Archives for category: Relação Macau – Inglaterra

Foi concedida, em 21 de Setembro de 1924, pelo Governo da Província ao aviador inglês A. H. Rowe para aterrar em Macau e voar sobre esta cidade. (SILVA – Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 164.)

Ver anteriores postagens referentes aos transportes aéreos.

No seguimento da visita do Governador António Sérgio de Souza a Hong Kong no dia 5 de Novembro de 1869, para apresentar cumprimentos ao príncipe Alfredo, Duque de Edimburgo (1), este no regresso a Hong Kong, vindo de Cantão, no dia 9 de Novembro, visitou Macau (por um dia). Veio no navio “Fire Dart”, fundeando na Rada/Praia Grande, onde já estava a corveta inglesa “Rinaldo” (2) toda embandeirada em arco por ser aniversário do Príncipe de Gales (futuro rei Eduardo VII) (3) nascido em Londres a 9 de Novembro de 1841.

Extraído de «BPMT», XV-46 de 15 de Novembro de 1869, p. 206.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2021/11/05/noticia-de-5-de-novembro-1869-governador-de-macau-em-hong-kong-na-visita-do-principe-alfredo-da-inglaterra-i/

(2) «HMS Rinaldo», construído em Portsmouth em 1 March 1858; lançado em 26 March 1860 , esteve ao serviço da marinha inglesa até 1884. Vendido em Abril 1884, para desmantelamento.

British Camelion-class sloop HMS Rinaldo ”
https://en.wikipedia.org/wiki/Camelion-class_sloop

(3) Eduardo VII (9 de novembro de 1841 – 6 de maio de 1910) , filho da rainha Vitória e do príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, foi Rei do Reino Unido e da Irlanda, dos Domínios Britânicos e Imperador da Índia de 22 de janeiro de 1901 até sua morte, sendo o primeiro monarca britânico da Casa de Saxe-Coburgo-Gota. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_VII_do_Reino_Unido)

No dia 5 de Novembro de 1869, regressou a Macau o Governador António Sérgio de Souza (governo de 3 de Agosto de 1868 a 22 de Março de 1872) de volta de Hong Kong para onde tinha ido no dia 2 a fim de cumprimentar o príncipe Alfredo, Duque de Edimburgo (1) (primo do Rei Português D. Luís) e assistir à recepção oficial, representação teatral e baile em honra do príncipe.

Extraído de «BPMT», XV-45 de 8 de Novembro de 1869, p. 203

O Duque Alfredo de Inglaterra visitou Macau, vindo de Cantão no dia 9 de Novembro (estadia de 1 dia) (ver para postagem no dia 9 de Novembro)

Duke of Edinburgh, Alfred Ernest Albert, Sydney, ca. 1868, por Montagu Scott

(1) Alfred Ernest Albert (1844 – 1900) foi proclamado Duque de Edimburgo em 1866 até ser duque de Saxe-Coburg e Gotha de 1893 a 1900 (herdado do seu tio Ernesto II do Imperio germânico). Segundo filho da Raínha Victoria e Príncipe Alberto de Saxe-Coburg e Gotha. Fez carreira militar na Marinha inglesa, atingindo o posto de “Admiral of the Fleet” e entre outros cargos (Commander-in-Chief, Plymouth; Mediterranean Fleet, Channel Fleet; Admiral Superintendent of Naval Reserves, Malta), foi capitão do navio “HMS Galatea” e com este navio visitou Hawai em 1969 e depois Nova Zelândia (1.º membro da família real a visitar este país) com desembarque em Wellington em 11 de Abril de 1869. Foi depois ao Japão sendo o primeiro príncipe europeu a visitar este país (em 4 de Setembro de 1869, foi recebido pelo então adolescente imperador Meiji em Tóquio) e passou por Hong Kong, Cantão e Macau (um dia) em Novembro, para em Dezembro estar na Índia onde permaneceu três meses. https://en.wikipedia.org/wiki/Alfred,_Duke_of_Saxe-Coburg_and_Gotha

The Galatea, in Hong Kong harbour, carrying H. R. H. The Duke of Edinburgh. Iconographic Collections Keywords: John Thomson; john thompson; Water; J. Thomson; China; Landscape”(2)  in https://en.wikipedia.org/wiki/Alfred,_Duke_of_Saxe-Coburg_and_Gotha

(2) John Thomson (1837-1921) um dos primeiros fotógrafos a viajar para o oriente, estava em Hong Kong desde 1868 (ficou cerca de 4 anosneste território) tendo registado este visita real com fotografias a pedido do capelão colonial anglicano,  William Beach, para figurar num livro/álbum (3) comemorativo da visita e cuja receita foi para construção do novo coro da Catedral de St. John, em Hong Kong. https://www.princeton.edu/~graphicarts/2011/12/john_thomson_in_hong_kong.html

(3) John Thomson (1837-1921) and Rev. William R. Beach, Visit of His Royal Highness the Duke of Edinburgh, K.G., K.T., G.C.M.G., to Hong kong in 1869: Compiled from the Local Journals, and Other Sources (Hong kong: London: Printed by Noronha and Sons, Government Printers; Smith, Elder and Co., 1869).

NOTA: está disponível a série de fotos que John Thomson realizou dessa visita em: https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:1869_Duke_of_Edinburgh%27s_visit_to_Hong_Kong

Ver anteriores referências a este fotógrafo neste blogue em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/john-thomson/ .

Extraído de «O Procurador dos Macaístas», n.º 4, de 27 de Março de 1844

O Governador era José Gregório Pegado, que iniciou em 6 de Outubro de 1843 até 21 Abril de 1846 (posse de João Maria Ferreira do Amaral) tendo embarcado a 28 de Maio de 1846 e falecendo em Áden, no seu regresso a Portugal nesse ano.

NOTA: a 6 de Março de 1844, foi iniciada a publicação do seminário literário e político “ «O Procurador dos Macaístas», fundado por Manuel Maria Dias Pegado. O jornal seguiu até 2 de Setembro de 1845.

O Ministro da Inglaterra em Pequim depôs na Gruta de Camões em Macau, numa cerimónia impressionante, com piquetes de marinheiros da canhoneira inglesa «Tarântula» (1) e da Portuguesa «Pátria», uma bela coroa de louros esculpida em bronze e assente sobre uma placa contendo a seguinte inscrição: – A tribute of admiration to Louis de Camões from British Residents in China 1928.

Gruta de Camões – 1950

Nesse mesmo ano, em 1928, visitou Macau a canhoneira «Sebastiano Caboto», (2)  de Itália. Os seus oficiais e marinheiros deslocaram-se a pé, com o cônsul italiano, em romagem à gruta de Camões. Depuseram flores e prestaram homenagem junto do Poeta) (3)

 (1) «HMS Tarantula», um dos quatros navios da Armada inglesa construído em 1915 que interveio na I Guerra Mundial, como “insect-class gunboats” (pequenos navios próprios para navegar em rios e perto da costa). Após a I Grande Guerra, foi colocado na “China Station” de Abril de 1919 a Janeiro de 1924 e depois incorporado no “British Pacific Fleet”. Abatido ao efectivo, foi afundado de propósito como alvo, na baía de Bengala, em 1 de Maio de 1946. (https://en.wikipedia.org/wiki/HMS_Tarantula)

“HMS Tarantula, an Insect-class gunboat of the Royal Navy that served (briefly) as flagship of the British Pacific Fleet!” (1)
“The Italian gunboat Sebastiano Caboto on a river in China, 1935” (2)

(2) Em 1910, o governo italiano decidiu construir dois navios de Guerra que pudessem patrulhar os rios chineses especialmente no rio Yangtze (onde estavam muitos comerciantes italianos, com frequentes ataques de piratas). O mais pequeno “Ermano Carlotto” que deveria ser construído na China, devido à  I Grande Guerra , só foi concluído em 1921. O maior “Sebastiano Caboto” (778 toneladas) iniciado em Palermo em 1911, ficou pronto em 1913 e foi enviado para a China (chegou a Shanghai em Abril de 1914), mas devido à guerra, abandonou a China que nessa altura era ainda neutral. Voltou depois tendo estado ao serviço na China (Shanghai, Tianjin e Yangtze) nas décadas de 20 e 30 (século XX) (http://www.navypedia.org/ships/italy/it_of_caboto.htm) +(https://i.redd.it/uz34jpk2cwu21.jpg)

(3) (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, pp. 200-203)

Diário de Peter Mundy (1) (2) (3) que veio à China na armada do chamado “contrabandista” (corsário comercial) Squire Courteen (Lord William Corteen) da Companhia das Índias, sob o comando do capitão John Weddel que deixou a Inglaterra em Abril de 1636 e chegou a Macau a 28 de Junho de 1637 (4) depois da sua passagem por Goa. A armada permaneceu por mais de seis meses nas vizinhanças de Macau e do Rio da Pérola, partindo finalmente para a índia, de regresso à Inglaterra em Janeiro de 1638. (1)

Peter Mundy sendo um dos enviados a terra, onde permaneceu algumas semanas, com o fim de aí negociar, estava em boas condições de poder escrever um relato do que viu, tanto mais que os seus conhecimentos das línguas espanhola e portuguesa [ver versão (5)] lhe permitiam conversar livremente com a alta sociedade da localidade.” (1)  

“25 de Novembro: O nosso almirante e outros capitães foram convidados pelos padres de S. Paulo para irem assistir a uma representação na Igreja de S. Paulo feita por crianças da cidade sendo mais de cem os que representaram; mas eles não foram. Eu e os outros, que estávamos em terra, fomos. Era parte da vida do seu muito afamado S. Francisco Xavier, na qual havia passagens muito interessantes, viz. uma dança chinesa por crianças em trajes chineses; uma batalha entre portugueses e holandeses, representada em dança na qual os holandeses eram vencidos sem quaisquer palavras depreciativas ou acções ofensivas a essa nação. Outra dança de caranguejos chamadas vulgarmente Stoole Carangueijos, constando de muito rapazes lindamente vestidos na forma desses animais cantando todos e tocando em instrumentos como se eles fôssem todos os carangueijos. Outra dança de crianças tão pequeninas que parecia impossível que pudesse ser feita por elas (porque podia haver dúvidas sobre se alguns seriam mesmo capazes de andar ou não), escolhida com o fim de causar admiração.

No fim de tudo, um deles, (o que representou S. Francisco Xavier), mostrou tal destreza num tambor atirando-o ao ar e apanhando-o, virando-o e fazendo rodar com tão excepcional ligeireza sempre a compasso com a música, que foi admirável à assistência. As crianças eram muitas, muito bonitas e muito ricamente adornadas tanto em trajes como em jóias, sendo os pais quem tinha a seu cuidado vesti-las a seu contento e para seu crédito pertencendo aos jesuítas instruí-las não só naquilo que vimos mas também com todas as formas de educação como tutores tendo a seu cuidado a educação da mocidade e criancinhas desta cidade, especialmente os de categoria.

O teatro era na Igreja e toda a acção foi representada pontualmente. Nem um só, entre tantos, (apesar de crianças e a peça longa) desempenhou mal o seu papel. É verdade que ali estava um jesuíta no palco que os dirigia quendo se oferecia a ocasião.

(1) Descrição de Macau, em 1637, por Peter Mundy, pp- 50-90 do livro de BOXER, Charles Ralph – Macau na Época da Restauração (tradução de “Macao Three Hundred Years Ago), II Volume. Edição Fundação Oriente, 1993, 231 p.

(2) MUNDY, Peter – The Travels of Peter Mundy (1608-1667). Cinco volumes, Londres, 1907-1936.

(3) Peter Mundy (c.1596 ou 1600— 1667?) inglês, comerciante, aventureiro e escritor. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/peter-mundy/

(4) Conforme o diário do próprio PeterMundy: “Em 28 de Junho de 1637, o Sr. John Mountney, Thomas Robinson e eu fomos mandados a terra numa barcaça com a carta de Sua Magestade o nosso Rei e outra do almirante, dirigidas ao capitão Geral de Macau. Fomos recebidos com muito respeito e foi-nos prometida uma resposta para o dia seguinte

O Capitão- Geral de Macau era Domingos da Câmara de Noronha que chegou a Macau a 13 de Abril de 1636 sucedendo a Manuel da Câmara de Noronha. Foi substituído por D. Sebastião Lobo da Silveira, em 1638, no entanto, permaneceu em Macau até 1643. Depois de ter sido feito prisioneiro dos holandeses no caminho de regresso, ao largo de Malaca, a odisseia deste homem bravo acabou bem. Regressou a Portugal e foi recompensado com uma comenda em espécie (400 mil reis). (ALVES, Jorge Santos; SALDANHA, António Vasconcelos (coords) – Governadores de Macau, 2013,pp. 27-28)

(5) “Quanto à viagem à China e a Macau, Peter Mundy e Thomas Robinson (que falava português), acompanharam o Captain John Weddell (e Nathaniel Mountney), comandantes de uma esquadra de quatro navios e duas pinaças enviada a Cantão em 1637 pela Courteen Association (com licença régia concedida dois anos antes por Charles I, em 1635), no que terá sido a primeira embaixada britânica de comércio à China”.  (JORGE, Cecília; COELHO, Rogério Beltrão – Viagem por Macau, Volume I,  Século XVII-XVIII. Livros do Oriente/I.C. da RAEM, 2014, p. 25.

Outras fontes deste tema de interesse, acessíveis pela net: PUGA, Rogério Miguel – Images and representations of Japan and Macao in Peter Mundys travels (1637). Bulletin of Portuguese – Japanese Studies, n.º 1, december, 2001, pp. 97 – 109. https://www.redalyc.org/pdf/361/36100106.pdf

PUGA, Rogério Miguel – Macau (enquanto “cronótopo” exótico) na Literatura Inglesa. Administração n.º 59, vol. XVI, 2003-1.º, 299-324. file:///C:/Users/ASUS/Downloads/MACAU%20(ENQUANTO%20%E2%80%98CRON%C3

Extraído do «BGPMTS» I-3 de 4 de Novembro de 1854

NOTA: O Dr. António Luíz Pereira Crespo, nascido em Marinha Grande foi nomeado cirurgião-mor de 1. ª classe da Província de Macau e Timor em 30-08-1852. Terá chegado a Macau em finais desse ano.

Extraído de «BGPMTS» VII-17 de 7-12-1852, p. 61

No Boletim Oficial de 1853, aparece este anúncio:

Extraído do «BGPMTS» VIII-25 de 28-07-1853, p. 102

Casou na Sé, a 16-01-1854, com Bárbara Joaquina da Silva. Com data de 01-08-1855, Dr. Crespo publicava o seguinte aviso no Boletim Oficial, acerca da vacinação “para prevenir o contágio das bexigas”. Este aviso foi repetido nos números seguintes bem como em anúncios de 1857.

Extraído de «BGPMTS» I- 42 de 4-08-1855, p. 168.

Dr. Crespo elaborou o Regulamento do Hospital Militar de Macau criado por portaria n.º 73, de 21-11-1855 (publicado no «Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor», Vol. II, n-º5). O Dr. Crespo regressou a Portugal em 1860, tendo sido nomeado em seu lugar o Dr. Lúcio Augusto da Silva.

A 13 de Julho de 1635, aportou a Macau o “London” o primeiro navio inglês que veio à China. (1) O investigador Rogério Puga (2) refere a data de 23 de Julho:  “Após a suposta estada do escocês William Carmichael em Macau, um grupo de ingleses, acompanhados pelo feitor português Gaspar Gomes, parte, por proposta do vice-rei Conde de Linhares, de Goa a bordo do London em Abril de 1635 (sob o comando de Mattthew Willis)  e chega à China a 23 de Julho, sendo recebidos com relutância quer pelos feitores portugueses que com eles viajam, quer pela oligarquia local. Gomes deve assegurar-se de que os marinheiros ingleses não causam distúrbios, não ofendem os residentes durante celebrações religiosas, ou bebem demasiado álcool, punindo severamente qualquer ofensa. De início não são os residentes de Macau que dificultam o desembarque dos ingleses, mas sim os portugueses que que viajem no London, travando as duas partes uma luta de interesses que termina duas semanas mais tarde, quando os agentes e três empregados da E.I.C. (“East India Company“) são autorizados a estabelecerem-se em terra- O vice-rei de Goa havia proibido secretamente o desembarque” (3)

A primeira viagem comercial dos ingleses à China seria em 1637 quando Carlos I envia à China o Cap. John Weddell para abrir comércio com o Império do Meio; essa expedição de três navios chegaram a Macau em 1637; daqui seguiu para Cantão, onde tentou entrar pela força. Mas aos 6 meses de tentativas inúteis, retirou-se. Dado à falta de tacto deste homem, os ingleses tiveram de esperar quase um século. (4) Só em 1715, os ingleses foram autorizados a construir nos subúrbios de Cantão e nas margens do rio uma feitoria e ali iam comerciar todos os anos os navios britânicos

(1) Segundo A. Marques Pereira (“Ephemerides Commemorativas…”) data retirada de “Chronology”

(2) Anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rogerio-miguel-puga/

 (3) PUGA, Rogério Miguel – A Presença Inglesa e as Relações Anglo Portuguesas em Macau (1635 -1793). 2009, pp. 41-42

CAPA

Este livro editado pelo Centro de História de Além-Mar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa/Universidade dos Açores e pelo Centro Científico e Cultural de Macau, I.P. foi publicado em 2009, 207 p. (ISBN 978-989-95563-4-8), 24 cm x 17 cm.

Conracapa

Posteriormente foi publicado a versão inglesa (tradução suportada pela Universidade de Macau) com edição da Royal Asiatic Society Books/ Hong Kong University Press, em 2013 “The British Presence in Macau 1635-1793”.208 p. ISBN 978-988-8139-79-8; 23, 5 cm x 15,5 cm.

A versão inglesa está acessível para leitura em: https://hkupress.hku.hk/pro/con/878.pdf

Contracapa

(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. I e Vol. 2, 1997.

Warren Delano Jr. (13 de Julho de 1809 – 17 de Janeiro de 1898) – comerciante americano, nascido em New Bedford, Massachusetts, da família “Delano” muito conhecida nos EUA (é avô materno do presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt) Aos 24 anos (1833) foi para a China, para trabalhar na “Russell & Company “ , empresa pioneira no comércio com a China. Ao longo da sua estadia, Warren Delano Jr. fez uma grande fortuna comercializando ópio em Cantão (Guangzhou). Na China viveu em Cantão, e com a família em Macau. Casou no dia 1 de Novembro de 1843, com Catherine Robbins Lyman (1825 –1896). Tiveram 11 filhos dos quais os dois primeiros nasceram em Macau: a filha Susan Maria Delano (13-10-1844-29-06-1846) que faleceu em Macau com apenas 18 meses (transladada para o cemitério de Fairhaven, Massachusetts/EUA) e a 2.ª filha, Louisa Church Delano (Macau 04-06-1846 – Newburgh NY/EUA 26-05-1869). Warren Delano Jr. com a família regressou aos EUA em 1846/47. (1) (2) (3)

Extraído de «O Procurador dos Macaístas», II-7 de 17 de Abril de 1845

(1) Warren Delano Jr. era o filho mais velho do capitão Warren Delano e de Deborah Perry Church Delano. Após a morte de sua mãe em 1827, seu pai, Warren Delano que trabalhava no comércio marítimo da Nova Inglaterra, casou com Elizabeth Adams, uma viúva do capitão Parker da Marinha dos Estados Unidos. Estudou na Academia Fairhaven aos 15 anos e aos 17 anos, tornou-se comerciante no sector de importação. Aos 24 anos (1833) foi para a China (Cantão/Guangzhou) para trabalhar na “Russell & Company”, pioneira no comércio do ópio com a China. No início de 1843, Delano Jr. tornou-se sócio-chefe da maior empresa americana que lidava com a China. (2) (4)

A filha Sara e o seu irmão Philippe em 1864 após retorno aos EUA, de Hong Kong, onde viveram três anos.

(2) https://en.wikipedia.org/wiki/Warren_Delano_Jr. https://www.geni.com/people/Capt-Warren-Delano-Jr/6000000001637221067 https://www.geni.com/photo/view/6000000001637221067?album

A família Delano em um retrato de família em Algonac, 1889

(3) Regressou aos EUA em 1846/47, contudo Warren Delano Jr. perdeu grande parte de sua fortuna na crise de 1857 (pânico financeiro nos Estados Unidos). Em 1860, ele voltou à China, mas desta vez foi para Hong Kong, onde consegui reconstruir a sua fortuna. Durante a Guerra Civil dos EUA, Delano Jr. forneceu ópio ao Departamento Médico do Departamento de Guerra dos EUA (1861 a 1865)

(4) John Perkins Cushing – também sócio da “Russell & Company “- precedeu Warren Delano Jr. e iniciou um relacionamento próximo com uma autoridade chinesa chamada Howqua. (5) Os dois haviam estabelecido uma base “offshore” – um armazém flutuante ancorado – onde os navios da “Russell & Company” descarregavam seu contrabando de ópio antes de continuarem o Delta do Rio das Pérolas até Cantão com sua carga legal.

Howqua, 1830. Retrato de George Chinnery

(5) Wu Bingjian – 伍秉鑑 (1769 – 1843), conhecido como “Houqua” ou “Howqua”, (浩官” – pīnyīn: hào guān; cantonense:  hou5 gun1 – nome com o qual comerciava) foi o mais importante e próspero comerciante dos negócios  “Hong” (comerciantes chineses intermediários em Cantão/Guangzhou), fundado pelo seu pai, Wu Guorong. Howqua era o mais importante comerciante em Cantão,um dos poucos autorizados a negociar seda e porcelana com os estrangeiros Foi considerado o mais rico do mundo nessa época, quando o negócio era entre a China e o Império britânico (século XIX – 1.ª guerra do Ópio). Dos 3 milhões de dólares de compensação exigidos pelos ingleses no Tratado de Nanjing (1842),  Howqua contribuiu sózinho com 1 milhão. Faleceu no ano seguinte. https://en.wikipedia.org/wiki/Howqua

A 17 de Janeiro de 1802, numa carta de Lord Wellesley, Governador Geral da Índia Inglesa, ao Governador de Macau, anunciava que, na sequência da notícia vinda da Europa em como os portugueses e franceses tinham feito um acordo que comprometia os interesses de Sua Majestade Britânica, dera ordens às forças inglesas estacionadas em Cantão para ocupar Macau e a “rendição de «Macau e sua dependências»deveria processar-se em termos pacíficos” (1)

Embora esta ameaça não fosse concretizada, a Companhia Inglesa das Índias Orientais continuava, na correspondência ao Governador de Macau José Manuel Pinto, a informar que os franceses pretendiam apossar-se do território e que a Inglaterra estava pronta a ajudar. 

A 22 de Março de 1802, dá-se o episódio narrado no jornal “A Liberdade”, mais uma tentativa habilidosa de ocupar o território.

A Liberdade» Ano 1-n.º 7 de 30 de Agosto de 1890.

(1) SILVA, Beatriz Basto da Silva – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.