Archives for category: Usos e Costumes

T´ÓNG PÁK LÂT糖不甩 (1) – Doce que não descola

É o nome dum rebuçado feto com melaço e amendoim torrado e revestido de gergelim. As pessoas que se tornam imediatamente íntimas dos indivíduos que lhes são pela primeira vez apresentados, dando-se ares de grande familiaridade, são comparadas a estes rebuçados que têm por característica principal o serem muito pegajosos.

T´ÓNG TCH´I TÂU糖黏豆 (2) – Feijão com açúcar pegajoso

Emprega-separa se referir a dois amigos muito íntimos.

T´ÓNG TCH´Í TÂU  糖黐豆 (3) – Tortas pegajosas de feijão e melaço

É o termo empregado para se referir aqueles que se tornam muito íntimos das pessoas que mal acabam de conhecer.

(1) –糖不甩mandarim pīnyīn: táng bù shuǎi;  cantonense jyutping: tong2 bat1 lat1

(2) – 糖黏豆 – mandarim pīnyīn:  táng  nián   dòu; cantonense jyutping: tong2 nim2 dau2

(3) – 糖黐豆mandarim pīnyīn: táng chī  dòucantonense jyutping: tong2 ci1 dau2

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, pp. 147-148.

Continuação da leitura de alguns trechos “Cousas da China, Costumes e Crenças”, de Joaquim Heliodoro Calado Crespo, cônsul de Cantão, “homem hábil e culto que deixou algumas obras interessantes sobre a China do seu tempo”. (1) (2)

A PRIMEIRA EXPEDIÇÃO PORTUGUEZA À CHINA (p. 37)

A LÍNGUA CHINEZA (pp. 41 -43)

(1) CRESPO, Joaquim Heliodoro Callado – Cousas da China, Costumes e Crenças. Contribuições da Sociedade de Geographia de Lisboa. Quarto Centenário do Descobrimento da Índia. Acabou de imprimir-se aos 31 dias do mez de Maio do anno M DCCC XCVIII nos prelos da Imprensa Nacional de Lisboa. 1898, 283 p., 25 cm x 17 cm.(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2021/03/19/leitura-cousas-da-china-costumes-e-crencas-i/https://nenotavaiconta.wordpress.com/2021/07/13/leitura-cousas-da-china-costumes-e-crencas-ii/

TIN TÂNG TÁM電燈胆 (1) – Lâmpada eléctrica

Na gíria cantonense diz-se que um indivíduo é t´ông-hei (que deixa passar o ar), quando o mesmo for condescendente e oportunamente discreto. Porém, como o interior duma lâmpada eléctrica é um vácuo não tendo, por isso, ar, o nome de tin-tâng-tám costuma ser aplicado ao indivíduo indiscreto ou ao importuno que estorva um par de apaixonados que se encontra entretido no seu idílio amoroso. Pode também ser usado para significar um indivíduo indolente e sem vitalidade ou energia, que brilha no entanto, neste mundo, não obstante a sua insignificância e mediocridade, devido à protecção que lhe dispensam os seus padrinhos.

TÔNG-SÂN TCH´ÁU NGÂU-IÔK冬笱炒牛肉 (2) – Carne de vaca com rebentos de bambu

É um prato de carne de vaca, preparada com rebentos de bambu. Este termo é empregado para se referir à conquista de criadas de servir ainda não casadas.

TCHU HUT T´ONG豬血湯 (3) – Caldo de sangue de porco

Este termo figura na frase sek chu- ó hut -hâk-si 食豬血疴黑屎 (quem come sangue de porco  dejecta excremento negro) (3) que é empregada para dizer que uma obra foi imediatamente realizada , quando ainda mal planeada.

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro/Dezembro de 1952, p. 145

(1)電燈胆mandarim pīnyīn: diàn deng dǎn; cantonense jyutping: din6 dang1 daam2

(2) 冬笱炒牛肉mandarim pīnyīn: dōng gǒu chǎo niú ròu; cantonense jyutping: dung1 gau2 caau2 ngau4 juk6

(3) 豬血湯mandarim pīnyīn: zhū xiě tāng; cantonense jyutping: zyu1 hyut3 tong 1

(4) 食豬血疴黑屎mandarim pīnyīn: shí zhū xiě  kē hēi, xī; cantonense jyutping: sik6 zyu1 hyut3 o1 haak1 si2

TCHÔNG UÀN KÂI春瘟鷄 (1) – Galinha empestada

As galinhas que se encontram neste estado andam sem tino, tropeçando e indo de encontro aos objectos como se não pudessem ver. Este termo aplica-se, geralmente, às pessoas que fazem as coisas com hesitação ou que tentam vários expedientes para poderem conseguir o seu fim

TCH`UN AP全鴨 (2) – Pato inteiro

É um prato que se serve nos grandes banquetes chineses, em que este palmípede é apresentado inteirinho, sendo recheado com cevada, ginçó e sementes de loto. Este termo é empregado para dizer que não há negócio.

TENG TCHI HÁI頂趾鞋 (3) – Calçado que aperta os dedos do pé

Os chineses comparam a desgraça de terem de aturar um mau filho ou uma má mulher a um calçado que magoa os pés, pois, assim como um indivíduo se vai acostumando a um calçado apertado também vai habituando a aturar um mau filho ou uma má mulher

(1) 春瘟鷄mandarim pīnyīn: chūn wēn jī ; cantonense jyutping: ceon1 wan1  gai1

(2) 全鴨mandarim pīnyīn: quán yā; cantonense jyutping: cyun4 aap3,

(3) 頂趾鞋mandarim pīnyīn: dǐng  zhǐ  xié; cantonense jyutping: deng2  zi2   haai4

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, pp. 144-145.

TCHÜ IÀU PÁU猪 油 飽 (1) – Bolos de banha de porco

São os bolos feitos com uma massa de farinha branca recheados com carne e passados com banha de porco, sendo por este motivo muito lustrosos Esses bolos são servidos nos tch´á lâu 茶樓   (2) (casas de chá) constituindo uma verdadeira tentação para os glutões nativos. É por este motivo que tal termo é empregado para se referir às exageradas saliências do peito das raparigas que, no verão, andam pelas ruas , envergando apenas uma fina e lustrosa cabaia preta.

TCHÜ NÁ MEI猪 乸 尾 (3) – Rabo de porco

Existe na cozinha chinesa um petisco feito com rabo de porco e amendoim. Este termo é, porém, empregado para se referir a um indivíduo que anda sempre apegado à mulher.

TCHÜ T´AU KUÂT猪 頭 頭 (4) – Ossos da cabeça de porco

Roer os ossos duma cabeça de porco é frase que os chineses empregam para dizer que um indivíduo, não obstante o pequeno salário que recebe, é obrigado a trabalhar que nem um escravo.

TCHÜ TCHÔI猪 咀 (5) – Focinho de porco

Este termo é empregado para se referir, depreciativamente, aos lábios mal conformados e afilados de um indivíduo.

(1) 猪油飽 mandarim pīnyīn: zhū yóu bǎo; cantonense jyutping: zyu1 jau4 baau2

(2) mandarim pīnyīn: chá lóu; cantonense jyutping: caa4 lau4

(3) 猪乸尾 mandarim pīnyīn: zhū nǎ wěi; cantonense jyutping: zyu1 naa2 mei5

(4) 猪頭頭 mandarim pīnyīn: zhū tóu gǔ,; cantonense jyutping: zyu1 tau4 gwat1

(5) 猪咀 – mandarim pīnyīn: zhū jǔ; cantonense jyutping: zyu1 zeoi2

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro/Dezembro de 1952, p. 145

TCH´OU KU LÂM䓍菰冧  (1)  –   Cogumelo

É um termo vulgar que se emprega para designar o órgão genital das criancinhas do sexo masculino

TCH´OU P´ENG醋瓶 (2) – Frasco de vinagre

É termo que se emprega para se referir a um indivíduo invejoso e ciumento, pois o seu corpo é comparado a um frasco de vinagre, supondo-se que nele circula este líquido ácido em vez de sangue.

TCH´OU TCHÜ 槽猪 (3) – Porco alimentado a farelo

Este termo é usado para se referir a um dorminhoco.

(1)    –  mandarim pīnyīn: hǎn gū lin ; cantonense jyutping:  ?   gu1 lam1

(2) 醋瓶 mandarim pīnyīn: cù píng; cantonense jyutping cou3 peng4

(3) 槽猪mandarim pīnyīn: cáo zhū; – cantonense jyutping: cou4 zyu1

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro/Dezembro de 1952, p. 145

Hoje celebra-se o Festival de Outono, uma velha festa tradicional chinesa comemorado no 15.º dia de oitavo mês do ano, mais conhecida em Macau, entre os macaenses como a Festa do Bolo Lunar/ Bate Pau 月餅 ou das Lanternas. (1) A origem do bolo lunar terá sido na dinastia Tang, mas tornou-se mais popularizado na dinastia Ming (2)

Recupero uma notícia publicada no Boletim de 1868 (3) sobre esta festa:

Extraído de «BPMT», XIV-40 de 5 de Outubro de 1868, p. 186

(1) Também conhecida como “Festa do Meio do Outono”, por corresponder a uma época de colheitas, ou como “Noite de Apreciação da Lua”, visto a noite que antecede o Chong Chao (Festival do Bolo Lunar) chamar-se “Noite de Recepção da Lua”, e a noite seguinte chamar-se “Noite de Perseguição da Lua”. Daí a reunião familiar para apreciarem juntos a Lua, saboreando o “Bolo Lunar” e outras iguarias: arroz glutinoso, taro (inhame), toranja ou castanha de água.

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bolo-lunar-bolo-de-bate-pau-%E6%9C%88%E9%A5%BC/

(3) «BPMT», XIV-40 de 5 de Outubro de 1868, p. 186.

TÁN FÁ T´ÓNG – 蛋花湯 (1) – Calda de ovos

Pelo facto deste caldo não conter pedaços de carne, o termo tán fá t´ông é empregado para se referir a um indivíduo balofo que não tem cultura nem conhecimentos

TÁN TÁT – 蛋撻 (2) – Pasteis de nata

Os janotas que se vestem à europeia e no rigor da moda mas exageradamente são comparados aos pastéis de nata.

TÁN LIU T´ÔNG POU – 單料銅㷛 (3) – Caçarola de cobre de uma só chapa

As caçarolas feitas com uma chapa de cobre delgada embora fervam rapidamente a água são no entanto mais frágeis que as de chapa reforçada, isto é, as séong liu t´ông pou 雙料銅㷛. (4) Este termo é empregado para se referir ao indivíduo que facilmente se torna íntimo dos outros mas cuja amizade não é resistente, estalando logo que surja a mais pequena contrariedade.

(1) 蛋花湯 mandarim pīnyīn: dàn huā tāng  ;  cantonense jyutping: daan2 faa1 tong1 (2) 蛋撻 – mandarim pīnyīn: dàn tà;  cantonense jyutping: daan2 taat3 (3) 單料銅㷛mandarim pīnyīn: dān liào tóng bou ;  cantonense jyutping: daan1 liu2 tung4 bou1 (4) 雙料銅㷛 – mandarim pīnyīn: shuāng liào tóng bou ;  cantonense jyutping: soeng1liu2 tung4 bou1

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro/Dezembro de 1952, p. 136

Continuação da leitura de “Cousas da China, Costumes e Crenças”, (1), de Joaquim Heliodoro Calado Crespo, já postado anteriormente (2),

O autor para desmistificar a palavra “chinesice”, na “Introducçâo” (p. 7) do livro, afirma:

“A palavra «chinezise» admitida geralmente para designar um objecto extravagante ou uma idéa contraria ao bom senso, tem apparentemente uma certa rasão de ser, se considerarmos que o «cunho chinez» é uma consequência fatal de uma língua e de uma litteratura especiaes, de uma raça diferente, e de uma civilização que dura immutavel há muitos seculos, mantida por um povo que systematicamente se tem mantido fóra do convívio das outras nações.

Da copiosa informação sobre a sociedade chinesa, sobre os costumes e crenças, retiro alguns pequenos tópicos: CANTÃO; «HONGS» COMPRADORES (pp.15-16)

«PITCHIN ENGLISH» (p.16)

CAFÉS E TABERNAS (p. 23)

PAGODES (pp. 27-28)

(1) CRESPO, Joaquim Heliodoro Callado – Cousas da China, Costumes e Crenças. Contribuições da Sociedade de Geographia de Lisboa. Quarto Centenário do Descobrimento da Índia. Acabou de imprimir-se aos 31 dias do mez de Maio do anno M DCCC XCVIII nos prelos da Imprensa Nacional de Lisboa. 1898, 283 p., 25 cm x 17 cm.

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2021/03/19/leitura-cousas-da-china-costumes-e-crencas-i/

Trata-se de um esboço/estudo (desenho a lápis) de uma mulher chinesa com o filho bebé às costas, efectuado em Macau, no dia 3 de Julho de 1838 por Auguste Borget.

Em segundo plano, à esquerda, um  esboço de junco chinês.

Anteriores referências a este pintor em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/auguste-borget/