Archives for category: Usos e Costumes

Na continuação da postagem de 12-02-2018, festejos do ano novo chinês que nesse ano de 1956 foi a 12 de Fevereiro (1), retiro do «Boletim Geral do Ultramar» (2), uma crónica macaense sobre as festas escolares realizadas nas Escolas Primárias Oficiais Luso-Chinesas Sir Robert Ho Tung
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/02/12/noticia-de-12-de-fevereiro-de-1956-dia-de-ano-novo-lunar/
(2) Extraído de «BGU», XXXII – 369,Março de 1956 pp. 166-168 e

Ngâu Fâi 牛肺 (1)
Bofes (pulmões) de boi

“Como os bofes do boi são escuros e de aspecto repelente, a expressão ngâu fâi p´ó 牛肺婆 (mulheres bofes de boi) (2) é empregada para designar as meretrizes ordinárias.”
GOMES, Luís Gonzaga in «Mosaico», IV-21/22 de Maio/Junho 1952
(1) 牛肺– mandarim pīnyīn: niú fèi pó; cantonense jyutping: ngau4 fai3
(2) 牛肺婆– mandarim pīnyīn: niú fèi pó; cantonense jyutping: ngau4 fai3 po4

Nin Kou – 年糕 à maneira cantonense  
https://en.wikipedia.org/wiki/Nian_gao

 NIN-KOU – 年糕 (1)
Pudim do ano (2)
É uma espécie de pudim que os chineses fazem durante a festividade do Ano Novo e que, por ser feito com arroz glutinoso, é de natureza extremamente peganhenta.
Esta expressão emprega-se para se referir aos parasitas que comem, fumam e vivem à custa dos seus semelhantes.“(3)

Tchin tui 煎堆
https://www.google.com/search?q=%E7%85%8E%E5%A0%86&sxsrf=ACYBGNQuje1ZGxc6pNdEB1-

NIN-MÁN TCHIN-TUI –年晚煎堆 (4)
Bolo da véspera do ano
O tchin-tui é uma espécie de bolo feito com arroz glutinoso, revestido de gergelim e frito em azeite de amendoim, contendo recheio diverso. Na véspera do Ano Novo não há casa chinesa onde todos os seus membros não estejam atarefados a fritar esses bolos.
A expressão nin-mán tchin-tui é, porém, empregada para se referir àquilo que é vulgar, isto é, aquilo que toda a gente possui.” (3)
(1) 年糕_- mandarim pīnyīn: nián gāo; cantonense jyutping: nin4 gou1
(2) Também chamado Bolo do Ano Novo Chinês pois embora possa ser feito ao longo do ano, é tradicionalmente consumido neste período porque o termo nián gāo / nin4 gou1 poderá ser pronunciado nián gāo/nin4 gou1 年高, isto é, “ano alto”,  com os sentido de “ano mais próspero
(3) GOMES. Luís G. – Tropos usados na Gíria Chinesa. Mosaico, VOl. IV, n.º 21 e 22 de Maio e Junho de 1952, p. 475.
(4) 年晚煎堆mandarim pīnyīn: nián wǎn jiān duī; cantonense jyutping: nin4 maan5 zin1 deoi1

Aquando da comemoração do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China nomeadamente na primeira emissão filatélica como MACAU-CHINA,  além do lançamento dos  selos e bloco, (1) foram emitidos pelos Correios de Macau, seis bilhetes postais  (15 cm x 10,5 cm; cada: MOP 2.00) correspondentes à temática dos seis selos.
BPL001 – TEMPLO DE A-MÁ com selo de 1.00 pataca e carimbo comemorativo
Dança do dragão em frente do templo da Barra, construído na Dinastia Ming, o dragão gigantesco está dançando

BPL002 – PONTE DE AMIZADE com selo de 1.50 patacas e carimbo comemorativo
Competição de barcos de dragão debaixo da Ponte de Amizade moderna e grandiosa decorre o concurso de barcos de dragão
(1)
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/12/20/noticia-de-20-de-dezembro-de-1999-filatelia-comemora-cao-do-estabelecimento-da-regiao-administrativa-especial-de-macau-da-republica-popular-da-china-ii/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/12/20/noticia-de-20-de-dezembro-de-1999-filatelia-comemora-cao-do-estabeleci-mento-da-regiao-administrativa-especial-de-macau-da-republica-popular-da-china/

LÔU NGÁU –老藕 (1)
Velha raiz de loto (lótus)
O talo grosso e carnoso do loto (lótus) é que é considerado como a raiz desta planta. No dialecto de Macau é conhecido por restrate, (2) deturpação de raiz do trate, visto que à loto se dá o nome de trateira e às suas sementes trate.
Estes talos entram na confecção da comida chinesa e na fabricação de medicamentos, encontrando-se também em forma de farinha branco-encarnada conhecida por ngâu fân.
Dizem os chinas que as raízes do loto são tanto mais saborosas quanto mais velhas ou maduras forem porque se tornam afarinhadas, isto é hâi fân -起粉 (levantar farinha). (3)
O termo lôu ngáu aplica-se porém, para se referir às mulheres de idade madura.”(4)

Restrate – 藕 – rizoma de lótus
https://news.sina.cn/2017-11-04/detail-ifynmvuq8587109.d.html

(1) 老藕mandarim pīnyīn:  lǎo  ǒu; cantonense jyutping: lou5 ngau5
(2) “Restrate – raiz de trate ou rizoma de lótus ou loto. O termo é já muito pouco usado substituído pelo chinês lin ngàu, lingau.
O restrate é usado na culinária sino-macaense e também era antigamente ingrediente de mezinhas, como:
«Mezinha para torçar de barriga: Nós de restrate salmourado, coza-se a canja e bebe-se de vez em quando, quando sente-se torçor ou disenteria» – De um caderno manuscrito de receitas antigas (1883)
Dava-se também o nome de trate, antigamente à semente de lótus, hoje vulgarmente designada pelo chinês lin chí ou lin tsi 蓮. » (5)
BATALHA, Graciete Nogueira – Glossário do Dialecto Macaense, 1977.
(3) 起粉mandarim pīnyīn: qǐ fěn; cantonense jyutping: hei2 fan2.
(4) GOMES. Luís G. – Tropos usados na Gíria Chinesa. Mosaico, Vol. IV, n.º 21 e 22 de Maio e Junho de 1952, p. 470-471.
(5) 蓮子 mandarim pīnyīn: lián zǐ ; cantonense jyutping: lin4 zi2.

Do livro da Professora Dra. Ana Maria Amaro,Jogos, Brinquedos e outras Diversões Populares de Macau” (1), de 1972, a propósito dos teatros de sombras, nomeadamente os “sombras das mãos – Sau Ieng Chi 手影子” (2) –  retiro este pequeno texto (p. 62)
“Hoje, em Macau as figuras mais frequentes, que as próprias crianças fazem com as mãos, projectando-as na parede, com acessórios simples, são as mais popularmente conhecidas e divulgadas, também no hemisfério ocidental.
Desde o vulgar gato, em que o indicador e o dedo mínimo duma das mãos, dobrados, formam as orelhas, o antebraço, o corpo e, o dedo mínimo da outra mão, a cauda, à pomba e à águia em voo, batendo as asas, até às figuras mitológicas, a que se aliam, aos dedos, hastilhas de bambu, e às vezes, pedaços de papel dobrados ou recortados, são conhecidas numerosíssimas figuras.
Mães e criadas organizavam sessões de sombras, às vezes acompanhadas de citações, adivinhas ou onomatopeias, e as crianças tinham de as interpretar, o que causava a maior excitação e entusiasmo, por comparticipar, assim, na brincadeira. Era um curioso processo educativo que, hoje a televisão veio substituir.
Lembram-se, ainda hoje, filhos da terra e antigos residentes, dos espectáculos de auto do pau. Estes espectáculos já não eram realizados na casa do auto, actual Teatro Cheng Peng, onde se representavam as óperas chinesas, mas nas ruas, em tendas armadas em estilo de pagode, onde alguns mestres faziam actuar figuras de pau e bambu, que possuíam, apenas, cabeças e braços móveis, e, por vezes, roupagens ricamente bordadas. Estes autos de pau, eram sobretudo, representados no terreiro defronte do templo de Kuan Tai (關帝) da chamada Associação das Três Ruas, vizinho do Mercado de S. Domingos. Desapareceram nos princípios deste século.
Os teatros de sombras, há muito que não existem em Macau, tendo-se perdido, na maioria dos macaenses, a sua própria recordação. Só alguns dos residentes mais antigos se lembram de teatrinhos deste género, montados em tendas ambulantes, que se exibiam, principalmente em noites calmosas, ao longo da Praia Grande.
Ao que consta, eram habituais os teatros de sombras na meia laranja, que restava dum antigo fortim existente defronte da actual Firma F. Rodrigues & C.º, diante do que foi, dantes, a casa do 1.º conde de Senna Fernandes, na Praia Grande.”
(1) AMARO, Ana Maria – Jogos, Brinquedos e outras Diversões Populares de Macau. Imprensa Nacional, 1972.
No verso da contracapa, refere 1976:
“Este livro acabou de se imprimir aos seis dias do mês de Agosto de Mil Novecentos e Setenta e Seis nas Oficinas Gráficas da Imprensa Nacional de Macau”
(2) 手影子mandarim pīnyīn: shǒu yǐng zǐ; cantonense jyutping: sau2 jeng2 zi2

T´it  Kuái Lei 鐵拐李 (1) é um dos oito génios tauistas e distingue-se dos outros por ter um pé apodrecido e por trazer às costas uma cabaça donde sai um fio de fumo que suporta na sua extremidade uma pérola preciosa. Essa cabaça é conhecida por pát pou u-lou, (2) isto é, a cabaça das oito preciosidades. Porém, além dessa pérola nunca os mortais conseguiram saber quais eram as restantes preciosidades.
Ora um indivíduo que tenha o pé podre mas que não possui a cabaça das oito preciosidades não é senão um T´it Kuái Lei incompleto.(metade de Tít Kuái Lei – 半個鐵拐李). Portanto esta expressão emprega-se par se referir a um indivíduo que não conseguiu aprender o que há de bom nos outros mas apenas as suas mazelas. (3)
(1) 半個鐵拐李mandarim pīnyīn: bàn gè tiě guǎi lǐ; cantonense jyutping: bun3 go3 tit3 gwaai2 lei5

Li Tieguai”, pintura chinesa de Huang Shen, de 1757.

鐵拐李 ou 李鐵拐 Li tiě guǎi – tradução literal Li (apelido) muleta de ferro, é uma figura mitológica chinesa e um dos Oito Imortais (八仙 – bā xiān) do panteão tauista. É descrito como irascível e mal-humorado, mas também benevolente para os pobres, doentes e necessitados, cujo sofrimento ele alivia com remédios especiais da sua cabaça. Ele costuma ser retratado como um velho feio, com rosto sujo, barba desgrenhada e cabelos desarrumados, presos por uma faixa dourada. Anda com a ajuda de uma muleta de ferro e muitas vezes tem uma cabaça pendurada no ombro ou na mão. Muitas vezes descrito como uma figura de palhaço que desce à terra na forma de um mendigo e que usa seu poder para lutar pelos oprimidos e necessitados.
A lenda diz qe Li nasceu na dinastia Yuan (1279 – 1368), e foi originalmente chamado de “Li Xuan”. No entanto, no folclore, ele é descrito como aprendiz de Laozi, portanto ele deveria ter vivido no século VI aC.
Os Oito Imortais tornaram-se imortais por praticarem as artes mágicas tauístas. Segundo a lenda eles viviam numa ilha paradisíaca, Monte Penglai, no leste da China. Entre os Oito Imortais Li Tieguai é o mais popular entre os chineses.
https://en.wikipedia.org/wiki/Li_Tieguai
(2) 八寶葫蘆mandarim pīnyīn: bā bǎo hú lú ; cantonense jyutping: baat bou2 wu4 lou4
(3) GOMES; Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa. Mosaico, Vol V, n.º 27 e 28 de Novembro e Dezembro de 1952, p. 147