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A delegação da Associação de Karate-do Seigokan de Macau, (1) que esteve presente no 32.º Torneio Internacional de Karate-do, da “Seigokan All Japan Karate-do Association (SAJKA)», realizado em 27 de Novembro de 1977, em Otsu, Kyoto , na Prefeitura de Shiga, (Japão), (2) participou  a seguir no 4.º Torneio Mundial de Karate-do, realizado em Budokan de Tóquio, sob a organização da «World Union of Karate-do Organizations».

Desfile das delegações dos vários países participantes

As eliminatórias fizeram-se no dia 3 de Dezembro e as semi-finais, no dia 4. Embora com  resultados menos satisfatórios do que os obtidos no Torneio, (2) Macau ainda disputou as semi-finais da modalidade de «Kata».

A equipa de Macau durante uma das provas em que participou

A caravana regressou a Macau no dia 8 de Dezembro, tendo apresentado cumprimentos ao Governador, uns dias depois.

(1) Extraído de «MACAU BIT», XII, 9-10, Nov-Dez, 1977 pp. 34-36

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2021/11/27/noticia-de-27-de-novembro-de-1977-torneios-de-karate-do-no-japao-i/

Pela primeira vez, Macau, representado por uma delegação da Associação de Karate-do Seigokan de Macau, (1) esteve presente no 32.º Torneio Internacional de Karate-do, da “Seiokan All  Japan Karate-do Association (SAJKA)», realizado em 27 de Novembro de 1977, em Otsu, Kyoto, na Prefeitura de Shiga, (Japão).

A equipa de Macau partiu para o Japão, no dia 25 de Novembro. Além doe alguns elementos directivos, acompanharam a caravana pessoas entusiastas da modalidade que se deslocaram por conta própria, entre as quais dr.ª Beatriz Batalha da Conceição que prestou apoio médico à equipa. Os elementos da equipa que se fizeram acompanhar do presidente do Conselho de Educação Física, José dos Santos Ferreira, do presidente da Associação de Karate-do Seigokan de Macau, dr. João Bosco da Silva, da vice-presidente, dr.ª Beatriz Batalha da Conceição e de outros elementos da Direcção.

Antes da partida para o Japão, estiveram no Palácio do Governo, a apresentar cumprimentos ao Governador coronel Garcia Leandro, tendo o dr. João Bosco da Silva, agradecido em nome da Associação o apoio moral e financeiro do Governo do território, sem os quais seria impossível Macau estar representado nesta competição internacional. Esteve presente nesta visita o secretário-adjunto para assuntos sociais e cultura, capitão Vítor Oliveira Santos, a quem igualmente foram apresentados cumprimentos.

Neste torneio, Macau participou com uma equipa formada por Manuel Silvério, Daniel Ferreira, Mateus Silva, John Sousa e Ngai Tat Chi que ficou em 4.º lugar, entre as 48 participantes e individualmente, João Madeira classificou-se em 3.º lugar da classe de Cintos Castanhos.

No dia 26 de Novembro a delegação foi recebida pelo vice-governador da Prefeitura de Shiga e pelo secretário da Câmara Municipal de Shiga que em nome do governador e do presidente da Câmara, respectivamente, apresentaram as boas vindas aos componentes da delegação. Aproveitando o tempo de estadia, a delegação de Macau visitou as academias da «SAJKA», nas cidades de Otsu, Kyoto e Himeji, onde a sede-geral da SAJKA tem as suas instalações. (2)

 (1) “Associação de Karate-do Seigokan de Macau“, em 1977 tinha a sua sede na Avenida Coronel Mesquita, edifício junto do Campo do Colégio D. Bosco, com a seguinte Direcção: Presidente – João Bosco da Silva; Vice-presidente – Beatriz Batalha da Conceição; Secretário – Daniel Albino Ferreira; Tesoureiro – Lísbio Maria Couto; Vogais: Ngai Tai Chi e Telmo Martins; Conselheiro técnico – José Martins Achiam (informação do «Anuário de Macau de 1977”, p. 420)

(2) Texto e fotos extraídos de «MACAU BIT», XII, 9-10, Nov-Dez, 1977 pp. 34-36.

Os «Pequenos Cantores do Colégio D. Bosco» actuaram no Ginásio da Escola Comercial, no dia 15 de Novembro de 1977, às 19,00 horas.

“O grupo apresentou-se impecável, nos trajos de marujo, com um programa concatenado pelo Padre Águeda, director do Colégio, que lhe deu uma feição das qualidades do povo português, coma sua alegria expressa nos cantares que acompanham a sua gente quer na Pátria quer no peregrinar pelo Mundo. Com o «Lisboa acordou», de Nóbrega e Sousa, encerrou-se a sessão, referindo que também acordou … Macau, com o ruído dos carros para o Grande Prémio, (1) no mesmo sentido de cooperação mundial e conquista de novas amizades.

Esteve presente o Governador, coronel Garcia Leandro, que se fez acompanhar da esposa. A assistência razoável teve uma bela oportunidade de ouvir o conjunto polifónico, com um novo atractivo de movimentos que introduziu pela primeira vez na sua actuação, por sinal muito feliz “ (2)

(1) Refere-se ao «XXIV Grande Prémio de Macau» que se realizou de 18 a 20 de Novembro de 1977. Ver em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/11/18/noticias-de-18-a-20-de-novembro-de-1977-xxiv-grande-premio-de-macau/

(2) Extraído de «MBIT», XII-9/10, Nov/Dez 1977, pp.9-11

“A 12 de Novembro, Lady May L. Ride, viúva de Sir Linsay Ride, veio a Macau, acompanhada dum arquitecto, para tratar de erigir uma lápide de bronze a Sir Lindsay, que faleceu em Hong Kong em 17 de Outubro (1) e cujas cinzas foram trazidas para o Cemitério Protestante de Macau.

O arquitecto é o Dr. E. S. T. Cusdin, que acaba de ser convidado pera vir de Londres a Hong Kong, a fim de elaborar, o projecto da expensão da universidade inglesa; foi ele também que há vários anos delineou o projecto do “Queen Elizabeth Hospital” de Kowloon e ainda a residência de Sir Lindsay Ride em Hong Kong e muitos outros edifícios. Veio com a sua esposa e ambos visitaram os pontos turísticos de Macau acompanhados por Roque Choi e pelo Padre M. Teixeira, que lhes relatou a história de cada um regressando ambos nessa tarde a Hong Kong com Lady Ride. Prometeram voltar para examinarem melhor a cidade e a sua arquitectura característica e sobretudo os projectos para o desenvolvimento das ilhas da Taipa e Coloane, que este hábil e experimentado arquitecto mostrou desejos de conhecer.

Extraído de «MACAU BIT», XII-9/10, de Novembro/Dezembro de 1977, p. 18

(1) Ver anterior referência em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/lindsay-tasman-ride/

Em Janeiro de 1987 chegaram a Macau cinco Irmãs da Congregação de Caridade de Santa Ana e iniciaram a sua obra no Asilo Betânia; em Maio de 1989 foram para o Asilo de Santa Maria; em Abril de 1992 para o Lar de S. Luís Gonzaga e em Janeiro de 1933 para o Centro de Santa Lúcia em Ká Hó, tratando e servindo todos os necessitados, especialmente os idosos e os doentes mentais que lhes foram confiados. Em 1994, quando foi publicado o opúsculo (1) que apresento, eram já vinte as Irmãs que se dedicavam nos Centros transformados em casas de bem estar e onde eram prestados bons cuidados e apoio a todos que ali se encontravam.

CAPA + CONTRACAPA

Maria Rafols nasceu em 5 de Novembro de 1781 em Villafranca de Panades.Barcelona, Espanha. Um dia encontrou o Pe João Boal, vigário do Hospital de Santa Cruz de Barcelona (falecido em 1829) e tenho sabido que este estava envolvido num projecto ambicioso de caridade para cidade, ofereceu-se para trabalhar ao serviço dos pobres. Aos 23 anos foi nomeada presidente feminina de um grupo de 12 irmãs da Caridade (como eram chamadas) encarregadas de melhorar a situação de 2 000 doentes do Hospital de Nossa Senhora da Graça em Saragoça. O modo de actuação da nova Irmandade foi-se tornando conhecido e o Bispo de Huesca, D. Joaquim Sanchez de Cutanda convidou-as para o serviço do Hospital e da Casa da Misericórdia da cidade (19 de Maio de 1807). Em 1808-1809, nos dois cercos feitos a Saragoça pelas tropas de Napoleão, a Irmandade contava já contava 21 Irmãs, exercendo uma acção contra a fome e a miséria dos feridos e prisioneiros da guerra. A rendição de Saragoça deixou a cidade coberta de cadáveres e em ruínas; nove companheiras sucumbiram de doença.

Em 15 de Julho de 1824, as Constituições da Irmandade foram aprovadas pela autoridade eclesiástica diocesana, e a 16 de Julho de 1825 treze Irmãs fizeram os primeiros votos públicos de pobreza, castidade, obediência e hospitalidade e as três fundadoras, Maria Raflos, Teresa Canti, Raimunda Torella e a irmã Teresa Ribeira fizeram os votos perpétuos no mesmo ano – 15 de Novembro de 1825. Maria Rafols faleceu a 30 de Agosto de 1853 (49 anos de vida religiosa). Em 1994 existia cerca de três mil Irmâs da Caridade.

Página 40 e interior da contracapa

(1) “Maria Rafols, heroína da Caridade do Século XIX, Fundadora da Congregação das Irmãs de Caridade de Santa Ana”. Biografia da vida e obra de Maria Rafols. Opúsculo de 40 páginas, em português, inglês e chinês, 20,5 cm x 14 cm. Impresso em 30 de Outubro de 1994.

NOTA: Sou testemunha das acções contínuas e prontas destas Irmâs sempre ao serviço dos mais pobres, necessitados e doentes. Prestei assistência médica nos anos 80 e 90 (séc. XX) nos Asilos dependentes das Missões nomeadamente no Asilo «Santa Maria» (fundado pelo Padre Luís Ruiz Suarez em 1969, instalando-se na casa do antigo Infantário da Associação das Senhoras Chinesas na Travessa dos Santos n.º 2-4 (entrada principal), depois melhoradas com as obras de beneficiação; tinha uma porta lateral que dava para a Rua do Pato (por onde se entrava) e no «Asilo Betânia» também fundado pelo Padre Luís Ruiz Suarez, em 1970, na Avenida do Conselheiro Borja a caminho da Ilha Verde (eram barracas de latas, antigo centro de refugiados do Instituto de Acção Social de Macau). Por detrás do «Asilo Betânia» ficavam as casas do antigo dormitório para refugiados, onde o mesmo Padre Ruiz Suarez fundou, em 1970, o «Centro «São Luís» destinados aos rapazes com atrasos mentais e doentes crónicos (a entrada era o mesmo do Asilo Betânia). O Centro de Santa Lúcia foi fundado em 1977 para albergar raparigas subdesenvolvidas num edifício (novo com capacidade para 70 pessoas em 1978), em Ká Hó.

1- Refogado à chinesa, geralmente constituído por uma mistura de carnes e vegetais variados.

Esta expressão entra na designação de vários pratos da cozinha macaense, por exemplo «chau-chau pele» (o mesmo que tacho), «galinha chau-chau parida», «porco chau-chau mamá», «pigmentos chau-chau», «arroz chau-chau», «chau-min»  etc

2 – Mistura de coisas diferentes.

3 – Chau-chau lau-lau – Confusão, mixórdia, desordem.

«É tudo um chau-chau lau-lau» – está tudo fora dos eixos, em confusão, ninguém se intende

«Fazer um chau-chau» pode significar «fazer um estrugido de vários ingredientes»

ou «fazer uma misturada, uma confusão» (1)

Étimo – ch´áu –    (2) –  refogar, estrugir, frigir ((em pequena porção de gordura). Entre os macaenses a reduplicação chau-chau designa de facto variedade de comidas, mas em chinês o sentido fundamental é o estrugir, frigir.

Toda a informação de BATALHA, Graciete Nogueira – Glossário do Dialecto Macaense, 1977

(1) «Ung´a chau-chau lau-lau ná-mas!» isto é uma mixórdia, nada mais! (FERNANDES, Miguel Senna; BAXTER, Alan Norman – Maquista chapado, 2001

(2) mandarim pīnyīn: chǎo; cantonense jyutping: caau2

No campo da cultura musical, estiveram em Macau, as crianças do “Coro Infantil da Rádio NHK de Tóquio” (grupo feminino, com um único elemento masculino) que actuaram no dia 21 de Março de 1977, no Auditório Diocesano, interpretando clássicos e canções populares e eruditas japonesas. Participou neste espectáculo, os “Pequenos Cantores” do Colégio D. Bosco.

«Coro Infantil da Rádio NHK de Tóquio» e os «Pequenos Cantores» do Colégio D. Bosco uniram-se no palco do Teatro Diocesano, na execução dum canto japonês.
O «Coro Infantil», todo trajado com o quimono regional e tradicional, apresentando ao público o único elemento masculino do seu grupo que se integrou nesta digressão, na última parte do seu programa.

Aproveitaram a estadia para uma visita aos pontos turísticos da cidade e das ilhas

Algumas elementos do coro, no varadim da Ermida da Penha
A caravana das pequenas cantoras do «Coro Infantil da Rádio NHK de Tóquio» nas Ruínas de S. Paulo.

Extraído de «MBIT», n-º 1-2, 1977.

O entusiasmo da queima de panchões, nos dias festivos do Ano Novo Lunar, atinge todas as idades, e nem o estampido abranda a tarefa, embora por vezes se sintam atemorizados com o estralejar contínuo dos petardos.
Sacodem-se, assim, todos os azares da vida e o mau agoiro que venha prejudicar a felicidade pelo ano fora.
São crenças ainda conservadas no rol das superstições que influenciam este povo milenário, conservador das suas tradições que lhe apontam normas de vida, para que tudo se oriente para a felicidade, tal como ele a concebe.” (1)
(1) Extraído de p.9, «Macau Boletim de Informação e Turismo», Vol XII, n.ºs 1 e 2,  1977.

Recentemente a propósito dum acidente de viação utilizei o termo «choncâ» e os meus familiares disseram que não «existia este termo em português»
Com razão pois segundo a Professora Graciete Batalha (1) o étimo veio do chinês.
Chocar, embater (diz-se geralmente em referência a acidentes de viação): «o carro foi choncá noutro»; «cuidado, nã vai choncá!» (linguagem corrente)
Étimo – Chinês chong, 撞 (2) – “ colidir, dar encontrão em”, possivelmente com contaminação do português chocar.
(1) BATALHA, Graciete – Glossário do Dialecto Macaense, 1977, página 404
mandarim pīnyīn: chuáng; cantonense jyutping:  zong6.

Mais uma velha naná ou canção de embalar do folclore macaísta citado pela Dra. Graciete Batalha. (1)

Já pagá candia
Já nom tê azeite;
Tomá quiança-quiança
Fazê ramalhête
 
Ramalhête feito
Na ponta do lenço
Quê càsá com preto
Tê grande sentimento
 
Más qui seja preto,
Sã nossa naçãm
Panhá vento suzo
Ficá cor de jambolam 

Possível “tradução”:

Apagou-se a candeia
Já não tem azeite
Pegar nas crianças
Que fazem ramalhete (birra)

Ramalhete feito
Na ponta do lenço
Quem casar com preto
Tem grande sentimento

Embora seja preto
É da nossa nação
Apanhar “vento sujo” (doença)
Ficar com cor de jambolão

Note-se a referência à superstição do “vento suzo” (vento sujo, «mau ar»). Por apanhar vento sujo, a pessoa ficou com a cor de jambolão, isto é, com a pele escura.
Jambolão – fruto semelhante a um grande bago de uva preta e «doce como a uva ferral» segundo Dalgado, Gloss. I, s. v. Há porém, quem o descreva como uma azeitona preta, com caroço semelhante, mas muito doce. (2)
(1) BATALHA, Graciete – Aspectos do Folclore de Macau, 1968.
(2) BATALHA, Graciete Nogueira – Glossário do Dialecto Macaense, 1977.