Archives for category: Usos e Costumes

TCH´OU KU LÂM䓍菰冧  (1)  –   Cogumelo

É um termo vulgar que se emprega para designar o órgão genital das criancinhas do sexo masculino

TCH´OU P´ENG醋瓶 (2) – Frasco de vinagre

É termo que se emprega para se referir a um indivíduo invejoso e ciumento, pois o seu corpo é comparado a um frasco de vinagre, supondo-se que nele circula este líquido ácido em vez de sangue.

TCH´OU TCHÜ 槽猪 (3) – Porco alimentado a farelo

Este termo é usado para se referir a um dorminhoco.

(1)    –  mandarim pīnyīn: hǎn gū lin ; cantonense jyutping:  ?   gu1 lam1

(2) 醋瓶 mandarim pīnyīn: cù píng; cantonense jyutping cou3 peng4

(3) 槽猪mandarim pīnyīn: cáo zhū; – cantonense jyutping: cou4 zyu1

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro/Dezembro de 1952, p. 145

Hoje celebra-se o Festival de Outono, uma velha festa tradicional chinesa comemorado no 15.º dia de oitavo mês do ano, mais conhecida em Macau, entre os macaenses como a Festa do Bolo Lunar/ Bate Pau 月餅 ou das Lanternas. (1) A origem do bolo lunar terá sido na dinastia Tang, mas tornou-se mais popularizado na dinastia Ming (2)

Recupero uma notícia publicada no Boletim de 1868 (3) sobre esta festa:

Extraído de «BPMT», XIV-40 de 5 de Outubro de 1868, p. 186

(1) Também conhecida como “Festa do Meio do Outono”, por corresponder a uma época de colheitas, ou como “Noite de Apreciação da Lua”, visto a noite que antecede o Chong Chao (Festival do Bolo Lunar) chamar-se “Noite de Recepção da Lua”, e a noite seguinte chamar-se “Noite de Perseguição da Lua”. Daí a reunião familiar para apreciarem juntos a Lua, saboreando o “Bolo Lunar” e outras iguarias: arroz glutinoso, taro (inhame), toranja ou castanha de água.

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bolo-lunar-bolo-de-bate-pau-%E6%9C%88%E9%A5%BC/

(3) «BPMT», XIV-40 de 5 de Outubro de 1868, p. 186.

TÁN FÁ T´ÓNG – 蛋花湯 (1) – Calda de ovos

Pelo facto deste caldo não conter pedaços de carne, o termo tán fá t´ông é empregado para se referir a um indivíduo balofo que não tem cultura nem conhecimentos

TÁN TÁT – 蛋撻 (2) – Pasteis de nata

Os janotas que se vestem à europeia e no rigor da moda mas exageradamente são comparados aos pastéis de nata.

TÁN LIU T´ÔNG POU – 單料銅㷛 (3) – Caçarola de cobre de uma só chapa

As caçarolas feitas com uma chapa de cobre delgada embora fervam rapidamente a água são no entanto mais frágeis que as de chapa reforçada, isto é, as séong liu t´ông pou 雙料銅㷛. (4) Este termo é empregado para se referir ao indivíduo que facilmente se torna íntimo dos outros mas cuja amizade não é resistente, estalando logo que surja a mais pequena contrariedade.

(1) 蛋花湯 mandarim pīnyīn: dàn huā tāng  ;  cantonense jyutping: daan2 faa1 tong1 (2) 蛋撻 – mandarim pīnyīn: dàn tà;  cantonense jyutping: daan2 taat3 (3) 單料銅㷛mandarim pīnyīn: dān liào tóng bou ;  cantonense jyutping: daan1 liu2 tung4 bou1 (4) 雙料銅㷛 – mandarim pīnyīn: shuāng liào tóng bou ;  cantonense jyutping: soeng1liu2 tung4 bou1

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro/Dezembro de 1952, p. 136

Continuação da leitura de “Cousas da China, Costumes e Crenças”, (1), de Joaquim Heliodoro Calado Crespo, já postado anteriormente (2),

O autor para desmistificar a palavra “chinesice”, na “Introducçâo” (p. 7) do livro, afirma:

“A palavra «chinezise» admitida geralmente para designar um objecto extravagante ou uma idéa contraria ao bom senso, tem apparentemente uma certa rasão de ser, se considerarmos que o «cunho chinez» é uma consequência fatal de uma língua e de uma litteratura especiaes, de uma raça diferente, e de uma civilização que dura immutavel há muitos seculos, mantida por um povo que systematicamente se tem mantido fóra do convívio das outras nações.

Da copiosa informação sobre a sociedade chinesa, sobre os costumes e crenças, retiro alguns pequenos tópicos: CANTÃO; «HONGS» COMPRADORES (pp.15-16)

«PITCHIN ENGLISH» (p.16)

CAFÉS E TABERNAS (p. 23)

PAGODES (pp. 27-28)

(1) CRESPO, Joaquim Heliodoro Callado – Cousas da China, Costumes e Crenças. Contribuições da Sociedade de Geographia de Lisboa. Quarto Centenário do Descobrimento da Índia. Acabou de imprimir-se aos 31 dias do mez de Maio do anno M DCCC XCVIII nos prelos da Imprensa Nacional de Lisboa. 1898, 283 p., 25 cm x 17 cm.

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2021/03/19/leitura-cousas-da-china-costumes-e-crencas-i/

Trata-se de um esboço/estudo (desenho a lápis) de uma mulher chinesa com o filho bebé às costas, efectuado em Macau, no dia 3 de Julho de 1838 por Auguste Borget.

Em segundo plano, à esquerda, um  esboço de junco chinês.

Anteriores referências a este pintor em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/auguste-borget/

LOU KÔI T´ÓNG UN老舉湯丸 (1) – Massa em calda de prostitutas

São umas bolazinhas feitas com farinha de arroz glutinoso servidas em caldo doce, muito brancas, luzidias e escorregadias e de muito agrado das prostitutas. Por isso este termo é empregado para se referir a guapos moços, muito branquinhos e bonitinhos que servem de chulos às mulheres de má vida. (2 )

LOU FU HÁI老 虎 蟹 (3) – Caranguejo-tigre

Esta espécie de crustáceo não se encontra na fauna local.

Diz a lenda chinesa que é na Samatra que existe tal animal cujot amanho é igual ao duma larga cesta com a carapaça malhada, tendo boca e nariz, portanto, muito semelhante à cabeça de um tigre não sendo, porém um animal carnívoro. A carne deste animal é extremamente desagradável ao paladar, sendo  de cor verde, quando crua, e amarela, depois de cozida.

Quanto ao termo lou-fu-hái, na acepção com que é empregado na gíria teve a sua origem em Cantão, no tempo da dinastia Tch´eng, 淸 (4) quando as autoridades podiam exercer livre e impunemente o seu despotismo, extorquindo o que bem quisessem dos indefesos cidadãos, sendo, portanto, empregado para designar um indivíduo autoritário, déspota e de génio irrascível. (2)

(1) 老舉湯丸mandarim pīnyīn: lǎo jǔ tāng wán ;  cantonense jyutping: lou5 geoi2 tong1jyun2

(2) Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-21/22 de Maio e Junho de 1952, p. 170

(3) 老虎蟹mandarim pīnyīn: lǎo hǔ xiè;  cantonense jyutping: lou5 fu2 haai5

(4) mandarim pīnyīn: qīng; cantonense jyutping: cing1

Dinastia Qing (oficialmente 大清 – Grande Qing) (1636-1912) – última dinastia imperial chinesa depois da dinastia Ming e antes da Republica Chinesa.

NGÂU NÁI LÈONG KOU牛奶涼糕 (1) – Gelatina de elite

Expressão usada para se referir a uma rapariga branca e gorducha (2)

NGÂU TCH´Ó HÓ牛炒河 (3) – Vaca virada ao lume com massa de farinha

A hó-fan (4) é uma massa feita com farinha de arroz cortada às tiras. A expressão ngâu-tch´âu-hó traduzida literalmente significa “o boi virado ao lume com massa de farinha”. Portanto, nos restaurantes não convém pedir aos criados ngâu-tch`âu-hó, mas sim tch´ói-tch`âu-hó   菜炒河 (5) a fim de os mesmos não julgarem que os estão insultando, chamando-lhes bois. (2)

(1) 奶涼糕mandarim pīnyīn: niú nǎi liáng gāo ; cantonense jyutping: ngau4 naai1 loeng4 gou1

(2)Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, pp. 474-475

(3) 牛炒河mandarim pīnyīn: niú chǎo hé; cantonense jyutping: ngau4 caau2 ho4 

(4) 河粉mandarim pīnyīn: hé fěn; cantonense jyutping: ho4 fan2.

Também conhecida por sha he fan 沙河粉

(5) 菜炒河mandarim pīnyīn: cài chǎo hé;  cantonense jyutping: coi3 caau2 ho4

Macau e o milagre das sete colinas», conferência dada por Manuel Pimentel Bastos (1), no dia 30 de Abril de 1952, no Instituto Superior do Ultramar, sob a presidência do seu Director, o Professor António Mendes Correia, e posteriormente publicada na revista «Mosaico» (2)

Um dos trechos desta conferência (p. 449) :

“Qualquer observador que se proponha estudar os chineses, mesmo que procure andar com os olhos abertos o mais possível e os sentidos todos no máximo de acuidade pode, facilmente cair nos erros mais grosseiros, quando julgue estar na pista de uma brilhante descoberta. Assim, um dia em que eu entrei numa associação chinesa de Macau, onde se realizava um comício público, vi um chinês, arengando do alto do tablado um discurso, certamente empolgante, mas de que nada percebi. Notei, porém que, ao contrário do que geralmente se observava, ele gesticulava exuberantemente enquanto dava largas à sua verbosidade. Tendo feito notar o facto a um amigo chinês que me acompanhava, insinuei que, afinal, não eram só os ocidentais que tinham o hábito de falar com as mãos, como se dizia. Obtive, porém, a explicação do fenómeno, não sem ter visto deslisar pelos lábios do meu companheiro um sorriso malicioso.

É que o orador era do Norte da China (talvez Pequim) e o seu dialecto era (suponho que o “mandarim”) totalmente diferente do dialecto do chinês de Macau, que é o “cantonense”. Assim, ele, que falava com dificuldade o dialecto local, quando não sabia dizer uma palavra em cantonense, não se detinha, e “escrevia-a” no ar, desenhando o símbolo gráfico que a representava, posta que a grafia é igual para todos os dialectos da China. Era que se pode dizer, um discurso mais para ser visto do que para ser ouvido. …”

(2) «Mosaico», IV-21 e 22 de Maio e Junho de 1952, pp.443-462

LÓK SÔI TCHU LÔNG落水猪籠GAIOLA DE PORCOS POR ONDE ENTRA A ÁGUA DA CHUVA

“Na China antiga, os porcos eram enviados dum sítio para outro em gaiolas tecidas com fibras de bambu e do tamanho aproximadamente exacto dos porcos que ficam dentro delas e quase sem podem fazer nenhum movimento. Quando chove os porcos ficam completamente encharcados porque a chuva enta por todas as malhas que são bastantes grandes.

Ora este termo emprega-se par se referir aos felizardos que exercem vários empregos e que por terem várias entradas recebem dinheiro por todos os lados.”(1)

Macao, Pig Market”, postal da série “MACAU POST CARD” (2)

落水猪籠mandarim pīnyīn: luò shuǐ zhū lóng; cantonense jyutping: lok6 seoi2 zyu1 lung4

(1) GOMES, Luís Gonzaga in «Mosaico», IV- 21/22,MAI/JUN p. 470, 1952.

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/19/postal-antigo-macau-do-seculo-xix-iii-mercado-do-porco/

 TCHI-MÁ-U – 芝蔴糊 (1) – Papa de gergelim


Os chineses (e também os macaenses) são grandes apreciadores desta papa adocicada de côr negra. O termo é empregado para se referir a uma rapariga morena mas bonita

TCHI-KU-LÁT-PU-TIN 朱古力布甸  (3) – Pudim de chocolate

Os chineses já se encontram hoje habituados à culinária e aos doces europeus, que lhes são servidos em todos os restaurantes. O termo em questão é empregado para se referir às raparigas morenas que untam a cara com muito pó.

https://fr.fanpop.com/clubs/chocolate/images/40825707/title/chocolate-pudding-wallpaper

TCH´I PÈANG杮餅 (4) – Dióspiro (5) passado

É usado para a confecção de vários petiscos chineses sendo costume cozinhá-lo com o arroz que se dá às crianças que principiam a comer, na convicção de que o dióspiro passado possui propriedades tónicas de efeitos seguros. O dióspiro seco é achatado como uma bolacha daí ao juntar-se à palavra tch´i (dióspiro) o termo pèang (bolo ou bolacha). Portanto quando se refere a qualquer objecto mole ou pastoso que tivesse ficado achatado, costuma dizer-se que se parece com um i-keng-kuó- tch´i-pèang 二亰菓杮餅 (6)

https://piggy911.pixnet.net/blog/post/36445352

(1) 芝蔴糊mandarim pīnyīn: zhī má hú ; cantonense jyutping: zi1 maa4 wu4

(2) Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, p. 141.

 (3) 朱古力布甸mandarim pīnyīn: zhū gǔ lì bù diàn; cantonense jyutping: zyu1 gu2 lik6 bou3 din1

(4) 杮餅 mandarim pīnyīn: fèi bǐng ; cantonense jyutping: ci3 beng2

(5) O dióspiro, na língu maquista é conhecido pela designação de «figo cáqui»

(6) 二亰菓杮餅 mandarim pīnyīn: èr jīng guǒ fèi bǐng;  cantonense jyutping: ji6 ging1 gwo2 ci3 beng2