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Faleceu o Pe. Jorge António Lopes da Silva, nascido em Macau, em 8 de Maio de 1817. Foi muito estimado por toda a população, tendo recebido, em Manila, aos 24 anos de idade a sagrada ordem de Presbítero. De volta a Macau, regeu a cadeira de português no Colégio de S. José e abriu, em sua casa, uma escola donde saíram alguns padres e muitos guarda-livros. (1) (2)

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p. 193. (2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/07/14/noticia-de-14-de-julho-de-1870-falecimento-do-padre-jorge-antonio-lopes-da-silva-e-a-escola-principal-de-instrucao-primaria/

Extraído de «BPMT», XVI-30 de 25 de Julho de 1870, p. 128

Uma colecção de 12 postais (dimensão do postal: 15 cm x 10,4 cm), no interior duma capa e contracapa (total: 23,2 cm x17,5 cm) intitulada “Património Arquitectónico de Macau / 澳門建築文物 / Architectural Heritage of Macau” contendo desenhos de Ung Vai Meng (do ano de 1983), editado pelo Instituto Cultural de Macau – Departamento do Património Cultural. Impressos na Tipografia Welfare Co-Macau .

Comprado na década de 90 na Livraria Portuguesa

Capa e contracapa
Verso (interior) da capa e contracapa

Apresento três postais desta colecção, desenhos das três mais antigas igrejas de Macau: Igreja de S. Lázaro (1); Igreja de S. Lourenço (2); Igreja de S. António (3)

Do manuscrito do Padre Fr. Jozé de Jesus Maria Arrabino (4)

«Em o seguinte anno de 1558 até o de 69, achando-se já aqui alguns Padres da Sagrada Companhia de Jesus (…) com sua boa assistência e idéa entrarão a formar duas ou três pequenas igrejas de S. Lázaro, S. Lourenço e S. António, e junto a esta (que há dúvidas em qual fosse a primeira) concorrerão para se fazer um comodo hospicio em que os ditos Padres podessem habitar, servindo-lhe de espiritual conçolação, pela indigência de sacerdotes e Ministros que havia, suposto que com brevidade concorreraõ …»

Igreja de S. Lázaro – 聖母堂 – St. Lazarus Church
Ung Vai Meng 4-05-1983
Igreja de S. Lourenço – 老愣佐堂 – St. Lawrence´s Church
Ung Vai Meng 11-05-1983
Igreja de S. António – 聖安多尼堂 – St. Anthony´s Church
Ung Vai Meng  data?

澳門建築文物 mandarim pīnyīn: ào mén jiàn  zhú wén wù; cantonense jyutping: ou3 mun4 gin3 zuk1 man4 mat6

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-lazaro-n-sra-da-esperanca/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-lourenco/

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-antonio/

(4) «Asia Sinica, e Japonica: Macao conseguido, e perseguida» obra póstuma do Padre Fr Jozé de Jesus Maria Arrabino, escrito entre 1744 e 1745, livro IV, e I, p. 76 in TEIXEIRA, Padre Manuel – Macau e Sua Diocese I, 1940, p. 166.

Extraído de «BGC», XXI-244, OUT1945 pp. 133 -138

De Hong Kong vieram para Macau, durante a Guerra do Pacífico, milhares de refugiados portugueses. Os rapazes ficaram privados das suas escolas; quanto à crianças e às raparigas, fácil lhes foi matricular-se nas escolas de Macau, tais como os Colégios de S. Rosa de Lima, do Sagrado Coração, de N. Sra. De Fátima, etc. Os rapazes, porém, não tinham nenhuma escola secundária, onde pudessem continuar os estudos violentamente interrompidos. Foi então que um dos mais categorizados refugiados, Porfírio Maria Nolasco da Silva, sugeriu que se solicitasse a vinda dos jesuítas irlandeses de Hong Kong para abrirem aqui um Colégio Inglês para esses rapazes.

A 27 de Outubro de 1942, chegaram a Macau os PP. Henry O´Brien e Brian Kelly; a 3 de Dezembro de 1942, chegaram os PP. Jeremias McCarthy e Thomas Cooney para com os primeiros iniciarem a escola. McCarthy e Coney instalaram-se na Residência dos Jesuítas da Vila Flor; O´Brien e Kelly no Seminário. A 1 de Janeiro de 1943 passaram os quatro para um edifício que o Governo pôs à sua disposição na Rua de S. Lourenço, (1) ficando superior o Padre O´Brien. A 4 de Janeiro desse ano, inauguraram nesse edifício o Colégio de S. Luís Gonzaga, (2) tendo no dia 18 celebrado, na Igreja de S. Lourenço, a missa do Espirito Santo, acompanhada a cânticos por um grupo de refugiados portugueses de Hong Kong.

Depressa se descobriu que o edifício da Rua Central era inadequado para acomodar o número de alunos que requeriam a matrícula e assim o Dr. Pedro Lobo assegurou muito obsequiosamente um outro edifício para o Colégio da Praia Grande.” (3)

Terminada a guerra em 1945, os refugiados regressaram a Hong Kong assim como os professores e alunos. Os jesuítas também foram para reabrir as suas escolas, encerradas durante a ocupação japonesa (1941-1945)

(1) O Padre Teixeira refere mais adiante que o edifício estava na Rua Central. (3)

S. Luis Gonzaga por Francisco Goya cerca de 1798

(2) Luís Gonzaga S.J (1568 — 1591), jesuíta italiano, Santo da Igreja Católica e patrono da juventude da igreja católica. Em 1729, o Papa Bento XIII declarou Luís de Gonzaga como o santo padroeiro dos jovens estudantes. Em 1926, ele foi nomeado padroeiro de toda a juventude cristã pelo Papa Pio XI. Devido à maneira de sua morte, ele foi considerado um santo padroeiro das vítimas da peste. Por sua compaixão e coragem diante de uma doença incurável, Luís Gonzaga tornou-se o patrono de pacientes com SIDA e de seus cuidadores. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_de_Gonzaga

 (3) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982, p. 350

Vicente de Paulo Salatwichy Pitter (Piter) nascido em Macau, em 10 de Janeiro de 1813 (1) e baptizado em 17 do mesmo mês, (2) (3) (4) faleceu em S. Lourenço a 9 de Julho de 1882. Filho de Pedro Alexandre Salatwichy e Josefa Antónia Favacho.

Extraído de «BPMT», VIII-28 de 15 de Julho de 1882, p. 238

Casou em S. Lourenço em 06-11-1849 com Hermelinda Joaquina Cortela Leiria (15-02-1830/2-08-1855) (5) Deste 1.ª núpcias, teve 4 filhos. Tendo enviuvado casou em S. Lourenço, em 16 de Fevereiro de 1858 com a sua cunhada Eugénia Norberta Cortela Leiria (falecida em 5-07-1902) Deste casamento teve 3 filhos.

Formou-se em medicina na Escola Médica de Goa, praticou na Ala de Medicina do Hospital Real obtendo a carta a 23-04-1839. Regressou a Macau foi nomeado cirurgião ajudante interino do Batalhão de linha e exonerado em 02-05-1865 (OFA n.º 14 de 08-07-1865) conservando no entanto as honras de cirurgião ajudante do mencionado batalhão. Foi também facultativo da superintendência da emigração chinesa.

Extraído de «BGM»,  XI-28 de 10 de Julho de 1865, p. 112

Pelos serviços que prestou gratuitamente às guarnições de vários navios de guerra franceses durante a epidemia de cólera-morbus, que assolou a cidade, foi condecorado com o hábito da Legião de Honra. Mais tarde o governo português agraciou-o com os de Cavaleiros da Legião d´Honra de Cristo e da Conceição e depois de Torre e Espada. («O Macaense, de 13-07-1882)

Ficou com o nome para sempre ligado a um famoso preparado medicinal por ele descoberto e manipulado, o «Sin Cap Dr. Pitter» ou «Chá do Dr. Pitter». (6) Tratava-se de uma infusão de oito espécies (plantas) folhas secas e miudinhas, quase todos específicos contra doenças do tubo digestivo, usados em medicina tradicional chinesa, uma infusão «considerada um bom estomáquico e eupéptico, usava-se como profiláctico, após um chá gordo ou lauto banquete, e era também muito estimada em Macau contra afecções gastro-intestinias de diferentes etiologias»  (6)

NOTA: “Aparentemente o apelido Piter parece ser uma corruptela do nome próprio do pai – Pedro ou seja, Pietro em italiano. Assim, Piter terá funcionado como um autêntico patronímico, logo assumido como apelido em detrimento do próprio apelido original da família.” (3)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/10/noticia-de-10-de-janeiro-de-1813-dr-vicente-pitter/

(2) Segundo Jorge Forjaz (3) foi baptizado em S. Lourenço em 04-01-1813.

(3) TEIXEIRA, Pe. – A Medicina em Macau, Volumes III-IV, 1998, pp.138-142

(4) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume ii, 1996, pp. 464-465

(5) O Dr. Pitter mandou executar uma linda lápide de mármore e alabastro para sepultura de sua esposa que jaz na parede lateral da igreja do Seminário de S. José, à direita de quem entra pela porta principal.

FOTO DO AUTOR 2015

Em cima, em alastro, aparece-nos uma urna encimada pela cruz, com uma caveira e um manto; duas crianças oram junto a uma cruz com uma coroa; na lápide de mármore, estão dois anjos, um com um ramo outro com a coroa do triunfo.(2)

FOTO DO AUTOR 2015

A lápide foi feita em 1860 por A. Bosc, em Nimes, França. Após falecimento em 1855, esteve sepultada no jazigo de família no Cemitério de S. Miguel e depois o bispo autorizou que os ossos fossem transladados para a igreja do Seminário de S. José

FOTO DO AUTOR 2015

(6) “Este famoso chá era ainda preparado em Macau, nos anos 60/70, por D. Maria Tereza Pitter, neta daquele médico. Era vendido em embrulhinhos de papel de seda cor-de-rosa  e apresentava-se sob o aspecto de um pó muito fino , castanho, e fortemente aromático, lembrando o cheiro de limão ou de laranjaAMARO, Ana Maria – Antigas receitas e segredos de Macau. O famoso chá do Dr. Piter e o já esquecido Chá Patrício. Revista da Cultura, Macau, ICM, n.º5, 1988, pp. 25-26 http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30005/1461

Extraído de «Almanach Luso-Chinêz de Macau», 1866

Dia 10 de Agosto é dia de S. Lourenço (São Lourenço de Huesca ou Valência nasceu em 225 e morreu a 10 de Agosto de 258, com 33 anos, martirizado em Roma) (1)

Esboço da Igreja de S. Lourenço , George Chinnery, 1830

Em sua honra, os jesuítas contruíram em meados do século XVI (1558 -1560), a igreja de S. Lourenço, uma das três igrejas mais antigas de Macau (esta, a igreja de S. António e a «igreja matriz» depois elevada a Catedral) A sua aparência actual é o resultado das obras efectuadas em 1846, o levantamento do muro do adro foi feito por Evaristo Lopes em 1869 e a construção e arranjo do jardim foi feito em 1937 por Alfredo Almeida sob as indicações de D. Laura Maria de Guimarães Lobato A Igreja tem uma estrutura neoclássica com um subtil tratamento decorativo de inspiração barroca.

Escadaria da Igreja de S. Lourenço, ao cimo da Travessa do Padre Narciso.(década de 60. Século XX)

«A igreja de S. Lourenço apresenta provavelmente o desenho mais sofisticado e intelectual de Macau e foi desenhada, sem dúvida, por alguém dotado de bom conhecimento de arquitectura, mas não familiar coma s tradições de Macau. Possui, ao mesmo tempo, grande beleza e ostenta na côr e texturas uma harmonia semelhante a qualquer igreja sertaneja da Inglaterra. Mas há certos traços arquitectónicos que revelam firmemente a fisionomia da Península Ibérica. A diferença principal que a distingue de qualquer outra igreja de Macau reside no volume da nave e na completa ausência de naves laterais. Possuiu o tecto mais extenso e ininterrupto entre as mais antigas igrejas de Macau. O edifício salienta-se também por quatro elementos dominantes. A entrada apresenta uma especto fortemente ocidental, formado por duas torres quadradas contendo o campanário e juntando-se à nave dum e doutro lado. O Altar-mor está colocado numa capela absidal, na linha central da composição; existem ainda duas capelas absidais formando assim uma fraca cruz latina à esquerda e à direita da nave. Há dois pequenos alteres colocados na parede à direita e à esquerda do Santuário.

Poço na Rua da Igreja de S. Lourenço, George Chinnery, 1836

Existe outro par de altares semelhantes aos primeiros, situados nas paredes da nave, a cerca dum terço de distância da galeria do coro e da entrada. A Igreja tem anexo um bloco de quartos e salas a ocidente. Tem ainda duas arcadas dos lados norte e sul. Esta composição está habilmente proporcionada e a interpenetração das várias estruturas foi bem executada; as mesmas paredes e a concepção da estrutura, diferente da maioria das igrejas de Macau, indica boa inteligência da qualidade dos materiais usados e das suas limitações. A espessura das paredes, por exemplo, é de três a quatro pés, mas tem conveniente adaptação para nichos, vãos e escadas, sem prejudicar de qualquer forma a sua função de suporte» (2)

(1) São Lourenço foi queimado vivo numa grelha sob um braseiro ardente. Reza a história que Lourenço manteve o bom humor até ao final, dizendo para o virarem, pois um dos lados do seu corpo já estava bem assado. Ele é o santo padroeiro dos diáconos, dos cozinheiros, dos humoristas e de Huesca em Espanha. Este santo costuma ser representado com uma grelha (instrumento do seu martírio) e uma bíblia na mão. Os seus restos mortais repousam na basílica que lhe foi dedicada, S. Lourenço, fora dos muros de Roma. https://www.calendarr.com/portugal/dia-de-sao-lourenco/

Sugiro a leitura do trabalho académico de André Simões em https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/32715/1/2%20Fogo%20l%C3%A1grimas%20Graal.pdf

(2) BRUNT, Michael Hugo – The Parish Church of St. Lawrence at Macao, 1954 p. 110. Tradução do Padre Teixeira, que afirma: este trabalho é «óptimo sob o ponto de vista arquitectónico, deixa muito a desejar sob o porno de vista histórico.»In TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, ICM, 1997, p.93.

Anteriores referências a esta igreja: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-lourenco/

Extraído de «TSYK», III Ano, n.º 29 de 19 de Abril de 1866.

Clotilde Maria Martinho Marques (20-02-1841/ 6-09–1885) casou pela 1.ª vez em Lourenço a 15-04-1866 com William Augustus Read. (1) Deste casamento teve duas filhas, Clotilde Maria Marques Read (da Rosa) e Maria Salomé Marques Read (Leitão). Casou pela 2.ª vez em S. Lourenço a 23-11-1879 com Guilherme Augusto Barreto.

É filha de José Martinho Marques (1810 -1867) que estudou no Colégio de S. José e se especializou em chinês, seguindo depois a carreira de intérprete do Governo de Macau e de várias legações estrangeiras e de Vicência Maria Baptista (1811-1885), casamento em 1835. Tiveram 12 filhos. (2)

 (1)  William Augustus Read – 24 de Junho de 1843 (Clifton, Bristol, Gloucestershire, Inglaterra / 8 de Fevereiro de 1872 (28) São Lourenço, Macau. Filho de Henry Read e Maria Read. Irmão de Lucy Maria Read; Francis Henry Read; Frederick Hamlin Read; Charles Edward Read e Henry Arthur Read (2)

De religião protestante, engenheiro civil que trabalhou nas obras do porto de Hong Kong e depois, funcionário das Obras Públicas de Macau, responsável pelas obras do Porto Exterior. Faleceu em Macau (S. Lourenço) a 8-02-1872. (3) Está sepultado no Novo Cemitério Protestante da Bela Vista na Rampa dos Cavaleiros – campa n.º235 (4)

(2) https://www.geni.com/people/William-Read/6000000002010332548 (3) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume II. (4) TEIXEIRA, P. Manuel – A Voz das Pedras de Macau, 1980

Extraído de «BGMT», XIII-7 de 18 de Fevereiro de 1867,

Genuíno Augusto da Silva (ou Germano Augusto) nascido a 4 de Fevereiro de 1843 (faleceu a 22 de Julho de 1905), negociante, filho de Joaquim António Peres da Silva (1806-1861) e Vicenta Sabina Carneiro (1817-1907) casou na Igreja de S. Lourenço a 17 de Fevereiro de 1867 com Sofia Ricardina do Outeiro batizada com o nome de Sofia Ricarda), nascida a 6 de Dezembro de 1850 e falecida a 15 de Setembro de 1912 (filha de José Maria do Outeiro (Portugal 1820- Macau 1864) e de Maria Antónia Joaquina de Abreu de Silva (1822-1891)
A Maria Antónia Joaquina de Abreu e Silva casou pela primeira vez em 1836 com José de Arriaga Brum da Silveira (1810-1840), filho de Miguel José de Arriaga Brum da Silveira (1776-1824), (1) que deu nome à Avenida do Ouvidor Arriaga e pela 2.ª vez com José Maria do Outeiro. (2)
(1) Ver  anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/miguel-de-arriaga-brum-da-silveira/
(2) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol. II, 1996.

Extraído de «Gazeta de Macau» n.º II de 8 de Janeiro de 1825.

NOTA : sobre este incêndio ver anterior referência neste Blogue em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/12/31/noticia-de-31-de-dezembro-de-1824-incendio-do-convento-de-santa-clara/

Extraído de «A Voz do Crente», Anno I n.º 1 de 1 de Janeiro de 1887
Igreja de S. Lázaro, década de 30 (séc XX)

“D. Melchior Carneiro, chegado a Macau, em 1568, fundou logo no ano seguinte a Santa Casa da Misericórdia, de que foi o primeiro provedor, e os hospitais de S. Rafael e de S. Lázaro. Não se conhece a data certa da erecção da Ermida de Nossa Senhora da Esperança que devido à leprosaria anexa, ficou vulgarmente conhecida pelo nome de Igreja de S. Lázaro. Também não sabemos qual existiu primeiro: se a Ermida ou o hospital de leprosos. Parece no entanto, pelo que dissemos atrás que, juntamente com Santo António e S. Lourenço, a Ermida de N. Senhora da Esperança deve ter sido coeva do estabelecimento dos portugueses em Macau… (…)
Em volta da Ermida, no decorrer dos tempos, foram-se estabelecendo os chineses, havendo já ali em 1818 nada menos que 98 casas de cristãos chineses; para atender aos seus interesses espirituais levantou-se uma capela aproximadamente no local da actual escola de Kong Kan, ficando a Ermida reservada aos leprosos. Tendo o bairro chinês aumentado mais e mais e sendo já insuficiente a pequena capela para os cristãos chineses foi-lhes cedida em 1878, de acordo com a autoridade eclesiástica, a mesma Ermida ou Igreja de N. S. da Esperança com a sacristia e a casa anexa do sacristão, passando o padre china que vigariava aquele bairro a celebrar os actos do culto na dita igreja. Arruinada com o decorrer do tempo, foi esta igreja, por Portaria Provincial n.º 65 de 8 de Agosto de 1885, reconstruída em 1886, de modo a poder estabelecer-se a nova Paróquia de S. Lázaro, sendo nesta ocasião demolida a capela. A nova igreja servia para cristãos e leprosos, assistindo estes aos ofícios divinos num compartimento reservado, gradeado de ferro.
Em 1895 espalhou-se em Macau uma terrível epidemia, provindo um grande número de casos das miseráveis choupanas do bairro chinês; alguns anos depois, foram elas expropriadas, de comum acordo entre o Governador Horta e Costa e o Bispo Carvalho e então o hábil arquitecto Abreu Nunes delineou e executou o plano de ruas do actual bairro de S. Lázaro. Por esta ocasião, foram removidos os leprosos para a Ilha de S. João e as leprosas para Ká Hó, ficando desde então até hoje a cargo do Governo, depois de terem estado a cargo da Santa Casa durante perto de três séculos e meio.”
TEIXEIRA, P. Manuel – Macau e a sua Diocese I, 1940, p.169-171