Archives for posts with tag: Praça Lobo de Ávila

Continuação das aguarelas de George Vitalievich Smirnoff (1) de 1945 que estavam no então «Museu Luís de Camões». (2)

Travessa do Paiva. Aguarela, 1945

NOTA: Travessa do Paiva (3) começa entre a Rua Central e a Rua de S. Lourenço, quase em frente da Rua da Imprensa Nacional (4) e termina na Rua da Praia Grande, ao lado do Palácio do Governo.

Pátio Interior. Rua da Prata. Aguarela, 1945.

NOTA: Rua da Prata (5) começa na Rua de S. José, em frente da rua do Seminário e termina na Rua de S. Lourenço, ao lado da Rua da Imprensa Nacional

Trecho da Calçada do Monte. Aguarela, 1945,

NOTA: A Calçada do Monte começa na Rua de Pedro Nolasco da Silva, ao lado do edifício do Consulado de Portugal e termina junto à Fortaleza do Monte, na Rua dos Artilheiros.

Praça Lobo d’Ávila. Casas Tradicionais. Aguarela. 1945

NOTA: A Praça de Lobo de Avila (6), antigo largo do Chunambeiro, começa na Rua do Chunambeiro e na Rua da Praia do Bom Parto e termina na Rua da Praia Grande, à entrada da Calçada do Bom Jesus.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/george-smirnoff/

(2) http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30026/1863

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/travessa-do-paiva/

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-da-imprensa-nacional-rua-dos-prazeres/

(5) https://www.youtube.com/watch?v=g9QOFkjWlBg

(6) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/praca-lobo-de-avila/

“Festa de arromba, porém, e que ficaria a marcar, foi a que o governador, Visconde de S. Januário deu, no dai 31 de Outubro, para assinalar o aniversário natalício do rei D. Luís, para a qual se tinham efetuado, com a devida antecedência, todos os preparativos, para que nada faltasse ao luzimento que se lhe pretendia imprimir. Era, portanto, esperada com grande ansiedade, na cidade, não se falava noutra coisa, e, efectivamente, a sua realização excedeu toda a expectativa.
Nessa noite, a Praia Grande, desde o largo do Chunambeiro (hoje Praça Lobo d´Avila) até ao quartel do batalhão, mostrou-se garridamente engalanada, sendo uma fita continua de balões multiformes e multicores, e as fachadas das moradias ao longo dessa avenida apresentavam-se primorosamente iluminadas, diligenciando os seus proprietários por se superarem uns aos outros em riqueza de ornamentação, originalidade e bom gosto, sendo de destacar o palácio do Barão do Cercal, que tinha no centro da elegante varanda uma luz eléctrica – autêntica novidade para a época – levando as espias até ao topo do mastro do consulado – era ele cônsul da Itália – balões de variedades cores.

Macau – Praia Grande
Fotografia de John Thomson, 1870 (1)
https://wellcomelibrary.org/item/b11767042#?c=0&m=0&s=0&cv=0&z=-0.3509%2C0.0056%2C1.789%2C0.8411

Na residência de B. E. Carneiro via-se o retrato de D: Luís a óleo, encaixilhado numa cercadura de cristal policromo e lanterninhas de diversas cores dispostas em arco nas janelas.
A varanda de Bernardino de Sena Fernandes. De todas a que mais sobressaía na Praia Grande, estava enfeitada com as letras V. L. I., encimadas por uma estrela, constituindo também atracções que obrigavam os transeuntes a deter-se para as admirar, as residências do Visconde do Cercal, cônsul do Brasil, a do Sr. Garcia e a do cidadão britânico Deacon, cônsul de Portugal em Cantão.
No mar, a iluminação mais surpreendente era a da lancha a vapor dos agentes de emigração, brilhantemente decorada à veneziana, e dois grandes lustres espargiam intensa luz em frente do peristilo do Palácio do Governo
Era tão grande a concorrência nas ruas, que as cadeirinhas – meios de transporte usados nessa época – dificilmente conseguiram prosseguir o seu caminho, obrigadas constantemente a longos compassos de enervante espera.
No Palácio do Governo, com o salão recentemente ampliado e intensamente iluminado por grande profusão de luzes e reflexos de cintilantes cristais dos lustres e candelabros bem como dos grandes espelhos que ornamentavam as suas paredes, iniciou-se o baile, a preceito, com a esposa do Governador de Hong Kong, sir Arthur Kennedy e este com a esposa de Carlos Correa Paes d´Assumpção.
O jardim, onde se armou um pavilhão chinês e se serviam refrescos, estava um brinquinho. As três salas contíguas ao salão do dossel estavam, porém, mobiladascomo nos anos anteriores, mas com mais profusão de luzez, tendo a segunda das salas sido toda forrada de branco e preparada para valsas e polcas. No elegante bufete, caprichosamente ornamentado e disposto, serviam-se, interminavelmente, os mais finos vinhos e gelados.
Lauta e rica fora a ceia com que pelas duas horas de manhã, se banqueteavam os convivas.”
…………………………………………………continua (2)
(1) John Thomson (1837-1921) efectuou a sua primeira visita à China entre 1868 e 1872, registando a vida e os costumes locais através da fotografia. Tirou mais de 200 fotografias obtidas compreendendo tiradas em Macau, Hong Kong, Guangzhou, Shantou, Fuzhou, Xiamen, Taiwan, Shanghai, Ningbo, Nanjing, Sichuan, Tianjin, Beijing e Pequim, entre outros locais.
http://www.gcs.gov.mo/showNews.php?DataUcn=78902&PageLang=P
Ver referências anteriores  em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/john-thomson/
(2) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau, 2010, p.301
Referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/08/leitura-a-vida-em-macau-no-ano-de-1872-i-outubro/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/17/leitura-a-vida-em-macau-no-ano-de-1872-ii-17-de-outubro/

“O Correio Macaense“, V-230 de 17 de Fevereiro de 1888

A “Herbert Dent & Ca.” foi uma empresa em Macau ligada a negócios com a China (seda, chá e  ópio) e por isso, como agentes, ligada às companhias seguradoras e empresas de navegação.
O representante em Macau era D. da Roza (muito possivelmente Daniel Francisco António Campos da Rosa.(1)
A empresa , em 1888, estava na Rua da Sé; em 1910 na Rua dos Prazeres n,º 2 e 4
Em 1910, apresentava-se em Macau como:
No mesmo ano, em Cantão
Herbert Fullartoon Dent foi baptizado a 5 de Fevereiro de 1849 (Londres). Faleceu a 6 de Fevereiro de 1920 com 71 anos de idade. Foi Comissário das alfândegas chinesas (sedas e chás) e fundador da companhia “Herbert Dent and Company”, para comércio com a China (principalmente com o ópio que introduzia em Cantão). Vivia com a família entre Cantão e Macau.(2)
Herbert Fullartoon Dent é da família DENT que fundou “Dent & Co.”  ou “Dent’s” que foi uma das maiores firmas britânicas (rival directa das outras duas mais conhecidas, a «Jardine, Matheson & Co» e a «Russell & Co.»), que com o comércio do ópio com a China, levaram à entrega de Hong Kong e onde depois sediaram e prosperaram.
O seu antepassado Thomas Dent foi o  fundador da firma . Chegou a Cantão em 1823 e com o sócio fundaram a «Davidson & Co».  Em 1824, Davidson saiu e a firma passou a denominar-se “Dent & Co.”. A firma “Dent & Co.” foi à falência em 1867. (2)

“The London Gazette, 9 September, 1921”

Herbert Dent adquiriu o Palacete de Santa Sancha em 1893, aos herdeiros do Barão do Cercal (neta) após o falecimento da Viscondessa do Cercal (em 16 de Dezembro de 1892.) por 8.000 patacas.
Em 1896, teve um processo entre a Administração e o proprietário, Herbert Dent, processo esse que envolveu a Direcção Geral das Obras Públicas, que não cedia que o proprietário murasse a propriedade.
A 28 de Janeiro de 1923, William Herbet Shelly Dent, filho de Herbert Dent vendeu essa propriedade ao Governo de Macau (governador Rodrigo José Rodrigues) por $32.500. Nesse ano 1923, um tufão provocou estragos consideráveis, levando à execução de obras no palácio.

A Chácara de Santa Sancha vista da Penha – c. 1925

(1) Daniel Francisco António Campos da Rosa (1850-1916), comerciante de chá e cônsul de França em Foochow (China). Faleceu em Macau na sua casa da Praça Lobo de Ávila.
FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol III, 1996
(2) http://www.thepeerage.com/p3627.html 

Continuação da publicação dos postais constantes da Colecção intitulada “澳門老照片 / Fotografias Antigas de Macau / Old Photographs of Macao”, emitida em Setembro de 2009 pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau/Museu de Macau (1)

Aspecto do Porto Interior na década de 10 do século XX, (2) – uma ponte-cais de passageiros, muito possivelmente da empresa “The Hong Kong, Canton and Macao Steamboat Company, Ld.” (agente em Macau: A. A. de Mello – Praça Lobo de Ávila (Praia Grande) n.ºs 22-24.
Reparar nos anúncios (lado esquerdo da foto) aos hotéis: “THE MACAO HOTEL” – situated in the centre of praya grande facing the sea”,(3), “ORIENTAL HOTEL” (4) e “HOTEL DE BOA VISTA” (5) e ao cinema: “ VICTÓRIA CINEMATÓGRAFO”. (2)
(1) Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/postais/
(2) Pelo anúncio afixado na fotografia: “VICTORIA CINEMATOGRAFO”, a foto deverá ter sido tirada após 08-01-1910, dia da inauguração desse cinematógrafo (o primeiro em Macau), situado na Calçada Oriental (hoje, Calçada do Tronco Velho)
Ver em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2011/12/28/cinemas-de-macau-i/
(3) Proprietário W.M. Farmer (Rua da Praia Grande n. º 65). Também proprietário do “Victoria Hotel” (em Cantão) e agente em Macau de casas comerciais de Cantão e Hong Kong.

Anúncio de 1912

Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/12/06/leitura-macau-ha-cem-anos-a-chegada-iii/
(4) O “Oriental Hotel” ficava na Rua da Praia Grande. Em 1912 era gerido por M. A. Conceição
東方酒店 mandarim pīnyīn: dōng fāng jiǔ diàn; cantonense jyutping:  dung1 fong1 zau2 dim3
(5)  Hotel de Boa Vista – 海鏡酒店 (“Hou Kiang Tsau Tim” ) , propriedade da Santa Casa da Misericórdia, estava alugada a A. A. Vernon. O Gerente era A. Naris.
Publicitado como “The Sanitarium of South China” na Rua do Tanque do Mainato n.º 1.
Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/04/24/anuncio-de-1904-boa-vista-hotel-sanitarium-of-south-china-macao/
海鏡酒店 mandarim pīnyīn: jiǔ jìng diàn hǎi ; cantonense jyutping: hoi2  geng3 zau2 dim3

Dois anúncios da Firma «A. A. de Mello & C.º» (1) de António Alexandrino de Melo, Barão do Cercal (2), agência comercial portuguesa estabelecida em 1840, na Praça Lobo de Ávila,22 e 24 (à Praia Grande). Era uma agência de “viagens” – agente em Macau das empresas sediadas em Hong Kong, proprietárias dos paquetes que faziam carreira para a Europa, América, portos da China e Japão, com partida de Hong Kong.
A firma «A. A. de Mello & C.º» vendia passagens de Hong Kong para todos os destinos finais (Lisboa, Londres, Paris, Marselha, Vancouver, etc)e portos intermediários na China e no Japão.
ANÚNCIO -1929 - N. Y. K. LineO primeiro anúncio, publicitando a “N.Y.K. LINE” que possuía “ magníficos paquetes com excelentes acomodações, comida à europeia, serviço esmerado. Tinha partidas de Hong Kong, duas vezes ao mês para Marselha (a via mais habitual para seguir depois para Lisboa) e Londres. Tinha também carreiras para Lourenço Marques, Índia, S. Francisco  (E.U.A.), Canadá, Shanghai, Kobe, Yokohama, etc.
A empresa NYK Line (Nippon Yusen Kabushiki Kaisha -日本郵船株式会社 ) é ainda presentemente, uma das maiores  companhias mundiais  de transporte marítimo, com sede em Chiyoda, Tóquio (Japão). Fundada em 1885. Começou em 1924 a utilizar o motor em todos os seus navios de carga e em 1929, em todos os navios de passageiros, embora mantivesse até 1939 alguns dos navios de passageiros mistos (vapor e  motor).
Antes  da Guerra do Pacífico tinha 36 navios de passageiros mas quando a guerra acabou somente sobreviveu um, o “Hikawa Maru“. A partir dos anos 60 (século XX) com a diminuição de passageiros,  começou a operar mais com navios de carga (cargeiros); em 1968 o novo “Hakone Maru” foi o primeiro a efectuar ligação de navio de transporte de contentores do Japão para os Estados Unidos. (3) 
HAKONE MARU 1921HAKONE MARU (1921)
Navio de passageiros, transatlântico de maior classe entre os navios japoneses da época, construído em 1921, era movido a turbina a vapor. Na 2.ª Guerra Mundial/Guerra do Pacífico foi requisitado pelo governo nipónico para transporte de tropas e usado como navio-hospital. Em 27 de Novembro de 1943, aviões B-25 americanos atacaram um comboio marítimo  japonês e o navio de transporte “Hakone Maru” que integrava o comboio afundou-se. (4)
SUWA MARU 1912SUWA MARU (1912)
Construído em 1912, navio de carga e passageiros de 10 927 toneladas (em 1923, restaurado aumentando a tonelagem).
Foi também requisitado em 1940 para transporte auxiliar. Foi torpedeado em Março de 1943 por um submarino americano. Sem possível de reparação encalhou na Ilha Wake (atol Wake, na Micronésia, tomada pelos japoneses em 23-12-1941, aquando do ataque de Pearl Harbor e “reconquistada” pelos americanos em 4-09-1945; presentemente administrada pelos E.U.A.)
O  “Suwa Maru” efectuava a carreira para Marselha e há pelo menos uma indicação que tenha efectuado uma viagem a Lisboa com chegada a 22 de Setembro de 1940 com saía a 30 do mesmo mês. (5)
FUSHIMI MARUFUSHIMI MARU  (1914)
Outro transatlântico de classe superior japonês, construído em 1914, movido a turbina de vapor. Utilizado durante a 2.ª  Guerra Mundial como navio mercante misto de carga e de passageiros , o “Fushimi Maru” foi afundado no dia 1 de Fevereiro de 1943, por um torpedo disparado pelo submarino Tarpon (SS-175 (americano) a 20 milhas ao sul cidade Omaezaki ((御前崎市) (Japão) (6)
HAKOZAKI MARU 1922HAKOZAKI MARU (1922)
Construído em Nagasaki com início a 16 de Dezembro de 1920 e lançado ao mar em 2 de Março de 1922, o “Hakozaki Maru” era um navio (frigorífico) misto de carga e passageiros de 10 413 toneladas (depois aumentado). Integrado num comboio marítimo como transporte auxiliar foi torpedeado, a 225 milhas NNE de Shanghai, pelo submarino americano USS Balao (SS-285) no dia 19 de Março de 1945. O navio cuja carga era gasolina, armamento e torpedos, explodiu e afundo-se. A combinação do fogo, explosões e água do mar a 5 graus significou a morte de 928 passageiros, 51 soldados e 139 tripulantes. (7)
NOTA: a empresa “N. Y. K. Line” tinha também um navio chamado “S.S. Lisbon Maru“, construído em 1919 e lançado em 1920. Ficou conhecido (e má memória para os macaenses) por ter sido usado durante a Guerra no Pacífico como transporte de tropas e de prisioneiros entre a China e o Japão. Foi torpedeado pelo USS Grouper (SS-214), em 1 de Outubro de 1942 quando levava, além da tropa japonesa, quase 2000 prisioneiros britânicos (e macaenses que integravam a defesa de Hong Kong) capturados depois da queda de Hong Kong (Dezembro de 1941). Morreram mais de 800 em consequência directa do afundamento do navio e outros tantos “fuzilados” pelos soldados japoneses quando nadavam procurando salvação.
ANÚNCIO 1929 - CANADIAN PACIFICO segundo anúncio publicitava a “CANADIAN PACIFIC“,  empresa «Possuidora dos afamados paquetes “EMPRESS”»
Efectuava duas “rápidas” viagens por mês de Hong Kong para Vancouver (Canadá), via Shanghai e Japão.
A “Canadian Pacific”  era uma grande companhia de navegação canadiana estabelecida em finais do século XIX. De 1880 até depois da II Grande Guerra, era  a empresa com mais navios a vapor que operava no Atlântico (muitos emigrantes viajaram nestes navios da Europa para o Canadá) e Pacífico.
Os seus navios também foram incorporados nas duas guerras mundiais como navios de carga. Perderam 12 navios durante a 2.ª Guerra Mundial incluindo o afundamento do seu maior navio por um  submarino alemão U-Boot.
Em 1960 devido ao aumento da viagens aéreas, a Companhia passou a transportar contentores. Com este nome, a Companhia terminou em 2001.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/07/16/anuncio-firma-a-a-de-mello/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/alexandrino-antonio-de-melo/
(3) https://en.wikipedia.org/wiki/Nippon_Yusen
(4) http://www.wrecksite.eu/wreck.aspx?109780
(5) http://www.combinedfleet.com/Suwa_t.htm
(6) http://www.wrecksite.eu/wreck.aspx?143913
(7) http://www.combinedfleet.com/Hakozaki_t.htm
(8) https://en.wikipedia.org/wiki/CP_Ships