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No dia 1 de Novembro de 1849, o Governador-Geral do Estado da Índia, José Ferreira Pestana, (1) satisfazendo a requisição do Conselho do Governo da Província de Macau, Timor e Solor, dum oficial com qualidade de mando e direcção, no ramo militar, nomeou o seu ajudante às ordens, Capitão do Exército de Portugal, António Pedro Buys, (2) para servir na colónia de Macau e enviou, igualmente, a pedido do mesmo Conselho, uma força de 105 homens, para reforçar a guarnição, em vista dos graves acontecimentos que se seguiram ao assassinato do Governador, o Conselheiro e Capitão de Mar e Guerra, João Maria Ferreira do Amaral. (3) (4)
Essa força expedicionária (Força Auxiliar de Goa) com 5 oficiais e 100 praças, chegou a Macau em Dezembro de 1849.
Ainda em Outubro de 1849 é referido que o armamento é velho, toda a artilharia de bronze está incapaz e de campanha poucas peças existem; as armas de infantaria estão quase todas arruinadas, há pouca pólvora, sendo pedidos soldados e armas, pois o perigo está a um tiro de canhão. O batalhão de Artilharia dispunha de 285 militares, existindo também o batalhão Provisório, de 2.ª linha .” (5)
(1) José Ferreira Pestana (1795 — 1885) foi um militar, político e administrador colonial madeirense, professor da Universidade de Coimbra. Deputado às Cortes e Par do Reino, foi governador civil do Distrito de Vila Real (1835-1836) e do Distrito de Coimbra (1836) e exerceu por duas vezes o cargo de Governador do Estado da Índia (1844-1851 e 1864-1870). Exerceu também as funções Ministro da Marinha e do Ultramar (1841-1842) e de Ministro do Reino (1851). Aconselho a leitura da biografia em:
href=”https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Ferreira_Pestana”>https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Ferreira_Pestana
(2) António Pedro Buys é da família Buys, (grafada também Buiz, Buis ou Buyz). descendentes de Jan Pieter Buys, holandês, e de D. Maria Theresia, espanhola de Huelva (Espanha).  Jan Pieter, grafado João Pedro nos documentos, veio da cidade holandesa de Hoorn (a norte de Amesterdão) para Portugal, assentando raízes em Faro, no reino do Algarve.
http://lecor.blogspot.pt/p/geneologia.html
Há uma referência de um António Pedro Buys, Capitão Director do Trem de Artilheria do Algarve em Faro em Agosto de 1826 («Gazeta de Lisboa» Edições 152-307)
Luís Gonzaga Gomes dá uma referência datada de 29-06-1853 – “Uma comissão composta por João Maria de Sequeira Pinto, António Pedro Buys, José Vivente Jorge, Lourenço Marques e António José de Miranda organizou uma quermesse, no Salão do Leal Senado, em benefício da Escola Principal de Instrução Primária.” (3)
(3) GOMES, L. G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(4) Sobre o assassinato do governador Ferreira do Amaral, ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-m-ferreira-do-amaral/
(5) Retirado de CAÇÃO, Armando António Azenha – Unidades Militares de Macau, 1999,p.20.

Com este título “Assassination of the Governor of Macao”, publicou o jornal “The Illustraded London News”, de 10 de Novembro de 1849, (1) a notícia do assassinato do governador João Maria Ferreira do Amaral no dia 22 de Agosto de 1849.

ASSASSINATION OF THE GOVERNOR OF MACAO
“Amaral was accompanied only by Lt. Leite, his aide-de-camp, not by three others, as shown here.”

No mesmo jornal, o jornalista  correspondente  na China, também noticiava o morte do governador
(1) «The Illustrated London News» Vol. XV, Jul to Dec, 1849.

Faleceu a 14 de Julho de 1870, dum ataque repentino que o privou dos sentidos, o padre Jorge António Lopes da Silva, nascido em Macau, em 8 de Maio de 1817. Foi muito estimado por toda a população, tendo recebido, em Manila, aos 24 anos de idade a sagrada ordem de presbítero. Na volta a Macau, regeu a cadeira de Português, no Colégio de S. José e abriu, em sua casa, uma escola, donde saíram alguns padres e muitos guarda-livros. Foi depois convidado, pela Câmara Municipal para exercer a cadeira de professor de liceu, que fora então aberto, em Macau (1)
Não foi professor de liceu pois não havia ainda liceu em Macau. O Senado de Macau convidou a 14 de Abril de 1847 o Padre Jorge António Lopes da Silva para ser um dos primeiros mestres da futura Escola Principal de Instrução Primária. (2) O Padre respondeu a 27 do mesmo mês que aceitava ser um dos mestres das primeiras letras com o ordenado de 350 patacas anuais, pondo no entanto as seguintes condições: 1) levar consigo os meninos que estudavam em sua casa; 2) os requerimentos para admissão deveriam ser dirigidos não a ele, mas ao Senado; 3) que se alterasse o horário de inverno, pois o tempo do meio-dia às 2 horas lhe parecia curto para descanso de professores e alunos”, O Senado concordou e o Padre Jorge foi nomeado director e mestre da Escola Principal de Instrução Primária que foi inaugurada a 16 de Junho de 1847. A Escola ficou instalada em metade das casas do Recolhimento de S. Rosa de Lima. (3) (4)
A 14 de Junho de 1847, dois pretendentes oficiaram ao Senado: José Vicente Pereira oferecendo-se para mestre de inglês e francês dessa escola e John Hamilton pedindo-lhe um lugar de professor; a 22 de Novembro de 1847, o Senado comunicou ao Padre Jorge a nomeação de José Pereira e perguntando-lhe se carecia de mais outro professor. A Escola compreendia 3 cadeiras: uma de ensino primário, a cargo de Joaquim Gil Pereira, outra de português a cargo do Padre Jorge Lopes da Silva e outra de inglês e francês a cargo de José Vicente Pereira (3)
Apesar do seu limitado pessoal chegou a ter mais de 300 alunos.
Em fim de 1853, o Padre Jorge António Lopes da Silva pediu a demissão de director e mestre da escola. (5) Para a direcção da Escola foi nomeado o Padre Vitorino José de Sousa Almeida (6) que ficou só um ano pois o Senado teve de o despedir, ou por ter achado nele inaptidão ou por sua severidade pois que no cabo de um ano, estava deserta a aula das línguas portuguesas e latina.

Planta da Colónia Portuguesa de Macau
1870
Desenhada  por M. Azevedo Coutinho (7)

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(2) A 27 de Janeiro de 1847, o Senado de Macau oficiou a José Vicente Jorge, Francisco António Pereira da Silveira, Francisco João Marques e Padre António José Victor, comunicando-lhes que haviam sido nomeados para fazer parte duma comissão a fim de elaborar um plano de educação para a mocidade deste estabelecimento. A Escola Principal de Instrução Primária foi fundada pelo Senado de Macau por meio de uma subscrição pública. O  Senado comunicou a João Maria Ferreira do Amaral, governador de Macau entre 1846 e 1849, a 17 de Fevereiro de 1847 que
deliberou com os eleitos das freguesias  solicitar dentre os moradores abastados desta Cidade
Huma subscrição, cujo produto incorporado ao Capital agora existente de $ 5 000 (doado pelo inglês james Matheson feita a Adrião Acácio da Silveira Pinto, governador de Macau de 1837 a 1843), constitua hum fundo capaz de produzir hum rendimento, que junto  ao que este Senado agora despende com a sua escola de primeiras letras seja sufficiente para cubrir as despezas de huma Escola Principal de Instrução Primária: e na qual … se ensine também as línguas Ingleza e Franceza, cujo conhecimento he hoje reconhecidamente de suma utilidade, senão indispensável neste pais”. (3)
(3) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982
(4) Em Abril de 1849, a escola foi transferida para o Convento de S. Francisco; mas a 28 do mesmo ano, o Conselho de Governo comunicou ao Senado que, tendo de aquartelar nesse convento a força auxiliar vinda de Goa, a escola devia ser mudada para outro lugar; regressou então ao Recolhimento. (3)
(5) Segundo artigo publicado no «Echo do Povo» n.º 68 de 15-07-1960, o Padre Jorge Lopes da Silva rdeixou a direcção que ocupava porque obrigaram-no a aceitar o vicariato de S. Lourenço. Foi portanto, nomeado pároco de S. Lourenço e a 5 de Fevereiro de 1866, foi nomeado Governador do Bispado. O Padre Jorge Lopes da Silva foi nomeado em 1867 presidente duma comissão encarregada de estudar as necessidades da Santa Casa de Misericórdia, nomeadamente do recolhimento das raparigas abandonas à porta da Santa Casa, que levou posteriormente ao decreto do Governador José Maria da Ponte e Horta à abolição da Roda dos Expostos da Santa Casa, a 2 de Fevereiro de 1867.
(6) Padre Vitorino José de Sousa Almeida chegou a Macau a 2 de Janeiro de 1832 no Novo Paquete. Foi pároco de S. Lourenço de 1842 a 1852. (3)
(7) Ver referência a este Capitão em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/22/noticia-de-agosto-de-1952-clube-militar/

Baixo-relevo do governador Ferreira do Amaral do escultor Maximiano Alves, (1) autor da estátua de bronze do mesmo governador, assente sobre pedestal em pedra, inaugurada em Macau, em 24 de Junho de 1940.
Este baixo-relevo esteve exposta em 1937, na Sala Militar durante a Exposição Histórica de Ocupação e I Congresso de História de Ocupação Portuguesa no Mundo. (2)


Estátua do Governador Ferreira do Amaral, em Macau (década de 60-século XX)
Slide da colecção “MACAU COLOR SLIDES” (3)

A estátua que representava Ferreira do Amaral, Governador de Macau no momento de luta contra os assassinos (realizada pelo escultor Maximiano Alves em 1935) foi transferida para Lisboa, e colocada, sem o plinto original da autoria de Carlos Rebelo de Andrade , no Bairro da Encarnação, em Dezembro de 1999.

Mesma estátua (sem o plinto) no Jardim da Encarnação, em Lisboa

(1) Maximiano Alves (1888 — 1954) foi um escultor português. Poderá ler mais sobre este escultor em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Maximiano_Alves
(2) Foto publicada em «BGC, XIII- 150 – 1937 »
Número dedicado à Exposição Histórica de Ocupação e I Congresso de História de Ocupação Portuguesa no Mundo
(3) Ver anteriores slides desta colecção em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/artes/
NOTA: Existe uma réplica da estátua do escultor Maximiliano Alves feita pelo escultor Augusto Gil que poderá ver em:
http://augustocid.blogspot.pt/2011_04_01_archive.html

Foi promulgado em 20 de Março de 1588, o primeiro regimento da Ouvidoria de Macau cuja existência datava de 1580, tendo Rui Machado sido o primeiro Ouvidor. (1) (2)
Desde Rui Machado do que foi, em 1580, o primeiro ouvidor, até Amaral, que foi o último (1837), Macau andou sempre em luta com os poderes excessivos que estes ouvidores usavam.
A Ouvidoria era tão odiada e achava-se em tal contradição com o bem-estar da Colónia, que D. João V aboliu-a.
Foi porém, restabelecida mais tarde, em 1784, na pessoa de Lázaro da Silva Ferreira.
A Ouvidoria, aumentada em breve com as jurisdições concedidas pelo alvará de 26 de Março de 1803, veio a ter um poder enorme.
A Fazenda, a Câmara, a Alfândega, a Misericórdia, os Órfãos, as Confrarias, as Capelas, os Presídios , os Defuntos e Ausentes, em geral, tudo quanto era administração, estava nas suas mãos, além do próprio ofício de julgador, letrado único na terra, de quem todos dependiam.
Com tal poder, a vontade do Ouvidor era pouco menos que lei.
Não tendo superior no ramo judicial, pois que na mesma Junta de Justiça e da Coroa eram os ouvidores os primeiros vogais, relatores, intérpretes das leis, e quem as aplicava e julgava de direito e de facto, o que era um Ouvidor, desde 1784, senão um pequeno rei?
Em 1738 principiaram os bens municipais a confundir-se com os da Fazenda Real, aproveitando-se o Ouvidor A. Pereira dos Santos deste facto, para se intrometer na administração do Senado.
Publicou, pois, um artigo de lei, em que dizia que, achando-se os bens do Senado misturados e confundidos com os da Fazenda Real, era por esse facto precisa a assistência do Ouvidor na administração do Senado.
Foi deste modo que os ouvidores entraram na administração do antigo Senado.
Este, mais ou menos maniatado pelas medidas tomadas, em 1784, pelo Governo da Índia, não pôde opor-se a semelhante intrusão.” (3)

Residência do Governador no ano de 1845 e fortim de S. Sebastião (Praia Grande)

(1) O primeiro ouvidor de Macau foi Ruy Machado que tomou posse do seu cargo em 1580.Os outros membros do Senado eram dois juízes  ordinários, três vereadores e um procurador da cidade, a cujo cargo estava a gerência dos dinheiros públicos. GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) “Em 1580, os portugueses habitantes de Macau procederam, por iniciativa própria, à eleição do Ouvidor e impuseram leis de Portugal em Macau. Foi esta a primeira tentativa de os portugueses habitantes de Macau estabelecerem no Território uma estrutura administrativa. Em 1586, o Senado de Macau voltou a pedir a cessação do poder jurisdicional do Capitão sobre Macau, e finalmente, obteve a autorização do Rei de Espanha. Em Fevereiro de 1587, o Rei de Espanha nomeou um Ouvidor para Macau para governar os assuntos de administração e de justiça.”
HG Siu Yu – A Administração de Macau ao Longo da sua História . Administração, n.º 34, vol. IX, 1996-4.º, 1015-1028.
(3) COLOMBAN, Eudore de – Resumo da História de Macau, 1927, pp.89-91.

No dia 1 de Fevereiro de 1849, o Governador João Maria Ferreira do Amaral ordenou a aplicação duma multa de dois taeis (1) a todo o chinês que fosse encontrado a jogar, nas ruas da cidade quer como jogador ambulante quer com banca fixa.
Foi nesse ano (data aproximada) que o mesmo governador concedeu a 1.ª licença para a criação do jogo de Fantan (2) em Macau.
Teoricamente o jogo era proibido em Macau pelas autoridades chinesas (3)
A concessão do jogo foi depois introduzida pelo governo de Isidoro Francisco Guimarães (1951-1863) (4)
(1) Os chineses não tinham moeda corrente (existiam as moedas de cobre para uso diário, as chamadas sapecas, com um buraco quadrado no meio), usavam a prata como moeda. A unidade de prata usada como moeda era o tael de prata ou liang – 兩 ( mandarin  pīnyīn: liǎng; cantonense jyutping: loeng5).
Um tael equivaleria a uma onça de prata – 37, 72 gramas.
A unidade monetária chinesa – tael – foi adoptada posteriormente  como moeda oficial da China de 1889 a 1912.
O tael subdividia-se em 10 mazes (ou fzyns), 100 condorins, 1000 sapecas.
dicionario-das-moedas-tael-idicionario-das-moedas-1793-tael-iidicionario-das-moedas-1793-tael-iiiDo livro “Diccionario universal das moedas, assim metálicas, como fictícias, imaginarias, ou de conta” de 1793.
https://books.google.pt/books?id=C01OAAAAYAAJ&pg=PA205&lpg=PA205&dq=tael+moeda+chinesa&source
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/26/leitura-fan-tan/
(3) “20-11-1829 – O Mandarim da Casa Branca, por apelido Kou chama, por edital a atenção para o facto de jogo ser proibido” – GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(4) Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/isidoro-francisco-guimaraes/

Chegada do Conselheiro Adrião Acácio da Silveira Pinto, (1) no dia 4 de Novembro de 1843, no brigue «Tejo» a Uóng-Pou (Vampu/Whampoa) (2) com os demais membros da missão enviada pelo Governo de Macau, para negociar com o Vice-Rei Kéi-Ieng, (Ki-Yin). Seguiu pelas 7.30 horas, em escaleres, para Cantão, residindo depois de realizada a conferência, na casa de campo do mandarim graduado Pau-Teng-Kua e no Consulado de França, onde realizou repetidas reuniões, durante dez dias. A missão não conseguiu que fosse relevado o foro pago pela colónia nem dispensada a demarcação do limite para fora dos muros do campo de S. º António; igualmente não conseguiu obter: o aumento do número de navios desta praça, então limitado a 25, para irem negociar a Manila e outros portos estrangeiros; a permissão para os navios portugueses frequentarem o porto de Fuchau (3) por este porto não estar ainda franqueado ao comércio estrangeiro; e o reconhecimento dum ministro plenipotenciário.

1843-whampoa-anchorage“Whampoa near Canton, China. Anchorage for European Shipping”
Litografia publicada em 1843 (4)

Os chineses anuíram porém, à igualdade do tratamento na correspondência oficial entre as autoridades portuguesas de Macau e as chinesas do distrito, exigindo, no entanto, que a correspondência a dirigir aos altos-funcionários da capital fosse em forma de tchâm (requerimento) ou pân (representação ou ofício de inferior para o superior); ao idêntico pagamento dos direitos de ancoragem dos navios estrangeiros em Uóng-Pou, (2) com redução de um mês e meio para os 25 navios portugueses de Macau (três mazes por tonelada), (5) mas os que não pertenciam a esse número continuariam a pagar cinco mazes por tonelada; à actualização dos direitos sobre mercadorias importadas pelos chineses de Macau, segundo a nova tarifa, com extinção de todas as gratificações e despesas adicionais; à livre construção de edifícios e barcos e à livre compra de materiais e livre emprego de operários nativos destinados para esse fim, mas do limite dos muros de Sto António; e à permissão para os navios portugueses poderem também comerciar nos portos de Cantão, Amói, (6) Fôk-Tchâu, (3)  Neng-Pó (7) e Xangai. (8) (9)

1843-whampoa-thomas-allom“Whampoa, from Danes Island”
Pintura de Thomas Allom, c. 1843 (10)
Nesta pintura vê-se o porto de Whampoa e a ilha de  Changzhou (ilha de Dane), no rio das Pérolas em Guangzhou (Cantão).

NOTA: Por volta de 1830, os comerciantes europeus pressionavam os seus governos para que conseguissem a liberdade de comércio na China. Em 1839, o vice-rei Lin Tseu-siu confiscou e destruiu, em Cantão, um carregamento de ópio, levando a Inglaterra a bloqueiar Cantão, iniciando, assim, a Primeira Guerra do Ópio, que durou até 1842. A 19 de agosto de 1842, a a assinatura do Tratado de Nanquim, que leva à abertura da China ao comércio britânico de portos vitais, como o de Cantão e Xangai, e a cedência, à Inglaterra, de Hong-Kong, ocupada desde 1841. Em 1843, a China reconheceu a extraterritorialidade de Hong-Kong. A abertura dos portos a outros países também se verificou em relação aos Estados Unidos, em 1844, e à França, a 24 de Outubro de 1844, por meio do Tratado de Whampoa, que estabeleceu também a tolerância do cristianismo e dos missionários.
(1) “27-10-1843 – O ex Governador Adrião Acácio da Silveira Pinto (governo de 22 de Fevereiro de 1837 a 3 de Outubro de 1843) que fora nomeado pelo Governador José Gregório Pegado, em sessão do Senado de 10 de Outubro, para tratar com os comissários chineses, no sentido de se melhorarem as condições da existência política deste estabelecimento, seguiu para Cantão no brigue de guerra «Tejo», do comando do capitão-tenente Domingos Fortunato de Vale. Agregaram-se a esta missão o Procurador da Cidade João Damasceno Coelho dos Santos e o intérprete interino José Martinho Marques” (8)
O Governador Adriano Acácio da Silveira Pinto (1818-1868) que faleceu em Lisboa, no posto de Marechal de Campo, ao 23 de Março de 1868, foi governador-geral da Província de Angola de 1848 a 1851.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/adriao-a-silveira-pinto/

1843-whampoa-island-and-the-canton-river“Whampoa Island and the Canton River”, 1843 (11)

(2) Whampoa, distrito da cidade de Guangzhou, romanização de Huangpu 黄埔 – mandarin pīnyīn: huáng pǔ; cantonense jyutping: wong 4 bou3 – porto/mercado amarelo.
(3) Fucheu (nome em português), ou Foochow  é a actual cidade Fuzhou, 福州, capital da província de Fujian (Fuquiém), na China.
(4) Litografia publicada em 1843 em Londres num livro de Julia Corner “The History of China & India, Pictorial & Descriptive”.
http://www.albion-prints.com/corner-1843-print-whampoa-near-canton-china-anchorage-for-european-shipping-178267-p.asp 
(5) Maze – antiga moeda de peso de Malaca; moeda do século XVI equivalente a 50 réis.

1843-amoy-from-the-anchorage“Amoy, from the anchorage, showing the forts”, 1843 (11)

(6) Amói ou Xiamen,  廈門 na província de Fujian . Xiamen foi um dos primeiros lugares onde os europeus assentaram para o comércio com a China, iniciado pelos portugueses no século XVI.

1843-ning-po“Ning-Po, from the river” (11)

(7) Neng Pó ou Ning Pó ou Liam Pó actual Ningbo (寧波)
(8) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(9) “Depois de conferenciar 10 dias com o delegado chinês, não conseguiu a abolição do foro pago por Macau à China nem a demarcação do limite para fora dos muros do campo de S. António nem permissão para construções além desse muro, nem o aumento do número de navios desta praça, limitado a 25 nem sequer autorização para os nossos navios frequentarem o porto de Fu-Chau, nem o reconhecimento dum ministro plenipotenciário.
Foi Ferreira do Amaral que resolveu o problema por si mesmo sem enviar delegações a Cantão. A 27 de Fevereiro publicou um edital comunicando aos chinas que ia abrir uma estrada das Portas de S. António até às Portas do Cerco; o seu objectivo era delimitar o território português,a firmando que todo esse campo era nosso, visto que as sepulturas chinas ali existentes nos pagavam foro. Para remoção dessas sepulturas, deu um prazo até ao fim de Março. O Mandarim de Heung-Sán oficiou logo ao procurador de Macau, intimando-o a parar a obra; mas Amaral não cedeu; e apesar dos vários protestos dos mandarins, as sepulturas foram removidas e a estrada fez-se.”
(TEIXEIRA, Pe. M. – Toponímia de Macau,  Volume 1, 1997.
(10) “Whampoa, from Danes Island’ , pintura de Thomas Allom, c. 1843, baseado num desenho do tenente White da “Royal Marines
(11) Desenhos do periódico “Saturday Magazine” n.º 677, 21 de Janeiro de 1843, no artigo “The Five Ports of China to British Trade”.
https://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/opium_wars_01/saturday_magazine/index.htm