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Leitura de mais uma crónica de Henrique de Senna Fernandes (1)

“Em Fevereiro, aparece anunciado no Vitória um filme que causa engulhos. Correu pela cidade que a película estava recheada de escabrosidades e indecências. Intitulava-se “Modern Womanhood” (2) que os anúncios traduziram para português “A Mulher Moderna”, acrescentando “um filme educativo” e logo, mais severamente, “não é permitida a entrada de menores”. Pairou, por este motivo, um ar de escândalo, em volta da fita, cujos actores não eram conhecidos ou cujos nomes nem eram mencionados. Houve, assim, uma pré-exibição para os censores, transformados em pilares da moralidade da sociedade macaense. O “Jornal de Macau” de 2 de Fevereiro transcreve a seguinte notícia: “

Assistimos ao ensaio desta fita para a qual foram convidadas as autoridades, polícias, médicos e imprensa portuguesa e chinesa. O filme é interessantíssimo, mostrando a formação da mulher moderna e os vários costumes dos povos. Produção de uma empresa russa (nós diríamos hoje, com mais franqueza, soviética), mostra o cuidado que as autoridades têm pelo desenvolvimento da presente geração, especialmente das mulheres. O filme, focando assunto delicado, não contém todavia escabrosidades, sendo porém conveniente não ser visto por menores dum e doutro sexo, cujas cabecinhas poderiam tirar conclusões temerárias que o filme em si verdadeiramente não contém.

É claro que o Vitória encheu-se de senhoras e cavalheiros interessados em saber o que era “uma mulher moderna”. Houve quem se escandalizasse, pronunciando a crónica expressão: “Que horror!”. Que diriam essas mesmas pessoas se vissem os filmes que hoje por ali abundam, em especial, “Deep Throat” (A Garganta Profunda) (3) que corre mundo, exibido nas melhores casas de espectáculo das grandes cidades, onde papás e mamãs circunspectos vão receber a sua educação pornográfica, sem murmúrio nem protesto, até com laivos de admiração?!.

(1) FERNANDES, Henrique de Senna – O cinema em Macau III http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30023/1797

(2) Não consegui descobrir  qualquer informação deste filme.

(3)  “Deep Throat” filme pornográfico americano de 1972 de grande êxito commercial, escrito e dirigido por Gerard Damiano, com a actriz Linda Lovelace. https://en.wikipedia.org/wiki/Deep_Throat_(film)

A começar em 8 de Janeiro de 1965, um espectáculo para maiores de 17 anos (?), no Teatro Vitória, o filme “Gidget goes to Rome”.

Gidget Goes to Rome”, filme de 1963, da “ Columbia Pictures”, em “ Eastmancolor” é o terceiro filme da “série” “Gidget” (1) com a actriz Cindy Carol como protagonista.

(1) O primeiro filme “Gidget” é um filme de comédia americano em CinemaScope, de 1959, com Sandra Dee como protagonista e os actores, James Darren , Cliff Robertson , Arthur O’Connel. O segundo filme é de 1961,  “Gidget Goes Hawaiian” (1961), com a actriz Deborah Walley; outros actores: James Darren, Michael Calla. Todos os três filmes foram dirigidos por Paul Wendkos. https://en.wikipedia.org/wiki/Gidget_Goes_to_Rome

Trailers: https://www.youtube.com/watch?v=fSIh2JcwSJE https://www.youtube.com/watch?v=rR0ETIWqwE4

PARA BREVE

Queen of the Pirates”, filme italiano (La Venere dei pirati) de 1960 dirigido por Mario Costa. Actores: Gianna Maria Canale,Massimo Serato eScilla Gabel. https://en.wikipedia.org/wiki/Queen_of_the_Pirates

Bilhete de cinema do dia 25 de Dezembro de 1961 do Teatro “VITORIA” 院戲大利多域, n.º 0064, para a sessão das 14.30 horas (2.ª galeria – 2 B) do filme “The Guns of Navarone”($1.80 pts).

Lápis vermelho com a marcação do lugar G 13 (?); 11,5 cm x 7 cm¸ fundo branco; impresso a vermelho/preto
Verso do bilhete com carimbo no lado esquerdo – metade do selo de verba

The Guns of Navarone” (“Os Canhões de Navarone”) é um filme de guerra, de 1961, ficcionado num episódio da 2.ª Guerra Mundial, realizado por J. Lee Thompson, com argumento de Carl Foreman  (também produtor do filme) , baseado no livro de Alistair MacLean, de 1957. Actores: Gregory Peck, David Niven, Anthony Quinn, Stanley Baker, Anthony Quayle, Irene Papas, Gia Scala, James Darren e Richard Harris. Música do compositor e arranjos de canções tradicionais gregas de Dimitri Tiomkin. Nomeado para 8 Óscares da Academia Americana, ganhou um: melhor efeitos especiais: Bill Warrington e Chris Greenham.

Trailers: https://www.youtube.com/watch?v=0ORnL9WmOEo https://www.youtube.com/watch?v=6f_vl40sN6g https://www.youtube.com/watch?v=AjMrIj9cO68

(1) 院戲大利多域mandarim pīnyīn: yuàn xī dà lì duō yù; cantonense jyutping: jyun2 hei3 daai6 lei6 do1 wik6

A começar em 18 de Outubro de 1959, no Teatro Vitória, com as sessões diárias habituais, o filme “The Restless Years”:

Slogan: The story of a town with a dirty mind!

O folheto está rasurado: carimbo datado “19OCT1959

“The Restless Years” é um filme americano de 1958, drama/crime/”film noir”, (1) dirigido por Helmut Käutner, argumento de Edward Anhalt (baseado numa peça teatral de Patricia Joudry,  “Teach Me to  Cry”) e produzido por Ross Hunter para a “Universal Pictures“ https://en.wikipedia.org/wiki/The_Restless_Years_(film)

PRÓXIMA MUDANÇA: “The Hanging Tree”, filme americano de 1959, um western dirigido por Delmer Daves, baseado na novela “The Hanging Tree” de Dorothy M. Johnson publicada em 1957. Actores: Gary Cooper, Maria Schell, George C. Scott e Karl Malden. O filme é conhecido pela canção título “The Hanging Tree” uma balada cantada por Marty Robbins  e escrita por Mack David e Jerry Livingston, que foi nomeada  para melhor canção na 32.ª sessão da Academia – Óscar de 1960. https://en.wikipedia.org/wiki/The_Hanging_Tree https://kxrb.com/country-music-legend-marty-robbins-sang-the-theme-song-for-the-1959-classic-film-the-hanging-tree/

(1) “Film noir” (‘filme negro’) – um subgênero de filme policial, derivado do romance de suspense influenciada pelo expressionismo alemão, o qual teve o seu ápice nos Estados Unidos entre os anos 1939 e 1950. https://pt.wikipedia.org/wiki/Film_noir

“No dia 2 de Outubro de 1921, realizou-se no Teatro Vitoria um concerto com a cantora de leder Anna El Tour,(1) o pianista Leo Podolky (2)e a dançarina Mirowa.” (3) (4)

Os três artistas que actuaram em Hong Kong no dia 24 de Setembro de 1921, estavam a fazer uma “tournée” ao sudeste asiático.

(1) Anna El-Tour (em russo Анна Эль-Тур ), pseudônimo de Anna Samoilovna Isakovich cantora/soprano e pedagoga (desde 1948, até á morte, professora no Conservatória de Amesterdão) nasceu em 4 de junho de 1886, em Odessa e morreu em Amesterdão a 30 de Maio de 1954. Formou-se no Conservatório de São Petersburgo para piano e canto, continuando os estudos em Leipzig. Em 1908, fez uma digressão de sucesso pelo Reino Unido, com o violinista Jan Kubelík. De volta à Rússia, El-Tour canta em São Petersburgo. Nos anos 1913 a 1920 ensina em Moscovo, depois entre 1922 e 1925 em Berlim; entre 1925 e 1948 em Paris. Torna-se professora no Conservatória de Amesterdão, em 1948.

http://forgottenoperasingers.blogspot.com/2015/02/anna-el-tour-soprano-odessa-1886.html https://fr.wikipedia.org/wiki/Anna_El-Tour

(2) Leo Podolsky (Osessa, Ucrânia 1891-Los Angeles 1987) foi um pianista clássico e  professor/educador, autor de livros de música. Estudou no Conservatório de Cracóvia e, eventualmente, matriculou-se na Academia de Música de Viena, onde ganhou os prêmios Liszt e Anton Rubinstein. Podolsky fez sua estreia em Berlim em 1912. Fez cerca de 426 recitais (solo e com orquestras sinfónicas) na sua tournée pela Ásia e Pacífico (Java, Japão, China, Filipinas, Federação Malaia, Índia britânica, Burma, e Ceilão) e assume a direcção de departamento de piano em Indiana, , onde permanece 18 anos e depois em, 1926 ensina na faculdade de música em Chicago.

. https://en.wikipedia.org/wiki/Leo_Podolsky

Vera Mirova em 1927

(3) Vera Mirova refugiada russa bailarina de dança moderna, estudou dança plástica orientada por Elena Rabenek na Primeira Escola de dança moderna na Rússia, fundada depois da tour que Isadora Duncan fez à Rússia. Nos seus espectáculos (Europa, Siam, Borneu, Sumatra, etc) Mirova utilizava o estilo “free dances”, não usual na Ásia, sob a música de Debussy, Ravel e Prokofiev. Em Sumatra, actua em espectáculos com o pianista Leo Podolsky com quem se casa e ambos emigram para os EUA. Neste país, enquanto Podoslky ensina e toca piano, Mirova, torna-se especialista em danças javanesas, birmanesa, indiana (este) e torna-se famosa dança oriental. Em 1927 torna-se professora e artista de dança étnica em Chicago e Nova Iorque.

https://digitalcollections.nypl.org/items/a8298920-aef3-0136-e2ee-25a42be65e4a?featured=true

(4) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954

Estreia no Teatro Vitória, no dia 13 de Setembro de 1956, do filme musical “Rock Around the Clock”, o primeiro filme abordando o então fenómeno musical “rock and roll”.

Rock Around the Clock”, filme musical de 1956, produzido por Sam Katzman (produtor de muitos filmes de Elvis Presley na década de 60) e dirigido por Fred F. Sears, aproveitando o sucesso e popularidade do conjunto “Bill Haley and His Comets”, nomeadamento do disco “Rock Around the Clock” gravado em 1954 e popularizado em 1955.

Outros conjuntos musicais populares nessa época participam no filme: “Freddie Bell and His Bellboys” e “Tony Martinez and His Mambo“ e “The Platters,”

https://en.wikipedia.org/wiki/Rock_Around_the_Clock_(film

Bill Haley and His Comets” on DECCA Records, , 1955. https://en.wikipedia.org/wiki/Rock_Around_the_Clock

Trailers do filme em: https://www.youtube.com/watch?v=-eJOJhwgluE https://www.facebook.com/watch/?v=1811168742237246

Ver outros filmes com este tema: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/12/30/noticia-de-30-de-dezembro-de-1956-folheto-de-cinema-teatro-vitoria-xvii-boas-festas-e-feliz-ano-novo/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/06/09/noticia-de-9-de-junho-de-1957-folheto-de-cinema-teatro-capitol-xl-rock-pretty-baby/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/11/noticia-de-11-de-janeiro-de-1957-folheto-de-cinema-teatro-vitoria-xxxii-rock-rock-rock/

De interessante a chamada de ATENÇÃO, no verso do folheto, da apresentação do filme inglês (distribuído pela “Columbia Pictures”): “April in Portugal”, de 20 minutos de duração, filmado em 1954, e distribuído em 1956. Filme (tipo documentário turístico) narrado pelo actor Trevor Howard com a actriz Jocelyn Lane (no papel da guia turística, Jackie Lane). Dirigido por Euan Lloyd, argumento de O. Henry. Música de George Melachrino que participa com a sua orquestra. Além da Amália Rodrigues, participa também o toureiro António dos Santos (primo do toureiro Manuel dos Santos, morto em fevereiro de 1973 em acidente de viação),

Começou a 14 de Julho de 1960, no Teatro Vitória, o filme “A Múmia”

The Mummy” (A múmia) filme britânico de 1959, classificado como filme de terror (1) dirigido por Terence Fisher com os actores Peter Cushing (John Banning), Christopher Lee (Kharis/The Mummy), Raymond Huntley (Joseph Whemple) e Yvonne Furneaux (Isobel Banning/Princess Ananka). Produzido por Michael Carreras e Anthony Nelson Keys para o celebre “Hammer Film Productions. Filme colorido “Eastman Color” Argumento de Jimmy Sangster, não sendo no entanto, uma nova versão de um filme , de 1932, com o mesmo título, o clássico do cinema de terror interpretado por Boris Karloff e dirigido por Karl Freund.

https://www.imdb.com/title/tt0053085/ https://en.wikipedia.org/wiki/The_Mummy_(1959_film)

Trailers do filme: https://www.youtube.com/watch?v=nTnkLTRR6v8 https://www.youtube.com/watch?v=CX27D0aMjZc

BREVEMENTE: “Hell Bent for Leather”

“Hell Bent for Leather” filme americano, de 1960, um «western» dirigido por George Sherman com os actores: Audie Murphy, Felicia Farr, Stephen McNally e Robert Middleton. É o primeiro filme duma série de sete filmes «western» de baixo orçamento que Audie Murphy (1925–1971) protagonizou, já no declínio da sua carreira cinematográfica. https://en.wikipedia.org/wiki/Hell_Bent_for_Leather_(film)

(1) Do género “necrofilia” como tema central, mito da múmia “ressuscitada”, inspiradas nas expedições arqueológicas  e lendas em torno da descoberta do túmulo de Tutankhamon adaptado de uma obscura novela popular de Nina Wilcox Putman, pelo argumentista Richard Schayer (escreveu para mais de 100 filmes entre 1916 e 1956).

“O cinema brilha em Janeiro de 1934. O filme escolhido no Capitol, para o dia 1°, é o famoso “King Kong“, com os actores Fay Wray, Robert Armstrong e Bruce Cabot. Nos anúncios, o filme figura como a “oitava maravilha do mundo”. A bilheteira esgota-se durante os dias de exibição, porque todos querem admirar a odisseia do macaco gigante. Nunca havemos de esquecer as exclamações “uá” dos espectadores chineses, perante o macaco em fúria, a caminhar pelas ruas de Nova Iorque e a subir o «Empire State Building», onde encontrará a morte, perante as balas duma esquadrilha de aviões. O filme deixou uma memória perdurável que a segunda versão, feita há dois anos, e recentemente exibida entre nós, não apagou nem diminuiu. O primeiro “King Kong”, dentro do capítulo do filme de aventuras, é um clássico.

O Vitória não fica atrás da competição e em 5 de Janeiro oferece-nos um grande filme alemão de guerra “4 Infantrymen” (Os Quatro de Infantaria) (1) que ombreia com “All Quiet on the Western Front” (Nada de Novo na Frente Ocidental). Era a resposta alemã ao filme americano, mas movida pela mesma finalidade – o pacifismo, o repúdio da guerra, denunciando os seus horrores. Por ironia, a Alemanha estava nas mãos de Hitler e do Nacional-Socialismo.

Há outros filmes de lágrimas, de ternura e de pura evasão, como “The White Sister” com Clark Gable e Helen Hayes, “Smilin’ Through” de Norma Shearer e Frederich March, “Me and my Gal” de Spencer Tracy e Joan Bennett. Nomes que se fixam na mente e são preferência dos cinéfilos, todos eles no caminho ascensional da fama.

O Capitol apresenta uma série de fitas da casa alemã UFA, donde destacamos “Ronny” e o clássico “Madcheu in Uniform” (As Raparigas de Uniforme), hoje considerado um filme de antologia, com a bela actriz Dorothea Wieck.

(1) «Westfront 1918» é um filme de guerra alemão (as trincheiras da I Grande Guerra) dirigido por em 1930 por G. W. Pabst, dum argumento de Ladislaus Vajda adaptado dum romance “Vier von der Infanterie” deErnst Johannsen. https://en.wikipedia.org/wiki/Westfront_1918

(2) FERNANDES, Henrique de Senna – Cinema em Macau III (1932-36) in Revista da Cultura, n.º 23 (II Série) ABRIL/JUNHO de 1995, pp.151-152. Edição do Instituto Cultural de Macau. http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30023/1797

Henrique de Senna Fernandes nas suas memórias: (1)
“Em princípios de Março (8 de Março de 1935), as atenções de Macau concentravam-se na visita do aviso “Gonçalves Zarco” que, em viagem de soberania, mostrava ao Oriente o que era a proclamada Renovação da Marinha de Guerra Portuguesa. Era um navio de guerra novo que trazia a estas paragens a bandeira das Quinas, preenchendo uma lacuna deixada pelo velho cruzador “Adamastor”, que regressara a Lisboa um ano e tal atrás, para ser abatido. A visita fora esperada com orgulho e nervosismo, pois todos queriam admirar essa “moderna unidade de guerra”. Em 8 de Março, Sexta-Feira, Macau engalanava-se para a receber. Diz “A Voz de Macau“, em termos líricos:
“Às 13:30 horas, avistou-se o ‘Gonçalves Zarco’, ao longe, todo cinzento e cuja elegante silhueta se desenhava altiva no horizonte, primeira unidade naval das que o ilustre Chefe do Governo, Dr. Olivera Salazar, mandou construir em Inglaterra e veio até nós, os portugueses do Extremo Oriente, que comovidamente a contemplávamos, como se contempla amorosamente o torrão da Mãe-Pátria”.
As unidades da Marinha Privativa da Colónia dirigiram-se ao largo para fazer a escolta. Comandava-as a lancha-canhoneira “Macau”, onde se encontrava o Capitão dos Portos, 1° tenente Samuel Vieira. Atrás seguiam com altivez as lanchas “Demétrio Cinatti”, “Talone” e “Coloane”, os rebocadores “Neptuno” e “Berta”, dois motores da Capitania dos Portos, as lanchas n° 5 e 6 e duas lanchas mandarinas. A incorporar no cortejo figuravam também a lancha “Luntsing” das Alfândegas Chinesas e outras lanchas e motores particulares. Nessa “esquadra” iam funcionários civis e militares; muitas senhoras; escoteiros de Macau; Banda Municipal; pessoal civil e militar das ilhas de Taipa e Coloane; representantes de “A Voz de Macau” e dos periódicos chineses; representantes do comércio e indústria desta cidade; Leal Senado, Clero, etc.
As boas vindas foram dadas por meio de apitos e queima de panchões das lanchas. Ao entrar no canal, o “Gonçalves Zarco” deu a salva da ordenança, sendo respondido pela bateria de artilharia da Fortaleza da Guia. Então os juncos de pesca que se encontravam no porto, embandeirados, salvaram também o aviso ‘Gonçalves Zarco’ com as suas peças de carregar pela boca e queimando inúmeros panchões”.
Nunca em Macau assistimos a tão grandiosa recepção, imponentíssima, majestosa”, diz o articulista do “A Voz de Macau“. No Porto Exterior e na encosta da Guia, havia lágrimas em muitas pessoas, o patriotismo a tocar-lhes na corda sensível.
“Gonçalves Zarco”, sob o comando do então capitão-de-fragata Manuel Cardoso Quintão Meireles, (2) teve um acolhimento inesquecível. A hospitalidade de Macau, sempre fidalga, não regateou esforços para obsequiar os 133 homens, entre os quais 120 oficiais. Para muitos, depois de uma tão longa viagem pelo Oriente, Macau foi uma autêntica Ilha dos Amores. Voltando ao cinema, a inauguração do Apolo constituiu um rival para o Capitol. Já não estava sozinho em campo e, por isso, os filmes passaram a ser melhores do que quando se achava o único em campo. Com o desaparecimento do Vitória, o Apollo ficou com o exclusivo das películas da MGM, da United Artists e da Paramount. O Capitol reteve os filmes da RKO e da FOX”
(1) FERNANDES, Henrique de Senna – Cinema em Macau III (1932-1936)
(2) Trata-se, se não me engano, de Manuel Carlos Quintão Meireles (1880 – 1962), oficial da Marinha que combateu na I Guerra Mundial e em 1926, participou no golpe militar, tornando-se ministro dos Negócios Estrangeiros no segundo Governo de José Vicente de Freitas. Em 1951, foi candidato da oposição moderada às eleições presidenciais desse ano, mas acabou por desistir. (LOFF, Sofia Ferreira Manuel in
http://resistencia.centenariorepublica.pt/expo/index.php/bibliografias/52-meireles-manuel-carlos-quintao
Anteriores referências ao Aviso «Gonçalves Zarco»
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/aviso-goncalves-zarco/

NOTA: Documentário de 1936 da Cinemateca Digital onde se vê um desfile naval na frente ribeirinha de Lisboa, de vários Avisos, entre eles, o aviso de 2ª classe Gonçalves Zarco
http://www.cinemateca.pt/Cinemateca-Digital/Ficha.aspx?obraid=8425&type=Video

«Santiago», também conhecido como «The Gun Runner», é um filme de 1956, dirigido por Gordon Douglas e coproduzido pelo actor Alan Ladd e Martin Rackin, Tem argumento de Martin Rackin (baseado num seu romance inédito) e John Twist, uma história de transporte de armas para Cuba em 1898, no contexto da Guerra da Independência de Cuba.
Os actores são: Alan Ladd como Caleb “Cash” Adams, Rossana Podestà (após o seu papel em “Helena de Tróia”) como Doña Isabella, Lloyd Nolan como Clay Pike e Chill Wills como o capitão “Sidewheel” Jones.
Trailers
https://www.youtube.com/watch?v=ZwOmNRioHNw
https://www.youtube.com/watch?v=Kbcfm-bPo94
PRÓXIMA MUDANÇA
“Oklahoma!” é um filme musical americano de 1955, baseado na peça musical de 1943 “Oklahoma!”, escrito pelo compositor Richard Rodgers e o letrista  Oscar Hammerstein II. Considerado um clássico na história dos musicais de Hollywood, esta produção foi o primeiro musical dirigido por Fred Zinnemann e foi a estreia da actriz Shirley Jones no cinema. Outros actores: Gordon MacRae, Rod Steiger e Gloria Grahame.
Trailers:
https://www.youtube.com/watch?v=ZbrnXl2gO_k
https://www.youtube.com/watch?v=_C6J9gij5SQ
BREVEMENTE
Filme franco-italiano de 1955, no original em língua italiana com o título ”La donna del fiume” é dirigido por Mario Soldati e produzido por Carlo Ponti e Dino De Laurentiis.  Dublado depois para inglês e restribuído com o título “ Woman of the River”. Os actores são: Sophia Loren, Gérard Oury and Rik Battaglia
Trailers:
https://www.youtube.com/watch?v=106ai3leL_M
https://www.youtube.com/watch?v=_TJBpMxH4D8