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Pequena notícia publicada no Anuário de Macau de 1922, em português, francês e inglês,  retirada do «Bulletin Commercial d´Extrême-Orient»,  acerca do comércio do ópio. Informava que sete oitavas partes do ópio importado na China traziam etiquetas provando que o ponto de partida e da produção é Osaka e não Macau, como tinha sido injustamente atacado, nomeadamente a nível da «Association International contre l´Opium»
Recorda-se que Portugal esteve presente, em Dezembro de 1920, na constituição da chamada a «Comissão do Ópio» abreviatura da internacional «Comissão Consultora do Tráfico do Ópio e Outras Drogas perigosas». Dali resultaram duas conferências em 1924  onde não se chegaram a uma conclusão sobre a maneira de suprimir a produção ilegal do ópio. Só em 1927 foi concluída o “Regulamento do tráfego do ópio e seus derivados”). A situação económica de Macau estava muita boa no período de 1918 a 1921 devido sobretudo ao rendimento do exclusivo do ópio e a aplicação do regime sobre o regulamento de 1927 foi aplicado em Macau em Julho desse ano. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4)

Reportagem do «Diário de Notícias» de 18 de Novembro de 1927, da visita do Governador de Macau, Artur Tamagnini Barbosa, à colónia britânica de Hong Kong e ao seu governador, Sir Cecil Clementi, (1) no dia 24 de Setembro de 1927, reproduzida depois no «Boletim Geral das Colónias» de 1927. (2) Outros jornais portugueses nomeadamente os «O Século». «A Voz», «O Comércio do Porto» e o «O Primeiro de Janeiro» bem como a imprensa de Hong Kong e Cantão fizeram também menção a esta visita do governador de Macau.

O Governador de Macau, Artur Tamagnini Barbosa acompanhado de Sir Cecil Clementi, Governador de Hong Kong, recebendo a continência da guarda de honra, na ocasião de desembarque.O Governador de Macau, Artur Tamagnini Barbosa, passando revista à guarda de honra quando da sua visita a Hong Kong, em 1927.

Sir Cecil Clementi – cerca 1930
https://en.wikipedia.org/wiki/Cecil_Clementi#/media/File:SirCecilClementi.jpg

(1) Sir Cecil Clementi (金文泰) (1875-1947) foi governador de Hong Kong de 1925 a 1930 (antes Secretário Colonial em Ceilão). Depois foi nomeado Governador e Comandante em Chefe dos Assentamentos dos Estreitos (“The Governor of the Straits Settlements”) e Alto Comissário dos Estados Federados da Malásia de 1930 a 1934. Devido à sua saúde, solicitou resignação do cargo com efeito a partir de 18 de Outubro de 1934. Sir Cecil Clementi era fluente (falada e escrita) da língua chinesa quer o mandarim quer o cantonense.
https://en.wikipedia.org/wiki/Cecil_Clementi
Ver anterior referência, neste blogue, a este Governador de Hong Kong
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/sir-cecil-clementi/
(2) Extraído de «BGC» III- n.º 30 , 1927, pp. 160-169.

Extraído de «BGC», X – 103, 1934,
Segundo Padre Teixeira (1)
O Colégio Yuet Wah College ( 粵華中學 – mandarim pinyin: Yuè Huá Zhōngxué; cantonense jyutping: jyut6 waa4 zung1 hok6) foi fundado em Cantão, em 1925 por duas senhoras cristãs, Liu Fong Kei e Tam Kai Man; a 1.ª era a directora e a 2.º sua assistente.
A 12 de Setembro de 1927, foi registado no Serviço Provincial da Educação de Cantão, que lhe deu a sua aprovação. Nesse ano deram-se distúrbios políticos nessa cidade e Miss Liu transferiu a sua escola para Macau em 1928, para um prédio da Estrada da Vitória. Miss Liu tratou de construir ali um novo edifício para a educação da juventude de ambos os sexos. O Governo Português cedeu gratuitamente o terreno e ela promoveu uma subscrição na China e no Estrangeiro, sobretudo Estados Unidos, conseguindo inaugurar o novo edifício em 1935.”
(1) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982
Sobre o Colégio Yuet Wah, ver anteriores postagens em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-yuet-wah/

O Jornal de Macau publicava neste dia, 17 de Julho de 1930, um artigo que relembra os belos tempos do Jardim de S. Francisco:
“ O tempora! Ó mores! … em que ali  à noite se via o Governador da Província com sua família, a sociedade elegante, dando-se rendez-vous em quanto a Banda Policial ia tocando a gazza ladra de Rossini e outras melodias avoengas que se por si não despertavam atenção constituíam no entanto um motivo e dos mais belos para tornar aquele jardim num ponto de reunião de fina flor da sociedade.
– Ali se conversava, se discutia passeando até perto da meia-noite. porque algumas vezes os pingos anunciadores do aguaceiro obrigavam a uma fugida, não era raro ver instantaneamente organizava uma soirée no Grémio Militar./em>
O tempora! Ó mores! Em que o Jardim de S. Francisco era como um grande salão onde se combinavam salsifrés e piqueniques” (1)
O jardim de S. Francisco que foi murado, c. de 1860, constituindo um belíssimo campo de lazer, com três portões e uma porta pequena em frente do Convento de St. Clara, em 1927, foram desmantelados os muros, parte dos canteiros e o caramanchão, abrindo-se nele duas vias alternativas ao trânsito da rua principal, para facilitar o tráfego com o Porto Exterior. Ficou o quiosque. (2)

Quartel de S. Francisco ao fundo. Caminho interior do Jardim de S. Francisco c. 1890
O mesmo caminho interior do Jardim de Francisco, em direcção à Rua do Campo (contrária ao anterior postal). Hoje Rua de Santa Clara c. 1920.

Em 1890, no arco de entrada, na parte inferior do actual Jardim de S. Francisco havia um lago com crocodilos e uma jaula com macacos para as pessoas visitarem. Actualmente só resta o arco.

Por volta de 1930, existiam gaiolas para macacos no desvão das arcadas do jardim de S. Francisco, sendo que no interior de uma delas ainda pode encontrar sinais de ali ter existido uma casa de banho! A este propósito note-se também a reduzida escala dos canteiros da parte inferior desse jardim “ (3)
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol. I, 1999, pp. 207-208.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4,1997.
(3) in MACAU, encontros de divulgação e debate  em estudos sociais, p. 202.

Continuação da reportagem de Edgar Allen Forbes para o “The Nactional Geographic Magazine”de Washington em 1932, depois traduzida por Fernanda de Bastos Casimiro para o Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro (1)
Foto «MACAU – CAIXA ESCOLAR», inserida no mesmo Boletim (1)

(1) Ver  anterior postagem em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/06/04/leitura-macau-terra-da-doce-saudade-i/
Sobre o “Sui An”, ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/19/noticias-de-pirataria-19-de-outubro-de-1922/

Reportagem de Edgar Allen Forbes (1) para o “The Nactional Geographic Magazine”de Washington em 1932, (2) depois traduzida por Fernanda de Bastos Casimiro para o «Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro» (3) com o título:

MACAU – Terra da doce saudade !
A mais antiga colónia européa no Oriente longínquo
O único e desejado porto no mar da China,
Para os tristes marinheiros”

…………………………………………………continuaFOTO «MACAU – ESCOLA CHINESA» (4) inserida no mesmo boletim (3)

(1) Edgar Allen Forbes (1872 – ? ) – jornalista, editor e escritor norte americano.
Autor do livro “Macao, land of sweet sadness : the oldest European settlement in the Far East, long the only haven for distressed mariners in the China sea”, 1927.
(2) “The National Geographic Magazine, Volume 62, Number 3, September 1932″
(3) «Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro n.º 5,1933.
(4)  Trata-se da Escola Chinesa «Kung Kau Hok Hao» no Bairro de S. Lázaro cuja construção foi iniciada a 22 de Julho de 1916, mas por dificuldade económica foi só inaugurada a 27 de Maio de 1923.

O “novo” Mercado Municipal de S. Domingos (1), concluída em 12 de Outubro de 1949, foi inaugurada a 31 de Janeiro de 1950 (dia comemorativa da Revolta Republicana Portuguesa) pelo Governador da Colónia, Capitão-tenente Albano Rodrigues de Oliveira (1909-1973) (Governador de Macau entre 1 de Setembro de 1947 e 19 de Abril de 1951). Obra dos engenheiros Arnaldo Basto e Gaby Senna Fernandes. (2) A construção do novo Mercado de S. Domingos importou em $550.000,00 patacas.
Esta inauguração mereceu uma “reportagem” publicada no Boletim Geral da Colónias (3)
(1) Nesse local existia um mercado conhecido como o de S. Domingos que se incendiou no dia 15 de Novembro de 1893.

Boletim Official do Governo da Província de Macau e Timor, XXXIX-47, 1893.

Quatro anos depois, em 16 de Novembro de 1897, Lu-Cau e Vong-Atai, comerciantes de Macau, enviaram uma carta ao Leal Senado de Macau, requerendo para a construção dum Mercado no mesmo sítio (incluindo áreas para o comércio) que terá sido construído nos finais do século XIX e que foi designado como “Novo Mercado”.

O Mercado de S. Domingos no princípio do século XX (IICT/AHU)

Terá sido reconstruído e concluído em 28 de Novembro de 1927, sob a orientação de um arquitecto de Hong Kong.  Em 1949 por falta de higiene e com a estrutura debilitada, foi demolida totalmente pela Câmara Municipal e construída um novo Mercado, inaugurado em 31 de Janeiro de 1950. Por sua vez, este foi demolido em 1996 para construção dum novo, actualmente em funcionamento, inaugurado em Outubro de 1998.
http://www.archives.gov.mo/pt/featured/detail.aspx?id=91
(2) Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/10/mercado-municipal-de-s-domingos/
(3) «BGC» XXVI-298, 1950.