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Ceia de Natal dos polícias de Macau
O Governador de Macau procedendo à distribuição do bodo (distribuição de alimentos, dinheiro e vestuário aos pobres, em dias festivos) às famílias dos bombeiros falecidos.
Festas desportivas nas escolas, realizadas no dia de Natal
Distribuição de merenda e prendas às crianças no Jardim de Camões
Aspecto da festa militar desportiva no dia de Natal

Extraído de «BGC» XXVI-296, 1950.

No dia 23 de Outubro de 1965 foi inaugurado pelo Governador Tenente-coronel António Lopes dos Santos, o Hospital do Centro de Recuperação Social da Taipa.(1)

O Hospital do Centro de Recuperação Social da Taipa, 1965

À inauguração, a que foi dado um carácter festivo, assistiram entidades civis, militares e eclesiásticas e outras representativas de todos os sectores da vida pública e privada de Macau. O Governador foi recebido à chegada à Taipa, no largo fronteiro à ponte, por uma guarda de honra, constituída por uma companhia da PSP, com charanga, banda de música e bandeira, sob o comando do Tenente José Carvalho da Fonseca.

Outro aspecto do Hospital do Centro de Recuperação Social

Após revista à formatura e ao seu desfile, o Governador e comitiva tomaram lugar em 17 viaturas, divididas em grupos, visitaram a Casa dos Rapazes, a Granja, o Asilo dos dementes e inválidos e o Edifício do Centro de Recuperação Social, onde nos terrenos anexos foi construído o novo Hospital.
O Centro de Recuperação Social da Ilha da Taipa incluía como sector especial e importante entre os seus objectivos e funções o tratamento e recuperação de toxicómanos. No aspecto particular da reabilitação social estava sob a alçada do centro de Combate à Toxicomania por força do Art.º 50.º do Decreto n.º 46 371, de 8 de Junho de 1965 que na província regula o comércio, uso e detenção de estupefacientes.

O Governador, tenente-coronel Lopes dos Santos, fazendo uso da palavra, na inauguração do Hospital do Centro de Recuperação Social.

No Centro de Recuperação Social (CRS) o serviço médico, especialmente no que se referia ao tratamento de toxicómanos era um dos serviços fundamentais.
O novo hospital tinha no rés-do-chão 4 salas de psicoterapia e 2 gabinetes para inquérito, salas devidamente separadas, onde a direcção do CRS apresentou uma exposição de fotografias, gráficos e plantas, a história do CRS.
No primeiro andar tinha uma enfermaria com 18 camas para homens e outra com 6 camas para mulheres. Tinha gabinetes para os médicos e enfermeiras, sanitários separados para homens e mulheres, sala de raios X e câmara escura, quarto para a enfermeira e outros anexos funcionais do hospital.

Uma enfermaria do Hospital do Centro de Recuperação Social

O custo da obra foi de $274 469,00. A receita foi proveniente dos seguintes donativos: $ 110 900,00m (US $19 000,00) do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados; $ 63 740,00 da Assistência Pública; $ 18 669,00 do CRS; e $ 81 160,00 do Sr. Y. C. Liang.
O projecto era da autoria da engenheira Gaby de Sena Fernandes e do arquitecto Allan R. Gilbert, tendo a empreitada sido adjudicada ao empreiteiro Choi Seng.
O director clínico do Hospital era o Dr. Alberto Cota Guerra (2) e médico assistente o Dr. Alberto da Luz (3) auxiliado por 3 enfermeiras.
Por cima do amplo refeitório dos internados, tinha uma sala onde os internados podiam ouvir música, leitura, efectuar jogos lícitos, e por vezes, assistirem às sessões de cinema educativo e recreativo.

Uma dependência do mesmo Hospital

Usaram da palavra o Comandante da PSP, tenente-coronel Galvão Figueiredo e o Governador da Província.(4)
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-de-combate-a-toxicomania/
      https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-de-recuperacao-social-da-taipa/
(2) Dr. Alberto Juliano Gonçalves Cotta Guerra (1913-2012) médico neuropsiquiatra dos Serviços de Saúde e Assistência de Macau, desde 6-09-1957, foi vogal do Centro de Combate à Toxicomania e Director Clínico do Centro de Recuperação Social (desde 1961) tendo nesta qualidade representado o território no XI Congresso Internacional de Pediatria realizado de 6 a 13 de Novembro de 1965, em Tóquio, e apresentado uma comunicação sobre o fenómeno da toxicomania e a contribuição de Macau para uma revisão do problema. Trabalhou no CRS até Abril de 1966 ano em que regressou a Portugal, para ser colocado em Angola. Foi posteriormente Director Nacional do Centro de Estudos de Profilaxia da Droga (CEPD) entre 1976 e 1978.
(3) Dr. Alberto Vaz da Luz (1930 -?), natural de Macau, licenciado pela Universidade de Coimbra, foi nomeado médico de 2.ª classe do quadro médico comum do ultramar por despacho de 31-08-1964, tomando posse em Macau no dia 21-09-1964. Foi nomeado em 05-01-196, Delegado de Saúde das Ilhas a partir de 21-01-1965, em comissão de serviço de 12 meses tendo sido exonerado em 10-03-1966 e em 31-03-1966 nomeado adjunto do Delegado de Saúde de Macau. Posteriormente viria a obter o título de especialista em Otorrinolaringologia pela Ordem dos Médicos em Portugal, voltando a Macau para exercer essa especialidade nos Serviços de Saúde até á sua reforma.
(4) Extraído do Relatório n.º 22 do “Centro de Combate à Toxicomania”, 1965.

Extraído de BGU, XL, 471/472, 1964.
NOTA: AlexanderMessing-Miezejewski, foi posteriormente, Director da Divisão de Drogas e  Narcóticos e depois, “chief of the representation and liaison unit of the Office for Inter-Agency Affairs and Co-Ordination of the UN”, entre 1969 -1977.
Da leitura do livro “ O Centro de Recuperação Social da Ilha da Taipa em Macau“ (1) do Major Sigismundo Revés, comandante da Polícia de Segurança Pública de Macau e do médico neuropsiquiatra dos Serviços de Saúde e Higiene que trabalhou em Macau de 1957 a 1966, Dr. Alberto Cotta Guerra, recolho as seguintes informações.

A assistência aos toxicómanos em Macau foi oficialmente iniciada em Dezembro de 1946 após publicação da Portaria n.º 4075, deste mês e ano do Encarregado do Governo Samuel da Conceição Vieira.
Até essa data, os doentes eram tratados nos hospitais da cidade – em maior número no Hospital do Governo – sempre que voluntariamente procuravam os serviços médicos ou que, em regime prisional, a iniciativa da assistência dispensada partia das autoridades.
Com a regulamentação estabelecida pela citada portaria, visando já um programa de saneamento social, foram criados dois Centros de Tratamento para Toxicómanos: um no Hospital Conde S. Januário (Hospital do Governo) e outro na Cadeia Pública.

A entrada para o Centro de Recuperação Social.

No primeiro eram assistidos os voluntários e no segundo os doentes cumprindo penas por delitos vários.
Neste regime – entre Janeiro de 1947 e Dezembro de 1960, foram tratados em Macau 6075 toxicómanos, sendo 2326 no Hospital do Governo e 3749 na Cadeia Pública.
A Portaria n.º 4075 foi revogada pela Portaria n.º 6594 de 19 de Novembro de 1960, por S. Ex.ª o Governador de Macau, tenente- coronel do C. E.M. Jaime Silvério Marques, que , por despacho de 17 de Janeiro de 1961, criou uma Comissão destinada a estudar e propor todos os meios de acção necessários à luta  contra o uso ilícito de estupefacientes, tratamento de doentes e sua recuperação social.
Esta Comissão mais tarde deu lugar à criação dum organismo, que foi designado por Centro de Combate à Toxicomania, pelo Despacho n.º 19/61, de 28 de Agosto de 1961, publicado no Boletim Oficial de Macau, n.º 36, de 9 de Setembro de 1961.
Neste despacho faz referência (n.º 2, alínea c, n.º 2: Orientar a acção do Centro de Recuperação Social no combate à toxicomania) ao Centro de Recuperação Social, que substitui o Abrigo de Mendigos e Vadios (2) existente na ilha da Taipa, que fora criado pela Portaria n.º 5529, de 20 de Fevereiro de 1954.

O edifício onde estava instalado o Centro de Recuperação, na Ilha da Taipa.

(1) REVÉS, Major Sigismundo; GUERRA, Dr. Alberto Cotta – O Centro de Recuperação Social da Ilha da Taipa em Macau, Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1962, 45 p., 22.5 cm x 16 cm.
(2) A criação de um centro de apoio e abrigo de vadios e mendigos, a título experimental, na Ilha da Taipa foi em 08 de Setembro de 1951 (Boletim Oficial n.º36, Portaria n.º 4:998)
A Portaria n.º 5529, de 20 de Fevereiro de 1954, cria o Abrigo de Mendigos e Vadios, com sede na Ilha da Taipa, destinado a albergar todos os indivíduos maiores de 16 anos, sem meios de subsistências, que não tenham modo de vida ou residência na província e se entreguem à prática de mendicidade ou à vadiagem nas vias e lugares públicos.
Este este mesmo «Abrigo de Mendigos e Vadios» passa a ser, em 20 de Maio de 1961, o «Centro de Recuperação Social» (1) sob a responsabilidade do Corpo de Policia de Segurança Pública de Macau (Boletim Oficial n.º 20).
Ver anteriores referências ao Centro
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-de-recuperacao-social-da-taipa/

Esta notícia do arraial à maneira portuguesa que aconteceu a 7 de Julho de 1951 , (1) já a publiquei no ano passado (7-7-2016). Volto à mesma notícia agora extraída do Boletim Geral do Ultramar.(2)

Os Srs. Encarregado do Governo, Dr. Aires Pinto Ribeiro, o general Pinto Monteiro, o comandante militar Paulo Benard Guedes e esposa, e o comendador Kou Ho neng e esposa visitando as barracas.
A barraca chinesa

Barraca do «pão com chouriço»

(1) Notícia de 7 de Julho de 1951 – Arraial no ténis militar e naval
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/07/07/%EF%BB%BFnoticia-de-7-de-julho-de-1951-arraial-no-tenis-militar-e-naval/
(2) Notícia dos Serviços de Informação e Estatística de Macau, publicada BGU. XXVII -315/316, 1951.

Como em anos anteriores, Macau festejou com brilho e acentuado espírito patriótico, o “Dia de Portugal”, no dia 10 de Junho de 1955.
O programa cumpriu-se à excepção da cerimónia pública promovida pelo Conselho de Instrução no Jardim de Camões que, por motivo do mau tempo, teve de ser adiada para o domingo seguinte, dia 12 de Junho, pelas 12 horas (1)

PARADA MILITAR: desfile das forças militares diante da tribuna, em frente do Palácio do Governo
NO JARDIM DA GRUTA DE CAMÕES: homenagem das autoridades na Gruta de Camões
FESTIVAL DESPORTIVO: festival das forças de segurança no Campo Desportivo 28 de Maio, vendo-se as evoluções em bicicleta dos guardas da secção móvel da Polícia de Segurança Pública.
RECEPÇÃO NO PALÁCIO DO GOVERNO: o Sr. Ho In, presidente da Associação Comercial de Macau apresentando cumprimentos ao Sr. Governador e esposa, no Palácio do Governo.

(1) Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/06/12/noticia-de-12-de-junho-de-1955-macau-e-a-gruta-de-camoes-xl-no-jardim-da-gruta-de-camoes/
Extraído do BGUXXXI- 361-362, Julho-Agosto de 1955.

Uma nota oficial, distribuída à imprensa constava o seguinte:
No dia 19 de Dezembro de 1954, vindo de Cantão, chegou o capitão Álvaro Marques de Andrade Salgado, antigo Comandante da Polícia de Segurança Pública desta província, que se encontrava ausente na China desde 22 de Março de 1952“.
Embora a notícia oficial local não mencionasse mais pormenores, o relatório sobre a sua situação no Comando Militar de Macau, mencionava-o como desertor.
Na tarde do dia 22 de Março de 1952, o capitão de infantaria Álvaro Marques de Andrade Salgado, antigo comandante da Polícia de Segurança Pública (comandante do corpo da PSP entre 27 de Junho de 1946 e 1 de Janeiro de 1948) (1) e que nessa ocasião exercia o cargo de chefe de serviços de informações do comando da guarnição militar, foi capturado pela Armada do Exército Popular de Libertação (EPL) quando velejava entre a península de Macau e a ilha da Taipa. Aparentemente a “pequena embarcação … descaiu, aproximando-se da ilha de D. João (Sio-Vong-Cam/ Xiaohengqin), (2) sendo detido pelos chineses” (3),
Só seria libertado a 19 de Dezembro de 1954. Esteve em cativeiro em Cantão, 31 meses.
O período em causa (1952-1954) decorreu o conflito entre Macau e a China, o chamado “Incidentes das Portas do Cerco” (que se vinham “avolumando desde há meses e se intensificaram no mês de Maio com confrontos ligeiros nos dias 1,12 16, 19, 21, 28 de Maio e no dia 2 de Junho entre as sentinelas chinesas e os militares portugueses – guarnição da portas do Cerco com praças moçambicanas) e terminando no dia 23 de Agosto de 1954, com o pedido formal de desculpas ao general Li Zuopeng, chefe de Estado-Maior do distrito militar de Guangdong, por Pedro José Lobo, na qualidade de representante da administração portuguesa de Macau. (3) (4)

(1) Referência anterior
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/07/07/%EF%BB%BFnoticia-de-7-de-julho-de-1951-arraial-no-tenis-militar-e-naval/
(2) Ilha de D. João (Sio-Vong-Cam/ Xiaohengqin) – actualmente a Ilha de D. João e a Ilha de Montanha (Tai-Vông-Kâm / Dahengqin ) estão ligadas por aterros formando a Ilha de Hengqin /横琴
(3) FERNANDES, Moisés Silva – Os Incidentes das Portas do Cerco de 1952: o conflito entre os compromissos internacionais e os condicionalismos locais – Working Papers do Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa, 2005
Disponível para leitura em:
href=”http://www.ics.ul.pt/publicacoes/workingpapers/wp2005/wp2005_2.pdf”>http://www.ics.ul.pt/publicacoes/workingpapers/wp2005/wp2005_2.pdf
Imagem retirada de
http://www.fsm.gov.mo/psp/por/psp_org_9.html
(4) A comissão da negociação foi presidida por Pedro José Lobo e integrava Ho Yin (He Xian) (um dos principais dirigentes da comunidade comercial chinesa do território) que foi o intermediário na libertação do capitão Salgado.

Do “Boletim Oficial” de 20 de Fevereiro de 1954:
Foi substituída a Portaria n.º 4:998, de 8 de Setembro de 1951 que criou o Abrigo de Mendigos e Vadios, com sede na Ilha da Taipa, destinado a albergar todos os indivíduos maiores de 16 anos, sem meios de subsistências, que não tenham modo de vida ou residência na província e se entreguem à prática de mendicidade ou à vadiagem nas vias e lugares públicos.
A criação de um centro de apoio e abrigo de vadios e mendigos, a título experimental, na Ilha da Taipa foi em 08 de Setembro de 1951 (Boletim Oficial n. 36)
Este mesmo «Abrigo de Mendigos e Vadios» passa a ser, em 20 de Maio de 1961, o «Centro de Recuperação Social» (1) sob a responsabilidade do Corpo de Policia de Segurança Pública de Macau (Boletim Oficial n.º 20)
FONTE: «MACAU B. I. 1954 » + SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-de-recuperacao-social-da-taipa/