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Extraído de «O Occidente» XXXIV-1186, de 10 de Dezembro de 1911, p.271
NOTA: a foto com canto inferior direito não é do biografado

Adolfo Ferreira Loureiro (1836-1911), militar, engenheiro, escritor, poeta e político, bacharel em Matemática em 1856 na Universidade de Coimbra e em Engenharia Civil em 1859. Entrou na escola do Exército, em 1858, onde seguiu carreira militar. Em 1883, foi em Comissão à Índia Britânica, a Ceilão, Singapura, China e Macau.

Veio para Macau, em 1883, como Capitão de Engenharia e Major do Estado Maior, no cumprimento da missão de assorear o porto de Macau, tendo elaborado o grande projecto dos aterros do porto interior (posteriormente o projecto foi alterado por diversas vezes). O trabalho desenvolvido em Macau foi elogiado, recebendo do Leal Senado (1884) a honra de ter o seu nome num arruamento executado entre 1882 e 1883 (1) (2)

Em Macau, desenvolveu interessantes apontamentos acerca da cultura e sociedade chinesa. Acresce que contactou e privou com várias personalidades da época, nomeadamente com Demétrio Cinatti, Capitão do Porto de Macau e, com Eduardo Marques, reputado sinólogo e intérprete da Procuratura dos Negócios Sínicos de Macau. Apoiado pelo Partido Progressista, foi eleito Deputado para Legislatura de 1890, pelo 1.° Círculo Eleitoral de Macau, de que prestou juramento a 15 de Janeiro de 1890, e, na Legislatura de 1890-1892, representou o referido Círculo Eleitoral como Deputado da Legislatura anterior, até ao dia 27 de Maio de 1890.

Foi autor de mais de duas dezenas de publicações de carácter literário e profissional, mas destacou-se com o seu diário de viagem, «No Oriente – De Nápoles à China (diário de viagem). Lisboa, 1896-1897: Imprensa Nacional, 1896. – 2 v.

Com referência a Macau, publicou: 1 – Porto de Macau. Ante-projecto para o seu melhoramento. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1884. – 286 p. 2 – Estudos sobre alguns portos commerciaes da Europa, Ásia, Africa e Oceania. Coimbra, 1885, 2 vol. 3 – Macau e o seu porto. Conferência na Sociedade de Geographia de Lisboa. Lisboa, 1896.

PLANTA da bacia geral dos rios Si-Kiang, Peh-Kiang e Han-Kiang ou rios do Oeste, Norte e de Este, desde a sua origem até desembocarem no mar da China pelos estuários de Cantão e do Broadway [Material cartográfico]: Nº 1 / Extrahida da planta da Província de Cantão, levantada por I. G. Lörcher e completada pelas cartas da China de I. Perthes e de Williams; Assumpção lith.  [Coimbra: Imprensa da Universidade, 1884]  – 1 mapa LOUREIRO, Adolfo Ferreira de, 1836-1911; ASSUNÇÃO, António José Saldanha, 1850-1900, litog. http://rnod.bnportugal.gov.pt/rnod/winlibsrch.aspx?

Loureiro demonstrou ainda envergar uma postura crítica relativamente à posição política de Portugal em Macau por altura do incidente subjacente à notícia da revolta de Cantão em Setembro de 1883, sem contudo deixar de mencionar que o seu próprio país, por falta de tratado com a China, não tinha ali cônsul para proteger o macaísta envolvido. Manifestou-se face ao sistema do mandarinato revelando e reforçando a ideia da própria singularidade de Macau. A abordagem à corrupção e ao suborno é inevitável e também o sistema judicial e penal mereceu acutilantes apontamentos críticos. A questão da pirataria mereceu-lhe uma especial atenção já que a estes marginais se referiu com frequência, fazendo referência ao episódio do White Cloud, embarcação que garantia a viagem Macau – Hong Kong – Macau.” (3)

Planta da PENÍNSULA E PORTO DE MACAU com as sondagens levantadas em 1884 e com o projecto do caes interior, molhe da Taipa, docas da ilha Verde e Praia Grande, dique da Taipa e revestimento marginal entre a Ilha Verde e Pac-Siac [Material cartográfico] / [Adolfo Ferreira de Loureiro]; gr. Samora. – [Coimbra: Imprensa da Universidade, 1884]. – 1 Planta, 5 folhas com informação hidrográfica, 1 folha com perfis e alçados. LOUREIRO, Adolfo Ferreira de, 1836-1911; SAMORA, Júlio César Júdice, 1845-post. 1913, litog. http://purl.pt/17239/service/media/pdf

(1) ”Macau deu o nome de Adolfo Loureiro a uma via pública. O projecto de Loureiro ficou apenas no papel, apesar das instâncias de Macau junto do Governo Central . Assim em 1891 subiu ao Terreiro do Paço um requerimento de 951 habitantes de Macau para se executarem as Obras; mas só 6 anos mais tarde é que de lá se pensou nisso; em 08-08-1903, o Capitão de Cavalaria Carlos Alexandre Botelho de Vasconcelos foi incumbido de sondagens no porto. Então o Governo dispôs-se a executar o plano de Loureiro, mas nada feito.” TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997, p. 408

(2) 羅利老馬路 – Estrada de Adolfo Loureiro: começa na Avenida Sidónio Pais e termina no cruzamento da Estrada de Coelho do Amaral com a Rua da Restauração. Executada em 1882/1883. CAÇÃO, Armando Azenha – Sankiu in http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30035/2019

(3) https://orientalistasdelinguaportuguesa.wordpress.com/adolfo-loureiro/

Ver Anteriores referências neste blogue de Adolfo Loureiro em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/adolfo-loureiro/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/estrada-adolfo-loureiro/

NOTA: Uma nota biográfica muito completa, em http://www.pianc.pt/pdfs/F2.pdf

Anúncio em inglês de 1920, inserida numa publicação “turística” editada em Hong Kong.

O “Hotel Macao”/ “Macao Hotel” situado no Centro da Praia Grande  com entrada na Rua da Praia Grande n.º 65, tinha uma fachada de três pisos, que dava para a praça da Praia Grande, e proporcionava uma ampla vista panorâmica da zona ribeirinha e da marginal orlada de pinheiros, e uma porta lateral sque dava para  futura Avenida de Almeida Ribeiro. O luxuoso hotel era o preferido dos turistas e comerciantes  abastados e dos convidados oficiais.

Anteriormente chamado Hotel “Hing Kee” (o proprietário do hotel era o sr. Leong Hing Kee / Pedro Hing Kee, grande negociante/comerciante em Hong Kong e em Macau) (1) foi depois remodelado, passando a ser conhecido em 1903, como “Macao Hotel” e depois na década de 20 (séc. XX) “New Macao Hotel” com entrada principal na Avenida Almeida Ribeiro. Após a morte do proprietário, o hotel de novo entrou em obras, permanecendo a entrada pela Avenida Almeida Ribeiro, e reinaugurado com o nome de “Hotel Riviera” de 1928 até 1969, quando foi demolido. Em 1974 erigido no mesmo local o edifício Comercial Nam Tung e depois reconstruído, em 1998 para sede do Banco da China, em Macau.

(1) Pedro Leong Hing Kee (alias Pang Ahim) (segundo algumas fontes, além do chinês, falava francês, inglês e português?) era entre 1870 e 1880, dono de dois hotéis de luxo em Hong Kong “Hong Kong Hotel” e Victoria Hotel” e depois em 1890 fixou-se em Macau,. envolvendo-se  em vários negócios, como por exemplo, negociante de gelo neste anúncio de 1922

Pedro Hing Kee era proprietário do hotel “Hing Kee” (também chamado “Hotel Victória“) , inaugurado em 1880, e em Maio de 1903, vendeu-o por 20 mil patacas a William Farmer. (2) Há uma outra informação que refere ter o Hotel “Hing Kee”, pertencido de 1891 a 1903 a um chinês, rico comerciante do Havai (3)

(2) William M. Farmer, australiano do ramo da hotelaria, veio para Hong Kong em 1890 para trabalhar no “Victoria Hotel” e depois “New Victoria Hotel” que ele comprou, em 1898. Em 1892 associado ao negociante parse, Sr. Madar, adquiriu o “King Edward Hotel”. Nessa década, terá vindo a Macau e achou que era proveitoso investir na hotelaria em Macau e havia só dois hotéis que o satisfazia: hotel Boa Vista e o hotel Hing Kee. Quis arrendar o Hotel-sanatório Boa Vista, mas este foi cedido à Santa Casa da Misericórdia, em 1901, por 80 mil patacas. Comprou o Hotel Hing Kee, em 1903 rebatizando-o como “Macao Hotel”.

 (3) “Quando Chun Afong (1825-1906), um rico comerciante do Hawaii, visitou Macau na companhia do filho no verão de 1891, tentou entrar no Hotel Victoria, mas foi impedido pelo porteiro que lhe explicou que “cães e chineses não eram admitidos”. Chun ficou irritadíssimo e pediu para falar com o gerente do hotel, a quem ofereceu 5.000 dólares americanos pela compra do Hotel. Uma vez adquirido, o hotel mudou de nome e passou a chamar-se “Sei Hoi Fong Un” (o jardim de Fong dos quatro mares).” (“As Ruas Antigas de Macau”, I.A.C.M., 2016,p. 29)

Anteriores referências a este hotel em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-new-maca

Extraído de «O Macaense», IV-1 de 26 de Novembro de 1891, p 4

Postal emitido pela Companhia “Green Island Cement C.º Ltd” de Hong Kong com fotografias das instalações de Hong Kong e da sua fábrica em Macau. (1) (2)
Anúncio de 1912, da mesma companhia, em Hong Kong, onde se encontrava a direcção da empresa, com a lista dos seus funcionários superiores (em baixo)
Extraído de «The Directory & Chronicle of China , Japan… », 1912»
(1) Entre 1882 e 1883, o comerciante chinês Yu Ruiyun fundou a Fábrica de Cimento da Ilha Verde. Por volta de 1886 terá sido vendida a uma empresa americana «Russell & Company» (3) que a revendeu a uma firma inglesa sediada em Hong Kong em 1891.
A Fábrica de Cimento prosperou até carecer de matéria-prima (pedra que deveria vir de Cantão) nos anos 30. Conservando o nome da Fábrica de Cimento da Ilha Verde, mudou-se para Kowloon, Hong Kong, e ainda hoje existe. (SILVA; Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997)
(2) “In 1898 or 1899, the  “Green Island Cement Company Limited” moved to a location on the harbour front at  Hok Yuen, an area in East Kowloon near Hung Hom where  a larger and more fully equipped factory was built. (The Macau “factories”  appear to have continued.)”
http://industrialhistoryhk.org/green-island-cement-company/
(3) “07-05-1886 – Celebrou-se um contrato entre o Seminário de S. José e Creasy Evens (solicitador judicial, representante da firma) que estabeleceu na Ilha Verde a «Green Island Cement Company, Limited», (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
“1886 – Começou a funcionar, na Ilha Verde, a fábrica de cimento, a cargo de comerciantes ingleses que alugaram o local ao seminário de S. José. Tinha adjacente a produção de tijolos e de cal; além de servir Macau também exportava. Decaiu só quando, cerca de meio século mais tarde, deixou de receber matéria prima de Cantão. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995)
08-02-1926 – Rescisão do contrato de arrendamento do terreno a sul da Ilha Verde com a área de 13.335 m2 feito a favor “The Green Island Cement Co Ltda”  (F.A.C. – Processo 15162 a 15175)
http://www.macaudata.com/upload_files/book/1065/p-163.html
1936 – Faliu a Companhia de Cimento que, por contrato celebrado pelo sr. Creasy Evans, com o Seminário de S. José, se estabelecer na Ilha Verde (SILVA; Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997)
NOTA: 1917 – A Rua do Hospital depois Rua de Pedro Nolasco da Silva, pavimentada nesta data pelas Obras Públicas, foi a primeira a utilizar, na sua pavimentação, cimento vindo da fábrica da Ilha Verde.  que começara a operar, por mão de ingleses, em 1886.

POSTAL –  Fábrica de cimento na Ilha Verde
Editor: M. Sternberg, c. 1900

O jornal «O Independente» de 5 de Novembro de 1892, anunciava a demonstração aeronáutica do Sr. Leo Hernandez, que já tinha actuado em Hong Kong (1) e de lá viria  até Macau para em Dezembro realizar uma ascensão às 9 horas da noite, elevando-se à altura de sete mil pés. O aeróstato (2) que se denominava Telegraph, tinha de largura 150 pés e de altura 75 pés e era iluminado por 500 luzes.
O mesmo jornal, de 24 de Dezembro, noticiava o seguinte: “Realizou-se na tarde de segunda -feira última a ascensão aeronáutica do sr. Leo Hernandez, partindo do campo do Lawn Tennis. (3) O aerostato elevou-se a uma altura considerável e tinha percorrido no sentido horizontal uma grande distância quando se viu desprender-se dele o pára-quedas com o auxílio do qual desceu o aeronauto, vindo a cair no mar em frente da vertente sueste da montanha da Guia, com espanto dos que presenciavam a queda. Leo Hernandez dirigiu-se em seguida a nado até uma das lanchas que estavam naquele sítio e que o recolheram, tanto a ele como ao pára-quedas e ao balão.
Foi escassa a concorrência dos espectadores no local da ascensão; mas os montes vizinhos viam-se apinhados de curiosos, que não se arrependeram de ali terem ido assistir ao espectáculo.
O mesmo jornal voltava a noticiar no dia 31 de Dezembro:
Fez no último sábado a sua ascensão; mas desta vez não lhe foi possível abrir de todo o pára-quedas, vendo-se obrigado a descer com o balão.
O pior é que o sr. Hernandez por duas vezes expôs em Macau a sua vida sem que levasse consigo um avo, tendo gasto nesta cidade todo o produto dos espectáculos.
Comenta Beatriz Basto da Silva: “Não se pode dizer que foi um sucesso, nem pelo que o aeronauto ofereceu, nem pelo produto  do espectáculo que esperava receber” (4)
NOTA: «O Independente» foi fundado em Agosto de 1868 por José da Silva (redactor, proprietário e responsável)  com uma periodicidade quinzenal, até 30-04-1874,  passando a semanal a 7 de Maio de 1878. Este periódico foi suspenso por diversas vezes, o que aconteceu em Julho de 1890 e em Novembro (17) de 1894, sendo retomada a sua edição em Julho (18) de 1891 e em Setembro (12) de 1897, respectivamente. O Padre Manuel Teixeira indica 24 de Julho de 1898 como a data do final desta publicação.
A 17 de Janeiro de 1889, por motivos de saúde, José da Silva passa o jornal a seu filho, Constâncio José da Silva (nº1, vol. 1) A 18 de Julho de 1891, José da Silva volta a aparecer como redactor principal. O seu redactor foi diversas ocasiões espancado, multado e preso por artigos publicados no seu jornal. Frequentemente criticava actos da administração pública e inseria diatribes contra pessoas particulares e contra os Jesuítas. (http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/25639/2/tesemestculturaesociabilidades000103700.pdf)
(1) O jornal “The Hongkong Telegraph de 10 de Novembro de 1892  anunciava o espectáculo aéreo do mexicano Leo Bill Hernandez, em Hong Kong..
ANÚNCIO da exibição de Leo Hernandez“Leo Mexican Bill Hernandez, acrobat and aeronaut, would ascend from the West Point Praya. Then from the trapeze platform of his brilliantly illuminated balloon Mexican Bill would fire signal rockets from amid the clouds. The climax of his show had him floating to the ground on a fiery parachute – advertised as a stunt never done before.
The cost to the Inner Enclosure was $HK1; Outer Enclosure .50 cents; soldiers, sailors and children half price. With the 9pm deadline approaching gate receipts exceeded $HK100 – a considerable amount for the time!”
Informação retirado de Chic´s Webs: “Kai Tak -The Prior Years”
http://www.chingchic.com/kai-tak—the-prior-years.html
ANÚNCIO Balão von Charles
O aérostato apresentado no anúncio é do tipo “Balão von Charles” também conhecido como “Charlière”,  desenhado (1783) pelo físico Jacques Charles (1746-1823)
(2) Aeróstato – balão que se enche de ar aquecido ou de gás mais leve que o ar atmosférico e que por isso se eleva e se sustém na atmosfera. (http://www.priberam.pt/dlpo/aer%C3%B3stato)
Podem existir balões de voo livre, em que a deslocação é feita através da impulsão externa das correntes atmosféricas, e balões cativos, que não se deslocam, estando permanentemente presos ao solo.
(3) Clube de Ténis Civil de Macau localizado na Avenida da República n.º
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.

O edifício do Hotel Boa Vista (após 1936, Hotel Bela Vista), debruçado sobre o Bom-Parto e a baía de Bom Pastor, terá sido construído em 1870 para residência da família Remédios e foi no ano de 1890, registado como Hotel, passando a ser propriedade do Capitão Inglês William Edward Clarke. (1)
Foi inaugurada como unidade hoteleira europeia a 1 de Julho de 1890 (2) e a gerência do Hotel manteve-se na família Remédios: L. M. Remédios e sua esposa Maria Bernardina dos Remédios, de 1891 a 1894. (1)

Hotel Boa Vista MAN FOOK 1907O HOTEL BOA VISTA (Foto de MAN FOOK), 1907

Embora o Hotel Boa Vista esteja registado no Registo Predial com a data de 1900 (n.º 5 431 (3), já em 18-11-1899, estava inscrito no Livro do Tabelião Serpa, como pertencente ao Capitão da Marinha Mercante Inglesa William Edward Clarke e mulher, Catherine Hannack Clarke. (1)
A 11 de Novembro de 1899, Clarke e sua esposa hipotecaram o hotel por $ 15 000,00 à “Hong Kong , Canton and Macau Steamer C.º” (onde Clarke trabalhava como capitão); essa quantia foi paga a 21 de Novembro de 1901. Quando o Governador da Indochina Francesa quis comprar o hotel, para aí instalar um sanatório militar e naval, (para a convalescença dos funcionários civis e militares que eram atacados de febre paludosa) “levantou-se tamanha celeuma na imprensa e no parlamento inglês que o governo português se viu obrigado a expropriá-lo para aplacar as iras do leão britânico” (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I). O governou expropria o edifício e vende-o à Santa Casa da Misericórdia por 80 mil patacas.
(1) Não é certo que tenha sido proprietário em 1890 pois em Março 1891, Maria Bernardina dos Remédios aparece em assentos documentais como proprietária do Hotel para reclamantes perante o novo Regulamento de Décimas e Impostos, e em 31 de Maio de 1891, no Processo n.º 339/G, regista-se um recurso interposto ao Conselho da província por Maria Bernardina dos Remédios, após pedido de redução verbal apresentado por Maximiano António dos Remédios e não atendido, contra a Junta de Lançamento de Décimas, que desatendeu a sua reclamação em relação ao valor locativo do Hotel Boa Vista. O Conselho de Província atendeu, em 13 de Junho do mesmo ano, baixando das $750.00 para $ 500.00, por ser tratar de uma unidade hoteleira incipiente (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995).
(2) O jornal «Hong Kong Daily Press» do dia 4 de Julho de 1890, «acaba de aparecer uma importante contribuição para as instalações hoteleiras de Macau. O Hotel Boa-Vista, belo e novo edifício com 20 quartos, situado na Baía do Bispo, (4) frente ao Mar do Sul, foi aberto a 1 de corrente… (…). Mrs Maria Bernardina dos Remédios passou a ser apenas gerente” (TEIXEIRA, Pe.M – Toponímia de Macau,  Vol. II)

 Hotel Boa Vista 1910HOTEL BOA VISTA, 1910

(3) Registo Predial N.º 5431 (Ano de 1900): prédio urbano denominado Hotel Boa Vista e dependências sito na freguesia de S. Lourenço, Rua do Tanque do Mainato,(5) tendo a sua entrada principal o n.º1 de polícia …(…) É formado principalmente , pelo Hotel Boa Vista, que abre para esta Rua do Tanque do Mainato e mais cinco terraplenos, ligados por escalas de pedra servindo de jardins, com árvores e duas casetas. Ao fundo do lado do mar tem três tanques pequenos de pedra, dos quais um está arrasado, bem assim a muralha que cercava nesse sítio a propriedade. Tem o valor venal de vinte e cinco mil patacas segundo mostra a escriptura de compra e venda donde se extraiu esta descripção a fls. 47v do Liv. 25 de notas do Tabelião em 18 de Novembro de 1899.(TEIXEIRA, Pe. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I.)
(4)”Havia a praia de Cacilhas, na base do Ramal dos Mouros, hoje totalmente coberta pelo Reservatório, a Praia da Guia onde se erguia a antiga Chácara do Leitão, a Praia do Bom Parto, a Praia do Bispo, onde nadavam os ingleses do Hotel Bela Vista, outro hotel de serviço europeu, e a Praia do Tanque do Mainato, estas duas últimas na baía do Bom Pastor que vai da curva de Bom Pastor à ponta de Santa Sancha” . ” Onde hoje está o Ténis Civil, ficava estão a Baía do Bispo.” “O Tanque do Mainato ficava entre a Baía do Bispo e a Vacaria do Vaz ou Leitaria Macaense, a qual ocupava a área atrás da antiga casa da Obra das Mães.” (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I)
(5) O edifício do Hotel Boa Vista, depois Bela Vista, fica na rua do Comendador Kou Ho Neng antes chamada Rua do Tanque do Mainato ( durante séculos com esse nome por haver ali um tanque onde os mainatos lavavam a roupa. No próprio jardim do Hotel Boa Vista havia outrora três tanques de pedra que depois foram tapados). (TEIXEIRA, Pe. M. – Toponímia de Macau, Volume I).  Hoje, residência oficial do cônsul Geral de Portugal em Macau.

Encontrei esta pequena notícia no “Diário Illustrado”, (1) de 28 de Janeiro de 1891, sobre a canhoneira «Diu» (2) que levava uma guarnição de Lisboa para Macau, com escala em Moçambique.

Canhoneira Diu

Não consegui encontrar mais informações sobre esta guarnição.

(1) O jornal «Diário Illustrado» circulou em Portugal de 1872 a 1911.
(2) A canhoneira «DIU» foi construída nos estaleiros do Arsenal da Marinha, em Lisboa, em madeira, com 729 toneladas de deslocamento e foi lançada à água em Lisboa em 27 de Agosto de 1889. Com os seus 45,6  mts de comprimento; 8,4 m boca e 3,38 m calado, estava equipada com 1 máquina de T. E. de 700 H. P. – 1 veio de 11,5 nós.

Canhoneira DIU 1889-1913Canhoneira “Diu” (1889-1913)

 Prestou serviço em Macau, Japão, Timor e Moçambique (tomou parte na campanha contra o Gungunhana) e serviu na Índia. A guarnição era composta por 110 homens.
Tinha como armamento 2 peças de 105 mm.; 2 de 65 mm; 2 de 47 mm; 1 de 35 mm; 1 metr. De 6,5 mm. Em 1913 foi dada por inútil.
Informações retiradas de :
http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2012/07/marinha-de-guerra-no-sec-xix-1.html   
http://www.forumdefesa.com/forum/viewtopic.php?p=29359
NOTA: referências anteriores a esta canhoneira no meu blogue em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canhoneira-diu/

No Diário Ilustrado (Portugal) de 22 de Janeiro de 1891, um anúncio:

“Recebendo carga para Hong Kong e Bombaim para o vapor inglês LANFRANC que sairá de Lisboa para Liverpool (directamente)”

Anúncio de 1891 Diário IlustradoA empresa “Garland Laidley & C.ª”, actualmente só “Garland” continua a ser umas das companhias de transporte de carga em Portugal, com o nome “Transportes Internacionais e Logística – Grupo Garland”

                   

 

 COMPILAÇÃO ALPHADABETICA DO REGULAMENTO GERAL

DA

ADMINISTRAÇÃO DA  FAZENDA

E DA

CONTABILIDADE PUBLICA

NAS PROVINCIAS ULTRAMARINAS

APROVADO POR DECRETO DE 7 DE NOVEMBRO DE 1889

POR

LEONEL CARDOSO

1.º Escripturario da Repartição de Fazenda

Provincial de Macau e Timor

 

MACAU

TYPOGRAPHIA MERCANTIL

1891

 

O livro é dedicado “Ao Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Arthur Tamagnini de Abreu da Motta Barbosa, 1.º Oficial da Administração Militar e Inspector de Fazenda na Província de Macau e Timor, como prova de muita consideração e verdadeira estima“.
Assina o “auctor”,  “Macau, 29 de Março de 1891
Este exemplar, já sem capa de rosto, tem 97 páginas + 1 de “errata” (21,5 cm x 13,7 cm), e tem uma assinatura ilegível na 1.ª página.
Como o título indica e o autor afirma na introdução:
“Pouco valor tem ella em si, porque apenas a co-ordenei, tendo em mira com este trabalho a economia de tempo, capital assás precioso, de que tanto carece o funccionalismo de fazenda do ultramar, pois que frequentes vezes tem que compulsar a legislação em vigor e resolver difficuldades que surgem a todo o momento nos variados ramos de administração da fazenda…”