Archives for posts with tag: Polícia de Segurança Pública

Acedendo ao convite do comandante da P. S. P. (1) desta província deslocou-se, no dia 16 de Março de 1958, a Macau, a fim de assistir à Festa Anual da Polícia, o comissário da Polícia de Hong Kong, Sr. Arthur Crawford Maxwell, (2) acompanhado de três oficiais superiores da referida polícia.

Na foto vê-se o comissário Maxwell seguido do comandante da P. S. P. de Macau passando revista à guarda de honra, composta de uma companhia a três pelotões.(3)

A Festa Anual da Polícia teve uma demonstração do nível de eficiência e técnica da referida corporação, no campo desportivo de 28 de Maio.

Na foto vê-se um aspecto da tribuna de honra.

Informações e fotos de «BGU» XXXIV 393, Março de 1958, pp. 200-207
(1) O Comandante da P.S.P nessa data era o Tenente miliciano de infantaria (depois promovido a capitão) José Vaz Dias da Silva; comandante de 3/9/1956 a 4/12/1960.
http://www.fsm.gov.mo/psp/por/psp_org_9.html
(2) Arthur Crawford Maxwell – 麥士 (1909-1964) – Oficial da Polícia na Malásia antes da II Guerra Mundial e Comissário de Polícia em Sarawak entre 1947 e 1949. Comissário (“Deputy Commissioner”) em Hong Kong de 1953 a 1959
https://zh.wikipedia.org/wiki/麥士維_(警務處處長)
(3) O Corpo de Polícia de Segurança Pública de Macau tinha um efectivo de cerca 600 homens (Anuário de Macau, 1957, p-57). Estava distribuída por 5 esquadras e 2 postos policiais, um dos quais na fronteira com o continente chinês – Porta do Cerco.
A Esquadra n.º 1 – ou Central da Polícia – achava-se instalada no edifício do Comando, situado na Rua Central. No mesmo edifício funcionavam as Polícias de Investigação Criminal, de Trânsito e de Imigração. Achava-se a cidade dividida, para efeitos de policiamento, em duas zonas, orientadas cada uma por um oficial subalterno, de acordo com as directivas emanadas do Comando. As Ilhas (Esquadra Policial n. 5) constituíam a 3.º Zona, igualmente orientada por um oficial subalterno.

Ceia de Natal dos polícias de Macau
O Governador de Macau procedendo à distribuição do bodo (distribuição de alimentos, dinheiro e vestuário aos pobres, em dias festivos) às famílias dos bombeiros falecidos.
Festas desportivas nas escolas, realizadas no dia de Natal
Distribuição de merenda e prendas às crianças no Jardim de Camões
Aspecto da festa militar desportiva no dia de Natal

Extraído de «BGC» XXVI-296, 1950.

No dia 23 de Outubro de 1965 foi inaugurado pelo Governador Tenente-coronel António Lopes dos Santos, o Hospital do Centro de Recuperação Social da Taipa.(1)

O Hospital do Centro de Recuperação Social da Taipa, 1965

À inauguração, a que foi dado um carácter festivo, assistiram entidades civis, militares e eclesiásticas e outras representativas de todos os sectores da vida pública e privada de Macau. O Governador foi recebido à chegada à Taipa, no largo fronteiro à ponte, por uma guarda de honra, constituída por uma companhia da PSP, com charanga, banda de música e bandeira, sob o comando do Tenente José Carvalho da Fonseca.

Outro aspecto do Hospital do Centro de Recuperação Social

Após revista à formatura e ao seu desfile, o Governador e comitiva tomaram lugar em 17 viaturas, divididas em grupos, visitaram a Casa dos Rapazes, a Granja, o Asilo dos dementes e inválidos e o Edifício do Centro de Recuperação Social, onde nos terrenos anexos foi construído o novo Hospital.
O Centro de Recuperação Social da Ilha da Taipa incluía como sector especial e importante entre os seus objectivos e funções o tratamento e recuperação de toxicómanos. No aspecto particular da reabilitação social estava sob a alçada do centro de Combate à Toxicomania por força do Art.º 50.º do Decreto n.º 46 371, de 8 de Junho de 1965 que na província regula o comércio, uso e detenção de estupefacientes.

O Governador, tenente-coronel Lopes dos Santos, fazendo uso da palavra, na inauguração do Hospital do Centro de Recuperação Social.

No Centro de Recuperação Social (CRS) o serviço médico, especialmente no que se referia ao tratamento de toxicómanos era um dos serviços fundamentais.
O novo hospital tinha no rés-do-chão 4 salas de psicoterapia e 2 gabinetes para inquérito, salas devidamente separadas, onde a direcção do CRS apresentou uma exposição de fotografias, gráficos e plantas, a história do CRS.
No primeiro andar tinha uma enfermaria com 18 camas para homens e outra com 6 camas para mulheres. Tinha gabinetes para os médicos e enfermeiras, sanitários separados para homens e mulheres, sala de raios X e câmara escura, quarto para a enfermeira e outros anexos funcionais do hospital.

Uma enfermaria do Hospital do Centro de Recuperação Social

O custo da obra foi de $274 469,00. A receita foi proveniente dos seguintes donativos: $ 110 900,00m (US $19 000,00) do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados; $ 63 740,00 da Assistência Pública; $ 18 669,00 do CRS; e $ 81 160,00 do Sr. Y. C. Liang.
O projecto era da autoria da engenheira Gaby de Sena Fernandes e do arquitecto Allan R. Gilbert, tendo a empreitada sido adjudicada ao empreiteiro Choi Seng.
O director clínico do Hospital era o Dr. Alberto Cota Guerra (2) e médico assistente o Dr. Alberto da Luz (3) auxiliado por 3 enfermeiras.
Por cima do amplo refeitório dos internados, tinha uma sala onde os internados podiam ouvir música, leitura, efectuar jogos lícitos, e por vezes, assistirem às sessões de cinema educativo e recreativo.

Uma dependência do mesmo Hospital

Usaram da palavra o Comandante da PSP, tenente-coronel Galvão Figueiredo e o Governador da Província.(4)
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-de-combate-a-toxicomania/
      https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-de-recuperacao-social-da-taipa/
(2) Dr. Alberto Juliano Gonçalves Cotta Guerra (1913-2012) médico neuropsiquiatra dos Serviços de Saúde e Assistência de Macau, desde 6-09-1957, foi vogal do Centro de Combate à Toxicomania e Director Clínico do Centro de Recuperação Social (desde 1961) tendo nesta qualidade representado o território no XI Congresso Internacional de Pediatria realizado de 6 a 13 de Novembro de 1965, em Tóquio, e apresentado uma comunicação sobre o fenómeno da toxicomania e a contribuição de Macau para uma revisão do problema. Trabalhou no CRS até Abril de 1966 ano em que regressou a Portugal, para ser colocado em Angola. Foi posteriormente Director Nacional do Centro de Estudos de Profilaxia da Droga (CEPD) entre 1976 e 1978.
(3) Dr. Alberto Vaz da Luz (1930 -?), natural de Macau, licenciado pela Universidade de Coimbra, foi nomeado médico de 2.ª classe do quadro médico comum do ultramar por despacho de 31-08-1964, tomando posse em Macau no dia 21-09-1964. Foi nomeado em 05-01-196, Delegado de Saúde das Ilhas a partir de 21-01-1965, em comissão de serviço de 12 meses tendo sido exonerado em 10-03-1966 e em 31-03-1966 nomeado adjunto do Delegado de Saúde de Macau. Posteriormente viria a obter o título de especialista em Otorrinolaringologia pela Ordem dos Médicos em Portugal, voltando a Macau para exercer essa especialidade nos Serviços de Saúde até á sua reforma.
(4) Extraído do Relatório n.º 22 do “Centro de Combate à Toxicomania”, 1965.

Extraído de BGU, XL, 471/472, 1964.
NOTA: AlexanderMessing-Miezejewski, foi posteriormente, Director da Divisão de Drogas e  Narcóticos e depois, “chief of the representation and liaison unit of the Office for Inter-Agency Affairs and Co-Ordination of the UN”, entre 1969 -1977.
Da leitura do livro “ O Centro de Recuperação Social da Ilha da Taipa em Macau“ (1) do Major Sigismundo Revés, comandante da Polícia de Segurança Pública de Macau e do médico neuropsiquiatra dos Serviços de Saúde e Higiene que trabalhou em Macau de 1957 a 1966, Dr. Alberto Cotta Guerra, recolho as seguintes informações.

A assistência aos toxicómanos em Macau foi oficialmente iniciada em Dezembro de 1946 após publicação da Portaria n.º 4075, deste mês e ano do Encarregado do Governo Samuel da Conceição Vieira.
Até essa data, os doentes eram tratados nos hospitais da cidade – em maior número no Hospital do Governo – sempre que voluntariamente procuravam os serviços médicos ou que, em regime prisional, a iniciativa da assistência dispensada partia das autoridades.
Com a regulamentação estabelecida pela citada portaria, visando já um programa de saneamento social, foram criados dois Centros de Tratamento para Toxicómanos: um no Hospital Conde S. Januário (Hospital do Governo) e outro na Cadeia Pública.

A entrada para o Centro de Recuperação Social.

No primeiro eram assistidos os voluntários e no segundo os doentes cumprindo penas por delitos vários.
Neste regime – entre Janeiro de 1947 e Dezembro de 1960, foram tratados em Macau 6075 toxicómanos, sendo 2326 no Hospital do Governo e 3749 na Cadeia Pública.
A Portaria n.º 4075 foi revogada pela Portaria n.º 6594 de 19 de Novembro de 1960, por S. Ex.ª o Governador de Macau, tenente- coronel do C. E.M. Jaime Silvério Marques, que , por despacho de 17 de Janeiro de 1961, criou uma Comissão destinada a estudar e propor todos os meios de acção necessários à luta  contra o uso ilícito de estupefacientes, tratamento de doentes e sua recuperação social.
Esta Comissão mais tarde deu lugar à criação dum organismo, que foi designado por Centro de Combate à Toxicomania, pelo Despacho n.º 19/61, de 28 de Agosto de 1961, publicado no Boletim Oficial de Macau, n.º 36, de 9 de Setembro de 1961.
Neste despacho faz referência (n.º 2, alínea c, n.º 2: Orientar a acção do Centro de Recuperação Social no combate à toxicomania) ao Centro de Recuperação Social, que substitui o Abrigo de Mendigos e Vadios (2) existente na ilha da Taipa, que fora criado pela Portaria n.º 5529, de 20 de Fevereiro de 1954.

O edifício onde estava instalado o Centro de Recuperação, na Ilha da Taipa.

(1) REVÉS, Major Sigismundo; GUERRA, Dr. Alberto Cotta – O Centro de Recuperação Social da Ilha da Taipa em Macau, Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1962, 45 p., 22.5 cm x 16 cm.
(2) A criação de um centro de apoio e abrigo de vadios e mendigos, a título experimental, na Ilha da Taipa foi em 08 de Setembro de 1951 (Boletim Oficial n.º36, Portaria n.º 4:998)
A Portaria n.º 5529, de 20 de Fevereiro de 1954, cria o Abrigo de Mendigos e Vadios, com sede na Ilha da Taipa, destinado a albergar todos os indivíduos maiores de 16 anos, sem meios de subsistências, que não tenham modo de vida ou residência na província e se entreguem à prática de mendicidade ou à vadiagem nas vias e lugares públicos.
Este este mesmo «Abrigo de Mendigos e Vadios» passa a ser, em 20 de Maio de 1961, o «Centro de Recuperação Social» (1) sob a responsabilidade do Corpo de Policia de Segurança Pública de Macau (Boletim Oficial n.º 20).
Ver anteriores referências ao Centro
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-de-recuperacao-social-da-taipa/

Esta notícia do arraial à maneira portuguesa que aconteceu a 7 de Julho de 1951 , (1) já a publiquei no ano passado (7-7-2016). Volto à mesma notícia agora extraída do Boletim Geral do Ultramar.(2)

Os Srs. Encarregado do Governo, Dr. Aires Pinto Ribeiro, o general Pinto Monteiro, o comandante militar Paulo Benard Guedes e esposa, e o comendador Kou Ho neng e esposa visitando as barracas.
A barraca chinesa

Barraca do «pão com chouriço»

(1) Notícia de 7 de Julho de 1951 – Arraial no ténis militar e naval
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/07/07/%EF%BB%BFnoticia-de-7-de-julho-de-1951-arraial-no-tenis-militar-e-naval/
(2) Notícia dos Serviços de Informação e Estatística de Macau, publicada BGU. XXVII -315/316, 1951.

Como em anos anteriores, Macau festejou com brilho e acentuado espírito patriótico, o “Dia de Portugal”, no dia 10 de Junho de 1955.
O programa cumpriu-se à excepção da cerimónia pública promovida pelo Conselho de Instrução no Jardim de Camões que, por motivo do mau tempo, teve de ser adiada para o domingo seguinte, dia 12 de Junho, pelas 12 horas (1)

PARADA MILITAR: desfile das forças militares diante da tribuna, em frente do Palácio do Governo
NO JARDIM DA GRUTA DE CAMÕES: homenagem das autoridades na Gruta de Camões
FESTIVAL DESPORTIVO: festival das forças de segurança no Campo Desportivo 28 de Maio, vendo-se as evoluções em bicicleta dos guardas da secção móvel da Polícia de Segurança Pública.
RECEPÇÃO NO PALÁCIO DO GOVERNO: o Sr. Ho In, presidente da Associação Comercial de Macau apresentando cumprimentos ao Sr. Governador e esposa, no Palácio do Governo.

(1) Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/06/12/noticia-de-12-de-junho-de-1955-macau-e-a-gruta-de-camoes-xl-no-jardim-da-gruta-de-camoes/
Extraído do BGUXXXI- 361-362, Julho-Agosto de 1955.

Uma nota oficial, distribuída à imprensa constava o seguinte:
No dia 19 de Dezembro de 1954, vindo de Cantão, chegou o capitão Álvaro Marques de Andrade Salgado, antigo Comandante da Polícia de Segurança Pública desta província, que se encontrava ausente na China desde 22 de Março de 1952“.
Embora a notícia oficial local não mencionasse mais pormenores, o relatório sobre a sua situação no Comando Militar de Macau, mencionava-o como desertor.
Na tarde do dia 22 de Março de 1952, o capitão de infantaria Álvaro Marques de Andrade Salgado, antigo comandante da Polícia de Segurança Pública (comandante do corpo da PSP entre 27 de Junho de 1946 e 1 de Janeiro de 1948) (1) e que nessa ocasião exercia o cargo de chefe de serviços de informações do comando da guarnição militar, foi capturado pela Armada do Exército Popular de Libertação (EPL) quando velejava entre a península de Macau e a ilha da Taipa. Aparentemente a “pequena embarcação … descaiu, aproximando-se da ilha de D. João (Sio-Vong-Cam/ Xiaohengqin), (2) sendo detido pelos chineses” (3),
Só seria libertado a 19 de Dezembro de 1954. Esteve em cativeiro em Cantão, 31 meses.
O período em causa (1952-1954) decorreu o conflito entre Macau e a China, o chamado “Incidentes das Portas do Cerco” (que se vinham “avolumando desde há meses e se intensificaram no mês de Maio com confrontos ligeiros nos dias 1,12 16, 19, 21, 28 de Maio e no dia 2 de Junho entre as sentinelas chinesas e os militares portugueses – guarnição da portas do Cerco com praças moçambicanas) e terminando no dia 23 de Agosto de 1954, com o pedido formal de desculpas ao general Li Zuopeng, chefe de Estado-Maior do distrito militar de Guangdong, por Pedro José Lobo, na qualidade de representante da administração portuguesa de Macau. (3) (4)

(1) Referência anterior
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/07/07/%EF%BB%BFnoticia-de-7-de-julho-de-1951-arraial-no-tenis-militar-e-naval/
(2) Ilha de D. João (Sio-Vong-Cam/ Xiaohengqin) – actualmente a Ilha de D. João e a Ilha de Montanha (Tai-Vông-Kâm / Dahengqin ) estão ligadas por aterros formando a Ilha de Hengqin /横琴
(3) FERNANDES, Moisés Silva – Os Incidentes das Portas do Cerco de 1952: o conflito entre os compromissos internacionais e os condicionalismos locais – Working Papers do Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa, 2005
Disponível para leitura em:
href=”http://www.ics.ul.pt/publicacoes/workingpapers/wp2005/wp2005_2.pdf”>http://www.ics.ul.pt/publicacoes/workingpapers/wp2005/wp2005_2.pdf
Imagem retirada de
http://www.fsm.gov.mo/psp/por/psp_org_9.html
(4) A comissão da negociação foi presidida por Pedro José Lobo e integrava Ho Yin (He Xian) (um dos principais dirigentes da comunidade comercial chinesa do território) que foi o intermediário na libertação do capitão Salgado.