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Continuação da leitura o número especial dedicado ao ultramar português do “Diário Popular” em 1961 (1), nomeadamente os artigos com referência mais específica a Macau que estão nas páginas 5 a 21 da sessão “Índia, Macau e Timor” (total 4 páginas). As últimas páginas, com o título “ Comércio e Indústria de Macau” menciona as individualidades e as empresas mais marcantes nestas áreas em Macau.

Pagina 14 – CHONG CHI KONG – um jovem que é uma das personalidades mais distintas e notáveis da comunidade chinesa

Página 16 – A Grande Actividade Industrial da “The Macao Electric Lighting Company, Limited (MELCO) ” – uma das mais importantes da cidade.

Página 17 – O Arquimilionário FU TAK IAM – Grande amigo de Portugal e dos Portugueses

Página 18 – Uma Simpática figura de capitalista e benemérito – HO IN, o Presidente da Associação Comercial de Macau e da Associação de Beneficência do Hospital Keang Wu

Página 19 – “Condecorado pelo Governo Português com a Ordem de Benemerência o Comendador KOU HO NENG tem lugar de eleição entre os grandes vultos da comunidade chinesa de Macau”.

Página 20 – “Foi a «Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau, Limitada» (SAAM) que resolveu o magno problema de abastecimento à cidade “

Na página 21, – os anúncios de: “Sociedade Oriental de Fomento Ltd”); H. Nolasco & CIA Lda.” (2) e “ Sociedade Oriental de Transportes e Armazéns (S.O.T.A.) ” (3)

Outro anúncio, de “F. Rodrigues (Sucrs) Lda.” está na p. 15. (4).

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/diario-popular/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/h-nolasco-cia-lda/

 (3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/12/20/noticia-de-20-de-dezembro-de-1947-sociedade-oriental-de-transportes-e-armazens-sota/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/10/20/noticia-de-20-de-outubro-de-1961-sociedade-oriental-de-transpor-tes-e-armazens-s-o-t-a/

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/29/anuncio-de-f-rodrigues-sucrs-lda-em-1961/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/firma-f-rodrigues/

Nasceu em 15 de Abril de 1912, em Freixo de Espada à Cinta, o Padre Manuel Teixeira que ingressou no Seminário de S. José, de Macau, em 1924. Regressou a Portugal em 16 de Maio de 2001, e faleceu em Chaves a 15 de Setembro de 2003 (91 anos).

Em 15 de Abril de 1982, marcando o septuagésimo aniversário do Padre Manuel Teixeira, realizou-se uma homenagem pública no Arquivo Histórico de Macau com a abertura de uma exposição bibliográfica. A homenagem foi organizada pelas Direcções dos Serviços de Educação e Cultura e de Turismo,

Macau82 jornal do ano» 1.º semestre- GCS, 1982, p. 8

Presidida pelo Governador Almeida e Costa e com a presença do Presidente da Assembleia, dos Secretários-Adjuntos, Bispo da Diocese e muitos dos amigos do Padre Teixeira, a exposição apresentou “cerca de uma centena de obras do missionário e historiador que começou a escrever há 46 anos e prossegue a sua produção literária como mesmo vigor, o mesmo ritmo e a mesma determinação de servir este território. A sua força de vontade, o labor incansável e uma pesquisa constante da História de Macau, bem como o apoio que tem dado a todos quantos o procuram, são entre outras qualidades, acentuadas pelo Governador Almeida e Costa e pelo Director dos Serviços de Educação e Cultura, nas breves mensagens de louvor feitas, na ocasião, ao homenageado. (1)

O Padre Teixeira agradeceu ao mesmo tempo que recordou ser essa a sua primeira homenagem pública em Macau. O Governador ofereceu ao Padre Teixeira, em nome do Governo, uma salva de prata alusiva à data. A cerimónia terminou com um bolo de aniversário e o «parabéns a você» cantado por todos…

(1) Artigo não assinado em «Macau82 jornal do ano» 1.º semestre- GCS, 1982, p. 8

Anteriores referências ao Padre Manuel Teixeira em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/padre-manuel-teixeira/

Relatos dos inícios dos festejos públicos em Macau no dia 9 de Abril de 1837, pelo casamento da Rainha D. Maria II (em segunda núpcias) com o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, depois Rei Consorte de Portugal, como D. Fernando II, (1) realizado presencialmente na Sé Patriarcal de Lisboa em 9 de Abril de 1836 (casamento em Coburgo por procuração em 1 de janeiro de 1836). Os festejos públicos prolongaram-se até 11 de Abril, merecendo também uma notícia no mesmo jornal, (já foi postado em 11-04-2020). (2)

Extraído de «O Macaísta Imparcial», I- 87 de 10 de Abril de 1837, p. 350
Dona Maria II (1835) por John Zephaniah Bell (3)

(1) D. Maria II, em 1836 casou em segunda núpcias com o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, baptizado Fernando Augusto Francisco António de Saxe-Coburgo-Gotha e Koháry, nascido em Viena em 29 de Outubro de 1816 e falecido em Lisboa a 15 de Dezembro de 1885, no Paço Real das Necessidades, estando sepultado no mosteiro de São Vicente de Fora. O contrato matrimonial foi assinado no fim de 1835. Meses depois, chegou o marido. Haviam casado em Coburgo por procuração em 1 de janeiro de 1836 e, em Lisboa, em pessoa, na Sé Patriarcal em 9 de Abril de 1836. O casamento formal deu origem à Casa Real de Bragança-Saxe-Coburgo-Gotha e o príncipe alemão passou a Rei Consorte de Portugal, como D. Fernando II, em 16 de setembro de 1837, após o nascimento de um filho varão. Regente do reino (entre 1853 e 1855) durante a menoridade do filho D. Pedro V e, depois da morte deste, até à chegada a Portugal do filho D. Luís I. Tiveram 11 filhos. https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_II_de_Portugal

D. Fernando II, Rei Consorte de Portugal, em 1861. (4)

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/04/11/noticia-de-11-de-abril-de-1837-festejos-pelo-consorcio-da-rainha/

(3) Por Joannes Paulus – Obra do próprio, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=63969447

(4) https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_II_de_Portugal

O Colégio Imaculada Conceição fundado por iniciativa do comendador Albino da Silveira (1) foi inaugurado, em 15 de Março de 1864, sob a direcção das Irmãs do Instituto de S. Paulo de Chartres, discursando nessa ocasião Bernardino de Sena Fernandes, o Governador Coelho do Amaral e o Padre Vitorino de Almeida; em virtude do Decreto de 20 de Setembro de 1870, que excluía do ensino professores estrangeiros, o Colégio fechou em Setembro de 1871, sendo reaberto em 24 de Novembro de 1872, falando nessa ocasião a “sympathica e talentosa jovem Maria José”, (2) o Padre Vitorino de Almeida, o Governador da Colónia, Visconde de S. Januário, e o Governador do Bispado, o Padre António Luís de Carvalho. Os discursos de Maria José Pereira e do Visconde de S. Januário podem ler-se na «Gazeta de Macau e Timor», 1.º anno, n.º 10 de 26 de Setembro de 1872 (3)

O comendador Albino da Silveira, estando em Shanghai, abriu uma subscrição para a fundação de um Colégio feminino em Macau, encarregando-se ele de mandar vir da França as mestras, as Irmâs de Caridade de S. Paulo de Chartres O seu projecto, a requerimento de Bernardino de Sena Fernandes, aprovado por Portaria de 26 de Dezembro de 1863, (4) e autorizada a sua continuação por Portaria de 17 de Março de 1868, (4) o qual o Colégio apenas durou por mais três anos. Em Setembro de 1871, devido ao decreto de 20 de Setembro de 1870 (exclusão do ensino em Macau dos professores estrangeiros), as professoras retiraram-se, encerrando-se o estabelecimento.

(1) Albino da Silveira (Macau 1823- Macau 1902) filho de Francisco Cândido Pereira da Silveira e de Francisca Carlota Pereira da Silveira, naturais de Macau, foi empregado, em Cantão, em casa de Robinnet, negociante de sedas e depois em casa de Jardine, Matheson & CO. Mais tarde foi para Shanghai, em casa de Dent & Co e por fim estabeleceu-se em Hong Kong, onde serviu de guarda-livros da “Union Insurance Society of Canton” recebendo, ao reformar-se uma pensão vitalícia desta Sociedade. O comendador foi em Hong Kong Presidente do Club Lusitano, do Círculo Católico, da Confraria de SSmo Sacramento e da Sociedade de S. Vicente de Paulo por 25 ano Nomeado sócio ordinário, em 1892, da Sociedade de Geografia de Lisboa. A comenda da Conceição foi-lhe atribuída pelo Governo Português em 1893. Era também Cavaleiro de S. Silvestre. Em Shanghai foi vice-consul de vários fundou um jornal português “O Aquilão”, de duração efémera. Faleceu em Macau, na residência do Comendador Lourenço Marques, onde vivia. (3)

A filha do comendador Ana Joaquina da Silveira, estudou no Colégio da Imaculada Conceição até Junho de 1870, quando foi para França para continuar os estudos. Foi uma das primeiras alunas macaenses a ingressar no Instituto da Congregação de S. Paulo, e em 1876, tomou o hábito em Chartres  com o nome de Soeur Basilide Joseph e lá faleceu. (5)

(2) Maria José Pereira, nascida em 18 de Outubro de 1861 é filha de Bartolomeu António Pereira e de Belmira da Encarnação e casou com Leôncio Alfredo Ferreira. (6) Maria José foi aluna distinta do Colégio da Imaculada Conceição 

(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942, p. 453

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-da-imaculada-conceicao/

(5)) TEIXEIRA, P. Manuel – A Educaçao em Macau, 1982, p. 315

(6)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leoncio-alfredo-ferreira/

Livro: MACHADO, Álvaro de Melo, (1) Coisas de Macau. Lisboa: Livraria Ferreira, (Ferreira Lda., Editores) 1913. – 153 p. : mapas, fotos; 24,5 cm x 16 cm.  (2)

Encadernação da época (década de 20) feita pelo próprio ou a mando, na lombada “A. MACHADO – COISAS DE MACAU – BRANCO”

Na página frontispício, assinatura de posse “ J. Vieira Branco” (3) e etiqueta de armazenamento (biblioteca?) “Lealitas, n.º 86, Estante I, Prateleira n.º 3 , n.º 148”

No prefácio (pp.3-4) Álvaro de Melo Machado afirma: “… para nosso mal, uma grande parte dos portugueses não sabe quantas e quais as colónias que possuímos; uma percentagem ainda maior desconhece onde elas se encontram situadas, a área que abrangem e a sua importância relativa; e, excluindo aquelles que por deveres de cargos ou por curiosidade se dedicam a estudos coloniaes, todos ignoram o que sejam os nossos domínios de além-mar, o que eles representam como elementos de vida da nossa nacionalidade, quaes são os seus recursos, quaes os seus mais importantes problemas, qual a vida que n´essas longiquas paragens levam os portuguezes que se expatriam e qual a acção desenvolvida pelos governos na administração de cada uma d´ellas.

– Um paiz que se mantem n´uma tal ignorância nunca poderá interessar-se verdadeiramente e a sério pelos assumptos que frequentemente se debatem sobre as suas colonias, nem poderá firmar opinião nas apaixonadas discussões da imprensa, em que cada um diz o que mais convem ao seu modo de ser politico ou particular.”

ÍNDICE: PRIMEIRA PARTE – Descripção de Macau : Resumo Historico – pp. 7-11; Descrição da colonia – pp. 13-28; Os recursos de Macau – pp. 29-47; Os problemas importantes de Macau – pp. 49- 78; Macau e o commercio portuguez na China – pp. 79-83; SEGUNDA PARTE – Usos e Costumes pp. 89-147; A situação na China – pp. 150-153

(1) Álvaro Cardoso de Melo Machado (1883 – 1970) chegou a Macau pela primeira vez como oficial do cruzador D. Amélia, no Extremo Oriente (1906-1909). Em 1909 ainda como 2º tenente, foi nomeado ajudante de campo do governador Eduardo Augusto Marques (monárquico), sendo secretário-geral interino em 1910, até ao momento em que é nomeado governador interino de Macau, a 17 de Dezembro de 1910, na sequência da queda do regime monárquico em Portugal. Foi quem assinou a Proclamação da República em Macau no Leal Senado (2.º supl. Ao B.O.o n.º 41) de 11 de Outubro e anuncia a cerimónia a terá lugar neste mesmo dia, pelas 12:00, no Leal Senado. Tinha apenas 27 anos e foi o mais novo de sempre a ocupar o cargo (interino nos dois primeiros anos) onde se manteve até 1912, sendo exonerado a seu pedido. Álvaro de Melo Machado governou Macau até ao dia 14 de Julho de 1912 (data da posse de Aníbal Augusto Sanches de Miranda). Ver biografia mais pormenorizada em ARESTA, António in «Jornal Tribuna de Macau», 23 de Janeiro de 2020. https://jtm.com.mo/opiniao/alvaro-de-melo-machado/

Ver anteriores referências deste autor: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/alvaro-de-melo-machado/

(2) Mais recente, houve segunda edição em fac-símile, lançada em Macau pela editora Kazumbi, de Rui de Carvalho, em 1997.

(3)  Muito possivelmente , o Capitão reformado do quadro privativo das forças coloniais, José Vieira Branco, que em 25 de Agosto de 1919 tomou posse dos cargos de Procurador Administrativo e Administrador do Concelho de Macau  e em 6 de Janeiro de 1922, exonerado, a seu pedido, do cargo de administrador do conselho.

BOGPM XIX- 35, de 30 de Agosto de 1919, p. 626
BOGPM XXII-1, de 7 de janeiro de 1922, p. 4

Natural de Faro, José Vieira Branco nasceu em 1874 e faleceu em 28-01-1938. Iniciou a sua -aprendizagem tipográfica no Progresso do Algarve, em 1882, onde procurou descobrir qual a Tipografia mais antiga em Faro. Passados onze anos, abandonou a Tipografia e seguiu a vida militar. Passou por Angola, Macau, Moçambique e pelo Continente, onde teve que lutar para sobreviver. A vida militar durou até 1928. Depois, regressou definitivamente a sua cidade.” http://teoriadojornalismo.ufp.edu.pt/inventarios/branco-c-1938?tmpl=%2Fsystem%2Fapp%2Ftemplates%2Fprint%2F&showPrintDialog=1

Outros artigos de interesse , relacionados, disponíveis na net:GONÇALVES, Arnaldo – O Debate de 1911-1912 sobre o Modelo Politico de Macau. Revista de Cultura n.º 40, 2011, pp. 55 – 72. https://arnaldo-goncalves.com/pdf/portuguese/debate_1911-2.pdf

GUEDES, João – 150 anos de Sun Yat-sen | Os grandes amigos de Macau in Revista de Macau, 5 de Outubro, 2016. https://www.revistamacau.com/2016/10/05/150-anos-de-sun-yat-sen-os-grandes-amigos-de-macau/

Extraído da p. 8 do semanário “A Província“ de Montijo I-3 de de 17 de Março de 1955 (1)

Álvaro Borges Leitão”, autor de dois livros publicados em Macau: “Se Até o Fumo Sobe”, e “Passagem”, expedicionário (tenente) adaptou-se bem à vida de Macau, tornando-se um animador do movimento literário da geração de 50. “ (2)

Sócio fundador do «Círculo Cultural de Macau», e membro vogal do Conselho Fiscal, participou no dia 16 de Setembro de 1950, no Teatro D. Pedro V, numa conferência-recital, integrada no plano de conferências para a 1.ª temporada. (3) Colaborador da revista «Mosaico»

Uma das “Três Canções” da sua autoria, publicada no «Mosaico» Vol I – n.º 5 Janeiro de 1951 pp.562 e no «O Clarim» em 1951.

(1)

(2) REIS, João C. – Trovas Macaenses, 1992, pp. 269 e 276

(3) nenotavaiconta.wordpress.com/tag/alvaro-leitao/    

Extraído de «TSYK», III Ano, n.º 84 de 8 de Fevereiro de 1866, p. 84

João Damasceno Coelho dos Santos, natural de Macau (S. Lourenço 11.05.1800; Sé 2.02.1866), filho de Faustino Coelho dos Santos e de Maria Josefa da Costa Lage , bacharel em Direito (U. C.). Terá sido nomeado em 1826, juiz de fora de Algoso (ex-freguesia portuguesa do concelho do Vimioso – Portugal) ( (1)

Em Macau, foi membro do Senado de Macau (desde 1841) (2 ) e depois Procurador da Cidade, entre 1843 e 1844. Foi delegado do Procurador da Coroa e Fazenda em Macau (1846-1866). (3) Foi um dos fundadores e o 1.º Presidente da direcção do Teatro D. Pedro V. Casou com Eudóxia António Joana Rangel (filha de Floriano António Rangel -1778-1843-  e de Ana Maria Antónia de Jesus Correia de Carvalho), Tiveram 7 filhos (4)

(1) Extraído de «Gazeta de Lisboa», n.º 35 de 10 de Fevereiro de 1826, p. 138

(2) Extraído de «The Chinese Repository», Volume 10, From Jan to Dec, 1841, p. 57

(3) Extraído de MAIA, José António (cirurgião pela Escola Mécio-Cirúrgica de Lisboa) – Memória sobre a franquia do porto de Macao, 1849, p. 85

(4) FORJAZ Jorge – Famílias Macaenses I e II Volumes, 1996

Extraído de «BGC», Ano VIII, n-º 82, Abril de 1932, pp- 188

Alfred Charles William Harmsworth, (1865 – 1922) 1º Visconde Northcliffe (Lord Northcliffe em 1905) foi um jornalista e um empresário inglês, fundador do «Daily Mail»e do «Daily Mirror». Revolucionou o jornalismo britânico tornando o jornal um produto acessível a todos, de baixo custo, impresso em grandes tiragens, com artigos claros e explícitos. Autor do livro “My journey round the world (16 July 1921-26 Feb. 1922)”, um relato da sua viagem à volta do mundo entre 1921-1922, publicado em 1923 pela editora Lippincott, 326 páginas. https://pt.wikipedia.org/wiki/Alfred_Harmsworth

Após prolongado sofrimento que o trazia prostrado no leito há mais dum ano, faleceu, na sua residência n.º 71 da Rua da Praia Grande, vitimado por uma tuberculose pulmonar, no dia 6 do corrente, o Sr. Leôncio Alfredo Ferreira, com 69 anos de idade. O funeral realizou-se no dia seguinte, às 17 e meia horas”.(1)

Nascido em Macau a 15 de Maio de 1849, era filho de D. Maria Gualdina Gonçalves, natural de Macau, e de João Eleutério Ferreira, nascido em Portugal. (2) Fez os seus estudos na «Escola Macaense» e transitou para o Seminário de S. José, onde foi sempre aluno distintíssimo, distinguindo-se em todo o seu curso pela sua aplicação, aproveitamento e comportamento exemplar, ganhando inúmeros prémios e referências elogiosas da imprensa.

Terminado no Seminário de S. José, o seu curso com distinção, dirigiu-se para Goa a fim de estudar Jurisprudência, regressando a Macau depois de formado. Estudioso apaixonado da língua chinesa, conhecedor profundo da mentalidade e psicologia dos chineses, revelou-se não só um valoroso intérprete mas mais especialmente um medianeiro inteligente nas relações destes como nosso governo.

Casou na Sé Catedral de Macau em 27 de Setembro de 1881, com Maria José Pereira (1861-?). Segunda núpcias, em 20 de Dezembro de 1894, com sua tia por afinidade Ana Teresa Vieira Ribeiro (condessa viúva de de Senna Fernandes). Não deixou filhos.

Além de advogado de provisão, professor da Escola Municipal e jornalista, (3) desempenhou os altos cargos públicos, com distinção e aprumo moral que eram o timbre do seu carácter integérrimo, enumerando aqui alguns dos cargos: pela Portaria n.º 82 de 20 de Julho de 1825, foi nomeado Secretário da Comissão Administrativa da Santa Casa de Misericórdia; pela Portaria n.º 106, de 8 de Novembro de 1875, foi nomeado Delegado interino da Comarca de Macau de que, porem, se escusou, em 5 de Julho de 1876

«BPMT», XXII-28 de 8 de Julho de 1876, p. 114

Comentando este caso alguém escreveu no «Jornal de Macau» n.º 29 de 24 de Novembro de 1875: “O Senhor Leôncio Ferreira que exerceu com zello e intelligencia o lugar de procurador da coroa, d´esta vez entendeu que não devia aceitar semelhante cargo porque não quer aferir pela balança por onde são pezados os membros da exma. Junta, que estão no equilíbrio das ilegalidades, em quanto se não justificarem das acusações que lhe hão feito” (1)

Pela Portaria n.º 97, de 23 de Dezembro de 1876, foi nomeado Administrador interino do Concelho de Macau, cargo que anteriormente já vinha desempenhando; em 23 de Setembro de 1879 foi nomeado pela Portaria n.º 118, administrador efectivo.

«BPMT», XXII-52 de 23 de Dezembro de 1876

Pela Portaria n.º 67 de 27 de Julho de 1877, foi exonerado do cargo de secretário da Comissão Administrativa da Santa Casa sendo nomeado Pedro Nolasco da Silva para o substituir (Portaria n.º 75 de 3 de Agosto de 1877); pela Portaria n.º 53 de 14 de Agosto de 1878, foi nomeado Procurador interino dos Negócios Sínicos. Exonerado em Setembro de 1879, para tomar posse, em 23 de Setembro, (Portaria n.º 118) do cargo de Administrador efectivo do Concelho de Macau. (até 1881). (4)

No dia 17 de Maio de 1881, António Joaquim Bastos Junior foi demitido do cargo do procurador dos negócios sínicos, para que havia sido interinamente nomeado por portaria n.º 56. Leoncio Alfredo Ferreira foi nomeado para o mesmo cargo. (BGPMT n.º 21 de 21 de Maio de 1881); pela Portaria n.º 81, de 12 de Novembro de 1881, foi nomeado Presidente da Comissão Administrativa da Santa Casa de Misericórdia; pela Portaria n.º 117 de 27 de Outubro de 1883, foi nomeado cônsul de 1.ª classe, em Shanghai (1883-1884).

Pela sua diplomacia, inteligência e valor demonstrados no desempenho desta missão, foi condecorado pelo Governo Central de Lisboa com o Grau de Oficial da Torre e Espada por Diploma de 23 de Janeiro de 1896.

Pela Portaria n.º 22, de 1 de abril de 1885, foi nomeado vogal do Conselho Inspector de Instrução Pública.; pela Portaria n.º 144, de 20 de Dezembro de 1898, foi louvado pela Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar, pela maneira como se houve durante a epidemia de petes bubónica que assolou Macau, de Fevereiro a Julho desse ano, no desempenho dos serviços de higiene e desinfecção; pela Portaria n.º 145, de 5 de Dezembro de 1902, foi nomeado Vogal do Conselho de Governo da Província.

Dados biográficos extraídos de : «Macau Boletim Informativo», II-27 de 15 de Setembro de 1954, pp. 11-12; FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses Volume I, pp. 1077-1078; e o livro referenciado em (1) 

(1) TEIXEIRA, P. Manuel- Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, p. 449-497.

(2) João Eleutério Ferreira (c.1785 – 1872) nasceu em Coimbra, Portugal, vindo para Macau casou, nesta cidade, pela 1.ª vez em 1830 e pela 4.ª vez com Maria Galdina Fernandes, filha de Vicente José Fernandes e de Ricarda Constantina Fernandes e irmã de Bernardino de Sena Fernandes (1.º Barão, 1.º Visconde e 1.º Conde de Sena Fernandes), de quem teve apenas um filho, Leôncio Alfredo Ferreira.

(3) Em favor dos Jesuítas, expulsos de Macau publicou um opúsculo, intitulado: “Um brado pela verdade ou a questão dos Professores Jesuítas em Macao e a Instrução dos Macaenses, Macau, Tipographia Mercantil, 1872.

(4) Na sua qualidade de Administrador do Concelho fez o relatório sobre a morte trágica co coronel Mesquita. (1)

NOTA 1: A Câmara de Macau decidiu honrar a sua memória atribuindo o seu nome à «Rua Leôncio Ferreira» – começa na Avenida de Sidónio Pais, a entrada da Rua de Silva Mendes, e termina na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida, entre os prédios n.ºs 58-H e 60.

NOTA 2 : Aconselho a leitura dos trabalhos de António Aresta, intitulados ” O Pensamento Moral de Leôncio Alfredo Ferreira, e “A Sinologia Portuguesa: um esboço breve” disponíveis para leitura em: https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/15959.pdf   e http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30032/1963

Anteriores referências neste blogue em: em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leoncio-alfredo-ferreira/

Relação dos trinta maiores contribuintes de todas as contribuições (predial, industrial de taxa varável e industrial por licenças) no ano de 1923, muitos deles figuras/individualidades notáveis da época (grandes negociantes da área comercial e industrial, alguns ligados actividades liberais, advogados, médicos, etc.)

Extraído do «BOGPM», suplemento ao n.º 24 de 18 de Dezembro de 1923.