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Os Negociantes de Macau, F. J. de Paiva, (1) J. V. Jorge (2) e B. Barretto (3) deram  no dia 11 de Abril de 1837, o último dos três dias sucessivos dos festejos pelo casamento da rainha D. Maria II (4) com o príncipe Fernando de Saxe- Coburgo-Gotha (1816- 1885) – rei consorte Fernando II, em Lisboa na Sé patriarcal no dia 19 de Abril de 1836.

O chá começou às nove horas, o baile às dez e a ceia depois das duas e a função acabou na manhã seguinte, ou para melhor dizer ao meio-dia; por quanto, depois de saírem os primeiros convidados, entraram os segundos, que eram os mendigos, pelos quais se repartiu tudo, quanto restou da lauta ceia, que tudo poderia fartar a mil pessoas

Extraído do « O Macaista Imparcial»,  I-88 de 13 de Abril de 1837

 (1) Francisco José de Paiva (1801-1849) – próspero comerciante, juiz ordinário do Senado (1831), encarregado dos Negócios Sínicos e major comandante do Batalhão do Senado (1847). Foi o 1.º cônsul geral de Portugal em Hong Kong nomeado em 21-01-1847, comendador da Ordem de Cristo e presidente (1835-1842) da comissão liquidatária da Casa «Casa de Seguros de Macau», extinta em 1825 e da qual tinha 6 acções.  Existe em Macau uma rua com o seu nome “Travessa do Paiva”. (5) Anteriores referências em:https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-jose-de-paiva/

(2) José Vicente Jorge (1803/1857) – negociante e exportador, em navios próprios, ligado ao negócio de emigração de trabalhadores chineses, almotacé da Câmara em 1831, procurador do concelho em 1840 e 1845 e provedor da Santa Casa da Misericórdia. (5) Mais informações em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-vicente-jorge-1803-1857/

(3) Bartolomeu Barretto (1784 – 1845) – natural de Bombaim (21-07-1784), estabeleceu-se como comerciante e classificador de chá em Macau. Casou pela 1.ª vez ,em Macau, com Antónia Maria Francisca Gonçalves Pereira na Igreja de S. Lourenço a 14-05-1816 e a 2.ª vez, a 18-07-1821, com a sua cunhada Angélica Rosa Gonçalves Pereira Foi director da Casa de Seguros de Macau que se estabeleceu novamente em Macau em 1822, da qual tinha 9 acções. Em 1825, foi eleito almotacé da Câmara. Faleceu em Macau a 25-02-1845. Pai de João António Gonçalves Barreto (1824-1881), , um dos fundadores do Clube Lusitano de Hong Kong. (5) Ver anterior citação de J. A. Barreto em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/j-a-barreto/

(4) Dona Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga (Rio de Janeiro, 1819 – Lisboa, 1853), foi a Rainha de Portugal e dos Algarves – D. Maria II, em dois períodos diferentes: primeiro de 1826 a 1828, quando foi deposta por seu tio Miguel, e depois de 1834 até à sua morte em 1853. Era a filha mais velha do imperador Pedro I do Brasil, que também reinou em Portugal brevemente como Pedro IV, e da sua primeira esposa, a imperatriz consorte do Brasil, Rainha Consorte de Portugal e dos Algarves e Arquiduquesa da Áustria, Maria Leopoldina da Áustria. Maria da Glória foi a única monarca da Europa a nascer fora de terras europeias

Retrato de D.Maria II, por John Simpson, c. 1837. https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_II_de_Portugal

D. Maria II, casou três vezes. Em 1826 casou com o seu tio o infante D. Miguel mas foi considerado nulo e dissolvido em 1834. Casou pela 2.ª vez, em Munique com príncipe Augusto de Bauhamais (1810-1835) em Janeiro de 1835 mas este faleceu em Março de 1835 de difteria. Casou então, com príncipe Fernando de Saxe- Coburgo-Gotha (1816- 1885) – rei consorte Fernando II, em Lisboa na Sé patriarcal em 19 de Abril de 1836. D. Maria II de D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota, esteve grávida 12 vezes, sendo que deu à luz 11 vezes, e só 7 dos seus filhos sobreviveram, e acabou por morrer no seu 11º parto.

(5) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume I, 1996.

FOLHETO TURÍSTICO - macau eating out IPanfleto turístico (inglês) (40 cm de largura – dobrável em 4 partes x 25 cm de altura), de 1987, destinado aos viajantes/turistas com os conselhos gastronómicos nesta cidade. Listagem de restaurantes, com indicação da categoria, endereço, número de telefone e horário de funcionamento.
FOLHETO TURÍSTICO - macau eating out IIPequenas explicações da cozinha portuguesa/macaense, cantonense/chiu chau, sanghainense, japonesa, italiana, coreana, tailandesa e bebidas chinesas. No “steaks and snacks” uma recomendação para o famoso “prego” português.
FOLHETO TURÍSTICO - macau eating out IIIDos restaurantes portugueses/macaenses listados, somente alguns permanecem como por exemplo o Fat Siu Lau, o Solmar e o Pinocchio. O mesmo para os chamados restaurantes internacionais.
FOLHETO TURÍSTICO - macau eating out IVEmitido pelo Departamento de Turismo (Travessa do Paiva, n.º 1) e impresso na Tipografia Martinho (20 000 exemplares).

Macau Shopping Guide for Gold - logótipo do CITMPanfleto turístico impresso na Imprensa Nacional de Macau, com 18,5 cm x 21,5 cm de dimensões (dobrável em três partes), emitido pelo Centro de Informação e Turismo de Macau, na década de 70 (século XX).
Macau Shopping Guide for Gold - frenteEm língua inglesa, “Shopping Guide for Gold & Jewellery” é um guia específico para o turista nas compras de jóias e ouro, com aconselhamentos e indicações das lojas, membros da “Macau Goldsmith Association”  – 42 lojas que davam o “selo de garantia”.
Macau Shopping Guide for Gold - versoO Departamento de Turismo de Macau, nessa época, estava na Travessa do Paiva, n.º 1 e a sede da “Macau Goldsmith Association” na Rua Cinco de Outubro, n.º 197, 1.º andar.

Foi aprovada, por Decreto Régio de 12 de Março de 1847  e publicado no Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor de 10 de Dezembro de 1847,  a criação do Batalhão Provisório de Macau, em 17 de Outubro de 1846, pelo Governador João Maria Ferreira de Amaral,  destinado a auxiliar a Força de 1.ª linha.
Este batalhão foi criado pelo Governador Ferreira de Amaral  (e organizado com os moradores), após a revolta dos faitiões de 8 de Outubro desse ano, (1) para reforçar a força armada da Colónia que então o governador reconheceu ser insuficiente para defender a Colónia de possíveis ataques futuros.(2)(3)
A criação deste Batalhão não foi do agrado do Leal Senado que contrariava a política do Governador Amaral mas este proclamava em 22 de Dezembro de 1847 “ha de conservar-se o Batalhão Provisorio no pé em que está, porque o mui disciplinado batalhão d´Artilharia apenas pode suprir para o serviço ordinario, e só serão punidos os Cidadãos, que ou por mandrice, ou por pouco respeito à lei faltarem às reuniões.” (2)
O seu primeiro Major-comandante foi o macaense Francisco José de Paiva, que comandou o Batalhão até 13 de Dezembro de 1849, data do seu falecimento, aos 48 anos de idade. (4) O Batalhão ficou aquartelado no extinto Convento de S. Domingos.
A Relação dos Oficiais do batalhão que era composta por 4 Companhias, todos elas chefiadas por um Capitão,foi aprovado por Decreto de 13 de Dezembro de 1847.

O Estado Maior era formado por:
Major Comandante: Francisco José da Paiva
Tenente  Ajudante: Pedro Marques
Cirurgião-Mór: Joaquim C. da S. Telles
Alferes Porta bandeira: Luiz João da Silva

O Batalhão Provisório de 2.ª linha foi depois reorganizado em Dezembro de 1857 e passou designar-se Batalhão Nacional. Este Batalhão foi extinto em 1876, tendo os militares passado para o Regimento de Infantaria do Ultramar que se manteve até à sua extinção 1893.(5)
Francisco José da Paiva, nascido a 4 de Janeiro de 1801, na freguesia de S. Lourenço era filho de Francisco José de Paiva (natural de Vila do Mato, freguesia de Milhões, do Bispado de Coimbra) (6) e de Inácia Vicência Marques.
Joaquim José de Paiva, avô de Francisco, também natural de Vila do Mato viera de Portugal para Macau no século XVII tornando-se em breve um dos mais ricos comerciantes desta cidade, vindo a família Paiva a ser uma das mais poderosas de Macau. Estava casado com Maria Nunes também natural da Vila do Mato.
Francisco José da Paiva, foi nomeado Juiz ordinário de Senado em 1831, e Encarregado dos Negócios Sínicos, em 1836.(7)
Francisco José de Paiva andou envolvido nas lutas que se travaram em Macau entre constitucionais e absolutistas. Recebida em Macau a nova da revolução de 24 de Agosto de 1820, que proclamara a Constituição em Lisboa, apressaram-se alguns elementos a jurar aqui a Constituição, o que se realizou em 15 de Fevereiro de 1822.
Em 19 de Agosto de 1822, é eleita pelos constitucionais a nova Câmara, sendo escolhido Francisco José da Paiva para Procurador com 87 votos; esta Câmara cessou em 23 de Setembro de 1823 dia em que tomaram posse do Governo de Macau,  o Bispo Fr. Francisco de N. Sra. da Luz Chacim, o Major João Cabral de Estefique e o vereador do senado Inácio Baptista Cortela.
Francisco José de Paiva  foi nomeado em 1846,  o primeiro Cônsul de Portugal em Hong Kong. Foi agraciado com a comenda da Ordem de Cristo.
Fora das suas actividades como grande Homem Público, Francisco José de Paiva tomou parte importante na fundação da antiga «Casa de Seguros de Macau» de que foi, entre as pessoas particulares, o segundo maior accionista. (8)
Francisco José de Paiva casou com Aurélia Pereira (neta paterna do conselheiro Manuel Pereira) e tiveram 3 filhos: Francisco José de Plácido de Paiva (1836) Carolina Maria de Paiva (1839) e António Aurélio de Paiva (1843).

Seminário S. José 1929Igreja do Seminário 1929

Faleceu a 13 de Dezembro de 1849, sendo sepultado no Cemitério de S. Paulo. A lápide sepulcral  de Francisco José de Paiva foi depois transladada para a igreja do Seminário de S. José, onde está na parede debaixo do coro, à esquerda de quem entra do lado do Evangelho.(2)

Seminário S. José -Lápide de Francisco José PaivaTRADUÇÃO
Cristo, alfa e ómega, i. é. princípio e fim

“Aurélia Pereira de Paiva, viúva, com os seus filhos, Francisco José Plácido de Paiva, da Ordem de S. bento, e Carolina Maria de Paiva, pede, aflita, luz e descanso para Francisco José de Paiva, caritativo para com os pobres de Cristo, o qual nasceu em Macau, em 4 de Janeiro de 1801, e aqui faleceu em 13 de Dezembro de 1849, confortado com os sacramentos da Igreja”.

NOTA: Francisco José de Paiva tem o seu nome na toponímia de Macau: Travessa do Paiva (擺華巷), construída pelo Eng. Abreu Nunes em 1896, que começa entre a Rua Central e a Rua de S. Lourenço e termina na Rua da Praia Grande, ao lado do Palácio do Governo.
(1) “08-10-1846 – O Governador João Maria Ferreira do Amaral sufocou, prontamente a revolta dos faitiões (embarcações chinesas de passageiros e carga) que se tinham revoltado por ter sido lançado o imposto de uma pataca sobre essas embarcações, o qual fora proposto ao governo pelo Procurador da Cidade Manuel Pereira. “(GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
(2) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942.
(3) E não tardou muito que os acontecimentos viessem demonstrar a veracidade desta afirmação, pois que, assassinado o Governador Amaral, em 22 de Agosto de 1849, e vendo-se a cidade ameaçada pela invasão china, o batalhão Provisório concorreu bastante para a memorável vitória de 25 de Agosto, segundo se vê, das seguintes palavras do Capitão Ricardo de Melo Sampaio (Boletim do Governo n.º 80 de 5 de Setembro de 1849) : “As forças do batalhão Provisório que me foram enviadas durante a acção concorreram bastante pela sua actividade e disciplina par que o resultado da luta nos fosse favorável, e sem algum acontecimento funesto a não ser um só ferido, não gravemente.(2)
(4) Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor, Ano V, n.º 89, de 10 de Janeiro de 1850:

NECROLOGIA

«Um dos golpes mais severos, que tem soffrido ultimamente esta nossa Cidade, é pela voz geral de todos, a falta do nosso mui digno, e mui chorado concidadão o Ilmo. Sr Francisco Jozé de Paiva, Commendador da Ordem de Christo, nomeado por sua Majestade Fidelíssima, Consul Portuguez em Hong Kong, e Commandante do Batalhão Provisório de Macao. – Elle já não é comnosco! No Cemiterio de Sm. Paulo, onde jaz, está esperando, como os outros que alli moram, o dia final dos seculos …(…)
…Alem d´outras prendas estimaveis, que possuia, fallava a sua lingua materna com pureza, e correcção , assim coomo diversas outras d´Europa, não ignorava o latim, sabia a Historia, e a Geographia, amava e cultivava a Musica e a literatura nacional e estrangeira, de que tinha bom conhecimento. Sua enfermidade foi longa; mas supportada com paciencia…
(5) CAÇÃO, Armando António Azenha – Unidades Militares de Macau, 1999.
(6) Francisco José de Paiva (pai do biografado, com o mesmo nome) nascido em 1758, em Midões,  faleceu em Macau (27-11-1822) sendo sepultado na Igreja do Convento de S. Francisco. Casado com Inácia Vicência Marques (faleceu a 2 -11-1848) que era proprietária do mato/monte do Bom-Jesus onde estava instalado o Carmelo de Bom Jesus. Tiveram  oito filhos.
Uma das filhas Maria Vivência da Paiva (irmã do biografado, Francisco José de Paiva que era o terceiro na linhagem mas varão) nascida em Macau a 22 de Julho de 1802.
casou com Albino Gonçalves de araújo proprietário do navio Conde de Rio Pardo de quem teve um filho, Albino Francisco de Araújo que nasceu em Macau na freguesia de S. Lourenço a 19-05-1824 e se suicidou em paris em 1873 com 51 anos de idade. este episódio relatei em:
“OUTRAS LEITURAS – 365 Dias com histórias da HISTÓRIA DE PORTUGAL (I)”
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/02/outras-leituras-365-dias-com-historias-da-historia-de-portugal-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/albino-f-paiva-araujo/
(7) “07-10-1836 -O Procurador Francisco José da Paiva escreve ao Mandarim da Casa Branca, pedindo para autorizar o restauro da Fortaleza da Barra, destruída com o último tufão e chuvas, alegando ser obra pública de grande necessidade.” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)
(8) “29-11-1817 -Foi instalada a Casa de Seguros de Macau que devido ao seu poderio, era conhecido por Casa Forte. A sua primeira direcção, nomeada a 23 de Dezembro de 1817 ficou  assim constituída: Presidente, o Barão de São José de Porto Alegre; Vogais, Francisco José da Paiva e João de Deus Castro ....” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)