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Na sequência da publicação em 5 de Janeiro de 2018 (1) sobre a “Nova Escola Macaense”, junto hoje mais alguns dados da cronologia desta Escola, aproveitando a data de 6 de Abril de 1861, em foram aprovados os Estatutos da Nova Escola Macaense, fundada pelo então 1.º Visconde do Cercal (depois Barão do Cercal) Alexandrino António de Melo (2) (3) e cuja inauguração se realizou, em 5 de Janeiro de 1862.

CONTINUA …………….. «BGM», VII-19 de 13 de Abril de 1861, p. 73

Foi inaugurada em 5 de Janeiro de 1862 a «Nova Escola Macaense», e nesse ano veio de Portugal como professor da Escola Macaense, o Cónego Guilherme F. da Silva, (regressaria ao reino a 21 de Março de 1885, vindo a falecer em Lisboa 3 anos mais tarde) (4)

Em 1865, devido a partida para Portugal do director geral da «Nova Escola Macaense», Barão do Cercal e do seu filho (a quem competia suceder-lhe em conformidade com os Estatutos), foi eleita uma comissão directora presidida por José Bernardo Goularte. (5)

Esta escola terminou em 21 de Outubro de 1867 por falta de meios para o sustentar, sendo oferecido o seu remanescente à futura “ Associação Promotora da Instrução dos Macaenses” (P.P. n.º 14 de 31 de Março de 1862, publicada nos Boletins n.º 25 e 27 de 1863)  (6)

(1) Ver anteriores referências a esta escola em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/nova-escola-macaense/

(2) Em 15 de Fevereiro de 1861, o Barão do Cercal propôs, em circular, a criação duma escola de ensino de línguas, principalmente a portuguesa e inglesa, para o sexo masculino, intitulada «Nova Escola Macaense», por existir grande carência de meios de instrução, como então se verificava na Colónia. Em 26 de Março do mesmo ano, o Governador Isidoro Francisco Guimarães autorizou o Barão de Cercal a organizar, anualmente, uma ou mais lotarias (7) para a manutenção dum estabelecimento de instituição para o sexo masculino que este pretendia fundar. A 1 de Novembro de 1861, o Barão do Cercal publicou uma carta, com esta data, no Boletim da Província n.º 48 de 2 de Novembro de 1861, dando conta do andamento da fundação da Nova Escola Macaense por ele promovida. A 27 de Fevereiro de 1862, foi confirmada ao Barão do Cercal de uma lotaria anual, com o capital limitado a doze mil patacas; bem como um subsídio anual de 1.000$00 reis para auxiliar a fundação dum estabelecimento de instrução primária e secundária, cujo ensino deveria ser gratuito para os pobres, cessando, porém tal concessão logo que estivesse reorganizada a Instrução Pública em Macau. (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/alexandrino-antonio-de-melo/

(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p. 162

(5)

CONTINUA «TSYK» , 3.º Ano, n.º 4 de 26 de Outubro de 1865, pp. 15 e 16

«TSYK» , 3.º Ano, n.º 4 de 26 de Outubro de 1865, pp. 15 e 16
«TSYK» , 3.º Ano, n.º 5 de 3 de Novembro de 1865, pp. 19 e 20
«TSYK» , 3.º Ano, n.º 6  de 9 de Novembro de 1865, pp. 24

(6) “21-10-1867 – Foi encerrada a Nova Escola Macaense criada pelo Barão do Cercal, por falta de meios para o sustentar, sendo oferecido o seu remanescente ao Governo da Colónia, para criação de um liceu.” (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954) .

(7)

Extraído do «BGM, VIII-26 de 31 de Maio de 1862 p. 106

Relação dos trinta maiores contribuintes de todas as contribuições (predial, industrial de taxa varável e industrial por licenças) no ano de 1923, muitos deles figuras/individualidades notáveis da época (grandes negociantes da área comercial e industrial, alguns ligados actividades liberais, advogados, médicos, etc.)

Extraído do «BOGPM», suplemento ao n.º 24 de 18 de Dezembro de 1923.

Acerca da viagem à Europa, em 1865, do 2.º Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo e sua esposa, Guilhermina Pamela Gonzaga, apareceram várias notícias nos jornais da época nomeadamente no semanário “Ta-Ssi-Yang-Kuo” dando conta das despedidas ao casal. Assim no dia 8 de Novembro realizou-se um “pic-nic” (não foi divulgada o local) oferecido por “alguns cavalheiros espanhóis e peruanos”; no dia 15 de Novembro uma ceia de despedida aos “seus amigos, nacionais e estrangeiros”, no Teatro D. Pedro V e na data da partida, no dia 23 de Novembro (há uma notícia no mesmo semanário que refere ser a 26 de Novembro). Partiram a 23 de Novembro de 1865 para Hong Kong da ponte cais de Macau, a bordo do navio “White Cloud”, para daquela colónia, seguir viagem num paquete francês.

TSYK, III – 6 de 9 de Novembro de 1865, p. 24
TSYK, III – 7 de 16 de Novembro de 1865, p. 28
TSYK III – 8 de 23 de Novembro de 1865, p. 31
TSYK III – 8 de 23 de Novembro de 1865, p. 33
TSYK III – 13 de 28 de Dezembro de 1865, p. 54

António Alexandrino de Melo (1837 – 1885) – 2.º Barão de Cercal. (recebeu o título em 16 de Setembro de 1863), filho de Alexandrino António de Melo (1809-1877) – | 1.º Barão do Cercal (Decreto de 11 de Dezembro de 1851 e Carta de 5 de Janeiro de 1852) em duas vidas e 1.º Visconde (Decreto de 13 de Março e Carta de 5 de Abril de 1867) |, e de Carlota Josefa Botelho (1820 -). Casamento I: Macau, São Lourenço 08.11.1858 com Guilhermina Pamela Gonzaga (1841-1893)

Anteriores referências a este ilustre macaense em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-alexandrino-de-melo/

 “A população portuguesa, depois da visita duma esquadrilha de hidroaviões ingleses de Hong-Kong, a caminho de Singapura, e da vinda do destroyer japonês “Ashi” por uns dias, concentrou o seu interesse na inauguração do Clube de Caçadores, instalado numa área verde da zona do hipódromo, à Areia Preta, e quase paredes meias com o clube da União Recreativa. Macau estava, nessa altura, pejada de entusiastas de caça e a prática venatória fazia-se nas várzeas e colinas da “terra-china”, donde os caçadores traziam, ao cair das tardes de Domingo, narcejas, rolas, perdizes, patos bravos e outras peças de caça. Mas, como nem sempre se podia ir à China, pensou-se em criar aqui o tiro a pratos para distracção dos aficionados.

A inauguração realizou-se em 19 de Maio, às 16:30 horas, numa tarde ardente e luminosa, com a assistência do Governador, autoridades civis e militares, inúmeros sócios e respectivas famílias. A festa começou por um leilão de 24 espingardas, sendo todas disputadas. A seguir veio o torneio inaugural com a intervenção de 22 caçadores.

A luta foi renhida e temos à mão os resultados. O 1° classificado foi Mário Baptista, 14 pontos; o 2° foi Celedónio Gomes, 13 pontos; para o 3°, classificaram-se Dr. José Alves Ferreira e António Ferreira Batalha, 12 pontos; a seguir, Fernando Rodrigues (pai), Alberto Mello, José Simão Rodrigues e Mário Ribeiro, 11 pontos; Américo Pacheco Jorge, 10 pontos, António Ribeiro e Horácio Pais Laranjeira, 8 pontos; Veríssimo do Rosário, 7 pontos; Júlio de Oliveira, Guedes Pinto, D. João de Vila Franca, 6 pontos; Emílio Bontein da Rosa, 5 pontos; Luís Miranda, Luís Mello, António Mello Jr., 4 pontos; José Sales da Silva, 3 pontos; D. João Mesquitela, 2 pontos; e António Alexandrino de Mello, 0 pontos. Para o terceiro lugar, houve depois um desempate entre Dr. José Alves Ferreira e António Ferreira Batalha, vencendo aquele. Distribuíram-se depois os prémios para os três primeiros classificados e António Alexandrino de Mello recebeu o prémio de consolação, que aceitou com bonomia e grandeza de alma.

António A. de Mello, filho do Barão de Cercal, era uma veneranda e popular figura de macaense e tinha a qualidade de ser um grande gourmet. Nesta festa inaugural do Clube dos Caçadores, o chá-gordo que se seguiu ao torneio foi dirigido e organizado por ele. De modo que, se recebeu um prémio de consolação, consolou também a todos os presentes com um finíssimo chá-gordo que ainda persiste na memória daqueles que tiveram a dita de participar nele.”

FERNANDES, Henrique de Senna – Cinema em Macau III (1932-36) in «Revista da Cultura» , n.º 23 (II Série) Abril/Junho de 1995, pp.151-152

TSYK I-30 de 28 de Abril de 1864,

A autora destes versos será provavelmente, Adelaide Clotilde Gonzaga (1839-1888), 2.ª filha de Guilherme Gonzaga (1) e Maria Bárbara Rangel (2). Professora de língua e literatura portuguesa na Escola do Governo, em S. Lourenço, nomeada em 2 de Janeiro de 1872. Sendo solteira, do seu cunhado 2.º Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo (3) teve uma filha ilegítima, pelo que a criança nasceu no Hospital de S. José de Hong Kong a 16-10-1874 e foi baptizada, Adelaide Irene de Melo, na Catedral de Hong Kong. Parece que a mãe a confiou às madres, pedindo depois licença ao Governo para se ausentar para Lisboa durante um ano, mas nunca mais regressou. Em Lisboa foi professora e directora de uma escola de instrução primária.

O Boletim da Província de Macau e Timor n.º 19 de 06-05-1876 publicou a Portaria n.º 26 do Governador José Maria Lobo de Ávila (de 1874 a 1876) de 4-05-1876, exonerando-a, por abandono do lugar. Para este lugar foi nomeada D. Asteria Coelho dos Santos (4)

Extraído de «BPMT» XXII-nº 19 de 6 de Maio de 1876

(1) Guilherme Gonzaga, nascido na freguesia de S. Lourenço (c. 1810) comerciante em Macau, com negócios de fazendas, retrozarias e tabaco. Em 1844 era secretário da Associação do Montepio Geral de Macau. Casou em S. Lourenço a 22-06- 1836 com Maria Bárbara Rangel. Tiveram 4 filhas.

(2) Maria Bárbara Benedita Rangel (1813-1843), filha de Floriano António Rangel (1778-1843) e Ana Maria Antónia de Jesus Correia de Carvalho (1788-1843). Casou em 2.ª núpcias com Guilherme Gonzaga em 22-06-1836

(3) O 2.º Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo (1837-1885) casou com a irmã Guilhermina Pamela Gonzaga (1841-1893), 3.ª filha do casal Guilherme Gonzaga/Maria Bárbara Rangel, na Igreja de S. Lourenço em 08-11-1858. Este casamento foi prejudicado pelas relações que o Barão mantinha com sua cunhada Adelaide, de quem viria a ter uma filha.

Informações de: FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volumes I. II e III, 1996 e http://pagfam.geneall.net/1020/pessoas.php?id=1072074

(4) 31-05-1876 – BPMT XXII- 26 de 24 de Junho de 1876

A 8 de Junho de 1875, (1) na Secretaria da Junta da Fazenda Pública compareceu o Barão do Cercal, como representante do Visconde do Cercal, proprietário do Palácio da Praia Grande, para lavrar o contrato do arrendamento ao Governo com as seguintes condições:

  1. É arrendado por um ano: 1-6-1875 a 31-5-1876.
  2. A renda é de $ 2 4000 patacas.
  3. Os concertos maiores – queda do muro ou do telhado – serão pagos pelo proprietário, os menores – janelas, portas, sobrado, tecto, caiação – pelo locatário.
  4. Ao terminar o contrato, o locatário não poderá desfazer os melhoramentos.
  5. Durante o contrato, o proprietário não poderá ordenar o despejo das casas.
  6. O locatário entregará tudo na mesma ordem e aceio em que o recebeu.
  7. Terminado o prazo, se não houver aviso algum de qualquer das partes, este é renovado.
  8. Antes de se proceder a concertos, deverá obter-se a permissão do proprietário (2)

Residência dos Governadores de Macau - Palácio da Praia GrandeFoto de 1981

A residência  dos Barões do Cercal (pai e filho) na Praia Grande foi construída em 1849 pelo arquitecto macaense José Agostinho Tomás de Aquino (talvez a obra-prima da arquitectura de raiz macaense)   para o 1.º Barão do Cercal (depois Visconde, a partir de 1865) Alexandrino António de Melo  que a mandou construir. O Palácio foi alugado ao Governo pelo filho António Alexandrino, (2.º Barão do Cercal) em representação Visconde do Cercal.
Com a morte do Visconde do Cercal, o Palácio passou para a sua viúva. A família do Barão do Cercal caída em decadência por dívida da viúva ao Chatered Bank, foi o Palácio à praça. A 18-03-1881, saiu o anúncio da “arrematação da casa n.º 27 da Praia Grande chamada Palácio do Cercal, e penhorada em execução que move Chartered Bank contra a Viscondessa do Cercal, e será de $ 25 068.66.” Foi então comprado pelo governador Joaquim José da Graça por $ 20 080.00, compra esta que foi aprovada pelo Governo de Lisboa a 17-05-1881.
Desde 1884 (o primeiro governador a residir aí, foi Tomás de Sousa Rosa que exerceu o seu mandato de 1883 a 1886) os Governadores de Macau passaram a viver neste Palácio, até 1926, quando o governador Tamagnini Barbosa (2.º mandato) escolheu Santa Sancha para sua residência permanente.
O Palácio da Praia Grande ficou a servir apenas de sede de governo (nele funcionava também a Assembleia Legislativa e o Conselho Consultivo do Governador) foi completamente restaurado em 1983.

Revista Casa e Jardim 1994 - Palácio da Praia Grande FotoFoto de 1994

(1) Os primeiros governadores viveram em casas alugadas pelo Leal Senado, até 1772, quando passaram a residir no edifício da Praia Grande em frente do fortim de S. Pedro. Nesse mesmo local o Visconde da Praia Grande,  Isidoro Francisco Guimarães (governador de Macau de 1851 a 1863) construiu em 1851, um grandioso palácio para nele instalar o Palácio do Governo.  Dois tufões, o de 1874 e o mais terrível de 1875, quase destruíram o Palácio construído pelo Governador Visconde Praia Grande, tornando-o  inabitável. Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/31/noticia-de-31-de-maio-de-1875-tufao-de-1875/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-tomas-de-aquino/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/palacio-do-governo-do-cercal/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/10/noticia-de-10-de-dezembro-de-1862-visconde-da-praia-grande/
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – Residência dos Governadores de Macau, 19 – -, p. 16.

Livro do Padre Manuel Teixeira,  publicado em 1942, (1) preparado no rescaldo das celebrações festivas dos Centenários da Fundação e Restauração, 1940. Justifica  o autor na Introdução:
Galeria de Macenses Ilustres Séc XIX 1942 CAPARessoam ainda aos nossos ouvidos os ecos das festas centenárias, em que comemorámos o oitavo centenário da fundação da nossa nacionalidade (1140) e o terceiro centenário da restauração (1640), após 60 longos anos de sujeição ao domínio castelhano…(…)
A avaliar  pelo filme “Documentário da Exposição Histórica da Ocupação do Século XIX“, exibido nesta cidade no Ano Áureo Português de 1940 (11 e 12 de Maio) a resposta parece que deveria ser negativa, pois que Macau não figurava nesse aliás interessante Documentário. E, no entanto, Macau pode orgulhar-se de ter também os seus heróis que, pela sua virtude, bravura, ciência, arte e entranhado patriotismo , honraram Portugal nestas remotas paragens do Extremo Oriente…”
Estão biografados 16 ilustres macaenses:
José Baptista de Miranda e Lima (1782-1848)
Francisco José de Paiva (1801-1849)
Guilherme José Dias Pegado (1801-1885)
João Rodrigues Gonçalves (1810-1885)
José Martinho Marques (1810-1867)
Lourenço Caetano Cortela Marques (1811-1902)
Vicente Nicolau de Mesquita (1818-1880)
António Alexandrino de Melo (1837-1885)
Pedro Nolasco da Silva (1842-1912)
José Augusto Ferreira da Veiga (1838-1903)
António Joaquim Bastos (1848-1912) (2)
Leôncio Alfredo Ferreira ( 1849-1920)
Alfredo Pereira (1815-19..) (3)
João Feliciano Marques Pereira (1863-1909)
Vitor Hugo de Azevedo Coutinho (1871 – ….) (4)
José Tomaz de Aquino (1804-1852)
Galeria de Macenses Ilustres Séc XIX 1942 CONTRACAPADos biografados há os que embora nascendo em Macau, nunca exerceram a sua profissão em Macau ou viveram pouco tempo em Macau, nomeadamente:
Vitor Hugo de Azevedo Coutinho, filho de Manuel de Azevedo Coutinho e Leonor Stuart Mendonça de Azevedo Coutinho (comissão em Macau comandante de artilharia e de material de guerra. nomeação do governador José Maria da Ponte e Horta   (1866 a 1868. Antes tinha sido escolhido pelo governador Januário Correia de Almeida, (1872 a 1874) na escolha de armamento e artilharia para a defesa do território dirigindo a montagem da bateria da artilharia  Conde de S. Januário. Terá regressado a Europa em 1890 onde  assentou praça na Armada Portuguesa, sendo admitido como aspirante em 5 de Novembro de 1888. Concluído o curso da Escola Naval, foi promovido a guarda-marinha em 1892, iniciando uma carreira militar naval multifacetada até 1933 – quadro de reserva em 1933 no posto de capitão de mar e guerra. Professor da Universidade de Coimbra e da Escola Naval. Político ligado ao Partido Democrático, exerceu as funções de Ministro da Marinha  em 1914-1915. Presidente do Ministério de um dos governos da Primeira República Portuguesa, tendo governado entre 12 de Dezembro de 1914 e 25 de Janeiro de 1915. Novamente Ministro da Marinha em 1915-1917 e pela terceira vez (1922-1923)
Alfredo Pereira, filho de Manuel Pereira e Guilhermina Pereira, aos 6 anos de idade  veio para Lisboa  onde estudou para engenheiro agrónomo-silvicultor. Ingressou nos C.T.T. em 1875; em 1881 nomeado professor do Curso Prático de Correios e Telégrafos, Inspector-Geral em 1886 e Administrador  Geral dos Correios e Telégrafos em 1900. Secretário interino do Ministério das Obras Públicas Político do Partido Regenerador Deputado eleito pelo círculo de Penafiel.
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira Volume 21.
José Augusto Ferreira da Veiga, 1.º visconde de Arneiro concedido por el-rei D. Luiz  em 1870, oficial da ordem de S. Tiago, importante proprietário e de Joana Ulmann Veiga. Matriculou-se na Universidade de Coimbra em 1855 e bacharel em Direito em 1859. Deputado por Sabugal 1861 a 1864. Estudou música em Lisboa.

Galeria de Macenses Ilustres Séc XIX 1942 LOGOTIPOReprodução do logótipo dos “Centenários da Fundação e da Restauração” em Macau, na 1.ª página

(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX. Imprensa Nacional, Macau, 1942, 659 p.
(2) Filho de António Joaquim da Costa Basto (1823-1889) que foi baptizado com o apelido «Bastos», mas usou sempre a versão «Basto» que transmitiu definitivamente aos seus descendentes (FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume I, 1996)
(3) O Padre Teixeira refere ignorar a data do seu falecimento. Terá falecido a 29 de Março de 1925 segundo:
http://toponimiaparatotos.blogspot.pt/2011/07/ruas-com-historia-alfredo-pereira.html
(4) O Padre Teixeira não refere, mas faleceu em 27 de Junho de 1955, em Lisboa segundo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Victor_Hugo_de_Azevedo_Coutinho

António Alexandrino de Melo (1), agente comercial e representante das Companhias

“Hong-kong, Canton & Macao
Steam Boat Co. Ltd.
~~~~~~~~
Eastern & Australian Sream Ship Co. Ltd.
~~~~~~~~
China Fire Insurance & Co. Ltd”

ANÚNCIO DE 1922 - ANTÓNIO ALEXANDRINO DE MELO(1)sobre António Alexandrino de Melo, 2.º Barão do Cercal,  fundador e proprietário da Firma “A. A. de Mello & Co.”  que faleceu em 1885, ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-alexandrino-de-melo/
Em 1922, na firma “A. A. de Melo”, era sócio-gerente, o seu  filho  António Alexandrino Gonzaga de Melo (1870 -1945)  que estava  registado no «Anuário de Macau»  de 1927, como António A. de Melo, solicitador judicial domiciliado na Praça Lôbo de Ávila, 22 e 24 (o mesmo endereço da firma “A. A. de Melo”)

Dois anúncios da Firma «A. A. de Mello & C.º» (1) de António Alexandrino de Melo, Barão do Cercal (2), agência comercial portuguesa estabelecida em 1840, na Praça Lobo de Ávila,22 e 24 (à Praia Grande). Era uma agência de “viagens” – agente em Macau das empresas sediadas em Hong Kong, proprietárias dos paquetes que faziam carreira para a Europa, América, portos da China e Japão, com partida de Hong Kong.
A firma «A. A. de Mello & C.º» vendia passagens de Hong Kong para todos os destinos finais (Lisboa, Londres, Paris, Marselha, Vancouver, etc)e portos intermediários na China e no Japão.
ANÚNCIO -1929 - N. Y. K. LineO primeiro anúncio, publicitando a “N.Y.K. LINE” que possuía “ magníficos paquetes com excelentes acomodações, comida à europeia, serviço esmerado. Tinha partidas de Hong Kong, duas vezes ao mês para Marselha (a via mais habitual para seguir depois para Lisboa) e Londres. Tinha também carreiras para Lourenço Marques, Índia, S. Francisco  (E.U.A.), Canadá, Shanghai, Kobe, Yokohama, etc.
A empresa NYK Line (Nippon Yusen Kabushiki Kaisha -日本郵船株式会社 ) é ainda presentemente, uma das maiores  companhias mundiais  de transporte marítimo, com sede em Chiyoda, Tóquio (Japão). Fundada em 1885. Começou em 1924 a utilizar o motor em todos os seus navios de carga e em 1929, em todos os navios de passageiros, embora mantivesse até 1939 alguns dos navios de passageiros mistos (vapor e  motor).
Antes  da Guerra do Pacífico tinha 36 navios de passageiros mas quando a guerra acabou somente sobreviveu um, o “Hikawa Maru“. A partir dos anos 60 (século XX) com a diminuição de passageiros,  começou a operar mais com navios de carga (cargeiros); em 1968 o novo “Hakone Maru” foi o primeiro a efectuar ligação de navio de transporte de contentores do Japão para os Estados Unidos. (3) 
HAKONE MARU 1921HAKONE MARU (1921)
Navio de passageiros, transatlântico de maior classe entre os navios japoneses da época, construído em 1921, era movido a turbina a vapor. Na 2.ª Guerra Mundial/Guerra do Pacífico foi requisitado pelo governo nipónico para transporte de tropas e usado como navio-hospital. Em 27 de Novembro de 1943, aviões B-25 americanos atacaram um comboio marítimo  japonês e o navio de transporte “Hakone Maru” que integrava o comboio afundou-se. (4)
SUWA MARU 1912SUWA MARU (1912)
Construído em 1912, navio de carga e passageiros de 10 927 toneladas (em 1923, restaurado aumentando a tonelagem).
Foi também requisitado em 1940 para transporte auxiliar. Foi torpedeado em Março de 1943 por um submarino americano. Sem possível de reparação encalhou na Ilha Wake (atol Wake, na Micronésia, tomada pelos japoneses em 23-12-1941, aquando do ataque de Pearl Harbor e “reconquistada” pelos americanos em 4-09-1945; presentemente administrada pelos E.U.A.)
O  “Suwa Maru” efectuava a carreira para Marselha e há pelo menos uma indicação que tenha efectuado uma viagem a Lisboa com chegada a 22 de Setembro de 1940 com saía a 30 do mesmo mês. (5)
FUSHIMI MARUFUSHIMI MARU  (1914)
Outro transatlântico de classe superior japonês, construído em 1914, movido a turbina de vapor. Utilizado durante a 2.ª  Guerra Mundial como navio mercante misto de carga e de passageiros , o “Fushimi Maru” foi afundado no dia 1 de Fevereiro de 1943, por um torpedo disparado pelo submarino Tarpon (SS-175 (americano) a 20 milhas ao sul cidade Omaezaki ((御前崎市) (Japão) (6)
HAKOZAKI MARU 1922HAKOZAKI MARU (1922)
Construído em Nagasaki com início a 16 de Dezembro de 1920 e lançado ao mar em 2 de Março de 1922, o “Hakozaki Maru” era um navio (frigorífico) misto de carga e passageiros de 10 413 toneladas (depois aumentado). Integrado num comboio marítimo como transporte auxiliar foi torpedeado, a 225 milhas NNE de Shanghai, pelo submarino americano USS Balao (SS-285) no dia 19 de Março de 1945. O navio cuja carga era gasolina, armamento e torpedos, explodiu e afundo-se. A combinação do fogo, explosões e água do mar a 5 graus significou a morte de 928 passageiros, 51 soldados e 139 tripulantes. (7)
NOTA: a empresa “N. Y. K. Line” tinha também um navio chamado “S.S. Lisbon Maru“, construído em 1919 e lançado em 1920. Ficou conhecido (e má memória para os macaenses) por ter sido usado durante a Guerra no Pacífico como transporte de tropas e de prisioneiros entre a China e o Japão. Foi torpedeado pelo USS Grouper (SS-214), em 1 de Outubro de 1942 quando levava, além da tropa japonesa, quase 2000 prisioneiros britânicos (e macaenses que integravam a defesa de Hong Kong) capturados depois da queda de Hong Kong (Dezembro de 1941). Morreram mais de 800 em consequência directa do afundamento do navio e outros tantos “fuzilados” pelos soldados japoneses quando nadavam procurando salvação.
ANÚNCIO 1929 - CANADIAN PACIFICO segundo anúncio publicitava a “CANADIAN PACIFIC“,  empresa «Possuidora dos afamados paquetes “EMPRESS”»
Efectuava duas “rápidas” viagens por mês de Hong Kong para Vancouver (Canadá), via Shanghai e Japão.
A “Canadian Pacific”  era uma grande companhia de navegação canadiana estabelecida em finais do século XIX. De 1880 até depois da II Grande Guerra, era  a empresa com mais navios a vapor que operava no Atlântico (muitos emigrantes viajaram nestes navios da Europa para o Canadá) e Pacífico.
Os seus navios também foram incorporados nas duas guerras mundiais como navios de carga. Perderam 12 navios durante a 2.ª Guerra Mundial incluindo o afundamento do seu maior navio por um  submarino alemão U-Boot.
Em 1960 devido ao aumento da viagens aéreas, a Companhia passou a transportar contentores. Com este nome, a Companhia terminou em 2001.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/07/16/anuncio-firma-a-a-de-mello/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/alexandrino-antonio-de-melo/
(3) https://en.wikipedia.org/wiki/Nippon_Yusen
(4) http://www.wrecksite.eu/wreck.aspx?109780
(5) http://www.combinedfleet.com/Suwa_t.htm
(6) http://www.wrecksite.eu/wreck.aspx?143913
(7) http://www.combinedfleet.com/Hakozaki_t.htm
(8) https://en.wikipedia.org/wiki/CP_Ships

No dia 14 de Dezembro de 1863 (1) o célebre pianista Rod Sipp e o baixo italiano Grossi, deram um recital, no Palácio dos Barões do Cercal (2). O noticiarista do Boletim do Governo considerou o pianista superior a Franz Liszt.(3)

Palácio Barão do Cercal-Palácio do Governo c. 1890Palácio do Barão do Cercal  /Palácio do Governador  a partir de 1883
c. 1890

(1) António Alexandre Bispo num trabalho publicado na Revista Brasil-Europa-Correspondência Euro-Brasileira aponta a data de 11 de Dezembro de 1863 (sexta feira, às 8.30 horas) para o concerto  histórico na residência do Barão de Cercal do pianista Rod Sipp em Macau. Pelo pormenor da descrição deste concerto, é de confiar ser esta data, a mais correcta.(4)
Mais refere que neste concerto terá sido apresentado também Emmarentia Anna Peter van der Hoeven (5) que executou com Rod Sipp, uma fantasia para piano da ópera Moisés, de Sigismund Thalberg (1812-1871), e obras a quatro mãos na abertura da primeira e da segunda parte do programa. Refere ainda este autor que no concerto tomou parte um tenor italiano que se encontrava de passagem em Macau de nome Grossi.
(2) Nessa data a residência  dos Barões do Cercal (pai e filho) na Praia Grande construída em 1849 pelo arquitecto macaense José Tomás de Aquino,  era pertença do 1.º Barão do Cercal (depois Visconde, a partir de 1865) Alexandrino António de Melo  que a mandou construir. O Palácio foi alugado ao Governo (contrato a 8 de Junho de 1875) pelo filho António Alexandrino, em representação Visconde do Cercal e vendido posteriormente pelo filho. Hoje o Palácio é sede do Governo da RAEM.
(3) GOMES, Luís G. –  Efemérides da História de Macau, 1954 ) e SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau , Volume 3, 1995.
(4) Para melhor compreender a importância e a trajectória musical de Rod Sipp (“um dos primeiros nomes de pianistas de excelente formação e de renome internacional que actuaram na China”) bem como a sua biografia e as viagens que efectuou  aconselho a leitura do trabalho  de António Alexandre Bispo que contém o capítulo ” Apresentação em Macau na residência do Barão de Cercal
 Bispo, A. A. – “Judeus na internacionalização e profissionalização da vida musical em centros comerciais da Europa, das Américas e da China. O discípulo de Ignaz Moscheles (1794-1870) Rod Sipp, o D. Quixote do piano”. Revista Brasil – Europa: Correspondência Euro-Brasileira 137/13 (2012:3).
http://www.revista.brasil-europa.eu/137/Rod-Sipp.html
(5) Emmarentia Anna Peter, nascida em Batavia, em 1836, e falecida em Macau, em 1865. Filha de John Hendrik Peter e Maria Drost, recebeu em Batavia formação musical, alcançando elevado nível como pianista. Casou-se em 1836 em Batavia com Jan des Amorie van der Hoeven (1825-1877), que foi agente comercial da Sociedade de Comércio dos Países Baixos em Batavia, em 1826 e depois cônsul em Guangzhou, entre 1855 e 1866. O casal teve seis filhos, todos nascidos em Macau: Maria (1858), Jacoba (1860), Theodora Agatha (1861), Jan (1863), Henriette (1864), Herman (1865). Tendo Emmarentia falecido com apenas 29 anos, Jan des Amorie van der Hoeven casou-se em segundas núpcias, já em Leiden, com  Hermine Paulina Hubrecht (1843-1883).
Bispo, A. A. – “Emmarentia Anna Peter Van der Hoeven (1836-1865). O cultivo da música na tradição da burguesia de Rotterdam em Batavia e suas repercussões na China à época de revitalização do comércio das Índias Orientais Holandesas. Revista Brasil-Europa: Correspondência Euro-Brasileira 137/12 (2012:3).
http://www.revista.brasil-europa.eu/137/Emmarentia-Anna-Peter-Van-der Hoeven.html

NOTA POSTERIOR (11-12-2019): Ao folhear o semanário «Ta-Ssi-Yang-Kuo» de 1863, encontrei a notícia deste recital na casa do Barão do Cercal que afinal se realizou no dia 11 de Dezembro de 1863 (sexta-feira). Peço desculpas pelo engano e aqui fica a correcção.