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Hoje, 17-04-2020, o «Jornal Tribuna de Macau» noticia(1) que “O Corpo de Polícia de Segurança Pública encontrou uma réplica de canhão numa obra de canalização, no Porto Interior. A obra já foi suspensa. Funcionários dos Serviços de Alfândega, Instituto para os Assuntos Municipais e Instituto Cultural já estiveram no local para avaliar a situação.”

De Macau, informam-me que o “achado” foi localizado na Zona do Patane. O canhão estará relacionado com o Forte do Patane (também conhecido como Palanchica) ? E/ou às docas de embarcações que existiram nessa zona? (2)

Pormenor de Mapa de Macau Vista da Lapa de «Ou-Mun Ke- Leok, 1979» p.97

O forte estaria situado perto da Calçada da Palanchica, (3) na pequena elevação do Patane, junto à capela dedicada a Sto. António? (Igreja de N.S. do Amparo?)  e tinha como “missão” proteger a cidade de uma invasão do Continente. Segundo Jorge Graça (4), o forte tinha “3 plataformas, cada qual provida de uma peça de artilharia. O acesso à esplanada superior era efectuado por meio de uma escada que a ligava com a de baixo. Estava ligado à fortaleza de S. Paulo (5) por uma secção da muralha Nordeste da cidade, na encosta ocidental da colina de S. Paulo e ao Porto Interior por outra secção desta muralha. Não é conhecida a data certa da sua construção, mas parece ser a mais antiga das fortificações do Macau primitivo. Estava provido com peças de artilharia retiradas dos barcos de comércio do Japão. Foi demolida juntamente com a muralha da cidade que ligava a fortaleza de S. Paulo ao Porto Interior em 1640 por exigência chinesa.

Segundo Padre Teixeira, o chamado Forte da Palanchica sobre o montículo de Patane não tem História, “ porque os únicos documentos que encontrou sobre Patane: ambos afirmam que se construiu um muro que ia desde S. Paulo a Patane e se tentou construir um forte neste lugar, mas gorou-se esta tentativa devido à oposição chinesa.”(6) Esta também foi a opinião do historiador Ljungstedt: (7) «Parece que em 1925 se tentou construir um forte num lugar chamado Patane a fim de ligá-lo por meio duma cortina com o Monte. Mas os chinas fizeram um tal resistência que se abandonou a obra, e a cortina mudou-se em muro do Jardim, que se estende até um braço do Porto Interior»

Era nessa zona designada por Patane ou Chão do Campo dos Patanes ou Campos de Patane que “corria um importante veio de água potável (Ribeira do Patane), suficiente não só para dessedentar a povoação mas ainda para o fornecimento da aguada aos juncos e mais barcos de cabotagem que já concorriam ao porto. Era por isso a zona que servia não só para abrigo e aguada, mas também servia de doca para reparação das naus da carreira do Japão, ou naus da prata, enquanto aguardavam a monção para prosseguir viagem. A Ribeira do Patane veio com o andar do tempo, após o inquinamento completo das suas águas pelas várzeas que o foram marginando, a converter-se num colector de esgoto que ainda não há muitos anos se via a descoberto e que era conhecido pelo canal de San Kiu” (6)

Planta de Macau, anónimo, Pedro Barreto de Resende no Livro das Plantas de Todas as Fortalezas, Cidade e Povoações do Estado da Índia Oriental de António Bocarro, c 1635

(1) https://jtm.com.mo/local/breves-1220/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ribeira-de-patane/

(3) As obras efectuadas na zona do Patane e Tarrafeiro em 1868 acabaram com o labirinto de becos e travessinhas da Palanchica. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/travessa-da-palanchica/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/palanchica/

(4) GRAÇA, Jorge – Fortificações de Macau, Concepção e História. ICM, 1985, p.99

(5) “D. Francisco Mascarenhas, governador de Macau (1623-1626) mandou construir uma muralha de 500 barças, que se estendia desde a Fortaleza de S. Paulo ao Patane. Os Chineses objectavam que, estando esta muralha voltada para a China, era contra eles que se dirigia e não contra os inimigos de fora, e, por isso, exigiram a sua demolição. Mascarenhas opôs-se, mas o Senado cedeu às exigências chinesas e revoltou-se contra o governador em Outubro de 1624 e demoliu essas 500 barças de muro em Março de 1625. D. Francisco Mascarenhas, para evitar efusão de sangue, engoliu em seco esta amarga pílula” (6)

(6) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I. ICM, 1997, pp. 36-37

(7) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/andrew-ljungstedt/

Notícia do falecimento de Andrew Ljunstetdt (1) no jornal de língua inglesa publicada em Cantão (o primeiro jornal inglês publicado na China) “The Canton Register”, em 24 de Novembro de 1835. (2)
(1) Anteriores referências em_
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/andrew-ljungstedt/
(2) Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/the-canton-register/

Notícia publicada em «O Oriente Português» de 26 de Abril de 1892: desabamento de uma parte do tecto acompanhado de vigas na Igreja de S. Lourenço no dia 24 de Abril, (domingo) quando os fieis assistiam à missa conventual celebrando a novena de Nossa Senhora dos Remédios. Felizmente não houve vítimas pois os devotos logo que se começaram a cair o estuque, correram para fora da igreja.

“O Oriente Português”, Abril 26, 1892.

A Igreja de S. Lourenço cuja data de construção precisa se ignora, mas segundo o Padre Teixeira: (1)
Ao tempo da criação da Diocese de Macau, em 23 de Janeiro de 1576, existiam já nesta cidade, segundo se lê na bula “Super Specula”, algumas capelas e outros lugares sagrados. É provável que entre êssas capelas e lugares sagrados esteja indicada a igreja de S. Lourenço, que no seu início devia ser uma pequena igreja de S. Lourenço. Nos preciosos manuscrito intitulado «Asia Sinica, e Japonica: Macao conseguido, e perseguido, obra pósthuma  do R.Pe. Fr. Jozé de Jesus Maria Arrabino»,  missionário nos Estados da India, escrito entre 1744 e 1745, livro IV, e I, p.76 lê-se « em o seguinte anno de 1558 até o de 69, achando-se já aqui alguns Padres da Sagrada Companhia de Jesus, como nos Memoriaes se acha descrito, com sua boa assistencia e idéa entrarão a formar duas ou três pequenas Igrejas de S. Lázaro, S. Lourenço e S. António…» (…)
…Ljungstedt em «Historical Sketch, diz: «a julgar por uma inscrição, esta igreja foi reconstruía em 1618.». mas não fala em construção; contudo, noutro lugar do mesmo livro, p. 155, escreve êle: « em 1593, o Senado comunicou a Filipe, Rei de Portugal, que Macau tinha uma Catedral com duas freguesias, uma misericórdia com dois hospitais e quatro congregações  religiosas, isto é, Agostinhos, Dominicanos, Jesuítas e Capuchinhos»; daqui se conclui que, segundo o mesmo Ljungstedt, a Igreja de S. Lourenço já existia muito antes de 1618… (…)”
De certeza sabe-se que a Igreja foi reconstruída pela primeira vez em 1618, de novo reedificada de Novembro de 1801 a 1 Novembro de 1803, e de Março de 1844 a 1846 e da última vez, em 1892 (após este desabamento), à custa das Obras Públicas de Macau (arquitecto Abreu Nunes), sendo bispo desta Diocese D. António Joaquim de Medeiros. (2)
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Macau e a Sua Diocese, I, 1940, p. 166-
(2) Sobre a a Igreja de S. Lourenço, ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-lourenco/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/08/10/noticia-de-10-de-agosto-de-258-morte-de-s-lourenco-e-leitura-paroquia-de-s-lourenco/

Continuação da leitura da conferência realizada na Sociedade de Geografia de Lisboa, em 5 de Junho de 1946, pelo tenente-coronel de engenharia Sanches da Gama e publicada no Boletim Geral das Colónias de 1946. (1) (2)
………………………………………………………………………………..continua
(1) Ver anterior postagem em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/06/05/noticia-de-5-de-junho-de-1946-leitura-macau-e-o-seu-porto-i/
(2)  «BGC» XXII -253, 1946.

Foi em Junho de 1831 que surgiu o primeiro número do jornal publicado da Companhia Inglesa das Índias – “The Canton Miscellany” – que tinha tipografia em Macau. Publicação mensal e de índole literária, tinha como responsáveis John F. Davis (1795-1890) e C. Marjoribanks (1) (director do «East India Company») conservando-se apenas até Maio de 1832.

The Canton Miscellany N.º 1Canton Miscellany N.º 1 (1831) (2)

Contém muitas informações (do ponto de vista dos ingleses) sobre os portugueses na sua relação com a China (no N.º 3) e sobre Macau, sua história, e a evolução do seu comércio com os países asiáticos (nos N.ºs 4 – 5)

The Canton Miscellany N.º 1 - sumárioSumário do N.º 1

Logo no N.º 1 (2), encontramos  um poema  “The Boatman of Macao” pp. 62 -64. (autor:  John Seaworthy ?)

The Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao IThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao IIThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao IIIThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao IVThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao VThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao VIThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao VIIThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao VIII

The Canton Miscellany N.º 4- sumárioSumário do N.º 4
The Canton Miscellany N.º 5- sumárioSumário do N.º 5

Muitos dos artigos sobre a história de Macau é da autoria do sueco Andrew Ljungstedt pois foi neste periódico que publicou os primeiros passos do que viria a ser o seu livro, publicado em Macau (1832). Os artigos, numa feição mais ampla, foram ainda e depois publicados em «The Chinese Repository,» (3) em seguida deram origem a uma separata (1834) em Cantão e, finalmente, à edição, de novo em livro, em Boston (1836), com o título de «An Historical Sketch of the Portuguese Settlement in China, ando f the Roman Catholic Church and Missions in China». (4) O jornal «Echo Macaense» editou em português esta obra, de 1893 a 1896. Tem-se como maior valor deste livro a circunstância do autor se ter podido servir de documentos do arquivo municipal, entretanto desaparecidos. Parte do texto, referente à «Igreja Católica Romana em Macau» encontra-se em versão portuguesa na Academia das Ciências de Lisboa (Manuscrito Azul 1506).(5)
(1) Charles Marjoribanks,  iniciou a sua carreira em 1811 como escriturário oficial da “East India Company” em Cantão. Promovido  depois a  “supra-cargo”  chegando a Presidente da “Select Committee in China” em 1831.
“Charles Albany Marjoribanks (1794 – c December 1833) was a Scottish Liberal politician who sat in the House of Commons from 1832 to 1833. Marjoribanks was the son of Sir John Marjoribanks, 1st Baronet, MP and Lord Provost of Edinburgh.[1] As a young man he worked for the East India Company in Macao and, aged 30, he became a freeman of the city of Edinburgh. At the 1832 general election Marjoribanks was elected as the Member of Parliament (MP) for Berwickshire. He held the seat until his death the following year in 1833 at the age of 39.”
https://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Albany_Marjoribanks
(2) “The Canton Miscellany”  no. 1-5 (1831)
https://babel.hathitrust.org/cgi/pt?id=nyp.33433010052656;view=1up;seq=9;size=50
The Chinese Repository Vol. 1(3) ” «The Chinese Repository» was a periodical published in Canton between May 1832 and 1851, to inform Protestant missionaries working in Asia about the history and culture of China, of current events, and documents. The Repository, the world’s first major journal of Sinology, was the brainchild of Elijah Coleman Bridgman, the first American Protestant missionary appointed to China. Bridgman served as its editor until he left for Shanghai in 1847, but continued to contribute articles. James Granger Bridgman succeeded him as editor, until September 1848, when Samuel Wells Williams took charge.”
https://en.wikipedia.org/wiki/The_Chinese_Repository
«The Chinese Repository» was a periodical published in Guangzhou [Canton] between 1832 and 1851 for the use of Protestant missionaries working in Southeast Asia.  The founding editor was Elijah Coleman Bridgman (until 1847), from 1848 until 1851, Samuel Wells Williams was the editor.  The periodical was published monthly between May 1832 and December 1851 – and (following BS 2286) there was a second edition of volumes 1-3. Each of the twenty volumes includes a subject index, a general index was published in 1851 (link below refers to 1940 reprint).”
http://www.univie.ac.at/Geschichte/China-Bibliographie/blog/2010/06/19/chinese-repository-1832-1851/”
(4) Ver referência anterior
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/andrew-ljungstedt/
(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.

Abril 1822 – A população cristã de Macau era de 5.929 almas, das quais 4.315 são classificados como escravos.” (1)

Vista da Praia Grande 1825 Artista Chinês desconhecidoVista da Baía da Praia Grande do Sudeste
Artista Chinês desconhecido c. 1825

Sir Andrew Lyungstedt nos seus “Estudos Históricos dos Estabelecimentos dos Portugueses na China”, publicados em 1836 em Boston, considera a população formada de três classes, que são os naturais ou mestiços, descendentes de portugueses, de malaios, de chinas, de japoneses, etc.; os chins propriamente ditos; e os estrangeiros, ou europeus. Os que chama naturais, diz que, em 1583, eram em Macau em número de 900, entre mulheres, escravos, e outra gente vinda da Ásia.
No fim do século XVII esta população chegava a 19 500 pessoas, mas em 1821 não era de mais de  4 600, homens livres, escravos, e oriundos de todas as nações, incluindo os chins convertidos, sem contar 186 homens de batalhão, 19 freiras e 45 frades.
Em 1830 esta população era avaliada em 4 628 indivíduos, excluindo os militares e eclesiásticos; sendo 1 202 homens brancos, 2 149 mulheres brancas, 350 escravos  do género masculino, 779 do feminino, e mais 38 homens e 110 mulheres de diferentes castas. Os portugueses nascidos em Portugal ou nos seus domínios não passavam de 90. A população chinesa, que tinha sido já muito densa, mas que rareara pela estagnação do comércio, avaliava-se em 1834 em 30 000 indivíduos (2)
(1) SILVA, Beatriz Basto de – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.)
(2) TEIXEIRA, P. Manuel –  Macau Através dos Séculos, 1977.

10-11-1835 – Faleceu, em Macau, sir Andrew Ljungstedt, (1) escritor sueco, autor de «An Historical Sketch of the  Portuguese Settlements in China, and of the Roman Catholic Church and Mission in China, Boston, 1835», obra póstuma e raríssima, por ter sido o primeiro trabalho estrangeiro que se publicou sobre a história de Macau. Contém, porém, muitos erros” (2)
Ljungstedt confessa que teve acesso «a grande número de interessantes manuscritos relativos a Macau … que D. João (aliás Joaquim) Saraiva, Senhor Bispo de Pequim, tinha salvo da perdição à custa de incrível e perseverante trabalho» e que o seu «humilde trabalho se pode considerar um repositório de factos , cujos originais já não existem nos arquivos do Senado»
Os artigos de Ljungstedt foram publicados em Macau na revista «The Canton Miscellany», impressa na tipografia da English East India Company. Esta série de artigos agradou aos comerciantes estrangeiros residentes em Macau e, depois de corrigidos, foram publicados em forma de livro em Macau, em 1834. Em 1836, foi publicada uma segunda edição, correcta e aumentada, em Boston. Além dos manuscritos do bispo Saraiva, Ljungstedt consultou os papéis e livros de José Baptista de Miranda e Lima e os Arquivos do Senado.
Está sepultado no Cemitério dos Protestantes, no Largo de Camões. O jazigo de cantaria encontra-se no  plano inferior do velho Cemitério. ” (3)
Jazigo LjungstedtNa laje vertical ocidental lê-se:

HAR LIGGER RESTEN
AF
ANDERS LJUNGSTEDT
WASA RIDDARE, LARD OCH MANNISKOVAN. HAN
FODDES I
LINKOPING
DEN 23 MARS 1759.
DOG I MACAO DEN 10 NOVEMBER 1835.

Na parte vertical do norte:

VARDEN REST
AF
EN SORGANDE
VAN

Na parte oriental:

HERE LIE THE REMAINS
OF
ANDREW LJUNGSTEDT
KNIGHT OF WASA SCHOLAR AND PHILANTHROPIST.
HE WAS BORN IN LINKOPING MARCH 23TH. 1759
DIED AT MACAO NOVEMBER 10TH. 1835

Na pedra vertical do sul:

THE TOMB ERECTED
BY
A MOURNFUL
FRIEND

O amigo desolado que ergueu o jazigo era o seu conterrâneo Jacob Gabriel Ullman (4)
(1) Andrew Ljungstedt (1759 – 1835) (龍思泰- mandarim pinyin: Lóng Sītài; cantonense jyutping: lung4 (dragão) si3 (pensador) taai3 (grande). Com a idade de 38 anos (em 1797), encontrou colocação na Companhia Sueca da Índia Oriental e embarcou para a China no barco «The Queen», tendo chegado a Cantão (Guangzhou), em 1789. Em 1804, foi nomeado representante da Companhia, em Macau. Quando a companhia sueca liquidou os seus negócios na China, em 1813, Ljungstedt estabeleceu-se definitivamente em Macau, trabalhando como comerciante. Em 1820, foi nomeado o primeiro cônsul geral na  China.
https://en.wikipedia.org/wiki/Anders_Ljungstedt
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(3) TEIXEIRA, P. Manuel A Voz das Pedras de Macau, 1980.
(4) Sueco católico Jacob Gabriel Ullman casou com Rosa Minas, filha de Inácio Minas Atatosm e de Pascoela Minas.  Tiveram 4 filhos nascidos em Macau. Faleceu em Macau 25-07-1837.
Sobre este livro e o autor ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/03/23/noticia-de-23-de-marco-de-1759-nascimento-de-andrew-ljungstedt/  e
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/andrew-ljungstedt/

Continuação da publicação das fotografias deste pequeno álbum (1)

“SOUVENIR DE MACAU” 

Souvenir de Macau 1910 Rua de S. Lourenço IRUA DE S. LOURENÇO

(à direita, as escadas para a Igreja de S. Lourenço e o poço que foi entulhado; à esquerda, o Instituto Salesiano)

“ST LAWRENCE
The next largest district in the City is called Bairo de St. Lourenco. This church of San Lourenco, it is stated, may have been rebuilt in A. D. 1618. and within the last few years again as the roof fell in a few years ago. It is a large church, with broad stone steps leading up to it, being on a higher level than the road below. A picture of the saint is behind the high altar with a crown and dove descending from heaven on him. Two madonnas, with swords sticking in their breasts, and other images and altars abound. There are two towers to it: one containing a clock and the other a peel of three bells.” (2)

“A data de 1618 foi dada em primeira mão por Ljungsted mas há um documento de 1576, que diz que S. Lourenço era já igreja paroquial nesse ano e, portanto antes de Filipe II (de Espanha que viria a ser Filipe I em Portugal em 1580) (3)

Souvenir de Macau 1910 Rua de S. Lourenço IIRUA DE S. LOURENÇO
(à esquerda, o muro da Igreja de S. Lourenço e o poço)

A Rua de S. Lourenço começa na Rua da Imprensa Nacional, ao lado da Rua da Prata, contorna a Igreja e a residência paroquial de S. Lourenço e vai terminar na Rua Central ao cimo da Travessa do Paiva.
A Rua de S. Lourenço tomou o seu nome da Igreja de S. Lourenço que ali fica. Os chineses chama-lhe Fong Son T’ ong Kai (Rua da Igreja do Vento Favorável)” (3)
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/?s=souvenir+de+macau   
(2) BALL, J. Dyer – Macao: the Holy City,  the Gem of the Orient Earth, 1905.
(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol. I, 1997.
Referências anteriores à Igreja de S. Lourenço, ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-lourenco/

TA-SSI-YANG-KUO Mapa de Macau e Ilhas Adjacentes 1900“Esboço d´um mappa das ilhas vizinhas de Macau e entrada do rio de Cantão”
(Ta-Ssi-Yang-Kuo, Vol. I-II, 1900)

No dia 25 de Abril de 1940, o governo de Macau mandou recolher o destacamento de 60 polícias que ocuparam a vertente oriental da Ilha da Lapa, (1) em 20 de Março deste ano, por a mesma ter sido invadida pelos japoneses. (2)
“Em litígio com a China e sendo Portugal (e Macau) neutrais, ninguém melhor do que os portugueses para assegurar frente aos japoneses a posse da ilha. Os habitantes chineses vieram refugiar-se, por isso, na zona defendida pela polícia portuguesa” (3)
A tomada da posse da Ilha da Lapa foi a 18 de Abril de 1596 (4) mas manteve-se sempre a sua posse em litígio com a China. Somente entre 1947 -1951, Portugal abandona definitivamente as reclamações de soberania e jurisdição portuguesa da Ilha da Lapa ao assinar (o Governador Albano Rodrigues de Oliveira) dois acordos bilaterais com as autoridades nacionalistas.(3)

TA-SSI-YANG-KUO Ilha de Lapa c. 188..Ilha da Lapa
Sítio de Chec-sin-tong (gruta do génio dos bambucos) ou das Onze mezas
Photograv. De P. Marinho, segundo uma photographia  (1888…)
(Ta-Ssi-Yang-Kuo, Vol. I-II-, 1900

Em 1835, Sir Andrew Ljunstedt descreve a Ribeira Grande como um «ponto de recreio para portugueses e estrangeiros que na Lapa realizam diversões, passeios, pic-nics, etc» Macau tinha um destacamento militar permanente na Lapa.(5)

(1) Ilha da Lapa ou Wanzai  湾仔 (mandarim pinyin: wān zǎi; cantonense jyutping: waan1 zai 2)
A ilha da Lapa, devido a aterros efectuados ao longo dos últimos anos, passou a ser uma península ligada ao continente chinês.
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4, 1997.
(4) 18-04-1596 – Foi formalmente tomada posse na Ilha da Lapa, em Oitem, dum terreno que o Imperador da China concedeu para nele se construírem as sepulturas dos padres de S. Paulo (Daí também o seu nome de Ilha dos Padres).
GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995.

“No topo da colina da Penha existia outrora um forte que é anterior a 1623, (1) como se prova dum documento relativo a D. Francisco Mascarenhas, governador de Macau (1623-1626). A 1 de Fevereiro de 1625, este governador requereu ao ouvidor António Camelo Serrão que fizesse um inquérito judicial sobre os seguintes pontos:

«que vindo a esta cidade para Capitão geral com gente nella e ordem para a por em toda a boa defenção e desciplina, ordenou três Companhias na melhor forma que lhe foy possível. E tanto que o teve feito loguo os seus soldados occuparão os postos e forão fazer vegia na barra, no forte de São Francisco e no de Penha de França» (2)

 Não há dúvida da existência deste forte em Macau. Montalto de Jesus (3), cita um velho manuscrito francês un petit lieu ao bord de la mer au pied d´une  montagneoù autrefois les Portugais ont eu une forteresse mesmes qu´il y en a beaucoup  qui y habitente”.
Este forte estava ligado à fortaleza de Nossa Senhora de Bomparto/Bomporto  por uma muralha “Do Bomporto estendia-se uma muralha que ultrapassava a elevação da Penha”.  (3)

Forte da Penha LJUNGSTETNesta velha estampa, vê-se a muralha que ligava a Fortaleza de
Nossa Senhora da Penha à Fortaleza de Bomparto, s/ data (4)

O forte foi demolido devido às suspeições chinesas que receavam a fortificação e a construção de muralhas à volta da “cidadela”. A sua reconstrução foi depois do ataque holandês de 1622,  (5) atribuído a D. Francisco de Mascarenhas, o primeiro Governador de Macau. A fortificação de Macau, a “cidadela” foi completada em 1626. Este forte foi demolido em 1892.(6)

Forte da Penha Chinnery 1837

“Vista da Igreja da Penha”, Chinnery . c. 1837
A Ermida da Penha dentro do forte e a muralha que ligava à Fortaleza de Bomparto.

O Forte de Nossa Senhora da Penha de França estava situado no cimo da colina da Penha, onde se encontra presentemente a Ermida da Penha.

O seu objectivo principal era a defesa contra as invasões navais e por isso, apesar de não estar próximo do litoral, era considerado uma fortificação costeira. Além disso, as suas armas podiam ser apontadas formando um arco completo sobre toda a cidade. Infelizmente não há conhecimento de desenho, plantas ou descrições deste forte que tenham sobrevivido. (4)

Forte da Penha BORGET 1838“O Forte da Penha de França”, Auguste Borget – c. 1838
O Forte da Penha está à esquerda e a Fortaleza de Bomparto
no sopé da colina e ligando as duas fortificações, a muralha

(1) Não se sabe a data de construção do forte mas foi um dos primeiros de Macau. Por esta notícia, já existia o forte da Penha aquando da chegada de D. Francisco, a 7 de Julho de 1623.
(2) TEIXEIRA, Pe. Manuel – Os Militares em Macau.1976
(3) JESUS, C. A. Montalto de – Macau Histórico. Livros do Oriente, 1990
(4) “Fort Bomparto –“baluarte de Nossa Senhora de Bomparto” – anciently denominated with greater propriety Baluarte do Bomporto. From this fort a Wall ascends south-west the Hill, on the top of wich is seated the hermitage of Penha de França”
LJUNGSTEDT, Andrew – An Historial Sketch of the Portuguese Settlements in China ando of the Roman Catholic Chirch and Mission in China”. Boston, 1836.Ver em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/03/23/noticia-de-23-de-marco-de-1759-nascimento-de-andrew-ljungstedt/
Poderá ler este livro em:
http://books.google.pt/books/about/An_Historical_Sketch_of_the_Portuguese_S.html?id=Q7gNAAAAIAAJ&redir_esc=y
(5) Ou-Mun Kei-Leok relata que, para protecção contra os ataques holandeses, os portugueses construíram um forte semelhante a um antigo que tinha sido demolido.
Tcheong-U-Lâm; Ian-Kuong-Iâm- Ou-Mun Kei-Leok, Monografia de Macau, 1751, traduzida por Luís Gonzaga Gomes. Quinzena de Macau, 1979.
(6) GRAÇA, Jorge – Fortificações de Macau; concepção e história. Instituto Cultural de Macau.