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O Beco da Rede começa na Calçada da Barra, entre os prédios n.ºs 13 e 15 e termina na encosta da Colina da Penha. Este toponímico deriva de outro desaparecido, chamado Ponte da Rede, ali em frente.
“A 2 de Dezembro de 1828, o mandarim Tso-Tang, de apelido Fom, publicou um edital, dizendo que os chinas anciãos de Macau lhe haviam representado «que o Portuguez Leiria na Ponte da Rede mandou fazer hum muro, que cercou o quadro, em que se pretendia fabricar a torre da Fortuna, (1) pelo que indo em pessoa indagar, achei ser verdade todo o referido na representação deles. Por tanto além de ter eu mandado ao Procurador para mandar parar a ditta obra; ordeno tbem a vós todos os pedreiros, e picadores de pedras, que não façaes mais obra naquele terreno, nem leveis para ali mais pedras, com cominação de serdes agarrados, e castigados»
Supomos que o português Leiria é Hermenegildo António Leiria, natural de Lisboa, filho de José António Leiria e de Maria de Jesus; casou em 3 de Março de 1829 com Eugénia Maria Inácia Cortela, filha de António Joaquim Cortela (falecido a 1-06-1842) e de Ana Josefa de Azevedo (falecida a 21-01-1830), neta paterna de Lourenço Baptista Cortela (2) e de Mariana Muniz da Rosa (falecida a 5-11-1788) e materna de Bernardo Manuel de Azevedo e de Inácia Vicência Gomes.
Hermenegildo António Leiria morreu afogado em 1 de Agosto de 1836, à vista de Macau, pelo naufrágio do navio Suzana, onde ele vinha (3)”(4)
(1) ”2-12-1828 – O tchó-t´óng proibiu os pedreiros de continuarem a construção dum muro, propriedade do português Leiria, na Ponta da Rede, por essa obra vir a cercar dum terreno, onde os chineses pretendiam edificar a Torre da Fortuna” (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
(2) Da família Cortela. Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/12/noticia-de-12-de-maio-de-1806-vulto-ilustre-de-macau-do-seculo-xix-joao-francisco-rodrigues-goncalves/
(3) Este registo de óbito em S. Lourenço não está correcta segundo Jorge Forjaz: faleceu «no naufrágio do dia 31 de Agosto de 1836 sucedido ao navio Suzana aonde vinha de passagem o qual Navio deo a costa nas praias de Nameam em Sanchoão em que o dito Leiria enterrado » segundo o escrivão Gonçalves no Livro dos Termos das Eleições.»FORJAZ, Jorge – Família Macaenses, Volume II, 1996.
(4) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997.

Em 7 de Dezembro de 1836, o Governo Português, pela pasta de Marinha e Ultramar, decretou que nas províncias ultramarinas se imprimisse um Boletim, cuja redacção ficasse a cargo do secretário do governo. Dois anos mais tarde, cumpria-se em Macau esta determinação, aparecendo em 5 de Setembro de 1838 o Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor, sendo impresso na Tipografia Macaense, oficina do Dr. Samuel Wells Williams (1). Segundo o mesmo Decreto de 7 de Dezembro de 1836, art. 13.º, o Boletim destinava-se ao aparecimento das ordens, peças oficiais e de tudo o mais que fosse de interesse público; a portaria circular de 14 de Fevereiro de 1855 determinava que nesse se publicassem os documentos mais importantes existentes nos respectivos arquivos. (2) Suspendeu-se a publicação após cinco números, reaparecendo no ano seguinte em 8 de Janeiro de 1840, e continuando (com algumas interrupções) até hoje, assumindo posteriormente diversos outros nomes similares:
O Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor (5 de Setembro de 1838);
Boletim do Governo de Macau;
Boletim do Governo da Província de Macau e Timor;
Boletim do Governo de Macau e Timor;
Boletim da Província de Macau e Timor;
Boletim Oficial do Governo da Província de Macau e Timor;
Boletim Oficial do Governo da Província de Macau (2 de Janeiro de 1897)
Boletim Oficial da Colónia de Macau (7 de Janeiro de 1928)
Boletim Oficial de Macau. (7 de Julho de 1951)
(1) Esta tipografia pertencia ao Dr. Samuel Wells Williams, mas figurava como gerente Manuel Maria Dias Pegado para cumprir as formalidades da lei.
O Dr. Samuel Wells Williams (1812-1884) missionário protestante, linguista e sinologista americano (autor de livros e dicionários inglês- chinês e chinês-inglês e um dos primeiros dedicados ao dialecto cantonense em 1856; primeiro professor nos Estados Unidos da literatura e língua chinesa em 1877) (3)  foi editor de 1848 a 1851, da excelente revista «Chinese Repository» que principiou a publicar-se em Cantão e depois de 1842 até 1844, a revista (volumes XI e XII) foi editada em Macau, com excepção do número correspondente a Dezembro de 1844, por esta revista ter passado a ser impressa em Hong Kong. (4)
Manuel Maria Dias Pegado (1805 – ? ) fundou três jornais em Macau: o semanário «Gazeta de Macao» cujo primeiro número saiu a 17 de Janeiro de 1839 e terminou a 29 de Agosto de 1839, após 32 números; «O Portuguez na China» em 2-10-1839 (durou até até 1843); o «Procurador dos Macaistas» em 06-03-1844 (até 2-09-1845) . É irmão de Guilherme José António Dias Pegado, (1803-1885) professor de Matemática na  Universidade de Coimbra, professor de Física da Escola Politécnica e deputado às Cortes em sucessivas legislatura a começar em 1834,  pelo círculo de Macau)
(2) Retirado de «Breve História do Boletim Oficial» em:
http://bo.io.gov.mo/galeria/pt/histio/boletim.asp
(3) Dois dos livros publicados em Macau
WIILIAMS, S. Wells – Easy lessons in Chinese: or progressive exercises to facilitate the study of that language specially adapted to the Canton Dialect . Macau, printed at the office of The Chinese Repository, 1842, 282 p.
Disponível para leitura em
https://books.google.pt/books?id=djnPbjYGHFIC&printsec=frontcover&source=gbs_ge_summary_r&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false
WIILIAMS, S. Wells – An English and Chinese Vocabulary in the Court Dialect.  Macau, printed at the office of The Chinese Repository, 1844, 440 p.
Disponível para leitura em:
https://books.google.pt/books?id=RQOSGIumLUQC&printsec=frontcover&source=gbs_ge_summary_r&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false
(4) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/the-chinese-repository/

Faleceu a 14 de Julho de 1870, dum ataque repentino que o privou dos sentidos, o padre Jorge António Lopes da Silva, nascido em Macau, em 8 de Maio de 1817. Foi muito estimado por toda a população, tendo recebido, em Manila, aos 24 anos de idade a sagrada ordem de presbítero. Na volta a Macau, regeu a cadeira de Português, no Colégio de S. José e abriu, em sua casa, uma escola, donde saíram alguns padres e muitos guarda-livros. Foi depois convidado, pela Câmara Municipal para exercer a cadeira de professor de liceu, que fora então aberto, em Macau (1)
Não foi professor de liceu pois não havia ainda liceu em Macau. O Senado de Macau convidou a 14 de Abril de 1847 o Padre Jorge António Lopes da Silva para ser um dos primeiros mestres da futura Escola Principal de Instrução Primária. (2) O Padre respondeu a 27 do mesmo mês que aceitava ser um dos mestres das primeiras letras com o ordenado de 350 patacas anuais, pondo no entanto as seguintes condições: 1) levar consigo os meninos que estudavam em sua casa; 2) os requerimentos para admissão deveriam ser dirigidos não a ele, mas ao Senado; 3) que se alterasse o horário de inverno, pois o tempo do meio-dia às 2 horas lhe parecia curto para descanso de professores e alunos”, O Senado concordou e o Padre Jorge foi nomeado director e mestre da Escola Principal de Instrução Primária que foi inaugurada a 16 de Junho de 1847. A Escola ficou instalada em metade das casas do Recolhimento de S. Rosa de Lima. (3) (4)
A 14 de Junho de 1847, dois pretendentes oficiaram ao Senado: José Vicente Pereira oferecendo-se para mestre de inglês e francês dessa escola e John Hamilton pedindo-lhe um lugar de professor; a 22 de Novembro de 1847, o Senado comunicou ao Padre Jorge a nomeação de José Pereira e perguntando-lhe se carecia de mais outro professor. A Escola compreendia 3 cadeiras: uma de ensino primário, a cargo de Joaquim Gil Pereira, outra de português a cargo do Padre Jorge Lopes da Silva e outra de inglês e francês a cargo de José Vicente Pereira (3)
Apesar do seu limitado pessoal chegou a ter mais de 300 alunos.
Em fim de 1853, o Padre Jorge António Lopes da Silva pediu a demissão de director e mestre da escola. (5) Para a direcção da Escola foi nomeado o Padre Vitorino José de Sousa Almeida (6) que ficou só um ano pois o Senado teve de o despedir, ou por ter achado nele inaptidão ou por sua severidade pois que no cabo de um ano, estava deserta a aula das línguas portuguesas e latina.

Planta da Colónia Portuguesa de Macau
1870
Desenhada  por M. Azevedo Coutinho (7)

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(2) A 27 de Janeiro de 1847, o Senado de Macau oficiou a José Vicente Jorge, Francisco António Pereira da Silveira, Francisco João Marques e Padre António José Victor, comunicando-lhes que haviam sido nomeados para fazer parte duma comissão a fim de elaborar um plano de educação para a mocidade deste estabelecimento. A Escola Principal de Instrução Primária foi fundada pelo Senado de Macau por meio de uma subscrição pública. O  Senado comunicou a João Maria Ferreira do Amaral, governador de Macau entre 1846 e 1849, a 17 de Fevereiro de 1847 que
deliberou com os eleitos das freguesias  solicitar dentre os moradores abastados desta Cidade
Huma subscrição, cujo produto incorporado ao Capital agora existente de $ 5 000 (doado pelo inglês james Matheson feita a Adrião Acácio da Silveira Pinto, governador de Macau de 1837 a 1843), constitua hum fundo capaz de produzir hum rendimento, que junto  ao que este Senado agora despende com a sua escola de primeiras letras seja sufficiente para cubrir as despezas de huma Escola Principal de Instrução Primária: e na qual … se ensine também as línguas Ingleza e Franceza, cujo conhecimento he hoje reconhecidamente de suma utilidade, senão indispensável neste pais”. (3)
(3) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982
(4) Em Abril de 1849, a escola foi transferida para o Convento de S. Francisco; mas a 28 do mesmo ano, o Conselho de Governo comunicou ao Senado que, tendo de aquartelar nesse convento a força auxiliar vinda de Goa, a escola devia ser mudada para outro lugar; regressou então ao Recolhimento. (3)
(5) Segundo artigo publicado no «Echo do Povo» n.º 68 de 15-07-1960, o Padre Jorge Lopes da Silva rdeixou a direcção que ocupava porque obrigaram-no a aceitar o vicariato de S. Lourenço. Foi portanto, nomeado pároco de S. Lourenço e a 5 de Fevereiro de 1866, foi nomeado Governador do Bispado. O Padre Jorge Lopes da Silva foi nomeado em 1867 presidente duma comissão encarregada de estudar as necessidades da Santa Casa de Misericórdia, nomeadamente do recolhimento das raparigas abandonas à porta da Santa Casa, que levou posteriormente ao decreto do Governador José Maria da Ponte e Horta à abolição da Roda dos Expostos da Santa Casa, a 2 de Fevereiro de 1867.
(6) Padre Vitorino José de Sousa Almeida chegou a Macau a 2 de Janeiro de 1832 no Novo Paquete. Foi pároco de S. Lourenço de 1842 a 1852. (3)
(7) Ver referência a este Capitão em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/22/noticia-de-agosto-de-1952-clube-militar/

Um artigo publicado em 1866 no “The Illustrated London News” (1) intitulado

EXTERIOR AND INTERIOR OF THE THEATRE AT MACAO”

Baseado em duas pinturas de Eduard Hildebrandt (de 1842), (2) o redactor do artigo tece considerações sobre o funcionamento dum teatro chinês (será mais um “AUTOCHINA”) (3) com palco armado ao que parece na Barra à frente do templo de Á Má.

“THE THEATRE AT MACAO” por  E. HILDEBRANDT (4)

“INSIDE OF THE THEATRE AT MACAO” por E. HILDEBRANDT

(1) «The Illustrated London News», 1866, 17 MARCH 1866, p.264
(2) Ver anteriores referências a este pintor alemão Eduard Hildebrandt  (1818-1869):
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/04/noticia-de-4-de-fevereiro-de-1865-baile-e-ceia-no-teatro-d-pedro-v/

“A-Ma Temple, Macao” gravação duma pintura de Eduard Hildebrandt (1818-1869)

(3) “Chama-se em Macau auto china ao tradicional teatro chinês em que se representam cenas da história antiga e da mitologia do país. Consta de canto e palavras rítmicas, com acompanhamento de instrumentos e tantãs típicos “(BATALHA, Graciete Nogueira – Glossário do Dialecto Macaense, 1977)
(4) A mesma pintura em diversas publicações está referenciada como

“Macao, Theater Sing Song”

VIEW OF MACAO
A panorâmica da baía da Praia Grande vendo-se à esquerda o Forte de Nossa Senhora da Penha de França (demolido em 1892) (1), a meio, a Fortaleza de S. Paulo do Monte e à direita, a Fortaleza de Nossa Senhora da Guia.

Este desenho foi publicado, em 1842, no “The Illustrated London News” (2) acompanhado com uma informação: carta enviada de Macau por um oficial inglês relatando a expedição britânica na chamada I Guerra do Ópio entre 1839 e 1842.
(1) GRAÇA, Jorge – Fortificações de Macau, 1984.
(2) O primeiro jornal ilustrado semanal do mundo, publicado em Londres, com desenhos (não havia ainda fotografias) que se publicou regularmente desde 1842 até 1971 e depois sem periodicidade regular até 2003 (data final da publicação).
https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Illustrated_London_News

 Em 31 de Maio de 1832, iniciou-se a publicação periódica, em Cantão (Guangzhou), da excelente revista «The Chinese Repository», contendo valiosos estudos sobre os assuntos chineses, entre outros, sendo editor o missionário protestante (norte-americano) Dr. Elijah Coleman Bridgman (1) (até 1847 quando deixou Shanghai, no entanto continuou a ser colaborador, com os seus artigos). Sucedeu-lhe como editor James Granger Bridgman até Setembro de 1848, data em que Samuel Wells Williams passou a ser editor. A colecção desta revista constitui um valioso repositório de artigos sobre a história, literatura e costumes chineses O último número data de Agosto de 1852. Entre os anos de 1842 e 1844 (volumes XI e XII), a revista foi editada em Macau, com excepção do número correspondente a Dezembro de 1844, por esta revista ter passado a ser impressa em Hong Kong. Depois de Hong Kong, passou novamente a ser impresso em Cantão. Ao todo com XX volumes, o «The Chinese Repository» foi uma das primeiras revistas publicadas por estrangeiros, na China e considerado o primeiro maior jornal de Sinologia.
Era mais dirigido aos missionários protestantes que trabalhavam na China elucidando-os da história e cultura chineses, assuntos correntes e documentação de relevo para os seus trabalhos. Foi reimpressa por Maruzen Co Ltd., em Tóquio (2)
(1) Elijah Coleman Bridgman (1801-1861) foi o primeiro missionário americano na China tendo chegado a Cantão em 19 de Fevereiro de 1830 (aí recebido por Robert Morrison). Foi autor da primeira história dos Estados Unidos em língua chinesa. Foi o intérprete/tradutor do primeiro tratado entre os Estados Unidos e o Governo chinês na Dinastia Qing.
https://en.wikipedia.org/wiki/Elijah_Coleman_Bridgman

(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.

https://en.wikipedia.org/wiki/The_Chinese_Repository

https://ia801407.us.archive.org/28/items/chinesereposito10unkngoog/chinesereposito10unkngoog/ 

Logo no primeiro volume (Volume I – de Maio de 1832 a Abril de 1833) contém várias referências a Macau:
Macao settlement ……………………………………………………….400
Macao, actual state of its commerce, public buildings & c … 403
Macao,   population of, &c………………………………………….. 404
Portuguese in Siam ………………………………………………………22
Portuguese in China …………………………………………………….398
Spanish trade at Macao ………………………………………………….403
St. Joseph´s college, at Macao ………………………………………… 406
Xavier, Francis ……………………………………………………265, 427
Review of an historical sketch of Portuguese……………….398, 425
Poderá consultar os XX volumes em
http://fig.lib.harvard.edu/fig/?bib=000129070
https://ia801407.us.archive.org/28/items/chinesereposito10unkngoog/chinesereposito10unkngoog/

“No dia 5 de Outubro de 1939, foi inaugurado o edifício do Hospital de S. Rafael que já existia desde 1569 (1) e fora reconstruído em 1640, 1747 (2) e 1766 (3), depois de devidamente restaurado e com grandes beneficiações”. (4)

Havia uma lápide à entrada:

5 de Outubro de 1939
Este hospital foi mandado reconstruir no ano de 1938 pelo Governador da Colónia
o Exmo. Sr. Artur Tamagnini  de Sousa Barbosa
Que conseguiu para a Santa Casa da Misericórdia
Os fundos necessários.
As obras iniciadas em Agosto de 1938
Sendo Provedor Manuel Beja Corte Real e Mesários
Paulino António da Silva
Mário de Barros Pereira
Pedro Nolasco da Silva
Januário Agostinho d´Almeida
e concluídas em Setembro de 1939
Sendo Provedor Alexandre dos Santos Majer e Mesários
Paulino António da Silva
Mário de Barros Pereira
Pedro Nolasco da Silva e João Tavares de Sousa.
Projecto do Engenheiro civil
João Canavarro Nolasco da Silva
Director clínico do Hospital:
Dr. Jacinto Vargas Moniz”

 Pe. TEIXEIRA A Medicina em Macau - Hospital S. Rafael 1974Hospital de S. Rafael em 1974 (5)

Nessa reconstrução de 1938-39, as casas que a Mesa da Misericórdia mandara construir (6 casas de aluguer) na esplanada do hospital foram arrasadas, restituindo-se ao hospital a sua antiga esplanada.
A «Maternidade Dr. Soares» foi mantida e renovada e ampliada (o Dr. José Caetano Soares foi o anterior director sendo substituído pelo Dr. Jacinto Vargas Moniz) , a velha consulta externa foi ampliada criando-se consultas de especialidade de gravidez e de ginecologia, olhos, rins e vias urinárias. A «Ambulância» foi completamente reformada tanto no seu material como na sua orgânica. A ala cirúrgica ficou com um  «Bloco Cirúrgico Artur Tamagnini de Sousa Barbosa» (duas salas de operações, duas salas de anestesia, dois arsenais cirúrgicos, uma sala de esterilizações). Foi criado um laboratório de análises clínicas e um gabinete de raio X com equipamentos modernizados. Foi criado o balneário para os hospitalizados e doentes da consulta externa que necessitassem banhos terapêuticos.

Pe. TEIXEIRA A Medicina em Macau - Hospital S. Rafael antigoAntigo Hospital de S. Rafael (antes da reconstrução)(5)

Em 1787, o pé do hospital civil, tinha um compartimento para os militares (hospital militar com um cirurgião e quartos pata três oficiais, para oito subalternos e uma enfermaria para 80 soldados). O médico do Hospital dos Pobres era sempre o médico do Partido Municipal e uma das cláusulas do contrato determinava que ele prestava serviço gratuito no Hospital das Misericórdia. Em 1834, o Hospital dos Pobres chamava-se hospital civil para o distinguir do militar.
Em 1855, o governo determinou que fosse extinta a enfermaria militar do Hospital mas os doentes militares só a 6 de Junho de 1857 é que passaram para o Convento de Santo Agostinho. Em 1872 começou a construção do Hospital Militar de Sam Januário.

Pe. TEIXEIRA A Medicina em Macau - Relação do pessoal Hospital S. Rafael 1938Relação do pessoal do Hospital de S. Rafael em 1938 (5)

(1) “O estabelecimento devia então ser o «Hospital dos Pobres» e embora  a referência mais antiga seja só de 1591 (nas notas de lançamentos das verbas testamentarias do  escrivão da Misericórdia, António Garcez), o Hospital é anterior a 1591 e para a fundação pertencer a D. Melchior Carneiro haveria que datá-la, o mais tarde, de 1583, que, sem dúvida, sabe-se foi o ano em que ele morreu(SOARES, José Caetano – Macau e a Assistência,1950).
Segundo o Padre Teixeira, o Hospital dos Pobres foi fundado por D. Melchior Carneiro (o hospital dos cristãos) em 1568 baseado em dois testemunhos coevos e irrefragáveis. ( TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, Vol. I-II, 1974).
(2) Acta  de 1747: «Sendo provedor Luiz Coelho, diz este, que o hospital dos enfermos que esta Santa Casa tem se acha totalmente arruinado principalmente a capela… e também, a enfermaria, onde os enfermos existem por ser logar imundo e incapaz de poder ficar criatura humana» Existia uma lápide4 à entrada do hospital em que se lia “Este hospital da Santa Caza de Misericórdia Mandou fazer Luis Coelho sendom provedor no anno de 1747”
(3) Em 1766, sofreu nova reconstrução e posteriormente em 1840, (fizeram-se obras, aumentando-se um andar, ficando concluídas em 1842), sendo provedor Filipe José de Freitas. Foi nessa altura que sobre o portão principal se colocou um nicho coma  estátua de S. Rafael e as palavras MEDICINA DEI. Foi portanto desde então que passou a ser conhecido por Hospital S. Rafael.
(4) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(5) TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, Vol. I, 1974