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Mais uma vez, em 12 de Maio de 1836, o Vice-Rei de Cantão (Suntó de Cantão)  e o mandarim da Casa Branca comunicaram ao Procurador de Macau que era permitido fazerem-se as reparações das fortalezas do Monte e Guia, desde que nada fosse acrescentado ao que já existia e ordenaram que fosse desfeita e entulhada uma estrada nova que fora aberta atrás da Guia.

PEREIRA, António Marques – Ephemérides Commemorativas da História de Macau, 1868

“10-04-1822 – O coronel José de Aquino Guimarães e Freitas foi nomeado, pelo Governador José Osório de Castro Cabral e Albuquerque e Leal Senado da Câmara, para ir a Lisboa felicitar, em nome da cidade de Macau, el-rei D. João VI pelo seu regresso do Brasil, e o Soberano Congresso pela sua instalação. José de Aquino partiu de Macau para esse fim em 14 de Abril a bordo do navio “Scaleby Castle” da Companhia das Índias.” (1)

“Ephemerides Commemorativas da Historia de Macau; Das Relações da China com os Povos Christãos” (1867) (p.34) por António Marques Pereira

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954, p.72

(2) Sobre o coronel José de Aquino Guimarães e Freitas, ver em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/29/leitura-memoria-sobre-macao-de-1828/

Ao fim de uma semana de estadia britânica em Macau, a 31 de Janeiro de 1840, o novo Procurador José Vicente Jorge (1) tem uma entrevista com o Tou-T’ói, (2) pelas 15.30 horas, no Hopu (alfândega chinesa) de Macau. 

O Tou-T´ói veio com o fim de exigir a expulsão do capitão Elliot e dos ingleses residentes em Macau, (3) apoiado com mil homens que, a pedido dos mandarins, ficaram retidos na Casa Branca, dizendo que tal tropa se destinava a proteger os portugueses. Ofereceu-se, porém, para prorrogar a publicação do edital dos Suntós dos dois Kuongs e de Cantão, que ordenava a ele, Tou T´ói, que viesse, à testa da tropa, prender os ingleses, e ao ajudante-geral Kuam-Chon-Hiac que seguisse com mais mil homens para se juntarem aos mil de Tou T´ói, a fim de promover o encerramento das alfândegas, a suspensão do comércio português e o isolamento de Macau, bem como a retirada de todos os chineses, dentro de cinco dias, pois a cidade seria invadida. O procurador não cedeu ante a intimidação do enviado chinês. (3) A 1 de Fevereiro, fez- se uma proclamação imperial onde se procurava sossegar as comunidades chinesa e estrangeiras em Macau, afirmando que se pretendia apenas cercar e prender os ingleses. (4)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-vicente-jorge-1803-1857/

23-01-1840 – Os súbitos britânicos expulsos da China desembarcam e passam a  viver em Macau, o que desencadeou a reacção das autoridades chinesas, que se apresentaram , na pessoa do Tou T´oi a 31 do mesmo mês, na cidade portuguesa, dando um prazo de 5 dias para a limpar dos ingleses. O Governador Adrião Acácio da Silveira Pinto reuniu com o Senado e, na sequência da correspondência trocada com o Comandante H. Smith, da corveta Hyacinth , este acabou por retirar, o mesmo fazendo as forças chinesas estacionadas junto do Templo da Barra. Macau procurou, como em tantas outras vezes estribar-se na neutralidade.. (4) (5)  

(2) Tou T´oi (intendente Militar chinês) fez do templo Lian Feng (Lin Fong) sua residência em Macau O templo já servira de cenário a importantes conversações entre as autoridades portuguesa e o comissário imperial Lin Zexu depois de iniciada a guerra do ópio (1839-1842 – Duração da Guerra do ópio; 26-11-1839 – Édito de Cantão proibindo o comercio com os navios ingleses).

(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.

(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume IIII, 2015, pp. 86, 89-90

(5) 24-05-1839 – Capitão Elliot e todos os negociantes ingleses saíram de Cantão para Macau até receber ordens de Londres onde chega a 26-05-1839. Os súbditos ingleses retiram-se para Hong Kong (que não era colónia inglesa ainda) dado a neutralidade anunciada pelo Governo de Macau na disputa entre Inglaterra e a China. Daí em 1-09-1839 Elliot propôs que os ingleses regressassem a Macau pondo a disposição do Governador Silveira Pinto o navio de guerra inglês Volage e mais 800 homens para cooperarem na defesa da Cidade, mas o governador recusa. O Senado ordena e proíbe a aproximação de navios com ópio (episódio do incêndio espanhol «Bilbaino»  fundeado na Taipa, por engano foi tomada por embarcação inglesa por ordem do Comissário Imperial Chinês (4)

NOTA I: sobre este assunto, o jornal das ocorrências do «Chinese Repository» vol. VIII, May 1839-April 1840), afirmava na sua p. 239, o seguinte:

NOTA II: sugiro ainda a leitura de «Declínio do porto de Macau» de José Simões Morais publicado a 13 de Maio de 2016 no jornal “hojemacau” e acessível em: https://hojemacau.com.mo/2016/05/13/declinio-do-porto-de-macau/

«O Portuguez na China», II-20 de 14 de janeiro de 1841

No dia 10 de Outubro de 1744, o Senado a propósito do “luxo” fez-se anunciar através dum bando (1) publicado a rufo de tambor pelas ruas da cidade, sendo lido pelo porteiro nos lugares públicos em alta voz:

“Considerando este Nobre Senado a conservação do comum, pretendeu divertir o luxo deste povo, introduzido na superfluidade do trato em que ele se pos, estando tão decadente pelo contínuo atraso do comércio – remédio único de que se mantém, e de poucos anos a esta parte a gente ordinária desta Cidade, abraçando a vaidade de  ornar com luxuosos tratamento, sem reparar no excesso das despesas que faz, gastando uns mais do que ganham e outros mais do que tem, para se sustentarem na aparência iguais e melhores, fazendo-se diferentes dos seus semelhantes. Para que mais não fosse, tomou este Nobre Senado o expediente de proibir o uso de cabeleiras e sombreiros a todos os que não fossem europeus de nação ou geração

Os naturais de Macau – “a gente ordinária desta Cidade” – recorreram ao V. Rei de Goa, alegando que durante várias gerações se achavam relacionados com portugueses pelo casamento e que eles pagavam sempre as taxas e os impostos e em todas as crises financeiras tinham socorrido a cidade; eles não eram uma raça de súbditos, pois nem eles nem os seus antepassados tinham sido subjugados pelos portugueses; acrescia que os nativos de Goa podiam usar esses adornos.

O Vice-rei (2) atendeu o protesto dos naturais de Macau e pela portaria de 13 de Maio de 1745 ordenou à Câmara que revogasse esse édito, visto ser ilógico e injusto. (3)

(1) Anúncio que se faz publicamente; proclamação.

(2) D. Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos (1688 – 1756), 3.° Conde de Assumar, 1.º Marquês de Castelo Novo e 1.° Marquês de Alorna foi o 44.º Vice-rei e Governador da Índia (vice-rei de capitão-geral do Estado da Índia) de 1744 – 1750. Foi 3.° Governador e Capitão-mor da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro em Mariana Minas Gerais, no Brasil de 1717 a 1721. (4)

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. I, 2015, p 263; Vol. IV, p. 50

(4) https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Miguel_de_Almeida_Portugal_e_Vasconcelos

Uma outra visão dos acontecimentos do “Ano da Greve” ou “Os Tumultos de 1922” (1) “Um landim (soldado africano assediou sexualmente uma mulher chinesa na entrada da Companhia Sun Kuong, na Avenida Almeida Ribeiro, o que originou uma vaga de protestos públicos, dai resultando a detenção de um indivíduo chinês pelas autoridades. Coloniais. Uma grande multidão aglomerou-se então frente ao posto policial (Posto policial da Caldeira) (2) exigindo a libertação do detido, mas sem êxito. Já na madrugada do dia 29 de maio, os polícias portugueses abriram fogo contra os manifestantes que se recusavam a abandonar o local, o que ficou conhecido  por «Incidente de 29 de Maio» (3)

A versão apresentada por Beatriz Basto da Silva : (4) “1 de Maio de 1922 – As associações operárias de Macau promovem uma manifestação. Os ânimos opondo patrão e operário estão exaltados e, como é comum nestas circunstâncias, as manifestações multiplicam-se. Um acidente entre um soldado moçambicano e uma prostituta chinesa, a 28 de Maio, (4) desencadeia um tiroteio grave, que conduz a troca de explicações entre governo de Macau e a autoridade de Cantão, levando ao castigo de militares envolvidos bem como à retirada de Macau do contingente de forças africanas.”

(1) As Ruas Antigas de Macau, IACM, 2016 p. 159.

(2) No Largo da Caldeira, no local onde esteve o Teatro Ship Seng que durou pouco tempo pois as instalações eram deficientes

(3) “29-05-1922 – Cerco à esquadra de Ship Seng e resposta policial. São mandadas encerrar todas as associações de classe cujos estatutos não sejam autorizados ou requeridos. A população chinesa abandona Macau. Foi nesse dia que foi proclamada o estado de sítio em todo o Território (B.O. n.º 21-S). Facto graves contra soberania nacional, o prestígio das autoridades e a segurança da população” (4)

 (4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.

NOTA: ainda sobre este episódio bem como outros relacionados, ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/12/13/noticia-de-13-de-dezembro-de-1922-atentados-bombistas/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/05/29/noticias-de-28-e-29-de-maio-de-1922-leitura-a-revolta-dos-chinezes-de-macau/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/23/os-tumultos-de-macau-em-1922i/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/12/13/noticia-de-13-de-dezembro-de-1922-atentado-bombista/

Livro publicado em 1897, impresso na Imprensa Nacional “MACAU E SO SEUS HABITANTES – RELAÇÕES COM TIMOR” de Bento da França, autor já citado em anteriores postagens (1) (2) (3)

Exemplar com encadernação de época de lombada de pele e papel que preserva as capas de brochura. Restauros marginais na capa.

Com carimbo “Companhia de Alumnos da Escola de Exército” na página 5, onde se encontra a “Dedicatória – A minha mulher, solicita companheira das minhas longínquas peregrinações, como lembrança dos primeiros tempos de casados e tributo de gratidão. – O. D. e C – O auctor” (p. 5)

O livro é uma visão de Macau baseada nas vivências e observações do autor, conforme afirma na “Advertência “, p. 7:

A obra que apresento a publico é filha das observações feitas e apontamentos tirados durante cerca de quatro anos de permanência nas nossas possessões junto da China e da Oceania.

Não tem grandes pretensões o trabalho, mas afianço que foi elaborado com amor e consciência, e creio achar-se aqui compendiado tudo de mais interessante e útil que possa importar aos que tenham interesse, ou tão sómente curiosidade, em conhecer os nossos recursos e vida na antiga Cathay, ao que acresce fornecer bastas noticias sobre Timor, districto que, com o de Macau, constitue a nossa província ultramarina mais oriental.

Estive em terras portuguezas de alem mar, dou conta do que vi e das sensações experimentadas; d’est´arte julgo concorrer para que nos vamos todos familiarizando com os dominios coloniaes. Se vi mal e falseei as conclusões, talvez que os bons desejos de elucidar o publico dêem azo a que penna mais auctorisada me corrija os erros, estabelecendo a verdade”

O plano do livro está dividido em quatro partes:

Primeira parte (com três capítulos): Epitome Historico de Macau (pp. 9 – 40)

            “ A primeira parte é extraída de outra obra do auctor, Subsídios para a história de Macau, mandada publicar a expensas do ministério da marinha e ultramar em 1888” (Advertência do autor nas pp. 7-8)

Segunda parte (com 4 capítulos): Dados Geográficos, Administrativos e Políticos (pp- 41 -122)

            “A segunda foi compilada de informações officiaes e varias rebuscas; contém um documento curioso para os camoneanos” (Advertência do autor na p. 8)

Terceira parte (com 24 capítulos): Raças, Usos e Costumes (pp. 123-209)

            “A terceira nasceu, principalmente, de observações de visu. … (…) Devo também prevenir os leitores de que, na terceira parte não tenho em vista descrever os costumes chinezes em toda a sua interessante e complicada contextura, apresento apenas um pllido escorço do viver dos que habitam Macau.” (Advertência do autor na p.8)

A última parte (a quarta, com 6 capítulos)) refere-se a Timor: Relações entre Macau e Timor (pp. 210-278)

            “A quarta consta da matéria contida n´um folheto escripto por mim para a Bibliotheca do povo e das escolas, acrescentada com vários artigos que publiquei em defferentes jornaes” (Advertência do autor na p. 8)

O livro apresenta três estampas:

Planta de Macau, entre as páginas 42 e 43
Macau e Ilhas próximas entre as páginas 98 e 99

E um mapa de Timor entre as páginas 216 e 217. Apesar de ter um governador próprio, a colónia de Timor dependia directamente da administração portuguesa de Macau.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bento-da-franca-1833-1889/

(2) Bento da França Pinto d’Oliveira Salema (1859-1906), filho de Salvador d´Oliveira Pinto da França (1822-1866 – tenente coronel do estado Maior do Exército e irmão (2.º) de Bento da França Pinto de Oliveira, que foi Governador de Timor, em 1882-83) (1), terceiro conde de Fonte Nova; major da cavalaria, “tenente de cavallaria e ajudante de campo honorário de Sua Alteza o senhor Infante D. Augusto” na altura da publicação do seu anterior livro ““Subsídios para a Historia de Macau” publicado pela Imprensa Nacional em 1888, 231 páginas.

(3) FRANÇA, Bento da – Macau e os seus habitantes,- Relações com Timor. Lisboa, Imprensa Nacional, 1897, 286 p., 25 cm x 15 cm. Disponível para leitura em: https://archive.org/details/macaueosseushab00frangoog/page/n7/mode/2up:

Livro do Dr. J. António Filippe de Moraes Palha, (1) de 1929, “De Portugal a Macau Através da Historia”  (2) que segundo o autor é:
Ensaio de uma narração historica por factos concatenados e raciocinados na sucessão dos tempos e nas suas relações com os factos gerais, mais particularmente os que se referem à China

CAPA: 20,5 cm x 13,5 cm
LOMBADA (gasta): 1.5 cm

As primeiras páginas com o título “A Propósito” datado de 3 de Janeiro de 1930, refere o autor:
Não é um trabalho histórico, no sentido rigoroso da palavra, o que apresentamos aqui; apenas uma compilação de factos históricos correntes, sobre alguns dos quais se vem discreteando aqui e ali, nas cavaqueiras amenas, e, por vezes, em apaixonadas discussões, que se sucedem interminavelmente desde quando esses factos como tais surgiram. Outros há que, por sua natureza, são tão claros, evidentes e incontroversos que em si encerram um poder mágico de convicção imediata; não se prestam sequer a que possam ser alterados ou adulterados na sua essência e quando o fossem, apenas de tudo, provocariam pelo menos o silêncio de quem presenciasse a um tal propósito, para não contrariar por cortesia a quem a isso se dispusesse….
Índice dos temas:
Fundação de Portugal, continental e colonial – pp. 3 –32
Macau através dos tempos – pp. 33-111
A guerra de opio – pp- 111-120
A China e o ópio – pp. 120-123
A China abatida no seu secular prestígio que vem opondo – pp. 123-166
O Clima de Macau – pp. 166 – 172
Sanidade em Macau – pp 172 – 212
Situação económica de Macau – pp. 212-223
O documento – em fac-simile – apresentado pelo autor (pp.187-188) – um ofício do Cartório da Santa Casa de 20 de Janeiro de 1902 (assinado: Albino António Pedruco) de reconhecimento e manifestação do alto apreço que a meza da Santa Casa lhi tributa. Foi aprovada por unanimidade esta moção”.
Este documento foi apresentado face à insinuação e acusação infamante que então lhe foi assacada aproveitando-se da circunstância de o autor se encontrar em Timor em cumprimento da sua missão, e somente tendo conhecimento posterior quando estava em Portugal. Então promoveu à sua conta o apuramento da verdade (já que não encontrou o devido apoio oficial) tendo: “ levou o sumisso o autor ou os autores da acusação, como sucede sempre em casos tais com os da sua laia que só nas trevas se acoitam”
(1) PALHA, J. António Filippe de Moraes – De Portugal a Macau Através da Historia, 1929, Impresso naTyp: – Mercantil de N.T.Fernandes e Filhos. 223 p., 20,5 cm x 13,5 cm x 1.5 cm
NOTA: Este meu exemplar tem algumas folhas mal paginadas: pp. 151-154 “metidas” entre pp.146 -147 e depois da p.150 segue a p.159 em diante.
Ver a biografia do Dr. J. António Filippe de Moraes Palha em anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-a-f-de-moraes-palha/

Lançamento no dia 17 de Novembro de 1989, pelos “Correios e Telecomunicações de Macau” de uma brochura sobre a presença portuguesa no Oriente, baseada na História de Macau e sua relação com Malaca, Tailândia, Goa, Japão e China, com textos da Dra. Beatriz Basto da Silva (em português e tradução para inglês de Luísa Guedes e para chinês de Ló Weng Un)  em 50 páginas ilustradas com fotografias e produtos filatélicos da emissão “Presença Portuguesa no Oriente”, em circulação a partir dessa data. (1)

Uma capa exterior individualizada: dimensões: 24,3 cm x 24.3 cm x 0,8 cm.
PRESENÇA PORTUGUESA NO ORIENTE
葡人在 東方 (2)
PORTUGUESE CULTURAL HERITAGE IN THE FAR EAST

Uma edição trilingue, rigorosamente limitada, numerada (5000 exemplares) e autenticada pelos CTT de Macau. Esta com a numeração: 979
Capa da brochura com “design” de José Manuel Cardoso.
Impresso na Tipografia Martinho, Macau.
Contra-capa: “ A História que vivemos em comum, Portugueses e Chineses, nestes últimos séculos de respeito mútuo é a melhor garantia do respeito e História que esperamos viver, lada a lado, no Futuro”
Os 5 selos dentro de um invólucro
Do outro lado do mesmo invólucro, o bloco filatélico (custo: 15 patacas) com 6 selos.
Cada selo apresenta em tinta prateada, o logótipo da exposição filatélica mundial “WORLD STAMP EXPO´89”.
Um texto acompanha cada um dos selos emitidos nomeadamente:
Selo de 40 avos – MALACA – Domínio dos Mares (pp. 16 – 21)
Selo de 70 avos – TAILÂNDIA – Diplomacia (pp. 22 – 29)
Selo de 90 avos – ÍNDIA – Irradiação Religiosa (pp. 30- 35)
Selo de 2.50 patacas – JAPÃO – O Comércio (pp. 36- 41)
Selo de 3.00 patacas – MACAU – Breve história e sua relação com Malaca, Tailândia, Goa, Japão e China. (pp. 5-15)
Selo de 7,5 patacas – CHINA – Interacção Cultural e Científica (pp. 42 – 49)
Dados técnicos dos selos:
Luiz Duran – autor/designer
Litografia  Maia – litográfica
40 avos – MALACA –  Demonstração da Fortaleza de Malaca
70 avos –  TAILÂNDIA – Diplomacia
90 avos – ÍNDIA – S. Francisco Xavier
2.50 patacas –  JAPÃO – Os biombos dos bárbaros do Sul
3.00 patacas – MACAU – Ruínas de S. Paulo
7,5 patacas – CHINA – Observatório Astronómico em Pequim
(1) Em anterior postagem foi mostrada o sobrescrito/envelope com 5 selos (obliterados no 1.º dia de circulação) desta emissão extraordinária (B. O. n.º 46 de 13 de Novembro de 1989 – Portaria n.º 188/89/M)
Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/11/17/noticia-de-17-de-novembro-de-1989-filatelia-1-o-dia-de-circulacao-presenca-portuguesa-no-oriente/
(2) 葡人在 東方 – mandarim pīnyīn: pú rén zài dōng fāng; cantonense jyutping: pou4 jan4 zoi6 dung1 fong1

Publicado na «Revista Colonial», de 1921 a propósito de um artigo publicado pelo «Hong Kong Daily Press»
(1) «Revista Colonial», ANO IX, II série, n.º 6, Dezembro de 1921, p. 183
Na primeira página (na capa) deste número da “Revista Colonial” está inserido o retrato do General de Engenharia Joaquim José Machado, cuja biografia vem na página 174 desse mesmo número. (2)
Salienta-se desta biografia a nomeação do general, em 1909, como Alto-comissário para delimitação de Macau.
Na verdade já em 1902, o General Joaquim José Machado foi enviado por Portugal à China, para acertar a convenção relativa aos limites de Macau (ilhas) mas as diligências diplomáticas não foram conclusivas. Apesar da ratificação do Tratado entre os dois países, em 1888, este assunto permaneceu pendente, até 1909 quando recomeçaram em Pequim as negociações sobre a delimitação de Macau entre o Conselheiro/ General Joaquim José Machado (nomeado Alto Comissário de Portugal) e o Mandarim Kao-Erh-Chie.
Em 13 de Novembro de 1909, suspenderam-se, após 4 meses de negociações, as conferencias entre o General Joaquim José Machado, e Kao-Ohr-Kim, representante chinês, para a fixação definitiva dos limites de Macau, indicando o Comissário português o recurso à arbitragem. A missão portuguesa era composta pelo General Joaquim Machado (Alto-Comissário); Capitão Demétrio Cinatti (Comissário Auxiliar); Capitão J.M.R. Norton de Matos (Secretário) e Pedro Nolasco da Silva (Intérprete). A parte chinesa era composta por Kao-Ohr-Kim; Shun-Pau-Ho, Superintendente da Polícia de Cantão; Tsung-Yuen-Pi sub-perfeito Marítimo de Tch´in-San; e o Secretário-Intérprete Hou-To-Na. As duas conferências realizaram-se numa sala da residência do Cônsul de Portugal em Hong Kong, João Leiria. Os delegados chineses não aceitaram a proposta de nomeação de uma comissão para definir as delimitações de Macau, a propósito das Ilhas.
Em 1921, o assunto foi submetido à Conferência de Washington mas foi invocado pela China que o governo revolucionário de Cantão não tinha representação na Conferência.(3)
(2)

http://purl.pt/26919

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.