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Artigo republicado no Boletim Geral das Colónias, (1) do jornal “A Voz de Macau” (2) de 11 de Dezembro de 1939, referente à dívida de Macau à Metrópole.
(1) «BGC» XVI-177, Março de 1940.
(2) O jornal «A Voz de Macau» começou a ser publicado em Macau no dia 1 de Setembro de 1931 (3 vezes por semana) e em Outubro de 1931 passou a diário. Foi seu fundador o Capitão Domingos Gregório que mudou o nome para Domingos Gregório da Rosa Duque. Domingos Gregório, tinha sido foi secretário do jornal “O Liberal”, dirigido por Constâncio José da Silva; em Fevereiro de 1923 foi editor e director do semanário republicano “O Combate”. O jornal «A Voz de Macau» foi o único periódico a circular em Macau no ano de 1942. Com interrupções, a 10 de Abril de 1945, o Diário «A Voz de Macau» retoma nesta data a sua publicação até 16 de Agosto de 1947 com um total de 600 números.
GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954; SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
Anteriores referências a este periódico e a Domingos Gregório da Rosa Duque em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/a-voz-de-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/domingos-g-da-rosa-duque/

Continuação do testemunho de Francisco de Carvalho e Rego (1) (2)
De ali, pela tortuosa rua do Gonçalo, apertada e estreita, era o visitante conduzido até à calçada do Governador, por onde vinha dar à “Praia Grande”. E, chegado ao fim da Calçada, à direita tinha o edifício das Repartições Públicas, e à esquerda o pequeno edifício dos Correios, ao lado do qual se mostrava em suas arcadas, tão próprias da arquitectura das cidades cosmopolitas do oriente, o “Hotel Macau” modesto e simples, onde o velho inglês Farmer (3) e sua família recebiam acolhedoramente os hóspedes.
Aquele que viesse encomendado ao “Hotel Bela Vista”, ao deixar a ponte-cais, dirigia-se pela Calçada do Gamboa à Rua do mesmo nome e, seguindo pela Rua do Seminário, entrava no Largo de S. Lourenço, alcançando a Penha pela Rua do Pe. António  e Rua da Penha, indo dar ao chamado Chôc-Chai-Sat  onde , no referido Hotel, era recebido pelo velho Vernon, (4)  que, de há muito, explorava, na Colónia, a indústria hoteleira.

A residência de Verão do Bispo da Diocese (final da década de 40, século XX)

Mas não eram estes os hotéis recomendados aos funcionários chegados à Colónia, porque os seus preços eram elevados. Para estes funcionários era mantido pelo velho Mami o “Hotel Ocidental” modesto e pouco dispendioso e que, situado também na Praia Grande, oferecia ao visitante a mesma vista agradável, que lhe era apresentada nos outros hotéis.
A Praia Grande tinha os seus encantos: bela vista sobre as águas; passeio à beira-mar; brisa do mar, sombra das árvores e a música aos domingos, à noite, que tocava em frente do palácio do Governo e às quintas-feiras no jardim de S. Francisco.
Os únicos meios de transporte, que havia, eram o rickshaw e, a cadeirinha, espécie de palanquim transportado por dois ou quatro homens.
Era a Praia Grande pavimentada a macadame e o resto da cidade quase todo calçado à portuguesa.
Viam-se na Praia Grande as residências dos Primeiros e Segundos Condes de Sena Fernandes, de Carlos Pais da Assunção, de Luís Aires da Silva, do Major Aurélio Xavier, do General Garcia, José Ribeiro, Simplício de Almeida, Dr. Álvares, Constâncio José da Silva, Alexandrino de Melo, da Família Eça, do Capitão Carneiro Canavarro, etc.
E algumas viviam os chineses Lam-Lim, Chou-Sin Ip, Li-Kiang-Chin, Chan-Fong e outros.
(1) Extraído de REGO, Francisco de Carvalho e – Macau … há quarenta anos in «Macau». Imprensa Nacional, 1950, 112 p.
(2)Anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/08/10/leitura-macau-ha-cem-anos-a-chegada-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/08/16/leitura-macau-ha-cem-anos-a-chegada-ii/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-de-carvalho-e-rego/
(3) O Sr. Farmer comprou o “Hotel Hin-Kee” em Maio de 1903, para transformá-lo no “Macao Hotel”, porque não conseguiu, como era seu desejo, arrendar o Hotel sanatório “Boa Vista”, que em 1901 foi expropriado pelo governo e cedido/vendido  à Santa Casa de Misericórdia por 80 mil patacas.
(4) O súbdito francês A. A. Vernon tinha um projecto de contrato de jogos em Macau em 1909 mas não chegou a concretizar por não ter tido a autorização do Director-Geral da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar. Em 1910 é-lhe concedida licença para a circulação de automóveis em Macau e solicita idêntica autorização de Cantão em 1911 para poder encarregar-se de transportes viários entre Macau e Qiang Shan (Casa Branca para os portugueses)   A. Vernon geria o “Hotel Boa Vista” (arrendado à Santa Casa de Misericórdia) e queria trespassá-lo em Janeiro de 1913 para G. Watkins mas não foi aprovado pelo Governo. Depois de vários outros posteriores arrendamentos (o Liceu de Macau esteve aí instalado até passar ao Tap Seac) o Governo compraria em 1923 o Hotel à Santa Casa de Misericórdia por 82 585 patacas.

Colecção de seis marcadores de livro intitulada “仔炮竹 (1)“Extra Selected Firecrackers”, etiquetas de embalagem de panchões das várias fábricas que existiam na Ilha da Taipa, dentro de um pequeno envelope (15,5 cm x 5,5 cm).

Colecção emitida pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau, comprada no Museu de Macau, em 2016, por 10 patacas. Legendas em chinês, inglês e português.
Apresento o 1.º dos seis marcadores com a etiqueta de embalagem da “Kwong Hing Tai Firecracker Co”.
No rótulo está escrito além do nome da fábrica, um aviso de utilização:

“SPECIAL QUALITY FLASHLIGHT CRACKERS
WHOOPEE BRAND
KWONG HING TA
MADE IN MACAU
LAY ON GROUND – LIGHT FUSE – RETIRE QUICKLY”

Kwong Hing Tai Firecraker Co., fundada em 1923, foi a primeira fábrica de panchões estabelecida na Taipa.
Embora o Instituto Cultural aponte o ano de 1923 para o início desta fábrica, com o nome de registo de «KWONG HING TAI» ou «KUONG HENG TAI», só aparece a partir do Anuário de Macau de 1938. (2)
Em anteriores “Anuários” a partir de 1923, estava registada uma fábrica de panchões de nome «Kuong-nguin», mas localizada em Macau.
FIRMA- Kuong-nguin
GERENTE – Li UNG In Teng
Estrada da Guia (Chácara de Vasconcelos)
No Anuário de 1924, aparece:
FIRMA- Kuong-nguin
GERENTE – I In Teng
Estrada da Guia (s/n)
E no Anuário de 1927, o registo desta fábrica é o seguinte:
FIRMA- Kuong-nguin
GERENTE – Li Ung Teng
Estrada da Guia (Chácara de Vasconcelos)
(1) 仔炮竹業  – mandarim pinyin: dàng zǐ bào zhú yè; cantonense jyutping: tam5 zai2 paau3 zuk1 jip6 – fábrica de panchões da Taipa.
(2) Registada em Macau a fábrica de panchões com o nome de “Kuong Heng Tai”; a loja de vendas estava na Rua das Lorchas s/n (Anuário de 1938). Mais recente, no Anuário de 1966, estava registada uma empresa “Kuong Hing Tai” com escritório na Ponte Cais n.º 11 e fábrica na Estrada Ferreira de Amaral – Taipa.
Ver anteriores referências às fábricas de panchões.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/panchoes/

Publicação ordenada pelo Governo da Colónia para distribuir pelos quartéis “Soldados de Portugal!” que reproduz a alocução proferida pelo General Gomes da Costa na revista passada a todos as forças da Província de Macau, em 9 de Abril de 1923, na comemoração do 5.º aniversário da Batalha de Lys.
A BATALHA DO LYS
Soldados de Portugal!
Desde 30 de Janeiro de 1917, em que saí do Tejo à frente da 1.ª Brigada Portuguesa, nos achávamos, pràticamente, em guerra contra a Alemanha. Pouco mais de uma ano depois – a 9 de Abril de 1918 – tinha lugar o grande ataque alemão às tropas portuguesas, ao sul de Armentiéres, no vasto campo de Messines.
Mais de um ano havia que o inimigo se achava paralisado em frente do sector português, travando connosco repetidos combates; havia mais de um ano que nos mantínhamos no mesmo terreno apesar dos esforços do adversário para dêle nos desalojar… (…)
Como as vagas do Oceano, correndo encapeladas, umas após outras, engrossando sucessivamente, sucessivamente tomando mais corpo e mais violência, assim as vagas da infantaria alemã vão correndo, avançando, rolando impetuosas, com um fragor medonho, alagando todo o terreno, arrastando consigo os restos da guarnição portuguesa, indo espraiar-se por todo o terreno à retaguarda, até ao Lys. Os restos da Divisão Portuguesa que não foram esmagados pelo bombardeamento, conseguiram estabelecer-se à retaguarda daquele rio, e durante dias ali se mantiveram numa luta feroz, esperando os reforços, que a ofensiva de Somme forçara o Alto Comando a desviar para lá.
Mas o inimigo não passou !
Estava cumprida a missão que incumbia às tropas portuguesas naquele campo de batalha.
Sete mil e quinhentos homens, de entre os quais 327 oficiais, foi o preço por que pagamos a glória desta Batalha que se ficou chamado do Lys, por ter sido nas margens dêste rio que nos fixamos; 7:500 homens custou a Portugal esta vitória; 7:500 homens nos custou a última e uma das mais formidáveis ofensivas alemãs; ofensiva desesperada, ofensiva de quem se sente acabar, e luta com todo o desespero… (…) 
COSTA, General Gomes da – Soldados de Portugal!. Macau, Imprensa Oficial, 1923, 14 p., 18,5 cm x 13 cm.

atlas-de-geographia-1923-capaUm pequeno livro com encardenação antiga (19,5 cm x 13,5 cm), lombada em pele acastanhada, bastante gasta pelo uso, intitulado “Atlas de Geographia” de J. Monteiro, contendo “21 mappas”, publicado pelas Livrarias Ailaud e Bertrand (Paris e Lisboa), em 1923.
atlas-de-geographia-1923-primeiras-paginasO mapa n.º 20 é o de “PROVÍNCIA DE MACAU
atlas-de-geographia-1923-mapaEste exemplar possui, numa das  1.ªs páginas, uma original e curiosa assinatura de posse.
atlas-de-geographia-1923-assinatura-de-posse“Este livro Pertence a Silvio Pelico Lopes Ganilho Mendes, Coimbra, 1 de Setembro de 1923. Agora pertence à menina Lúcia Nascimento Ganilho Mendes, Coimbra, 1-9-1924, Liceu Femenino, 2.ª classe

“Dôs filo-filo di Macau”, José dos Santos Ferreira nos versos e Leonel Barros nos desenhos (1) , caracterizaram a evolução de Macau em duas datas: 1923-1973

qui-nova-chencho-jose-dos-santos-ferreira-1973-iPerto-perto iscurecê
China sã sandê lampiám
Lua na riva empê
Dá más iluminaçám

Macau – 1923

qui-nova-chencho-jose-dos-santos-ferreira-1973-iiMacau têm más caréta,
Qui rua, béco, travessa;
Têm mota, têm biciquêta,
Tudo´ora aguá pessa-pessa

Macau – 1973

(1) Recolhidos do livro FERREIRA, José dos Santos – Qui-Nova Chencho, 1973

anuario-de-1927-liceu-central-de-macau-iO Liceu Central de Macau (1927)

No dia 11 de Dezembro de 1923 foi nomeada Amália Alda Jorge para reger, interinamente, as disciplinas do 2.º grupo Português/Francês -do Liceu Central. Terá sido, ao que sabemos, a primeira professora do sexo feminino, no Liceu Central. (1) (2) (3)
Nesse ano de 1923, o Liceu de Macau estava instalado no edifício do antigo “Hotel Boa Vista”. Só a 12 de Julho de 1924, mudaria a instalação para o prédio n.º 89 da Rua Conselheiro Ferreira – as fotos do Liceu no ano de 1927.

anuario-de-1927-liceu-central-de-macau-ii-escadasA entrada do Liceu Central de Macau (1927)

Amália Alda Pacheco Jorge, é a filha mais velha de José Vicente Jorge, nascida em S. Lourenço a 30-08-1898 e faleceu em Lisboa a 17.03.1977. Foi professora primária e em 1923/1924 nomeada professora do 2.º grupo do Liceu. Estudou medicina (1924/1925) em Lisboa cujo curso frequentou até ao 2.º ano tendo regressado a Macau após falecimento da mãe, em 30 de Dezembro de 1926, porque, como irmã mais velha, sentiu-se responsável pelos irmãos (11), alguns deles ainda muito novos. (4)

anuario-de-1927-liceu-central-de-macau-iii-varandaA varanda do Liceu Central de Macau (1927)

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(2) O Liceu de Macau que foi criado pela Carta de lei de 27 de Julho de 1893, regulamentada pela Portaria Provincial de 14 de Agosto de 1894, foi elevado a Central em 8 de Outubro de 1917 pelo Decreto n.º 3.432. Quando foi criado, o Liceu de Macau ministrava em três cursos: o curso geral (4 anos), o de letras (3 anos) e o de sciências (3 anos). Era condição essencial para a matrícula ao Curso de Letra ou de Sciências, possuir os 3 primeiros anos do Curso Geral. Este regime foi alterado pala Portaria Provincial de 16 de Setembro de 1897, que mandou pôr em vigor a organização dos Liceus Nacionais da Metrópole, terminando desde então, os cursos de letras e de sciências, e ficando o Liceu apenas com o Curso Geral, que passou a ser de 5 anos.
(3) Consta no «Anuário de 1924» como professora interina do 2.º grupo (Português e Francês) D. Amália Aldo Jorge. Nomeada secretária da 1.ª e 5.º classe, e regente das seguintes disciplinas: francês 1.ª, 2.ª e 5.ª classe e Matemática da 1.ª classe. O seu pai José Vicente Jorge era professor provisório do 3.º grupo (Inglês); secretário de 6.ª e 7.ª classe e regente das seguintes disciplinas: inglês 2.ª, 3.ª, 4.ª 5.ª 6.ª e 7.ª classe
(4) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol. II.