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No Campo da Caixa Escolar, realizou-se, no dia 28 de Janeiro de 1956, o «Interport» lusitano de Hóquei entre as equipas de honra do Hóquei Clube de Macau e do Clube de Recreios de Hong Kong, que terminou por 4 a 0, a favor da equipa local.

Os grupos contendores disputaram a Taça «Governador Esparteiro», lindo troféu oferecido pelo Governador da província, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, há três anos. A Taça começou a ser disputada na época de 1952-53, tendo a equipa de Macau ganho nessa época, assim como nas duas seguintes.(1)

NOTA- desconheço a data do fim destes encontros desportivos anuais entre o Clube de Recreios de Hong Kong e o Hóquei Clube de Macau. Recorda-se que o governador Marques Esparteiro que iniciou seu governo em 23 de Novembro de 1951, terminou-o em 27 de Novembro de 1956.

(1) Extraído de «MBI», III, n.º 60 – Janeiro de 1956) p. 14

Mais uma crónica de Henrique de Sena Fernandes, este referente aos jogos de hóquei em campo , da equipa de Hóquei Clube de Macau no período do dia 29 de Dezembro de 1934, a 4 de Janeiro de 1935. (1)

“Em Dezembro, as atenções de Macau desviam-se para a visita a Malaia do Macau Hóquei Clube, para uma série de jogos. Aparecem de toda a parte boas vontades para ajudar os “rapazes”. O Governo e o Leal Senado subsidiam, o mesmo procedendo entidades particulares, como Júlio Eugénio da Silva e António Maria da Silva. A Academia de Amadores do Teatro e Música leva a efeito a peça “As Alegrias do Lar”, entregando todo o produto da receita àquele clube desportivo. Na venda dos bilhetes distinguem-se Celeste Vidigal, Celsa Rodrigues e Guidinha Nolasco, que mereceu um agradecimento público do referido clube. Em 24 de Dezembro, os representantes do hóquei partiram de Hong-Kong no “Tilawa”, a caminho de Singapura. Macau ficou aguardando, com grandes expectativas, o triunfo deles. Foram quatro os jogos entre 29 de Dezembro e 4 de Janeiro de 1935. O primeiro jogo realizou-se entre Macau e a selecção de europeus de Singapura, com o resultado a nosso favor de 2-1. O segundo desafio, no último dia do ano, com resto de Singapura, isto é, uma selecção de jogadores não europeus, em que perdemos por 4-2. Para Macau foi um banho de água fria. No dia 2 de Janeiro de 1935, realizou-se em Kuala Lumpur o jogo principal: Macau-Malaia. A nossa linha era a mesma que no ano anterior enfrentara a Malaia:

Almada; Pinto Cardoso e Jacinto Rodrigues; Lino Ferreira, João dos Santos Ferreira e Alexandre Airosa; Frederico Nolasco da Silva, Laertes da Costa, Fernando Ramalho, Rui Hugo do Rosário e Amílcar Ângelo. Reservas – Pedro Ângelo Jr., João Nolasco da Silva e Leonel de Oliveira Rodrigues.

Era o jogo principal. O resultado foi duro para nós: perdemos por 3 bolas a zero; os goals metidos no primeiro quarto de hora da primeira parte. Ouçamos Filipe O’Costa: Antes do jogo, chuva. E assistimos novamente ao descalçar dos sapatos, como em Singapura. Mas houve pior. No primeiro quarto de hora, o nosso grupo, por nervosismo, por cansaço ou pelas duas causas reunidas, jogou mal como raras vezes o tenho visto jogar e os goals vieram, inexoravelmente. Eu, a arbitrar, quási que arranquei os cabelos. Mas honra lhes seja, não desanimaram e começaram a mostrar o que sabem; daí por diante o jogo foi igual e até com notável domínio nosso no final da segunda parte.Passado esse quarto de hora negro, todos jogaram bem, especialmente Ferreira, Rosário e Jacinto, embora o último não tivesse sido tão brilhante como em Singapura”. O último jogo, em 4 de Janeiro, realizou-se em Malaca, em que Macau venceu por 2-0, num “jogo agradável e regular” com “grande assistência, a maior, segundo nos disseram, que ainda presenciou um desafio de hóquei em Malaca”.

O telegrama recebido no dia 3 de Janeiro, anunciando a derrota com a Malaia, causou enorme consternação. A cidade portuguesa pareceu enlutada. No entanto, a actuação do nosso grupo em todos os desafios mereceu grandes encómios da imprensa de Singapura e de Kuala Lumpur. Macau Hóquei Clube não saiu desprestigiado e foi considerado um dos melhores grupos da Ásia. À chegada, o grupo foi recebido por uma grande massa de aficionados. A Sociedade da União Recreativa deu em honra dele, no dia 13 de Janeiro, uma “soirée dançante”, que decorreu muito animada até alta madrugada, interrompida apenas para um fino “copo de água” e para o discurso entusiástico do Presidente da Agremiação, António F. Batalha.(1)

(1) FERNANDES, Henrique de Senna – Cinema em Macau III (1932-1936). Revista de Cultura, N.º 23 (II Série), Abril/ Junho 1995. Instituto Cultural de Macau, pp. 133-170. http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30018/1706

CAPA – PROGRAMA (29,8 cm x 21 cm; 32 p.)

O 11.º Torneio internacional de Hóquei em Campo – Veteranos, o chamado “PACIFIC RIM MASTERS -VETERAN HOCKEY TOURNAMENT”, realizou-se em Singapura, organizado pela “Singapore Veterans Hockey Association”. Os jogos decorreram no “Delta Sports Complex” de 2 a 7 de Novembro de 1992

Neste torneio, nos “Masters 40” participaram 4 equipas; Austrália, Macau, Malásia e Singapura e nos “Masters 50” somente três equipas: Austrália, Malásia e Singapura.

CONTRA-CAPA
Cerimónia de Abertura no dia 2 de Novembro de 1992
Programa da cerimónia de abertura, dia 2 de Novembro de 1992
Lista da comitiva macaense
À chegada ao “Delta Sports Complex” no dia 3 de Novembro de 1992

Uma homenagem aos companheiros – saudosas memórias dos que já partiram: Amadeu Cordeiro e Alberto Colaço

Programa dos jogos

Após oito anos, a “Malaysian Hockey Federation “ (1) organizou de novo o torneio dos veteranos de hóquei em campo, o chamado “PACIFIC RIM MASTERS -VETERAN HOCKEY TOURNAMENT”, o 18.º, na cidade de Kuala Lumpur (Malásia) de 23 de Setembro a 1 de Outubro de 1998. O torneio englobou ainda duas outras provas: “Senior Masters” e “Ladies Tournament”. Os jogos decorreram no “Pantai Hockey Stadium”.

CAPA do programa (29,5 cm x 21 cm)
Contracapa da programa

Notas do representante dos Veteranos de Macau, na reunião dos delegados das selecções.

Apresentação dos participantes macaenses
“OFFICIAL DINNER” 30-09-1998

NOTA: a delegação de Hong Kong apresentou-se pela primeira vez neste torneio com a denominação Hong Kong/China, após a transferência da soberania a 1 de Julho de 1997

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2021/09/19/noticias-de-17-a-23-de-setembro-de-1990-torneio-internacional-de-hoquei-em-campo-veteranos-pacific-rim-international-masters/https://nenotavaiconta.wordpress.com/2021/09/24/lembranca-do-torneio-internacional-de-hoquei-em-campo-veteranos-pacific-rim-international-masters-ii/

Continuação da leitura do artigo “Resenha Histórica do Hóquei Clube de Macau”, que José dos Santos Ferreira (Adé) publicou em 1972, na revista «MACAU, Boletim de Informação e Turismo» (1) (2)

“… O primeiro «interport» contra Hong Kong efectuou-se em 1934, tendo terminado com um empate 1-1. A série dos «interports» anuais entre as selecções de Macau e Hong Kong prosseguiu, ininterruptamente até 1941, ano em que romperam as hostilidades no Pacífico. Entretanto, em 1939, o tenente Filipe O´Costa havia regressado à Metrópole. Porém, em Macau, ficaram bem vincados, entre os adeptos de várias modalidades desportivas, e quiçá para sempre, o seu nome e a sua obra, aliados à noção mais viva dos princípios do desportivismo, amor e dedicação ao desporto. É que Filipe O´Costa pugnou sempre, não apenas pela modalidade e clube que aqui havia criado, mas também pelo desenvolvimento de outras actividades desportivas nomeadamente o ténis e o atletismo.

Por ironia das circunstâncias, nunca o desporto em Macau teve tantos adeptos e tão vasta actividade como nos anos cruciantes da guerra no Pacífico. O hóquei, como não podia deixar de ser, teve o seu grande quinhão de benefício. Longe de se manter inerte, bem pelo contrário a actividade que se desenvolveu no seu único campo – o da Caixa Escolar – foi extraordinariamente intensa e profícua. Toda a promoção em prol do hóquei foi possível na medida em que os numerosos hoquistas de Hong Kong aqui refugiados quiseram e bem souberam cooperar com os elementos locais no prosseguimento da prática e tradição da modalidade.

Disputaram-se, então, torneios e campeonatos, uns após outros com a participação de dez grupos, no mínimo, de homens, e de outros tantos de meninas e de estudantes. A febre do hóquei só abrandou quando terminada a guerra, os milhares de refugiados regressaram às suas terras.

O Hóquei Clube de Macau adquiriu personalidade jurídica em 1944, com a publicação dos seus estatutos, aprovados pela Portaria n.º 3: 658 de 21 de Outubro desse mesmo ano. A série dos «interports» com Hong Kong retomou o seu prosseguimento em 1949, com a realização do 9.º encontro anual e não mais sofreu interrupção até ao ano presente (1972), em que os seleccionados de Macau, tendo-se deslocado a Hong Kong, dali regressaram com a vitória de 1 a 0. “.

A representação do País em certamente internacional foi, desde há muito, «sonho doirado» do Hóquei Clube de Macau. O clube macaense tudo fizera para estar presente nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, e de 1956, em representação de Portugal. Mas circunstâncias adversas impediram que tão grande aspiração e honrosa representação se transformassem em realidade.” (1)

(1) FERREIRA, José dos Santos – «MBIT», VIII-3/4 de Maio/Junho de 1972, pp.2-3

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2021/09/11/leitura-resenha-historica-do-hoquei-clube-de-macau-i/

“Resenha Histórica do Hóquei Clube de Macau”, escrita por José dos Santos Ferreira (Adé) e publicada em 1972, na revista «MACAU, Boletim de Informação e Turismo » (1) 

 “Naquela tarde de Outono de 1926, um jovem oficial do Exército, meses antes chegado à Província, reunia à sua volta no campo desportivo da Caixa Escolar cerca de uma dúzia de atletas, uns ainda rapazes e outros homens já feitos, a quem falou animadamente do hóquei em campo, em todos incutindo o gosto e o interesse pela modalidade. Desportista em toda a acepção do termo e entusiasta de hóquei como nunca houve outro igual, Filipe Augusto O´Costa – assim se chama o jovem tenente de Infantaria – acabava, naquela tarde, de lançar a semente que viria a produzir tantos e tão benéficos frutos em proveito do desporto português nestas paragens do Oriente, Filipe O´Costa tinha feito escola de hóquei na Alemanha e Inglaterra. Ali aprendera a jogar a li colhera sãos ensinamentos sobre o desportivismo, o espírito de «fair play» e a essência do amadorismo no desporto, única forma em que o hóquei em campo é aceitável.

O primeiro grupo de hóquei de Macau formou-se umas semanas após aquela reunião, dele fazendo parte estudantes, militares e cadetes ingleses. Filipe O`Costa era médio-centro, o capitão, o chefe, mestre, treinador e a alma do grupo. Mercê de muita tenacidade e valiosos ensinamentos, sem mais tardar, viu os seus discípulos e companheiros da equipa predicados que bem valiam ser aproveitados, a par dum entusiasmo e dedicação a toda a prova. Aos primeiros elementos, outros se juntaram e no ano seguinte já mais de duas dezenas d adeptos sabiam manejar o «stick», revelando, porém, sem grande surpresa para o mestre, decidida inclinação para a modalidade.

Naquele tempo, em Hong Kong, dada a existência de muitos esportistas britânicos e ainda por influência da Índia, já o nível do hóquei se situava em escala bastante elevada. Vários eram os agrupamentos e centenas os jogadores de diferentes nacionalidades que praticavam com regularidade este desporto. Era, pois, imperioso promover contactos. Não hesitou o tenente Filipe O´Costa em proporcionar aos seus discípulos o gosto de participar em pugnas, convidando para Macau quantas equipas quisessem aqui vir a disputar encontros amigáveis com o primeiro e o único grupo de hóquei de Macau.

Os primeiros resultados foram inteiramente desfavoráveis; derrotas após derrotas, algumas delas copiosas, assinalaram as duas épocas iniciais do hóquei de Macau. Tais resultados, se foram desastrosos, não chegaram, com certeza, a ser desmoralizadores. Bem antes pelo contrário, constituíram, de certo modo para estímulo e levaram os nossos hoquistas a encher-se de brio, convencendo-se de que era preciso trabalhar mais e aprender melhor. Assim, de facto, aconteceu, e os resultados positivos do seu trabalho aturado, persistência e redobrada dedicação não se fizeram esperara partir d terceira época, já muitos encontros terminavam a favor de Macau. Não mais de havia registado outra derrota pesada. A turma macaense havia crescido e já se sabia impor aos grupos de Hong Kong, muito jogados e experientes. O nome do Hóquei Clube de Macau estava feito.

Durante cerca de uma década, vitórias após vitórias marcaram o período áureo do clube macaense, já então cognominado o «invencível» pela massa desportiva e Imprensa de Macau e Hong Kong. Os adversários já não eram apenas os modestos clubes de hóquei de Hong Kong, com também agrupamentos mistos e seleções da colónia britânica, grupos e selecções de Singapura, universitários do Japão e ainda uma selecção de Cantão, formada, na sua maioria, por elementos da comunidade alemã estabelecida em Shameen.

Identificação dos jogadores (data ?; local ?)
1.ª plano (sentados): Henrique Nolasco da Silva; Fernando Marques; Lourenço Ritchie; Alexandre Airosa(?) ; Albertino Almeida
2.º plano (de joelhos): Herculano da Rocha (Josico); ???; Humberto Rodrigues.
3.º plano (de pé): João do Santos Ferreira; José dos Santos Ferreira; César Capitulé (guarda redes) ; Armando Basto.

CAPA em português

Revista “DESPORTO 96”, editada pelo Instituto dos Desportos de Macau (IDM), publicação caracterizadora da actividade desportiva ocorrida ao longo do ano de 1996, em Macau, realçando os principais acontecimentos desportivos internos e internacionais em que o Território esteve envolvido.

CONTRACAPA , em chinês

Revista (29, 5 cm x 21 cm x 1cm; com 70 páginas em português e 70 páginas em chinês) distribuída em 1997, oferta do IDM, com os cumprimentos do presidente, Manuel Silvério que tomou posse neste cargo em Setembro de 1996 (anteriormente já desempenhava as funções de vice-presidente). A nova sede do IDM foi construída no complexo do Forum de Macau, o lançamento da primeira pedra ocorreu em fins de Outubro de 1996 e em meados de 1997 ficaria concluída.

1.ª página

Na Capa, destaco uma das modalidades desportivas mais representativas dos macaenses, o Hóquei em Campo, aqui representada pelo autor, guarda-redes duma das equipas (Hóquei Clube de Macau) que participaram em 1996 no campeonato interno (campo do Tap Seac).

Para encerramento da época, realizaram-se, no dia 4 de Abril de 1952, no campo de Tap Seac, dois encontros de hóquei em campo entre as equipas A e B do Hockey Club de Macau e duas selecções da vizinha colónia de Hong Kong. A equipa B derrotou a selecção paquistanesa de Hong Kong por 5 a 3 e a equipa A de Macau perdeu, por 0 a 2, contra a Selecção de Kowloon (1)

As equipas paquistanesa de Hong Kong (camisola ás riscas horizontais) e a do Hockey Club de Macau B. (camisola escura). Ao fundo, a Escola Primária Ofcial Pedro Nolasco da Silva

Reconheço alguns dos jogadores macaenses: Amadeu Cordeiro, Fernando Nascimento, Dr. João dos Santos Ferreira, Eng. Humberto Rodrigues, (Rogério?) Lopes e (Mário Aureliano ?) Robarts,

A selecção de Kowloon que derrotou a equipa A do Hockey Club de Macau

O Hockey Club de Macau manteve nesta época desportiva (1951/52), vários encontros com equipas de Hong Kong (04-11-1951 com os Argonautas de HK; 6 e 7 -10-1951 com o Clube Recreio de HK; 16-12-1951 com o grupo Thunderbolts de HK; 06-01-1952 oficiais do exército britânico de HK; 14-01-1952 com “British Army” de HK. Em 28-01-1952, realizou-se o Interport (intercidades) do qual saíram vencedores as equipas de Macau. quer a equipa A que ganhou por 3 a 1 quer a equipa B que ganhou por 2 a 1. O treinador era o Dr. João dos Santos Ferreira

A Direcção do Hóckey (Oquei) Club de Macau em 1951/52: Presidente – António Emílio Rodrigues da Silva; Secretário – Engenheiro Humberto Rodrigues; Tesoureiro- Herculano Silvânio da Rocha; Vogais- FrPero Hydederico Nolasco da Silva e Pedro Hyndman Lobo

(1) Texto e fotos extraídos de «Mosaico», IV-21/22 de Maio e Junho de 1952,

Realizou-se nos dias 6 e 7 de Outubro um intercâmbio desportivo entre os portugueses de Hong Kong e Macau, tendo sido disputados com grande animação e concorrência, os diversos desafios de hóquei em campo, ténis e bridge.
Macau saiu vencedora em ténis e hóquei em campo mas perdeu no bridge.
O Encarregado do Governo e esposa assistiram interessados ao desafio de hóquei em campo entre os grupos de Hong Kong e Macau, no campo do Tap Seac.
O grupo de honra do Hockey Club de Macau que derrotou o grupo visitante por 2 a 0
De pé (da esqª para dtº) Herculano da Rocha, , Augusto Jorge, César Capitulé, José Vítor do Rosário, Armando Basto, Humberto Rodrigues
1.ª fila: Luís da Cunha, Frederico Nolasco da Silva, Lourenço Ritchie, Fernando Marques Marques, Albertino Almeida
Os grupos de 2.ªs categorias do Clube de Recreio e Hockey Club de Macau
O vice-cônsul de Hong Kong, sr. Fernando Ribeiro, entregando a Taça Brazão ao Sr. António de Melo, capitão do Ténis Civil de Macau que derrotou o Club de Recreio de Hong Kong por 8 a 1.
Os numerosos convivas que participaram no jantar de confraternização
O representante do grupo de Hong Kong, Sr Jackie Noronha, agradecendo a hospitalidade de Macau.
Extraído de «Mosaico» III-15/16,1951

Hóckey (Oquei) Club de Macau – Direcção (Anuário de Macau 1951/52)
Presidente : António Emílio Rodrigues da Silva
Secretário: Engenheiro Humberto Rodrigues
Tesoureiro : Herculano Silvânio da Rocha
Vogais: Frederico Nolasco da Silva e Pedro Hyndman Lobo

Ténis Civil – Direcção (Anuário de Macau 1951/52)
Presidente – Dr Cassiano C. de Castro Fonseca
Secretário: Eduardo Batalha da Silva
Tesoureiro Armando Rodrigues da Silva.

Existiu uma Associação de Bridge de Macau, que teve como presidente foi Frederico Nolasco da Silva, mas não consegui determinar com exactidão a data da sua existência.

Henrique de Senna Fernandes nas suas memórias de Macau de 1934 descritas nos artigos “Cinema em Macau” , recordava:
A Primavera de 1934 foi assinalada por um acontecimento de máximo relevo para a vida desportiva de Macau – a vinda do famoso team de hóquei da Malaia, considerado o melhor do Extremo Oriente e, na sua modalidade, um dos melhores do mundo. A notícia foi acolhida com natural alvoroço e enorme expectativa e, durante semanas, não se falou doutra coisa. Era nos clubes, na rua, nos adros das igrejas, ao Domingo, e na mesa, quando a família se reunia para as sacramentais refeições.
A estadia dos malaios em Hong-Kong nos primeiros dias de Abril foi coroada de duas vitórias para a equipa visitante. Um grupo civil foi vencido por 3-2 e a selecção de Hong-Kong sofrera uma pesada derrota por 4-2. Como se ia portar o Macau Hóquei Clube, perante a incontestável força dos malaios, era pergunta que pairava em todas as bocas. Em 9 de Abril, realizou-se o grande jogo Macau-Malaia, no campo de Tap Seac, perante cinco mil espectadores, número que julgamos nunca mais ter sido excedido. A população portuguesa de Macau concentrou-se em peso, para apoiar os seus rapazes, vendo-se no campo pessoas que normalmente mal saíam das suas casas. Antes do jogo, reparou-se que os membros da equipa macaense não tinham a constituição física dos malaios, mas marcavam pela sua juventude e confiança.
Logo no início do jogo, se notou que as equipas se igualavam, embora os malaios se mostrassem mais experientes. Foi um certame inesquecível para todos quantos o presenciaram. Se alguma vez o hóquei atingiu as alturas de verdadeira arte foi naquele dia, num jogo intenso de vibração de alma, uma mistura de elegância e de virilidade, em todos, de parte a parte, havendo a determinação de vencer.
Macau perdeu por uma bola a zero, mas a vitória da Malaia não foi líquida, deixando dúvidas. É que o árbitro malaio anulou dois goals nossos, o último dos quais, segundo a maioria esmagadora dos espectadores e o consenso dos nossos jogadores, fora absolutamente limpo. Não foi de admirar a reacção hostil de um sector dos espectadores no fim do jogo contra o árbitro. Um empate teria sido mais justo, pela forma como ambas as equipas jogaram.
Do desafio, transcrevemos parte do artigo de Adelino da Conceição, em “A Voz de Macau” de 10 de Abril:
“Como jogo e como espectáculo não encontro positivamente termos nem adjectivos para o classificar.
Inventem os leitores os adjectivos que quiserem, compulsem livros e dicionários, que todos os termos encomiásticos podem ser justamente aplicados àquele espectáculo inolvidável.
Jamais Macau registou, nos anais da sua vida desportiva, um triunfo semelhante. É o triunfo do desporto, da mocidade, da vida, do movimento e da cultura do corpo. Fosse Macau uma terra maior, eu faria uma descrição o mais possivelmente circunstanciada do jogo. Mas julgo desnecessário. Todo o Macau hoquista esteve no campo, todos viram e vibraram inteiramente com o espectáculo que não hesito em classificar o mais belo que tenho visto.
A impressão de beleza inesquecível ficou gravada no espírito do público e dos jogadores. Esta é, igualmente, a que está gravada no meu”.
O team de Macau, o que classificamos de “linha de ouro” do hóquei de Macau, isto sem desdouro para outros grandes hoquistas que mais tarde surgiram, era constituído pelos seguintes componentes que enumeramos do guarda-redes ao ponta esquerda:
César Capitulé (Almada); Jacinto Rodrigues e Manuel Pinto Cardoso; Lino Ferreira, João dos Santos Ferreira e Alexandre Airosa (Chane); Frederico Nolasco da Silva, Fernando Ramalho, Pedro Ângelo, Rui Hugo do Rosário, Amílcar Ângelo.
O desporto local viveu uma das horas mais brilhantes da sua existência com este desafio ímpar.
FERNANDES, Henrique de Senna  – Cinema em Macau (1932-1936). Revista de Cultura N.º 23 (II Série) Abril/ Junho 1995. Instituto Cultural de Macau, pp. 133-170.