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No dia 10 de Outubro de 1744, o Senado a propósito do “luxo” fez-se anunciar através dum bando (1) publicado a rufo de tambor pelas ruas da cidade, sendo lido pelo porteiro nos lugares públicos em alta voz:

“Considerando este Nobre Senado a conservação do comum, pretendeu divertir o luxo deste povo, introduzido na superfluidade do trato em que ele se pos, estando tão decadente pelo contínuo atraso do comércio – remédio único de que se mantém, e de poucos anos a esta parte a gente ordinária desta Cidade, abraçando a vaidade de  ornar com luxuosos tratamento, sem reparar no excesso das despesas que faz, gastando uns mais do que ganham e outros mais do que tem, para se sustentarem na aparência iguais e melhores, fazendo-se diferentes dos seus semelhantes. Para que mais não fosse, tomou este Nobre Senado o expediente de proibir o uso de cabeleiras e sombreiros a todos os que não fossem europeus de nação ou geração

Os naturais de Macau – “a gente ordinária desta Cidade” – recorreram ao V. Rei de Goa, alegando que durante várias gerações se achavam relacionados com portugueses pelo casamento e que eles pagavam sempre as taxas e os impostos e em todas as crises financeiras tinham socorrido a cidade; eles não eram uma raça de súbditos, pois nem eles nem os seus antepassados tinham sido subjugados pelos portugueses; acrescia que os nativos de Goa podiam usar esses adornos.

O Vice-rei (2) atendeu o protesto dos naturais de Macau e pela portaria de 13 de Maio de 1745 ordenou à Câmara que revogasse esse édito, visto ser ilógico e injusto. (3)

(1) Anúncio que se faz publicamente; proclamação.

(2) D. Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos (1688 – 1756), 3.° Conde de Assumar, 1.º Marquês de Castelo Novo e 1.° Marquês de Alorna foi o 44.º Vice-rei e Governador da Índia (vice-rei de capitão-geral do Estado da Índia) de 1744 – 1750. Foi 3.° Governador e Capitão-mor da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro em Mariana Minas Gerais, no Brasil de 1717 a 1721. (4)

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. I, 2015, p 263; Vol. IV, p. 50

(4) https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Miguel_de_Almeida_Portugal_e_Vasconcelos

Uma outra visão dos acontecimentos do “Ano da Greve” ou “Os Tumultos de 1922” (1) “Um landim (soldado africano assediou sexualmente uma mulher chinesa na entrada da Companhia Sun Kuong, na Avenida Almeida Ribeiro, o que originou uma vaga de protestos públicos, dai resultando a detenção de um indivíduo chinês pelas autoridades. Coloniais. Uma grande multidão aglomerou-se então frente ao posto policial (Posto policial da Caldeira) (2) exigindo a libertação do detido, mas sem êxito. Já na madrugada do dia 29 de maio, os polícias portugueses abriram fogo contra os manifestantes que se recusavam a abandonar o local, o que ficou conhecido  por «Incidente de 29 de Maio» (3)

A versão apresentada por Beatriz Basto da Silva : (4) “1 de Maio de 1922 – As associações operárias de Macau promovem uma manifestação. Os ânimos opondo patrão e operário estão exaltados e, como é comum nestas circunstâncias, as manifestações multiplicam-se. Um acidente entre um soldado moçambicano e uma prostituta chinesa, a 28 de Maio, (4) desencadeia um tiroteio grave, que conduz a troca de explicações entre governo de Macau e a autoridade de Cantão, levando ao castigo de militares envolvidos bem como à retirada de Macau do contingente de forças africanas.”

(1) As Ruas Antigas de Macau, IACM, 2016 p. 159.

(2) No Largo da Caldeira, no local onde esteve o Teatro Ship Seng que durou pouco tempo pois as instalações eram deficientes

(3) “29-05-1922 – Cerco à esquadra de Ship Seng e resposta policial. São mandadas encerrar todas as associações de classe cujos estatutos não sejam autorizados ou requeridos. A população chinesa abandona Macau. Foi nesse dia que foi proclamada o estado de sítio em todo o Território (B.O. n.º 21-S). Facto graves contra soberania nacional, o prestígio das autoridades e a segurança da população” (4)

 (4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.

NOTA: ainda sobre este episódio bem como outros relacionados, ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/12/13/noticia-de-13-de-dezembro-de-1922-atentados-bombistas/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/05/29/noticias-de-28-e-29-de-maio-de-1922-leitura-a-revolta-dos-chinezes-de-macau/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/23/os-tumultos-de-macau-em-1922i/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/12/13/noticia-de-13-de-dezembro-de-1922-atentado-bombista/

Livro publicado em 1897, impresso na Imprensa Nacional “MACAU E SO SEUS HABITANTES – RELAÇÕES COM TIMOR” de Bento da França, autor já citado em anteriores postagens (1) (2) (3)

Exemplar com encadernação de época de lombada de pele e papel que preserva as capas de brochura. Restauros marginais na capa.

Com carimbo “Companhia de Alumnos da Escola de Exército” na página 5, onde se encontra a “Dedicatória – A minha mulher, solicita companheira das minhas longínquas peregrinações, como lembrança dos primeiros tempos de casados e tributo de gratidão. – O. D. e C – O auctor” (p. 5)

O livro é uma visão de Macau baseada nas vivências e observações do autor, conforme afirma na “Advertência “, p. 7:

A obra que apresento a publico é filha das observações feitas e apontamentos tirados durante cerca de quatro anos de permanência nas nossas possessões junto da China e da Oceania.

Não tem grandes pretensões o trabalho, mas afianço que foi elaborado com amor e consciência, e creio achar-se aqui compendiado tudo de mais interessante e útil que possa importar aos que tenham interesse, ou tão sómente curiosidade, em conhecer os nossos recursos e vida na antiga Cathay, ao que acresce fornecer bastas noticias sobre Timor, districto que, com o de Macau, constitue a nossa província ultramarina mais oriental.

Estive em terras portuguezas de alem mar, dou conta do que vi e das sensações experimentadas; d’est´arte julgo concorrer para que nos vamos todos familiarizando com os dominios coloniaes. Se vi mal e falseei as conclusões, talvez que os bons desejos de elucidar o publico dêem azo a que penna mais auctorisada me corrija os erros, estabelecendo a verdade”

O plano do livro está dividido em quatro partes:

Primeira parte (com três capítulos): Epitome Historico de Macau (pp. 9 – 40)

            “ A primeira parte é extraída de outra obra do auctor, Subsídios para a história de Macau, mandada publicar a expensas do ministério da marinha e ultramar em 1888” (Advertência do autor nas pp. 7-8)

Segunda parte (com 4 capítulos): Dados Geográficos, Administrativos e Políticos (pp- 41 -122)

            “A segunda foi compilada de informações officiaes e varias rebuscas; contém um documento curioso para os camoneanos” (Advertência do autor na p. 8)

Terceira parte (com 24 capítulos): Raças, Usos e Costumes (pp. 123-209)

            “A terceira nasceu, principalmente, de observações de visu. … (…) Devo também prevenir os leitores de que, na terceira parte não tenho em vista descrever os costumes chinezes em toda a sua interessante e complicada contextura, apresento apenas um pllido escorço do viver dos que habitam Macau.” (Advertência do autor na p.8)

A última parte (a quarta, com 6 capítulos)) refere-se a Timor: Relações entre Macau e Timor (pp. 210-278)

            “A quarta consta da matéria contida n´um folheto escripto por mim para a Bibliotheca do povo e das escolas, acrescentada com vários artigos que publiquei em defferentes jornaes” (Advertência do autor na p. 8)

O livro apresenta três estampas:

Planta de Macau, entre as páginas 42 e 43
Macau e Ilhas próximas entre as páginas 98 e 99

E um mapa de Timor entre as páginas 216 e 217. Apesar de ter um governador próprio, a colónia de Timor dependia directamente da administração portuguesa de Macau.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bento-da-franca-1833-1889/

(2) Bento da França Pinto d’Oliveira Salema (1859-1906), filho de Salvador d´Oliveira Pinto da França (1822-1866 – tenente coronel do estado Maior do Exército e irmão (2.º) de Bento da França Pinto de Oliveira, que foi Governador de Timor, em 1882-83) (1), terceiro conde de Fonte Nova; major da cavalaria, “tenente de cavallaria e ajudante de campo honorário de Sua Alteza o senhor Infante D. Augusto” na altura da publicação do seu anterior livro ““Subsídios para a Historia de Macau” publicado pela Imprensa Nacional em 1888, 231 páginas.

(3) FRANÇA, Bento da – Macau e os seus habitantes,- Relações com Timor. Lisboa, Imprensa Nacional, 1897, 286 p., 25 cm x 15 cm. Disponível para leitura em: https://archive.org/details/macaueosseushab00frangoog/page/n7/mode/2up:

Livro do Dr. J. António Filippe de Moraes Palha, (1) de 1929, “De Portugal a Macau Através da Historia”  (2) que segundo o autor é:
Ensaio de uma narração historica por factos concatenados e raciocinados na sucessão dos tempos e nas suas relações com os factos gerais, mais particularmente os que se referem à China

CAPA: 20,5 cm x 13,5 cm
LOMBADA (gasta): 1.5 cm

As primeiras páginas com o título “A Propósito” datado de 3 de Janeiro de 1930, refere o autor:
Não é um trabalho histórico, no sentido rigoroso da palavra, o que apresentamos aqui; apenas uma compilação de factos históricos correntes, sobre alguns dos quais se vem discreteando aqui e ali, nas cavaqueiras amenas, e, por vezes, em apaixonadas discussões, que se sucedem interminavelmente desde quando esses factos como tais surgiram. Outros há que, por sua natureza, são tão claros, evidentes e incontroversos que em si encerram um poder mágico de convicção imediata; não se prestam sequer a que possam ser alterados ou adulterados na sua essência e quando o fossem, apenas de tudo, provocariam pelo menos o silêncio de quem presenciasse a um tal propósito, para não contrariar por cortesia a quem a isso se dispusesse….
Índice dos temas:
Fundação de Portugal, continental e colonial – pp. 3 –32
Macau através dos tempos – pp. 33-111
A guerra de opio – pp- 111-120
A China e o ópio – pp. 120-123
A China abatida no seu secular prestígio que vem opondo – pp. 123-166
O Clima de Macau – pp. 166 – 172
Sanidade em Macau – pp 172 – 212
Situação económica de Macau – pp. 212-223
O documento – em fac-simile – apresentado pelo autor (pp.187-188) – um ofício do Cartório da Santa Casa de 20 de Janeiro de 1902 (assinado: Albino António Pedruco) de reconhecimento e manifestação do alto apreço que a meza da Santa Casa lhi tributa. Foi aprovada por unanimidade esta moção”.
Este documento foi apresentado face à insinuação e acusação infamante que então lhe foi assacada aproveitando-se da circunstância de o autor se encontrar em Timor em cumprimento da sua missão, e somente tendo conhecimento posterior quando estava em Portugal. Então promoveu à sua conta o apuramento da verdade (já que não encontrou o devido apoio oficial) tendo: “ levou o sumisso o autor ou os autores da acusação, como sucede sempre em casos tais com os da sua laia que só nas trevas se acoitam”
(1) PALHA, J. António Filippe de Moraes – De Portugal a Macau Através da Historia, 1929, Impresso naTyp: – Mercantil de N.T.Fernandes e Filhos. 223 p., 20,5 cm x 13,5 cm x 1.5 cm
NOTA: Este meu exemplar tem algumas folhas mal paginadas: pp. 151-154 “metidas” entre pp.146 -147 e depois da p.150 segue a p.159 em diante.
Ver a biografia do Dr. J. António Filippe de Moraes Palha em anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-a-f-de-moraes-palha/

Lançamento no dia 17 de Novembro de 1989, pelos “Correios e Telecomunicações de Macau” de uma brochura sobre a presença portuguesa no Oriente, baseada na História de Macau e sua relação com Malaca, Tailândia, Goa, Japão e China, com textos da Dra. Beatriz Basto da Silva (em português e tradução para inglês de Luísa Guedes e para chinês de Ló Weng Un)  em 50 páginas ilustradas com fotografias e produtos filatélicos da emissão “Presença Portuguesa no Oriente”, em circulação a partir dessa data. (1)

Uma capa exterior individualizada: dimensões: 24,3 cm x 24.3 cm x 0,8 cm.
PRESENÇA PORTUGUESA NO ORIENTE
葡人在 東方 (2)
PORTUGUESE CULTURAL HERITAGE IN THE FAR EAST

Uma edição trilingue, rigorosamente limitada, numerada (5000 exemplares) e autenticada pelos CTT de Macau. Esta com a numeração: 979
Capa da brochura com “design” de José Manuel Cardoso.
Impresso na Tipografia Martinho, Macau.
Contra-capa: “ A História que vivemos em comum, Portugueses e Chineses, nestes últimos séculos de respeito mútuo é a melhor garantia do respeito e História que esperamos viver, lada a lado, no Futuro”
Os 5 selos dentro de um invólucro
Do outro lado do mesmo invólucro, o bloco filatélico (custo: 15 patacas) com 6 selos.
Cada selo apresenta em tinta prateada, o logótipo da exposição filatélica mundial “WORLD STAMP EXPO´89”.
Um texto acompanha cada um dos selos emitidos nomeadamente:
Selo de 40 avos – MALACA – Domínio dos Mares (pp. 16 – 21)
Selo de 70 avos – TAILÂNDIA – Diplomacia (pp. 22 – 29)
Selo de 90 avos – ÍNDIA – Irradiação Religiosa (pp. 30- 35)
Selo de 2.50 patacas – JAPÃO – O Comércio (pp. 36- 41)
Selo de 3.00 patacas – MACAU – Breve história e sua relação com Malaca, Tailândia, Goa, Japão e China. (pp. 5-15)
Selo de 7,5 patacas – CHINA – Interacção Cultural e Científica (pp. 42 – 49)
Dados técnicos dos selos:
Luiz Duran – autor/designer
Litografia  Maia – litográfica
40 avos – MALACA –  Demonstração da Fortaleza de Malaca
70 avos –  TAILÂNDIA – Diplomacia
90 avos – ÍNDIA – S. Francisco Xavier
2.50 patacas –  JAPÃO – Os biombos dos bárbaros do Sul
3.00 patacas – MACAU – Ruínas de S. Paulo
7,5 patacas – CHINA – Observatório Astronómico em Pequim
(1) Em anterior postagem foi mostrada o sobrescrito/envelope com 5 selos (obliterados no 1.º dia de circulação) desta emissão extraordinária (B. O. n.º 46 de 13 de Novembro de 1989 – Portaria n.º 188/89/M)
Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/11/17/noticia-de-17-de-novembro-de-1989-filatelia-1-o-dia-de-circulacao-presenca-portuguesa-no-oriente/
(2) 葡人在 東方 – mandarim pīnyīn: pú rén zài dōng fāng; cantonense jyutping: pou4 jan4 zoi6 dung1 fong1

Publicado na «Revista Colonial», de 1921 a propósito de um artigo publicado pelo «Hong Kong Daily Press»
(1) «Revista Colonial», ANO IX, II série, n.º 6, Dezembro de 1921, p. 183
Na primeira página (na capa) deste número da “Revista Colonial” está inserido o retrato do General de Engenharia Joaquim José Machado, cuja biografia vem na página 174 desse mesmo número. (2)
Salienta-se desta biografia a nomeação do general, em 1909, como Alto-comissário para delimitação de Macau.
Na verdade já em 1902, o General Joaquim José Machado foi enviado por Portugal à China, para acertar a convenção relativa aos limites de Macau (ilhas) mas as diligências diplomáticas não foram conclusivas. Apesar da ratificação do Tratado entre os dois países, em 1888, este assunto permaneceu pendente, até 1909 quando recomeçaram em Pequim as negociações sobre a delimitação de Macau entre o Conselheiro/ General Joaquim José Machado (nomeado Alto Comissário de Portugal) e o Mandarim Kao-Erh-Chie.
Em 13 de Novembro de 1909, suspenderam-se, após 4 meses de negociações, as conferencias entre o General Joaquim José Machado, e Kao-Ohr-Kim, representante chinês, para a fixação definitiva dos limites de Macau, indicando o Comissário português o recurso à arbitragem. A missão portuguesa era composta pelo General Joaquim Machado (Alto-Comissário); Capitão Demétrio Cinatti (Comissário Auxiliar); Capitão J.M.R. Norton de Matos (Secretário) e Pedro Nolasco da Silva (Intérprete). A parte chinesa era composta por Kao-Ohr-Kim; Shun-Pau-Ho, Superintendente da Polícia de Cantão; Tsung-Yuen-Pi sub-perfeito Marítimo de Tch´in-San; e o Secretário-Intérprete Hou-To-Na. As duas conferências realizaram-se numa sala da residência do Cônsul de Portugal em Hong Kong, João Leiria. Os delegados chineses não aceitaram a proposta de nomeação de uma comissão para definir as delimitações de Macau, a propósito das Ilhas.
Em 1921, o assunto foi submetido à Conferência de Washington mas foi invocado pela China que o governo revolucionário de Cantão não tinha representação na Conferência.(3)
(2)

http://purl.pt/26919

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.

No dia 11 de Julho de 1940, foi descoberto por dois religiosos lazaristas irmão Chala Maia e José Van Den Brandt, no cemitério de Ching Lung Ch´iao de Pequim, o túmulo de João Correa (Correia), que, morreu por acidente, da explosão de uma peça dum dos 4 canhões que Macau enviou ao Império Ming em 1624 (1) respondendo ao pedido de auxílio do próprio imperador. A pedra sepulcral fora destruída pelos boxers, em 1900, e os ossos foram removidos pelos dois lazaristas para uma nova sepultura. (2)
Em 1621,Pelo menos 3 e no máximo 10 canhões e pessoal para os manusear foram enviados de Macau à China para combater os Manchus. Devem ter sido 7 portugueses (3) entre os quais João Correa, (4) que morreu na expedição e foi enterrado na China.  Foram chamados pelo Imperador Tianqi 天啓(1621-28) (5) para ensinar artilharia em Pequim, embora esta fonte proponha a data de 1624. (6)
Pouco depois chegou à corte de Pequim um português chamado Gonçalo (ou Gonçalves) Teixeira vindo com embaixada e presente da cidade de Macau, o qual, vendo a insolência dos tártaros e o temor dos chineses, e julgando prestar serviço o reino de Portugal a favor a si, por qualquer coisa que lhe pudesse fazer ao rei da China, ofereceu aos mandarins, em nome da cidade, alguns portugueses para auxiliar contra os tártaros. A oferta agradou e o Conselho de Guerra despachou, então, o padre da Companhia, padre João Rodrigues (7) para que desse despacho a este negócio (8)

MAPA DA TARTÁRIA de J. Hondius, 1606

O Padre Semedo, S. J. que data este último episódio em 1622, refere:  “Preparam-se em Macau, 400 homens, sendo 200 soldados, entre eles muitos portugueses de cá outros de lá. A maioria era gente do país, mas não obstante chineses, nasceram, em Macau, e foram criados, a seu modo, entre portugueses, sendo portanto, bons soldados e grandes atiradores de espingardas maioria portugueses mas também alguns chineses, educados em Macau.” (7)
Semedo afirma ter visto em Nan-Tchâng o grupo expedicionário quando se dirigia a Pequim. Levaram como interprete o Padre João Rodrigues, S. J., da Província do Japão, (8). Esta expedição de socorro ao mandarim não terá sido feita de uma vez, pois há relatos de pedido em 1630. (9)
(1 ) Luís Gonzaga Gomes (2) refere esta data, 1624; Beatriz Basto da Silva (6) indica 1621; Álvaro Semedo – 1630 (8) e outros: 1622 (3).
(2) GOMES; Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(3) BRETSCHNEIDER, E – Mediaeval Researches from Eastern Asiatic Sources: Fragments Towards the Knowledge of the Geography and History of Central and Westen Asia from the 13th to 17th Century, Volume 2, 1888 ( reimpressão em 2000) p. 328.
https://books.google.pt/books?id=UQT_AQAAQBAJ&pg=PA328&lpg=PA328&dq=china+review+Bretschneider+1621&source 
(4) Sete artilheiros comandados por Pedro Cordeiro e António Rodrigues do Campo. Da explosão além da morte de João Correia, morreram três a quatro chineses. O manuseio dessas potentes armas de fogo deram origem a momentos dramáticos. Os militares chineses não estavam preparados para as usar.(8)
(5) Xizong 熹宗  (1605-1627),  16.º imperador da dinastia Ming com o nome de imperador Tianqi 天啓 (1620-1627)
https://en.wikipedia.org/wiki/Tianqi_Emperor
(6) SILVA, Beatriz Basto – Cronologia da História de Macau, Volume i, 1992; e Volume 4, 1997.
(7) O interprete Padre João Rodrigues, S. J., da Província do Japão, já visitara a China em 1612 com o intuito de conhecer as seitas idólatras da China, sobre as quais apoiavam as do Japão.
(8) SEMEDO, Álvaro – Relação da Grande Monarquia da China (tradução do italiano por Luís G. Gomes), I Vol, 1956, pp.262-266.
(9) “16-08-1630 – Foram eleitos seis adjuntos que deveriam tratar com o Senado sobre o pedido feito pelo Imperador da China, solicitando o envio de gente de guerra e armas, para a luta contra os tártaros”. (6) (8)

No dia 27 de Junho de 1748, já havia em Macau, perto de 20 dias que as boticas estavam fechadas sem haver que comer, e neste caso (conflito entre os mandarins e a cidade provocado pelo desaparecimento de dois chineses em 8 de Junho de 1748) (1) não havia mais remédio que peitar ao Mandarim de Heong San 香山(Xiangshan 香山). Ele estava na Porta do Cerco, onde o Procurador Luís Coelho lhe meteu entre as mãos trinta pães de ouro (2) (3) dizendo-lhe que os culpados haviam sido degredados para Timor e não apareceriam mais em Macau, visto que os corpos dos dois chineses não aparecerão. O Mandarim como tinha mamado a peita e não tinha feito auto algum por onde constasse, nem as feridas nem a morte e não tinha por esta causa dado parte a Cantão condescendendo neste ajuste, mas também não quis dar Chapa deste contracto com receio de que o Mandarim de Cantão se o soubesse lhe tiraria a cabeça, e assim ficou este negocio sobre a palavra, porque assim em todo o tempo tinha desculpa em dizer que ainda estava fazendo diligência. Mandou abrir as Boticas e se foi embora. (4) (5)
(1) No dia 8 de Junho, a ronda da Fortaleza do Monte prendeu dois chineses, tendo o Governador António Teles de Meneses (6) mandado que os mesmos fossem entregues ao Procurador André Martins.
Os soldados e os alferes Amaro da Cunha e Lobo sovaram os dois presos de tal forma que um caiu morto, em frente da casa de Manuel Correia de Lacerda. Quando chegaram à residência do procurador, este não quis receber nem o morto nem o vivo, dizendo que os levasse para a Fortaleza do Monte e que, no dia seguinte, lá os iria ver.
Chegados ao Monte, O Governador deu ordens para meter os dois chineses na mina (calabouço) e não houve mais notícias deles, dizendo uns que foram mortos e ele mesmo os enterrara, e outros dizendo que os metera em jarras e os mandara botar ao mar, e respondeu ao Procurador que noutro dia lhe foi falar, que os Chinas tinham desaparecido e que quando viesse o Mandarim lhe dissesse. O certo é que, no dia seguinte, apareceu o mandarim a reclamar os presos e o Procurador, sob as instruções do Governador disse-lhe que os dois presos tinham desaparecidos (4)
No dia 12 de Junho, tendo o «cabeça de ruas» participado à Casa Branca acerca do desaparecimento de dois chineses presos no dia 8, vieram os mandarins exigir a sua entrega e, como o Senado respondesse que não tinha conhecimento de tal facto, ordenaram os mandarins aos chineses o encerramento das suas lojas e a sua saída de Macau. Publicados os editais para este efeito, os mandarins retiraram-se deixando no bazar um troço de soldados incumbido de vigiar pela execução das suas ordens.
Em 17 de Junho, os moradores não sabendo o resultado que viria a ter esta dependência estavam aflitos e por falta de víveres que os Chinas não podiam vender visto a proibição que tinham e o Governador teimoso, recorreram aos Padres Jesuítas a fim de ver se por via de negociações se podia arranjar a acomodarem os Mandarins, visto os corpos se não poderem achar. Assim fizeram em particular um Chapa ao mandarim de Heong San.
Assustaram-se os moradores com estas medidas e com a falta de víveres que, imediatamente, se fez e, ante as reclamações cada vez mais imperiosas doa mandarins, amiudavam-se as sessões do Senado, não se dispondo o Governador a arredar pé da sua atitude. Nesta conjuntura, os cidadãos recorreram aos jesuítas que prometeram resolver a questão por meio de peitas e negociações particulares com os mandarins. (4)
(2) Para serem comercializados noutros territórios nomeadamente Índia e Japão, os portugueses compravam os “pães de ouro”, e grande quantidade de fios de ouro e de folhas de ouro pois os chineses conseguiam muito habilmente bater e moldar o ouro em placas e folhas.
SANDE, Duarte de S.J. – Diálogo sobre a Missão dos embaixadores japoneses à Curia Romana. Macau: Fundação Oriente – Comissão Territorial de Macau para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1997, (1ª ed. 1590).
(3) Só o mercador Luís Coelho despendeu à sua parte 2 000 taéis, em 30 pães de ouro que levaram ao mandarim (3)
(4) Extraído de SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Século XVIII, Volume 2. 1997 e TEIXEIRA. P- Manuel – Os Militares em Macau, 1975.
(5) Em 21 de Junho, o Governador António José Teles de Meneses mandou dar três saltos de polé, na Fortaleza do Monte, ao soldado macaense de apelido Franco, por ter referido em público, numa loja aonde fora comprar tabaco, a morte de dois chineses, pelo alferes Amaro da Cunha e Lobo e um soldado, criação deste, o que levou o mandarim de Heong San a exigir a apresentação dos dois cadáveres, que o Governador teimava sempre em dizer que não existiam (4)
(6) António José Teles de Meneses – governador de Macau de 30 de Agosto de 1747 a 1749 . Foi depois governador de Timor 1768-1775 (4) (7)
Após chegada, em 6-09-1747,”mandou o Gov. armar uma polé, na Fortaleza do Monte, ao pé do Sino, de sorte que o braço della sahia para fora da muralha, e o que era apoiado vinha a dar o salto a rais da muralha. Também mandou também apontar doze Clavinas, e que quando sahia do Monte, trazia doze homens de guarda com ellas carregadas e hum Sargento. Tomarão-lhe os moradores respeito que tremião delle, e o mesmo eram os chinas”
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/09/06/noticia-de-6-de-setembro-de-1747-antonio-jose-teles-de-meneses/
(7) A 2-08-1749, toma posse do governo João Manuel de Melo que governou até 1752; a 15 de Março de 1758 toma posse do governo de Moçambique suicidando-se 21 dias depois atravessando-se com a sua própria espada. (4).

O Embaixador Alexandre Metelo de Sousa e Meneses que chegou a Macau, na nau Nossa Senhora da Oliveira, no dia 10 de Junho de 1726, vindo do Rio de Janeiro, (1) desembarcou a 12 de Junho para ir hospedar-se na casa de Francisco Leite (2)
O embaixador de El-Rei D. João V à corte de Pequim, D. Alexandre Metelo de Sousa Meneses, partiu no dia 18 de Novembro de 1726, para Pequim pelo caminho interior, via Cantão); foi acompanhado de todos os moradores desta cidade até à Casa Branca, fazendo-se por seu respeito as maiores finezas, não se poupando a gastos ou despesa alguma. «Levou comitiva de 64 pessoas» (3) (4). Saiu de Cantão (Guangzhou) a 9 de Dezembro de 1726, com chegada à cidade de Kan-tcheu-fu a 9 de Janeiro de 1727 “onde entrou com uma comitiva de 761 pessoas” (5)
No dia 18 de Maio de 1727, a comitiva entrou oficialmente em Pequim, Aguardava-a uma receção preparada pelo imperador Yongzheng, formada por uma guarda de honra de 200 soldados.
Apesar da pompa, ostentação e magnificência da embaixada apenas a parte diplomática da missão foi bem-sucedida, mas a verdadeira missão do embaixador que era a de tentar influenciar Yongzheng no sentido de reabrir a China à missionação católica, nem foi falada.(6)
A embaixada regressou a Macau a 8 de Dezembro de 1727 e partiu para o reino no dia 17 de Janeiro de 1728 (7)
Chegou a Lisboa em 21 de Novembro de 1728 ao fim de três anos e sete meses de missão diplomática. (8)
(1) “10-06-1726Chegou a Macau, por via do Rio de Janeiro, desembarcando a 12 de Junho da nau Nossa Senhora de Oliveira, o Embaixador de El-Rei D. João V à corte de Pequim, D. Alexandre Metelo de Sousa Meneses. A seu respeito se fizeram as maiores demonstrações que foi possível e que outro algum jamais recebera nesta Cidade, além de muitas salvas em todas as fortalezas e navios, tendo a guarda à sua porta três Companhias de soldados com os seus oficiais. O diplomata trouxe como conselheiro o P.e António de Magalhães, S. J., como secretário o P.e Francisco Xavier da Rua, proto notário apostólico e advogado do número da casa da Suplicação, e por familiar o leigo secular António José Henriques. O pessoal era numeroso: além da comitiva trazia 50 soldados para a sua guarda; o comandante da nau era o capitão de mar-e-guerra Duarte Pereira. O embaixador trazia 30 caixotes de presentes em retribuição do rico presente que K´ang-hsi (Imperador Kangxi) remetera a D. João V.” (9)
(2) A casa de Francisco Leite veio a ser Palácio do Governo e depois Palácio das Repartições.(9)
(3) “10-08-1726 – O Senado ofereceu quatro mil taéis, que era quanto havia no cofre de São Paulo para as despesas da embaixada de Alexandre de Metelo de Sousa e Meneses.” (10)
14-09-1726O Senado, a muito custo, conseguiu arranjar entre os moradores mais de dez mil taéis, para o embaixador Alexandre Metelo de Sousa e Meneses, importando o donativo total da cidade em 18 500 taéis; a Companhia de Jesus da Vice-Província da China, com 500 taéis; e o Senado com mais 3 000 taéis, além dos 4 000 que entregou, em 10 de Agosto“..(10)
(4) “18-11-1726Neste dia partiu o Embaixador Metelo para Pequim; foi acompanhado de todos os moradores desta cidade até à Casa Branca, fazendo-se por seu respeito as maiores finezas, não se poupando a gastos ou despesa alguma. «Levou comitiva de 64 pessoas»“. (9)
(5) “09-01-1727O embaixador Alexandre Metello de Sousa e Menezes, enviado por el-rei D. João V ao imperador Yunchiu, (imperador Yongzheng) tendo saído de Cantão em 9 de Dezembro com destino a Pekim (Beijng) pelo caminho interior, chega neste dia à cidade de Kan-tcheu-fu, onde entrou com uma comitiva de 761 pessoas. Ahi se encontrou com dois conductores que o imperador mandara a recebê-lo e eram o padre António se Magalhães e a um alto funcionário tartaro do appellido Cham” (Ephemerides da semana in B.G.M., XIII-2, 1867.
(6) “18-05-1727- Chegou a Pequim, sendo recebido na corte a 28, o embaixador Metelo de Sousa, que levava uma carta de D. João V para o Imperador, e sua comitiva. O Padre António Magalhães partira para Pequim antes do Embaixador, chegando lá a 19 de Novembro (mas veio ao encontro do nosso embaixador a mando do Imperador, como sinal de deferência); e bem necessária era a sua presença ali, pois que Yung Cheng ardia em desejos de saber se o Embaixador ia tratar de assuntos missionários. Foi logo  ao Palácio, onde o 13.º Príncipe, irmão de Yongzheng, o interrogou sobre o fim da embaixada. O Padre Magalhães respondeu apenas que o Embaixador vinha cumprimentar o Imperador, dar-lhe os pêsames pela morte de seu pai e felicitá-lo a ele pela subida ao trono e rogar-lhe que tomasse sob a sua protecção os habitantes de Macau e os outros súbditos residentes na China. Ele não ficou satisfeito e preguntou se não estaria encarregado de outra comissão importante ou não teria que tratar de algum assunto difícil ou desagradável. Encurtando razões, mais uma vez foi nulo o resultado da Embaixada. O Imperador continuou a perseguição religiosa, tornando-se Macau o refúgio de todos os missionários; para qui vieram nada menos que 40, incluindo alguns bispos. Teve ainda mais um efeito negativo: o de agravar e quase esgotar o erário público de Macau pelas grandes despesas feitas com a Embaixada.” (9)
(7) Luís Gonzaga Gomes na sua “Efemérides da História de Macau” índica a data de 24 de Novembro de 1727 para o regresso da embaixada. (10)
08-12-1727O embaixador português D. Alexandre Metelo de Sousa e Meneses regressou a Macau, vindo de Pequim, de onde saíra a 18 de Julho, sendo recebido com grandes festejos”. (9)
17-01-1728O Dr. Alexandre Metelo de Sousa e Meneses embarcou na Praia Pequena, acompanhado pelo Governador e grande número de cidadãos e moradores Com ele ainda as três companhias, guarda e pessoal do séquito da luzida embaixada que D. João V enviou à China; utilizou a mesma vistosa ponte que fora armada quando veio de Cantão, para seguir para nau Madre de Deus, que o deveria conduzir ao reino. O Senado de Macau despendeu trinta mil taeis com esta embaixada. Ao chegar a Lisboa a 21-11-1728, foi nomeado conselheiro do Conselho Ultramarino.”. (9)

Ephemerides da semana in B. G. M. XIII-3 de 21-01-1867.

(8) “21-11- 1728Chegou de regresso a Lisboa, o doutor Alexandre Metelo de Sousa e Menezes que durante três anos sete meses e alguns dias desempenhou o cargo de embaixador no Império da China sendo depois agraciado com a nomeação de Conselheiro do Conselho Ultramarino.“(10)
(9) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol.2, 1997)
(10) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
NOTA 1 – Sobre este assunto a RTP2 apresentou em 2017, o programa “Ensina, Rádio e Televisão de Portugal: “Os Dias da História – chegada da embaixada de D. João V a Pequim”, por Paulo Sousa Pinto, que está disponível em:
http://ensina.rtp.pt/artigo/embaixada-de-d-joao-v-chega-a-pequim/
NOTA 2 – Aconselho leitura do trabalho de Huang Qichen “A Embaixada de Alexandre Metello de Souza à China no Contexto das Relações LusoChinesas “ publicado em “Administração, n.° 40, vol. XI, 1998-2.°, 285-297”, disponível em:
file:///C:/Users/ASUS/Documents/PARA%20ELIMINAR%20-%20DOWNLOADS/A%20embaixada%20de%20Alexandre%20Metello%20de%20Souza%20e%20Menezes%20%C3%A0%20China%20no%20contexto%20das%20rela%C3%A7%C3%B5es%20Luso-Chinesas.pdf
NOTA 3: Outro trabalho, de João de Deus Ramos, publicado na “Política Internacional, n.º 2, Vol 1, Junho 1990” , “A embaixada de Alexandre Metelo de Sousa e Meneses: Negociações coma China do século XVIII”, disponível em :
http://www.ipris.org/files/2/10_A_embaixada_de_Alexandre.pdf
NOTA 4: Papeis de Alexandre Metello de Sousa e Menezes, Embaixador de D. João V ao Imperador da China] [1726-1727]. em:
http://purl.pt/32967

Extraído de «BGC» XXI- 237, 1945,

NOTA: Outras notícias referentes aos bombardeamentos aéreos de Macau:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/18/noticias-de-16-e-20-janeiro-de-1945-bombardeamento-aereo-de-macau/