Archives for category: Relação Macau – Filipinas

Hoje realiza-se a Procissão de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos em Macau. A propósito desta festividade, recordamos a mesma, no ano de 1955, numa notícia publicada no «BGU» (1)

A procissão ao sair da Sé Catedral

A procissão do Senhor dos Passos ao chegar ao Largo do Senado, vendo-se, sob o pálio o Bispo de Macau e à frente o cónego Morais Sarmento, na altura, decano dos missionários portugueses de Macau

A menina Judite Colaço com o Santo Sudário

(1) Extraído de «BGU» XXXI – 357, 1955.
Anteriores referências a esta festividade em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/21/a-tradicional-procissao-do-senhor-dos-passos-1973/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/25/noticia-de-25-de-marco-de-1708-tradicoes-que-se-continuam-ii-a-procissao-dos-senhor-dos-passos-ou-senhor-da-cruz-as-costas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/04/noticias-de-4-e-5-de-marco-de-2017-tradicoes-que-se-continuam-a-procissao-do-senhor-dos-passos-i-fotos-de-1974/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/03/07/noticia-de-7-de-marco-de-1954-a-grande-devocao-ao-senhor-dos-passos-em-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/21/a-tradicional-procissao-do-senhor-dos-passos-1973/

Publiquei em 17-04-2017 uma postagem acerca do Padre César Brianza e a deslocação dos «Pequenos Cantores» do Colégio de D. Bosco às Filipinas nos últimos dias do mês de Janeiro e primeiros dias de Fevereiro de 1976. (1)
No dia 2 de Fevereiro de 1976, que deveria ser um día de descanso com a visita do grupo coral ao Vulcão NAYON, foram pelo contrário, cantar para a primeira dama das Filipinas.
Os «Pequenos Cantores» e seus dirigentes foram recebidos por Imelda Romualdo Marcos, (2) no Palácio Presidencial, numa sala ao lado da do Presidente Marcos (3) (que não esteve presente por ter tido outras audiências nesse dia) e após discurso e apresentação do grupo coral e seus dirigentes, foi pedida licença para cantar algumas canções.
A Senhora Marcos não só deixou cantar o grupo como ela mesmo uniu a sua voz à dos «Pequenos Cantores», cantando em espanhol e em filipino.
Teve depois palavras de grande elogio para com o Maestro Padre César Brianza e rapazes.
Uma caneta «Parker» foi a lembrança que deu a todos. (4)
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/04/17/noticia-de-17-de-abril-de-1917-padre-cesar-brianza/
(2) Imelda Remedios Vicitacion Romualdez Edralin Marcos (1929) mulher do presidente Ferdinando Marcos.
(3) Ferdinand Emmanuel Edralin Marcos (1917-1989) foi presidente das Filipinas de 1965 a 1986.
(4) Extraído de «Macau B. I. T. » XI-1-2, 1976

No dia 1 de Fevereiro de naufragou no baixo da Prata, a galera portuguesa “Joven Idhap” de José Vicente Jorge, (1) a qual tinha largado, em 23 de Janeiro deste ano, (2) de Manila para Macau, com 35 praças de tripulação, 2 passageiros – um chinês e outro filipino – e um rapazito filho de um dos marinheiros. Esta galera de 375 toneladas e 41 centésimos foi construída, no ano de 1847, em Bordéus (3) (4)
O «Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor»(5) traz o relato completo deste acidente. Reproduzo somente duas colunas desse comunicado.
(1) José Vicente Caetano Jorge (1803-1857) estudou ciência náutica no Colégio do seminário de S. José, após o que enveredou por uma bem sucedida carreira de negociante e exportador, em navios próprios, grangeando uma sólida fortuna. Esteve também ligado ao negócio da emigração (6) de trabalhadores chineses para as colonias espanholas da América Central e do Sul. (7)
Segundo Luís G. Gomes (3) (bem como Beatriz Basto da Silva) José Vicente Caetano Jorge faleceu em 31 de Março de 1956, com 53 anos de idade. Segundo Jorge Forjaz (8) foi a 31 de Março de 1857, com 54 anos de idade.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-vicente-jorge-1803-1857/
(2) O navio “Joven Idhap“ tinha partido de Macau no dia 4 de Janeiro para Manila, onde chegou a 11, com retorno a 23 de Janeiro do mesmo ano, com uma carga de arroz. Do «Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor» II-11 de 5 de Janeiro de 1856.
Portuguese barque Joven Idhap, laden with rice, from Manila to Macao in January , 1856; two men died in the boats” (The Nautical Magazine and Naval Chronicle for 1857. Journal of Papers on Subjects  connected with maritime affairs)
(3) “31-03-1856 – Faleceu, com 53 anos de idade, o acreditado comerciante desta praça José Vicente Jorge, que ocupou por várias vezes o cargo de Procurador do Senado de 1840 a 1845 tendo sido agraciado pelos relevantes serviços prestados ao governo, com várias condecorações”  (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954).

A “Villa d´Alva”, residência de José Vicente Caetano Jorge em Hong Kong, ficava na “Macdonnell Road”. Demolida na década de 30 ? do século XX . (8)

(4) «Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor» II – 11 de 5 de Janeiro de 1856.
(5) «Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor» II-16 de 9 de Fevereiro de 1856.
(6) De 1851 a 1894, data do último regulamento que aborda em Boletim Oficial a emigração chinesa, vamos acompanhar o percurso do fenómeno, que deve o seu arranque europeu (via Hong Kong) a dois pioneiros franceses, Guillon e Durand; dispunham de engajadores chineses já prácticos nessa actividade bem à vista do próprio Império do Meio. Seguiu-lhes o macaense José Vicente Caetano Jorge, tendo este começado por levar 250 cules contratados para Callao de Lima (Peru), na barca Sophia, de que ele mesmo era proprietário (SILVA, B. B. da – Emigração dos Cules, 1994).
(7) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume II, 1996, p. 256
(8) Segundo o site “Gwulo: Old Hong Kong”,
m>https://gwulo.com/node/36130#15/22.2757/114.1615/Map_by_ESRI-Markers/100

Hoje comemora-se o centésimo aniversário do nascimento do Padre Salesiano César Brianza, (1) professor de Música e de Religião e Moral no Colégio D. Bosco. (2) Formado pelo Conservatório Nacional de Lisboa, fundou em 1959 o coral dos “Pequenos Cantadores do Colégio D. Bosco” (3) dirigindo-o durante 16 anos.
Em 1962, juntamente com o Padre Áureo Castro, fundou a “Academia de Música de São Pio X”. O Padre César Brianza também foi orientador artístico da Banda da Polícia de Segurança Pública entre 1966 e 1980.
Em sua homenagem recupero um artigo (não assinado) publicado na Revista “Macau – Boletim de Informação e Turismo, (4) acerca da viagem do Coro «Os Pequenos Cantores» às Filipinas, nos últimos dias do mês de Janeiro e primeiros dias de Fevereiro   de 1976.
Nas Filipinas repetiram os mesmos êxitos. Se bem que com menos demora por estas terras intimamente ligadas à história deste nosso território, as suas qualidades artísticas e particularmente a sua preparação como conjunto coral foram motivos de estranheza admirativa da numerosa assistência que as descobriu nos concertos a que teve oportunidade de assistir. E os aplausos com que sublinhavam o seu entusiasmo e a sua admiração, traduziam o testemunho duma autêntica consagração dos nossos jovens intérpretes duma arte que vence os limites de todas as fronteiras nacionais… (…) que nos pode representar em qualquer parte do mundo…(…)

Os «Pequenos Cantores» na execução dum concerto nas Filipinas

Claro que um bom escultor consegue transformar uma pedra tosca, bruta, dura e informe numa obra prima capaz a de desafiar os séculos e os mais desencontrados gostos humanos. E o padre Brianza, maestro do conjunto, da matéria impreparada que lhe colocaram entre mãos, teve a habilidade de a converter em vozes harmoniosas que arrebatam, com todo o seu poder de emoção, uma assistência inteira… (…)
E as nossas autoridades diplomáticas que, com compreensiva modéstia, se haviam referido ao Grupo, porque não o conheciam, convenceram-se, perante o comprovado nível artístico dos concertos executados, que tínhamos em Macau um conjunto musical de elevada categoria. (…)

Os «Pequenos Cantores» confraternizam com estudantes filipinos, na sua embaixada de arte e amizade.

(1) Foto de «JTM », Uma Vida Ligada à Música, 4 de Abril de 2014
http://jtm.com.mo/local/uma-vida-ligada-a-musica/
(2) “O Padre César Brianza iniciou os seus estudos de piano em Hong Kong sob a égide do conhecido maestro Elisio Gualdi. Partiu depois para Xangai, onde recebeu lições de Kostevich, outro grande maestro, até partir para Lisboa, em 1954, onde tirou o curso de piano no Conservatório Nacional. Dois anos mais tarde partiu para Viena, para um estágio de três meses no Augarten Palaiso, o que lhe permitiu assistir frequentemente aos ensaios do aclamado grupo coral «Viena Boys Choir» “. (1)
(3) “A sua dedicação ao grupo dos Pequenos Cantores em Macau, que fundou em 1959, teve um grande impacto não só nos próprios jovens, como também no território. Conhecido pela sua dedicação, o Padre Brianza conseguiu transmitir aos jovens do Colégio Salesiano Dom Bosco uma confiança na procura de atingir a perfeição, merecendo rasgados elogios em cada actuação. Levar os Pequenos Cantores ao Japão foi um sonho tornado realidade para o padre, mas não se ficou por aqui, havendo outras digressões às Filipinas, Portugal, Singapura e Malásia.” (1)
(4) Macau B. I. T. XI-1-2,1976
Anteriores referências a este sacerdote e à deslocação dos «Pequenos Cantores» ao Japão em:
https://www.google.pt/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-#q=nenotavaiconta+C%C3%A9sar+Brianza&*

O «Manila Yacht Club» dirigiu ao «Clube Náutico» de Macau um convite para participar no Domingo de Páscoa, e nos dois dias que se lhe seguiram, no «Interport triangular intercidades – Manila, Macau e Hong Kong», que teve lugar na baía de Manila, de 16 a 19 de Abril de 1954. Além da representação de Manila, Hong Kong participou com o «Royal Hong Kong Yacht Club»

Os «Internacional 110» cuja prova foi ganha pea equipa do Clube Náutico de Macau.

O Clube Náutico fez-se representar por quatro velejadores (1), Lopes da Costa, Jácome Bruges, A. Teles e F. H. Amorim tendo seguido como proa José Mendonça.


Os componentes da equipa de Macau: De pé. da esquerda para a direita – A. Teles, J. Bruges, L. da Costa e F.Amorim. Sentado – J. Mendonça

Concorreu a nossa representação contra Hong Kong e Manila, às regatas de «Interport» na classe «internacional 110» e nelas classificou em 1.º lugar, mercê da actuação brilhante dos seus componentes, e, duma maneira especial de A. Teles, justamente considerado o melhor elemento de toda a representação.
Nas duas regatas efectuadas, os velejadores de Macau classificaram-se pela seguinte ordem
1.ª regata:
A. Teles 2.º
J. Bruges, 5.º
F. Amorim 6.º
L. Costa 8.º

2.ª regata
A. Teles 1.º
L. Costa 2.º
J. Bruges, 9.º
F. Amorim 11.º
Classificação final das equipas:
Macau, 1.º classificado, com 84,2 pontos
Manila, 2.º classificado, com 77, 25 pontos
Hong Kong, 3.º classificado, com 66 pontos.
Foram organizadas várias festas em honra dos velejadores de Hong Kong e Macau.O Presidente da República das Filipinas, Sr. Ramon Magsaysay, conversa com os representantes de Macau.
(1) Por motivos de ordem financeira, não pode ser maior a representação de Macau
(2) Ramon del Fierro Magsaysay (1907 — 1957) político filipino, eleito o sétimo presidente das Filipinas de 30 de Dezembro de 1953 a 17 de Março de 1957. Primeiro presidente do país asiático nascido no século XX e após a era colonial espanhola.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ramon_Magsaysay
Reportagem de »MBI»  I-16; I-18, 1954

Anúncio publicado no «Diário Illustrado», em Portugal, no dia 4 de Outubro de 1910, pelos agentes “Henry Burnay & Co.” (sede: Rua da Princeza, 10 – 1.º Lisboa) da  “Companhia Trasatlantica”. (1)

Publicitava o serviço dos paquetes “hespanhoes” de Lisboa
para os “portos do Mediterraneo, Egypto, Extremo Oriente;
para Port-Said, Colombo (Ceylão), Singapura, Ho-Ho e Manilla”  e
“Recebendo  passageiros para os portos indicados, Bombaim (Índia), Hong Kong (Macau), Shanghai e mais portos da China e Japão”

anuncio-companhia-trasatlanticaDos paquetes anunciados, o mais conhecido e aquele que efectuava a viagem para o Oriente (trajecto Barcelona – Manila), era o «SS Isla de Panay», de 3545 toneladas, construído em 1882 como navio de carga e passageiros. A “Compania Trasatlantica Espagnola – António Lopez” adquiriu o navio em 1888. Foi utilizado na Guerra Espano-Americana (Junho-Julho 1898) como cruzador auxiliar da marinha espanhola na tentativa de furar o bloqueio às Filipinas feito pelos E.U.A. Após a guerra voltou a navio de carga para transporte de passageiros e soldados espanhóis e armamento para Filipinas. Ficou conhecido em 1896 por ter transportado o revolucionário nacionalista filipino José Rizal (1861-1896) ( médico oftalmologista, escritor, poeta e jornalista, que viria a ser executado em 30 de Dezembro de 1896, em Manila, por um esquadrão de soldados filipinos do exército espanhol) para Barcelona (chegou a 3 de Outubro de 1896) como prisioneiro dos espanhóis.
No dia 07-12-1929, aquando da viagem de Barcelona a Fernando Pó, encalhou nas ilhas perto de Fernando Pó, tendo-se afundado.

ssisla-de-panay-1901SS Isla de Panay, em 1901

(1) A “Compania Trasatlántica Espanola S.A.” (conhecida como a «Spanish Line») foi fundada em 1850 por António Lopez y Lopez, com a sede em Barcelona. Iniciou em 1884, uma carreira regular comercial entre Espanha e Filipinas. Por dificuldades económicas terminou as carreiras comerciais em 1974. Chegou a ter 33 navios de transporte de carga e passageiros em 1894.  Em 1898, 21 navios da empresa foram usados pela Marinha Espanhola na  Guerra Espano- Americano.
http://www.theshipslist.com/ships/lines/cte.shtml