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Edição Fac-similada da “Amplificação do Santo Decreto” (1) do Imperador Yongzheng, (2) versão portuguesa e compilação de  Pedro Nolasco da Silva ( Chefe da Repartição Técnica do Expediente Sínico de 1885 a 1892) inserido no 2.º volume do seu livro (edição de Autor, 1903, Tipografia Mercantil, Macau) “Manual da Língua Sinica Escripta e Fallada. Primeira Parte – Língua Sínica Escripta”
Do “PREFÁCIO” assinado por António Aresta, transcrevo:
Sob a capa de um manual escolar de língua sínica escrita, anódino e igual a tantos outros, podem encontrar-se inesperadas surpresas.
É o que sucede com a “Amplificação do Santo Decreto”, onde a para de um didactismo exemplar se empreende a pedagogia de uma ideologia, a pedagogia do neo-confucionismo, cujo remoçado fascínio permanece até à actualidade.
A “Amplificação do Santo Decreto” é um verdadeiro manual de instrução cívica, ética e política, obedecendo aos parâmetros da mais pura ortodoxia confuciana, destinado ao povo chinês (…)
O “ Santo Decreto”, santo com o significado de sábio, foi originalmente redigido prelo imperador Shunzhi, (3) o fundador da dinastia Qing, tendo sido sucessivamente amplificado ou desenvolvido por seu filho Kangxi (4) e por seu neto Yongzheng . Assim, o mesmo corpo doutrinal, o “Santo Decreto”, manteve-se em vigor durante dois séculos. (…)”
Da “INTRODUCÇÃO” de Pedro Nolasco da Silva, retiro o seguinte:
Em 1671, KANG-HSI, segundo imperador da actual dynastia tartara-manchú, publicou um decreto contendo 16 máximas, sendo cada uma escripta com 7 carateres chinezes; e em 1724, YUNG-CHÂNG, filho e sucessor de KANG-HSI, publicou um comentario d´essas 16 máximas, sob o título de Amplificação do Santo Decreto (Xâng-Iu Kuang-hsun).
É este o livro que escolhemos para exercício de traducção, não só porque está escripto em estylo moderno, elegante e claro, mas também porque n´elle se contém um esboço interessante e instructivo dos princípios da moral chineza. (…) “
(1) Amplificação do Santo Decreto do Imperador Yongzh:eng, edição fac-similada da versão portuguesa e organização de Pedro Nolasco da Silva. Prefácio de António Aresta, Fundação Macau, 1995, 145 p., 26,5 cm x 18,5 cm x 1 cm, ISBN: 972-8147-47-3
(2) Imperador Yongzheng (1678-1735) Imperador de 1723 a 1735 – 雍正帝mandarim pinyin: yōngzhèngdì; cantonense jyutping: jung1 zeng3 dai3.

(3) Imperador Shunzhi (1638-1661) Imperador de 1644 a 1661. 治帝mandarim pinyin: shùn chí dì; cantonense jyutping: seon6 ci4 dai3.

4) Imperador Kangxi, (1654-1722) – Imperador de 1661 a 1722. 熙帝帝– mandarim pinyin: Kāngxīdì; cantonense jyutping: hong1 hei1 dai3.

Ver anteriores postagens com as “Máximas do Imperador Kangxi” extraídas deste livro em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/imperador-kangxi/
NOTA: sobre Pedro Nolasco da Silva ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/pedro-nolasco-da-silva/

Continuação do testemunho de Francisco de Carvalho e Rego (1) (2)
De ali, pela tortuosa rua do Gonçalo, apertada e estreita, era o visitante conduzido até à calçada do Governador, por onde vinha dar à “Praia Grande”. E, chegado ao fim da Calçada, à direita tinha o edifício das Repartições Públicas, e à esquerda o pequeno edifício dos Correios, ao lado do qual se mostrava em suas arcadas, tão próprias da arquitectura das cidades cosmopolitas do oriente, o “Hotel Macau” modesto e simples, onde o velho inglês Farmer (3) e sua família recebiam acolhedoramente os hóspedes.
Aquele que viesse encomendado ao “Hotel Bela Vista”, ao deixar a ponte-cais, dirigia-se pela Calçada do Gamboa à Rua do mesmo nome e, seguindo pela Rua do Seminário, entrava no Largo de S. Lourenço, alcançando a Penha pela Rua do Pe. António  e Rua da Penha, indo dar ao chamado Chôc-Chai-Sat  onde , no referido Hotel, era recebido pelo velho Vernon, (4)  que, de há muito, explorava, na Colónia, a indústria hoteleira.

A residência de Verão do Bispo da Diocese (final da década de 40, século XX)

Mas não eram estes os hotéis recomendados aos funcionários chegados à Colónia, porque os seus preços eram elevados. Para estes funcionários era mantido pelo velho Mami o “Hotel Ocidental” modesto e pouco dispendioso e que, situado também na Praia Grande, oferecia ao visitante a mesma vista agradável, que lhe era apresentada nos outros hotéis.
A Praia Grande tinha os seus encantos: bela vista sobre as águas; passeio à beira-mar; brisa do mar, sombra das árvores e a música aos domingos, à noite, que tocava em frente do palácio do Governo e às quintas-feiras no jardim de S. Francisco.
Os únicos meios de transporte, que havia, eram o rickshaw e, a cadeirinha, espécie de palanquim transportado por dois ou quatro homens.
Era a Praia Grande pavimentada a macadame e o resto da cidade quase todo calçado à portuguesa.
Viam-se na Praia Grande as residências dos Primeiros e Segundos Condes de Sena Fernandes, de Carlos Pais da Assunção, de Luís Aires da Silva, do Major Aurélio Xavier, do General Garcia, José Ribeiro, Simplício de Almeida, Dr. Álvares, Constâncio José da Silva, Alexandrino de Melo, da Família Eça, do Capitão Carneiro Canavarro, etc.
E algumas viviam os chineses Lam-Lim, Chou-Sin Ip, Li-Kiang-Chin, Chan-Fong e outros.
(1) Extraído de REGO, Francisco de Carvalho e – Macau … há quarenta anos in «Macau». Imprensa Nacional, 1950, 112 p.
(2)Anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/08/10/leitura-macau-ha-cem-anos-a-chegada-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/08/16/leitura-macau-ha-cem-anos-a-chegada-ii/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-de-carvalho-e-rego/
(3) O Sr. Farmer comprou o “Hotel Hin-Kee” em Maio de 1903, para transformá-lo no “Macao Hotel”, porque não conseguiu, como era seu desejo, arrendar o Hotel sanatório “Boa Vista”, que em 1901 foi expropriado pelo governo e cedido/vendido  à Santa Casa de Misericórdia por 80 mil patacas.
(4) O súbdito francês A. A. Vernon tinha um projecto de contrato de jogos em Macau em 1909 mas não chegou a concretizar por não ter tido a autorização do Director-Geral da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar. Em 1910 é-lhe concedida licença para a circulação de automóveis em Macau e solicita idêntica autorização de Cantão em 1911 para poder encarregar-se de transportes viários entre Macau e Qiang Shan (Casa Branca para os portugueses)   A. Vernon geria o “Hotel Boa Vista” (arrendado à Santa Casa de Misericórdia) e queria trespassá-lo em Janeiro de 1913 para G. Watkins mas não foi aprovado pelo Governo. Depois de vários outros posteriores arrendamentos (o Liceu de Macau esteve aí instalado até passar ao Tap Seac) o Governo compraria em 1923 o Hotel à Santa Casa de Misericórdia por 82 585 patacas.

Foi a 13 de Setembro de 1903 que o Padre José António Gomes, então Pároco de Santo António, (1) fundou nesta igreja a benemérita «Obra do Pão dos Pobres», (2) cujo jubileu se celebrou no dia 13 de Setembro de 1953, com toda a solenidade. O 50.º aniversário da fundação do Pão dos Pobres em Macau foi um dia de duplo agradecimento: a Sto. António pelos inumeráveis favores dispensados a todos os benfeitores dos seus pobres; e a todos os benfeitores desta simpática obra de caridade. Socorreu milhares de lares indigentes, continuando no ano de 1953 a minorar a fome a 200 famílias com os dez picos de arroz que lhes distribui mensalmente, além de outras esmolas particulares em dinheiro. (3) Em 1955, a acção benéfica alargava-se para 250 pobres, na sua maioria chineses e concedia esmolas, no valor de $150,00 a pobres a quem o arroz não era distribuído.

O altar do Pão dos Pobres na igreja de Santo António (1953)

Durante os 50 anos (1903 – 1953), o Pão dos Pobres de Santo António distribuiu o elevado número de 17.790 picos de arroz, estendendo também por vezes a sua caridade aos pobres das suas missões da China.
O cofre colocado na Igreja Paroquial representava a maior fonte de receitas da Ora. Tinha um letreiro com uma indicação: “pão dos pobres”. O cofre rendia, em média, mensalmente a quantia de $300,00, pelo que com as ofertas generosas de algumas pessoas, não era preciso recorrer-se a peditórios. Outra fonte da receita provinha da Comissão Central de Assistência Pública que contribuía para esta Obra a soma de $166,66 mensais. Também o soldo de Santo António, (4) como Capitão da Cidade, concedido pelo Leal Senado das Câmara de Macau, na importância de $1.200,00anuais, revertia integralmente a favor desta Obra.
(1) O aparecimento da «Obra do Pão dos Pobres» deveu-se ao Reverendo Dr. António José Gomes, sacerdote ligado às iniciativas no campo do apostolado missionário e caritativo, pois a Santa Infância e as leprosarias muito ficaram a dever a este homem. Em 1953 era pároco o padre José António Monteiro. Após o seu falecimento ficou o Cónego Manuel Pinto Basaloco.
(2) A Obra Pão dos Pobres nasceu e cresceu em Toulon (França), sob os auspícios de Santo António e rapidamente se estabeleceu em um grande número de cidades da França, depois em Itália, Espanha, Portugal e outras nações da Europa. e depois em todos os continentes. Esta obra, em Macau, encontrava-se agregada à Paróquia de Sto. António e a sua administração estava a cargo do respectivo pároco.
(3) Recebeu dos seus generosos amigos e benfeitores, durante o mesmo período, a avultada soma de $ 187.421,43, contribuição sobretudo dos católicos macaenses e chineses.
(4) É muito remota a origem da concessão deste soldo, talvez se remonte às origens desta cidade. É curioso notar que este soldo esteve interrompido durante três anos, pelos meados do último quartel do século XVIII. Por esta altura pesadas tribulações caíram sobre Macau, o que levou o povo a considerar a crise como castigo pelo corte do soldo a Santo António. O que é certo é que o Senado se viu na contingência de lhe mandar «assentar a sua praça com o vencimento de Capitão da Cidade».
Informações e fotos retiradas de «Macau B. I.»,  1953 e 1955.

Hoje, dia 23 de Agosto celebra-se a festa litúrgica de Santa Rosa de Lima. Amanhã dia 24, do ano de 1617, (precisamente 400 anos ) assinala a morte de Isabel Flores y Oliva, que ficou conhecida como Santa Rosa de Lima, mística da Ordem Terceira Dominicana,canonizada pelo Papa Clemente X em 1671 e a primeira santa nativa da América e padroeira do Peru. (1)

Painel numa coluna á entrada da Catedral Metropolitana de Buenos Aires, tirada em 2016

Em Macau, desde cedo o nome de Santa Rosa de Lima ficou ligada à educação principalmente para órfãs e meninas.
1.º Havia o Recolhimento de Santa Casa da Misericórdia cuja primeira referência aparece num termo do Senado de 26 de Dezembro de 1718 em que atribuía a este Recolhimento a sustentação das Meninas orphaans filhas de Portuguezes , q com o beneplácito do Procurador e mais Irmãons da casa, se fará nella hum recolhimento co mais huma S.ª grave p.r Mestra das Orphaans”
O Recolhimento foi fundado em 1726 sendo provedor de Santa Casa António Carneiro de Alcáçova; foi aprovado por João de Saldanha da Gama, vice-rei da Índia, “com a clausula de que haverá no d.º Recolhimento uma Mestra, que possa ensinar às Orfas as artes de que necessita uma mulher para governar a casa.”
Em 1737, a Santa Casa fechou o Recolhimento por falta de dinheiro. Em 1792, foi fundado por D. Marcelino José da Silva, bispo de Macau (1789-1808) um Recolhimento ou casa de educação para meninas órfãs”. Mais tarde esta Casa tomou o nome de Recolhimento de Santa Rosa de Lima. Em 1848, foi instalado na Casa das 16 colunas (posteriormente Instituto Salesiano) sob a direcção das filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo, que no ano seguinte o transferiram para o extinto Convento de S. Agostinho; dali passou para o Mosteiro de S. Clara em 1857; mas em 1865, essas Irmãs saíram de Macau.
Em 1875 o governador José Maria Lobo d´Avila (portaria n.º 23 de 18-02-1875) determinou o seguinte: “ Tendo sua Majestade por decreto de 2 de Outubro de 1856 anexado o recolhimento de Santa Casa Rosa de Lima ao Mosteiro de Santa Clara, a fim de poder ali crear-se uma casa d´educação para o sexo feminino…(…)… Attendendo  a que é de toda a conveniência o acabar o estado excepcional em que ficou o recolhimento de Santa Rosa de Lima depois da extinção de mosteiro de Santa Clara, devendo segundo a letra do supracitado decreto crearse ali uma casa d´educação para o sexo feminino. “

Colégio de Santa Rosa de Lima anexo ao antigo Convento de Santa Clara em 1956

A direcção e administração directa do Colégio era exercida por uma comissão, mas a inspecção ficava a cargo do governo. O presidente era um prelado diocesano, sendo vice-presidente o juiz de direito, e os restantes membros: dois cidadãos nomeados pelo governador (sendo um deles tesoureiro) e um capelão que servia de secretário.
O ensino ministrado nesse colégio era o elementar, ou instrução secundária que compreendia: línguas, portuguesa, francesa e inglesa; história sagrada; desenho; música de canto e piano; educação física; higiene e economia doméstica.
A pedido do bispo D. António Joaquim de Medeiros ( bispo de 1884-1897),  as Irmãs Canossianas (Filhas Canossianas da Caridade) tomaram conta desse Colégio em 1889, dirigindo-o até 1903.
Em 17 de Novembro de 1903, as Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria que haviam instalados em Macau, no Mosteiro de Santa Clara, em 1903 e começaram a desenvolver trabalho missionário ligado ao ensino passaram também a dirigir o Colégio por ordem do bispo D. João Paulino de Azevedo e Castro (bispo de 1902-1918). Ambos os edifícios lhes foram cedidos pelo Governo juntamente com os bens do antigo Mosteiro e do antigo Recolhimento de Santa Rosa de Lima.
As Irmãs que chegaram a 27-1-1903 eram as seguintes:
Benedicta de S. Joaquim, Superiora (moreu em Tsingtao, 15-11-1921)
Leona du Sacre Coeur (moreu em Macau, 16-03-1956)
Antoine de Brive (moreu em Chefoo)
Edeltrud (morreu  em Macau)
Ambrosina (morreu em Macau, Fevereiro de 1953)
Zélia (morreu  em França)
Mais tarde chegaram as Irmãs Clotilde, M. da Apresentação, M. Chiara, M. Leónia e M. Dismas.
A 30 de Novembro de 1910, (I República Portuguesa) o Governo ordenou a saída das Franciscanas (o Colégio, nesse ano, tinha 130 alunas de diferentes nacionalidades, sendo muitas delas internas) e a escola foi confiada a pessoal leigo a 7 de Janeiro de 1911, ficando reduzida a 40 alunas.(2)
As Franciscanas só voltaram a dirigir o Colégio em 1932.

Pormenor do mesmo painel (2016)

(1) Rosa de Lima (1586 – 1617), nome de baptismo: Isabel Flores y Oliva, beatificada a 15 de abril de 1668 por Papa Clemente IX e canonizada a 2 de abril de 1671, por Papa Clemente X. A Festa litúrgica é no dia 23 de agosto (Calendário Romano) embora seja comemorada a 30 de agosto em Peru. É também padroeira das Filipinas.
Santa Rosa de Lima era muita devota de Santa Catarina de Sena, um dos padroeiros de Macau (declarado pela Vereação do Senado a 2 de Maio de 1646)  e venerada na Igreja de S. Domingos.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rosa_de_Lima
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982.
Ver mais informações sobre o Recolhimento e Colégio de Santa Rosa de Lima em anteriores postagens:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-de-santa-rosa-de-lima/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/casas-de-recolhimento-de-santa-rosa-de-lima/

apostolado-da-oracao-p-teixeira-paroquia-de-s-lourenco“Cincoentenário do Apostolado da Oração no Centro de S. Lourenço” (1)

O Apostolado da Oração tem como finalidade unir‐se aos pensamentos de Jesus (“a verdadeira devoção ao Sagrado Coração”) e rezar pelas intenções do Papa. A partir de 1910, na sequência dos novos decretos do Papa Pio X, o Apostolado da Oração procura favorecer a comunhão das crianças e convida‐as a interceder pela paz durante a guerra europeia e, depois, mundial. Em 1914, no Congresso Eucarístico Internacional, em Lourdes, faz um apelo a “uma grande liga eucarística dos pequenos que suscitará, a começar na infância, um movimento geral para a Hóstia”. Animados pelo Congresso Eucarístico, alguns grupos organizam‐se. Fala‐se de “Ligas Eucarísticas” e de “cruzadas de oração infantil”. Alguns desses grupos vinculam‐se ao Apostolado da Oração. (2)

cruzada-eucaristica-p-teixeira-paroquia-de-s-lourencoCruzada Eucarística no Centro de S. Lourenço (1)

É no seio da Cruzada de Bordéus, fundada a 13 de novembro de 1915 pelo Padre Albert Bessières e Geneviève Boselli, que tem origem a “Cruzada Eucarística” enquanto tal. O secretariado do Apostolado da Oração, com sede em Toulouse, coordena, nos meses seguintes, as atividades das Cruzadas que se desenvolvem em França. Pouco a pouco, a Cruzada Eucarística vai‐se inserindo no Apostolado da Oração e torna‐se a secção das crianças dos 6 aos 14 anos. O lema é “Reza, comunga, luta e conquista” e, mais tarde, “Reza, comunga, sacrifica‐te, sê apóstolo”.
Em 1960, por ocasião do 50º aniversário do Decreto de Pio XI sobre a comunhão frequente, diante de mais de 3200 delegados do Movimento, o Papa João XXIII não pronuncia a palavra “cruzada”, mas utiliza a expressão “movimento eucarístico”. Em 1962 é oficialmente reconhecida a designação “Movimento Eucarístico Juvenil” pela Assembleia de cardeais e bispos de França (2)
d-jose-da-costa-nunes-1880-1976-bispo-1920-40O Bispo D. José da Costa Nunes/高若瑟 (1880- 1976) que chegou a Macau em 4 de Junho de 1903 como secretário particular do Bispo D. João Paulino e ordenado sacerdote em Macau, foi nomeado bispo de Macau em 1920 embora sagrado a 20 de Novembro de 1921 na Matriz da Horta, por D. Manuel Damasceno da Costa, bispo de Angra; deu entrada solene em Macau como bispo em 4 de Junho de 1922 tomando posse da sua diocese. Restaurou o Colégio de Santa Rosa de Lima, a capela de Nossa Senhora da Penha, a Sé Catedral e o Paço Episcopal. Construiu a igreja de Sta. Clara. Entregou de novo o Seminário de S. José aos jesuítas. Fundou várias escolas católicas: «Pui Cheng», «Mong Tak», «Kung Chon» e o Colégio S. José. Como bispo de Macau (1920-1940) fez imensas peregrinações apostólicas visitando as Missões da China, da Índia, do Indostão, de Singapura e Malaca, e as Missões de Timor.
Uma dessas missões foi dias após a cerimónia referida (Cinquentenário do Apostolado da Oração no Centro de S. Lourenço), no dia 14 de Novembro de 1935 , parte para a China voltando a 6 de Janeiro de 1936.
Nomeado pelo Papa Pio XII, Arcebispo de Goa e Damão em 12 de Dezembro de 1940 e Patriarca das Índias Orientais (1940-1953). Elevado a Cardeal em 1962.
(1) Fotos in TEIXEIRA, Pe. Manuel – Paróquia de S. Lourenço. Macau, sem data.
(2) http://www.popesprayer.net/wp-content/uploads/2016/03/01-MEJ_histo%CC%81ria.pdf
Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/08/10/noticia-de-10-de-agosto-de-258-morte-de-s-lourenco-e-leitura-paroquia-de-s-lourenco/

Depois de uma certa inactividade no campo cultural (1) desde o início do século XX por vários motivos entre eles, a diminuição constante do número de sócios por causa da má situação financeira e da tragédia em 1914 (suicídio de João Canavarro, presidente da direcção dos Proprietários do Teatro D. Pedro V, por desfalque), o «Club de Macau», (2) arrendatário do Teatro D. Pedro V, retomou as actividades culturais nomeadamente as representações teatrais, operetas e óperas, muitas vezes aproveitando a passagem de Companhias estrangeiras por Hong Kong e China.
Assim neste dia de 19 de Junho de 1921, a companhia de Ópera Ligeira e Opereta de Daroff e Shtern iniciou a sua temporada em Macau, com «A Viúva Alegre» de Lehar. Os melhores artistas desta Companhia eram os sopranos Glória Charskaia e Rootkowskaia, o tenor Crugloff e os barítonos Daroff e Elin. Tão boa era esta Companhia que, além da «Viúva Alegre», teve de apresentar ainda, nas noites seguintes, no Teatro D. Pedro V, as seguintes operetas: «Os Mistérios de um Harém» de Valentinoff, «Amor de Cigana» de Lehar, «O Conde de Luxemburgo», também de Lehar, «O Rei dos Violinistas » de Kalmann, «Sílvia» de Delibes» «A Princesa dos Dólares» de Leo Fall, o «Pot-Pourri» de Sidney Jones «O Rei Diverte-se», «A Vestal do Deus do Fogo» e «Hadji- Murat». (3) (4)

D. Pedro V - Salão década de 70 (XX)Salão do Teatro D. Pedro V, na década de 70 (Século XX) (5)

(1) Excepto num período muito curto em 1915 em que se passava filmes mesmo sem equipamento adequado, fruto dum contrato entre o Clube de Macau e uma empresa cinematográfica. O «Club de Macau», no dia 05-05-1914, subarrendou o Teatro  à Empresa Cinematográfica representada por Chan Ham Che e Júlio Eugénio da Silva, por um ano, pela quantia de $ 200,00 mensais. Era presidente do «Club de Macau»,  Fernando de Meneses. Este contrato foi desastroso, pois as bancadas ficaram danificadas e o Teatro sujo, vendo-se o clube obrigado a rescindir o contrato antes de findar o prazo (5). Ver anterior referência em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/15/anuncio-de-1922-animato-grafo-macau/
(2) Após a aprovação dos Estatutos da Sociedade Teatro D. Pedro V, em 1887, fundou-se o «Club União»  que arrendou à sociedade o edifício do Teatro para o fim de aí estabelecer o clube do mesmo nome, obrigando-se a dita sociedade a pagar a esta associação 15% dos rendimentos brutos do clube e do Teatro». Em 17 de Dezembro de 1896, o presidente dos proprietários, General Garcia, reuniu-se com Pedro Nolasco da Silva, presidente da Comissão directora do «Club União», e acordaram ambos no contrato de arrendamento do edifício do Teatro ao clube pelo tempo de 10 anos, a contar de 1-1-1897. Porém em 1903, o oficial de marinha, tenente Marta, membro do «Club União», trouxe a desunião e a morte ao seu clube, pois portou-se incorrectamente com a sra. Saturnina Canavarro num baile do clube e foi tal a celeuma que se levantou que o clube teve de fechar. Assim surgiu o «Club de Macau» cujo presidente Henrique Hyndman pediu o arrendamento, nas mesma condições (período de 10 anos) com pequenas modificações cujo contrato foi assinado a 23 de Junho de 1903. Contrato que foi renovado a 5 de Maio de 1913. Esse arrendamento foi prolongado por dez anos em 23-06-1903 e em 05-05-23 renovado nas mesmas condições que o contrato anterior (5)
(3) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História  de Macau, 1954
(4) Não consegui qualquer referência dos artistas referidos, excepto uma pequena nota do barítono (segundo a crítica, excelente) russo Vladimir A. Elin (1888-1958), estudante de música em S. Petersburgo, que numa digressão ao Oriente, depois das Filipinas foi para Austrália em 1927 onde se radicou por vários anos. Depois seguiu para Inglaterra (1932) e por fim emigrou para os EUA (1938) onde além de actuar foi professor de voz.
Um anúncio publicado num jornal australiano “The Register Adelaide, July 24, 1928 ” dum programa radiofónico com este barítono.

MÚSICA- Anúncio Vladimir Elin barítonohttp://trove.nla.gov.au/newspaper/article/57054882

(5) TEIXEIRA, Pe. Manuel – O Teatro D. Pedro V, 1971
Anteriores referências:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/teatro-d-pedro-v/

ANÚNCIO de 1922 - HOTEL NEW MACAO

Anúncio (em português e inglês) do Hotel «New Macao”, em 1922, após “recente renovado e modernizado, com quartos duplos amplos e confortáveis; cozinha excelente e habilmente dirigida; mesas separadas; banhos quentes, frios e de chuva; luz eléctrica profusa; botequins público e privado; e casa de bilhar” e “acomodações de primeira classe para famílais e turistas”
Preços módicos – entre 5 e 8 mexicanas (1)  por dia

1909 Hotel New MacaoFoto de c. 1909, os edifícios dos Correios de Macau (à esquerda) e  do »New Macao Hotel» (à direita), cujas fachadas davam para a Avenida da Praia Grande, em frente ao mar.

Anteriores referências a este Hotel “New Macao Hotel» (inaugurado em 1903) que foi anteriormente “Hotel Hing Kee” (inaugurado em 1880) e depois seria o “Hotel Riviera” em 1928:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-new-macao/
(1) Em 1854, foi determinado que a pataca mexicana passasse a ter curso legal em Macau sendo recebida a par do peso duro ou pataca espanhol, mas em 1929 (Decreto-Lei 17 154) determinou-se  que era ilegal a circulação de qualquer moeda estrangeira  (o Banco Nacional Ultramarino foi inaugurado em Macau em 1902). Sabemos no entanto, que, embora ilegal, continuava a circular outras moedas.
Em 1938 circulava a pataca portuguesa, a nota inglesa de Hong Kong, as notas e a prata chinesa (mais valiosa e melhor aceite)
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4, 1997