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No dia 25 de Agosto de 1985, os «Correios e Telecomunicações de Macau / CTT MACAU» emitiram e puseram em circulação,” os segundos selos postais alusivos ao tema “Meios de Transportes”, com a emissão de “Barcos de Carga”, (1) (na sequência da anterior “Barcos de Pesca”) (2). A pagela desta emissão já foi publicada na postagem de 25-10-2017. (3) Foram emitidos também, nesse dia, 4 postais ao preço de 60 avos cada (3)

Os desenhos são de Ng Wai Kin.

Os quatros selos (3 cm x 4 cm) desta emissão são nos valores de 50 avos (Tou de Kau-Kong ou – T´au); 70 avos (Junco a motor “Veng Seng Lei”); 1 pataca (Junco a motor “Tong Heng Long n.º 2; e 6 patacas (Cargueiro “Fong Vong San”).

Os selos apresentam o logotipo da exibição mundial filatélica que decorreu em Roma (Itália) de 25 de Outubro a 3 de Novembro de 1985: “Esposizione Mondiale di Filatelia

 

TOU de KAU-KONG ou SA-T´AU

Conhecido antigamente pelo Tou das sedas. Tinham uma grande vela e serviam o distrito da seda do delta do rio Oeste. Sobre a cobertura permanente encontrava-se montada uma importante bateria de peças de artilharia para defesa da sua valiosa carga e protecção dos ricos negociantes que a acompanhavam. Actualmente ainda existem alguns TOUS, embora desarmados, que se dedicam ao transporte de materiais para a construção civil.

JUNCO A MOTOR “VENG SENG LEI”

Junco de madeira construído em Macau, utilizado no transporte de carga geral, cujo modelo foi introduzido na Província de Kuangtung há cerca de 40 anos, tendo-lhe sido introduzidas algumas alterações na forma de casco e no castelo de proa, que foi elevado, dando-lhe assim possibilidade de enfrentar ondulação mais alterosa. Desloca 229 toneladas brutas com um comprimento fora a fora de 109 pés, 22,6 pés de boca máxima e 11 pés de calado máximo, e uma tripulação que oscila entre 7 e 10 homens.

JUNCO A MOTOR “TONG HENG LONG N. º 2”

Junco de madeira construído em Macau, utilizado no transporte de carga geral, do mesmo modelo que o “VENG SENG LEI”, mas com dimensões ligeiramente superiores. Desloca 306 toneladas brutas, com um comprimento fora a fora de 115 pés, 25,6 pés de boca máxima e 9 pés de calado máximo, tendo uma tripulação entre 7 e 10 homens.

CARGUEIRO “FONG VONG SAN”

Pequeno cargueiro de casco de ferro, destinado ao transporte de carga geral e também de contentores. Com um deslocamento de 337 toneladas brutas, 129 pés de boca máxima e 8 pés de calado máximo, dispõe de um motor principal de 425HP, sendo a tripulação e 13 homens.

Comandante João Manuel Nobre de Carvalho (3) – Director dos Serviços de Marinha de Macau in pagela n.º 18 de «CTT» de 25 de Outubro de 1985

(1) “Meios de Transporte Tradicionais – Barcos de carga” (emissão extraordinária) (B.O. n.º 42 de 19 de Outubro, p. 3078; Portaria n.º 205/85/M

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/10/22/noticia-de-22-de-outubro-de-1984-filatelia-barcos-de-pesca/

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/10/25/noticia-de-25-de-outubro-de-1985-filatelia-barcos-de-carga/  https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/22/postais-barcos-de-carga-i/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/26/postais-barcos-de-carga-ii/

Emissão do sobrescrito de 1.º dia de circulação (e obliteração de 1.º dia) , no dia 25 de Outubro de 1985, pelos CTT,  com o seguinte motivo:

“BARCOS DE CARGA”

e o lançamento de 4 selos com o mesmo motivo, no valor de 50 avos, 70 avos, 1 pataca e 6 patacas.. O “design” é de Ng Wai Kin.
Apresento a pagela n.º 18 dos Correios e Telecomunicações de Macau.
As embarcações tradicionais chinesas designam-se genericamente por LORCHAS ou JUNCOS, e a sua diversidade é grande, não tanto pelo aspecto – que, a olhos leigos e à primeira vista se apresenta idêntico – mas em pormenores e particularidades derivados das suas aplicações na pesca, no tráfego local e outras. A presente emissão diz respeito às embarcações de tráfego local.
A construção dos barcos mais antigos, à vela, hoje raríssimos, designados por “TOUS”, é baseada inteiramente sobre a experiência de largos anos, transmitida de geração em geração. Como madeiras de construção, eram principalmente empregadas a TECA, a CÂNFORA, o CHAU e a ENTENA, que é um pinho mole e resiste bastante à água. O tabuado de grossura conveniente colocava-se sobre formas experimentadas só depois se fixando o cavername e as anteparas. As portas de leme, de grande dimensão, e de correr – o que permitia facilmente o encalhe quando necessário e inteiramente perfuradas em losangos, facilitando assim a manobra. Os barcos em geral não se pintavam. Os alojamentos do pessoal situavam-se em cubículos à popa e acima de convés. Os mastros eram colocados a chamarem o centro de impulsão vélico bastante a vante, o que permite velejar em locais estreitos. As velas eram esticadas por vergas relativamente pesadas, o que fazia dispensar os “rizes” pois, vela e vergas se arriavam só pela manobra duma simples adriça.
Actualmente, a quási totalidade das embarcações de tráfego local, utilizadas no transporte de mercadorias, são de propulsão e motor, grande parte delas construídas em madeira. Nos dois últimos anos, à medida que as antigas ponte-cais do Porto Interior vão sendo reconstruídas em betão armado, permitindo o manuseamento de contentores, as embarcações de madeira estão a ser substituídas por pequenos navios porta-contentores, em ferro, de característica adequadas às limitações hidrográficas do delta.”

Comandante João Manuel Nobre de Carvalho (1)
Director dos Serviços de Marinha de Macau.

Dados Técnicos (em português, chinês e inglês)

(1) João Nobre de Carvalho oficial da Armada Portuguesa (tendo atingido o posto de Contra-Almirante), apresentou-se- na Capitania dos Portos de Macau em 14 de Agosto de 1981, ficando a residiu na Fortaleza de Bom Parto, residência tradicional do Capitão dos Portos. Nesta data, o Chefe da Repartição dos Serviços da Marinha desempenhava simultaneamente as funções de Capitão dos Portos e Presidente do Concelho de Administração das Oficinas Navais, onde se construíam lanchas para a Polícia Marítima e outras embarcações para os serviços de Marinha. Terminou a comissão em Macau em 31 de Agosto de 1985. (Informações retiradas do livro de memórias CARVALHO, João Nobre de – Contra Ventos e Marés. Livros do Oriente ,2006, 438 p. ISBN 99937-866-0-8