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Livro de referência, em português, sobre arte chinesa, onde apresenta a colecção (parte dela) de José Vicente Jorge (1872 – 1948) (1), na altura considerada a colecção particular mais valiosa na arte chinesa.

25, 5 cm x 19 cm x 3,5 cm

Fornece a descrição cronológica da arte chinesa e das suas principais produções em cada dinastia
No seu prólogo intitulado “EXPLICANDO “ o autor explica os motivos que o levaram a redigir esta obra sobre a arte chinesa
Macau, Setembro de 1940
J. V. JORGE

Contracapa

Diz ainda o autor:
“A MINHA COLECÇÃO
Tem cêrca de 10 000 peças, representando os principais ramos da arte chinesa – cerâmica, bronze, jade, pintura, caligrafia, escultura, esmalte, laca, bordado e mobília.
A reprodução de todas as peças tornaria esta obra muito dispendiosa e êste livro demasiadamente volumoso.
As gravuras que seguem são das principais peças e dão uma boa ideia da colecção, que, como ficou dito, me levou cêrca de 50 anos a fazer.
Acho também de interesse reproduzir alguns aspectos, em conjunto, para se poder julgar do seu valor decorativo.
Macau, Setembro de 1940.”

(1) JORGE, J. V. – Notas sobre a Arte Chinesa. 1940, Tip. Mercantil de N. T. Fernandes & Filhos Ltda., Macau, 150 p + 111 folhas com 524 gravuras de peças antigas impressas em separado. O Instituto Cultural de Macau fez uma nova edição desta obra, em 1995.

NOTA: Recordo a postagem anterior de 30-11-2014 que mostra um quadro do pintor Fausto Sampaio retratando o vestíbulo da casa de José Vicente Jorge, com a sua colecção de arte chinesa.

“O quadro mostra o vestíbulo da casa de José Vicente Jorge, com a sua colecção de arte chinesa. “Macaense de destaque na Colónia e um dedicado cultor da arte chinesa. Serviu como encarregado de Negócios de Portugal em Pequim, quando da proclamação da República, em 1910 e mais tarde, em 1912, sendo chefe de Expediente Sínico em Macau foi a Cantão várias vezes, como agente diplomático, quando do tratado de expatriação com a China …(…) A colecção de preciosidades que possue é tida como a melhor do Extremo-Oriente e já mereceu a visita do director do Museu Britânico de Londres
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/11/30/leitura-fausto-sampaio-pintor-do-ultramar-portugues-vi/

Sobre este livro algumas considerações em:
TING, Caroline Pires 丁小雨; BUENO, André – Colecionismo Orientalista como Resultado de um Processo de Interação Cultural entre China, Macau e Portugal in pp. 221 a 232 de: https://entresseculos.files.wordpress.com/2018/01/anais_versc3a3o-3_2018.pdf
TING, Caroline Pires – Exposição do Mundo Português e Divulgação da Arte Chinesa in pp. 65- 69 de:
https://books.google.pt/books?id=klg6DwAAQBAJ&pg=PA65&lpg=PA65&dq=Notas+
s%C3%B4bre+arte+chinesa+#v=onepage&q=Notas%20s%C3%B4bre%20arte%20chinesa&f=false

No dia 30 de Março de 1786, (1) chega a Macau, vindo de Cantão, o Padre João Baptista Marchini, procurador da sagrada congregação da Propaganda, (2) que transferiu para Macau a Procuradoria, fundada em 16-08 1705 , em Kuang-Chau pelo Patriarca Tournon.

O Padre Marchini (1758-1823)  além de Procurador da Propaganda, foi procurador das Missões Estrangeiras de Paris (3) de 1813 a 1816. Esta sociedade foi suprimida por Napoleão I em 1809, e o seu procurador expulso de Roma em 1812. De 1785 a 1803 foi procurador das M. E. P. em Macau Claude François  Letondal; sucedeu-lhe Marchini e a este, o Padre Jean Jacques Louis Baroudel (1816-1830). Marchini faleceu em Macau em 22-IV-1823, sendo sepultado na Igreja do Seminário, onde se encontra a sua lápide com a seguinte inscrição :

«A João Baptista Marchini, Dertonense, Protonoraio Apostolico, Procurador da Congregação da Propagação da Fé insigne pela piedade, doutrina e sabedoria; benemérito da Religião Cristã. O seu companheiro Carlos Vidua Conzani, italiano, dedicou (esta lápide) a um italiano. Viveu 65 anos. Faleceu em Macau no ano de 1823» (4)

Foto de José Neves Catela, publicado em 1940 (5)

 (1) O Padre João Baptista Marchini, da Congregação de São João Baptista, Companheiro encarregado das missões da China, partiu de Lisboa em Abril de 1780, acompanhando o padre Francisco José da Torre, da mesma Congregação que foi nomeado Procurador dessas missões.

20-05-1780Carta de Roma do Cardeal Antonelli, Prefeito [da Sagrada Congregação de Propaganda Fide], para o Núncio Apostólico e Arcebispo de Petra, acusando a recepção da carta de 18 de Abril em que o informava do embarque do Padre Francisco José da Torre e do seu colega, Padre Marchini, para Macau. O autor recomenda a chamada dos ex-Jesuítas Espinha e Loureiro, residentes, respectivamente, em Pequim e Cantão, para que regressem a Portugal.” (Arquivo Secreto do Vaticano-Expansão Portuguesa, Tomo II – Oriente, 2011) http://www.lusosofia.net/textos/20121207-arqsecretovaticano_tomo_ii.pdf

Ensaio sobre o Padroado Portuguez. Dissertação Inaugural Para o Acto de Conclusões Magnas de J. Lopes Praça, Coimbra, 1869, p. 127 https://www.fd.unl.pt/Anexos/Investigacao/1484.pdf

(2) Com a “Bula Inscrutabili Divinae”, do dia 22 de junho de 1622, o Papa Gregório XV criava a Congregação, com o nome de “Propaganda Fide”. A tarefa primordial da Congregação é missionária, propagação da Fé pelo mundo inteiro, com a específica competência de coordenar todas as forças missionárias, de proporcionar directivas para as missões, de promover a formação do clero e das hierarquias locais, de incentivar a fundação de novos Institutos missionários e de prover às ajudas materiais para as actividades missionárias. A recém-criada Congregação se transformara, deste modo, o instrumento ordinário e exclusivo do Santo Padre e da Santa Sé, para o exercício da jurisdição sobre todas as missões e a cooperação missionária. Com o tempo foi-se acrescentando outros documentos pontifícios fundamentais como: “Romanum decet” (com a mesma data), “Cum inter multíplices” (14 de Dezembro de 1622), “Cum nuper” (13 de Junho de 1623), e por fim “Immortalis Dei” (1 de Agosto de 1627)

(3) A Sociedade para as Missões Estrangeiras de Paris (em francês, La Société des Missions Étrangères, outrora chamado de Séminaire des Missions Étrangères; em latim, Societas Parisiensis missionum ad exteras gentes), fundada em 1660 (outras fontes: 1658-1663), é uma sociedade de vida apostólica e de direito pontifício, católica romana, constituída por padres seculares e leigos dedicados à evangelização em terras estrangeiras. Logo, não é uma ordem religiosa. Seu acrónimo é M.E.P. Os dois fundadores da Sociedade, os padres franceses Pierre Lambert de La Motte (1624 – 1679) e François Pallu (陸方濟) (1626 – 1684), foram respectivamente nomeados vigários apostólicos da Cochinchina e do Tonkin pelo Papa Alexandre VII, em 1658. Estas nomeações entraram em directo confronto com o Padroado português, que naquela altura era o principal responsável pela evangelização da Ásia e do Extremo Oriente (excepto as Filipinas). https://en.wikipedia.org/wiki/Paris_Foreign_Missions_Society

(4) SILVA, Beatriz de – Cronologia da História de Macau, Vol. 2, 1997

(5) Sobre José Neves Catela, ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-neves-catela/ Foto extraído de TEIXEIRA, P. Manuel – Macau e a sua Diocese, 1940

No dia 19 de Março de 1962, D. José da Costa Nunes (1) que foi bispo de Macau de 1920 a 1940 (ano em que foi nomeado Patriarca das Índias), foi elevado a Cardeal. Faleceu em Roma com 96 anos.
A propósito deste acontecimento, o «Boletim Geral do Ultramar» (2) publicou uma nota biográfica,

(1) Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-jose-da-costa-nunes/
(2) Extraído de «BGU»  XXXVIII – 441, Março de 1962.

No ano de 2019 em que se celebrou o ano cultural China-Portugal (o Ano da Cultura Chinesa em Portugal, e o Ano da Cultura Portuguesa na China) assinalando os 40 anos do restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países e os 20 anos sobre a transferência da administração de Macau para a República Popular da China (20-12-1999), o Arquivo Nacional da Torre do Tombo expôs alguns dos muitos documentos de que é detentora sobre Macau nomeadamente na área da fotografia (estas da Agência Geral do Ultramar) em:
http://antt.dglab.gov.pt/exposicoes-virtuais-2/ano-cultural-china-portugal/

“Loiça à venda”, c. 1940,  Agência Geral do Ultramar, Macau
Loja de peixe salgado”, Agência Geral do Ultramar, Macau
“Loja de chá”, Agência Geral do Ultramar, Macau

Mais dois “slides” digitalizados da colecção “MACAU COLOR SLIDES – KODAK EASTMAN COLOR” (1) comprados na década de 70 (século XX), se não me engano, na Foto PRINCESA.
Monumento (2) que se erguia nos aterros das Praia Grande, em homenagem ao Governador João Maria Ferreira do Amaral foi inaugurado em 24 de Junho de 1940, por ocasião das festas comemorativas do duplo centenário e por oferta do Leal Senado., A Estátua é de autoria do escultor Maximiliano Alves e, na sua base quadrangular, existia em faces opostas, dois baixos-relevos das armas reais e duas lápides com inscrições.
Este monumento (3) com o busto do grande e intrépido navegador e descobridor do caminho marítimo para a Índia, encontra-se erguido no centro da Alameda Vasco da Gama.
Foi projectado em 1890, como homenagem da cidade de Macau ao grande navegador, para comemorar o 4.º Centenário do descobrimento do caminho marítimo para a Índia, mas só se iniciou a sua construção em 1907 e, em 31 de Janeiro de 1911, foi inaugurado pela Direcção das Obras Públicas. (4)
O busto teve como escultor, Tomás Costa, servindo-lhe de modelo um retrato existente no Museu Nacional de Arte Antiga… (…)
O monumento é formado por um busto de bronze assente num forte pedestral de granito. Na face anterior do plinto está embutido um baixo-relevo em mármore, representando o episódio do Adamastor, conforme ´e descrito nos Lusíadas.“ (5)
(1) Ver anteriores “slides” desta colecção:
https://www.google.com/search?sxsrf=ACYBGNSn7Rmv6jkuR-8RXyab3nyp4y78NQ:1567866434430&q=nenotavaiconta+slides+coloridos+de+Macau+tur%C3%ADstico&tbm=isch&source=univ&sxsrf=ACYBGNSn7Rmv6jkuR-8RXyab3nyp4y78NQ:1567866434430&sa=X&ved=2ahUKEwiSmYTP9b7kAhUVHcAKHZdNCtkQsAR6BAgJEAE&biw=1093&bih=500&dpr=1.25
(2) Ver anteriores referências ao Governador Ferreira do Amaral e ao monumento em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-m-ferreira-do-amaral/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/estatua-ferreira-do-amaral/
(3) Ver anteriores referências a este busto em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jardim-de-vasco-da-gama/
(4) Inaugurado pelo Governador interino o segundo-tenente da Armada Álvaro Cardoso de Melo Machado.
(5) HENRIQUES, Major Acácio Cabreira – Monumentos Nacionais Existentes na Província de Macau. Círculo Cultural de Macau, 1956, 58 p.

Conferência do ainda governador de Macau, Gabriel Maurício Teixeira,  que infelizmente, deixou poucos testemunhos  sobre o seu governo em Macau, (1) com os representantes da imprensa em Portugal no dia 3 de Setembro de 1946 na antiga sala do conselho do Império, no Ministério das Colónias,  reproduzida no «Boletim Geral das Colónias» (2)
(1) Oficialmente foi governador de Macau entre 5-10-1940 e 23-06-1947, mas o comandante Gabriel Maurício Teixeira, findo o período de guerra, saiu de Macau em 05-08-1946 data em que assumiu funções de encarregado do governo, o comandante do «Afonso de Albuquerque» Samuel Conceição Vieira. O novo governador, Albano Rodrigues de Oliveira tomou só tomaria posse a 7 de Agosto de 1947 no Ministério das Colónias e chegou a Macau a 01-09-1947.
(2) « BGC»,  XXII Agosto de 1946, n.º 254/255.

No dia 25 de Agosto de 1952, celebrando o quinto aniversário do “Notícias de Macau”, (1) o proprietário deste diário local, Hermann Machado Monteiro, (2) ofereceu, no restaurante “Fat Siu Lau”, um almoço a todo o pessoal do seu jornal (3)

O pessoal do “Notícias de Macau” confraternizando-se à mesa do almoço
O grupo formado pelo numeroso pessoal do “ Notícias de Macau”

(1) “25-08-1947 – O diário «Notícias de Macau» segue desde esta data até 20-02-1960, com 3 710 números.” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol 4, 1997)
“25- 08-1953 – «Notícias de Macau» completou seis anos de existência, no dia 25. Único diário português que se publica em todo o Extremo Oriente. Proprietário: Hermann Machado Monteiro (director: Dr. Cassiano de Castro Fonseca.” ( «Macau Boletim Informativo»  I – 2, 1953.).
O Dr. Cassiano de Castro Fonseca, natural de Macau, médico municipal, foi director do “Notícias de Macau» até 1955 (16-03-1955 foi a festa de despedida no edifício daquele jornal; partiu para Portugal a 18-03-1955; faleceu em Lisboa no dia 07-08-1955).
Em 10-08-1955, foi nomeado director do “Notícias de Macau” o Dr. António Alberto de Barros Lopes ( «Macau  Boletim Informativo» III- 49, 1956)
“08-03-1960 – O periódico «Notícias de Macau» segue como diário desde esta data até 14-02-1962, com 577 números.” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol 5, 1998)
(2) Herman Machado Monteiro (1899 – ?), republicano que após o golpe de 28 de Maio de 1926, em Portugal, se auto-exilou em Macau (segundo outras fontes, por ordem do Estado Novo por ser maçónico), esteve ligado ao comércio do ouro e foi o fundador, proprietário, editor e jornalista (polémico) do “Notícias de Macau” (25-08-1947 até 20-02-1960). Antes em 1927, Herman Machado Monteiro sucedeu a Rosa Duque na direção do periódico, “O Combate” (semanário de Macau de 06-01-1927 a  24-07-1927  Foi um dos fundadores do Rotary Club de Macau.
Em 14-10-1940, foi fixada, por 2 anos, residência em Coloane (deportado) ao cidadão Herman Machado Monteiro ( B.O. n.º 41 – S)
Anteriores referências ao jornal e a Herman Monteiro
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/noticias-de-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/herman-machado-monteiro/
(3) Extraído de «Mosaico», V- 25/26 de SET/OUT 1952, p. 62.

Pequeno extracto dum artigo de 1940, (pp.127-134) escrito pelo 1.º tenente A. Gomes Namorado, comandante do Centro de Aviação Naval (1)  para a publicação “ U N de Macau”,  (137 p.) da União Nacional de Macau no ano XIV da Revolução, 1940.
“… Interessante seria registar nestas páginas as milhares de toneladas, em especial correio, e as centenas de milhares de passageiros hoje transportados por aviões. Aqui mesmo, Macau, é um exemplo, talvez quási despercebido. Efectivamente, saber-se-á que em 1938 e 1939 o número de cartas enviadas por correio ordinário e aéreo foi respectivamente de 1.829.662, 4.032.945 e 39.434 e 92.577. A consideração destes números mereceria talvez a atenção de capitais da Colónia, adiantando-se a iniciativas estranhas que à Colónia veem buscar rendimentos que nela deveriam ficar.
Macau precedeu êste movimento pro-aviação. Data de 1921 a criação da sua primeira escola de aviação, criada pelo Governador Paço d´Arcos. A sua vida foi efémera; 6 alunos pilotos a frequentaram e destes apenas 2 concluíram as provas.
Em 1939, por proposta do actual Governador, o Governador que primeiro e melhor viu as possibilidades da aviação, Sua Exa. o Ministro das Colónias, a quem a aviação nas Colónias tudo deve, criou a Escola de Aviação de Macau para formação de pilotos, mecânicos, artífices e radiotelegrafistas. Dotada, desta vez, com os meios necessários, a Escola poderá desempenhar cabalmente da sua missão, desta forma contribuindo para o desenvolvimento da Colónia.” (2)

(1) Recorda-se que nesse ano, o Serviço de Aviação de Macau tinha aparelhos velhos e dos quatro aparelhos apenas um conseguia voar e, mesmo assim não muito bem. Em 1939, a aviação tinha três pilotos em Macau, o primeiro-tenente José de Freitas Ribeiro (2.º comandante do Centro de Aviação Naval) o 1.º tenente aviador Pedro Correia de Barros e o 2.º tenente aviador Rodrigo Henriques Silveirinha (morreria no acidente aéreo em 26 de Junho de 1942, queda do Osprey n.º 6 no Bairro do Tap Seac) auxiliados pelo 1. º Sargento mecânico aviação, Joaquim Macedo Girão e os 2.ºs sargentos artífices de aviação, Rafael Afonso de Sousa e João dos Santos Louceiro.
O 1.º Comandante, capitão-tenente António Gomes Namorado júnior, encontrava-se em Lisboa a frequentar o curso naval de guerra e o Governo decidia-se pela construção de um novo hangar no Porto Exterior, onde coubessem, em condições razoáveis, os aparelhos. Namorado Júnior regressa a Macau e ao comando do Centro em 1940 até Maio de 1941, sendo substituído por Freitas Ribeiro que , por doença de sua mulher – tuberculose- pediu demissão do cargo e regressaria à metrópole, em 1941. O comando passou para o primeiro tenente Pedro Correia de Barros, então com 30 anos de idade.

A construção do hangar no Porto Exterior, cerca de 1941

Informações de Anuário de Macau 1940-1941 e SÁ, Luís Andrade de – Aviação em Macau, Um Século de Aventuras, 1990 p.79
Anteriores referências ao Centro de Aviação Naval em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-de-aviacao-naval/

https://www.marinha.pt/conteudos_externos/RevistaArmada/423/HTML/files/ra_423_sut08.pdf

(2) António Gomes Namorado Júnior (1901-?) foi um oficial de Marinha que serviu na Aviação Naval desde 1926 como piloto-aviadGomes or e deixando-a em 1948 como cap.-frag. RF
É autor de vários artigos e textos aeronáuticos (“Crónicas de Aviação”) publicados nos “Anais do Clube Militar Naval” entre 1927 e 1933 (22 dos 26 textos publicados neste período),
Participou na “Lisboa-Madeira-Açores-Lisboa”,  a primeira viagem com aviões em grupo realizada pela aviação da Armada entre 30 de junho e 31 de julho de 1935.  Tinha como objetivo o treino de manobras e navegação. Os três aviões eram tripulados por Namorado Júnior, Ferreira da Silva, Aires de Sousa, Carlos Sanches, Bernardino Nogueira, Correia Matoso, Brandão, Falcoeira e Nascimento.
Quanto às crónicas de Namorado Júnior, no seu primeiro texto de 1928 (janeiro e fevereiro) de 1928 (assinado N.J.) inserido, tal como o anterior e os restantes, na “Crónica Naval”/”Crónica Marítima” o autor defende a importância de os governos comparticiparem as viagens aéreas (raids) como forma de conhecerem melhor as suas potencialidades a nível económico e militar. Também é defendido que o desenvolvimento e apoio da aviação civil é importante no sentido em que esta pode servir os fins militares em caso de guerra”
https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/25055/1/ASPOF%20Faria%20Pinheiro%20-%20A%20Avia%C3%A7%C3%A3o%20Naval%20nos%20Anais%20do%20Clube%20Militar%20Naval.pdf

No dia 11 de Julho de 1940, foi descoberto por dois religiosos lazaristas irmão Chala Maia e José Van Den Brandt, no cemitério de Ching Lung Ch´iao de Pequim, o túmulo de João Correa (Correia), que, morreu por acidente, da explosão de uma peça dum dos 4 canhões que Macau enviou ao Império Ming em 1624 (1) respondendo ao pedido de auxílio do próprio imperador. A pedra sepulcral fora destruída pelos boxers, em 1900, e os ossos foram removidos pelos dois lazaristas para uma nova sepultura. (2)
Em 1621,Pelo menos 3 e no máximo 10 canhões e pessoal para os manusear foram enviados de Macau à China para combater os Manchus. Devem ter sido 7 portugueses (3) entre os quais João Correa, (4) que morreu na expedição e foi enterrado na China.  Foram chamados pelo Imperador Tianqi 天啓(1621-28) (5) para ensinar artilharia em Pequim, embora esta fonte proponha a data de 1624. (6)
Pouco depois chegou à corte de Pequim um português chamado Gonçalo (ou Gonçalves) Teixeira vindo com embaixada e presente da cidade de Macau, o qual, vendo a insolência dos tártaros e o temor dos chineses, e julgando prestar serviço o reino de Portugal a favor a si, por qualquer coisa que lhe pudesse fazer ao rei da China, ofereceu aos mandarins, em nome da cidade, alguns portugueses para auxiliar contra os tártaros. A oferta agradou e o Conselho de Guerra despachou, então, o padre da Companhia, padre João Rodrigues (7) para que desse despacho a este negócio (8)

MAPA DA TARTÁRIA de J. Hondius, 1606

O Padre Semedo, S. J. que data este último episódio em 1622, refere:  “Preparam-se em Macau, 400 homens, sendo 200 soldados, entre eles muitos portugueses de cá outros de lá. A maioria era gente do país, mas não obstante chineses, nasceram, em Macau, e foram criados, a seu modo, entre portugueses, sendo portanto, bons soldados e grandes atiradores de espingardas maioria portugueses mas também alguns chineses, educados em Macau.” (7)
Semedo afirma ter visto em Nan-Tchâng o grupo expedicionário quando se dirigia a Pequim. Levaram como interprete o Padre João Rodrigues, S. J., da Província do Japão, (8). Esta expedição de socorro ao mandarim não terá sido feita de uma vez, pois há relatos de pedido em 1630. (9)
(1 ) Luís Gonzaga Gomes (2) refere esta data, 1624; Beatriz Basto da Silva (6) indica 1621; Álvaro Semedo – 1630 (8) e outros: 1622 (3).
(2) GOMES; Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(3) BRETSCHNEIDER, E – Mediaeval Researches from Eastern Asiatic Sources: Fragments Towards the Knowledge of the Geography and History of Central and Westen Asia from the 13th to 17th Century, Volume 2, 1888 ( reimpressão em 2000) p. 328.
https://books.google.pt/books?id=UQT_AQAAQBAJ&pg=PA328&lpg=PA328&dq=china+review+Bretschneider+1621&source 
(4) Sete artilheiros comandados por Pedro Cordeiro e António Rodrigues do Campo. Da explosão além da morte de João Correia, morreram três a quatro chineses. O manuseio dessas potentes armas de fogo deram origem a momentos dramáticos. Os militares chineses não estavam preparados para as usar.(8)
(5) Xizong 熹宗  (1605-1627),  16.º imperador da dinastia Ming com o nome de imperador Tianqi 天啓 (1620-1627)
https://en.wikipedia.org/wiki/Tianqi_Emperor
(6) SILVA, Beatriz Basto – Cronologia da História de Macau, Volume i, 1992; e Volume 4, 1997.
(7) O interprete Padre João Rodrigues, S. J., da Província do Japão, já visitara a China em 1612 com o intuito de conhecer as seitas idólatras da China, sobre as quais apoiavam as do Japão.
(8) SEMEDO, Álvaro – Relação da Grande Monarquia da China (tradução do italiano por Luís G. Gomes), I Vol, 1956, pp.262-266.
(9) “16-08-1630 – Foram eleitos seis adjuntos que deveriam tratar com o Senado sobre o pedido feito pelo Imperador da China, solicitando o envio de gente de guerra e armas, para a luta contra os tártaros”. (6) (8)

Este livro “Exposição do Mundo Português: Secção Colonial”, inaugurada a 23 de Junho de 1940, (1) serviu de catálogo da área colonial da “Exposição do Mundo Português” cujo director da secção colonial foi o Capitão Henrique Galvão (2)
Henrique Galvão afirma no Prefácio: “Uma vez que a Secção Colonial se instalava no Jardim Colonial, onde já se encontram numerosos espécimens da flora ultramarina e que fica situada junto de gloriosas e impressionantes recordações da nossa epopeia Além-Mar como são os Jerónimos e a Torre de Belém – isto é: uma vez que a Exposição se situava em quadro próprio, bastava assegurar a duração das construções e orientar de certa forma a realização para ficarmos automaticamente com o Museu Popular as Colónias que nos faltava e assegurarmos à cidade mais uma grande atracção de carácter permanente. Demais seria êste um museu originalíssimo – único do género na Europa.”
A capa apresenta foto de um quadro de Fausto Sampaio intitulado “Macau – Rua 5 de Outubro“. (3) Deste autor, estiveram expostos na Sala Fausto Sampaio, na área “Rua de Macau, 39 quadros com a temática: Macau e inserido neste livro, estão ainda fotos e outros 4 quadros de Macau, nomeadamente: “Velha rua com chuva”, “Leong-Soi Teng –O Curandeiro” , “Um Retrato”  e “Tancareiras” (4).
Do pintor Chiu Shiu Ngon estiveram presentes 22 quadros
O livro está dividido em duas partes A primeira apresenta os dados referentes às colónias nomeadamente: informação geográfica; informação económica; vias de comunicação; indústria; Comércio; situação financeira; informação etnológica e etnográfica;
Referente a Macau (pp.131 a 164) constam os seguintes dados: informação geográfica; informação económica; principais centros de população e colonização; produtos; vias de comunicação; comércio; indústria; pesca; informação etnológica e etnográfica sobre a população; vida material; vida intelectual – linguagem; arte e faculdades intelectuais; vida social, religião e família e acção civilizadora.
A 2.ª parte apresenta os catálogos, mapas, fotografias e esquemas dos pavilhões das colónias na secção colonial da Exposição. Está dividida em 5 secções:
Secção I – Pavilhões das províncias ultramarinas.
De Macau (pp. 276- 278) apresenta a “Rua de Macau” (composição dos cenógrafos Saúl de Almeida e Raúl Campos, sobre documentação fornecida pelo Director da Secção) composta por uma rua típica de Macau, com a sua côr, o seu movimento, o seu pitoresco e os mais importantes elementos de carácter.
Legenda:
1 – Carta da Colónia
2 – Diuramas
3 – Quadros

Entrada do pavilhão de Macau, (Eduardo Portugal) (5) para a Rua de Macau

Uma recriação da “Rua da felicidade”
Diário da Manhã, número especial da Exposição do Mundo Português em 1-12-1940

Fazem parte da rua, o Pavilhão de Macau com o seu material de documentação, vários estabelecimentos comerciais, a casa das lotarias, o Fan-Tan, um templo (pagode) e as moradias dos naturais da colónia que vieram à Exposição. Numa oficina típica, artífices de Macau realizavam os seus trabalhos em cedro e cânfora. Na rua, circulava os típicos riquechós conduzindo passageiros. Em edifício especial, ao lado do Pavilhão, no primeiro andar estava a «Sala Fausto Sampaio».
Secção II – Pavilhões diversos e instalações de documentação
Secção III – Aldeias e habitações dos povos indígenas
Secção IV – Monumentos, construções de utilidade pública, diversos
Entre eles, o Pavilhão do Chá Português (concepção: José Bastos e Decoração: Lino António)
Secção V – Pavilhões e mostruários particulares.
Secção VI – Expositores oficiais de arte.
Secção VII – Catálogos
(1) Exposição do mundo português: secção colonial / pref. Henrique Galvão. – s.n., 1940 (Lisboa: Neogravura. – [7] f., 299 p., XCVI pp (anúncios). il. ; 22 cm x 16,5 cm.
Incorporado na lombada (superior) um marcador (18 cm x 5,5 cm) com anúncio (idênticos dos dois lados) da marca “Graham” – (tecidos de Algodão crús, branqueados, estampados e tintos, etc)
(2) A Exposição do Mundo Português (exposição histórico-cultural) realizou-se de 23 de Junho a 2 de Dezembro de 1940, em Lisboa, e teve o propósito de comemorar simultaneamente as datas da Fundação do Estado Português (1140) e da Restauração da Independência (1640) mas, também (e esse seria o objectivo primordial), de celebrar o Estado Novo, então em fase de consolidação. Foi a maior exposição do seu género realizada no país até à Expo 98 (1998).
Incluía pavilhões temáticos relacionados com a história de Portugal e tinha uma Secção Colonial onde representava o império português no seu todo, incluíndo as colónias: S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné Portuguesa (Guiné-Bissau), Angola, Moçambique, São João Baptista de Ajudá (um enclave) e pelas colónias orientais de Macau, Timor Português (Timor-Leste) e Índia Portuguesa (Diu, Damão, Goa e Dadrá e Nagar Haveli).
(3) Já publicado em postagem anterior em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/10/21/leitura-fausto-sampaio-pintor-do-ultramar-portugues-iv/
(4) Também já reproduzidos em anteriores postagens:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/12/28/leitura-fausto-sampaio-pintor-do-ultramar-portugues-vii/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/10/01/leitura-fausto-sampaio-pintor-do-ultramar-portugues-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/10/11/leitura-fausto-sampaio-pintor-do-ultramar-portugues-ii/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/10/27/leitura-fausto-sampaio-pintor-do-ultramar-portugues-v/
(5) Hoje este pórtico encontra-se no Jardim Botânico Tropical (JBT) (outrora chamada Jardim Colonial ou Jardim do Ultramar),
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/09/macau-no-exterior-macau-e-o-jardim-oriental-em-lisboa-i/