Archives for category: Usos e Costumes

SIU HENG TCHÔNG 肇慶棕 Bolos de arroz glutinoso à moda de Siu Heng

Estes bolos (1) são conhecidos em Macau pelo nome de catupás (2) sendo vendidos e consumidos pelos chineses nas ocasiões da Festividade de Pelopé, isto é, na Festividade dos Barcos Dragões.

Em Macau, chama-se Pelopé à centopeia e os barcos que entram nas corridas desta festividade chinesa são chamados pelopés, por causa do seu feitio e dos seus numerosos remos lembrarem uma centopeia.

O termo Siu Heng Tchông é empregado para se referir aos pés propositadamente deformados das mulheres chinesas que com as suas ligaduras faziam lembrar estes bolos de arroz glutinoso, de formato piramidal, embrulhados com folhas de figueira ou de bambu e que em Siu Heng (cidade) (3) se fazem com quase meio metro de comprimento. (4)

(1) 肇慶 mandarim pīnyīn: zhào qìng zōng; cantonense jyutping: siu6 hing3 zung1

(2) Catupá – espécie de pequeno pudim de arroz gomoso, cozido em banho-maria dentro dum envólucro de folha de bananeira. A folha é enrolada e atada com uma espécie de fio de ráfia, de modo a ficar com a forma aproximada duma pirâmide triangular. O catupá pode ser “doce” ou “salgado”. O “doce” não é na verdade doce, mas insípido e, ao comer, toca-se em açúcar. Consta apenas de arroz cozido. O “salgado” tem no centro uma gema de ovo salgado, bocadinhos de toucinho de porco, sementes de lotus, uns grãos de cevadinha, etc. Esta espécie de pudim é geralmente preparado por chineses e oferecido aos amigos por altura da Festa do Dragão, no 5.º dia da 5.ª lua, isto é, pelo nosso mês de Junho

Há uma cantiga do antigo folclore, que muitas pessoas idosas e de meia idade ainda sabem onde a palavra ocorre:

«Quim querê pra mim

Tant´ancusa logo dá:

Apa, muchi coco,

Pipis, catupá.»

BATALHA, Graciete Nogueira – Glossário do Dialecto Macaense, 1977

(3) Zhaoqing (肇慶) –  em cantonense: Siu Hing- cidade localizada na província de Cantão (Guangdong) no sul da República Popular da China.

(4) GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa in «Mosaico», V-25/26 de Setembro/Outubro de 1952, pp 44-45.

Envelope vermelho (1) de 15,4 cm x 8,2 cm, do Leal Senado (ano ?)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/envelopes-vermelhos-%E5%88%A9%E6%98%AF-%E5%88%A9%E5%B8%82-%E5%88%A9%E4%BA%8B/

Niu Hâng Sèak

尿坑石

Pedra do cano para onde se urina

É nos canos de esgoto que a classe baixa chinesa costumava satisfazer as suas necessidades. A pedra com que se faz o cano de esgoto, é portanto, mal cheirosa e como os chineses costumam empregar o termo tch´âu – (fétido) para se referirem aos indivíduos que os aborrecem ou importunam, correspondendo assim tal termo à palavra insuportável ou intolerável e porque comparam a obstinação com a dureza da pedra, a expressão niu-hâng-sèak quando referida a qualquer pessoa quer dizer que é ela um indivíduo de cuja companhia todos fogem devido ao seu feitio teimoso e intolerável. (1)

尿坑石mandarim pīnyīn: niào kēng shí; cantonense jyutping: niu6 haang1 sek6

mandarim pīnyīn: chòu; cantonense jyutping: cau3

(1) GOMES, Luís G. in «Mosaico», V- 21/22 de Maio/Junho de 1952

PÂT TÔU IÔNG
不倒翁 (1)
Velhote que não tomba

É um nome duns bonecos que se vendem nas festividades do Ano Novo (2)  cuja base é arredondada e que não tombam nem para um nem para o outro lado.
Tal objecto é tomado para servir de comparação com um indivíduo que joga sempre pelo seguro e que, para se conserva sempre numa cómoda situação, compraz tanto a uns como a outros.
 GOMES, Luís Gonzaga in «Mosaico», V-25/26 de Setembro/Outubro  de 1952
(1) 不倒翁mandarim pīnyīn: bù dǎo wēng; cantonense jyutping bat1 dou2 jung1 líteral- não cai ancião (velho)
(2)  不倒翁brinquedo infantil chinês antigo, que foi gravado pela primeira vez na Dinastia Tang. Cilíndrica, de forma de uma pessoa, oscila ao ser tocada, mas não tomba, voltando sempre ao estado vertical. Esta expressão também pode ser comparado a alguém que é bom em lidar com o meio ambiente e que pode manter sua posição por um longo tempo, com um significado depreciativo.
Tradução de 不倒翁 – 玩具
https://baike.baidu.com/item/%E4%B8%8D%E5%80%92%E7%BF%81/3302831

O último postal da colecção “A Harmonia das Diferenças” – fotografias do princípio aos meados do século XX (1902 -1950) – publicados pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. M / Arquivo Histórico de Macau, em 2015. (1)

De 1950, um retrato dos homens dos riquexós, (2) em tempos de chuva, “estacionados” no Largo do Senado, aguardando os clientes.

Homens dos riquexós em tempos da chuva c. 1950
Verso do postal

O meio de transporte mais popular e mais barato, em Macau, até finais da década de 40 (seculo XX) era o riquexó ou jinrixá (2). Em 1950 estavam ainda registados na cidade de Macau, 25 empresas ou locadores deste tipo de veículos, embora cada vez em menor número. Assim como exemplo o número de licenças passadas pelo Leal Senado de Macau para jinrixás de aluguer, no ano de 1948, decaíram ao longo do ano: 1.º trimestre (1106), 2.º trimestre (948), 3.º trimestre (955) e 4.º trimestre (873) e para jinrixás particulares ao longo do ano, somente 13 licenças. (Anuário de Macau, 1950)

LARGO DO SENADO c. 1940

No Largo do Senado, os riquexós de aluguer estacionados. Vê-se ainda dois automóveis ligeiros que em finais da década de 30, em Macau, já eram cerca de 200.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/postais/

(2) Anteriores referências aos riquexós/ jinrixás https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/riquexos/

Continuação da divulgação dos postais da colecção “A Harmonia das Diferenças” – fotografias do princípio aos meados do século XX (1902 -1950) – publicados pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. M / Arquivo Histórico de Macau, em 2015. (1)

O primeiro de 1925, retrata o acampamento na Ilha Verde dos alunos da Universidade de Leng Nam (Cantão) que visitaram o território nesse ano

Alunos da Universidade de Leng Nam (Cantão) (2) acampados na Ilha Verde, c, 1925
Verso do postal

O outro postal é de 1927

Dança do Dragão no Largo do Senado, c. 1927 (3)
Verso do postal

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/postais/

(2) Universidade de Lingnan 嶺南大學; (mandarim pīnyīn: Lǐngnán Dàxué; cantonense jyutping: Leng5 Naam4 Daai6 Hok6)) em Guangzhou fundado em 1888 por missionários americanos Presbiteranos (Andrew Happer) (4) com o nome de Colégio Cristão de Cantão (格致書院). Em 1907 transformou-se numa escola médica e em 1916 passou a ser Universidade Lingnan. Nacionalizado em 1952, em 1953, ficou incorporado na Universidade de Chung Shan (hoje Universidade Sun Yat –sen)  e em 1988 de novo denominado Colégio Lingnan. Membros da Universidade fugidos da China para Hong Kong e, fundaram, em 1967, nesta colónia o Colégio Lingnan (a partir de 1999 Universidade Lignan,)

A Universidade devido às perseguições religiosas na Dinastia Qing, mudou-se para Macau em 1900 e era denominada em Macau por 嶺南學堂. (5). Regressou a Cantão em 1904. https://en.wikipedia.org/wiki/Lingnan_University_(Guangzhou)

(3) Referência anteriores à Dança do Dragão em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/dragao/

(4) Ver biografia em: https://en.wikipedia.org/wiki/Andrew_P._Happer

(5) 嶺南學堂 mandarin pīnyīn: lǐng nán xué táng; cantonense jyutping: leng5 naam4  hok6 tong4

Anualmente, no dia 23.º dia da 2.ª lua, celebra.se um pouco por todo o mundo chinês o festival de Cheng Meng (Pura Claridade).

Este culto ancestral está ligado à chegada da Primavera. Antigamente, nas grandes cidades da China, a florida estação do ano era celebrada com um ricamente cortejo pelas ruas em que se destacava a imagem de um boi, em barro, ricamente enfeitado com flores e ramos de salgueiro. Durante o cortejo as mulheres e crianças traziam nas mãos um pequeno ramo de salgueiro com a finalidade de não serem vítimas de picadas de insectos nocivos, como o mosquito, a centopeia, o escorpião, etc. Acreditava-se que, se tal precaução não fosse tomada, as pessoas estavam sujeitas a reencarnar num animal quadrúpede., como é o caso do boi, por ocasião da transmigração das almas.

A tradição do ramo de salgueiro vem do tempo do Imperador Kao Sung, (1)da dinastia Tang, que reinou de 650 a 683 A. C. Os chineses do antigamente tinham também o costume de prender, na véspera desta festividade, um ramo de pessegueiro no umbral da porta principal das suas habitações, com o propósito de se protegerem de todos os males.

É durante a celebração de Cheng Meng que as famílias chinesas vão depositar pivetes e velas aromáticas em frente das campas dos seus antepassados, onde são colocadas também pequenas malgas de arroz e pratinhos com guloseimas várias. Sobre o túmulo dos defuntos queimam-se diversos objectos de papel, incluindo o tradicional “Dinheiro do Inferno”

Em vésperas da data do ritual as famílias retiram das sepulturas as ervas daninhas que crescem durante o ano e mandam pintar de novo as inscrições que nelas figuram. No final das cerimónias em honra dos mortos, os familiares realizam uma espécie de piquenique em pleno cemitério, junto à campa dos seus entes desaparecidos, regressando a casa ao final da tarde.

Manda ainda esta tradição que, durante o período em que decorre o festival, as mulheres são utilizem agulhas de costura nem lavem os cabelos”

Retirado de BARROS, Leonel – Templos e Lendas e Rituais – Macau. APIM, 2003.

Ver anteriores referências a esta festividade em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/cheng-mengqingming/

(1) O Imperador Gaozong (唐高宗 – pinyin: Táng Gāozōng;cantonense jyutping: gou1 zung1) (628—683, nascido Li Zhi – 李治), foi o terceiro imperador da Dinastia Tang (618 a 906, considerado o período dourado para as artes e cultura  na China).

Gaozong governou entre 649/650 e 683. embora incapacitado em 665, por ter tido em um acidente vascular cerebral,  o governo ficou praticamente entregue  à  sua segunda esposa, a imperatriz Wu Zetian (武則天 – pinyin: Wǔ Zétiān;cantonense jyutping: mou5 zak1 tin1) (624- 705) e que fora anteriormente uma das concubinas do pai de Gaozong, o imperador  Taizong.

Gaozong faleceu em 683 e embora tivesse dois filhos, Wu Zétian manteve o controle do governo e em 690. proclamou-se Imperatriz (a única mulher na história da China que ocupou o trono imperial) e iniciou uma nova dinastia, Zhōu – 周 – que somente durou até 705., ano em que foi restaurada a dinastia Tang.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Imperador_Gaozong_de_Tang https://pt.wikipedia.org/wiki/Wu_Zetian