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Operários a demolir um secular casarão na Rua da Praia do Manduco, próximo da Capitania dos Portos, encontraram um túnel de dezenas de metros de comprimento e cerca de um metro de largura, capaz de dar passagem, em alguns segmentos a um homem em pé. Presume-se estar perante um corredor de passagem subterrânea ou um depósito escondido para algum tesouro ou armamento, lavrado em tempos idos. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 5, 1998)

A rua da Praia do Manduco uma das mais antigas de Macau, local onde se iniciaram as trocas comerciais com os chineses locais e onde os barcos de pesca atracavam no cais perto da rua, começa na Rua de João Lecaros, (1) ao fundo da Calçada do Januário e termina na Rua do Almirante Sérgio, ao lado do prédio n.º 255-F. A Praia do Manduco era uma das mais frequentadas pela marinha mercante e vários comerciantes tinham nela cais privativos.

(1) Juan Lecaroz , famoso negociante espanhol que viveu em Macau, durante mais de 50 anos e aqui faleceu, a 7 de Setembro de 1904, deixando uma fortuna imensa. Herdou por morte da esposa, Ana Josefa Sabina Carneiro (1839-1900) o antigo palácio do Barão de S. José de Porto Alegre (2), que foi comprado pelos pais de Ana Josefa, Bernardo Estevão Carneiro (3) e Ana Maria Peres da Luz e Silva. O palácio ficava na Rua da Praia do Manduco e foi destruído em 1939. Alfredo Augusto de Almeida (4) ainda conseguiu “salvar” a base da entrada do palácio que foi depois depositada na Jardim da Flora (ainda estará lá ???). TEIXEIRA. P. Manuel – Toponímia de Macau Volume I, 1997, p. 135

(2) Para melhor conhecer esta “história”, aconselho vivamente a leitura do artigo de Manuel BasílioUm prédio que deu nome a três vias públicas” publicado no blogue “Crónicas Macaenses” em: https://cronicasmacaenses.com/2017/03/29/conheca-a-historia-do-predio-que-deu-nome-a-tres-ruas-em-macau/

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bernardo-esteves-carneiro/

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/alfredo-augusto-de-almeida-1898-1971/

Anteriores referências à Rua e à Praia do Manduco 下環街: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-da-praia-do-manduco/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/praia-do-manduco/

Do livro da Professora Dra. Ana Maria Amaro,Jogos, Brinquedos e outras Diversões Populares de Macau” (1), de 1972, a propósito dos teatros de sombras, nomeadamente os “sombras das mãos – Sau Ieng Chi 手影子” (2) –  retiro este pequeno texto (p. 62)
“Hoje, em Macau as figuras mais frequentes, que as próprias crianças fazem com as mãos, projectando-as na parede, com acessórios simples, são as mais popularmente conhecidas e divulgadas, também no hemisfério ocidental.
Desde o vulgar gato, em que o indicador e o dedo mínimo duma das mãos, dobrados, formam as orelhas, o antebraço, o corpo e, o dedo mínimo da outra mão, a cauda, à pomba e à águia em voo, batendo as asas, até às figuras mitológicas, a que se aliam, aos dedos, hastilhas de bambu, e às vezes, pedaços de papel dobrados ou recortados, são conhecidas numerosíssimas figuras.
Mães e criadas organizavam sessões de sombras, às vezes acompanhadas de citações, adivinhas ou onomatopeias, e as crianças tinham de as interpretar, o que causava a maior excitação e entusiasmo, por comparticipar, assim, na brincadeira. Era um curioso processo educativo que, hoje a televisão veio substituir.
Lembram-se, ainda hoje, filhos da terra e antigos residentes, dos espectáculos de auto do pau. Estes espectáculos já não eram realizados na casa do auto, actual Teatro Cheng Peng, onde se representavam as óperas chinesas, mas nas ruas, em tendas armadas em estilo de pagode, onde alguns mestres faziam actuar figuras de pau e bambu, que possuíam, apenas, cabeças e braços móveis, e, por vezes, roupagens ricamente bordadas. Estes autos de pau, eram sobretudo, representados no terreiro defronte do templo de Kuan Tai (關帝) da chamada Associação das Três Ruas, vizinho do Mercado de S. Domingos. Desapareceram nos princípios deste século.
Os teatros de sombras, há muito que não existem em Macau, tendo-se perdido, na maioria dos macaenses, a sua própria recordação. Só alguns dos residentes mais antigos se lembram de teatrinhos deste género, montados em tendas ambulantes, que se exibiam, principalmente em noites calmosas, ao longo da Praia Grande.
Ao que consta, eram habituais os teatros de sombras na meia laranja, que restava dum antigo fortim existente defronte da actual Firma F. Rodrigues & C.º, diante do que foi, dantes, a casa do 1.º conde de Senna Fernandes, na Praia Grande.”
(1) AMARO, Ana Maria – Jogos, Brinquedos e outras Diversões Populares de Macau. Imprensa Nacional, 1972.
No verso da contracapa, refere 1976:
“Este livro acabou de se imprimir aos seis dias do mês de Agosto de Mil Novecentos e Setenta e Seis nas Oficinas Gráficas da Imprensa Nacional de Macau”
(2) 手影子mandarim pīnyīn: shǒu yǐng zǐ; cantonense jyutping: sau2 jeng2 zi2

A Congregação Salesiana de Macau para comemorar a beatificação do Padre Miguel Rua (1) – primeiro sucessor de D. Bosco – (2) celebrou na Sé Catedral, no dia 30 de Novembro de 1972 uma Missa de Acção de Graças.
A concelebração foi presidida pelo Bispo D. Paulo Tavares, ladeado pelo Chantre Ngan e o Provincial da Inspectoria Chinesa. Tomaram parte 22 sacerdotes.
A cerimónia teve início com uma procissão desde a porta da entrada até ao altar da concelebração. À frente, duas longas filas do Pequeno Clero dos Três Colégios salesianos, Imaculada Conceição, Yuet Wah e D. Bosco, seguidos dos sacerdotes concelebrantes.
A cerimónia apesar de comprida, como não podia deixar de ser, visto que era para as comunidades de língua portuguesa e chinesa, e apesar de, quase ao princípio, a energia eléctrica ter deixado a ponto de nos deixar quase às escuras impedindo assim que os altifalantes pudessem levar à assistência o que se dizia no altar, apesar de tudo, dizíamos, não houve em toda aquela grande assembleia o mínimo sinal de cansaço ou aborrecimento.
Deram brilho à cerimónia os pequenos cantores do Colégio D. Bosco.(3)

Os «Pequenos Cantores do Colégio D. Bosco», actuando na missa de acção de graças

Estiveram presentes a Sra. D. Julieta Nobre de Carvalho, e muitas outras autoridades e numerosos amigos: representantes dos Colégios Salesianos e das Filhas de Maria Auxiliadora, cooperadores, antigos alunos (chineses e portugueses) e representantes de todas as comunidades religiosas de Macau.

Extraído do «M.B.I.T.», Vol VIII, 9-10 de 1972.

(1) S. João Bosco morreu no ano de 1888, deixando já em pleno funcionamento meia centena de escolas para rapazes pobres e abandonados. O seu sucessor, o Pade Miguel Rua, dois anos depois escreveu ao Bispo de Macau, D. Joaquim António Medeiros, agradecendo a confiança que mostrara para com a humilde Congregação Salesiana e o grande desejo de ver essa obra na cidade do Santo Nome de Deus de Macau, para o bem da juventude mais necessitada.
A primeira obra salesiana em Macau foi o «Orfanato da Imaculada Conceição» depois conhecido por «Instituto Salesiano», onde funcionava uma pequena escola de Artes e Ofícios, embrião do que seria mais tarde o Colégio D. Bosco.
Miguel Rua, S.D.B. (em italiano: Michele Rua) (1837 – 1910) após a sua profissão de fé em 1885, foi pelos 36 anos seguintes o colaborador de D. Bosco no desenvolvimento da congregação e um companheiro constante de D. Bosco em suas viagens. Tornou-se vigário da Sociedade de S. Francisco de Sales (fundada por D. Bosco) em 1865. A pedido de D.  Bosco, em 1884, o papa Leão XIII designou-o como seu sucessor e o confirmou como Reitor-Mor da Congregação Salesiana em 1888, após a morte do fundador. Foi beatificado em 29 de Outubro de 1975 pelo papa Paulo VI.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_Rua
(2) Quatro anos antes da sua morte, S. João Bosco, fundador da Congregação dos Padres Salesianos, escrevia ao seu primeiro sucessor, P. Miguel Rua:
«Em tempo oportuno as nossas missões estabelecer-se-ão na China e mais precisamente em Pequim, mas não te esqueças que vamos para ali para o meio de povos desconhecidos e que ignoram o verdadeiro Deus; ver-se-ão maravilhas até agora inacreditáveis que Deus Todo Poderoso tornará patentes ao mundo …»
Mas as grande obras necessitam sempre de grande alicerces e foi só ao cabo de 16 longos anos de espera , que os filhos de D. Bosco chegaram às portas da China. Era o dia 13 de Fevereiro de 1906. Eram seis os primeiros pioneiros, chefiado pelo Padre Luís Versiglia (mais tarde bispo de Shuichow na China; viria a morrer mártir) e o Padre Caravário.
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/pequenos-cantores-do-c-d-b/

O suplemento Ilustrado do jornal «Notícias de Macau», de 23 de Dezembro de 1972, documenta a homenagem promovida no dia 18 de Novembro, no jardim da Flora, em memória de Alfredo Augusto d’Almeida, (1) cidadão macaense que, sempre comum perfil modesto, tanto pugnou pela preservação do património histórico, cultural da sua terra, com especial carinho pela flora e aspectos paisagísticos. Foi descerrado um busto deste dedicado funcionário do Leal Senado, esculpido por Oseo Acconci.” (2)
O busto colocado no corredor central do Jardim da Flora, moldado em gesso em 1971, tem uma inscrição em português e chinês

A
ALFREDO AUGUSTO DE ALMEIDA QUE EM VIDA
TANTO AMOR DEDICOU A ESTE JARDIM
1898-1971

(1) Alfredo Augusto de Almeida (21 de Janeiro de 1898 – 13 de Novembro de 1971) –Autodidacta,naturalista e botanista amador, funcionário municipal e público por muitos anos, trabalhou no Serviço de  Obras Públicas e ao serviço do Leal Senado, renovou e transformou o espaço verde do Jardim da Flora, introduzindo novas espécies de flores, árvores de fruto e até uma pequena fauna.
Foi devido ao seu interesse e entusiasmo pelas plantas e jardins que planeou muitos espaços públicos de Macau. Preservou e recuperou muitas pedras que tinham alguma ligação histórica à cidade que estavam para destruição mormente aqueles que foram sujeitos ao vandalismo no período «1-2-3» de 1966, preservadas nas paredes do Leal Senado e na Fortaleza do Monte.
Era Tetraneto do Primeiro Barão de Porto Alegre, Januário Agostinho de Almeida (1759 -1825), um dos comerciantes de ópio mais ricos de Macau nos inícios do século XIX.
Segundo o que refere Jorge Forjaz (3) «Alfredo Augusto de Almeida não herdou a fortuna dos seus antepassados e, por isso, foi toda a vida um humilde funcionário público e municipal. Mas herdou as suas virtudes, a sua grandeza de alma e um nobre coração.
Filho de Macau, da mais ilustre aristocracia macaense, este homem foi sempre leal e honesto, nobre e respeitador no trato social e amigo da sua terra como poucos. Os jardins de Macau devem-lhe muito e o da Flora deve-lhe quase tudo, inclusivamente a classificação científica de todas as plantas e animais que lá existiam.
O Museu Arqueológico da Fortaleza do Monte foi ele que o salvou, foi ele que o colocou ali.
Era um self made man, lia e consultava as autoridades em botânica e na arqueologia; por isso o Prof. Williams, de St. Francis Xavier College, perito em botânica, nunca vinha a Macau que não fosse a sua casa; o mesmo fez sempre o brigadeiro e historiador Sir Lindsay Ride, que tinha por ele o maior apreço; o então Governador Jaime Silvério Marques (1959-1962) correspondia-se frequentemente com este funcionário, a quem tanto apreciara e elogiara durante o seu Governo de Macau.
Em 1935, ele reconstruiu o jardim da Igreja de S. Lourenço, sob as indicações da Srª D. Laura Lobato.
Oseo Acconci, que tanto o estimava, moldou o seu busto, um mês antes da sua morte.». (3)
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 5, 1998
(3) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses , Volume I, 1996
Outra bibliografia consultada:
RIDE, Lindsay; RIDE, May; WORDIE, Jason –  The Voices of Macao Stones,1999.
ARAÚJO, Amadeu Gomes de – Diálogos em Bronze, Memórias de Macau, 2001-

A esposa do Sr. Governador cortando a fita

Extraído de BGC XXVI-304, OUTUBRO de 1950.

O Governador José Maria da Ponte e Horta, pela Portaria de 2-02-1867, proibiu a Roda dos expostos da Santa Casa de Misericórdia de Macau, (desde 1726 que a Santa Casa Misericórdia tinha um Recolhimento para orfãs e Viúvas) a partir de 8 do mesmo mês e ano, devendo no entanto a Santa Casa continuar a tratar dos enjeitados que tinha a seu cargo nessa data . No entanto a ordem não foi cumprida pois embora a Roda não existisse, as crianças continuaram a ser abandonadas (e recebidas) à porta da Santa Casa.
A Santa Casa confiou os Expostos (crianças abandonadas aos nascer) às Filhas de Caridade Canossianas estabelecidas em Macau em 1874) (1) que tomaram conta deles, a princípio no próprio edifício dos Expostos e, mais tarde, no Asilo da Santa Infância, em Santo António, fundada em 1885, pelo Bispo D. António Joaquim de Medeiros. (2)

Um grupo de crianças abandonadas e recolhidas no Asilo da Santa Infância em 1934

O novo Edifício da Santa Infância na Rua Francisco Xavier Pereira inaugurado em 1950, foi mandado construir pelas irmãs Canossianas. A Santa Infância em 1950, foi transferida para o rés do chão do novo edifício em Mong Há continuando no antigo edifício as crianças mais pequenas mas em 1959 sessenta crianças foram transferidas para a Casa Canossiana de S. Coração de Maria em Coloane.
Informações recolhidas de TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982
Anteriores referências a este Asilo em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/asilo-de-santa-infancia/
(1) Em fins de 1873 e inícios de 1874, chegou a Macau a irmandade canossiana cujo lema era “caridade na humildade e humildade na caridade”, passou a se fazer presente em Macau.
Mas antes já a irmã Madre Teresa Lucian chegara a Macau, tendo fixado residência no bairro chinês próximo à igreja de Santo Antônio e ali foi construindo a sua obra, abrindo uma escola chinesa para crianças pobres, perto da Fortaleza do Monte.
Em 1885 foi construído o Asilo da St.ḁ Infância, para crianças abandonadas, posteriormente demolido para dar lugar à Escola Canossa.
No Asilo da Santa Infância, anexo à igreja de Santo Antônio, as irmãs fizeram um belo trabalho e ganharam a confiança e o respeito dos chineses. Por volta de 1895, uma grande epidemia de peste bubônica atingiu Macau. A irmã Madre Teresa Lucian foi para esse front social em 1898, e ali viu serem abatidos aproximadamente 1200 chineses.
Para se ter uma ideia do volume de trabalho assistencial que faziam as irmãs, somente no período de 1885 a 1951, foram recebidas 65.000 crianças, ou seja, em cada um dos 66 anos de atuação receberam em média 985 crianças por ano. A partir de 1952 até 1972, o número de crianças hospitalizadas é de 16.725, e um número dramático de abandonados é de 1.123 crianças chinesas ou mestiças, em sua maioria meninas.
Anjos de Macau na primeira década do século XX
LIMA-HERNANDES, Maria Célia; SILVA, Roberval Teixeira e – Anjos de Macau na primeira década do século XX in fragmentum, N. 35, parte I. Laboratório Corpus: UFSM, Out./ Dez. 2012 15 p.
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(2) O Padre António Joaquim Medeiros (1846-1897) veio para Macau em 1872 tendo ocupado os cargos de Reitor do Seminário, Vigário Geral e Visitador das Missões de Timor e em 1884, foi nomeado Bispo de Macau. Faleceu de morte natural durante a visita às Missões de Timor em 1897.

No dia 4 de Maio, dia de descanso dos desportistas macaenses, foi o dia do jantar de honra oferecido pela Associação Japonesa de Hóquei. O jantar realizou-se num dos mais luxuosos restaurantes de Tóquio, reservado exclusivamente à alta sociedade.
Entre os presentes contava-se o sr. Kizo Kavai, gerente-geral da Hitachi que visitara Macau em 1936 por ocasião da digressão a Macau da equipa universitária de Waseda.
No momento dos brindes, o sr. Sakae Kubota, secretário-geral da Associação Japonesa de Hóquei, saudou os hóspedes, congratulando-se com os bons resultados já obtidos pelos hoquistas macaenses nesta primeira visita ao Japão e agradecendo a honra da nossa presença.
Falou a seguir, o sr. Engenheiro Humberto Rodrigues que por seu lado agradeceu o magnífico jantar com que se dignaram distinguir os visitantes, esperando, poder retribuir, da mesma maneira num futuro próximo, todas as amabilidades de que fora alvo a caravana de Macau.
NOTA: Informações do diário de Henrique José Manhão Jr. que relatou esta digressão para o bissemanário católico «O Clarim», reproduzido depois no Boletim de Informação e Turismo.
Anteriores referências deste diário em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hockey-club-de-macau-hoquei-clube-de-macau/

Continuação da digressão do Hóquei Clube de Macau por terras nipónicas (1)
Dia 3 de Maio de 1972 – feriado nacional – dia da nova constituição japonesa.
Terceiro encontro – Selecção de Tóquio contra a Selecção de Macau.

Selecção de Tóquio

Pelas 15.oo horas, começou o encontro a que assistiram muitas e altas individualidades ligadas ao hóquei japonês. Entre os portugueses, encontravam-se o Sr. Amílcar Peres, gerente do B. N. U. de Macau, o Sr. Capitão Raposo e respectivas esposas.
A partida foi renhidamente disputada de princípio ao fim. Embora os japoneses tivessem marcado em primeiro lugar, os macaenses dominaram completamente a situação, vindo a ganhar por 2-1.

As duas selecções, de Tóquio e a de Macau, com os árbitros

(1) Informações do diário de Henrique José Manhão Jr. que relatou esta digressão para o bissemanário católico «O Clarim», reproduzido depois no Boletim de Informação e Turismo.
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A comitiva do H. C.M. acompanhada do Sr. Kotara Miyamoto, secretário da Associação Japonesa de Hóquei, deslocou-se ao município de Tóquio para apresentar cumprimentos ao «Mayor» da cidade e entregar a mensagem do presidente do Leal Senado da Câmara de Macau. A representação macaense foi recebida pelo chefe do protocolo do município, Sr. Tsugio Fominaga que agradeceu a gentileza da visita em nome do «Mayor» Dr. Ryokichi Minobe, que se encontrava ausente na Europa.
Às 14.00 horas realizou-se no campo universitário de Keio, o segundo encontro da digressão. O campo, também de terra batida, como o de Osaka, estava lamacento, porquanto chovera copiosamente na noite anterior.
O resultado final foi de um empate a 1-1 (golo de Eduardo de Jesus)
Assistiram a este encontro, em representação da reitoria da universidade de Keio, Toshichica Totoki, Professor do Departamento de Sociologia Industrial de Ciências Políticas, Kentaro Hiro, membro executivo do «Comité Olípico Japonês» e a Senhorita Yukiko Iwakawa, guia-intérprete (1)
À noite, pelas 19,00 horas, a delegação de Macau foi obsequiada com um típico jantar japonês, oferecido pelos jogadores da Universidade de Keio que estiveram em Macau em 1961 e 1964, por muitos dos seus antigos hoquistas e os jogadores que participaram no encontro da tarde.
Durante o jantar usaram da palavra , o árbitro internacional de hóquei e antigo aluno da Universidade de Keio e o Engenheiro Humberto Rodrigues.
A festa terminou com a famosa canção «Sakura» (2)  cantada por Yukiko acompanhada por dois colegas de Keio.

Convívio social com a Senhorita Yukiko Iwakawa, guia-intérprete

NOTA: Informações do diário de Henrique José Manhão Jr. que relatou esta digressão para o bissemanário católico «O Clarim», reproduzido depois no Boletim de Informação e Turismo.
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https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/06/noticia-de-6-de-maio-de-1972-o-primeiro-portugal-japao-em-hoquei-em-campo/ 
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/04/29/noticias-de-26-de-abril-a-9-de-maio-de-1972-diario-do-hoquei-clube-de-macau-por-terras-do-japao-ii-chegada-ao-japao-e-primeiro-jogo-no-dia-29-de-abril/ 
(1) Senhorita Yukiko Iwakawa, aluna do «Junior College» de Keio, escolhida para servir de elo de ligação entre os portugueses e japoneses pois dominava perfeitamente a língua inglesa.
(2) «Sakura» é o nome dado em japonês à cerejeira em flor, considerada a flor nacional do Japão. Também o nome de canção tradicional japonesa “Sakura, Sakura” (hoje considerada a canção representativa do Japão)  de origem no período Edo e  que descreve a primavera , a estação das cerejeiras em flor.
https://en.wikipedia.org/wiki/Sakura_Sakura
Poderá ouvi-la em
http://mattluxmusic.com/tracklist/id/163060

A comitiva macaense de hóquei em campo teve no dia 29 de Abril de 1972, uma recepção singela mas amistosa no aeroporto internacional de Haneda, estando presente o sr. Sakae Kubota (secretário-geral da Associação Japonesa de Hóquei em Campo – A. J. H. C.) que apresentou cumprimentos à nossa embaixada desportiva, em nome o presidente daquela Federação. Além do secretário-geral da A.J.H.C. estiveram no aeroporto: Kotara Miyamoto, secretário da A.J.H.C.; Kughiwara, treinador da equipa nacional japonesa; Shigeki Motoyama e Toshikazu Takei, (1) representantes da Universidade de Keio.
Os jogadores de hóquei em campo da Universidade de Keio também se deslocaram ao aeroporto para receber a equipa macaense.

Jogadores da equipa da Universidade de Keio num jantar que estes ofereceram à caravana macaense no restaurante «Suehiro» de Ginza.

Do aeroporto a comitiva seguiu de autocarro (posto à disposição por conta da A. J. H.C.) para o hotel «Takanawa». No dia 28 de Abril realizou-se o primeiro treino, às 8,30 horas constituído de ginástica e corridas e à tarde fez-se mais um pequeno treino. No dia 29 de Abril (feriado nacional no Japão por ser dia o dia de aniversário do então Imperador), efectuou-se o primeiro encontro em terra nipónica. Saída às 6.30 horas para apanhar o comboio expresso para Osaka e daí de autocarro para o campo de Hagaromo (tudo cerca de 5 horas)..
O jogo começou às 14,05 horas, no campo de terra batida debaixo de um sol escaldante.
A constituição das equipas foi a seguinte:
MACAU: Ribeiro, Jorge Silva, Sousa, Assis Silva, Santos Ferreira, F. Cordeiro, Badaraco, Jeremias, Jesus, Ritchie e A. Fernandes.
OSAKA: T. Shirai, T. Kobayashi, F. Moricava, T. Moricava, S. Kaoku, H. Ebicai, K. Takizawa (capitão), H. Ushinohama, J. Sekia, Io H. Watanabe e Y. Takiushi.
A selecção de Macau ganhou por 4-3 à selecção de Osaka. Golos de José dos Santos Ferreira Jr. (de penalti), Eduardo de Jesus e Badaraco na primeira parte (3-1) e Eduardo de Jesus no início da segunda parte (4-3).
NOTA: Informações do diário de Henrique José Manhão Jr. que relatou esta digressão para o bissemanário católico «O Clarim», reproduzido depois no Boletim de Informação e Turismo.
Anteriores referências deste diário em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/06/noticia-de-6-de-maio-de-1972-o-primeiro-portugal-japao-em-hoquei-em-campo/
(1) Toshikazu Takei esteve em Macau em 1961, aquando da visita da equipa de hóquei em campo da Universidade de Keio. Uma outra equipa da mesma Universidade esteve em Macau em 1964.

No dia 26 de Abril de 1972, a equipa de honra do Hóquei Clube de Macau (H. C. M.) acompanhados do presidente do Conselho Provincial de Educação Física, José Silveira Machado, do presidente da Comissão Administrativa do Hóquei Clube de Macau, Humberto Rodrigues, e de outros dirigentes, esteve pelas 16,00 horas, no Palácio da Praia Grande, para apresentar cumprimentos de despedida ao Governador.
A digressão desportiva ao Japão no período de 29 de Abril a 6 de Maio, compreendeu 4 encontros de hóquei em campo. Os jogadores macaenses actuaram em Osaka, no dia 29 de Abril como Selecção de Macau contra a Selecção de Osaka; em Tóquio, no dia 1 de Maio, como Hóquei Clube de Macau contra a Universidade de Keio e em Tóquio, no dia 3 de Maio como Selecção de Macau contra a Selecção de Tóquio. O último jogo que se realizou no campo desportivo de Kemigawa (Tóquio), os hoquistas macaenses representaram Portugal no primeiro encontro oficial de hóquei em campo entre Portugal e o Japão (já relatado numa anterior postagem) (1)

Os dirigentes do H.C.M. mostram ao Governador as lembranças que iam oferecer aos grupos japoneses a enfrentar na sua digressão desportiva.
Da esq p/ dta.: José Silveira Machado, Governador José Nobre de Carvalho, Humberto Fernando Rodrigues, Mário Aureliano Robarts (de costas) e António Lagariça..

Os hoquistas e dirigentes do H.C.M com o governador no Palácio da Praia Grande
(peço uma ajuda dos amigos para uma correcta identificação de todos os que estão nesta fotografia)

O Engenheiro Humberto Rodrigues, em nome dos hoquistas presentes agradeceu ao Governador o subsídio concedido, permitindo assim que um velho sonho acalentado durante tantos anos pelas diversas equipas do H. C. M. se visse transformado numa flagantre realidade. Acentuou, no entanto, que essa deslocação ao Japão não visava unicamente efeitos desportivos; pretendia-se que ela fosse também uma oportunidade para a publicidade turística de Macau, não esquecendo os aspectos culturais.

O Presidente do Leal Senado no acto da entrega de galhardetes e mensagens para os municípios de Osaka e Tóquio.
Da esq p/ dta: Joaquim Morais Alves, Humberto Fernando Rodrigues, Pedro Xavier, Amadeu Cordeiro,  António Almeida e ?

Os hoquistas de Macau também estiveram no gabinete do Presidente do Leal Senado, Joaquim Morais Alves para lhe apresentarem cumprimentos de despedida e receberam dele os galhardetes e mensagens para serem entregues aos presidentes dos municípios de Osaka e Tóquio. A embaixada não ia ao Japão apenas para jogar. Levava também a incumbência de estreitar os laços de amizade entre a cidade de Macau e as referidas cidades japonesas.
Os jogadores e dirigentes do Hóquei Clube de Macau partiram no dia 27 de Abril, pelas 11,00 horas. À partida da caravana assistiram numerosas pessoas. Entre os presentes, o Presidente do Leal Senado, Joaquim Morais Alves e o Presidente do Conselho Provincial de Educação Física, José Silveira Machado, representando os munícipes e o sector desportivo local. E lá partiram…
NOTA: Informações de Henrique José Manhão Jr. que relatou em diário esta digressão para o bissemanário católico «O Clarim», reproduzido depois no Boletim de Informação e Turismo.
(1) NOTÍCIA DE 6 DE MAIO DE 1972 – O PRIMEIRO PORTUGAL-JAPÃO EM HÓQUEI EM CAMPO:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/06/noticia-de-6-de-maio-de-1972-o-primeiro-portugal-japao-em-hoquei-em-campo/