Archives for category: Festividades

Com a participação de cerca de 200 filiados dos 4 Centros da Mocidade Portuguesa  (Liceu Nacional Infante D. Henrique, Escola Comercial «Pedro Nolasco», Colégio D. Bosco e Escola Primária)  realizou-se nos dias 14, 15 e 21 de Novembro e 1 de Dezembro (algumas finais e distribuição de prémios), no Campo Desportivo «28 de Maio», o II Campeonato Provincial de Atletismo da Mocidade Portuguesa.
Para facilitar a organização das provas, houve que limitar o número de concorrentes neste campeonato, facultando a cada Centro a inscrição somente de três participantes, em cada modalidade individual.
Das 43 provas disputadas, foram batidos 31 recorde, em cinco categorias. Entre todas as marcas obtidas e em comparação com as dos Campeonatos Nacionais de Atletismo realizados nos dias 16 e 17 de Maio de 1970, nas pistas do Estádio Universitário de Coimbra e publicados na Ordem de Serviço n.º (1970) da Direcção da Mocidade Portuguesa do Ministério da Educação Nacional, as marcas alcançadas pelos juvenis de Macau, Mário Évora, Fernando Ritchie, Mário Novo, Júlio César, e pela equipa de Estafetas de 4×100 metros do Centro n.º 1 constituída pelos filiados António Robarts, Fernando Ritchie, Júlio César e Rodolfo Alves merecem destaques especial, pois o 1m.56 no salto de altura, os 5m,89 e 5m,77 nos saltos em comprimento, os 24s nos 200 metros e os 48s 3/10 nas Estafetas de 4×100 metros, enquadram-se respectivamente em 2.º, 3.º, 5.º, 4.º e 3.º lugares dos resultados nacionais.

1,º José Madeira
2.º Américo Fernandes
3.º Alexandre Monteiro

Na categoria dos juniores as marcas de Humberto Évora, 11s 2/10, nos 100 metros, e 6m,065 nos saltos de comprimento e de Jaime Manhão, 23s 5/10 nos 200 metros; na categoria dos Iniciados as marcas de Eduardo Cunha, 5m,16, no salto de comprimento, e 19s 1/10, nos 10 metros, e 1m,50 de Filipe Martins nos 600 metros; e na categoria dos Infantis , o 1m,35 de Rui Évora, no salto em altura, e os 8s 1/10 e 19s 3/10 de António Ayres da Conceição, nos 60 metros e 150 metros, respectivamente.

1.º Carlos Batalha
2.º Mário Évora
3.º Jorge Manhão

Informações do comentário técnico aos campeonatos de atletismo da M. P. em 1970, in Macau B. I. e T., VI-10,1970

No dia 1 de Novembro de 1955 deveria ter dado início às Comemorações do “IV Centenário de Macau 1555 -1955”, programadas para serem realizadas durante o mês de Novembro de 1955. As razões do seu cancelamento bem como outros preparativos (programa das comemorações do IV Centenário de Macau 1555-1955; selos postais comemorativos da fundação de Macau de 1955) foram já postados anteriormente em (1) e (2)
Mas ainda a propósito desse acontecimento, publico duas fotos do espólio do Dr. José Anselmo Ranito (3)  (cedidas pela família) com notações do próprio no verso de cada fotografia, do monumento que estava a ser construído na colina de D. Maria II para ser inaugurado (conforme estava programado) no dia 29 de Novembro de 1955, pelas 12.00 horas,  e dedicado a “Quatro Séculos da Amizade Luso-Chinesa”. Com o cancelamento das cerimónias, o monumento  foi demolido nesse mesmo ano.

No verso desta fotografia, escrito à mão (lápis):
“1955 – Antes
Monumento para comemorar o IV Centenário da amizade “Luso-Chinesa” no Morro de D. Maria no tempo do governador Marques Esparteiro.
Não houve comemoração e foi mandado demolir 1955”
No verso desta fotografia, escrito à mão (lápis):
“Depois
1955
Monumento para comemorar o IV Centenário d amizade Luso-Chinesa no morro de D. Maria”

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/11/01/noticia-de-1-de-novembro-de-1955-programa-das-comemora-coes-do-iv-centenario-de-macau-1555-1955/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/02/selos-postais-comemorativos-da-fundacao-de-macau-1955/
(3) José Anselmo Ranito – (1909- ?) médico estomatologia  colocado em S. Tomé e Príncipe (1950-1951), foi contratado para o cargo de médico estomatologia do quadro complementar de cirurgiões e especialistas de Macau em 1951, tenho tomado posse no Ministério do Ultramar em 28 de Fevereiro de 1952. Esteve em Macau com a família até 19 de Fevereiro de 1957 quando partiu para Moçambique onde foi colocado (Portaria Ministerial de 24 de Agosto de 1955).

Mais dois postais ( 18 cm x 12 cm), mais duas excelentes fotografias de Macau. (!)
A primeira de Ou Ping (2), de 1969,  a lembrar os arcos monumentais comemorativos do Dia Nacional da China. Antes de 1966, eram construídos para o dia 1 de Outubro (República Popular da China) e depois desmontavam-se para edificarem outros no mesmo sítio para o dia 10 de Outubro (República da China….). Pelo meio, comemorava-se o 5 de Outubro (sem os arcos mas com outras cerimónias oficias) e como estudante celebrava-se alegremente 3 feriados. Após os acontecimentos de 1966 (1,2,3) aboliram-se os festejos nacionalistas de 10 de Outubro.
A segunda de Lei Chiu Vang (3)
Esta foto documenta um dos costumes da comunidade piscatória “tanká” (palavra chinesa empregada para referir à população cantonense que vive e trabalha em barcos os chamados tancareiros ou homens do mar- população flutuante do Sul da China) Os miúdos que faziam toda a sua vida nas lorchas/sampanas, quando começavam a saber andar, eram-lhes postos à cintura um ou dois “boiões” para servirem de sinalização/bóias caso caíssem ao mar.
(1) Da colecção do Museu de Arte de Macau.
Ver anterior referência em:

(2) Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/lei-chiu-vang/
(3) Lei Chiu Vang,-  李超宏  (mandarim pīnyīn: lǐ chāo hóng; cantonense jyutping: lei5 ciu1 wang4) foi um prestigiado fotógrafo de Macau, sócio honorário da Associação Fotográfica de Macau, membro da Real Associação Fotográfica do Reino Unido, sócio da Associação de Estudo de 35mm de Hong Kong e sócio vitalício da Associação Fotográfica Chinesa de Hong Kong. Foi fotógrafo do jornal Ou Mun durante mais de quarenta anos e, durante as horas vagas, dedicava-se a tirar fotografias nas ruas e ruelas do território, registando em película variados aspectos do quotidiano das diversas camadas sociais de Macau, assim como diversas paisagens do território.
https://www.iacm.gov.mo/files/boletim/072004/mon_07_11_p.htm

A propósito da celebração, hoje, da Festa do «Bolo Lunar» “Ut Peang” (月饼) – 15.º dia da 8.ª lua do calendário lunar chinês, quando a lua está no seu apogeu, mais redonda, clara e brilhante, retiro do artigo “A Festa da Lua em Macau” o seguinte: (1)

Bolo Lunar – 2018

“Segundo uma lenda milenária, a Lua, YIN (陰), princípio feminino, submete-se ao princípio masculino, o Sol, YANG (陽) neste dia. Por isso, não há noite nesta data memorável da criação. A Lua, símbolo da passividade, da submissão e da feminilidade, é adorada pelas mulheres só elas batem cabeça diante do seu altar, onde ardem duas velas (todos os símbolos têm de ser representados aos pares, para assim significarem os dois elementos).

Embalagem do Bolo – 2018

Quando no seu esplendor, o astro da noite aparece por sobre as copas das árvores e dos cimos das montanhas não há canto da terra que esteja em sombra. O YANG alcançou, enfim, o YIN e juntou-se-lhe. Apagam-se todas as lanternas e lampiões, até aí acesos, e fazem-se fogueiras. As mulheres novamente vão bater cabeça em frente do altar, decorado com velas e bolos da Lua, recheados de galinha, presunto e sementes de loto. Estes bolos têm desenhados imagens de lebres e sapos – os legendários animais que habitam a Lua. Em todas as casas existe uma figura de lebre, a habitante da Lua que pisa num almofariz a pérola da imortalidade, e que, nesta noite, ´e queimada com cerimonial. A festa termina com partidas em que os pares devaneiam amorosamente.”
(1) Assinado por “M.R.C” (muito possivelmente de Maria Roque Casimiro), nas pp. 199-200 de “Mosaico” Vol. I-2 , 1950.

Comemorando o 1.º aniversário da sua chegada a Macau, (1) o Destacamento Expedicionário realizou em 13 de Setembro de 1950 um festival no antigo hipódromo (2) sob o lema: “Nós todos não somos demais para defender Portugal”
As fotos (com as legendas retiradas da origem) foram tiradas por Chun Kwong (3)

Um exercício de ginástica com traves
Rebentamento de fornilhos (4) de trotil
A Classe Europeia de ginástica desfilando
Uma demonstração com soldados indígenas de Angola

(1) O Destacamento Mixto Expedicionário formado em Lisboa, em 1949, a fim de seguir para Macau, embarcou em 15 de Julho de 1949. Chegou a Macau em 24 de Agosto de 1949. O Comandante era o coronel Laurénio Cotta Morais dos Reis que no dia 27 de Agosto desse ano assumiria as funções de Comandante Militar da colónia de Macau.
CAÇÃO, Armando A. A. – Unidades Militares de Macau, 1999.
Ver anteriores postagens em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/09/13/noticia-de-13-de-setembro-de-1950-festival-militar/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/laurenio-cotta-morais-do
(2) O antigo hipódromo que, parte dele, foi depois campo de treinos militares do quartel de Mong Há, ficava num terreno junto à Porta do Cerco.
”09-06-1925 – Pedido de Lou Lim Ioc, Presidente da Companhia «Clube Internacional de Recreio e Corridas de Macau, Limitada» para que lhe seja arrendado um terreno junto à Porta do Cerco” (A.H.M. – F. A.C. P. n.º 134 -S-C).AGOSTO
(3) Publicadas em «MOSAICO», I-2, 1950.
(4) Cavidade enchida com explosivo, em obra ou local que se quer fazer explodir.

Artigo de F. Amaral publicado na revista universal “Jornal de Domingo” (1), sobre “Uma Festa Chineza em Macau
(1) Revista universal “Jornal de Domingo”, n.º 45, 25 Dezembro de 1881, p. 355-358

Do diário de Harriet LOW   (1)
“6 de Agosto de 1830:
Desejaria dar-te a mais pequena ideia duma procissão que passou aqui esta tarde. Parece que estão a dedicar uma nova igreja ou pagode e fazem grande alarido na cidade. Mas, ainda que enchesse muitas páginas, receio que não te poderia dar uma boa ideia dela.
Em primeiro lugar, não se pode calcular o seu comprimento e a variedade de objectos, vestidos, música, etc. …
Muitos dos vestidos eram esplêndidos, com cores e materiais que podes imaginar, mas num estilo que não pode agradar aos olhos de qualquer pessoa dotada de bom gosto.
Havia mulheres esplendidamente adornadas, montadas em cavalos, indo escarranchadas; rapazinhos ataviados com os chapéus e vestidos mais grotescos, empunhando bandeiras trabalhadas com todo o esplendor e de todas as cores.
Iam crianças suspensas no ar e até parecia que se não apoiavam em coisa nenhuma, tal a forma engenhosa como havia sido aquilo disposto.
Havia ainda uma pequena Vénus, saindo da sua concha, e milhões de outras coisas de que não me posso lembrar.
E então a música! Música, disse eu? Ó céus! Se sons tão dissonantes se podem chamar música, aquilo deve ser o supra-sumo da perfeição, pois não podia haver maior ruído; os gongos batiam horrivelmente de sorte que não se podia ouvir de pessoa alguma, ainda que estivesse perto. Oh! Não devo esquecer-me dos porcos tão interessantes! Pobres porcos assassinados, assados e besuntados para essa ocasião, e levados nos carros.
Havia um cordeiro, pobre animalzinho, todo tosquiado, e colocado num carro como se ainda estivesse vivo.
Seguia-se um porco pronto para ser cortado, outro assado e outro besuntado.
Olha que em todas as procissões de casamento, nos funerais, e não sei que mais, são sacrificados os pobres e inocentes porcos.
Seguiam-se carros cheios de fruta – presentes aos deuses como suponho.”

Macau. 1832.
Gravura de W. Floyd  dum desenho de  W. Purser. Colorido à mão. (2)

(1)  Segundo Padre Teixeira (1) esta procissão seria a “festa anual de T´in Hau” (天后/Mazu/A Má), Imperatriz do Céu Deusa dos Mares/Pescadores, protectora dos pescadores e dos navegantes que ainda hoje em Hong Kong se celebra em Agosto, assistindo até o governador”. (TEIXEIRA, Padre Manuel – Macau no Séc. XIX visto por uma jovem americana, 1981, p. 38/39.
A Procissão/Festival em honra a T´in Hau – 天后, em Hong Kong, desde 1963, celebra-se no 23.º dia do 3.ª mês lunar do ano (entre finais de Março e Maio dependendo do calendário lunar).
T´in Hau é a protectora do Pagode Da Barra e de grande devoção dos pescadores de Macau.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-tin-hau-coloane/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-tin-hau-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-tin-hau-taipa/
(2) Esta mesma pintura já foi apresentada em anterior postagem com a indicação de “Macau, 1935”
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/04/06/quadros-19th-century-macau-prints-iv-pintura-de-auguste-borget-e-robert-elliot/
Esta indicação “Macao, 1832” retirei-a de:
http://www.antique-prints.de/shop/catalog.php?list=KAT08&seg=2