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Extraído de «BGC», XXIV Julho de 1948, n.º 277, pp. 140-141
Generalissimo Chiang Kai-shek e o General do exército Li Tsung-jen, eleitos pela Assembleia Nacional no dia 20 de Maio de 1948, como presidente e vice-presidente

O presidente Chiang Kai-shek (蔣介石) renunciou ao cargo em 21 de Janeiro de 1949 devido à vitória dos comunistas na chamada Guerra Civil Chinesa (de 1927 a 1937 e depois após a guerra mundial, de 1946 a 1949) sendo substituído pelo vice-presidente Li Tsung-jen (李宗仁). No entanto Chiang Kai-shek continuava a ser o chefe do partido Kuomintang e Comandante das forças armadas da República. Li Tsung-jen fugiu para os Estados Unidos em Novembro de 1949 em consequência da proclamação da República Popular da China no dia 1 de Outubro de 1949. Chiang Kai-shek com o seu governo, militares (cerca de 600000) e cerca de dois milhões nacionalistas refugiaram-se em Taiwan no dia 10 de Dezembro de 1949 e Chiang Kai-shek reassumiu o lugar de Presidente da chamada República da China, em 1 de Março de 1950. O presidente Chiang Kai-shek faleceu a 5 de Abril de 1975 e foi substituído pelo vice-presidente Yen Chia-kan até ao termo do mandato. https://en.wikipedia.org/wiki/President_of_the_Republic_of_China

Neste dia de 2 de Maio de 1954, (1) o periódico «O Clarim» festejava o seu sétimo aniversário. José dos Santos Ferreira (2) que colaborava no jornal, apresentou um poéma, «“CLARIM” FICHÁ ANO», publicado no jornal desse dia. (3).

VOCABULÁRIO DE ALGUNS TERMOS DO POÉMA: (3)

Boboriça – tolices; coisas próprias de bobos.

Bulí – mexer; meter-se; provocar.

Cholido – intrometido; diz-se da pessoa que costuma meter-se com os outros.

Diabo-cacinha – maldoso; provocador.

Dios – Deus.

Fólia – folha; significa também jornal.

Guelá – gritar; desatar aos gritos (provém de «goela»).

Mordecim – enfado; incómodo.

Ôlo – olho; olhos.

Parabiça – tolice; disparate; coisa sem nexo.

Quiança – criança. Quiança-quiança: crianças.

Rósca – pão.

Sapéca – moeda ínfima de cobre, usada, noutros tempos, na China. Significa também, no dialecto macaense, dinheiro.

Sium – senhor; patrão.

Tudúm – chapéu chinês, de aba muito larga, feito de verga com borda de rota. O tudúm tanto serve para resguardar do sol como da chuva.

(1) “2-05-1948 – Início do periódico O Clarim administrado pela Diocese de Macau. Semanal de 1948 a 1952.bissemanal de 1952 a 1983, semanal de novo a partir de 1983(e em curso em 1997). Teve como suplemento O Clarim, revista mensal. Foi interrompido entre Junho de 1955 e Janeiro de 1956 (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 287)

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-dos-santos-ferreira/

(3) FERREIRA, José dos Santos – Macau Sã Assi, 1967, pp. 57-58

D. Lígia Pinto Ribeiro cantando no Teatro D. Pedro V

Realizou-se na noite de 14 de Abril de 1952, um concerto, no Teatro D. Pedro V, em benefício do Colégio D. Bosco de Artes e Ofícios, promovido pela senhora Lígia Pinto Ribeiro, (1) esposa do Dr. Aires Pinto Ribeiro, ilustre Chefe de Serviços de Saúde. (2) Acompanhou-a ao piano, o professor Harry Ore. (3)

O professor Harry Ore, na execução de um dos números do seu programa

A Sra. D. Lígia Pinto Ribeiro recebendo cestos e ramalhetes de flores das mãos dos alunos do Colégio D. Bosco

Os lugares de honra, no Teatro D. Pedro V, ocupados pelas altas individualidades da província

Fotos extraídos de «MOSAICO», IV-21/22 de Maio e Junho de 1952

(1) Lígia Edmunda de Morais Correia de Sá Pinto Ribeiro – ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ligia-pinto-ribeiro/

(2) Dr. Aires Pinto Ribeiro (1899) – Formado em Medicina pela Universidade do Porto, praticou nos hospitais do Porto, nomeado em 1925 médico do Quadro de Saúde Moçambique, onde esteve em diversas funções médicas até 1948, quando foi transferido para Macau para exercer o lugar de Chefe da Repartição Central dos Serviços de Saúde (4 de Maio de 1948). Em 1950 nomeado vice-presidente do Conselho do Governo e em 1951, tomou posse do cargo de Encarregado do Governo (18 de Abril até 23 de Novembro de 1951, data da chegada do Governador Almirante Joaquim Marques Esparteiro (1951-1957). Em 15 de Abril de 1955, nomeado Inspector Superior da Saúde do Ultramar pelo que deixou a chefia da Repartição Provincial dos Serviços de Saúde e Higiene de Macau, em 31 de Julho, seguindo para Portugal a 1 de Agosto. Ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/aires-pinto-ribeiro/

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/harry-ore/

Livro de referência, em português, sobre arte chinesa, onde apresenta a colecção (parte dela) de José Vicente Jorge (1872 – 1948) (1), na altura considerada a colecção particular mais valiosa na arte chinesa.

25, 5 cm x 19 cm x 3,5 cm

Fornece a descrição cronológica da arte chinesa e das suas principais produções em cada dinastia
No seu prólogo intitulado “EXPLICANDO “ o autor explica os motivos que o levaram a redigir esta obra sobre a arte chinesa
Macau, Setembro de 1940
J. V. JORGE

Contracapa

Diz ainda o autor:
“A MINHA COLECÇÃO
Tem cêrca de 10 000 peças, representando os principais ramos da arte chinesa – cerâmica, bronze, jade, pintura, caligrafia, escultura, esmalte, laca, bordado e mobília.
A reprodução de todas as peças tornaria esta obra muito dispendiosa e êste livro demasiadamente volumoso.
As gravuras que seguem são das principais peças e dão uma boa ideia da colecção, que, como ficou dito, me levou cêrca de 50 anos a fazer.
Acho também de interesse reproduzir alguns aspectos, em conjunto, para se poder julgar do seu valor decorativo.
Macau, Setembro de 1940.”

(1) JORGE, J. V. – Notas sobre a Arte Chinesa. 1940, Tip. Mercantil de N. T. Fernandes & Filhos Ltda., Macau, 150 p + 111 folhas com 524 gravuras de peças antigas impressas em separado. O Instituto Cultural de Macau fez uma nova edição desta obra, em 1995.

NOTA: Recordo a postagem anterior de 30-11-2014 que mostra um quadro do pintor Fausto Sampaio retratando o vestíbulo da casa de José Vicente Jorge, com a sua colecção de arte chinesa.

“O quadro mostra o vestíbulo da casa de José Vicente Jorge, com a sua colecção de arte chinesa. “Macaense de destaque na Colónia e um dedicado cultor da arte chinesa. Serviu como encarregado de Negócios de Portugal em Pequim, quando da proclamação da República, em 1910 e mais tarde, em 1912, sendo chefe de Expediente Sínico em Macau foi a Cantão várias vezes, como agente diplomático, quando do tratado de expatriação com a China …(…) A colecção de preciosidades que possue é tida como a melhor do Extremo-Oriente e já mereceu a visita do director do Museu Britânico de Londres
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/11/30/leitura-fausto-sampaio-pintor-do-ultramar-portugues-vi/

Sobre este livro algumas considerações em:
TING, Caroline Pires 丁小雨; BUENO, André – Colecionismo Orientalista como Resultado de um Processo de Interação Cultural entre China, Macau e Portugal in pp. 221 a 232 de: https://entresseculos.files.wordpress.com/2018/01/anais_versc3a3o-3_2018.pdf
TING, Caroline Pires – Exposição do Mundo Português e Divulgação da Arte Chinesa in pp. 65- 69 de:
https://books.google.pt/books?id=klg6DwAAQBAJ&pg=PA65&lpg=PA65&dq=Notas+
s%C3%B4bre+arte+chinesa+#v=onepage&q=Notas%20s%C3%B4bre%20arte%20chinesa&f=false

O último postal da colecção “A Harmonia das Diferenças” – fotografias do princípio aos meados do século XX (1902 -1950) – publicados pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. M / Arquivo Histórico de Macau, em 2015. (1)

De 1950, um retrato dos homens dos riquexós, (2) em tempos de chuva, “estacionados” no Largo do Senado, aguardando os clientes.

Homens dos riquexós em tempos da chuva c. 1950
Verso do postal

O meio de transporte mais popular e mais barato, em Macau, até finais da década de 40 (seculo XX) era o riquexó ou jinrixá (2). Em 1950 estavam ainda registados na cidade de Macau, 25 empresas ou locadores deste tipo de veículos, embora cada vez em menor número. Assim como exemplo o número de licenças passadas pelo Leal Senado de Macau para jinrixás de aluguer, no ano de 1948, decaíram ao longo do ano: 1.º trimestre (1106), 2.º trimestre (948), 3.º trimestre (955) e 4.º trimestre (873) e para jinrixás particulares ao longo do ano, somente 13 licenças. (Anuário de Macau, 1950)

LARGO DO SENADO c. 1940

No Largo do Senado, os riquexós de aluguer estacionados. Vê-se ainda dois automóveis ligeiros que em finais da década de 30, em Macau, já eram cerca de 200.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/postais/

(2) Anteriores referências aos riquexós/ jinrixás https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/riquexos/

Extraído de «BGC» XXIV – n.º277, 1948,

Extraído de «BGC» XXVI-307, Janeiro de 1951.

António de Magalhães Coutinho foi nomeado Presidente do Leal Senado a 19 de Outubro de 1950 (B O n.º 42 de 21 de Outubro de 1950.) e terminou a 16 de Maio de 1957 (BO n.º 20 de 18 de Maio de 1957.)

Boletim Oficial de Macau, n.º 42 de 21 de Outubro de 1950.
Boletim Oficial de Macau, n.º 20 de 18 de Maio de 1957.

Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-de-magalhaes-coutinho/  

Jorge Grave Leite foi nomeado Presidente da Comissão Administrativa a 26 de Fevereiro de 1948 (BO n.º 10 de 6 de Março de 1948) e terminou a 21 de Outubro de 1950 (B O n.º 42 de 21 de Outubro de 1950)

Boletim Oficial de Macau n.º 10 de 6 de Março de 1948.
Boletim Oficial de Macau n.º 42 de 21 de Outubro de 1950.

Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-grave-leite/er

Artigo publicado na imprensa portuguesa de 1948, referindo-se a uma «carta da China» escrita pelo jornalista e autor de livros Harold H. Martin para a revista “Holiday” (1) publicada em Maio de 1948. Com as referências habituais a Macau, interessante foi a sua nomeação de «Cidade da Consciência Escrupulosa»
Salientar também outras duas histórias em relação ao período da Guerra do Pacífico que ainda nunca vi mencionado noutras fontes embora vagamente referida pelo meu pai. A primeira:
“ … Quando quatro navegadores americanos que tinham sido abatidos nas águas próximas foram recolhidos por um «junco» e trazidos para cidade, as autoridades acolheram-nos cordialmente e internaram-nos. Quando um piloto japonês enganado pelo nevoeiro aterrou com o seu bombardeiro no aeroporto de Macau (???)  julgando tratar-se de Hong Kong, a polícia macaísta prendeu-o igualmente e tomou conta do aparelho que ainda se conserva no campo de futebol, como único troféu de guerra da cidade. …(…) … Desde que os pilotos americanos que o «junco» recolhera se recusaram a comer e a beber, convencidos de que tinha caído nas mãos do inimigo. Confessaram mais tarde ao Consul britânico, (2) que representava também os Estados Unidos, que nunca tinham ouvido falar de Macau»
A segunda: “Já com a guerra adiantada, aviões americanos vieram bombardear os depósitos onde estava armazenado o precioso fornecimento de gasolina, só distribuído aos bombeiros e aos médicos e um estilhaço de granada atingiu o chefe de polícia Manuel Pinto Cardoso. … (2)

A Revista “Holiday”, n.º 5 de Maio de 1948, dedicado a Paris

(1) A revista “Holiday”, magazine americano de viagem, foi publicada de 1946 pela “Curtis Publishing Company” até à década de 70 (século XX) quando o número de vendas decaiu e foi vendida para outra empresa da mesma área que voltou a publicá-la com o nome de “Travel Holiday” até 1977.  Posteriormente em 2014 voltou de novo às bancas através de uma empresa francesa (sede: Paris), com edição bianual, escrita em inglês.
https://en.wikipedia.org/wiki/Holiday_(magazine)
(2) Manuel Pinto Cardoso na princípio da década de 40 era subchefe e estava colocado na Polícia Administrativa do Comissariado da Polícia. Depois promovido a chefe de esquadra em finais dessa década foi nomeado chefe da Esquadra n.º 4.

Extraído de “A Visitor´s Handbook. Publicity Office, Macao” e publicado no “The Statesman’s Year-Book: Statistical and Historical Annual of the States of the World for the year 1953”, com edição de S. H. Steinberg.

No dia 1 de Dezembro de 1949, com a presença do Governador da Colónia, do bispo da Diocese, do Comissário Colonial, de autoridades civis e militares e de numerosas outras pessoas, foi inaugurado o Centro Náutico da Mocidade Portuguesa.

Um aspecto da inauguração do Centro Náutico da Mocidade Portuguesa

Para uso desse Centro, foi adquirido o seguinte material:
a) 4 lusitos adquiridos em Portugal, no valor de $ 3.871,48
b) 2 barcos da classe “Red Wing”, adquiridos na colónia de Hong Kong, no valor de $3.7779,00
c) 1 carro de encalhe de embarcações , no valor de $ 274,00
d) 1 jangada com passerelle, no valor de $ 1.064,50
e) Equipagem das guarnições e vário material de consumo corrente.

No Centro Náutico da Mocidade Portuguesa.
À direita 4 “Lusitos” e 1 “Red Wing”
À esquerda 5 “Red Wing”

NOTA Para a Mocidade Portuguesa, para uso dos filiados, foi adquirido em 20 de Outubro de 1948, o seguinte material de campo:
a) 5 tendas de campanha de 4,30 x 4,90, no valor de $ 400,00
b) 1 tenda de campanha de 2,80 x 5,70, no valor de $ 50,00
c) material de cozinha, etc.
A organização da Mocidade Portuguesa em 1950:
Comissário Colonial: Acácio Alcino Salgado, Intendente de Distrito
Comandante da Milícia – Tenente Armando da Cunha Tavares
Assistente Eclesiástico – Revdo Dr. Fernando Herberto Leal Maciel
Professor de Educação Física – Dr. João dos Santos Ferreira
Chefe de Secretaria – segundo -sargento Casimiro Barroso Pereira
Adjunto Rui da Graça de Andrade

Anterior referência ao Centro Náutico:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-nautico/