em que os pares devaneiam amorosamente.”
(1) Assinado por “M.R.C” (muito possivelmente de Maria Roque Casimiro), nas pp. 199-200 de “Mosaico” Vol. I-2 , 1950.

Comemorando o 1.º aniversário da sua chegada a Macau, (1) o Destacamento Expedicionário realizou em 13 de Setembro de 1950 um festival no antigo hipódromo (2) sob o lema: “Nós todos não somos demais para defender Portugal”
As fotos (com as legendas retiradas da origem) foram tiradas por Chun Kwong (3)

Um exercício de ginástica com traves
Rebentamento de fornilhos (4) de trotil
A Classe Europeia de ginástica desfilando
Uma demonstração com soldados indígenas de Angola

(1) O Destacamento Mixto Expedicionário formado em Lisboa, em 1949, a fim de seguir para Macau, embarcou em 15 de Julho de 1949. Chegou a Macau em 24 de Agosto de 1949. O Comandante era o coronel Laurénio Cotta Morais dos Reis que no dia 27 de Agosto desse ano assumiria as funções de Comandante Militar da colónia de Macau.
CAÇÃO, Armando A. A. – Unidades Militares de Macau, 1999.
Ver anteriores postagens em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/09/13/noticia-de-13-de-setembro-de-1950-festival-militar/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/laurenio-cotta-morais-do
(2) O antigo hipódromo que, parte dele, foi depois campo de treinos militares do quartel de Mong Há, ficava num terreno junto à Porta do Cerco.
”09-06-1925 – Pedido de Lou Lim Ioc, Presidente da Companhia «Clube Internacional de Recreio e Corridas de Macau, Limitada» para que lhe seja arrendado um terreno junto à Porta do Cerco” (A.H.M. – F. A.C. P. n.º 134 -S-C).AGOSTO
(3) Publicadas em «MOSAICO», I-2, 1950.
(4) Cavidade enchida com explosivo, em obra ou local que se quer fazer explodir.

Artigo de F. Amaral publicado na revista universal “Jornal de Domingo” (1), sobre “Uma Festa Chineza em Macau
(1) Revista universal “Jornal de Domingo”, n.º 45, 25 Dezembro de 1881, p. 355-358

Do diário de Harriet LOW   (1)
“6 de Agosto de 1830:
Desejaria dar-te a mais pequena ideia duma procissão que passou aqui esta tarde. Parece que estão a dedicar uma nova igreja ou pagode e fazem grande alarido na cidade. Mas, ainda que enchesse muitas páginas, receio que não te poderia dar uma boa ideia dela.
Em primeiro lugar, não se pode calcular o seu comprimento e a variedade de objectos, vestidos, música, etc. …
Muitos dos vestidos eram esplêndidos, com cores e materiais que podes imaginar, mas num estilo que não pode agradar aos olhos de qualquer pessoa dotada de bom gosto.
Havia mulheres esplendidamente adornadas, montadas em cavalos, indo escarranchadas; rapazinhos ataviados com os chapéus e vestidos mais grotescos, empunhando bandeiras trabalhadas com todo o esplendor e de todas as cores.
Iam crianças suspensas no ar e até parecia que se não apoiavam em coisa nenhuma, tal a forma engenhosa como havia sido aquilo disposto.
Havia ainda uma pequena Vénus, saindo da sua concha, e milhões de outras coisas de que não me posso lembrar.
E então a música! Música, disse eu? Ó céus! Se sons tão dissonantes se podem chamar música, aquilo deve ser o supra-sumo da perfeição, pois não podia haver maior ruído; os gongos batiam horrivelmente de sorte que não se podia ouvir de pessoa alguma, ainda que estivesse perto. Oh! Não devo esquecer-me dos porcos tão interessantes! Pobres porcos assassinados, assados e besuntados para essa ocasião, e levados nos carros.
Havia um cordeiro, pobre animalzinho, todo tosquiado, e colocado num carro como se ainda estivesse vivo.
Seguia-se um porco pronto para ser cortado, outro assado e outro besuntado.
Olha que em todas as procissões de casamento, nos funerais, e não sei que mais, são sacrificados os pobres e inocentes porcos.
Seguiam-se carros cheios de fruta – presentes aos deuses como suponho.”

Macau. 1832.
Gravura de W. Floyd  dum desenho de  W. Purser. Colorido à mão. (2)

(1)  Segundo Padre Teixeira (1) esta procissão seria a “festa anual de T´in Hau” (天后/Mazu/A Má), Imperatriz do Céu Deusa dos Mares/Pescadores, protectora dos pescadores e dos navegantes que ainda hoje em Hong Kong se celebra em Agosto, assistindo até o governador”. (TEIXEIRA, Padre Manuel – Macau no Séc. XIX visto por uma jovem americana, 1981, p. 38/39.
A Procissão/Festival em honra a T´in Hau – 天后, em Hong Kong, desde 1963, celebra-se no 23.º dia do 3.ª mês lunar do ano (entre finais de Março e Maio dependendo do calendário lunar).
T´in Hau é a protectora do Pagode Da Barra e de grande devoção dos pescadores de Macau.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-tin-hau-coloane/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-tin-hau-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-tin-hau-taipa/
(2) Esta mesma pintura já foi apresentada em anterior postagem com a indicação de “Macau, 1935”
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/04/06/quadros-19th-century-macau-prints-iv-pintura-de-auguste-borget-e-robert-elliot/
Esta indicação “Macao, 1832” retirei-a de:
http://www.antique-prints.de/shop/catalog.php?list=KAT08&seg=2 

Extraído de «BGU» XXXVII, 432-433, 1961.

No dia 28 de Maio de 1950, em comemoração do dia 28 de Maio, houve uma parada das forças militarizadas no Largo Senado . Anuário de Macau de 1950 p. 236/237
A Tribuna de honra estava instaladas à frente da Estátua do Coronel mesquita, virada para o edifício do Leal Senado e as forças em parada desfilaram ao longo da Avenida Almeida Ribeiro. O Governador era Albano Rodrigues de Oliveira (1)

Desfile dos militares
Desfile dos Bombeiros

(1) Ver anteriores referências a este governador em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/albano-rodrigues-de-oliveira/

O Boletim Oficial n.º 20 de 14 de Maio de 1898, publicava o Programa dos festejos de gala para celebração do IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia. O Programa, que foi formulado em 1897, fora autorizado pelo governo.
Os festejos iniciou a 17 de Abril, pelas 17H00 com Te-Deum solene na Sé Catedral.

Catedral de Macau Desenho de Nogueira da Silva.
Semanário Ilustrado “Archivo Pittoresco”, n.º 3, 1857.

No dia seguinte (18 de Maio) distribuição de bôdo a 200 pobres, por meio de senhas, na Santa casa da Misericórdia. No dia 19 pelas 17H00, colocação da coroa no busto de Camões e no dia dia 20 – ponto alto das comemorações – feriado, inauguração solene da  Avenida Vasco da Gama e lançamento da 1.ª pedra para o seu monumento no Jardim do mesmo nome.
Além das cerimónias, foi publicado um jornal ilustrado ( «Jornal Único» que é hoje uma raridade bibliográfica), lançamentos de salvas e iluminações “do estilo”. (1)
A Comissão executiva da celebração chamava a atenção para o estado sanitário irregular da província pelo que se deveria muito escrupulosamente evitar os sérios prejuízos que nesta cidade deveria causar a vinda de forasteiros das povoações vizinhos (“cujo estado sanitário é reconhecido mau”), evitando-se aglomerações dos habitantes de Macau com estrangeiros e nacionais de outras povoações vizinhas.
(1) “20-05-1898 – Publicou-se um Jornal Único com optima apresentação e interessante colaboração, em comemoração do 4.º Centenário do descobrimento do caminho marítimo para a Índia” (GOMES. Luís G.- Efemérides da História de Macau, 1954)