Archives for category: Usos e Costumes

TCHÔI MÁU醉貓 (1) – Gato embriagado

É o termo comunmente empregado para designar um ébrio

TCHÔI TCHÜ災豬 (2) – Porco calamitoso

É o nome dum petisco feito com toucinho de porco sendo este termo empregado para se referir aos dorminhocos.

TCH´ÔI SIU吹簫 (3) Soprar a flauta

É o termo que, na gíria, se empregar se referir a um indivíduo que está entretido a mastigar uma vara da cana de açúcar.

(1) 醉貓mandarim pīnyīn: zuì māo; cantonense jyutping: zeoi3 maau1

(2)災豬 mandarim pīnyīn: zāi zhū ; cantonense jyutping: zoi1 zyu1

(3) 吹簫 mandarim pīnyīn: chuī xiāo; cantonense jyutping: ceoi1 siu1 – Flauta de bambu vertical

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, p. 144.

Livro de Joaquim Heliodoro Callado Crespo, (1) “Cousas da China, Costumes e Crenças” (2), integrado nas comemorações do quarto centenário do descobrimento da Índia, 1898.

Exemplar, na capa e contracapa, com manchas próprias do papel, com pequenos rasgões e perda de papel (mais na parte inferior da contracapa). Lombada com grande defeito. Páginas interiores em bom estado geral de conservação. Na capa, canto superior esquerdo, uma etiqueta (muito provável de uma biblioteca) com a seguinte indicação: “n.º 18 / I / 169”

Na página 3, ao lado do logo do “Quarto Centenário do Descobrimento da Índia”, (3) um carimbo “Quinta do Salgueiral A. G. Guimarães”. (4)

Livro muito curioso, um repositório sobre a sociedade chinesa, de usos e costumes da China do ponto de vista do seu autor (juízo extremamente negativo da China e dos chineses). Fundamentando-se “no estudo que temos feito do que lemos e observado e colhido”, o autor abordou muitas temáticas, como se pode observar pelo índice (pp. 281-283) tão variado:

As últimas páginas do livro, (pp. 261-280) são constituídas por um trabalho alheio, intitulado “O animismo entre os chineses”, da autoria do fundador dos estudos de sânscrito em Portugal, Guilherme de Vasconcelos Abreu (1842 – 1907; orientalista, militar, geógrafo, literato e escritor português). Na parte dedicada à “Linguagem chinesa, caracteres e imprensa” (pp. 40 -48), Callado Crespo refere o sinólogo Pedro Nolasco da Silva:

«A língua escrita, diz um synólogo nosso, o Sr. P. Nolasco da Silva, nas suas lições progressivas para o estudo da língua sínica, é lacónica e diffícil de entender; as letras são perfeitos camaleões que mudam de accepção, conforme são as outras letras com que vem ligadas, o seu valor grammatical é regulado quasi unicamente pela sua posição na oração, às vezes uma oração contém só as ideias principaes, e a imaginação do leitor tem de supprir as idéas acessorias

(1) Joaquim Heliodoro Callado Crespo (1860? 1961? – 1921) Tenente de infantaria, (oficial da marinha, segundo outras fontes), Cônsul Geral de 1ª classe em Cantão, Cavaleiro de S. Thiago, Commendador da Estrella Brilhante de Zanzibar e S. S. G. L. Além do presente livro, tem outro publicado “A China em 1900”, Lisboa: Manuel Gomes ed”  e um artigo “A Questão do Extremo-Oriente – o papel de Portugal no «desconcerto» europeu, publicado no “Ta Ssi Yang Kuo”, Vols I, pp. 587-603 e Vol II, pp. 639-654. .

(2) CRESPO, Joaquim Heliodoro Callado – Cousas da China, Costumes e Crenças.Contribuições da Sociedade de Geographia de Lisboa. Quarto Centenário do Descobrimento da Índia. Acabou de imprimir-se aos 31 dias do mez de Maio do anno M DCCC XCVIII nos prelos da Imprensa Nacional de Lisboa. 1898, 283 p., 25 cm x 17 cm. Disponível para leitura em: http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k375439b/f13.image

(3) Em 1898, há 120 anos, neste dia, um grande evento cultural tinha destaque na edição do DN: “a grande corrida de toiros” no Campo Pequeno. “Na corrida de comemoração do IV Centenário do Descobrimento da Índia, no reinado de D. Carlos I e com a presença do monarca e da corte num Campo Pequeno …” https://paixaoporlisboa.blogs.sapo.pt/comemoracao-do-iv-centenario-da-109759 .

Em Macau, foi publicado “JORNAL ÚNICO: Celebração do Quarto Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia por Vasco da Gama. Macau: N.T. Fernandes e Filhos e Noronha & Ca, 1898.” https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jornal-unico/

(4) A quinta/casa do Salgueiral fica na Rua do Salgueiral, n.º 29, uma das antigas casas senhoriais existentes em Guimarães. Segundo informações, hoje é um lar.

GOMES, José Maria Gomes – Apontamentos para a História do Concelho de Guimarães. Manuscritos do Abade de Tagilde. Notas e Comentários, In “Revista de Guimarães (Publicação da Sociedade Martins Sarmento”, 1983, n.º 93 p. 44. https://www.csarmento.uminho.pt/site/files/original/4155e04aa4d176a37b078df255b8176cab4fbf18.pdf

MORAES, Maria Adelaide Pereira de – Velhas Casas de Guimarães, Volume I. Centro de Estudos de Genealogia, Heráldica e História da Família da Univ. Moderna do Porto, 2001

TCHÉONG AP醬 鴨  (1) – Pato feito com uma pasta de feijão

Este termo é empregado para se referir ao indivíduo que apanhou um trambolhão e ficou todo enlameado

TCH´EONG  SÁM長 杉 (2) Cabaia comprida

A cabaia comprida é o traje de cerimónia dos chineses que vestem por cima dela um colete chamado má-kuá, 馬褂 (3) quando pretendem apresentar-se a rigor.

(1)    mandarim pīnyīn: jiàng yā; cantonense jyutping: zoeng3aap3

(2) mandarim pīnyīn: cháng shān, ; cantonense jyutping: coeng4 caam3

(3) mandarim pīnyīn: mǎ guà ; cantonense jyutping: maa5gwaa3

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, p. 141.

A Direcção dos Serviços de Correios, (1) pôs em circulação, a partir do dia 1 de Março de 2004, cumulativamente com as que estavam em vigor, uma emissão extraordinária de selos designada «I Ching, Pa Kua IV» (2) constituída por 8 selos (formato hexagonal) , todos com a taxa de 2 patacas e um bloco filatélico com a legenda “Vigor e Vitalidade) com selo de 8,00 patacas. (2)           

Folha Miniatura série de 8 selos com o n.º 212834
Bloco Filatélico, contendo 1 selo de 8 patacas, com o n.º 031017.

Dados Técnicos

(1) Despacho do Chefe de Executivo n.º 300/2003 de 23 de Dezembro de 2003, publicado no n.º 52 de 29-12-2003, Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, Iª série-suplemento.

Despacho do Chefe do Executivo n.º 300/2003

(2) Álbum Selos de Macau: Carteira Anual 2004, p. 2.

NOTA: Os Correios de Macau lançaram, entre 2001 e 2010, sete emissões da série temática “I Ching, Pa Kua”. A oitava e última emissão desta colecção, é composta por oito selos representando os hexagramas Pi, Cui, Jin, Yu, Guan, Bi, Bo e Kun, e foi lançada em 1 de Março de 2012. Os Correios de Macau ainda lançaram no dia 9 de Outubro de 2014, uma elegante filatélica que reúniu numa colecção os produtos filatélicos da série “I Ching, Pa Kua”, da autoria do designer Chan Chi Wai.

Tcheng Tch´ói – 正菜 (1) – Brassica campestris, hortaliça genuína

É uma espécie de hortaliça salmourada e seca que entra frequentemente na preparação de caldos e na confeção de picados e recheios de bolos salgados. A palavra tcheng 正significa direito ou recto, portanto, este termo é aplicado a um indivíduo sério, isto é, que não é brejeiro. (2)

Mais conhecida como repolho chinês (brassica rapa, subespécie: pekinensis) muito utilizado na cozinha chinesa. (3)

Tcheng  Uân T´ân – 淨雲吞- (4) – Raviois simples

Os uân-t`ân 雲吞são picados de camarões envolvidos em delgada folha de massa, sendo geralmente servidos com o min 麵 (Macarrão), para se fazerem conhecidas e afamadas sopas de fitas. Dizem que o segredo da confecção dos uân-t´ân e do min foram revelados aos europeus, por Marco Polo, quando regressou da sua afamada viagem à China, transformando-se os min nos célebres macarrone e os uân-t´ân nos saborosos ravioli.(2)

淨雲吞 (5)

(1) – mandarim pīnyīn: zhēng  cài; cantonense jyutping: zeng3 coi3

(2)Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, p. 141.

(3) https://en.wikipedia.org/wiki/Chinese_cabbage

(4) 淨雲吞 mandarim pīnyīn: jìng yún tūn;  cantonense jyutping: zeng6 wan4 tan1

(5) Retirado de:  https://learning.hku.hk/ccch9051/group-21/items/show/25

Tcheng Leng U蒸鯪鱼 (1) – Sável cozido a banho-maria

O sável é um dos peixes mais apreciados que se encontram nas águas dos rios chineses. Embora a sua carne seja saborosíssima, quando se come este peixe, é preciso ter o máximo cuidado coma extrema abundância das suas espinhas. Por este motivo, tal termo é empregado, para dizer que as criadas de servir, que se tornaram amantes dos seus patrões, dão-lhes tantos trabalhos como as espinhas do peixe sável, sendo, portanto, necessário o máximo cuidado para evitar as complicações que elas lhes poderão causar. (2)

Tcheng Pèang蒸餅 (3) – Bolinho Cozido

É uma espécie de bolinho que servem nas casas de chá, sendo feito com arroz glutinoso. Este termo é empregado para se referir aos parasitas, pois o arroz glutinoso é extremamente aderente. (2)

(1) 蒸鯪mandarim pīnyīn: zhēng líng yú : cantonense jyutping: zing1 leng4 jyu4

(2) GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico»,V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, p. 141

(3) 蒸餅 mandarim pīnyīn: zhēng bǐng: cantonense jyutping: zing1 bing2

Extraído de «O Oriente»,  I-5 de 15 de Fevereiro de 1872, p. 3

NOTA: O ano novo chinês de 1872, iniciado a 9 de Fevereiro e com termino a 29 de Janeiro de 1873, foi o ano do Macaco/Água.

TCH´ÁU FU TCH´I   炒扶翅 (1) – Rins ou moelas viradas ao lume

É termo empregado pelos ratoneiros para se referirem aos relógios e cadeias de ouro roubados. A palavra tch´áu é aqui empregada em substituição da que significa “roubo” e fu- tch´i, para substituir as palavras “relógio” e “cadeia de ouro”

TCH´ÁU NGÂU TCHÁP炒牛雜 (2) – Carne de vaca misturada e voltada ao tacho.

É um prato feito com pedacinhos de carne de vaca misturados com variados condutos. Por ser um prato reles feito com misturas, este termo é empregado para se referir às prostitutas ordinárias.

TCH´ÁU PÁK KÁP NGÂN炒白鴿眼 (3) – Olhos de pombos virados ao tacho

Termo que se emprega para significar que se olha com desprezo, para as pessoas humildes.

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico»,V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, pp. 140.

(1) 炒扶mandarim pīnyīn: chǎo fú chì; cantonense jyutping: caau2 fu4 ci3

(2) 炒牛雜mandarim pīnyīn: chǎo niú zá  ; cantonense jyutping: caau2 ngau4 zaap6

(3) 炒白鴿眼mandarim pīnyīn: chǎo bái gē yǎn; cantonense jyutping: caau2 baak6 gaap3 ngaan5

TCH´ÁU HÁ炒 蝦 (2) – Camarão grelhado

É termo insultuosamente pornográfico mas de uso comum entre os chineses. (1)

TCH´ÁU KUÂI TÁN炒龜蛋 (3) Ovos de tartaruga virados ao tacho

Termo que se emprega paras e referir a pessoas velhacas e que recorre a expedientes ilícitos e imorais para conseguirem os seus fins. (1)

TCH´ÁU LÓNG SÂM炒狼心  (4) – Virar ao lume o coração dum lobo

Este termo significa a prática de qualquer acção feita com requintes de crueldade, ou um indivíduo de maus instintos. (1)

(1) Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico»,V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, pp. 139

(2) mandarim pīnyīn: chǎo xiā; cantonense jyutping: caau2 haa1

(3) mandarim pīnyīn: chǎo  guī dàn; cantonense jyutping: caau2 gwai1 daan6

(4) mandarim pīnyīn: chǎo láng xīn; cantonense jyutping: caau2 long4 sam1

João Pires Cutileiro, escultor (também ceramista) mais conhecido pelas suas esculturas em mármore, nascido em Lisboa em 1937, faleceu nessa mesma cidade no dia 5 de Janeiro deste ano.

Viveu e trabalhou em Évora desde 1985, tendo duas das suas obras expostas ao público em Macau: uma no jardim do Centro Cultural de Macau, inaugurado a 19 de Março de 1999, de um grupo escultórico esculpido em mármore cinzento de Estremoz com um barco de pedra e cavaleiros preparados para a guerra, inspirados nos guerreiros de terracota de Xian e a outra, mais escondida do público, “corpo feminino-mulher deitada” de 28 de Novembro de 1989, colocada no átrio principal de entrada aquando da inauguração do 1-ª edifício do conjunto dos três edifícios que constituía o Centro Hospitalar Conde de S. Januário.

Átrio principal da entrada do Centro Hospitalar Conde de S. Januário (C.H.C.S.J.) edifício do Bloco Clínica Obstétrica e Pediatra (para a esquerda da foto) e da Clínica Médico – Cirúrgica (para a direita da foto). Ao fundo, no centro, a escultura de João Cuteleiro.

Apresento três postais de uma colecção de seis (15 cm x 10 cm) que os Serviços de Saúde de Macau editou a propósito dos 120 anos da inauguração do «Hospital Militar de Sam Januário”, inaugurado a 6 de Janeiro de 1874.

Perspectiva do átrio principal do C.H.C.S.J.
Escultura de João Cutileiro – 1989; Átrio principal do C.H.C.S.J
Escultura de João Cutileiro (pormenor) – 1989; Átrio principal do C.H.C.S.J.

Recorda-se que a escultura não foi bem vista pela comunidade chinesa, apesar da ideia da mulher nua ter sido baseada na tradição dos tempos dos imperadores em que as mulheres dos mandarins não podiam ser observadas pelos curandeiros/médicos. Assim quando estavam doentes, as aias ou criadas levavam uma boneca /pequena escultura e apresentavam-na aos médicos, apontando o local da dor/maleita. Se precisassem ser observadas o médico somente podiam palpar o pulso para fazer o diagnóstico.

A escultura controversa foi, por isso, posteriormente transferida para o átrio do terceiro edifício deste Centro Hospitalar – a entrada para a Escola Técnica dos Serviços de Saúde e do seu anfiteatro (junto à placa da inauguração dessa Escola no dia 3 de Dezembro de 1992), onde suponho que lá esteja ainda hoje.