Archives for posts with tag: Manuel M. Sarmento Rodrigues

Ainda a propósito da visita a Portugal de 29 representantes dos principais jornais ultramarinos que decorreu nos meses de Novembro e Dezembro de 1951 (ver postagem anterior), (1) recupero mais duas fotos dessa visita publicada no «BGU» (2).
Recordo que em representação de Macau foram quatro jornalistas: o redactor do «Notícias de Macau», Luís Gonzaga Gomes, o cónego Dr. Fernando Maciel do »Clarim» e dois jornalistas chineses.
Na Presidência do Conselho, com o Dr. António Oliveira Salazar e o Ministro do Ultramar
Manuel Maria Sarmento Rodrigues (3)

Na estação da Barragem Trigo de Morais

A barragem de Vale do Gaio ou barragem Trigo de Morais localiza-se no concelho de Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, Portugal. Situa-se no rio Xarrama. A barragem foi projectada em 1936 e entrou em funcionamento em 1949
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/11/30/noticias-de-novembro-dezembro-de-1951-visita-dos-jornalistas-do-ultramar-a-portugal/
(2) «BGU» XXVII-319, Janeiro de 1952..
(3) Manuel Maria Sarmento Rodrigues (1899–1979), ministro do Ultramar de 2 de Agosto de 1950 a 7 de Julho de 1955, esteve em Macau em Junho de 1952.  Ver anteriores referências, nomeadamente  e esta visita em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-m-sarmento-rodrigues/

Uma visita a Portugal de 29 representantes dos principais jornais ultramarinos decorreu nos meses de Novembro e Dezembro de 1951.
Em representação de Macau foram quatro jornalistas: o redactor do «Notícias de Macau», Luís Gonzaga Gomes, o cónego Dr. Fernando Maciel do Clarim» e dois jornalistas chineses.
No dia 19 de Novembro, os visitantes foram recebidos pelo ministro e pelo subsecretário do Ultramar e visitaram Associação Industrial Portuguesa.

Na fábrica da «Senhora da Hora», com o industrial Manuel Pinto de Azevedo. Luís Gonzaga Gomes na primeira fila à direita.

No dia 20 digressão iniciaram  a visita pelo Norte do País. Visitaram Caldas da Rainha, S. Martinho do Porto, Alcobaça, Batalha, Leiria, Figueira da Foz e Coimbra onde assistiram à sessão inaugural do «III Congresso da União Nacional».

Durante a visita a umas das modernas unidades da indústria têxtil, no Norte

Daqui partiram para o Porto, visitando no caminho Curia, Buçaco e Aveiro. No Porto os jornalistas visitaram a Fábrica de Conserva Brandão, o Palácio da Bolsa e os armazéns da Real Companhia Vinícola.
O dia 25 foi dedicado aos arredores do Porto, a Braga e a Famalicão.
De regresso ao Porto visitaram a Fábrica de Relógios de Famalicão e no dia seguinte os centros industriais do Norte do país, Porto e Guimarães.
No dia 27 iniciaram a viagem de regresso a Lisboa, onde chegaram no dia 28 passando por Espinho, Anadia e Leiria onde pernoitaram.
No dia 1 de Dezembro foi o almoço de confraternização entre jornalistas da Metrópole e do Ultramar. No dia 3 visitaram o triângulo turístico Sintra-Cascais-Estoril e no dia 4 foram recebidos pelo Presidente do Conselho,

Os jornalistas de Macau na Presidência do Conselho com o Dr. Oliveira Salazar e o Ministro do Ultramar

No dia 6, visitaram Vila Franca de Xira, Arrábida e almoçaram em Setúbal.
No dia 7, estiveram na Companhia Portuguesa Rádio Marconi e visitaram a Emissora Nacional, onde cada um dos representantes das províncias ultramarinas dirigiu pelos microfones uma mensagem às respectivas populações.

O redactor do «Notícias» de Macau, Luís Gonzaga Gomes falando ao microfone da Emissora Nacional, durante a visita às instalações da estação emissora oficial.

À tarde foram recebidos no Palácio de Belém pelo Presidente da República.

Na Presidência da República, com o General Craveiro Lopes e o Ministro do Ultramar.

No dia seguinte, 8 de Dezembro, dia da Padroeira de Portugal foi visita à Torre de Belém onde o cónego Dr. Fernando Maciel, da Imprensa de Macau, fez uma evocação emotiva e patriótica.
No almoço de despedida aos jornalistas foi lida uma carta do presidente do Conselho pelo Ministro do Ultramar, comandante Sarmento Rodrigues.
Extraído de «BGU» XXVII-319,1952.

Mais dois “slides” digitalizado da colecção  “MACAU COLOR SLIDES  – KODAK EASTMAN COLOR)”comprado na década de 60 (século XX), se não me engano , na Foto PRINCESA (1)

O edifício das Repartições Públicas, na Praia Grande, inaugurado no dia 21 de Maio de 1952 (2) e a estátua de Jorge Álvares, do escultor Euclides Vaz, inaugurada a 16 de Setembro de 1954. (3)

O Ministro do Ultramar Sarmento Rodrigues na sua deslocação a Macau em Junho de 1952, acompanhado pelo Governador da província, visitou no dia 20 de Junho de 1952, o Palácio das Repartições Públicas que tinha sido inaugurado no dia 21 de Maio de 1952 e presidiu à inauguração do Tribunal Judicial da Comarca.
Com a progressiva saída das repartições que aí estavam instaladas (Serviços de Fazenda e Contabilidade, Serviços de Administração Cívil e Administração do Concelho), em finais da década de 70 o edifício passou a ter os serviços dos vários tribunais, pelo que normalmente era referido como “O Tribunal” , na década de 80.

O Palácio das Repartições à esquerda (foto tirada provavelmente do edifício D. Leonor), a Avenida Almeida Ribeiro à direita (o Hotel Central, o edifício mais alto).

(1) Ver anteriores slides desta colecção em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/artes/
(2) Este edifício denominado Palácio das Repartições Públicas substituiu o antigo Palácio das Repartições que tinha sido construído entre 1872-1874, no mesmo lugar (começou por ser residência de governadores, depois diversos  serviços públicos e mesmo o início do Banco Nacional Ultramarino). Como foi construído de tijolo e madeira, com o tempo, devido à formiga branca e tufões, degradou-se e foi necessário demoli-lo em 1946.O projecto do novo edifício foi de António Lei , de 1949  e conforme regime da altura, estilo monumental com colunas altas em pedra. (4)
Anteriores referências ao Palácio das Repartições
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/06/20/noticia-de-20-de-junho-de-1952-o-palacio-das-reparticoes-publicas-e-o-tribunal-judicial/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/05/21/noticia-de-21-de-maio-de-1951-edificio-das-reparticoes/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/10/noticia-de-10-de-dezembro-de-1862-visconde-da-praia-grande/
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-alvares/
(4) Descrição mais pormenorizada, aconselho consulta em:
http://www.hpip.org/def/pt/Homepage/Obra?a=499

A Delegação de Macau do Círculo de Cultura Musical, que foi fundada em 1952 a quando da visita do então Ministro do Ultramar, Comandante Sarmento Rodrigues, iniciou mais uma temporada artística no dia 21 de Novembro de 1956, apresentando no Concerto inaugural a jovem e talentosa pianista italiana Annarosa Tadei.
O recital que teve a presença do Encarregado do Governo, Brigadeiro João Carlos G. Q. de Portugal da Silveira, realizou-se no Teatro D. Pedro V perante numerosos sócios da agremiação cultural.
O programa que Annarosa Tadei executou no seu concerto em Macau mereceu o completo agrado de quantos a escutaram e se deleitaram com a sua apurada técnica e sentido interpretativo, nomeadamente na Sonata Op. 53 em Dó («Waldstein»), de Beethoven , nos Seis Prelúdios  de Chopin, e na Rapsódia Húngara n.º 6, de Liszt.
Annarosa Tadei, (1918-2011) artista pianista italiana, aluna de Alfredo Casella (a última aluna da sua escola), foi a discípula predilecta do célebre pianista e professor Alfred Cortot (discípulo de Maurice Ravel) que conheceu depois da guerra em 1947 (após falecimento de Alfredo Castella). Uma carreira artística invulgar em concertos e participando em orquestras sinfónicas prestigiosas em todo o mundo e alguns álbuns gravados (após 1951). Em 1976 devido a problemas com os pulsos das mãos deixou de actuar em público tornando-se professora e membro de júris de importantes competições de piano (foi membro do júri duma competição em Hong Kong em Janeiro de 2007).
https://www.naxos.com/person/Annarosa_Taddei/38972.htm

http://www.vintageadbrowser.com/celebrities-ads-1960s/4 

Uma entrevista com a pianista em
https://www.youtube.com/watch?v=yapJ4KHTE24&list=PLF578D713728FD094&index=1
(1) «MBI» IV-80, 1956.

Extraído de «BGC» XXVI – 307, Janeiro de 1951
Anteriores referências a este  Comandante Militar de Macau, de 15 de Novembro de 1950 a Junho de 1952, coronel de infantaria (seria depois promovido a brigadeiro a 15 de Março de 1951) Paulo Bénard Guedes (1892 – 1960) em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/paulo-benard-guedes/

Foi depois promovido a General e governador-geral da Índia entre 1952 e 1958 (já em 1945 e 1946 ocupara o cargo de Governador –Geral interino)

Conta o Padre Teixeira, um episódio passado com o este Comandante:
Paulo Benard Guedes, comandante militar lembrou-se de acrescentar mais um andar ao edifício do Grémio Militar (Clube Militar). Pediu autorização ao Ministério, mas foi-lhe negada. Quando posteriormente ele soube que o Grémio (que serviu de alojamento aos refugiados de Hong Kong na II Guerra e ocupado irregularmente pelo Governo em 1945, instalando aí a repartição de Fazenda do Conselho)   era propriedade particular, disse: «-Ainda bem que me negaram a licença.». (TEIXEIRA, P. Manuel – Os Militares em Macau, 1975. p. 498
No entanto deve-se a este comandante militar o auxílio e as facilidades concedidas para a restauro do Grémio que passou a denominar-se Clube Militar em 1952, (re)inaugurado pelo Ministro do Ultramar aquando da sua visita ao Território.

Jorge Álvares morre nos braços do seu grande amigo Duarte Coelho, na tarde do dia 8 de Julho de 1521: « … e foi enterrado ao pé de hum padrão de pedra com as Armas deste Reyno, que elle mesmo Jorge Àlvares alli puzera hum ano ante que Rafael Perestrello fosse aquellas partes no qual ano que ali esteve, ele tinha enterrado hum seu filho que lhe faleceo…» (1)
« … Estando os nossos no qual trabalho em perigo, em vinte e sete de Junho de quinhentos e vinte e um, chegou Duarte Coelho em um junco seu aperecebido, e com êle outro dos moradores de Malaca. O qual, tanto que soube dos nossos o estado da terra, e como o Itau, que era Capitão-mor do Mar, os cometera já por vezes, quisera-se logo tornar a sair; mas, vendo que os nossos não estavão apercebidos pera isso, po-los ajudar a salvar, ficou com êles. E principalmente por amor de Jorge Álvares, que era grande seu amigo, o qual estava tam enfêrmo, que da chegada dêle, Duarte Coelho, a onze dias, faleceu e foi enterrado ao pé de um padrão de pedra com as armas dêste reino, que êle mesmo Jorge Álvares ali pusera um ano ante que Rafael Perestelo fêsse àquelas partes; no qual ano que ali esteve, êle tinha enterrado um seu filho que lhe faleceu…» (2)
Numa postagem anterior sobre Jorge Álvares (3) sublinhei o seguinte:
Por falar em Jorge Álvares, consta-se que foi Sarmento Rodrigues, nessa viagem a Macau, em 1952, quem mandou erguer uma estátua a Jorge Álvares. Coincidência ou não… eram ambos de Freixo de Espada à Cinta.
Ora este Jorge Álvares embora venha mencionado em muitos trabalhos como natural de Freixo de Espada à Cinta, não há documento que comprove tal facto.
Artur Basílio de Sá, autor do livro “Jorge Álvares”, (2) retrata não o Jorge Álvares (cuja naturalidade não se conhece) escrivão, por mercê do capitão de Malaca e modesto armador de um junco, primeiro europeu a aportar a China por via marítima em 1513 mas outro Jorge Álvares, este sim, natural de Freixo de Espada à Cinta, abastado mercador e capitão de um navio, homem do mar, navegador por vocação, primeiro cronista do Japão, grande amigo do padre Mestre Francisco Xavier, a quem tanto procurou auxiliar nos seus trabalhos apostólicos, pondo ao serviço do santo o seu navio, o seu saber e a sua fé de zeloso e instruído cristão.
Assim mesmo na Introdução, o mesmo autor escreve:
“Com sobejos motivos e fundamentos se interessou pois, o Sr. Comandante Sarmento Rodrigues quando ainda Ministro do Ultramar, por uma justa consagração daquele seu conterrâneo na sua vila natal. E para que naquela terra transmontana se pudesse erguer um condigno monumento ao insigne navegador dos ares do Oriente e primeiro cronista do Japão, teve intervenção decisiva e generosa o Sr. Governador de Macau, contra-almirante Joaquim Marques Esparteiro, concedendo para esse efeito um subsídio, retirado da verba destinada ao levantamento em Macau da estátua do outro Jorge Álvares, o primeiro navegador ocidental que foi à China e cuja naturalidade ainda se não conhece.”
Cita o mesmo autor: “ … no período situado entre 1511 e 1550, o nome de Jorge Álvares aparece-nos a designar alguém que desempenha ofícios vários em datas diferentes:
– Em 1511, o escrivão da nau «S. João Rumessa» chamava-se Jorge Álvares
-Em 1514, o primeiro português qua vai à China como feitor da fazenda de el-rei embarcada no junco do bendara de Malaca, chamava-se Jorge Álvares.
-Em 1518, o homem de armas que sabia a língua malaia e traduziu três cartas dos reis das Moluscas tinha igualmente o nome de Jorge Álvares.
– Finalmente, em 1548, um dos grandes amigos do Padre Mestre Francisco chama-se também Jorge Álvares., que Fernão Mendes Pinto diz ser natural de Freixo de Espada à Cinta.”
A estátua que está em Freixo de Espada à Cinta (foto anterior) é deste navegante (e não o da China) embora a escultura dele seja de Euclides da Silva Vaz (1916), o mesmo escultor que fez a estátua do Jorge Álvares colocada em  Macau (foto seguinte).

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_%C3%81lvares

A estátua foi colocada frente ao edifício das Repartições, na então zona de aterro da baía da Praia Grande, a 16 de Setembro de 1954 (data do descerramento)
(1) BARROS, João de – Da Ásia (edição de 1777), Década III, Liv VI, Cap. II in KEIL, Luís – Jorge Álvares O Primeiro Português que foi à China (1513). Instituto Cultural de Macau, 1990.
(2) SÁ, Artur Basílio de – Jorge Álvares, Quadros da sua biografia no Oriente. Agência Geral do Ultramar, 1956, 143 p.
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/01/07/noticia-de-7-de-janeiro-de-1514-leitura-jorge-alvares-o-primeiro-portugues-que-foi-a-china-1513/
Anteriores referências a Jorge Álvares
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-alvares/

O Ministro do Ultramar Sarmento Rodrigues na sua deslocação a Macau em Junho de 1952, (1) acompanhado pelo Governador da província, visitou neste dia, 20 de Junho de 1952, o Palácio das Repartições Públicas que tinha sido inaugurado no dia 21 de Maio de 1952 e presidiu à inauguração do Tribunal Judicial da Comarca.

A Visita do Ministro do Ultramar 1952 - Palácio das RepartiçõesO Palácio das Repartições Públicas (1952)

No rés-do-chão do edifício estavam instalados os Serviços de Fazenda e Contabilidade; no primeiro andar os Serviços de Justiça e no segundo os Serviços de Administração Civil, Administração  do Concelho e Tribunal Administrativo.
O Ministro a seguir à visita às Repartições acompanhado pelo Governador e outras altas individualidades, dirigiu-se ao primeiro andar afim de inaugurar as novas instalações do Tribunal Judicial da Comarca.

A Visita do Ministro do Ultramar 1952 - Sala de audiênciasUm aspecto da sala de audiências

A entrada do átrio estava vedada com uma fita simbólica com as cores nacionais e, a convite do Meritíssimo Juiz da Comarca (Dr. Alberto Marques Mano)  a Senhora D. Margarida Sarmento Rodrigues cortou a referida fita.

A Visita do Ministro do Ultramar 1952 - Juiz Marques ManoAberta a sessão, o Meritíssimo Juiz de Direito da Comarca Dr. Alberto Rafael Marques Mano no discurso

A sala de audiências encheu-se completamente de inúmeras pessoas tomando os seus lugares os convidados. O mobiliário de pau preto contrastava harmoniosamente com os cortinados, reposteiros e estofos encarnados. Naquele dia, quatro lustres de cristal de muitas luzes e as ventoinhas indispensáveis nos climas tropicais não prejudicavam o aspecto solene do Tribunal) aumentavam o ambiente de solenidade. (2)

A Visita do Ministro do Ultramar 1952 - Discurso do Ministro do UltramarO Ministro do Ultramar no uso da palavra.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/05/21/noticia-de-21-de-maio-de-1951-edificio-das-reparticoes/
(2) A Visita do Ministro do Ultramar a Macau em Junho de 1952. Editada pela R. C. S. E., 1952.

O jornal “A Verdade” na sua edição do dia 29 de Abril de 1928,  agradece ao Sr. Harry Ore, distinto pianista, a oferta da sua curiosa composição impressa, «Naná de Macau», já executada em concertos no Teatro D. Pedro V e Teatro Vitória. O pianista compositor terá impressas, brevemente, algumas outras composições suas: «Canções Chinesas» (1)

MOSAICO IV-23-24 JULAGO1952 Harry Ore IO professor Harry Ore acompanhando ao piano o violinista Silva Pereira na execução de um dos números do programa musical efectuado no Teatro D. Pedro V, na noite de 24 de Julho de 1952, aquando da visita ministerial de Manuel Maria Sarmento Rodrigues a Macau.

Harry Bruno Johannes Ore (1885-1972) (夏里柯), (natural da Letónia; outras fontes referem nascimento em São Petersburgo), de origem judaica, foi pianista, compositor e  professor de piano (2), radicado no Extremo Oriente (3) nomeadamente em Hong Kong de 1915 até à sua morte em 1972. Em Novembro de 1941 (antes da ocupação de Hong Kong pelos Japoneses) fugiu para Macau, tendo ficado no território até o fim da guerra no Pacífico.
Foi colega de escola de Sergei Prokofiev, estudante de Rimsky Korsakov e colaborou com o grande compositor chinês Ma Sicong, em Fevereiro de 1924 e com este fez em Fevereiro de 1925 vários concertos em Hong Kong.(4)
Foi fundamentalmente um pianista e compositor duma música que verteu para piano utilizando as canções do folclore de Guangdong. (5)
NOTA 1: uma listagem das gravações /composições  de Harry Ore  (6), não está esta canção. Consta no entanto:
Harry Ore “Macao Lullaby” (music) for piano forte, op. 19 publicado Londres por W. Paxton, 1963 (printed music) (7)
NOTA 2: Harry Ore  compôs também  “Two Miniatures on Portuguese Folk Songs

MOSAICO IV-23-24 JULAGO1952 Harry Ore IIOutra fotografia do pianista Harry Ore acompanhando a D. Lígia Pinto Ribeiro, no sarau artístico realizado no dia 27 de Julho de 1952

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(2) Importância do papel de Harry Ore como professor de piano, na formação de uma geração de pianista em Hong Kong em
POON, Letty – The piano as cultural capital in Hong Kong.
2012ku.hk/bitstream/10722/188287/1/FullText.pdf?accept=1
(3) Três notícias publicadas pelo jornal “The Straits Times” de Singapura:
The Straits Times 17 April 1932
CHINESE SONGS ON THE PIANO. A Composer’s Claim. FORTHCOMING SINGAPORE RECITAL. Mr. Harry Ore, a Latvian composer and pianist, who is a professor at the Academy of Music in Manila, is at present in Singapore. Mr. Ore is not well known in Malaya, but in north and south China he is know in many out-of-the-way places, simply because of his gift for transporting China songs, thousands of years old, for use on the piano. Among some of the famous Chinese songs, he has transported are, “The Monk´s Prayer”, “Two Butterflies”, “The Autumnal Moon Seen from a Palce”, “Goldshower from the Weeping Tree”, and “The Hungry Hiorse Rings the Bell”… (…)
The Straits Times 27 April 1932
EAST AND WEST MEET. Chinese Music Transposed For Piano. There was an unusual meeting of East and West in the Dutch Club last night— the parties in this case being the music of these two parts of the world, played by a Latvian, Mr. Harry Ore. For many years resident in the East, Mr. Ore has made a special study of Chinese music with a view to transporsing it in accordance with Western ideas of harmonization, and some of these he played at the piano last night….(…)
The Straits Times 5 May 1932
Mr Harry Ore – Last Night´s Recital at the Y. M. C. A. – Eastern and Western music again met when Mr Harry Ore, the Latvian pianist, gave his last piano forte recital in Singapore at the Y. M. C. A. last night. As on the previous occasion he revealed himself as a pianist of considerable skill.
Mr Ore played as extenssive programme which included some of his own transpositions of Chinese songs, and one of his composituions, the South China Fantasy… (…) 
http://eresources.nlb.gov.sg/newspapers/Digitised/Article/straitstimes19320505-1.2.132.aspx
(4) https://en.wikipedia.org/wiki/Ma_Sicong
(5) “Transcriptions of Guangdong Melodies – Hong Kong is part of the Guangdong province. Most of the immigrants originated from Guangdong. Due to the popularity of Guangdong melodies in Hong Kong, local composers and those who migrated to Hong Kong rewrote numerous Guangdong melodies with harmonization for performance on solo piano. In fact, Harry Ore (夏里柯), one of the earliest western classical musicians who settled in Hong Kong in the late 1920s, ( might be the very first to inspire other Chinese composers in Hong Kong to transcribe Guangdong melodies for solo piano.Some examples are Han tian lei (旱天雷) and Shuang fei hu die (雙飛蝴蝶), Op.18, written in the 1930s, described as ‘imparting a distinctly native flavour to his music.”
2012ku.hk/bitstream/10722/188287/1/FullText.pdf?accept=1
(6) http://classify.oclc.org/classify2/ClassifyDemo?search-author-txt=%22Ore%2C+Harry+Bruno+Johannes%2C+1885-%22
(7) http://trove.nla.gov.au/work/35693601?q&versionId=44452665
Encontrei somente uma audição de Harry Ore disponível na net:
Chimes after Mozart
https://www.youtube.com/watch?v=3j–47DIu1E
Anterior referência a Harry Ore (actuação em 3-03-1929 no Teatro D. Pedro V) em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/03/03/noticia-de-3-de-marco-de-1929-concerto-no-teatro-d-pedro-v/

No dia 15 de Janeiro de 1955, realizou-se no Teatro D. Pedro V, o 3.º concerto da temporada,  promovido pela Delegação de Macau do Círculo de Cultura Musical  (1) sendo concertista o conhecido violinista escocês Maurice Clare (2) que foi acompanhado ao piano por Janeta  McStay, (3) uma das melhores pianistas da Nova Zelândia. Ao concerto assistiu o Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro  e família. (4)
MBI 35 15JAN55 - Concerto CCM I(1) A delegação de Macau do Círculo de Cultura Musical (com sede na Avenida da República s/n) foi inaugurada no dia 24 de Junho de 1952, por ocasião da visita do Ministro do Ultramar, Comandante Sarmento Rodrigues a Macau. Nesse dia, foi promovido o primeiro concerto com a apresentação de dois artistas portugueses de destacado valor e conhecido relevo no meio musical: o jovem (com 16 anos de idade) pianista Sérgio Varela Cid (5) e o Director de Orquestra e violinista Silva Pereira.(6)

MBII 36 31JAN55 - Direcção CCM24JUN1952A Direcção da Delegação de Macau do Círculo de Cultura Musical com Silva Pereira e Sérgio Varela Cid no dia 24 de Junho de 1952

A Direcção, no ano de 1952, era constituída por Dr. Pedro José Lobo, presidente (3.º a contar da esq.);  Luís Gonzaga Gomes, secretário (2.º a contar da esq.);  Dr. Abel de Carvalho, director-artístico (2.º a contar da dt.); Dr. António Nolasco da Silva, vogal (1.º a contar da dt.) e José Silveira Machado, tesoureiro. (6)
MBI 35 15JAN55 - Concerto CCM Maurice Clare(2) Maurice Clare, em 1962, violinista e chefe de orquestra inglês.
National Library of Australia
http://trove.nla.gov.au/work/167571308?selectedversion=NBD49347224
MBI 35 15JAN55 - Concerto CCM Janetta MacStay(3) Janetta McStay, pianista neo-zelandesa.  Biografia consultar em:
http://www.musicinnz.com/Issues/mcstay.htm
Janetta McStay, final déc 50 (séc.XX) (Fotografia de Clifton Firth)
(4) Macau Boletim Informativo, 1955
(5) Sérgio Varela Cid (1935 – desaparecido no Brasil, em 1981, declarado morto em 1994, o seu corpo  nunca foi encontrado ), concluiu o curso no Conservatório Nacional, com 19 valores. Foi estudar para Londres, onde viveu praticamente toda a sua vida, e de onde encetou uma carreira internacional de concertista. Em finais dos anos 70 muda-se para o Brasil. Considerado um dos mais célebres e talentosos pianistas, no entanto, a sua vida privada (jogador inveterado e possível envolvência com negócios de contrabando) levaram-no ao triste fim.  (COSTA, Joel – Balada para Sérgio Varella Cid. Casa das Letras, 2007).
(6) Silva Pereira (1912-1992) violinista e chefe de orquestra, realizou os seus estudos musicais no Conservatório Nacional, onde obteve as mais altas classificações. Após terminados os estudos em Portugal, Silva Pereira parte para Paris, cidade onde prossegue os estudos de violino findo os quais inicia uma brilhante carreira internacional de concertista que o leva a actuar em diversos palcos da Europa, África e Extremo Oriente. Mais tarde dedicou-se à arte de reger vindo a apresentar-se em público, em 1944, como maestro. Maestro titular da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional/Porto, cargo que ocupa entre 1957 e 1974, ano em que é nomeado maestro titular da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional/Lisboa, posteriormente Orquestra Sinfónica da RDP. Silva Pereira manteve-se nestas últimas funções até 1989, ano em que a Orquestra da RDP foi extinta. Entre 1975 e 1980, exerceu ainda funções de director musical do Teatro Nacional de S. Carlos.
Informação retirada de António Ferreira em:
http://www.rtp.pt/antena2/premio-jovens-musicos/obras-compositores/maestro-silva-pereira_3082
(6) Macau Boletim Informativo, 1955.
NOTA: no Youtube circula  concertos dos artistas atrás referidos, nomeadamente:
Maurice Clare e Galina Solodchin com a Orquestra de Camerata String, em 1968:  “J. S.Bach Concerto for two violins & strings, second movemente”
https://www.youtube.com/watch?v=SAXM_gnr-s4
e Sérgio Varela Cid, em 1968,  “Beethoven Sonata n.º 23 “Appassionata“.
https://www.youtube.com/watch?v=bpua7Sto48g

Neste dia, 30 de Julho de 1953, procedeu-se no átrio do Leal Senado à extracção da rifa do automóvel, que esteve ao serviço do Ministro de Ultramar, Comandante Sarmento Rodrigues, a quando da sua visita a esta Província, em 1952. (1) Saiu premiada o n.º 1240, adquirido pelo Dr. Pedro José Lobo, que, num gesto verdadeiramente simpático, ofereceu o automóvel à Comissão Central de Assistência Pública para esta novamente o rifar. (2)

(1) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ministro-do-ultramar/
(2) Macau Boletim Informativo, 1953