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Anúncio duma empresa sediada na Avenida Almeida Ribeiro (Largo do Senado) n.º 11-13, publicitando:

“Pintor, empreiteiro, fornecedor, fotógrafo, fabricante de carimbos de borracha e molduras. Conserto e pintura de imagens”

Extraído de «BOGPM»,  n.º 3 de 20 de Janeiro de 1923, p. 57

É como fotografo que aparece nos Anuários de Macau de 1922 (p. 366) e 1924 (475).

E no Anuário de Macau, 1927 (p. 316), já aparece como “atelier, vendendo artigos fotográficos”

AVISO: “Aluga-se «Motor-boat»para passeios, pic-nics e banhos, $ 5, 00 patacas por hora“. Os bilhetes de embarque devem ser pedidos à firma F. Rodrigues, Avenida Almeida Ribeiro, (n.º 10 todos os dias úteis das 9 às 12 e das 14 às 16. Telefone n.º 12.”

Anteriores referências desta firma neste blogue em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/firma-f-rodrigues/

CASA DE LEILÃO – casa de leilão situada na Avenida Almeida Ribeiro (possivelmente n.º 1-H e n.º 1-I) pertencia à família dos comerciantes Moosa («Moosa & Companhia»)  fundada em 1880 com vários negócios nomeadamente importação, exportação, comissões, consignações e conta própria, agente de navegação e seguros. A casa comercial mais conhecida era na Rua Central n.º 45 r/c. Inicialmente era designada “ Casa Cassam” (Cassam Moosa, pai de Omar Cassam). Este J. C. será familiar.

Anteriores referências neste blogue em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/moosa-companhia/

Loja “PEROLA DE MACAU”- fundada no ano de 1921 e estabelecida na Rua do Campo n. 49; Gerente: Delfina C. G. Pereira Gois

Loja onde se “encontram sempre os melhores vinhos, licores, conservas e outros artigos de mercearia, especialmente os nacionais”. Possuía ainda área para bilhares e botequim.

No dia 19 de Dezembro de 1909, realizou-se uma récita de caridade realizada no Teatro D. Pedro V, pelo «Grupo de Amadores», (1) sob a direcção de Constâncio José da Silva, em que se representaram 4 comédias. A Comissão do Grupo, compunha-se do coronel Fernando José Rodrigues, presidente (2); major Joaquim Augusto dos Santos, secretário (3); António A. Pacheco, tesoureiro; Aníbal C. Henriques, Conde de Sena Fernandes, (2) C. J. da Silva, Ernesto Álvares, Francisco Xavier Brandão, Gerardo J da Rocha, Henrique Manuel Vizeu Pinheiro (4), Dr. José Maria de Carvalho e Rego (director cénico dessa Academia) (5) e Cap. João de Sousa Carneiro Canavarro.

(1) Teve vários nomes: «Grupo de Amadores» no início, «Grupo de Amadores de Teatro e Música» em 1924, «Academia de Amadores de Teatro e Música» em 1934. (6) As suas récitas, concertos e saraus foram, com raras excepções, dados no Teatro D. Pedro V. Com o rebentar da guerra na Europa em 1939 e no Pacífico em 1941, a Academia entrou em agonia e extinguiu-se placidamente de morte natural. O último presidente foi o brigadeiro Temudo de Vera, gerente da Filial do Banco Nacional Ultramarino em Macau. (TEIXEIRA, P. Manuel – O Teatro D. Pedro V, pp. 33-34).

(2) Fernando José Rodrigues (Funchal 1863- Macau 1926). Assentou praça voluntária no Regimento de Infantaria nº 2, a 26 de Setembro de 1882; promovido a alferes para a guarnição de Macau e Timor a 12 de Maio de 1887; serviu em Timor de 1887 a 1890; transferido para a Guarda Policial de Macau em 1890; capitão em 1893, sendo novamente colocado em Timor; regressou a Macau em 1894; promovido a major em 1902; chefe do Estado Maior de Timor em 1903; chefe do Estado Maior de Macau em 1905; comandante do Corpo de Polícia de Macau em 1907; promovido a coronel em 1909 e passou à reserva em 1911 no posto de general de Brigada. Foi membro do Conselho do Governo de Macau, já reformado por vários anos provedor da Santa Casa da Misericórdia e presidente do Grémio Militar. Possuía várias condecorações. Casou em Macau a 16-06-1894, com Alina Clariza de Sena Fernandes (1868-1941), filha de Bernardino de Sena Fernandes e de Ana Teresa Vieira Ribeiro, condes de Sena Fernandes. Em sua homenagem o Leal Senado decidiu atribuir o nome “Rua do General Rodrigues” (7) a uma das artérias de Macau. (8) Ver:  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bernardino-de-senna-fernandes/

(3) Joaquim Augusto Tomé dos Santos 1867 – 1954, militar e administrador colonial português. Filho de Joaquim Tomé dos Santos, Cirurgião Ajudante do Regimento de Caçadores N.º 9, e de Angélica Monteiro, e neto paterno de Manuel Tomé dos Santos e de sua mulher Maria Joaquina de Jesus. Alferes da Guarda Policial de Macau na altura do seu primeiro casamento, em 2 de Outubro de 1890, e Alferes do Quadro Oriental do Ultramar na altura do seu segundo casamento, em 16 de Fevereiro de 1895, progrediu na carreira militar e passou à reforma no posto de Coronel. Foi Governador Interino de Macau por duas vezes (17 de Julho de 1919 a 23 de Agosto de 1919 e 16 de Julho de 1924 a 18 de Outubro de 1925) e era Comandante Militar de Macau quando se deram os graves distúrbios de 1922. (8) https://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Augusto_Tom%C3%A9_dos_Santos

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/henrique-manuel-vizeu-pinheiro/

(5) José Maria Ernesto de Carvalho e Rego, (Porto 1860 – Macau 1917) – Bacharel em Direito, magistrado judicial em Quelimane, Beira, Timor e Macau. Em 1908 radicou-se defensivamente em Macau como procurador administrativo dos negócios sínicos e advogado. Foi também jornalista, redactor do jornal «A Verdade». Casado com Joana Alexandrina Palmeira de Carvalho e Rego (1860 – Macau, 1934). Pai de José da Conceição Ernesto de Carvalho e Rego (1890-1977) (um dos fundadores do Grupo de Amadores de Teatro e Música, em 1924), Fernando Ernesto Palmeira de Carvalho e Rego (1894-1957) e Francisco Ernesto Palmeira de Carvalho e Rego (1898-1960)

 (6) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/01/noticia-de-1-de-setembro-de-1934-academia-dos-amadores-de-teatro-e-musica/

(7) Rua do General Rodrigues – começa na Rua de Afonso de Albuquerque, entre o prédio n.º 16 e a Esquadra Policial n.º 3, e termina na Rua do Bispo Medeiros, ao lado do prédio. N.º 25.

(8) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume III, Fundação Oriente, Macau, 1996, p. 255. TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Tomo II, 1997, pp. 414-415.

Domingos Pires de Azevedo, primeiro oficial taquigrafo do Congresso da República, professor de Taquigrafia do Instituto Superior de Comércio de Lisboa, redactor-taquigrafo do jornal “A Manhã” de Lisboa, foi contratado pelo Governo de Macau, em 1920, para ser professor da “Escola Oficial de Taquigrafia”, funcionava no Liceu de Macau. A escola foi criada por portaria n.º 345 de 4 de Novembro de 1920 do governador Henrique Monteiro Correa da Silva, e inaugurada a 15 de Novembro de 1920 (1) A escola pouco durou, 1920 a 1923, pois morreu com a retirada do seu fundador.

ANUÁRIO DE MACAU DE 1921

Segundo o Regulamento de 4-11-1920, o professor foi contratado para dar o curso de taquigrafia (ou estenografia) que era gratuito para os inscritos, e durava dois anos, sendo o 1.º teórico e o 2.º prático; os exames de passagens constavam de ditados dum trecho, durante 3 minutos, com a velocidade de 130 sílabas por minuto, as provas do exame final constavam de escrita taquigráfica e tradução imediata, em caracteres comuns, dum ditado de 3 minutos co a velocidade de 213 sílabas por minuto.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/20/curiosidade-escola-oficial-de-taquigrafia-de-macau/

Anúncio em inglês de 1920, inserida numa publicação “turística” editada em Hong Kong.

O “Hotel Macao”/ “Macao Hotel” situado no Centro da Praia Grande  com entrada na Rua da Praia Grande n.º 65, tinha uma fachada de três pisos, que dava para a praça da Praia Grande, e proporcionava uma ampla vista panorâmica da zona ribeirinha e da marginal orlada de pinheiros, e uma porta lateral sque dava para  futura Avenida de Almeida Ribeiro. O luxuoso hotel era o preferido dos turistas e comerciantes  abastados e dos convidados oficiais.

Anteriormente chamado Hotel “Hing Kee” (o proprietário do hotel era o sr. Leong Hing Kee / Pedro Hing Kee, grande negociante/comerciante em Hong Kong e em Macau) (1) foi depois remodelado, passando a ser conhecido em 1903, como “Macao Hotel” e depois na década de 20 (séc. XX) “New Macao Hotel” com entrada principal na Avenida Almeida Ribeiro. Após a morte do proprietário, o hotel de novo entrou em obras, permanecendo a entrada pela Avenida Almeida Ribeiro, e reinaugurado com o nome de “Hotel Riviera” de 1928 até 1969, quando foi demolido. Em 1974 erigido no mesmo local o edifício Comercial Nam Tung e depois reconstruído, em 1998 para sede do Banco da China, em Macau.

(1) Pedro Leong Hing Kee (alias Pang Ahim) (segundo algumas fontes, além do chinês, falava francês, inglês e português?) era entre 1870 e 1880, dono de dois hotéis de luxo em Hong Kong “Hong Kong Hotel” e Victoria Hotel” e depois em 1890 fixou-se em Macau,. envolvendo-se  em vários negócios, como por exemplo, negociante de gelo neste anúncio de 1922

Pedro Hing Kee era proprietário do hotel “Hing Kee” (também chamado “Hotel Victória“) , inaugurado em 1880, e em Maio de 1903, vendeu-o por 20 mil patacas a William Farmer. (2) Há uma outra informação que refere ter o Hotel “Hing Kee”, pertencido de 1891 a 1903 a um chinês, rico comerciante do Havai (3)

(2) William M. Farmer, australiano do ramo da hotelaria, veio para Hong Kong em 1890 para trabalhar no “Victoria Hotel” e depois “New Victoria Hotel” que ele comprou, em 1898. Em 1892 associado ao negociante parse, Sr. Madar, adquiriu o “King Edward Hotel”. Nessa década, terá vindo a Macau e achou que era proveitoso investir na hotelaria em Macau e havia só dois hotéis que o satisfazia: hotel Boa Vista e o hotel Hing Kee. Quis arrendar o Hotel-sanatório Boa Vista, mas este foi cedido à Santa Casa da Misericórdia, em 1901, por 80 mil patacas. Comprou o Hotel Hing Kee, em 1903 rebatizando-o como “Macao Hotel”.

 (3) “Quando Chun Afong (1825-1906), um rico comerciante do Hawaii, visitou Macau na companhia do filho no verão de 1891, tentou entrar no Hotel Victoria, mas foi impedido pelo porteiro que lhe explicou que “cães e chineses não eram admitidos”. Chun ficou irritadíssimo e pediu para falar com o gerente do hotel, a quem ofereceu 5.000 dólares americanos pela compra do Hotel. Uma vez adquirido, o hotel mudou de nome e passou a chamar-se “Sei Hoi Fong Un” (o jardim de Fong dos quatro mares).” (“As Ruas Antigas de Macau”, I.A.C.M., 2016,p. 29)

Anteriores referências a este hotel em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-new-maca

Uma outra visão dos acontecimentos do “Ano da Greve” ou “Os Tumultos de 1922” (1) “Um landim (soldado africano assediou sexualmente uma mulher chinesa na entrada da Companhia Sun Kuong, na Avenida Almeida Ribeiro, o que originou uma vaga de protestos públicos, dai resultando a detenção de um indivíduo chinês pelas autoridades. Coloniais. Uma grande multidão aglomerou-se então frente ao posto policial (Posto policial da Caldeira) (2) exigindo a libertação do detido, mas sem êxito. Já na madrugada do dia 29 de maio, os polícias portugueses abriram fogo contra os manifestantes que se recusavam a abandonar o local, o que ficou conhecido  por «Incidente de 29 de Maio» (3)

A versão apresentada por Beatriz Basto da Silva : (4) “1 de Maio de 1922 – As associações operárias de Macau promovem uma manifestação. Os ânimos opondo patrão e operário estão exaltados e, como é comum nestas circunstâncias, as manifestações multiplicam-se. Um acidente entre um soldado moçambicano e uma prostituta chinesa, a 28 de Maio, (4) desencadeia um tiroteio grave, que conduz a troca de explicações entre governo de Macau e a autoridade de Cantão, levando ao castigo de militares envolvidos bem como à retirada de Macau do contingente de forças africanas.”

(1) As Ruas Antigas de Macau, IACM, 2016 p. 159.

(2) No Largo da Caldeira, no local onde esteve o Teatro Ship Seng que durou pouco tempo pois as instalações eram deficientes

(3) “29-05-1922 – Cerco à esquadra de Ship Seng e resposta policial. São mandadas encerrar todas as associações de classe cujos estatutos não sejam autorizados ou requeridos. A população chinesa abandona Macau. Foi nesse dia que foi proclamada o estado de sítio em todo o Território (B.O. n.º 21-S). Facto graves contra soberania nacional, o prestígio das autoridades e a segurança da população” (4)

 (4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.

NOTA: ainda sobre este episódio bem como outros relacionados, ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/12/13/noticia-de-13-de-dezembro-de-1922-atentados-bombistas/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/05/29/noticias-de-28-e-29-de-maio-de-1922-leitura-a-revolta-dos-chinezes-de-macau/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/23/os-tumultos-de-macau-em-1922i/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/12/13/noticia-de-13-de-dezembro-de-1922-atentado-bombista/

A centenária (início em 1918) LOJA “VENCEDORA” DE A KUAN , ainda em funcionamento ao fim destes anos e gerida pela mesma família Lam, (1) na mesma rua mas portas ao lado do inicial que era na Rua do Campo n-º 26-A (2)

A “Barbearia Portuguesa” (desconheço a data de início)  em 1922, a Gerente era Berta Maria de Oliveira (Anuário de 1922)  mas terá encerrado com este nome em 1923 pois em 1924 (Anuário de 1924) com o mesmo endereço, estava a Barbearia “Man Vó” – gerente: Li Leong.

(1) Fundador, o senhor Lam Kuan que deixou de ser cozinheiro numa embarcação ao serviço da Marinha Portuguesa, para se estabelecer no negócio em 1918, na Rua do Campo n.º 26-A.  Hoje o o “Estabelecimento de Comidas A KUAN –  坤記餐室” é gerido pelos netos. 坤記餐室 – mandarim pīnyīn: kūn jì cān shì; cantonense jyutping: kwan1 gei3 caan1 sat1

Muitas histórias se passaram neste estabelecimento, algumas disponíveis para leitura em: revistamacau.com/rm2020/2018/06/11/pratos-com-historia/

Anuário de Macau, 1922

A empresa «Botelho Bros.» foi fundada em Hong Kong por irmãos macaenses:  Braz Joaquim Heitor Botelho (1), o seu irmão mais velho, António Alexandrino Heitor Botelho Jr (2) e o mais novo, Pedro Vicente Heitor Botelho.(3) São filhos de António Alexandrino Heitor Botelho (Macau 21.10.1852 – HK antes de 1920) e de Melânia Joana da Luz Vieira (1854 – HK 23.2.1937) que casaram na Catedral de Hong Kong em 18.4.1874 e tiveram 8 filhos e são netos de Guilherme Sabino Heitor Botelho (Macau 30.12.1823 – Macau 26.3.1868 e de Paulina Francisca Salatwicky Piter (4)

A empresa tinha sede no Alexandra Building em Hong Kong e filiais em Shanghai, São Francisco e Nova Iorque e dedicava-se à importação, exportação e agência de navios, sendo agentes exclusivos da Mala Real Espanhola. Em 1918, a empresa tinha a sede na “Ormsby Villas” (5)

(1) Braz Joaquim Heitor Botelho (HK 26.2.1876 – Macau 6.7.1919, sepultado em Hong Kong) foi o fundador da empresa. Casou em Hong Kong a 3.10.1897 com Francisca Maria Lima Yvanovich.

(2) António Alexandrino Heitor Botelho Jr (HK 11.1.1875 – HK 13.2.1908). Casou com Sara Balbina dos Remédios. A 29.12.1895 em Hong Kong

(3) Pedro Vicente Heitor Botelho (HK 22.7.1879 – Tientsin. China).Foi comerciante em Shanghai e Manila. Depois fixou residência em Hong Kong onde foi presidente do «Club Recreio» em Kowloon. Casou com Maria Christina Rosello (Manila 27.10.1887 – HK em 1988). O 2.º filho deste casal, António Alexandrino Rosello Botelho (nascido em Manila em 1905) foi o fundador das firmas «A. A. R. Botelho & C.ª», «Lanena Shipping Corp.» e da «Botelho Shipping Corp.», todas em Manila.

(4) Segundo Padre Teixeira, terá sido um ascendente desta família “que deu o nome primeiro ao Largo, depois ao Cais e subsequentemente à Calçada do Botelho. Este toponímico é muito antigo, pois já se menciona em 1727. Supomos que lhe foi dado por ali viver Botelho. TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume II, 1997

(5) Lista Oficial dos jurados de 1918 da Colónia de Hong Kong – Braz J. H. Botelho e Pedro V. H. Botelho. https://gwulo.com/jurors-list-1918

NOTA I – Informações biográficas da família Botelho foram recolhidas de: FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol I, 1996 e https://www.geni.com/people/Guilherme-Botelho/6000000061019194845

NOTA II – Em 1925 ainda existia a empresa nas mãos da família Botelho (sede: Peking Road, 64)  como comprova este anúncio no «Comacrib  Directory of China», 1925

NOTA III – «Transportes Marítimos do Estado» (TME) (ou Comissão Administrativa dos Serviços de Transportes Marítimos) foi uma empresa estatal de navegação portuguesa criada em 1 de Fevereiro de 1916 com a entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial, tendo ficado responsável pela manutenção e exploração dos navios confiscados à Alemanha. Foi extinta em 1 de Fevereiro de 1925 após sindicância por gestão danosa da empresa. https://pt.wikipedia.org/wiki/Transportes_Mar%C3%ADtimos_do_Estado

Encadernação de época de lombada em papel

Livro fundamental para quem quiser saber cronologicamente por dias, meses e ano, a história de Macau, de Luís Gonzaga Gomes editado em 1954, pelo “Notícias de Macau», o XII volume da «Colecção Notícias de Macau, embora , como afirma o autor, não seja precursor, em Macau, deste tipo de documentação histórica por datas, numa sequência lógica.
Livro composto e impresso nas oficinas do Jornal «NOTÍCIAS DE MACAU», Calçada do Tronco Velho, n.º 6-8, Macau- Oriente (1)

Luís Gonzaga Gomes na sua introdução, elabora uma pequena “história” deste tipo de trabalho, e justifica a publicação do presente livro.
“ O primeiro trabalho no género do que presentemente apresentamos foi efectuado por A. Marques Pereira e publicado, e em números sucessivos do Boletim do Governo da Província de Macau e Timor de 1867. No ano seguinte, este trabalho foi editado, em forma de livro, por José da Silva, com o seguinte título “Ephemerides Comemorativas da História de Macau e das Relações com os povos christãos,”, por A. Marques Pereira, (2) antigo secretário da Legação de Portugal na China, Procurador dos Negócios Sínicos d Cidade de Macau, Membro honorário da Real Sociedade Asiática (Inglesa), Cavalheiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição, etc.
Em 1922 apareceu no Anuário de Macau um trabalho idêntico, porém, mais simplificado mas quase todo baseado nas “Ephemerides” de A. Marques Pereira.
Em 1842 a revista «Religião e Pátria» reproduziu, na íntegra, o trabalho aparecido no Anuário de Macau. Em 1944, o semanário «União» publicou trabalho idêntico mas, infelizmente, com muitas gralhas tipográficas, na parte respeitante às datas, registando, todavia, vários acontecimentos não mencionados em trabalhos anteriormente publicados.
Com o aparecimento de inúmeras obras de investigação, sobre assuntos referentes à actuação dos portugueses no Extremo-Oriente, conscienciosamente feitas por Jordão de Freitas, Frazão de Vasconcelos, Armando Cortesão, Manuel Múrias, Albert Kammerer, Dr. José C. Soares, C. R. Boxer, J. M. Braga, Pe. M. Teixeira, Pe. A. Silva Rego e outros, bem como a publicação dos “Arquivos de Macau”, surgiu a possibilidade de se elaborar um novo trabalho deste género, só com factos referentes a Macau, que publicamos, em 1950, na revista «Mosaico».
Este trabalho, depois de refundido e muito acrescentado, volta agora a aparecer, pela necessidade que existe duma obra, onde os que se interessem pela história desta província ultramarina podem encontrar breve notícia daquilo que lhes exigira muito tempo perdido em busca e rebusca por bibliotecas, pois tudo quanto se tem publicado sobre Macau…”

(1) GOMES; Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p., 18 cm x 11,5 cm x 2 cm.
Anteriores referências a L. G. Gomes em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/luis-gonzaga-gomes/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-feliciano-marques-pereira/

Anúncio publicado no «Anuário de Macau» de 1922, da Mercearia “A MODESTA” de António Manoel Salvado, situada na Rua do Campo, 3 a 5. Tinha bar e bilhares. Fornecia também comida à europeia.
Inexplicavelmente, nos Anuários de Macau entre 1922 a 1932, que possuo, não se encontra registado com este nome, nas listagens das actividades comerciais de Macau, “Mercearias” e “Botequins”
António Manoel (Manuel) Salvado nasceu em 1879 no distrito de Castelo Branco (Portugal) e faleceu em Macau em 1932. Assentou praça voluntária em 1896, no Regimento de Infantaria n.º 21 e veio para Macau em 1899. Foi colocado no Corpo de Polícia de Macau e, mais tarde, na Companhia Europeia de Infantaria. Reformou-se em 2.º sargento e abriu a mercearia “A Modesta”, na Rua do Campo. (1)
(1) FORJAZ, Jorge –  Famílias Macaenses, Tomo III, 1996, p.487.