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Extraído de «BPMT» XIII-17 de 29 de Abril de 1867, p. 94

A noite do primeiro dia do ano novo lunar (continuação da postaem anterior) (1) foi assinalada com um deslumbrante festival de fogo de artifício, fornecido pelos conhecidos pirotécnicos de Lanhelas (em Caminha) «António Fernandes e Filhos» (2) e «Libório Joaquim Fernandes Sucessores, Lda» (ainda em actividade) (3) tendo para esse fim vindo especialmente da metrópole os pirotécnicos Rolando José Fiuza e Manuel Barreiro, que procederam à queima, auxiliados por alguns conhecedores do ofício, aqui residentes. Calcula-se que tenham presenciado o grandioso espectáculo, inédito para muitos habitantes desta Província, algumas dezenas de milhar de pessoas.

Junto da estátua de Ferreira do Amaral foi construído um palanque e ao longo da Avenida Dr. Oliveira Salazar foram colocados suportes para foguetes de girândola. O festival foi dividido em duas sessões, sendo uma de fogo e outro de fogo aquático, sendo este último lançado dum batelão fundeado na Baía da Praia Grande, em frente do Palácio do Governo. Na primeira sessão foram queimados 3.500 foguetes de «bouquet», 380 foguetões de fantasia e 60 balonas de cauda, de variadas cores. (…). Foi sobremaneira impressionante o desfecho desta sessão com grandioso e deslumbrante «bouquet» final, que dava impressão de que o céu caiam torrentes de luz em forma de estrelas estonteantes.

Na sessão de fogo aquático, que devido à acentuada ondulação das vagas, foi menos espectaculosa, queimaram-se 1.300 peças de fogo. Não obstante as más condições que o mar oferecia, o público pôde apreciar constelações de estrelas de cores bizarras e cintilantes saindo da água em cachões.

«Macau B. I.» da R.P.S.E.E.G. ano III-61 de 15 de Fevereiro de 1956, p. 7.

(1) «Macau B. I.» da R.P.S.E.E.G. ano III-61 de 15 de Fevereiro de 1956, p. 7.

(2) “Das 3 fábricas que ali existiam já todas fecharam portas. O que existe são empresas a laborar no setor, como é o caso da «Pirolanhelas», propriedade de Bernardo Fernandes, filho e bisneto de dois dos maiores fogueteiros que existiram na freguesia de Lanhelas. O bisavô era António J. Fernandes que em 1853 fundou a primeira pirotecnia em Lanhelas e o pai, falecido no ano passado, era Benjamim Fernandes que, com o irmão Gaspar Fernandes fundou nos anos 60 a “Gaspar Fernandes e Irmão Ldª , empresa que ao longo de mais de meio século conquistou inúmeros prémios nacionais e internacionais na arte da pirotecnia.” A empresa por diversas vezes esteve em Macau nos concursos de fogo de artifício, salientando-se nos anos de 1989 (2º lugar); 1990 (2º lugar), 2004 (3º lugar) e  2011 (4º lugar). (ALDEIA, Cidália, 19Maio2016) in https://jornalc.pt/pirotecnia-arte-milenar/?v=35357b9c8fe4

(3) ”Nove feridos, um deles em estado grave, quatro casas destruídas e dezenas de habitações danificadas – eis o resultado da violenta explosão que, ao princípio da tarde de ontem, destruiu a Fábrica de Fogos de Artificio Libório Joaquim Fernandes, localizada em Lanhelas, concelho de Caminha. As quatro casas destruídas encontravam-se a pouco mais de 50 metros da fábrica e não resistiram à força da deslocação de ar provocada pelo rebentamento”. (Jornal «Público», 3Junho2000) in https://www.publico.pt/2000/06/03/jornal/explosao-arrasa-fabrica-pirotecnica-144754

恭喜發財 – Kong Hei Fat Choi – Gōng Xǐ Fā Cái

Hoje festeja-se a entrada do novo ano chinês, ano do Búfalo  牛, de Metal  金 O elemento Metal na sua forma Yin , será o elemento principal deste ano, a principal fonte de energia.

Precisamente há 65 anos atrás, este dia 12 de Fevereiro, do ano de 1956, festejou- se a entrada do ano do Macaco /Fogo. Do «Macau Boletim Informativo» (1) retiro parte do artigo (não assinado) sobre as festividades do ano novo chinês desse ano.

“ … Houve feriados nas escolas e dispensas de serviço nas repartições pública s, desde a véspera do primeiro dia até ao terceiro da primeira Lua. A passagem do ano foi, desta vez, assinalada não só com os tradicionais festejos, como também com grandioso espectáculo de arte e folclore chinês e deslumbrante festival de fogo de artifício português. Desde os derradeiros dias da última Lua do ano findo, notava-se já, principalmente nos bairros chineses, extraordinário movimento de transeuntes, uns recém-chegados de Hong Kong e dos vizinhos portos chineses e outros aqui residentes, azafamados nos preparativos que precedem sempre esta festiva data, sem dúvida a mais importante do velho calendário chinês.

Segundo noticiou a imprensa desta cidade subiu a mais de 12.000 o número dos forasteiros vindos da colónia britânica, nesses dias, sendo de calcular que tenha também atingido cifra igual ou maior o número das vizinhas regiões chinesas que aqui vieram passar os feriados da quadra, dadas as recentes facilidades concedidas pelas respectivas autoridades.

Nos três últimos dias que imediatamente antecederam o dealbar do ano novo, realizou-se no Largo do Senado, em barracas construídas ad hoc, a tradicional venda de flores, que foi notavelmente concorrida, não obstante a crise que, presentemente, atravessa esta cidade.- É que, arreigado aos seus velhos usos e costumes, não há chinês, por mais pobre que seja, que não compre, nesta data, ou um ramo de pessegueiro ou um ramo de «tiu chong» (árvore de flores de campainha) ou ainda, um ramalhete de jacintos, crisântemos ou outras flores da estação. A venda prolongou-se até alta madrugada do primeiro dia do ano novo Desde o amanhecer do primeiro dia e durante os dias seguintes, ouviu-se, por toda a cidade, um incessante estralejar de panchões, número obrigatório nas grandes e pequenas demonstrações quer de alegria quer de tristeza, entre os chineses. Nunca nas ruas da cidade, em todo o ano, estiveram tão movimentadas.

Os salões de divertimentos do Hotel Central, os restaurantes e casas de pasto, os salões de dança, os cinemas e teatros e outros recintos de diversão ou de reuniões ou de reuniões sociais apresentavam o mesmo aspecto festivo e animadíssimo. Nos lares, nos pagodes e nos clubes, notava-se igualmente desusado movimento de gente. Já a afluência de forasteiros, já com o abandono das habituais fainas dos marítimos, dir-se-ia que a população citadina triplicara nesses dias. Por toda a parte se ouvia o permutar da clássica saudação «Kong Hei Fat Choi» (Parabéns, boa sorte), geralmente acompanhada do tradicional «lai si» (dinheiro envolto em papel encarnado)

No primeiro dia do novo ano, houve festiva recepção na sede da Associação Comercial de Macau, tendo, segundo uma velha praxe, na véspera a Companhia «Tai Heng», proprietária do Hotel Central, oferecido, no Restaurante «Golden City» do mesmo Hotel, um banquete chinês em honra do Governador da Província, assistindo também diversos funcionários e suas esposas..

(1) «Macau B. I.», III-61 de 15 de Fevereiro de 1956, p. 6.

Extraído de «O Oriente»,  I-5 de 15 de Fevereiro de 1872, p. 3

NOTA: O ano novo chinês de 1872, iniciado a 9 de Fevereiro e com termino a 29 de Janeiro de 1873, foi o ano do Macaco/Água.

O ano novo chinês de 1873, ano do Galo /Água, festejou-se a sua entrada no dia 29 de Janeiro. Recupero um artigo noticioso da «Gazeta de Macau e Timor», de 1873, sobre “O Anno Novo China” desse ano.

Extraído de «Gazeta de Macau e Timor», I- 20 de 4 de Fevereiro de 1873, p. 3.

Continuação da leitura o número especial dedicado ao ultramar português do “Diário Popular” em 1961 (1), (2) nomeadamente nos artigos com referência mais específica a Macau que estão nas páginas 5 a 21 da sessão “Índia, Macau e Timor “ (total 4 páginas).

Páginas 10-11 (IMT): “A assistência pública está a realizar uma obra de largo alcance social e profunda repercussão política dentro do espírito cristão.

Página 12 (IMT): “O Progresso dos C.T.T.  demonstra que a Administração Portuguesa no Extremo-Oriente é inspirada por um superior critério. Um serviço de notável eficiência e uma organização de técnica modelar”.

Página 15 (IMT): “A Polícia de Segurança Pública é uma corporação modelar com alto grau de eficiência técnica.” (continuação do mesmo artigo da página 9)

As dedicadas e importantes funções da Polícia Política

(1) Ver anteriores referências em https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/diario-popular/

(2) http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/RaridadesBibliograficas/DiarioPopularDedicadoaoUltramarPortugues/DiarioPopularDedicadoaoUltramarPortugues_master/DiarioPopular_dedicadoaoUltramar.pdf

Principiaram a 16 de Outubro de 1837 e decorreram durante 6 dias, as festas no Pagode do Bazar.

NOTA: o termo “Sam Cai Hui Cun” no texto, refere-se ao Pagode das Três Ruas “SAM KAI VUI KUN ou KWAN TAI /三街會館或關帝古廟.  (1)

NOTA: o termo “Hoei cuon” no texto, refere-se à Casa de Beneficência “Sam Kai Vui Kun (Assembleia dos Habitantes das três Ruas), que gere o Pagode das Três Ruas e onde a Sociedade tinha a sua sede. (1)

Extraído de «O Macaísta Imparcial», Vol II, n.º 121, de 18 de Outubro de 1837, p. 67

Extraído de «O Macaísta Imparcial», Vol II, n.º 122, de 25 de Out 1837, p. 71

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-sam-kai-vui-kun-kwan-tai/

Hoje celebra-se o Festival de Outono, uma velha festa tradicional chinesa comemorado no 15.º dia de oitavo mês do ano que segundo historiadores chineses terá quatro mil anos, possivelmente na Dinastia Tang, mas outros afirmam ser de cerca 2000 anos, no Período da Primavera e Outono. Mais conhecida em Macau, entre os macaenses como a Festa do Bolo Lunar/ Bate Pau 月餅 ou das Lanternas. A origem do bolo lunar terá sido na dinastia Tang, mas mais popularizado na dinastia Ming (1)

Para celebrar este dia, recordo uma poesia do Padre Benjamim Videira Pires :

LUA DO «BATE-PAU»

Macau, 30 de Setembro de 1974 Benjamim Videira Pires (2)

(1) Anteriores referências a esta festa em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bolo-lunar-bolo-de-bate-pau-%E6%9C%88%E9%A5%BC/

(2) PIRES, Benjamim Videira – Espelho do Mar. Instituto Cultural de Macau, 1986, 57 p. Anteriores referências ao Padre Videira Pires em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/padre-benjamim-videira-pires/

Hoje dia 25 de Junho de 2020, realizar-se-á a última das regatas de Barcos-Dragão, (regatas para grandes embarcações) no Centro Náutico da Praia Grande. A festividade deste ano, que já teve duas sessões, nos dias 20 (Festival em Família) e 21 de Junho (Regatas de barcos-dragão para pequenas embarcações), contou somente com equipas caseiras, sem a participação de equipas estrangeiras devido à pandemia da covid19.

Para comemorar este evento, apresento, um postal intitulado “CORRIDA DOS BARCOS-DRAGÃO”, pertencente à colecção de dez postais impressos na Tipografia Seng Si Lda (5.000 exemplares), emitidos pela Direcção dos Serviços de Turismo, em Fevereiro de 2006, publicitando “Eventos de Macau” (1). Sem outras indicações (autores? datas?)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/01/29/postais-da-direccao-dos-servicos-de-turismo-eventos-de-macau-2006-i/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/02/29/noticia-de-29-de-fevereiro-de-2020-procissao-do-nosso-senhor-dos-passos-postais-da-direccao-dos-servicos-de-turismo-eventos-de-macau-2006-ii/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/05/02/noticia-de-2-de-maio-de-2020-postais-da-direccao-dos-servicos-de-turismo-eventos-de-macau-iv-festival-de-artes-de-macau/

SIU HENG TCHÔNG 肇慶棕 Bolos de arroz glutinoso à moda de Siu Heng

Estes bolos (1) são conhecidos em Macau pelo nome de catupás (2) sendo vendidos e consumidos pelos chineses nas ocasiões da Festividade de Pelopé, isto é, na Festividade dos Barcos Dragões.

Em Macau, chama-se Pelopé à centopeia e os barcos que entram nas corridas desta festividade chinesa são chamados pelopés, por causa do seu feitio e dos seus numerosos remos lembrarem uma centopeia.

O termo Siu Heng Tchông é empregado para se referir aos pés propositadamente deformados das mulheres chinesas que com as suas ligaduras faziam lembrar estes bolos de arroz glutinoso, de formato piramidal, embrulhados com folhas de figueira ou de bambu e que em Siu Heng (cidade) (3) se fazem com quase meio metro de comprimento. (4)

(1) 肇慶 mandarim pīnyīn: zhào qìng zōng; cantonense jyutping: siu6 hing3 zung1

(2) Catupá – espécie de pequeno pudim de arroz gomoso, cozido em banho-maria dentro dum envólucro de folha de bananeira. A folha é enrolada e atada com uma espécie de fio de ráfia, de modo a ficar com a forma aproximada duma pirâmide triangular. O catupá pode ser “doce” ou “salgado”. O “doce” não é na verdade doce, mas insípido e, ao comer, toca-se em açúcar. Consta apenas de arroz cozido. O “salgado” tem no centro uma gema de ovo salgado, bocadinhos de toucinho de porco, sementes de lotus, uns grãos de cevadinha, etc. Esta espécie de pudim é geralmente preparado por chineses e oferecido aos amigos por altura da Festa do Dragão, no 5.º dia da 5.ª lua, isto é, pelo nosso mês de Junho

Há uma cantiga do antigo folclore, que muitas pessoas idosas e de meia idade ainda sabem onde a palavra ocorre:

«Quim querê pra mim

Tant´ancusa logo dá:

Apa, muchi coco,

Pipis, catupá.»

BATALHA, Graciete Nogueira – Glossário do Dialecto Macaense, 1977

(3) Zhaoqing (肇慶) –  em cantonense: Siu Hing- cidade localizada na província de Cantão (Guangdong) no sul da República Popular da China.

(4) GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa in «Mosaico», V-25/26 de Setembro/Outubro de 1952, pp 44-45.