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Celebrou- se em Macau neste dia, 25 de Junho de 1982, a “Festividade do Duplo Cinco”, data em que assinalou a passagem do solstício de Verão.

Neste dia realizaram-se as tradicionais corridas dos barcos-dragões. Equipas da Austrália, Malásia, Singapura, Hong Kong e do vizinho distrito chinês de Zhuhai participaram nas provas realizadas em Macau, atraindo milhares de pessoas à baía da Praia Grande.

Extraído de “macau82 jornal do ano”, GCS, 1982, p. 155

Hoje celebra-se em Macau a festa de Na Cha (décimo oitavo dia do quinto mês lunar). Antes da epidemia, a festa consistiria de dois desfiles nesse dia: um a partir do Templo de Na Tcha (perto das Ruínas de São Paulo) onde seriam realizados o ritual da adoração com incenso, seguindo uma parada da estátua de Na Tcha (a liteira que carrega a estátua foi produzida em 1903) acompanhada por uma equipa de dança do leão, tambores e gongos em Macau e nas ilhas; outro desfile partiria do monte onde está o templo, acompanhado por Kam Cha (Jinzha em chinês) e Mok Cha (Muzha em chinês), bem como o dragão guardião e fadas, espalhando flores. Sendo como uma parte do Património Mundial de Monumentos do Centro Histórico de Macau, o Templo de Na Tcha ( perto das Ruínas de São Paulo) é uma perfeita apresentação das características únicas multiculturais de Macau. (1) (2)  

Postal “Festa de Na Chá”, nº 9 duma colecção de 10 postais intitulada “Festividades Orientais em Macau”, com fotografias de Wong Wai Hong, trilingue (chinês, inglês e português), edição de “Ming Shun Published in Macau” (impressos em Hong Kong), de 2008. (3)

(1) http://www.temple.mo/?mod=festival&id=92&lang=Por (2) Veja-se:  https://www.revistamacau.com.mo/2017/06/06/tradicoes-festa-de-na-tcha/ (3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2022/06/03/noticia-de-3-de-junho-de-2022-festival-tun-ng-postal-barcos-dragao/

Hoje celebra-se em Macau a festa “Tun Ng”, (1), festa chinesa muito antiga em que se presta homenagem á integridade moral do juíz Wat Yuen. Hoje em dia todas as celebrações estão concentradas nas famosas corridas dos Barcos Dragão que em Macau se realizam nos Lagos Nam Van, em frente da Avenida da Praia Grande. (2)

POSTAL – Festival de Barcos Dragão (Tun Ng)
POSTAL – Festival de Barcos Dragão (Tun Ng) verso

Postal “Festival de Barcos Dragão (Tun Ng)”, nº 8 duma colecção de 10 postais (dentro dum invólucro) intitulada “Festividades Orientais em Macau”, com fotografias de Wong Wai Hong, trilingue (chinês, inglês e português), edição de “Ming Shun Published in Macau” (impressos em Hong Kong), de 2008.

Capa exterior do invólucro de dimensões máximas 24 cm (horizontal) x 38 cm (vertical)
Interior do invólucro de dimensão: 18 cm x 13 cm
Índice da colecção; dimensões: 18 cm x 11 cm

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/05/29/noticia-de-29-de-maio-de-1987-filatelia-festividade-do-barco-dragao/

https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/06/25/noticia-de-25-de-junho-de-2020-postais-da-direccao-dos-servicos-de-turismo-eventos-de-macau-v-barcos-dragao/

(2) https://www.macaotourism.gov.mo/pt/events/calendar/dragon-boat-festival/

Continuação da apresentação da colecção de 12 postais (18,5 cm x 12,7 cm) com fotografias do fotógrafo Lei Iok Tin, editada pela Fundação Macau e Centro UNESCO de Macau (1)

Mais duas fotografias, datadas de 1960

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/lei-iok-tin/

O aniversário do nascimento da deusa «Neong Ma», (1) que se comemora no 23.º dia da 3.ª Lua, (este ano no dia 23 de Abril), é para os marítimos, em Macau, a mais importante festividade religiosa do calendário chinês.

Em Macau, essa festividade celebra-se sobretudo no Pagode da Barra (2) onde ganha foros de acontecimento extraordinário. Todos os marítimos, e muitos outros devotos, ocorrem nesse dia, ao santuário da «Rainha do Céu», levando os mais abastados, valiosas ofertas e os outros a gratidão de seus corações reconhecidos. Colocando no altar da deusa os seus presentes, agradecem a proteção concedida nos últimos doze meses e pedem, na faina que vai recomeçar, ventos favoráveis e que se encham de peixe as redes largas. (3)

Templo de Ma Kok – desenho de R. Von Decker (1860) Litografia colorida de W. Korn & Co (4)

(1) São obscuras as origens da deusa “Neong Ma», também conhecida por «Tin Hau» (Rainha do Céu) e, por isso, muitos historiadores chineses a identificam com a deusa budista Maritch e com a tão popular «Kun Iam», deusas dos taoistas. Em muitos templos, as deusas «Neong Ma» e «Kun Iam» ocupam o mesmo santuário para que os devotos possam dirigir as suas preces àquela que é mais da sua devoção. «Neong Ma» é, no entanto, a deusa por excelência da gente do mar. Em cada embarcação tem ela um altar, no coração de cada marítimo, uma crença inabalável, e em todas as localidades onde haja pescadores um templo que se distingue pela religiosidade dos seus devotos. (3)

(2) Estendendo-se em anfiteatro pela Colina da Barra, virada ao porto interior. O Pagode de Ma-Kok-Miu é uma nota de exotismo que vai morrer nas velas plácidas das lorchas, e na vida íntima dos tancás e sampanas que deslizam nas águas do rio. O Pagode da Barra ou Templo de Ma-Kok-Miu é o recinto sagrado onde a gente do mar rende à deusa «Neong Ma» um culto fervente que a tradição mantém e a crença alimenta e fortifica. (3)

(3) Extraído do artigo não assinado de «MBI», ano III, n.º 67 de 15 de Maio de 1956, pp. 8-10

(4) The Ma Kok Temple, Macao de R.Von Decker (1860) https://artsandculture.google.com/asset/the-ma-kok-temple-macao/TQH3GZ_m3zx3bA

No dia 5 de Abril de 1955 comemoraram os chineses o seu Dia de Finados, festa conhecida por «Cheng Meng». Por este motivo, muitos milhares de pessoas foram autorizadas a atravessar, durante três dias, a Porta do Cerco a fim de irem em romagem até junto dos túmulos dos seus mortos sepultados em território chinês. De Hong Kong muitas pessoas se deslocaram a Macau para esse fim, sendo enorme a bicha que se formou junto à fronteira. (1)

(1) Extraído de «MACAU», B. I., Ano II, n.º 41 15 de Abril de 1955, p. 16.

Hoje dia 5 de Abril de 2022, celebra-se o culto aos mortos «Cheng Meng».

Retiro parte dum artigo, não assinado da revista “Macau Boletim de Informação e Turismo», Vol. X, n.ºs 1 e 2 de Março/Abril de 1974, pp. 36-39”, acerca deste culto que, em 1974, recaiu também no dia 5 de Abril

“O culto dos mortos integra-se, anualmente, em duas festividades, das mais concorridas entre as que estabelece o calendário o calendário religioso.

Um delas realizou-se, no corrente ano (1974) no dia 5 de Abril, denominada «Cheng Meng». Para a sua celebração, desembarcaram em Macau alguns milhares de residentes de Hong Kong, que têm os seus mortos sepultados em território português, principalmente nas ilhas da Taipa e Coloane. Outros passaram por Macau a caminho da China, onde se encontram as sepulturas dos seus familiares, para além da Porta do Cerco, para onde seguiam noutros tempos os enterros, Hoje não se permite tal prática, mas respeitam-se as sepulturas. Mudaram-se os tempos e as gentes acomodam-se.

Presentemente é pelas encostas das colinas da Taipa e Coloane que se procura o campo para enterrar os mortos, sem haver qualquer área limitada, sendo aa escolha do local indicada pelo critério dos bonzos budistas, de acordo com determinadas características que só eles conhecem, porque a natureza da terra liga-se intimamente com a sorte do morto, uma primeira condição a ter em mente para garantir a felicidade dos que passaram a outras regiões.

Muitos estão já a ser enterrados nos cemitérios de Macau, alheando-se as famílias das recomendações dos calendários budista, modernizando-se neste particular, mas a veneração e o culto continuam a processar-se mais ou menos dentro do mesmo ritualismo tradicional.

Quem se deslocar nestes dias do «Cheng Meng» às ilhas da Taipa e Coloane deparará com um espectáculo inédito para os ocidentais. Pelas colinas, estendem-se as sepulturas, umas mais aparatosamente construídas – outras mais modestamente, assinaladas apenas por uma pedra com a correspondente inscrição, uma terra batida, a testemunhar a modéstia da família. (…)

Transportam com eles os mais variados géneros comestíveis que são consumidos mesmo sobre a sepultura pelos membros da família presentes. Compreendem galinhas, porco assado, arroz, frutas variadas. O porquinho assado evidencia certo nível de bem-estar do agregado familiar.

Espiritualmente, os mortos estão ali presente e participam do ágape, para marcar a convivência íntima que deve unir as gerações vivas àquelas que passaram, mas cujos rastos ainda iluminam as vias dos que pisam a terra. É esta função do culto aos mortos, função profundamente humana, se humanismo dinama das relações que prendem os homens uns aos outros, num encadeamento contínuo”. (…)

Sobre as sepulturas acendam-se os «pivetes» – velas de culto características – e queimam-se os «cai chin», (dinheiro para os mortos) e ainda outros artigos de papel para que aos mortos nada falte no outro mundo, onde continuam a ser felizes na medida em que os vivos se mostrarem generosos para com eles e as suas necessidades forem satisfeitas.

O termo «Cheng Meng», do vocabulário chinês, significa «erguer-se de manhã cedo», porque é logo ao despontar do dia que todos procuram dirigir-se para as campas, para terem tempo suficiente ao cumprimento da grande obrigação para com os mortos.

Hoje celebra-se o Festival de Outono, uma velha festa tradicional chinesa comemorado no 15.º dia de oitavo mês do ano, mais conhecida em Macau, entre os macaenses como a Festa do Bolo Lunar/ Bate Pau 月餅 ou das Lanternas. (1) A origem do bolo lunar terá sido na dinastia Tang, mas tornou-se mais popularizado na dinastia Ming (2)

Recupero uma notícia publicada no Boletim de 1868 (3) sobre esta festa:

Extraído de «BPMT», XIV-40 de 5 de Outubro de 1868, p. 186

(1) Também conhecida como “Festa do Meio do Outono”, por corresponder a uma época de colheitas, ou como “Noite de Apreciação da Lua”, visto a noite que antecede o Chong Chao (Festival do Bolo Lunar) chamar-se “Noite de Recepção da Lua”, e a noite seguinte chamar-se “Noite de Perseguição da Lua”. Daí a reunião familiar para apreciarem juntos a Lua, saboreando o “Bolo Lunar” e outras iguarias: arroz glutinoso, taro (inhame), toranja ou castanha de água.

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bolo-lunar-bolo-de-bate-pau-%E6%9C%88%E9%A5%BC/

(3) «BPMT», XIV-40 de 5 de Outubro de 1868, p. 186.

Extraído de «BPMT» XIII-17 de 29 de Abril de 1867, p. 94

A noite do primeiro dia do ano novo lunar (continuação da postaem anterior) (1) foi assinalada com um deslumbrante festival de fogo de artifício, fornecido pelos conhecidos pirotécnicos de Lanhelas (em Caminha) «António Fernandes e Filhos» (2) e «Libório Joaquim Fernandes Sucessores, Lda» (ainda em actividade) (3) tendo para esse fim vindo especialmente da metrópole os pirotécnicos Rolando José Fiuza e Manuel Barreiro, que procederam à queima, auxiliados por alguns conhecedores do ofício, aqui residentes. Calcula-se que tenham presenciado o grandioso espectáculo, inédito para muitos habitantes desta Província, algumas dezenas de milhar de pessoas.

Junto da estátua de Ferreira do Amaral foi construído um palanque e ao longo da Avenida Dr. Oliveira Salazar foram colocados suportes para foguetes de girândola. O festival foi dividido em duas sessões, sendo uma de fogo e outro de fogo aquático, sendo este último lançado dum batelão fundeado na Baía da Praia Grande, em frente do Palácio do Governo. Na primeira sessão foram queimados 3.500 foguetes de «bouquet», 380 foguetões de fantasia e 60 balonas de cauda, de variadas cores. (…). Foi sobremaneira impressionante o desfecho desta sessão com grandioso e deslumbrante «bouquet» final, que dava impressão de que o céu caiam torrentes de luz em forma de estrelas estonteantes.

Na sessão de fogo aquático, que devido à acentuada ondulação das vagas, foi menos espectaculosa, queimaram-se 1.300 peças de fogo. Não obstante as más condições que o mar oferecia, o público pôde apreciar constelações de estrelas de cores bizarras e cintilantes saindo da água em cachões.

«Macau B. I.» da R.P.S.E.E.G. ano III-61 de 15 de Fevereiro de 1956, p. 7.

(1) «Macau B. I.» da R.P.S.E.E.G. ano III-61 de 15 de Fevereiro de 1956, p. 7.

(2) “Das 3 fábricas que ali existiam já todas fecharam portas. O que existe são empresas a laborar no setor, como é o caso da «Pirolanhelas», propriedade de Bernardo Fernandes, filho e bisneto de dois dos maiores fogueteiros que existiram na freguesia de Lanhelas. O bisavô era António J. Fernandes que em 1853 fundou a primeira pirotecnia em Lanhelas e o pai, falecido no ano passado, era Benjamim Fernandes que, com o irmão Gaspar Fernandes fundou nos anos 60 a “Gaspar Fernandes e Irmão Ldª , empresa que ao longo de mais de meio século conquistou inúmeros prémios nacionais e internacionais na arte da pirotecnia.” A empresa por diversas vezes esteve em Macau nos concursos de fogo de artifício, salientando-se nos anos de 1989 (2º lugar); 1990 (2º lugar), 2004 (3º lugar) e  2011 (4º lugar). (ALDEIA, Cidália, 19Maio2016) in https://jornalc.pt/pirotecnia-arte-milenar/?v=35357b9c8fe4

(3) ”Nove feridos, um deles em estado grave, quatro casas destruídas e dezenas de habitações danificadas – eis o resultado da violenta explosão que, ao princípio da tarde de ontem, destruiu a Fábrica de Fogos de Artificio Libório Joaquim Fernandes, localizada em Lanhelas, concelho de Caminha. As quatro casas destruídas encontravam-se a pouco mais de 50 metros da fábrica e não resistiram à força da deslocação de ar provocada pelo rebentamento”. (Jornal «Público», 3Junho2000) in https://www.publico.pt/2000/06/03/jornal/explosao-arrasa-fabrica-pirotecnica-144754