Archives for posts with tag: Rua Pedro Nolasco da Silva/Rua do Hospital

Pequeno saco comercial (24 cm x 18 cm) de plástico na década de 80 do séc. XX duma antiga livraria/papelaria muito popular entre os chineses, então existente na Rua Pedro Nolasco da Silva n.º 43 (telefone: 75570) (esquina para a Calçada do Monte), mas que posteriormente mudou, num espaço mais reduzido, para a Calçada do Monte n.º 3. (1) (2)

Saco de plástico, com o mesmo design em ambos os lados, fundo branco, letras e desenho a vermelho.

星光書店  STARLIGHT BOOKSTORE

圖書 – mandarim pīnyīn: tú shū ; cantonense jyutping: tou4 syu1 – livros

雜誌 – mandarim pīnyīn: zá zhì; cantonense jyutping: zaap (mistura) zi (magazine)

中國 郵票- mandarim pīnyīn: zhōng guó yóu piāo; cantonense jyutping: zung1 gwok3 jau4 (postal) piu3 (bilhete) – bilhete postal da China

盒带 – mandarim pīnyīn: hé dài; cantonense jyutping: haap6 daai2 – cassetes

唱片- mandarim pīnyīn: chàng piān; cantonense jyutping: coeng3 pin3 – disco (música)

文敎用品- mandarim pīnyīn: wén (literatura) jiào (ensinar) yòng (usar) pǐn (produto); cantonense jyutping: man4 (cultura) gaau3 (ensinar) jung6 ban2 (produtos)

(1)

(2) 星光書店mandarim pīnyīn: xīng guāng shū diàn; cantonense jyutping: seng1 gwong1 syu1 dim3

Extraído de «BGM», VIII-2 de 14 de Dezembro de 1861, pp 5-6

No dia 26 de Setembro de 1954, na Piscina Municipal, realizou-se a extracção da grande rifa promovida por um grupo de abastados capitalistas chineses, entre os quais o Sr. Ho Yin, em benefício do Hospital Kiang Wu. Constava a mesma rifa de 200 bons prémios, o primeiro destes, dois prédios situados na Rua Pedro Nolasco da Silva. (1)

Nesse ano, o Hospital Keang (Kiang) Wu, mantido pela Comunidade Chinesa e subsidiado pela Comissão de Assistência Pública, presta assistência médica diária a mais de 800 doentes, além da média de 400 internados na sua totalidade indigentes Mantém, para isso, um quadro de pessoal médico e de enfermagem bastante numeroso, além do fornecimento gratuito de medicamento. Com tão pesados encargos, a Associação d Beneficência do Hospital «Keang Wu», de que é presidente o abastado capitalista Sr. Hó Yin, não consegue equilibrar o orçamento do hospital, que acusa, em quase todos os anos, um défice de 200 mil patacas (mais de mil conto). Costuma a referida Associação recorrer à generosidade dos benfeitores da meritória obra do Hospital «Keang Wu» para cobrir os défices anuais. (2) Este ano, porém, vai aquela Associação emitir uma grande rifa de 200 prémios, contando com isso saldar as dívidas feitas com a manutenção do hospital durante o ano que findou. Os valiosos prémios, entre os quais se contam um prédio no valor de 180 mil patacas, um automóvel e um frigorifico, foram todos oferecidos por generosos benfeitores, destacando-se a oferta do prédio de 2 andares feita pela Sr-ª Koc I Man, esposa do Sr. Hó Yin. Assim, com a insignificante quantia de $2.00, custo de cada bilhete, vai a população de Macau contribuir para uma obra de assistência que merece o apoio e simpatia, e habilitar-se, ao mesmo tempo, à posse de valiosos prémios” (2)

(1) «MBI», II-28 de 30 de Setembro de 1954, p. 15

(2) Em Janeiro desse ano, 1954, teve lugar na Piscina Municipal de Macau um festival artístico-desportivo, em que o produto das entradas reverteu a favor: 40% – dos sinistrados de um grande incêndio, recente, em Hong Kong; 40% do Hospital Kiang Wu; 20% da Associação de Beneficência «Tong Sin Tong».(SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia de História de Macau, Volume 5, 1998)

(3) Artigo não assinado em «M. B. I.» ANO I, n.º 22, de 30 de Junho de 1954, p. 7

Anúncio publicado na imprensa local, no dia 20 de Dezembro de 1913, publicitando o escritório dos advogados: Camilo Pessanha (1) e Luiz Nolasco (Luís Gonzaga Nolasco da Silva) (2) na Rua do Hospital (futura Rua Pedro Nolasco da Silva) n.º 7

(1) Sobre Camilo Pessanha, ver referências anteriores neste blogue:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/camilo-pessanha/
(2) Luís (Luíz) Gonzaga Nolasco da Silva, (1881-1954). 7.º filho de Pedro Nolasco da Silva  (1803 – 1874) e Edith Maria Angier , nascido em 14 de Dezembro de 1881, bacharel em Direito, Advogado e Notário Público, casado com Beatriz Emília Bontein da Rosa Nolasco d Silva  (tiveram 10 filhos), foi membro do Conselho do Governo; fundador, editor do jornal «Vida Nova» (1909-1910) e do seminário «O Progresso» (1914 – 1918. Em 1917 comprou a Manuel Ferreira da Rocha o terreno na Estrada dos Parses, onde edificou a sua moradia conhecida como a «Casa Branca»  (hoje Autoridade Monetária de Macau). (FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume II, 1996)
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/luis-gonzaga-nolasco-da-silva/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/02/23/folheto-de-propaganda-turistica-macau-guide/

Postal emitido pela Companhia “Green Island Cement C.º Ltd” de Hong Kong com fotografias das instalações de Hong Kong e da sua fábrica em Macau. (1) (2)
Anúncio de 1912, da mesma companhia, em Hong Kong, onde se encontrava a direcção da empresa, com a lista dos seus funcionários superiores (em baixo)
Extraído de «The Directory & Chronicle of China , Japan… », 1912»
(1) Entre 1882 e 1883, o comerciante chinês Yu Ruiyun fundou a Fábrica de Cimento da Ilha Verde. Por volta de 1886 terá sido vendida a uma empresa americana «Russell & Company» (3) que a revendeu a uma firma inglesa sediada em Hong Kong em 1891.
A Fábrica de Cimento prosperou até carecer de matéria-prima (pedra que deveria vir de Cantão) nos anos 30. Conservando o nome da Fábrica de Cimento da Ilha Verde, mudou-se para Kowloon, Hong Kong, e ainda hoje existe. (SILVA; Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997)
(2) “In 1898 or 1899, the  “Green Island Cement Company Limited” moved to a location on the harbour front at  Hok Yuen, an area in East Kowloon near Hung Hom where  a larger and more fully equipped factory was built. (The Macau “factories”  appear to have continued.)”
http://industrialhistoryhk.org/green-island-cement-company/
(3) “07-05-1886 – Celebrou-se um contrato entre o Seminário de S. José e Creasy Evens (solicitador judicial, representante da firma) que estabeleceu na Ilha Verde a «Green Island Cement Company, Limited», (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
“1886 – Começou a funcionar, na Ilha Verde, a fábrica de cimento, a cargo de comerciantes ingleses que alugaram o local ao seminário de S. José. Tinha adjacente a produção de tijolos e de cal; além de servir Macau também exportava. Decaiu só quando, cerca de meio século mais tarde, deixou de receber matéria prima de Cantão. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995)
08-02-1926 – Rescisão do contrato de arrendamento do terreno a sul da Ilha Verde com a área de 13.335 m2 feito a favor “The Green Island Cement Co Ltda”  (F.A.C. – Processo 15162 a 15175)
http://www.macaudata.com/upload_files/book/1065/p-163.html
1936 – Faliu a Companhia de Cimento que, por contrato celebrado pelo sr. Creasy Evans, com o Seminário de S. José, se estabelecer na Ilha Verde (SILVA; Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997)
NOTA: 1917 – A Rua do Hospital depois Rua de Pedro Nolasco da Silva, pavimentada nesta data pelas Obras Públicas, foi a primeira a utilizar, na sua pavimentação, cimento vindo da fábrica da Ilha Verde.  que começara a operar, por mão de ingleses, em 1886.

POSTAL –  Fábrica de cimento na Ilha Verde
Editor: M. Sternberg, c. 1900

Saco de plástico preto do Instituto Português do Oriente (Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida, n.º 95 –G Tel: 370642/3 Fax: 305426 – MACAU), da década de 90 (séc. XX) (1) (2)
O mesmo design em ambos os lados (dimensões: 43 cm x 23 cm): capa da 1.ª impressão de “Os Lusíadas” de Luís de Camões de 1572.
(1) Antiga sede; hoje: Rua de Pedro Nolasco da Silva, n.º 45-1.º

Capa da 1.ª edição, 1572

(2) Instituto Português do Oriente – 東方葡萄牙學會 (IPOR), é uma entidade pública empresarial portuguesa que visa promover a língua portuguesa e a cultura lusófona no continente asiático. O actual director João Laurentino Neves exerce o cargo desde 2012.  O IPOR foi fundado em Macau a 19 de Setembro de 1989 pela Fundação Oriente e pelo Instituto Camões.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Portugu%C3%AAs_do_Oriente

A Rua do Hospital foi em 6 de Junho de 1942 crismada com o nome de Pedro Nolasco da Silva, (1) por deliberação tomada em sua sessão ordinária de 22 de Abril de 1942.
“Recordava o antigo Hospital dos Pobres, fundado pelo bispo D. Melchior Carneiro pouco após a achegada em Junho de 1568, segundo ele próprio escreve: – «Quando cheguei ao porto de Macau, chamado do nome de Deus, havia aqui mui poucas habitações de portugueses e algumas casas de cristãos do país … Apenas cheguei, abri um hospital, onde se admitem tanto cristãos como pagãos. Fundei também uma Confraria de Misericórdia, semelhante à Associação de caridade de Roma: ela tem providenciado às necessidades de todos os pobres envergonhados e necessitados.»
Os chineses chamam a esta rua Pak Ma Hóng isto é, Firma do Cavalo Branco. É que outrora havia ali um edifício da firma «Fearon & Co». Fearon era cônsul de Hanover, (2) cuja bandeira era um cavalo branco em terreno vermelho. Como o escudo da fachada da firma e a bandeira lá flutuara nos dias festivos reproduziram o emblema de Hanover, os chinas crismaram a rua de Pak Ma Hóng.” (3)
(1) Ver anteriores referências a Pedro Nolasco da Silva em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/pedro-nolasco-da-silva/
(2) Christopher Augustus Fearon , (1788 – ?), cônsul de Hanover, dono da firma Fearon & Co. e agente da «East India Company». A sua esposa, Elizabeth Noad (1794-1838) está sepultada no cemitério protestante de Macau. Segundo Padre Teixeira (Toponímia de Macau, Volume II) o pintor George Chinnery, ao chegar a Macau, viveu alguns meses na Rua dos Hospital, numa casa de Christopher Fearon, mudando-se depois para o prédio n.º8 da Rua de Inácio Baptista, onde viveu até à sua morte em 1852.
In p. 139 de COATES, Austin – Macao and the British, 1637-1842: Prelude to Hong Kong, HKU Press, 2009. 231 p. , ISBN 978-962-209-075-0
Bandeira do Reino de Hanôver durante 1837—1866. Reino de Hanôver foi criado em Outubro de 1814 pelo Congresso de Viena, com a restauração do território de Hanôver ao rei Jorge III após a Era Napoleónica. O reio era governado pela Casa de Hanôver, em união pessoal com o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda até 1837, antes de ser conquistada pelo Reino da Prússia em 1866.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_de_Han%C3%B4ver
(3) “Pedro Nolasco da Silva veio acabar com a Rua do Hospital que era o pregão altissonante da caridade portuguesa, recordando a memória do primeiro bispo de Macau D. Melchior Carneiro
TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997
白馬mandarim pīnyīn: bái mǎ hàng; cantonense jyutping: baak6 maa5 hong4.

No dia 8 de Março de 1828, faleceu na sua casa na Rua do Hospital, Marta da Silva Merop (Mierop) , (1) fazendo-lhe o enterro o Cura da Sé, Cónego António José Victor, que registou o seu assento de óbito no respectivo livro da Sé: «aos oito do mês de Março de 1828, nesta cidade, faleceu Martha da Silva Merop com todos os sacramentos, fez testamento e Codicilo »(2) (3) Foi sepultada na capela-mor da Igreja do Convento de S. Francisco.
“O seu marido era o inglês Tomas Merop, com quem casou religiosamente em Macau, (4) o qual no seu testamento declara: «A minha querida esposa, Marta da Silva , deixo a soma de dez mil libras e a minha casa da Rua do hospital e toda a mobília. Se ela mudar de ideias de passar toda a vida em Macau e vier para a Europa, deve receber mais três mil libras. É meu desejo que ela case após a minha morte, com uma condição: se ela casar com um português, receberá apenas cinco mil libras, quer venha para a Europa ou não. Se casar com um indivíduo doutra raça, receberá dez mil libras, e mais três mil libras se vier para Europa. Quer se conforme ou não com os meus desejos no respeitante ao casamento, deixo-lhes os meus livros e a mobília, a minha placa, relógio, anel, roupas, impressos, vinhos, instrumentos músicos e artigos curiosos, juntamente com a minha casa»
Marta não foi para Europa nem casou pela segunda vez; passou toda a vida em Macau” (1)
No  testamento que deixou, feito a 3 de Março de 1828, diz:
«Eu Martha da Silva Merop, viuva de Thomaz Merop, moradora n´esta cidade de Macau (…)  natural d´esta Cidade do santo Nome de Deus na China, filha de Pae e mai gentios (…) fui casada com Thomas Merop ora defundo in facie Ecclesiae segundo manda a  Santa Madre Igreja (…)  deste Matrimónio não tive filho algum (…) não tenho herdeiros descendentes nem ascendentes. (…) deixo por ora… (5)
Deixou o seguinte:
$ 1 000 para 1 000 missas por sua alma
$ 400 para ofícios solenes
$ 1 400 para pobres recolhidos
$ 400 para pobres de porta
$ 900 para fazer um depósito e com os juros celebrar festas anuais na Sé
$ 20 000 à Santa Casa de Misericórdia
$ 5 000 ao Mosteiro de Santa Clara
$ 5 000 ao Convento de S. Francisco
$ 20 000 às educandas do Recolhimento de S. Rosa de Lima devendo casa uma receber ainda $ 200 quando se casar
Deixou ainda várias somas às suas numerosas afilhadas e escravas que deveriam ficar livres após a sua morte. (1)
Marta MeropO seu retrato (6) em corpo inteiro pintado por volta de 1815, ocupa lugar de honra na galeria de benfeitores da Santa Casa de Misericórdia, na sala de Actos.
(1) Marta da Silva Van Mierop (1766 -1828), foi abandonada à nascença e recolhida pela Santa Casa da Misericórdia em meados do século XVIII. Casa com o inglês Thomas Kuyck Vam Mierop, sobrecarga da Companhia das Índias inglesa que lhe deixa em testamento parte da sua fortuna. Torna-se assim a mulher mais rica de Macau, famosa armadora e benfeitora da cidade.
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – Vultos Marcantes em Macau, 1982, pp. 103-104.
(3) Codicilo – alteração ou aditamento de um testamento (FIGUEIREDO, Cândido – Dicionário da Língua Portuguesa, Volume I, 1986.
(4) Afirmação do Padre Manuel Teixeira mas que não se encontra registo do casamento em Macau. Outros referem concubinato. (5)
(5) Para uma melhor compreensão da história de vida desta benfeitora , aconselho a leitura, disponível na net, de
PUGA, Rogério Miguel – A Vida e o Legado de Marta da Silva Van Mierop in Women, Marruiage and Family in Macao
http://www.academia.edu/3785773/A_Vida_e_o_Legado_de_Marta_da_Silva_Van_Mierop
(6) José Tomás de Aquino, (7) em carta endereçada à Santa Casa pedia desculpas «quanto à demora dos retratos de Francisco Xavier Roquete que legou $ 62 000 a essa Instituição e de Maria da Silva Merop; os quais foram executados pelo retratista china VÓ Qua, mas sob o meu contorno e direcção» (2)
(7) José Tomás de Aquino ( 1804-1852), educado no Real Colégio de S. José de Macau, partiu para Lisboa em 1819, por indicação do pai, para estudar  Medicina.  Estudou no Colégio Luso-Britânico e formou-se em »Matemática, Desenho e Comércio». Regressou a Macau em 1825. Além de proprietário de navios e negociante era também «arquitecto».  Dirigiu a construção de muitas residências e edifícios em Macau, reedificou, modificou, alterou muitos outro edifícios oficiais. Saliento a construção do Teatro Luso-Britânico (1839); reconstrução da Sé Catedral (concluída em 1850); reconstrução da igreja de S. Lourenço em 1847 (reedificada em 1898); construção do Palácio do Barão de Cercal na Praia Grande (posterior Palácio do Governo); construção do Palacete da Flora e a construção da casa do Barão de Cercal na Rua da  Prata n.º 4.
TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1952.
NOTA : também Patrícia Lemos abordou este assunto na «Revista Macau», em 2014 : “De Marta a macaense”, disponível em:
http://www.revistamacau.com/2014/03/05/de-marta-a-macaense/

ANÚNCIO de 1922 ANIMATÓGRAFO MACAUUm dos primeiros anúncios do “ANIMATÓGRAFO MACAU”  que começou em 1922.
O mais confortável salão cinematografico“, na Rua do Hospital (1) e pertencia ao empresário Filipe Hung
A 1.ª classe custava 20 avos (1.ª sessão) e 30 avos (2.ª sessão)
A 2.ª classe custava 10 avos (1.ª sessão e 2.ª sessão )
Para os “Praças sem graduação e crianças“: 20 avos só para a 2.ª sessão
Não sei em que mês foi a inauguração do “Animatógrafo Macau” mas há referência que em Maio desse ano, exibiu-se aí uma fita sobre Macau, destinada à Exposição do Rio de Janeiro. Apesar de algumas passagens escuras, era muito interessante e foi inteiramente feita por um amador, Sr. Antunes Amor (2).
Embora desde 1915  se passavam filmes no Teatro «D. Pedro V» (não regularmente) (3) e nos teatros então existentes em 1922 – o “Cheng Peng” construído em  1875, mas somente a partir de 1915 foi-lhe passada licença para exibições cinematográficas,  o “Teatro Vitória”  desde 1910 na Rua da Cadeia ( hoje Rua Dr. Soares)  (4) e o chamado “Cinematógrafo Chip Seng” (5) no Largo da Caldeira em 1912 (uma barraca onde se exibia fitas cinematográficas ), o primeiro cinema de Macau instalado para esse fim terá sido o “Teatro Yo Duo“, em 1921.(6)
(1) Em 22-04-1942 a Rua do Hospital passou a designar-se por Rua de Pedro Nolasco da Silva
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-pedro-nolasco-da-silvarua-do-hospital
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4,, 1997)
Ver também em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/04/19/leitura-macau-a-cidade-mais-pitoresca-do-nosso-dominio-ultramari-no-i/
(3) “Esta empresa cinematográfica, instalada no edifício do Teatro Dom Pedro V desta cidade, tem, sem exagero, procurado meios para agradar ao público, com ricos dramas e variadíssimas fitas cómicas, belas ventoinhas e toda a espécie de acomodações; ultimamente, contratou um trio que diariamente executará variado e escolhido reportório”. Do programa deste cinema, constavam matinés especialmente dirigidas às crianças, todas as quintas-feiras e aos domingos, das 16h00 às 18h00, com filmes apropriados. Os preços variavam entre os dez e os 40 avos, dependendo se fosse um bilhete para a galeria e plateia, para a plateia 1.ª classe ou plateia 2.ª classe. Crianças e soldados pagavam apenas metade do preço de um bilhete normal”. (Jornal «O Progresso» de 13 de Setembro de 1914)
http://www.revistamacau.com/2015/02/09/os-loucos-anos-do-cinema/
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2011/12/28/cinemas-de-macau-i/
(5) O escritor Senna Fernandes além de mencionar o “Cinematógrafo Chip Seng” nomeia outro com o nome de “Olympia”, na Rua do Hospital. Será o mesmo “Animatógrafo Macau” ?
 “o mais remoto cinematógrafo da altura era o Chip Seng, na Rua da Caldeira, com bilhetes cujos preços variavam entre os oito e os 35 avos (de pataca), dependendo do assento. Havia também o Tin Lin, no Largo de Hong Kong Mio, com preços entre os dez e os 50 avos. Entre os outros, contava-se também o Olympia, na Rua do Hospital (hoje, Rua Pedro Nolasco da Silva). Seja como for, eram apenas “sórdidos barracões, nada convidativos para os tai-pans (indivíduos ilustres) e os elegantes da época”.
http://www.revistamacau.com/2015/02/09/os-loucos-anos-do-cinema/
(6) “1921Neste ano foi instalado o primeiro cinema de Macau no Teatro «YO DUO». Estava-se no tempo do cinema mudo. Ao lado da pantalha sentava-se um indivíduo que, inspirado nos gestos dos actores principais, narrava vivamente uma história. Os lugares em frente da pantalha eram caros mas por detrás, onde as imagens apareciam do avesso, eram bastante acessíveis. Deve dizer-se que mesmo sem equipamento adequado, já se passavam filmes desde 1915 no Teatro «D. Pedro V» do Clube de Macau.”  (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997).

Eudore de Colomban Leal Senado 1927O primitivo edifício data provavelmente de 1584 e tinha como anexo o tronco e a cadeia. Daí a denominação de Calçada do Tronco Velho e Beco da Cadeia dada às vias públicas que lhe ficam próximas. Em 1783 foi reconstruído e ampliado, passando a ter um aspecto já muito próximo do actual; em 1874, depois do tufão  que praticamente o destruiu, foi objecto de novas e profundas obras de reconstrução. Em 1940 sofreu importantes obras de remodelação. por ocasião do Duplo Centenário da Independência e de Portugal.

Revista Casa e Jardim 1994 - LEAL SENADO FotoLEAL SENADO em 1994

Ver anteriores referências ao Leal Senado em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/11/29/leitura-o-leal-senado-da-camara-de-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leal-senado/

Eudore de Colomban Ilha Verde e Fábrica de cimento 1927Colina da Ilha Verde com 57 metros de altura e a fábrica de cimento «Green Island Cement Works» que era gerida nesse ano de 1927 por T. Arnott.

A Ilha Verde deixou de ser “ilha” em 1890 com a construção do dique que o ligava a Macau. O istmo de ligação no início conhecido pela designação de Estrada do Dique da Ilha Verde, viria a ficar com o nome do governador que o mandou construir, Avenida Conselheiro Borja. (Governador Custódio Miguel Borja, 1890-1894).
Em 7 de Maio de 1886, celebrava-se o contrato entre o Seminário de S. José e Creasy Ewens que estabelecia, na Ilha Verde, a «Green Island Company Limited» e quatro dias depois, em 11 de Maio, era concedida licença ao solicitador judicial de Hong Kong, Creasy Ewens para o estabelecimento, nessa Ilha Verde, da referida fábrica.(1)

POSTAL de 1906 - Fábrica de Cimento na Ilha VerdeGreen Island Cement Factories, Macao, 1906 ou 1907
http://industrialhistoryhk.org/green-island-cement-company/

Desta fábrica saiu cimento para muitas das obras que se fizeram em Macau nomeadamente os referenciados no aterro do porto interior (2) e na Rua do Hospital (depois chamada Rua de Pedro Nolasco da Silva (3)
A fábrica de cimento prosperou até carecer de matéria-prima (pedra que deveria vir de Cantão). Conservando o nome da Fábrica de Cimento da Ilha Verde, «Green Island Cement”  mudou-se para East Kowloon (Hong Kong), em 1898 ou 1899, onde ainda hoje permanece. A fábrica em Macau continuou a sua laboração. (4)
Em 8 de Agosto de 1926 houve rescisão do contrato de arrendamento do terreno a sul da Ilha Verde com a área de 13.335 m2 feiro a favor “The Green Island Cement Co Ltda”  (FAC Proc 15162 a 15175) (5) e surge em 1929, outra fábrica inglesa de cimento, no mesmo sítio,  a «The Green Island Cement Works» que aproveitava os lodos do Porto Interior, junto à Ilha Verde, e produzia uma média diária de 70 toneladas mas viria a falir em 1936 (6)
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954 ; e
http://www.macaudata.com/upload_files/book/1065/p-163.html
(2) “2- 09 – 1889 – Fundo de Administração Civil Proc 897 a 932 MCAHM/AC/38/707/A. G12 – Processo 929 Termo do contrato feito entre o Estado  a Companhia “Green Island Cement Company Limited” para proceder o aterro do porto interior.
http://www.macaudata.com/upload_files/book/1065/p-163.html
(3) “1917 – A Rua do Hospital depois chamada Rua de Pedro Nolasco da Silva, pavimentada nesta data pelas Obras Públicas, foi a primeira a utilizar, na sua pavimentação, cimento vindo da fábrica da Ilha Verde que começara a operar, por mão de ingleses, em 1886.”(SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997)
(4) “In 1898 or 1899, the  company moved to a location on the harbour front at  Hok Yuen, an area in East Kowloon near Hung Hom where  a larger and more fully equipped factory was built. (The Macau “factories”  appear to have continued.)
http://industrialhistoryhk.org/green-island-cement-company/
(5) http://www.macaudata.com/upload_files/book/1065/p-163.html
(6) “1936 – Faliu a Companhia de Cimento que, por contrato celebrado pelo sr. Creasy Evans, com o Seminário de S. José, se estabeleceu na Ilha Verde”  (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997)