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Extraído de «BGU» –  XXXIV – 398, Agosto 1958, pp. 198/199

 

Só para os dias 18 e 19 de Fevereiro de 1958 (terça e quarta feira), o Teatro Capitol apresentou o filme “Tarzan Escapes” – “A Fuga de Tarzan”. Não era uma estreia mas uma reposição dado a popularidade dos filmes de “Tarzan” em Macau (1) e por isso, mereceu a emissão de um folheto de cinema, pois o filme é de 1936 ( o terceiro filme da série realizada pela MGM).
capitol-18fev1958-tarzan-escapesUma chamada de ATENÇÃO:
Na sessão das 14.30 horas é permitido entrada para crianças com mais de 6 anos”
cartaz-1936-tarzan-escapesFilme dirigido por Richard Torpe com Johnny Weissmuller e Maurreen O´Sullivan.
O actor, nadador olímpico que interpretou Tarzan em doze filmes a partir de 1932, era o mais popular e aquele que as gerações que o viram (décadas de 40 a 60) ainda o associam ao mito embora Tarzan continua a ser uma atracção óptima para as novas gerações (basta ver as novas versões sobre este tema). Não era considerado bom actor mas como excelente atleta conseguiu emprestar a um mito já consagrado o físico e o estilo exactos para um período histórico concreto (A América da Depressão) (2)
Trailers do filme em:
https://www.youtube.com/watch?v=aXgi08uPqus
http://www.dailymotion.com/video/xvez4z_tarzan-escapes-1936-part-1_shortfilms
http://www.dailymotion.com/video/xveysc_tarzan-escapes-1936-part-2_shortfilms
capitol-18fev1958-tarzan-escapesversoPara o dia 20 e 21 de fevereiro de 1958 (quinta e sexta feira) a reposição de um filme musical de 1952 “Million Dollar Mermaid” (estreado em 23 de Outubro de 1953 neste mesmo Teatro) (3) “A Sereia de um Milhão”; em Portugal “A Rainha do Mar” , espetáculo para maiores de 18 anos, com a actriz Esther Williams, no papel da estrela de natação australiana Annette Kellerman, pioneira em números de “ballet” aquático dentro de um tanque. (3)
cartaz-night-passage-1957Como era habitual o fim de semana (sábado até segunda feira) exibia-se um filme de estreia, neste caso no dia 22 de Fevereiro “O emocionante filme de oeste da U. I. em tecnirama” (4),  “ Night Passage” (“A Travessia Nocturna”) com os actores James Stewart (5) e Eddie Murphy . Filme de 1957, dirigido por James Neilson (inicialmente previsto ser dirigido por Anthony Mann, mas este desistiu do projecto).
(1) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/filmes-de-tarzan/
(2) «O Cinema, enciclopédia da 7.ª arte», Vol I, 1973.
(3) Ver anterior referência a este filme e o respectivo folheto de cinema em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/06/08/folheto-de-cinema-teatro-capitol-vi-esther-williams/(4) O 1.º filme utilizando este processo cinematográfico – technirama.
(5) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/02/01/noticias-de-1-de-fevereiro
https://en.wikipedia.org/wiki/Night_Passage_(film)#/media/File:Night_Passage_-_1957_-_Poster.png

Faleceu, no dia 13 de Setembro de 1955, o marinheiro artilheiro n.º 3945, Mário Martins Valente, do Aviso «Pedro Nunes», vítima de uma submersão acidental. O dito marinheiro, com um camarada seu, quando subiam o portaló do navio caíram à água, tendo o segundo sido salvo e desaparecido o primeiro, apesar da prontidão com que os marinheiros do navio acorreram para o salvarem. O seu cadáver foi encontrado no dia seguinte de manhã, e transportado para o Hospital Central Conde de S. Januário, onde pela tarde se realizou o funeral, saindo da casa mortuária para o Cemitério de S. Miguel com todas as honras da ordenança militar-naval.
O aviso de 2.ª classe «Pedro  Nunes » chegou a Macau a 11 de Fevereiro de 1955 comandado pelo capitão de fragata António da Cunha Aragão .Após este acidente O Aviso «Pedro Nunes» partiu no dia 22 de Setembro desse ano para a colónia britânica de Hong Kong, a fim de receber beneficiações.

aviso-pedro-nunesAVISO PEDRO NUNES (1935 – 1977) (2)

Foi construído no Arsenal de Lisboa em 1934. Depois de servir como aviso de 2.ª classe durante vinte e um anos (sofrendo modernização ao longo dos anos), foi reclassificado como navio hidrográfico, em 1959.
Abatido ao efectivo dos navios da armada em 10 de Agosto de 1977.
O navio apresentava as seguintes características:
Deslocamento máximo:  1 017 toneladas
Comprimento (fora a fora): 70,5 metros; Boca 10 metros e Calado máximo  3,1 metros.
Velocidade: 2 motores diesel MAN de 2400 cavalos =16,5 nós.
Armamento:   2 peças de 120 mm; 4 de 20 mm; 4 morteiros; 2 calhas.
Guarnição:  112 a 139 homens. (2) (3)
cap-frag-jose-m-c-garrido-1899-1976Em Setembro de 1955, era Capitão dos Portos e Comandante da Defesa Marítima de Macau , o Capitão-de-fragata José da Motta Coutinho Garrido (comissão de Setembro de 1955 a Setembro de 1960).
José da Motta Coutinho Garrido (1899 -1976) já anteriormente estivera em comissão de serviço, como Comandante do aviso «Pedro Nunes»  de Março de 1951 a Dezembro do mesmo ano e depois Comandante do aviso «Gonçalo Velho» de Janeiro de 1952 a Março de 1954.  Foi louvado pelo Governador de Macau em Julho de 1956, Março de 1957, Novembro de 1958, Setembro de 1959 e Julho de 1960.(4)
http://cabo-carvoeiro-historico.blogspot.pt/2006/07/quem-foi-o-comandante-garrido.html
Sobre o aviso «Pedro Nunes» ver referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/aviso-pedro-nunes/
(1) «MBI», ano III, n.º 51, 1955
(2) http://www.hidrografico.pt/n.r.p.-pedro-nunes-a-528-1956-1977.php
(3) http://www.forumdefesa.com/forum/index.php?topic=2621.0
     http://www.hidrografico.pt/n.r.p.-pedro-nunes-a-528-1956-1977.php
(4) http://cabo-carvoeiro-historico.blogspot.pt/2006/07/quem-foi-o-comandante-garrido.html

O Horário das carreiras dos barcos de passageiros entre Macau, Taipa e Coloane, de 28 de Julho a 3 de Agosto de 1958, era o seguinte:
Horário das Carreiras dos Barcos Macau-Taipa e Coloane 1958O serviço operado por “Carreira de Barcos de Passageiros entre Macau, Taipa e Coloane” utilizava o cais n.o 7 no Porto Interior de Macau.
A “Carreira de Barcos de Passageiros entre Macau, Taipa e Coloane” foi criada em 1953 para prestar o serviço de barcos de passageiros entre a Península de Macau, Taipa e Coloane. Em 1963, o governo de Macau regularizou o serviço de barco de passageiros por meio de concessão. Como resultado da abertura da ponte Macau-Taipa para o tráfego de veículos em 1974, e a diminuição de passageiros, a Carreira deixou de funcionar em 1974. 
Informações retiradas de : “Tabela de barcos de passageiros que operam entre Macau, Taipa e Coloane de 28 de Julho a 3 de Agosto de 1958″ em
 http://www.archives.gov.mo/pt/featured/detail.aspx?id=82#sthash.s1NwYjJe.dpuf

PORTUGAL COLONIAL, 1937 Hospital MilitarFotografia com a legenda “Hospital de Macau“, publicado na revista Portugal Colonial , em 1937.
Inicialmente denominado Hospital  Militar de Sam  Januário, com início de construção  em 1872 (terraplanagem do  planalto do monte de Sam Jerónimo) (1)  ficou concluído em Dezembro de 1873. O Hospital delineado pelo macaense António Alexandrino de Melo, Barão do Cercal, foi inaugurado a 6 de Janeiro de 1874 pelo Governador Visconde de S. Januário. A construção da empreitada custou 38 500 patacas ( 32,725$000 réis). Além do edifício, fizeram-se outras construções acessórias e em tudo se pode crer não foi excedida a verba de 46 contos. (2)
Em Boletim Oficial de 10 de Julho de 1937 e por iniciativa do Governador Tamagnini Barbosa, o Hospital Geral do Governo toma o nome de Hospital Conde S. Januário.
Este velho Hospital Militar foi demolido, em 1952 (18 /XI/ 1952),  começando a 1.ª das 3 fases da construção do novo edifício (Hospital Central Conde de S. Januário) que demorou até 1958.
(1) 10-08-1872 – Construção do Hospital Militar: início das obras de terraplanagem do planalto.  (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995)
01-12-1872 – Lançamento das primeiras pedras para a construção do Hospital Militar de S. Januário e da Fortaleza 1.º de Dezembro  (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
(2) CARVALHO, Henrique de – Gazetta de Macau e Timor de 10 Dezembro de 1872.
Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hospital-militar-de-sam-januario/

No dia 1 de Agosto de 1893, o jornal “Echo Macaense”(Ching-Hai Tsung-Pao), sob a direcção de Francisco Hermenegildo Fernandes (da Tipografia Fernandes) dava a notícia ( primeiro periódico a abordar este assunto) da presença em Macau do Dr. Sun Yat Sen. Dr. Sun visitara Macau aos 12 anos (1878). Agora já homem feito, regressava vindo de Hong Kong onde completou o Curso de Medicina e aceitou o Baptismo cristão. Apesar das dificuldades, o ilustre médico procurou introduzir o seu raio de acção a medicina ocidental (1)
O Dr. Sun exerceu clínica em Macau, no Hospital Kiang Wu cerca de 2 anos.  Residia no prédio n.º 19 de Leal Senado (demolido) e tinha também consultório no n.º 48  da  Rua de Estalagens, praticando medicina europeia e onde havia uma Farmácia Chinesa fundada pelo próprio (há uma iniciativa por parte do Instituto Cultural da RAEM para a recuperação desse prédio) (2)

POSTAL - Casa Memorial Sun Yat Sen década de 60POSTAL da década de 60, em inglês.
Residence of Dr. Sun Yat Sen / 澳門國父紀念館 ” (3)
Photo:  Chi Woon Kong (Distributed by Leung Wai Yin)

SUN YAT SEn 1912 - Lou Lim IeocEsta foto já por mim publicado em (4), foi tirada na recepção dada pelo fundador da República Chinesa, Dr. Sun Yat Sen, em Maio de 1912, em Macau, no Pavilhão Iong Sam Tóng da residência de Lou Kao ou Lou Lim Iok (hoje Jardim Lou Lim Ieoc), onde esteve hospedado duas noites.
Na primeira fila, sentados, à esquerda da foto, Camilo Pessanha e ao centro da foto, ao lado do Dr. Sun Yat Sen, a esposa do Governador, e o Governador Álvaro de Melo Machado. Do lado esquerdo do Dr. Sun, a sua filha mais velha, Sun Wan e Francisco Hermenegildo Fernandes.

POSTAL - Casa Memorial Sun Yat Sen 1986Postal em inglês (copyright  Dept. of Tourism – D. S. T.) de 1986
Sun Yat Sen Memorial House (founder of the People Republic of China)”

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995.
(2) Outros locais em Macau relacionados com o Dr. Sun:
AGOSTO de 1905 – O Dr. Sun Yat-sen funda no Japão a Tong Meng Hui – Associação dos Revolucionários Chineses (também chamada: Liga Unida Revolucionária) que se estenderá a Macau em 1909 com sede no n.º 41 da Rua da Praia Grande. Além da Sede a associação contará com uma biblioteca – Le qun na Rua do Volong e outra na Rua do Hospital (hoje, Rua Pedro Nolasco da Silva) em frente ao ainda existente Capitol (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4, 1997).
(3) Leio muitas vezes, artigos de jornalistas e mesmo de académicos apontando este edifício como “onde residiu o Dr. Sun Yat Sen“. LU Muzhen mulher de Sun Yat SenEsta é uma casa Memorial em sua homenagem (e não sua residência) mandada  fazer em 1912/1913, pela viúva Lu Muzhen e pelo filho,  Sun Fó /孫科, situado na Rua de Silva Mendes, na Flora. A chamada “mansão de Sun” foi reconstruída em 1933 e em 1958 tornou-se Casa Memorial e aberta ao público.
Lu Muzhen / 盧慕貞 (1867- 1952), primeira mulher de Sun Yat Sen que se divorciou em 1915 do marido, viveu em Macau nessa mansão de 1915 até o seu falecimento em 1952 (aos 85 anos de idade), com as duas filhas Sun Yan /  孫延, Sun Wan/ 孫琬.  (https://en.wikipedia.org/wiki/Lu_Muzhen) (4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/10/10/noticia-de-10-de-outubro-de-1911-leitura-macau-e-sun-iat-sen/
NOTA: anteriores referências a Dr. Sun Yat Sen em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/sun-yat-sen/
e aconselho leitura do artigo de Ricardo Pinto, no jornal “Ponto Final” de 13-01-2012, intitulado “SunYat-sen, herói e vilão”, disponível em:
http://pontofinalmacau.wordpress.com/2012/01/13/sun-yat-sen-heroi-e-vilao/

Livro de poesia de Fernando Sales Lopes (1), de 1997, com poemas do autor escritos entre 1986 e 1991, (2) Ilustrações de José Rodrigues.

Pescador de Margem CAPAPrefácio da Y. K. Centeno , de 1992:
Pescador de margem é um livro que se ocupa precisamente de marcar a diferença. E não apenas isso: integra-a, torna-a inseparável da memória da vida. A vida do autor tem decorrido nas margens de um oriente que se revelou ao mesmo tempo geográfico, histórico e mítico. Talvez a distância venha a ser, como se adivinha nos poemas, uma aprendizagem e um caminho, para não dizer mesmo um modelo de vida ...
São 51 poemas mais dois (um dedicado à Yvette Centeno e outro ao José Rodrigues) e nas últimas páginas (pp. 83-93), tradução para chinês de 7 poemas por Wang Wei. (2)
Este livro de poemas “Pescador de Margem” receberia o prémio Camilo Pessanha 1996/1997, do Instituto Português do Oriente (IPOR).

PESCADOR DE MARGEM
Ah quem me dera
estar aí
ter um rio
só para mim
lentamente
armar a rede
e içar a esperança
Firme
sem estar em terra
Estendido na água
sem andar à deriva
E viver!
De coisas voltadas
como tu

 Fernando Sales Lopes

POSTAL Lei Iok Tin 1958 Barraca de pescaBarraca de pesca, em frente da Praça de Lobo de Avila (1958)
POSTAL / FOTO: Lei Iok Tin
(Edição Fundação Macau/Centro Unesco de Macau)

PESCADOR DE MARGEM – Pescador solitário que constrói a sua cabana junto dos paredões, pescando com a típica rede de abater (aguchão). O aparelho é suspenso por quatro varas de bambú, sendo a rede manobrada, através duma roldana, de dentro da própria cabana. (Glossário do livro).
(1) Fernando Sales Lopes é licenciado em História, mestre em Relações Interculturais, e jornalista profissional. Nasceu no Barreiro e reside em Macau desde 1986.
Em Portugal desenvolveu a sua actividade profissional na imprensa escrita, rádio e televisão. Em Macau foi director de programas de rádio e televisão da Teledifusão de Macau (TDM), sub-director do Gabinete de Comunicação Social (GCS), director-executivo da Revista Macau (I série), analista de imprensa e coordenador de diversas edições.
Autor, entre outros, do romance juvenil “Terra de Lebab” (2008), do poema “Flor de Lótus”, letra do hino de encerramento da Sessão Cultural da Transferência de Administração de Macau para a China Música de Rão Kyao(1999); do livro de poemas “Não-Ser” (1999); “Geo Metria & Exercícios em Busca da Perfeição” (2014)
(2) Nota do autor na p. 16: “circunstâncias várias só agora permitira, que ele viesse à luz do dia”
(3) LOPES, Fernando Sales – Pescador de Margem. Colecção Extratextos/Livros do Oriente, 1997, 99 p., ISBN 972-9418-51-9, 21 cm x 21 cm.