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Extraído de «O Occidente» XXXIV-1186, de 10 de Dezembro de 1911, p.271
NOTA: a foto com canto inferior direito não é do biografado

Adolfo Ferreira Loureiro (1836-1911), militar, engenheiro, escritor, poeta e político, bacharel em Matemática em 1856 na Universidade de Coimbra e em Engenharia Civil em 1859. Entrou na escola do Exército, em 1858, onde seguiu carreira militar. Em 1883, foi em Comissão à Índia Britânica, a Ceilão, Singapura, China e Macau.

Veio para Macau, em 1883, como Capitão de Engenharia e Major do Estado Maior, no cumprimento da missão de assorear o porto de Macau, tendo elaborado o grande projecto dos aterros do porto interior (posteriormente o projecto foi alterado por diversas vezes). O trabalho desenvolvido em Macau foi elogiado, recebendo do Leal Senado (1884) a honra de ter o seu nome num arruamento executado entre 1882 e 1883 (1) (2)

Em Macau, desenvolveu interessantes apontamentos acerca da cultura e sociedade chinesa. Acresce que contactou e privou com várias personalidades da época, nomeadamente com Demétrio Cinatti, Capitão do Porto de Macau e, com Eduardo Marques, reputado sinólogo e intérprete da Procuratura dos Negócios Sínicos de Macau. Apoiado pelo Partido Progressista, foi eleito Deputado para Legislatura de 1890, pelo 1.° Círculo Eleitoral de Macau, de que prestou juramento a 15 de Janeiro de 1890, e, na Legislatura de 1890-1892, representou o referido Círculo Eleitoral como Deputado da Legislatura anterior, até ao dia 27 de Maio de 1890.

Foi autor de mais de duas dezenas de publicações de carácter literário e profissional, mas destacou-se com o seu diário de viagem, «No Oriente – De Nápoles à China (diário de viagem). Lisboa, 1896-1897: Imprensa Nacional, 1896. – 2 v.

Com referência a Macau, publicou: 1 – Porto de Macau. Ante-projecto para o seu melhoramento. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1884. – 286 p. 2 – Estudos sobre alguns portos commerciaes da Europa, Ásia, Africa e Oceania. Coimbra, 1885, 2 vol. 3 – Macau e o seu porto. Conferência na Sociedade de Geographia de Lisboa. Lisboa, 1896.

PLANTA da bacia geral dos rios Si-Kiang, Peh-Kiang e Han-Kiang ou rios do Oeste, Norte e de Este, desde a sua origem até desembocarem no mar da China pelos estuários de Cantão e do Broadway [Material cartográfico]: Nº 1 / Extrahida da planta da Província de Cantão, levantada por I. G. Lörcher e completada pelas cartas da China de I. Perthes e de Williams; Assumpção lith.  [Coimbra: Imprensa da Universidade, 1884]  – 1 mapa LOUREIRO, Adolfo Ferreira de, 1836-1911; ASSUNÇÃO, António José Saldanha, 1850-1900, litog. http://rnod.bnportugal.gov.pt/rnod/winlibsrch.aspx?

Loureiro demonstrou ainda envergar uma postura crítica relativamente à posição política de Portugal em Macau por altura do incidente subjacente à notícia da revolta de Cantão em Setembro de 1883, sem contudo deixar de mencionar que o seu próprio país, por falta de tratado com a China, não tinha ali cônsul para proteger o macaísta envolvido. Manifestou-se face ao sistema do mandarinato revelando e reforçando a ideia da própria singularidade de Macau. A abordagem à corrupção e ao suborno é inevitável e também o sistema judicial e penal mereceu acutilantes apontamentos críticos. A questão da pirataria mereceu-lhe uma especial atenção já que a estes marginais se referiu com frequência, fazendo referência ao episódio do White Cloud, embarcação que garantia a viagem Macau – Hong Kong – Macau.” (3)

Planta da PENÍNSULA E PORTO DE MACAU com as sondagens levantadas em 1884 e com o projecto do caes interior, molhe da Taipa, docas da ilha Verde e Praia Grande, dique da Taipa e revestimento marginal entre a Ilha Verde e Pac-Siac [Material cartográfico] / [Adolfo Ferreira de Loureiro]; gr. Samora. – [Coimbra: Imprensa da Universidade, 1884]. – 1 Planta, 5 folhas com informação hidrográfica, 1 folha com perfis e alçados. LOUREIRO, Adolfo Ferreira de, 1836-1911; SAMORA, Júlio César Júdice, 1845-post. 1913, litog. http://purl.pt/17239/service/media/pdf

(1) ”Macau deu o nome de Adolfo Loureiro a uma via pública. O projecto de Loureiro ficou apenas no papel, apesar das instâncias de Macau junto do Governo Central . Assim em 1891 subiu ao Terreiro do Paço um requerimento de 951 habitantes de Macau para se executarem as Obras; mas só 6 anos mais tarde é que de lá se pensou nisso; em 08-08-1903, o Capitão de Cavalaria Carlos Alexandre Botelho de Vasconcelos foi incumbido de sondagens no porto. Então o Governo dispôs-se a executar o plano de Loureiro, mas nada feito.” TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997, p. 408

(2) 羅利老馬路 – Estrada de Adolfo Loureiro: começa na Avenida Sidónio Pais e termina no cruzamento da Estrada de Coelho do Amaral com a Rua da Restauração. Executada em 1882/1883. CAÇÃO, Armando Azenha – Sankiu in http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30035/2019

(3) https://orientalistasdelinguaportuguesa.wordpress.com/adolfo-loureiro/

Ver Anteriores referências neste blogue de Adolfo Loureiro em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/adolfo-loureiro/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/estrada-adolfo-loureiro/

NOTA: Uma nota biográfica muito completa, em http://www.pianc.pt/pdfs/F2.pdf

Extraído de «O Independente» XVII de 3 de Outubro de 1897, p. 3
Recorda-se que anteriormente houve um desabamento de uma parte do tecto acompanhado de vigas na Igreja de S. Lourenço no dia 24 de Abril de 1892, (domingo) quando os fiéis assistiam à missa conventual celebrando a novena de Nossa Senhora dos Remédios.
Anteriormente, deram-se três novas reconstruções nesta Igreja: uma, de 1801 – 1803; a segunda de 1844 a 1846 e a terceira (a que se refere esta notícia) em 1897 -1898, sob a supervisão do engenheiro Augusto de Abreu Nunes, director das Obras Públicas, sendo inaugurada e benzida pelo pároco o Cónego Francisco António de Almeida em 30 de Abril de 1898.
Foi depois novamete renovada em 1954.

Notícia publicada em «O Oriente Português» de 26 de Abril de 1892: desabamento de uma parte do tecto acompanhado de vigas na Igreja de S. Lourenço no dia 24 de Abril, (domingo) quando os fieis assistiam à missa conventual celebrando a novena de Nossa Senhora dos Remédios. Felizmente não houve vítimas pois os devotos logo que se começaram a cair o estuque, correram para fora da igreja.

“O Oriente Português”, Abril 26, 1892.

A Igreja de S. Lourenço cuja data de construção precisa se ignora, mas segundo o Padre Teixeira: (1)
Ao tempo da criação da Diocese de Macau, em 23 de Janeiro de 1576, existiam já nesta cidade, segundo se lê na bula “Super Specula”, algumas capelas e outros lugares sagrados. É provável que entre êssas capelas e lugares sagrados esteja indicada a igreja de S. Lourenço, que no seu início devia ser uma pequena igreja de S. Lourenço. Nos preciosos manuscrito intitulado «Asia Sinica, e Japonica: Macao conseguido, e perseguido, obra pósthuma  do R.Pe. Fr. Jozé de Jesus Maria Arrabino»,  missionário nos Estados da India, escrito entre 1744 e 1745, livro IV, e I, p.76 lê-se « em o seguinte anno de 1558 até o de 69, achando-se já aqui alguns Padres da Sagrada Companhia de Jesus, como nos Memoriaes se acha descrito, com sua boa assistencia e idéa entrarão a formar duas ou três pequenas Igrejas de S. Lázaro, S. Lourenço e S. António…» (…)
…Ljungstedt em «Historical Sketch, diz: «a julgar por uma inscrição, esta igreja foi reconstruía em 1618.». mas não fala em construção; contudo, noutro lugar do mesmo livro, p. 155, escreve êle: « em 1593, o Senado comunicou a Filipe, Rei de Portugal, que Macau tinha uma Catedral com duas freguesias, uma misericórdia com dois hospitais e quatro congregações  religiosas, isto é, Agostinhos, Dominicanos, Jesuítas e Capuchinhos»; daqui se conclui que, segundo o mesmo Ljungstedt, a Igreja de S. Lourenço já existia muito antes de 1618… (…)”
De certeza sabe-se que a Igreja foi reconstruída pela primeira vez em 1618, de novo reedificada de Novembro de 1801 a 1 Novembro de 1803, e de Março de 1844 a 1846 e da última vez, em 1892 (após este desabamento), à custa das Obras Públicas de Macau (arquitecto Abreu Nunes), sendo bispo desta Diocese D. António Joaquim de Medeiros. (2)
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Macau e a Sua Diocese, I, 1940, p. 166-
(2) Sobre a a Igreja de S. Lourenço, ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-lourenco/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/08/10/noticia-de-10-de-agosto-de-258-morte-de-s-lourenco-e-leitura-paroquia-de-s-lourenco/

Nos dias 20 e 21 de Abril de 1892 verificou-se em Macau uma greve que se estendeu pela primeira vez há muitos anos, a todo o comércio chinês, devido à questão dos monopólios do vinho chinês liu-pun (vinho de fermentação do arroz) que foi arrematado por um chinês de Hong Kong.
A questão foi encaminhada para resolução da corte, em Lisboa e o Visconde de Sena Fernandes (1) assumiu a questão do pagamento das taxas que o arrematante exigia, até vir resposta, o que de momento acalmou os ânimos (2) (3)
O jornal macaense “ O Oriente português”, (4) publicava no dia 21 de Abril, um artigo noticiando e comentando (uma picardia com outro jornal local “O Macaense”: «Mas também foi a primeira vez em que um jornal portuguez a procedeu de perto com a propaganda de que a greve é ilícita, o que é significativo?»)
………………………………………………………continua
Poderá visualizar todo o artigo, disponível em:
http://purl.pt/32515/3/html/index.html#/4-5
(1) Sobre o Visconde de Sena Fernandes, ver anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bernardino-de-senna-fernandes/
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)
(3) Os monopólios eram uma das fontes de receita para o território (taxas e impostos), mas por outro lado, encareciam os produtos (indirectamente atingiam os mais pobres, pois muitos  deles viviam dessas fontes de subsistência) e enriqueciam os comerciantes principalmente os que ganhavam a concessão. Estavam em causa os monopólios dos vinhos chineses, dos panchões, do salitre e do enxofre.
(4) «O Oriente Portuguez» Ano I, n.º 1. 26 de Abril de 1892. Redacção e Administração: Rua dos Prazeres n.º 1; Adm: A. V. da Silva; Por ano $5,00; Por Mês 50; N.º avulso: 20.

“O Correio Macaense“, V-230 de 17 de Fevereiro de 1888

A “Herbert Dent & Ca.” foi uma empresa em Macau ligada a negócios com a China (seda, chá e  ópio) e por isso, como agentes, ligada às companhias seguradoras e empresas de navegação.
O representante em Macau era D. da Roza (muito possivelmente Daniel Francisco António Campos da Rosa.(1)
A empresa , em 1888, estava na Rua da Sé; em 1910 na Rua dos Prazeres n,º 2 e 4
Em 1910, apresentava-se em Macau como:
No mesmo ano, em Cantão
Herbert Fullartoon Dent foi baptizado a 5 de Fevereiro de 1849 (Londres). Faleceu a 6 de Fevereiro de 1920 com 71 anos de idade. Foi Comissário das alfândegas chinesas (sedas e chás) e fundador da companhia “Herbert Dent and Company”, para comércio com a China (principalmente com o ópio que introduzia em Cantão). Vivia com a família entre Cantão e Macau.(2)
Herbert Fullartoon Dent é da família DENT que fundou “Dent & Co.”  ou “Dent’s” que foi uma das maiores firmas britânicas (rival directa das outras duas mais conhecidas, a «Jardine, Matheson & Co» e a «Russell & Co.»), que com o comércio do ópio com a China, levaram à entrega de Hong Kong e onde depois sediaram e prosperaram.
O seu antepassado Thomas Dent foi o  fundador da firma . Chegou a Cantão em 1823 e com o sócio fundaram a «Davidson & Co».  Em 1824, Davidson saiu e a firma passou a denominar-se “Dent & Co.”. A firma “Dent & Co.” foi à falência em 1867. (2)

“The London Gazette, 9 September, 1921”

Herbert Dent adquiriu o Palacete de Santa Sancha em 1893, aos herdeiros do Barão do Cercal (neta) após o falecimento da Viscondessa do Cercal (em 16 de Dezembro de 1892.) por 8.000 patacas.
Em 1896, teve um processo entre a Administração e o proprietário, Herbert Dent, processo esse que envolveu a Direcção Geral das Obras Públicas, que não cedia que o proprietário murasse a propriedade.
A 28 de Janeiro de 1923, William Herbet Shelly Dent, filho de Herbert Dent vendeu essa propriedade ao Governo de Macau (governador Rodrigo José Rodrigues) por $32.500. Nesse ano 1923, um tufão provocou estragos consideráveis, levando à execução de obras no palácio.

A Chácara de Santa Sancha vista da Penha – c. 1925

(1) Daniel Francisco António Campos da Rosa (1850-1916), comerciante de chá e cônsul de França em Foochow (China). Faleceu em Macau na sua casa da Praça Lobo de Ávila.
FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol III, 1996
(2) http://www.thepeerage.com/p3627.html 

Edição Fac-similada da “Amplificação do Santo Decreto” (1) do Imperador Yongzheng, (2) versão portuguesa e compilação de  Pedro Nolasco da Silva ( Chefe da Repartição Técnica do Expediente Sínico de 1885 a 1892) inserido no 2.º volume do seu livro (edição de Autor, 1903, Tipografia Mercantil, Macau) “Manual da Língua Sinica Escripta e Fallada. Primeira Parte – Língua Sínica Escripta”
Do “PREFÁCIO” assinado por António Aresta, transcrevo:
Sob a capa de um manual escolar de língua sínica escrita, anódino e igual a tantos outros, podem encontrar-se inesperadas surpresas.
É o que sucede com a “Amplificação do Santo Decreto”, onde a para de um didactismo exemplar se empreende a pedagogia de uma ideologia, a pedagogia do neo-confucionismo, cujo remoçado fascínio permanece até à actualidade.
A “Amplificação do Santo Decreto” é um verdadeiro manual de instrução cívica, ética e política, obedecendo aos parâmetros da mais pura ortodoxia confuciana, destinado ao povo chinês (…)
O “ Santo Decreto”, santo com o significado de sábio, foi originalmente redigido prelo imperador Shunzhi, (3) o fundador da dinastia Qing, tendo sido sucessivamente amplificado ou desenvolvido por seu filho Kangxi (4) e por seu neto Yongzheng . Assim, o mesmo corpo doutrinal, o “Santo Decreto”, manteve-se em vigor durante dois séculos. (…)”
Da “INTRODUCÇÃO” de Pedro Nolasco da Silva, retiro o seguinte:
Em 1671, KANG-HSI, segundo imperador da actual dynastia tartara-manchú, publicou um decreto contendo 16 máximas, sendo cada uma escripta com 7 carateres chinezes; e em 1724, YUNG-CHÂNG, filho e sucessor de KANG-HSI, publicou um comentario d´essas 16 máximas, sob o título de Amplificação do Santo Decreto (Xâng-Iu Kuang-hsun).
É este o livro que escolhemos para exercício de traducção, não só porque está escripto em estylo moderno, elegante e claro, mas também porque n´elle se contém um esboço interessante e instructivo dos princípios da moral chineza. (…) “
(1) Amplificação do Santo Decreto do Imperador Yongzh:eng, edição fac-similada da versão portuguesa e organização de Pedro Nolasco da Silva. Prefácio de António Aresta, Fundação Macau, 1995, 145 p., 26,5 cm x 18,5 cm x 1 cm, ISBN: 972-8147-47-3
(2) Imperador Yongzheng (1678-1735) Imperador de 1723 a 1735 – 雍正帝mandarim pinyin: yōngzhèngdì; cantonense jyutping: jung1 zeng3 dai3.

(3) Imperador Shunzhi (1638-1661) Imperador de 1644 a 1661. 治帝mandarim pinyin: shùn chí dì; cantonense jyutping: seon6 ci4 dai3.

4) Imperador Kangxi, (1654-1722) – Imperador de 1661 a 1722. 熙帝帝– mandarim pinyin: Kāngxīdì; cantonense jyutping: hong1 hei1 dai3.

Ver anteriores postagens com as “Máximas do Imperador Kangxi” extraídas deste livro em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/imperador-kangxi/
NOTA: sobre Pedro Nolasco da Silva ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/pedro-nolasco-da-silva/

VIEW OF MACAO
A panorâmica da baía da Praia Grande vendo-se à esquerda o Forte de Nossa Senhora da Penha de França (demolido em 1892) (1), a meio, a Fortaleza de S. Paulo do Monte e à direita, a Fortaleza de Nossa Senhora da Guia.

Este desenho foi publicado, em 1842, no “The Illustrated London News” (2) acompanhado de uma informação: carta enviada de Macau por um oficial inglês relatando a expedição britânica na chamada I Guerra do Ópio entre 1839 e 1842, nomeadamente a ocupação de Ningpo (Ningbo) em 1842, pelas forças expedicionárias inglesas, na sequência das hostilidades entre a Grã-Bretanha e a China iniciada em 1839 e concretizada pela invasão inglesa em Agosto de 1841 – expedição comandada pelo General Sir Hugh Gough e o Almirante Parker, com dois navios de 74 canhões e sete outros navios, dois barcos a vapor e barcos de transporte de carga e tropas (cerca de 3500 militares). A expedição partiu de Hong Kong, ocupando Amoy (Xiamen) em 27 de Agosto, Ting-hai (Dinghai) (capital de Chusan/Zhoushan) em 1 de Outubro, Chinghai em 13 de Outubro e Ningpo em 7 de Maio. O tratado da paz (Tratado de Nanking) foi assinado em  29 de Agosto de 1842 e Ningpo foi um dos portos abertos ao comércio estrangeiro. (3)

Assinatura do Tratado de Nanking (4)
Pintura do Capitão John Platt. Gravado por John Burnet.

(1) GRAÇA, Jorge – Fortificações de Macau, 1984.
(2) O primeiro jornal ilustrado semanal do mundo, publicado em Londres, com desenhos (não havia ainda fotografias) que se publicou regularmente desde 1842 até 1971 e depois sem periodicidade regular até 2003 (data final da publicação).
https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Illustrated_London_News
(3) DENNYS, Nicholas Belfield – The Treaty Ports of China and Japan: a complete guide to the Open Ports of those countries, together with Peking, Yedo, Hongkong and Macao. Cambridge University Press 2012, ISBN 078-1-108-04590-2
(4) https://en.wikipedia.org/wiki/Treaty_of_Nanking#/media/File:The_Signing_of_the_Treaty_of_Nanking.jpg

Fotografia (autor desconhecido), cerca 1890, retirada de (1) com as seguintes indicações:

Hong Kong Ferry Heung-Shan, moored at Macao

An early photograph  of the Hong Kong ferry Heung-Shan moored at Macao. On the river in the foreground there is a lot of activity with people on sampans.
– At the time pirates in the Pearl River would have made this a risky journey between Hong Kong and Macau, even on a large steam boat. A contrast to the modern day high speed Turbocat which gets you there in one hour.
Não consegui dados referentes a este navio em 1890 mas em 1892,  (2) o “Heung Shan” era propriedade da “Hong Kong, Canton & Macau Steam-Boat Company, Ld”, (3) empresa sediada em Hong Kong que tinha como seu agente em Macau, A. A. de Cruz.
O “Heung Shan” com pavilhão britânico, que fazia a carreira entre Hong Kong e Macau era um navio de 1055 toneladas, capitaneado por W. E. Clarke e entre a tripulação tinha como comissário de bordo (oficial encarregado do serviço de passageiros) o macaense C. M. d´Eça. (4)
(1) http://www.wattis.com.hk/gallery/photographs/9/6007/hong-kong-ferry-heung-shan-moored-at-macao.html
(2) The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, Straits Settlements, Malay States, Sian, Netherlands India, Borneo, the Philippines, &c. 1892
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/06/13/anuncio-de-1904-canton-macao-and-west-river-steamers/
(4) Celidónio Maria de Eça nasceu em Hong Kong (1862) e faleceu em Macau (1909). Primeiro filho de António de Eça Vaz Bernardes (1826-1888) que foi comissário de bordo do vapor «White Cloud»,um dos primeiros barcos da empresa «Hong Kong, Canton and Macao Steamboat Co» (de que era director o seu amigo Barão do Cercal) que fazia a ligação Hong Kong –Macau. (FORJAZ, Jorge – Famílias Macaense Volume I, 1996).

Postal da série “Greetings From Macau”,  este numerado com: MB106 (Printed in Macau)

postal-mb106-residencia-santa-sancha澳 督 官 邸 (1)
RESIDÊNCTA  (sic) SANTA SANCHA
GOVERNOR´S RESIDENCE

Fotografia de 譚永強  / Tam Weng Keong (2)
O palacete de Santa Sancha, situado no antigo bairro do Tanque do Mainato, dentro da  chácara de Santa Sancha cujo  proprietário mais antigo que se tem conhecimento foi Manuel Duarte Bernardino,  foi comprada em 1831 por Alexandrino António de Melo (Barão do Cercal). Após o falecimento da Viscondessa do Cercal, em 16 de Dezembro de 1892, os herdeiros venderam o palacete tendo Herbert Fullartoon Dent (comerciante do ópio) adquirido-o em 1893. A 28 de Janeiro de 1923, Dent vendeu essa propriedade  ao Governo de Macau por $32.500. Foi o Governador Tamagnini Barbosa, em 1926 , que escolheu para sua residência permanente a ali faleceu a 19 de Julho de 1940, durante o terceiro mandato (1937-1940).
postal-mb106-residencia-santa-sancha-verso(1) 澳 督 官 邸 – mandarim pīnyīn: ào dū guān dǐ; cantonense jyutping: ou3 duk1 gun1 dai2
(2) 譚永強 / Tam Weng Keong mandarim pīnyīn: tán  yong qiáng cantonense jyutping: taam4 wing5 goeng6

Folha de lembrança (brochura sem selo) da emissão comemorativa do 120.º Aniversário do Nascimento do Dr. Sun Yat Sen, lançada pelos  Correios e Telecomunicações de Macau a 12 de Novembro de 1986.
FOLHA LEMBRANÇA SUN YAT SEn 12-11-1986O sobrescrito do 1.º dia de circulação, com o seu motivo e a reprodução do selo e a obliteração de 1.º dia.
O selo tem o valor facial de 70 avos.
FICHA TÉCNICA SUN YAT SEN 12-11-1986

Os dados técnicos em português, inglês e chinês

… O Dr. Sun Yat Sen está ligado a Macau por diversas formas e em diferentes fases da sua vida. Já seu pai se sentira atraído pelas luzes da cidade de Macau – ou a Baía da Deusa (Amak ou Amagau), como era conhecida então – pois, os cerca de quarenta quilómetros que separam a aldeia de Ch´oi Hang de Macau davam para ver, ao longe, o seu brilho cativante. Aprendiz de alfaiate em Macau, conseguidas algumas economias, o pai do Dr. Sun Yat Sen regressou à sua aldeia natal onde a experiência adquirida num mundo diferente lhe faz granjear vantagens. Não era habitual regressar-se do «outro lado». Mas o pai de Sun Yat Sen fê-lo e há quem interprete esse regresso como um traço de firmeza de carácter e sentido de família. Há mesmo quem admite que Sun Yat Sen herdou essas qualidades de seu pai.
Sun Yat Sen passou por Macau pela primeira vez com 12 anos, mo mês de Maio de 1878, para apanhar o barco que o levaria até ao Hawai ao encontro do seu irmão de seu pai.
Regressou de Hawai em 1883, com 17 anos. Nesse espaço de tempo, a semente de revolta germinara nele como fermento em massa. Já não era o jovem obediente e tímido. Vibrava com as injustiças e a escravatura a que o povo chinês estava sujeito pelos senhores manchus. …(…)
Mais tarde, mo Outono de 1892, com 26 anos e terminado o curso de medicina, decide vir estabelecer-se em Macau.
É ele mesmo que diz: «Acabado o curso de medicina, comecei a exercer a profissão em Macau e em Cantão. Foi em Macau que iniciei a minha carreira a e a minha vida de revolucionário. Ao longo de vários anos, quando não tinha aulas sempre viajava entre Hong Kong e Macau fazendo propaganda revolucionária sem medo nenhum.»
Começa a trabalhar, como médico, no Hospital Kiang Wu. Para o normal exercício da sua actividade clínica, com dinheiro emprestado, constitui a primeira farmácia Sino-Ocidental e procura modernizar os métodos tradicionais utilizados no Hospital.
Foi o Sr. Ung Jit Mei que serviu de fiador ao empréstimo por 5 anos contraído no Hospital Kiang Wu no valor de 2000 yun moeda de prata na altura…”
Manuel Coelho da Silva.