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Não tenho informação sobre a localização desta Padaria. Possivelmente será o mesmo  primeiro estabelecimento português desta actividade (padaria) em Macau de José Francisco Borja que anunciou em 15 de Maio no Boletim do Governo (em português e inglês) a abertura duma padaria na casa n.º 25 da Rua do Campo para o dia 20 de Maio de 1857.

Fornecimento de pão feito com boa farinha da Europa e boa maça, e por preço cómodo”

Anúncio em inglês publicado no «Boletim do Governo de Macau» de 1868, pela empresa “Olyphant & Co” de Hong Kong, com a data de 10 de Junho de 1867, alertando para a chegada recente a Macau de carne de vaca e porco americano de qualidade “extra”.
Extraído do «B.G.M»n.º 8 de 24 de Fevereiro de 1868.
As grandes companhias inglesas e americanas em expansão na altura, abriam as suas sedes em Hong Kong e depois espalhavam as suas sucursais para outros portos da China. Não aconteceu contudo com a firma americana “Olyphant & Co” , empresa que comercializava mercadorias várias e ligada às cargas e descargas das linhas marítimas (navios a vapor) que começou em Cantão em 1828 (?) e abriu filiais, em Hong Kong em 1860 (1) e em Shanghai e Foochow no princípio da década de 60 (séc. XIX). Fechou em 1878. (2)
A “Olyphant & Co” foi a única das quatro grandes companhias com o comércio na China que recusou entrar no negócio do ópio.(3)
(1) MEYER, David R – Hong Kong as a Global Metropolis. Cambridge, 2004, p. 118
(2) PARKINSON, Jonathan – The China Station, Royal Navy 1864-1941. Troubador Publishing Ltd,,  2018, p. 72
(3) “The addressee, Olyphant & Co., was a merchant trading house in 19th-century China. From its initial involvement in the ‚Old China Trade‘, the firm expanded into other countries including Great Britain, Australia and New Zealand. In the beginning the company continued to grow in competition with other traders including Augustine Heard & Co., Russell & Co. and Wetmore & Co. Nevertheless Olyphant & Co. was a vociferous opponent of the opium trade, and the firm was one of the only large foreign trading firms not to engage in opium smuggling. The firm’s anti-opium stance led to its offices becoming known as “Zion’s corner“. Olyphant & Co. business dealings in Peru caused the company to collapse in 1878.”
http://59b4eb31fe0806b35bcb5ee7cdf65d4eef4f9a4b-customer-media.s3.amazonaws.com/auctions/364/kataloge/Mail_to_the_Far_East.pdf

Anúncio de 1924 da Firma F. Rodrigues (Gerente: Fernando Rodrigues; sede: Avenida Almeida Ribeiro n.º 10) – únicos agentes do Sul da China da Fiat.
Semelhante anúncio de 1922, já publicado em (1), que apresentava à venda (com entrega imediata) dos mesmos modelos da Fiat indicados no anúncio.
O Fiat modelo 501 foi um automóvel fabricado pela empresa italiana FIAT (Fabbrica Italiana Automobili Torino) desde 1919 até 1926. Foi o primeiro modelo da Fiat (4 cilindros em linha com 1460 cc) produzido depois da I Guerra Mundial. Produziram-se 65 000 unidade em diversos estilos e carrocerias.
Em 1921 foi lançado o modelo 501 S com três tipos de carroceria: Sportiva Torpedo, Spider e Sportiva Spyder (SS) Este modelo possuía maior potência, tendo sido produzidos 2 600 unidades. Seguiu-se o modelo Fiat 502, com quase 70 000 unidades produzidas.
O Fiat modelo 505 foi produzido entre 1919 e 1925, baseado no mesmo desenho com 4 cilindros do Fiat 501 mas com uma maior dimensão exterior. Conseguia-se atingir a velocidade máxima de 80 Km/h. Produziram-se 30 000 exemplares.
Informações recolhidas de
https://es.wikipedia.org/wiki/Fiat_501
(1) Anterior anúncio da mesma empresa de 1922
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/31/anuncio-fiat-touring-car-505-de-1922/

A loja comercial, “ Casa Brunswick” estava localizada na Avenida Almeida Ribeiro, n.º 14 (Telefone n.º 293) e vendia discos e grafonolas que na altura (1929) era uma novidade.
A única informação que consegui recolher desta casa comercial, foi a indicação do registo, em 1932 da «Brunswick (sub-Agência)» na mesma Avenida mas com o n.º 8 (Directório de Macau, 1932). No entanto a casa já não figurava no item “Agência de Companhias Estrangeiras” no Directório de 1933, pelo que suponho não ter durado muito a actividade desta casa comercial.

Anúncio publicado no «Jornal de Macau», de 1929.

A «Brunswick Records» foi uma das três grandes gravadoras dos Estados Unidos, juntamente com «Victor» e «Columbia Records», nas décadas de 30 a 70, do século XX.
A companhia começou primeiramente produzir fonógrafos em 1916, no Canadá e com a fidelidade de áudio dos primeiros anos de 1920, os discos Brunswick, acusticamente gravados, estavam acima da média para a época.
Em 1930 a «Brunswick-Balke-Collender» vendeu a patente para a «Warner Brothers», que no ano seguinte o passou para a «American Record Corporation». Em 1932 a filial britânica da «Brunswick» foi vendida à «Decca Records». Em 1973, todas as empresas que pertenciam à «Music Corporation Of America» – inclusive a «Decca», a «Uni Records» e a «Kapp Records» – foram transformadas na «MCA Records». (1)
É de notar que a maioria dos discos referidos no anúncio estão associados a canções-temas dos filmes que na altura eram ainda mudos.
Das canções enumeradas no anúncio, o n.º 40432 – “Ramona (cantado)” , o n.º 40476 – “Gallito e o n.º 403 74 –“Juventuded que vás” estão referidas na lista das gravações elaborada por Ross Laird – Brunswick-Balke-Collender Company e  Brunswick Radio Corporation.
Brunswick Records New York sessions, 1916-1931” (disponível na net)
A melodia n.º 40476 – “Gallito” é um “paso doble flamenco. (2)
A canção n.º 40432 – “Ramona” foi cantada por GENE AUSTIN (1900 -1972), compositor e cantor, um dos primeiros chamados “crooners”, muito popular nas décadas de 20-30 (século X). As suas composições “How Come You Do me Like You Do?” (1924) ; “When My Sugar Walks Down the Street” (1924)  “The Lonesome Road” (1929) e “Ridin Around in the Raian “ (1934) foram êxitos na rádio e nos discos. (3)
A canção “Ramona” é de 1928 e foi composta por Mabel Wayne com letra de L. Wolfe Gilbert .(4) É canção-tema do filme “Ramona” de 1928, dirigido por Edwin Carewe (5)
A canção ”Juventud que te vás” um “charleston foi muito popular na voz duma das    melhores mezzo-sopranos de Cuba (zarzuela, ópera e concertos), Tomasita Nunez (1901-1980). (6)

A canção N.º 40485 – “Angela Mia” é um “foxtrot”, gravado em 21 de Abril de 1928 (“Victor” 21338), música de Erno Rapée, letra de Lew Pollack. (7)
Foi a canção-tema do filme “Street Angel” de 1928 (produção de William Fox) com os actores Janet Gaynor (1906-1984) (8) e Charles Farrell (1902-1990).
A canção n.º 3129 – “Napolitan Nights”, de 1928, é cantado por James Melton. (9)
Canção-tema do filme “Fazil” de Howard Hawks, de 1928. (10)
(1) https://en.wikipedia.org/wiki/Brunswick_Records
(2) Gallito, Paso Doble Flamenco de Santiago Lope interpretado ao piano  por H. Asborno
https://www.youtube.com/watch?v=V57n6NP8Mnw
Gallito, Paso Doble Flamenco de Santiago Lope interpretado pela Banda de Almenara
https://www.youtube.com/watch?v=xB7ux-ONLUM
(3) https://www.google.pt/search?q=Gene+Austin&oq=Gene+Austin&aqs=chrome..69i57j0l5.13143j0j8&sourceid=chrome&ie=UTF-8
Gene Austin – My Blue Heaven (1927)
https://www.youtube.com/watch?v=5w-_xbBmXJ4
Gene Austin – Forgive Me (1927)
https://www.youtube.com/watch?v=APn30l293wA
(4) Disco gravado em 2 de Abril de 1928. O lado B. do disco “Girl of My Drams” foi também muito popular.
“Ramona” (1928) pela orquestra “Brunswick Hour Orchestra”
https://www.youtube.com/watch?v=gpZF0QDRkfA
Ramona” foi n.º 1 do ano de 1928 – a canção gravada mais popular (a 2.º mais popular foi a célebre canção “Sonny Boy” de Al Jolson). Foi canção-tema do filme “Ramona” protagonizada por Dolores del Rio. Existem várias versões desta canção.
https://en.wikipedia.org/wiki/Gene_Austin#/media/File:Gene_Austin_01.jpg
(5) “Ramona”, filme de 1928, mudo, drama dirigido por Edwin Carewe com os actores Dolores del Rio e Warner Baxter
https://en.wikipedia.org/wiki/Ramona_(1928_film)
(6) Tomasita Nunez –Sin Encontrarte

Tomasita Nunez –Por Eso Te Quiero

(7) Versões disponíveis na net:
“Angela Mia”, cantado por James Melton
https://www.youtube.com/watch?v=HXTkmu6wpOo
Ângela mia (My Angel), com Francisco Alves acompanhado por Simão Nacional Orquestra.
https://www.youtube.com/watch?v=Fj7yUSACJsQ
Paul Whiteman – My Angel (Angela Mia) (1928)
https://www.youtube.com/watch?v=fJLFukGTVgE
“Angela Mia” cantdo por Harold Scrappy Lambert
https://www.youtube.com/watch?v=Tf6kxC3avTM
(8) Janet Gaynor foi a primeira actriz a receber o Óscar de melhor actriz principal em 1928, por três filmes: “7th Heaven” (1927), “Sunrise: A Song of Two Humans” (1927), e “Street Angel”l (1928) (foi a única vez que uma actriz recebeu este galardão por múltiplas participações)
(9) “Napolitan Nights”, cantado por James Melton
https://www.youtube.com/watch?v=7YtsHahgXzk
(10) “Fazil”, de 1928, filme mudo, drama, dirigido por Howard Hawks, Com os actores Charles Farrell (1902-1990). e Greta Nissen

Hoje, décimo quinto dia da oitava lua do calendário, comemora-se a festividade do bolo lunar, a mais importante e a mais típica das festividades que o calendário chinês dedica à Lua ou a qualquer divindade com ela relacionada.
“O povo chinês vive ainda agarrado a uma tradição de milénios e celebrar hoje, como o fazia há milhares de anos, todas as suas festas, subordinadas sempre ao calendário do Ano Lunar. Talvez por ser a rainha da noite, que desfaz com sua luz suave e romântica as trevas que envolvem o nosso planeta, a Lua é considerada pelos chineses o astro que maior influência exerce sobre os filhos da Terra e aquele que, pela sua configuração, proximidade do nosso planeta, brilho e grandeza relativos, foi feito para comandar toda a vida criadora do homem” (1)

As lojas da Avenida Almeida Ribeiro com os seus cartazes alegóricos, iluminados por lâmpadas de variadas cores.

E conhecida como a festa do «Bolo Lunar», o característico bolo que nesta ocasião se permuta entre os parentes, amigos e conhecidos. Antigamente (hoje, já se encontra à venda em avulso e de sabores que não os tradicionais) acondicionados, quatro a quatro, em caixa de papelão, cuja tampa representa sempre um motivo das várias lendas que se contam acerca da invenção deste bolo saíam das pastelarias tradicionais (hoje fabricam-se em grandes fábricas até na Europa) em grandes quantidades.
As pastelarias que confeccionavam os bolos da «Festividade do Outono» ornamentavam as suas fachadas com interessantes quadros alusivos às várias lendas, ligadas a esta festividade.

Aspecto de uma pastelaria das várias que existiam na Avenida Almeida Ribeiro que confeccinavam os bolos da «Festividade do Outono» ornamentada na sua fachada com interessante quadro alusivo às várias lendas, ligadas a esta festividade.

Festejavam-se em reuniões familiares, geralmente realizadas nas varandas voltadas para a Lua, iluminadas por lanternas cujas silhuetas, projectando-se nas paredes, produziam um efeito estranho e exótico, proporcionando a todos os membros da família momentos de alegre confraternização. Acendiam-se pivetes, queimavam-se papéis votivos, entoavam-se preces e faziam-se ofertas à Lua quando ela aparecia no horizonte a iluminar a noite. Em especial as mulheres e raparigas, punham todo o seu cuidado nas oferendas, pois sendo a Lua o símbolo do princípio feminino, dela dependia toda a sua felicidade. (1)

Outro aspecto de uma outra pastelaria na mesma Avenida

Entre as ofertas à Lua não podiam faltar as frutas de formas arredondadas e por isso, as toranjas, as carambolas, os dióspiros e as laranjas são (serão ainda ?) muito procurados apesar do elevado preço, inflacionados nesta época por não serem frutas de estação. Também figuravam (hoje já se vêem muito pouco) as castanhas de água que por causa da sua forma convencional de morcego chinês, é considerada um emblema de felicidade.  Viam-se no passado o trabalho artístico dos artífices com a castanha de água modelada ou em gravação nos objectos de arte, sobretudo jade.

Outro painel de uma outra pastelaria

A ornamentação nas moradias, recintos públicos e lojas comerciais, sobretudo as que vendiam o bolo lunar concentradas na Avenida Almeida Ribeiro, motivava a concorrência entre os empregados que “montavam” o painel dessas lojas e eram muito apreciados, comentados e “visitados” principalmente à noite quando estava tudo iluminado. (1) Na década de 60 (século XX) alguns destes painéis já apresentavam uma sofisticação que chamava a atenção do público (principalmente as crianças) – heróis lendários recortados que se moviam dum lado para o outro no painel.
(1) Fotos e artigos não assinados extraído de «Macau Bol. Inf.» IV-76, 1956.

Anúncio publicado em 1868 no Boletim do Governo de Macau e Timor (1) da “Pharmacia Lisbonense” pertencente a Joaquim das Neves e Sousa.

GRAGEAS DE CUBEBINA COM COPAHIBA DE LABELONY para os casos de hemorragias uréticas ou gonorreias, e mesmo leucorreias. Tomando-se 10 a 12 dias são suficientes para uma cura radical. Muito fáceis de tomar, dissolvem-se facilmente no estomago.

Desconheço as datas de inauguração e fecho desta farmácia.
Em 1879, a  “PHARMACIA LISBONENSE” de Joaquim das Neves e Sousa (proprietário e farmacêutico) ) ficava na Rua da Praia Grande n.º 35. O “farmacêutico” encarregado era José Severo da Silva Telles.
Em 1890, o farmacêutico titular mantinha-se o Joaquim das Neves e Sousa e tinha como ajudantes Theophilo João Bento Monteiro e Elysio Fernandes das Neves Tavares.
O nome em chinês (aqui pronunciado à cantonense) era “Farmácia Neves

Dois anúncios inseridos no jornal “Diário Popular” de 20 de Outubro de 1961, número especial dedicado ao Ultramar Português.
A  SOCIEDADE ORIENTAL DE FOMENTO LDA. com sede em Macau na Rua da Praia Grande n.º 63 tinha duas agências no exterior: em Dili (Timor) na Rua da Praya e em Hong Kong no “Mercantile Bank Building
 A “H. NOLASCO & CIA, LDA” tinha no exterior, agências em Lisboa (João Nolasco Lda. na Praça do Município n. 19-40), em Hong Kong (H. Nolasco & Co. Ltd. no “Ice House Street, n.º 10” e em Dili ( Sth Fl. Lif  Kin Joe, Ltd., Timor).