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Extraído de « BGPMTS» I-4 de 11 de NOV 1854.

Sir James Stirling (1791-1865) foi um oficial da Marinha Inglesa e administrador colonial – 1.º governador e Comandante em Chefe da Australia (Oeste). Em 1854 era “Commander in Chief, China and the East Indies Station“.

«HMS Encounter» (1846- 1866) at Ningpo in 1862
https://en.wikipedia.org/wiki/HMS_Encounter_(1846)

«HMS Encounter» que estava estacionada na China para patrulha das suas águas em Abril de 1854 efectuou em operações conjuntas anglo-americanas (HMS Grecian and USS Plymouth) contra as tropas imperiais chineses em Shanghai. De Setembro a Outubro de 1854 integrava o esquadrão naval de 4 navios de guerra comandado pelo então vice almirante Sir James Stirling . A 3 de Novembro de 1854 efectuou ataques aos piratas nas águas perto de Macau. 10 dias depois atacou e tomou uma bateria chinesa na costa  e destruiu vários juncos na Baía de Coloane.

Duas fotografias publicadas no Anuário de Macau de 1922 (as mesmas fotos estão reproduzidas em outras publicações dessa época com maior nitidez) com os títulos de “MACAU ARTÍSTICO” e “MACAU RENASCENTE”

MACAU ARTÍSTICO
Vista parcial da cidade; à direita vê-se o porto exterior da Rada de Macau; à esquerda o porto interior
MACAU RENASCENTE
Vista parcial da cidade: à esquerda o Bairro de Patane; à direita a Ilha Verde e a antiga estrada de comunicação entre a cidade e aquela ilha. Ao norte e sul da estrada vêem-se os aterros feitos nessa época pela Direcção das Obras dos Portos com o produto das dragagens e as docas em construção e o varadouro do Patane. Ao fundo avista-se a ilha da Lapa-

Extraído de «Boletim do Governo de  Macau», XII-44, 29 de OUT de 1866, p. 179

Livro de “Apontamentos de Geographia Economica de Portugal e suas Colónias”, colhidos na aula da 2.ª cadeira da Secção Commercial do Instituto Industrial e Commercial do Porto regida pelo Ill.mo e Ex.mo Snr. Dr. José Augusto de Lemos Peixoto, pelo aluno do Curso Superior do Commercio, F. R. Gomes. (1)
Distribuído por três partes: a primeira é dedicada a «Portugal Continental», a segunda, às «Ilhas Adjacentes» e a terceira às «Possessões Ultramarinas».
apontamentos-de-geographia-economica-de-portugal-capaNa terceira parte: «Possessões Ultramarinas», a Secção II do Capítulo XI – Domínios portugueses na Ásia, é dedicado à Província de Macau (pp. 198-203), subdividida em três partes: descrição física, descrição política e descrição económica.
Algumas informações de Macau apontadas neste livro:
1 – A cidade de Macau tem 3 portos: a bahia ou rada de Macau (também chamada de Porto Exterior); o Porto Interior (o mais abrigado, pouco frequentado, não só pela sua profundidade, como também pelos bancos de d´areia e lôdo) e o chamado ancoradouro do sul que fica ao Sul, entre a ponta meridional da península e a ilha da Taipa (é o mais abrigado de todos, mas tem 250 metros de largo e a sua entrada é muito perigosa porque os canais que a ele conduzem, estão cobertos de bancos)
2 – População – A população, segundo o recenseamento de 1896, é de 78:627 habitantes, dos quaes, uma grande parte, isto é, cerca de 10:000 almas, vive em barcos. Esta população é constituída principalmente por chins, portuguezes e estrangeiros.
apontamentos-de-geographia-economica-de-portugal-pp-198-1993 – Povoações principaes – A única povoação digna de menção é a cidade do Santo Nome de Deus de Macau, que está situada na parte sudoeste da península, e tem 3 kilometros d´extensão, contando com os arrabaldes; é habitada promiscuamente por chinezes e christãos, mas como já dissemos, há um bairro exclusivamente chinez, onde mais se aglomera a população. A cidade fica voltada para a rada ou porto exterior e disposta em amphitheatro, o que lhe dá um aspecto formoso; é separada de território chinez por uma muralha, levantada sobre o isthmo, em 1573, pelos chinezes; n´esta muralha há uma porta, chamada da Porta do Cerco, guarnecida por uma grande força chineza, e é por essa porta que se estabelece a comunicação entre a nossa colonia e o imperio chinez.
4 – Força militar – A guarnição militar da província compõe-se das seguintes forças: 1 companhia europea de artilheria de guarnição, 1 companhia europea d´infanteria, 1 corpo de polícia e 1 banda de musica, tudo com o effectivo mínimo de 474 homens.
5 – Viação – Na província há apenas a viação ordinária: toda a cidade é circuitada por uma larga avenida, importante como estrada militar e como passeio d´habitantes; há ianda caminhos sem importância.
6 – Fontes de receita – A principal fonte de riqueza, é o imposto que o governo lança sobre as loterias chinezaz (a do Pacapio e do Vaeseng) e sobre o jogo do Fantan; este imposto é enorme, porque o chinez é um povo, eminentemente jogador.
(1) Apontamentos de Geographia Economica de Portugal e suas Colónias, colhidos na aula da 2.ª cadeira da Secção Commercial do Instituto Industrial e Commercial do Porto regida pelo Ill.mo e Ex.mo Snr. Dr. José Augusto de Lemos Peixoto. Volume I. Porto, Papelaria e Typographia Academica, 1905, 212 p., 21,5 cm x 16 cm.

Notícia do dia 7 de Agosto de 1910 : O cruzador S Gabriel de 1.838 toneladas chegou a Macau, na viagem de circum-navegação que estava efectuando sob o comando do Capitão António Aluízio Jervis de Atouguia Ferreira Pinto Basto (1)
Do relato desta viagem de circum-navegação feito pelo comandante do cruzador,  reproduzo parte do capítulo (XXVI) dedicado a Macau (pp. 267 a 282): (2)
Cruzador S. Gabriel Viagem de Circumnavegação desenho RadaCAP. XXVI: De Fuchau a Macau e Hong Kong:
“Na manhã do dia 5 de agosto saímos de Fuchau e continuámos ao longo da costa da China  com mar plano e monção fraca. (…)
Ao amanhecer do dia 7 passámos o semaphorico de Waglan, para onde içámos o signal do nome do navio, e continuando entre as ilhas fundeámos em Macau, pelas 10h da manhã.
Vieram cumprimentar-nos o ajudante do governador, e o comandante da canhoneira Patria, capitão-tenente Salazar Moscoso, e visitei o governador Eduardo Marques, o Bispo e o Patria.. No dia seguinte assistimos a um jantar offerecido pelo governador aos officiaes do S. Gabriel, onde concorreram as principaes auctoridades civis e militares, e quinze officiaes e guardas-marinhas do cruzador, ao todo umas cincoenta pessoas. Pelo telegrapho sem fios informámos para Hong Kong que chegaríamos no dia seguinte pelas 9h30m.
Cruzador S. Gabriel Viagem de Circumnavegação CRUZADORES HKEm Hong Kong não ha estação publica de telegraphia sem fios, mas o nosso despacho foi recebido pelo paquete americano Manchuria, ali amarrado, cujo comandante muito amavelmente o mandou communicar ao cruzador Rainha D. Amélia.
Pelas 6 horas da manhã do dia 10 suspendemos da rada e seguindo pelo sul de Lantao, amarrámos em Hong Kong pelas 9h30m à boia n.º4, depois de pedir licença ao navio chefe Vasco da Gama e de salvar à terra com 21 tiros e ao commodoro inglez a bordo do Tamar com  11.”
(1) GOMES, Luís G. –  Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) BASTO, A. J. Pinto – Cruzador S. Gabriel. Viagem de Circumnavegação. Lisboa, Livraria Ferreira, 1912 , 444 p.
NOTA: Os desenhos são do autor do livro, A. J.Pinto Basto
Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/06/leitura-cruzador-s-gabriel-viagem-de-circumna-vegacao/

Do livro “Tellurologie et Climatologie Médicales de Macau” do António do Nascimento Leitão (1), algumas fotografias e descrição geológica/mineral do solo da cidade de Macau

MACAO Vue partielle du Porto Interior“MACAO – Vue partielle du “Porto Interior”

“On a encore fait des sondages en d´autres points marginaux dans le fleuve (Porto Interior), sans qu´on y ait trouvé du granit ou même du terrain ferme, se qui vient confirmer le fait” (1)

MACAO Praya Grande - Colline de Guia - Rade“MACAO -Praya Grande – Colline de Guia – Rade”

Des roches simples on remarque, le quartz, affleurant par la Guia et la Penha en filons (betas) ou en cailloux, ou encore affectant des formes géométriques (quartz hyalin), dans le granit porphyroide de la Penha” (1)

MACAO Praya Grande - La Penha“MACAO – Praya Grande (aufond, flanc nord de la Penha)”

Le flanc des collines est en granit, plus ou moins caché par les terres argilo-sablonneuses. Affleurant en quelques points (Barra, Patane, Mong-Ha, Guia), il se trove en d´autres (Flora) à une profondeur de 6 m. 40, à 17 m. 70, selon les sondages faits dernièrement par la Direction des Travaux Publics. On remarque aussi du grès consistant, rose-jaunâtre (Guia et flanc oriental de Penha)” (1)
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/06/01/leitura-tellurolo-gie-et-climatolo-gie-medicales-de-macao/

ALMEIDA, Fortunato de – Portugal e as colónias portuguêsas: com um apêndice sôbre a história da geografia e uma nota bibliográfica sôbre a geografia de Portugal e dos seus domínios. Segunda edição. Editor: Fortunato de Almeida, Coimbra, 1920, 484 p + mapas, 21 cm x 13 cm.

Com uma assinatura de posse no frontispício ” Vera Cruz ????” e outra na 1.ª página “???? de Macedo, Lisboa

Portugal e as Colónias Portuguesas I

São 10 páginas dedicadas a Macau ( pp. 317-326). Pequenas descrições sobre:
⦁ Geografia física
⦁ Geografia económica
⦁ Geografia política
e um pequeno texto, em pé de página, sobre os primórdios históricos do território.

Portugal e as Colónias Portuguesas IIIEncardenação da época com lombada em pele. Bom exemplar.

 

 

Portugal e as Colónias Portuguesas II

Portugal e as Colónias Portuguesas IV

“Todas as possessões de Macau medem aproximadamente a superfície de 10 mil quil. quadrados. A parte portuguesa do istmo e a península de Macau medem 3,23 K2; a parte occupada pela cidade, incluindo ruas, estradas, jardins e cemitérios mede 2,10 K2.
A SE. da península é esta banhada pela rada de Macau; a W. e NW. existe o chamado Porto Interior, entre a península de Macau e a ilha da Lapa. No Porto Interior existe a pequena Ilha Verde, hoje quási ligada ao istmo por assoreamento natural e por obras realizadas no sentido de estabelecer a ligação.
A costa da península oferece muitas sinuosidades. A NE., abrigada do sul por um longo promontório , a ampla baía de D. Maria II; a S. do mesmo promontório, a baía de Cacilha; a SW. a baía da Praia Grande e as enseadas do Mainato e do Bispo.”

Fortunato de Almeida

Fortunato de Almeida Pereira de Andrade (1869—1933), mais conhecido por Fortunato de Almeida. Bacharel formado em Direito, foi professor efectivo do Liceu José Falcão (Coimbra) onde foi Reitor, da Escola Normal Superior de Coimbra, e historiador. Autor de uma História de Portugal (história do desenvolvimento de Portugal desde a Lusitânia pré-histórica até ao reinado de D. Manuel II) publicada em 1922-1929 (reeditada em três volumes pela Editorial Bertrand, Lisboa, 2005) e ainda da monumental História da Igreja em Portugal, estudo ímpar sobre a vida eclesiástica em Portugal.
Sócio da Academia das Sciências de Lisboa, da Sociedade de Geografia, da Sociedade Portuguêsa de Estudos Históricos e do Instituto de Coimbra. Agraciado pela Santa Sé com a condecoração Pro Ecclesia et Pontifice.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fortunato_de_Almeida e
http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=470322