Archives for category: Usos e Costumes

Mais dois ”slides” digitalizados da colecção “MACAU COLOR SLIDES – KODAK EASTMAN COLOR)”comprados na década de 60 (século XX), se não me engano, na Foto PRINCESA (1)

HIDROPLANADOR
VENDEDORES DE RUA

(1) Ver anteriores slides desta colecção em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/artes/

Desenho publicado em 1859 no “The Illustrated London News” (1) acompanhado duma nota do “Artista Especial e Correspondente” (“our Special Artist and Correspondent in China) desse jornal na China.
(1) «The Illustrated London News», 12 de Maio de 1859, p. 265.
Ver anterior referência deste jornal em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/06/21/vista-de-macau-em-1842/

Neste dia, 29 de Maio de 1987, o Correio de Macau / CTT pôs em circulação o sobrescrito, obliteração de 1.º dia de circulação e dois selos com o motivo “Festividade do Barco Dragão”
Os selos têm o valor de 50 avos e 5 patacas.
O desenho é de Ng Wai Kin.
FESTIVIDADE DO BARCO-DRAGÃO
A Festividade do Barco-Dragão é uma das mais populares festas chinesas, celebrando-se todos os anos no dia cinco da quinta Lua. (1)
Esta tradição tem a sua origem num facto ocorrido numa época agitada da vida política chinesa, entre os anos de 402 a 201 A.C.. Por esta altura, os conselheiros do imperador Uái (2) queriam convencê-lo a fazer guerra, para assim adquirir mais riquezas e poder. Esta atitude dos conselheiros tinha, porem, a desaprovação do ministro Uat Hun que, em vão, tentou dissuadir o imperador daquela ideia. Uat Hun (3) admitiu, então, a hipótese de pôr fim à sua própria vida, em sinal de protesto. Permeável à nefasta influência dos seus conselheiros e inamovível na sua intenção de fazer a guerra, o imperador continuava a preparar a ofensiva, procedimento que desgostou profundamente a Uat Hun que, perante tal atitude, se lançou ao rio Mek Lo.
Sensibilizado com o sucedido, o imperador caiu em si e apercebeu-se que acabara de perder o seu mais competente ministro. Ordenou, então, que todos os barcos procurassem o cadáver de Uat Hun, para que fosse recolhido e levado para o palácio Imperial. No entanto, as longas buscas levadas a cabo pelos barcos revelaram-se infrutíferas, pois o corpo do ministro sumiu-se nas águas agitadas do grande rio.
Durante a noite, encontrando-se o imperador amarguradamente triste, recebeu a visita do espírito de Uat Hun, lamentando-se que andava com fome. Logo o monarca deu ordem para que os barcos lançassem arroz cozido nas águas do rio. No entanto, o espírito do seu ministro voltou a procurá-lo para lhe dizer que um mostro aquático devorara toda a comida do rio e que brevemente iria também engolir o seu corpo. Pediu, então, ao rei que mandasse embrulhar a comida num tecido de seda atado com fios de cinco cores visto ser esta a única forma de a preservar contra a voracidade do monstro. E foi assim que sobreviveu, até hoje, o costume de lançar todos os anos, na época da Festividade, às águas dos rios, arroz glutinoso, cozinhado com vários recheios, envolvido em folhas de bambu, aos quais se dá o nome de tchông.(4)
Em Macau, durante as celebrações da Festividade do Barco-Dragão, vêem-se em quase todas as lojas compridas canas de bambu, tendo pendentes estes tchông que são saboreados por todos os chineses.
Actualmente, o mito de Uat Hun dá lugar ao desporto. As regatas de barcos em forma de dragões são organizadas com o fim de simular a procura do cadáver do estadista deificado. Assim, têm-se realizado em Macau, coma presença de equipas da Austrália, Hong Kong, Japão, Malásia, Singapura, China e Macau, as Regatas Internacionais de Barcos-Dragão, integradas nas Festividades do dia cinco da quinta Lua.
O tambor usado nos barcos das regatas, será para coordenar os movimentos dos remadores, mas também para assustar o monstro e evitar assim que devore o cadáver de Uat Hun!”
                   Dr. Jorge Cavalheiro (Instituto Cultural de Macau)
(Retirado da Brochura/lembrança distribuído aquando do lançamento do envelope com bloco de selos.)
(1) Festival do Barco Dragão, ou Festa de Duan Wu (端午节/端午節). Este ano, 2017, a festividade é celebrada a 30 de Maio.
(2) Rei Huai (楚懷王- Chǔ Huái Wáng) do estado de Chu de 328 a 299 aC., no período dos Estados Guerreiros.
(3)

Pintura de Qu Yuan
https://pt.wikipedia.org/wiki/Qu_Yuan

Qu Yuan (屈原- Qū Yuán) vivia no reino de Chu (c. 340 -278 a.C.) no Período dos Estados Guerreiros (476 A.C. – 221 A.C.) estadista, poeta, diplomata, ideólogo e reformador. A sua obra está principalmente compilada numa antologia poética denominada «Elegias de Chu». Considerado o primeiro poeta chinês importante na história da literatura da China.
(4) Zongzi (粽子) ou zong (粽) – tradicional bolo chinês feito com arroz glutinoso (com recheio variado) embrulhado por uma folha de bambu, cozinhado a vapor.

Há- Kau – 蝦餃
(Chilicotes de camarões) 

Expressão que já não é muito usada.
Dá-se em Macau o nome de “chilicotes” (1) a uma massa assada ou cozida de variado recheio e que são apresentados com o formato de meia lua.
Nas casas de chá chinesas, os “chilicotes” de camarões, feitos com uma massa branca e cozida constituem uma iguaria imprescindível.
Na China, raro é nativo que possa dar-se ao luxo de ostentar no seu beiço superior um farto e bem aparado bigode, pois, nisso foi a natureza bastante avara para com este povo.
O bigode chinês, resume-se, pois, a uns poucos de fios rígidos, sempre caídos que, nas raras vezes, em que aparecem no rosto dos nativos, fazem lembrar os chilicotes de camarões, por o formato destes ser semi-circular, como as duas pontas de uma meia-lua.
Daí o chamar-se a um indivíduo que traz bigode, há-káu.

mandarim pīnyīn: xiā jiao; cantonense jyutping: haa1 gaau2
GOMES, Luís G. in MOSAICO, 1952.
(1) Ver anterior citação de “chilicote” em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/05/02/postais-de-gastrono-mia-macaense-o-sabor-e-aroma-de-macau-viii/

Comemora-se hoje, em Macau, segundo a tradição, no segundo dia da 2.ª Lua, a festa do “TOU TEI” (1) com os habituais festejos (presentemente, mas que outrora abrangia a cidade toda) nos templos dedicados a este deus: Templo Tou Tei, no Largo do Pagode, em Patane, (2) Templo “Foc Tac Chi”, pequeno templo na Rua de Horta da Mitra, (3), e outro pequeno Templo de Tou Tei, na Rua do Almirante Sérgio, em S. Lourenço. (4)
Existe ainda outro Pagode da Felicidade e da Virtude (Foc Tac Chi) também dedicado a Tou Tei, na Rua da Barca de Lenha, mas desconheço o actual estado de conservação/recuperação deste. (5)

mbi-iii-65-15abr1956-tou-tei-iTOU TEI
A divindade chinesa a quem os chineses recorrem em todos os momentos da sua vida

Recupero aqui, uma reportagem do ano de 1956 (sem indicação de autor) sobre este “Deus da Família” (6)
“Esta divindade, o mais importante deus familiar dos chineses, que preside a todos os seus actos, desde os mais simples aos mais transcendentais da sua vida de povo trabalhador e essencialmente religioso, teve referência especial, pela primeira vez, no livro «Li Chi», uma das cinco obras clássicas da literatura chinesa. Desconhecida a sua origem, são de opinião os literatos chineses de que as imagens de “Tou Tei”, rudes e por vezes disformes, geralmente feitas de argila ou pedra, devem representar qualquer herói ou, possivelmente, são a deificação dos chefes de clã que, em eras longínquas, deram estrutura à Nação.
mbi-iii-65-15abr1956-tou-tei-iiNo segundo dia da 2.ª Lua todos os bairros da cidade viveram momentos de festa. Os panchões estalaram nos ares, petardos enormes atroaram as vizinhanças, milhares de pivetes foram queimados, centenas e centenas de devotos se dirigiram aos pagodes da cidade, as crianças vestiram as suas melhores roupas e tiveram brinquedos especiais, em todos os lares houve refeições melhoradas. Na esplanada do pagode de cada bairro exibiram-se acrobatas, a dança do leão atraiu muitos curiosos, houve música e outros números do folclore chinês, muitos forasteiros trouxeram de longe a gratidão das benesses e a esperança de que “Tou Tei” seja mais benigno a atenda suas preces. As oferendas, numerosas e variadas, cresceram generosamente diante dos altares de “Tou Tei” o deus familiar a quem todos recorrem quer nos momentos de alegria quer nos da tristeza.
mbi-iii-65-15abr1956-tou-tei-iiiAo lado dos muitos deuses que povoam o calendário chinês e que comandam implacáveis a vida dos filhos da milenária terra dos Mandarins, de oragos locais, de deuses familiares e de todos quantos presidem aos diversos ramos da actividade humana, “Tou Tei” ocupa lugar de destacada importância pela forma como lhe é tributado culto. Além de ser o orago de todos os bairros das cidades, vilas, e aldeias, com juntamente com o deus próprio de cada bairro, tem um altar em todas as residências e é tratado como pessoa de família. (…)
Continua
(1) “Tou Tei Kung” – 土地公mandarim pinyin: tǔ dì gōng; cantonense jyutping: tou2 dei6 gung1), literalmente significa “o Deus da Terra”. Nos mitos antigos, Tou Tei é um deus que governa uma terra, por isso esta festividade se denomina “Festa do Deus da Terra”.
(2) 土地廟 – (mandarim pinyin: tú dì miào; cantonense jyutping: tou2 dei6 miu6, também conhecida como “Soi Ut Kun Miu” – Pagode dos Deuses Locais, no sopé do montículo do Patane, sobre o qual floresce o Jardim da Gruta de Camões. As fachadas dos seus pavilhões dão para o Largo do Pagode de Patane, que fica entre as ruas da Palmeira, da Pedra e da Ribeira do Patane. (7)
(3) “Cheok Chai Un Foc Tac Chi” – Templo da Felicidade e Virtude do Bairro da Mitra, também conhecido como “Chong Kuok Tou Tei Mui” – Pagode Chinês dos Deuses Locais (7)
(4) “Foc Tac Chi ou Tou Tei Miu” – Pagode da Felicidade e da Virtude fica entre os n.ºs 131 e 133 da Rua do Almirante Sérgio, a qual começa na Rua das Lorchas e termina no Largo do Pagode da Barra (7)
(5) Pequeno Pagode na Rua da Barca da Lenha que começa na Travessa da Caldeira, ao lado do prédio n.º 38, e termina um pouco além da Travessa do Aterro Novo, entre os prédios n.ºs. 11 e 11-A desta travessa. (7)
(6) «MACAU, B.I., 1956».
(7) TEIXEIRA, Padre Manuel – Pagode de Macau, 1982.
NOTA: Anteriores referências a TOU TEI em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-tou-teipatane/

Fán-T´ông – 飯桶
(Recipiente de arroz)

Os chineses usam, geralmente, um recipiente feito de madeira para encher o arroz cozido.
Noutros tempos, porém, serviam-se de uma espécie de saco de coiro.
Ora, tais recipientes para mais nada servem senão para encher o arroz cozido.
Portanto, ao indivíduo que nada faz e que só serve para comer, dá-lhe o nome de fân-t´ông.

飯桶mandarim pīnyīn: fàn tǒng; cantonense jyutping: faan6 tung2
GOMES, Luís G. in MOSAICO, 1952.

Ap-Tchéong –
(Planta das patas de pato)

Creio que uma expressão já pouco usada em Macau, embora nas décadas de 50 e 60 (século XX) ainda se ouvia dos mais velhos em relação aos militares portugueses.
É termo que se emprega, em linguagem corrente, para se referir depreciativamente, a cabos, sargentos ou militares inferiores do exército.
mandarim pīnyīn: yā zhǎng; cantonense jyutping: aap3 zoeng2
GOMES, Luís G. in MOSAICO, 1952.