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“Todos os anos a 13 de Junho, um herói da história chinesa Kwan Tai (Santo Kwan) (1) origina a organização de diversas festas em sua honra,
Em Macau, a maioria das festas é realizada por associações desportivas e de artes marciais que percorrem a cidade executando a dança do leão. Há a habitual peregrinação a lojas e outras casas comerciais e os patrões já sabem que têm de dar ao leão um lai si (um pacote vermelho contendo dinheiro), para mostrar a sua veneração a Santo Kwan.
Kwan Tai é um ídolo adorado pelos chineses e mesmo por alguns «gweilo» a viverem em Macau e em Hong Kong. Tem a particularidade de ser venerado pelas forças de segurança e pelas associações criminais secretas, por trabalhadores e capitalistas, cada um à sua maneira.
Porquê, este respeito a Kwan Tai, traduzido, aliás, no seu nome, dado por mandato imperial após a sua morte? (De realçar que a palavra «Tai» é o caracter chinês que dá nome ao imperador, o que Kwan Tai nunca foi). Kwan era o nome de família e o nome próprio era Yu ou – outro nome – Wan Cheung. Kwan Yu (1) ou Kwan Wan Cheung nasceu no final do primeiro século A. D., sendo aa data exacta desconhecida, morrendo no ano 219 de acordo com a História. Estava-se portanto na época conhecida na história da China como a dos Três Reinos.
Foi um destacado general do Reino Suk, (2) um dos três então existentes. Trabalhou lealmente para o rei Suk, Lau Bei, (2)  e ajudou-o a combater os seus inimigos (os outros dois reinos) na tentativa de unificar, ou controlar, toda a China. Guerreiro temido, era um especialista em artes marciais e sempre se salientava no campo da batalha.
Era também conhecido pela sua lealdade, piedade, sentido de justiça, benevolência e coragem… (…)
Descrito com ar magestoso, Kwan foia adorado  a ponto de depois de ter sido santificado com o título honorário de Kwan Tai,  ultrapassando até a imagem de um imperador feudal.
Rapidamente ganhou fama de vencer todos os demónios e, mesmo que se saiba pouco dele, não são poucas as pessoas que colocam estatuetas ou imagens de Kwan Tai nas suas casas, lojas, ou associações como forma de esconjurar os males.
É a divindade preferida dos polícias e dos criminosos. Se os primeiros admiram-no pelo seu poder, lealdade e bravura, as associações secretas louvam-lhe a justiça e lealdade aos seus pares (Kwan e Lau Bei tratavam-se por irmãos). Os trabalhadores, ou os comerciantes, os desportistas, cada classe tem a sua razão para o adorar
Extraído (artigo e fotos) de LIO, Peter – Kwan Tai, santo das artes marciais. Nam Van, n.º 2-1 de Julho de 1984, pp. 66-68
Em Macau existem dois templos dedicados a Kwan Tai: um na Ilha da Taipa – Templo de Kuan Tai na povoação de Cheoc Ka construído ente 1662 e 1837; lado a lado com o templo Tin Hau formando um único templo e outro na península, localizado na Rua Sul do Mercado de São Domingos construído em 1750 para ser o local de reunião de comerciantes (sede da associação. Como colocaram uma imagem do santo, com o tempo foi transformado em templo como hoje conhecemos.”
Anteriores referências em
SAM KAI VUI KUN ou KWAN TAI /三街會館或關帝古廟 
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-sam-kai-vui-kun-kwan-tai/
(1) Kwan Tai  關帝 ou Guan Yu 關羽 ou Guan Di/Ti 關帝 também conhecido como Kwan Kung
(2) Liu Bei 劉備– rei de Hanzhong 漢中王 e fundador do estado de Shu han no período dos Três Reinos e primeiro governante do Imperio Han,  de 221 a 223.

A 21 de Maio de 1866 saía no Boletim do Governo (1), o programa que se devia observar na procissão do Corpo de Deus que se realizou no dia 31 de Maio desse ano.
Nesse ano, o mau tempo fez com que a procissão não desse a volta do costume e que só andasse à roda da igreja.
(1) Extraído do «Boletim do Governo de Macau», XII, n.º 21 de 21 de Maio de 1866.,

Para os festejos de gala para celebração do IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia por Vasco da Gama, (1498 -1898) que começou a 17 de Maio de 1898, em Macau, estavam programados para o dia 20 de Maio – feriado no território – o Te-Deum na Sé Catedral, a abertura solene da Avenida Vasco da Gama, (1) o lançamento da 1.ª pedra para o monumento a Vasco da Gama (2) no Jardim do mesmo nome (3)  e a publicação de um jornal ilustrado que se chamou “Jornal Único” (4).
Este jornal foi publicada sob a direcção de uma subcomissão composta pelo comendador António Joaquim Basto, conselheiro Arthur Tamagnini da Motta Barbosa, Dr. José Gomes da Silva, Dr. Horácio Poiares, Eduardo Cyrillo Lourenço. Pedro Nolasco da Silva e João Pereira Vasco.
O Presidente da comissão executiva da celebração em Macau do IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia por Vasco da Gama, (1498 -1898), foi o Conselheiro Eduardo Augusto Rodrigues Galhardo (governador de Macau)
Sumário dos artigos publicados e seus autores:
1 – Glorificar os heroes da Pátria comemorando os seus altos, é honrar a mesma Pátria – Eduardo Augusto Rodrigues Galhard
2 – 8 de Julho de 1497 – 20 de Maio de 1498 – José, Bispo de Macau (D. José Manuel de Carvalho)
3 – A Caminho da Índia – João Pereira Vasco. Tradução para chinês por Pedro Nolasco da Silva
4 – Praia Grande – António Joaquim Basto
5 – S. Gabriel – sonetos -Camilo Pessanha (5)
6 – O Centenário em Macau – José Gomes da Silva
7 – Portugal – Macau – Wenceslau de Moraes
8 – O edifício do Leal Senado – António Joaquim Basto
9 – O assalto do Passaleão – E. A. Marques
10 – Hontem, hoje e amanhã – G. S.
11 – Na China, conto pueril – Horácio Poiares
12 – Currente calamo – Mário B. de Lima
13 – Avenida Vasco da Gama – Augusto Cezar d´Abreu
14 – A Vasco da Gama – soneto – J. L. Marques
15 – Querer é poder – Domingos M. Amaral
16 – Sé Catedral – Arthur Tamagnini Motta Barbosa
17 – Cam Pau Sai – Abeillard Gomes da Silva
18 – A gruta de Camões –G. S.
19 – A Voz da Infância – Anna Caldas
20 – Fachada do antigo convento de S. Paulo – António Joaquim Basto
21 – Pharol da Guia – Eduardo Cyrillo Lourenço
22 – O patois de Macau – Pedro Nolasco da Silva
23 – O pagode da Barra – António Joaquim Basto
24- A Porta do Cerco – Arthur Tamagnini Barbosa
25 – O Porto Interior de Macau – A. Talone da Costa e Silva

Projecto do Monumento a Vasco da Gama

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/avenida-vasco-da-gama/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/monumento-a-vasco-da-gama/
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jardim-de-vasco-da-gama/
(4) O “Jornal Único” publicou-se, num único número, no dia 20 de Maio de 1898, com óptima apresentação e interessante colaboração, em comemoração do 4. º Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia por vasco da Gama (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
Impresso nas Tipografia « N. T. Fernandes e Filhos» e «Noronha & Ca», 1898, 65 p.
Disponível para leitura em:
http://purl.pt/32511
(5) Dois poemas inéditos de Camilo Pessanha publicadas na revista Contemporânea, 3.ª Série, n.º1, de Maio de 1926.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/24/poesia-dois-sonetos-ineditos-de-camillo-pessanha/

A principal festa da Paróquia de S. Lourenço é a de N. Sra. dos Remédios, celebrada sempre na segunda -feira in albis, na Igreja de S. Lourenço. (1) Consta de missa de oferecimento, Pontifical, Vésperas do Santíssimo, Sermão e Procissão. A novena começa no domingo de Páscoa” (2)
A festa e a procissão são promovidas pela Confraria da Nossa Senhora dos Remédios,
Os estatutos da Confraria foram confirmados, por bula do Papa Urbano VIII, em 2 de Outubro de 1626, sendo a mais antiga confraria da cidade de Macau (3)
O altar de N. Sra. dos Remédios na Igreja de S. Lourenço foi erecto em 1618, data em que foi também ali colocada a estátua da mesma Senhora A actual estátua de N. Sra. dos Remédios foi benzida e inaugurada no dia 10 de Abril de 1931. (4)

B. G. M. e T. XIV-18, 1868.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-lourenco/
(2) TEIXEIRA, Pe. Manuel – Paróquia de S. Lourenço, 1936.
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954-
() Ver anteriores referências:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/04/28/noticia-de-28-de-abril-de-1703-milagre-da-nossa-senhora-dos-remedios/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/04/26/noticia-de-26-de-abril-de-1892-desabamen-to-na-igreja-de-s-lourenco-no-dia-24-de-abril/

“Este glorioso anniversário (1) foi festejado em Macao, com alegre entusiasmo.
Por parte do Governo desempenhou-se o programa exarado na Ordem à Força Armada, e à noite iluminaram-se as cazas da residência das Authoridades, e o quartel do Batalhão d´Artilharia.
Varias danças de curiosos, acompanhadas de muzica, percorreram as ruas da Cidade e as cazas dos principaes moradores, executando bonitos grupos, coroados pelo retrato da Nossa Adorada Rainha, e versos em seu louvor.
Uma das danças era composta toda de praças do Batalhão de Artilharia
A concorrência do povo a presenciar este variado espectaculo é extraordinária; a Praia Grande apresentava n´essa noite um quadro  muito animado” (2)
(1) Aniversário da Outorga da Carta Constitucional da Monarquia Portuguesa pelo monarca D. Pedro V em 26 de Abril de 1826, durante o seu curto reinado de sete dias. Foi a constituição portuguesa que esteve mais tempo em vigor, tendo sofrido, ao longo dos seus 72 anos de vigência, 4 revisões constitucionais, designadas por Actos Adicionais. O rei abdicou dos seus direitos ao trono em sua filha D. Maria da Glória (no dia 2 de Maio, que data o final do seu reinado.
Carta Constitucional para o Reino de Portugal, Algarves e seus Domínios.
“DOM PEDRO por Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, etc. Faço Saber a todos os Meus Súbditos Portugueses, que Sou Servido Decretar Dar e Mandar jurar imediatamente pelas Três Ordens do Estado a Carta Constitucional abaixo transcrita, a qual de ora em diante regerá esses Meus Reinos e Domínios, e que é do teor seguinte:
Pedro IV outorga a Carta Constitucional, onde ficam instituídas as Cortes Gerais, compostas pela Câmara dos Pares e pela Câmara dos Deputados; nomeia 72 pares do Reino para constituir a 1.ª Câmara e determina a realização de eleições nos termos da Carta, vindo a abdicar, pouco tempo depois, na sua filha, a futura Rainha D. Maria II.
A Carta Constitucional consagra, como representantes da Nação, o Rei e as Cortes Gerais e procura um compromisso entre os ideais liberais expressos na anterior Constituição e as prerrogativas reais.”
A Carta Constitucional deixou de vigorar em maio de 1828, data em que D. Miguel convocou os três Estados do Reino que o aclamaram rei absoluto.

Litografia de 1832
A família real portuguesa: D. Amélia Augusta, D. Pedro IV e D. Maria da Glória e
S.M.I. o Senhor D. Pedro restituindo sua Augusta Filha a Senhora D. Maria Segunda e a Carta Constitucional aos Portugueses.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Carta_Constitucional_portuguesa_de_1826

(2) «Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor», Vol 6, n.º 24 de 3 de Maio de 1851.

Mais dois “slides” digitalizados da colecção  “MACAU COLOR SLIDES  – KODAK EASTMAN COLOR” comprado em finais da década de 60 (século XX), se não me engano, na Foto PRINCESA (1)

VISTA DE MACAU
ARCO COMEMORATIVO DO DIA NACIONAL DA CHINA

1) Ver anteriores slides desta colecção em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/artes/

Hoje realiza-se a Procissão de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos em Macau. A propósito desta festividade, recordamos a mesma, no ano de 1955, numa notícia publicada no «BGU» (1)

A procissão ao sair da Sé Catedral

A procissão do Senhor dos Passos ao chegar ao Largo do Senado, vendo-se, sob o pálio o Bispo de Macau e à frente o cónego Morais Sarmento, na altura, decano dos missionários portugueses de Macau

A menina Judite Colaço com o Santo Sudário

(1) Extraído de «BGU» XXXI – 357, 1955.
Anteriores referências a esta festividade em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/21/a-tradicional-procissao-do-senhor-dos-passos-1973/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/25/noticia-de-25-de-marco-de-1708-tradicoes-que-se-continuam-ii-a-procissao-dos-senhor-dos-passos-ou-senhor-da-cruz-as-costas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/04/noticias-de-4-e-5-de-marco-de-2017-tradicoes-que-se-continuam-a-procissao-do-senhor-dos-passos-i-fotos-de-1974/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/03/07/noticia-de-7-de-marco-de-1954-a-grande-devocao-ao-senhor-dos-passos-em-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/21/a-tradicional-procissao-do-senhor-dos-passos-1973/