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Pequena notícia publicada no Anuário de Macau de 1922, em português, francês e inglês,  retirada do «Bulletin Commercial d´Extrême-Orient»,  acerca do comércio do ópio. Informava que sete oitavas partes do ópio importado na China traziam etiquetas provando que o ponto de partida e da produção é Osaka e não Macau, como tinha sido injustamente atacado, nomeadamente a nível da «Association International contre l´Opium»
Recorda-se que Portugal esteve presente, em Dezembro de 1920, na constituição da chamada a «Comissão do Ópio» abreviatura da internacional «Comissão Consultora do Tráfico do Ópio e Outras Drogas perigosas». Dali resultaram duas conferências em 1924  onde não se chegaram a uma conclusão sobre a maneira de suprimir a produção ilegal do ópio. Só em 1927 foi concluída o “Regulamento do tráfego do ópio e seus derivados”). A situação económica de Macau estava muita boa no período de 1918 a 1921 devido sobretudo ao rendimento do exclusivo do ópio e a aplicação do regime sobre o regulamento de 1927 foi aplicado em Macau em Julho desse ano. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4)

Um soneto de Manuel da Silva Mendes (1) publicado no n.º 3 de 1 de Dezembro de 1920 na folha mensal  “A Academia”, (2) publicação da associação dos alunos do Liceu Central de Macau, denominada “Academia” (fundada por iniciativa do reitor Carlos Borges Delgado).

«O que quereis, à última da hora,
Rapazes, no jornal que vos escreva?!
Tolices? Todo o tempo não me chega
P´ra corrigir as vossas … Ora …Ora!
 
Demais a mais, sabeis que, muito embora
Eu mestre seja, tendes cá na adega
Quem melhor o licor das musas beba,
Ide, pois, lá. Deixai-me em Paz agora …
 
Ou, se não convidai as raparigas:
Há-as ahi na apolínea lira bela
Mui excelentes mestras em tangê-las.
 
Enfim, se imaginais que com cantigas
Me venceis, trêtas, pândegas, ó Rosa,
No fim do ano apanhais uma raposa».

(1) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-da-silva-mendes/
(2) Fundada em 5 de Outubro de 1920, a folha mensal durou até Junho de 1921 e reapareceu (depois das férias) como revista em Abril de 1922, o nº 10 (o último número segundo o Padre M. Teixeira). Tinha como director, Pedro Correia da Silva (3), editor o reitor, Carlos Borges Delgado e administrador Edmundo Carlos da Silva.
(3) Pedro Belford Correa da Silva (Paço d´Arcos) (1905-1936) advogado e poeta, foi aluno do Liceu de Macau entre 1919 e 1922 (5.º ano ao 7.º ano). Fundador do jornal “A Academia” onde também colaboraram os seus irmãos: Joaquim Belford Correa da Silva (1908-1979), ficcionista, dramaturgo, poeta, conhecido como Joaquim Paço d´Arcos e Henrique Belford Correa da Silva (1906-1993) poeta com o nome de Anrique Paço d´Arcos, Os irmãos chegaram a Macau em 1918, acompanhando o pai, o então capitão-tenente da marinha que tinha sido nomeado governador de Macau, Henrique Monteiro Corrêa da Silva (1878- 1935), nascido em Macau e governador de 1919 a 1922. (4)
(4) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/henrique-monteiro-correa-da-silva/
Extraído de TEIXEIRA, P. Manuel Teixeira – Liceu Nacional Infante D. Henrique, 1969.

Albert Einstein (1879-1955) em 1921
https://pt.wikipedia.org/wiki/Albert_Einstein

Na sessão do Conselho Escolar do Liceu de 14 de Novembro de 1922, o Dr. Humberto Severino de Avelar (1) comunicou o seguinte:
«No desempenho da honrosa missão que a ele e aos seus colegas Dres. Adelino dos Santos Diniz e Telo de Azevedo Gomes fora incumbida pelo Conselho Escolar, se avistaram com o Professor Einstein a bordo do paquete «Kitano Maru» (2) no dia 9 do corrente, (3) a quem apresentaram as homenagens do mesmo Conselho, tendo-se aquele eminente sábio mostrado profundamente sensibilizado e reconhecido por tal facto, pedindo-lhes para apresentarem os seus agradecimentos ao Conselho e prometendo vir a Macau agradecer pessoalmente, desde que isso lhe fosse possível, no seu regresso do Japão» (4)

Albert Einstein e a esposa Elsa a bordo do «Kitano Maru», em 1922
https://www.scmp.com/magazines/post-magazine/travel/article/2140114/why-was-einstein-hong-kong-day-he-won-nobel-prize.

Afinal, Einstein não chegou a vir a Macau. Após uma permanência de 6 semanas no Japão, o retorno à Europa fez-se através de Shanghai, Hong Kong (6 de Janeiro de 1923), Singapura e Colombo.
(1) Os professores Humberto Severino de Avelar, Adelino dos Santos Diniz e Telo de Azevedo Gomes foram designados, na sessão do Conselho Escolar do Liceu (5) de 8 de Novembro de 1922, para irem a Hong Kong prestar homenagem ao Professor Einstein que por ali passava no dia 9; o reitor comunicou esta resolução ao Encarregado do Governo, o qual, compreendendo o alto significado deste démarche, deu a essa missão um carácter oficial enviando para esse fim ao Dr. Avelar, chefe da deputação, um ofício credencial. (2)
O Dr. Humberto de Avelar, bacharel em direito, além de professor no Liceu (latim e português)  exercia a sua profissão em consultório de advocacia na Rua de Praia Grande n.º 13.
(2) O paquete «Kitano Maru» vinha de França, via Singapura e partiu no dia seguinte, 10 de Novembro para o Japão.
(3) Precisamente a data, 9 de Novembro de 1922, em que foi anunciado em Oslo a atribuição do Prémio Nobel da Física de 1921 a Albert Einstein, “pelos serviços na física teórica e especialmente pela sua descoberta da lei do efeito fotoelétrico” No entanto, Einstein somente recebeu a notícia por telegrama na sua chegada a Shanghai, três dias depois. A cerimónia da atribuição foi realizada a 10 de Dezembro, em Estocolmo, mas o físico não esteve presente pois encontrava-se em Kyoto.
NEBBS, ADAM – Why was Einstein in Hong Kong the day he won the Nobel Prize? in
https://www.scmp.com/magazines/post-magazine/travel/article/2140114/why-was-einstein-hong-kong-day-he-won-nobel-prize.
(4) Informações de TEIXEIRA, P. Manuel – Liceu Nacional Infante D. Henrique, 1969.
(5) O quadro de pessoal /professores) do Liceu Central de Macau, em 1922 era constituído por:

No dia 12 de Maio de 1973, foi assinada a escritura da compra e venda do jardim de Lou Lim Ioc, também conhecido por jardim de Lu Cau, o único jardim de estilo chinês em Macau. Por Iniciativa do governador José Manuel Nobre de Carvalho, foi adquirido pelo governo, com todas as benfeitorias existentes pela quantia de 2, 7 milhões de patacas, (1) ao seu mais recente proprietário, «Sociedade de Fomento Predial Sei Iek Lda.», cujo gerente geral era o Ho Yin. Depois de muitos anos de abandono, a obra de renovação foi grande, englobando ajardinamento, construções, arruamentos, etc. Recuperado foi entregue ao Leal Senado para gestão e abriu ao público no dia 28 de Dezembro de 1974.
(1) Após a assinatura da escritura foi feito o pagamento de $ 1 000 000,00, o restante foi feito no prazo de 18 meses a contar da data da celebração do contrato. Para o pagamento da primeira prestação foi utilizada importância de $ 1 000 000,00, referida no parágrafo segundo da 16.ª cláusula do contrato com a S. T. D. M. e destinada a obras de fomento. Dado que a despesa total excedia a importância fixada na regra 23.ª do artigo 15.º do E. P. A. da província foi necessário obter a autorização ministerial. (Macau B.I.T., 1973)
Foto histórica à entrada do palacete do jardim Lou Lim Ioc de algumas individualidades portuguesas e o proprietário do jardim, com o general Gomes da Costa  (2)
(2) O General  Gomes da Costa chegou a Macau no dia 8 de Outubro de 1922, para inspeccionar os serviços militares de Macau. Ver esta notícia em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-gomes-da-costa/
Anteriores referências  do jardim em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jardim-lou-lim-ioc/

No dia 13 de Dezembro de 1922, foi lançada uma bomba, nos jardins do Palácio do Governo, na série de vários atentados bombistas que os terroristas chineses xenofobistas estavam executando, periodicamente, na cidade, tendo o cinema Vitória, o Grémio Militar e alguns estabelecimentos comerciais sido vítimas das suas proezas (1)
Em 29 de Maio desse ano, tinha sido novamente proclamado (2) o estado do sítio em todo o território em Macau devido ao cerco à esquadra de Ship Seng e a resposta policial. Foram mandadas encerrar todas as associações de classe cujos estatutos não estivessem autorizados ou requeridos. (3)

Palácio do Governo c. 1910

(1) GOMES, Luis G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(2) O anterior estado de sítio tinha sido declarado a 24 de Setembro de 1921 (com suspensão de garantia pelo prazo de 8 dias), mas que, em consequência de certas entidades inglesas terem intervindo, se evitou um sério rompimento, sendo ordenada, no dia seguinte, a cessação da ordem de estado de sítio (4)
(3) “29-05-1922 – Novamente é proclamado o estado de sítio em todo o território. Factos graves contra a soberania nacional, o prestígio das autoridades e a segurança da população”. (4)
“30-05-1922 – O 2.º Suplemento ao B. O. n.º 21 contém o edital n.º 2: «São convocados todos os cidadãos portugueses válidos a apresentar-se imediatamente no quartel do corpo de Voluntários (em Santa Clara), a fim de serem mobilizados para serviço do Governo. Macau, 30 de Maio de 1922 – O Comandante Militar da Cidade – Joaquim Augusto dos Santos, Coronel» Só a firmeza da resposta do Governador (Comandante Corrêa da Silva – Paço d´Arcos) às autoridades de Cantão evitou crise maior.” (4)
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, 1997.
Sobre estes incidentes no ano de 1922, anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/23/os-tumultos-de-macau-em-1922i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/24/os-tumultos-de-macau-em-1922-ii/
E aconselho a leitura de GUEDES, João – O General anarquista e a “República Cantonense” em http://arquivo.jtm.com.mo/view.asp?dT=355903012

Anúncio de 1922 publicado na imprensa escrita de Macau, da loja “Graça & Co» existente em Hong Kong, localizado nesse ano em “Wyndham Street” n.º 10 (1) onde se vendia selos, postais, artigos filatélicos, bilhetes postais, livros de orações, sementes de flores, brinquedos, etc.
A loja “Graca & Co” terá durado desde a última década do século XIX até alguns anos após a II Grande Guerra e hoje é lembrada pelos postais com a sua marca, verdadeiras relíquias de Hong Kong, Macau e China.
Exemplos de cópias de 4 postais de Macau de “Graça & Co”

Portas do Cerco circa 1890
Graça & Co. – Hong Kong, China
Boa Vista Hotel circa 1890
Graça & Co. – Hong Kong,China
The Guia Fort Lighthouse. The oldest Lighthouse on the Coast of China
Sold by Graça & Co, Hong Kong, China
Embora assinalado “1916” este postal foi impresso em 1899
Areia Preta – Bathing Beaches Macao circa 1899
Sold by Graça & Co., Hong Kong, China

(1) O blogue https://gwulo.com/, apresenta um anúncio da mesma “Graça & Co” de 1909, localizado no “Des Voeux Road”, n.º 17 , com  a venda dos mesmos produtos.

https://gwulo.com/atom/15917