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Extraído de «O Correio Macaense», vol VI, n.º 15 de 24-05-1889, p. 2

Extraído de «O Correio Macaense», V, n.º 218, de 25-11-1887

A Associação de Beneficência denominada “Instituto Humanitário Firmino da Costa” (1) foi fundada em Outubro de 1887, com a finalidade, altamente humanitária e caritativa, destinada a socorrer indivíduos e famílias desprovidas de recursos. Teve a 1.ª Assembleia Geral no dia 8 de Outubro,

Extraído de «BPMT», XXXIII, n.º 40 de 6 de Outubro de 1887, p. 343.

A 1 ª Direcção do Instituto era constituída por:

Presidente: Bernardino de Senna Fernandes (2)

Vice-presidente: Cónego Francisco António de Almeida

Primeiro Secretário: Câncio Jorge (3) e depois em 20-10-1887 (2.ª acta) Arthur Tamagnini Barbosa (4)

Segundo secretário: António Talone da Costa e Silva

Tesoureiro: Francisco Volney Sanches

Os Estatutos da Associação de Beneficência denominada “Instituto Humanitário Firmino da Costa” foram publicados no «BPMT», XXXIII n.º 40 de 6 de Outubro de 1887, p. p. 336-337

BPMT XXXIII n.º 40 de 6 de Outubro de 1887, p. p. 336-337

No final do ano de 1887, a Associação de Beneficência denominada “Instituto Humanitário Firmino da Costa” já contava com 266 sócios e já apoiava com subsídios a 16 famílias carenciadas. (BPMT», XXXIII-49 de 8 de Dezembro de 1887, p. 407)

(1) Firmino José da Costa (1843 – 1898), coronel de engenharia, comendador da ordem militar de S. Bento de Aviz foi governador da Província de Macau e Timor (chegou a Macau no dia 6 de Agosto de 1886 e tomou posse do governo no dia seguinte – até 1888), e enviado extraordinário e Ministro Plenipotenciário de Sua Magestade nas Côrtes da China, Japão  e Sião. Durante o seu mandato foi assinado o tratado luso-chinês de 1887, com a presença de Tomás de Sousa Rosa em Pequim, na qualidade de ministro plenipotenciário português.

Ver referências anteriores em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/firmino-jose-da-costa/

(2) Ver anteriores referências a Bernardino de Senna Fernandes em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bernardino-de-senna-fernandes/

(3) Câncio José Jorge, nascido em 4 de Dezembro de 1849. Formado como Interprete–tradutor, Câncio Jorge, foi administrador do Concelho de Macau, vereador, vice-presidente e presidente do Leal Senado Em 27 de Outubro de 1883 foi nomeado cônsul interino de Portugal no Sião e nos estabelecimentos britânicos dos estreitos de Singapura, Malaca e suas dependências. Foi o 1.º secretário do Instituto Humanitário Firmino da Costa (por pouco tempo dado que foi nomeado, em 28-10-1887, vogal, secretário da Comissão Administrativa da Santa Casa da Misericórdia). Câncio José Jorge faleceu em São Lourenço em 22 Dezembro de 1900.

(4) Artur Tamagnini de Abreu da Mota Barbosa chegou a Macau pela 1.ª vez em 9 de Dezembro de 1877 como 2.º oficial da administração de fazenda militar fazendo parte do 3.º Batalhão do regimento de Infantaria do Ultramar, onde exercia as funções de quartel-mestre. Pela ordem à força armada n.º 8 de 22-01-1879 foi nomeado contador interino da junta da fazenda de Macau e Timor, servindo até 23 de Maio de 1880, data em que regressou ao reino. Chegou de novo pela 2.ª vez a Macau em 22 de Janeiro de 1882, como quartel mestre do 1.º batalhão do dito Regimento da Infantaria. Por Portaria Régia n.º 24 de 11-04-1883 foi nomeado de novo contador interino da junta e promovido definitivamente nesse cargo por Decreto de 28-08-1884, sendo mais tarde nomeado inspector da fazenda provincial, em cujo lugar foi confirmado por Decreto de 07-08-1891. Esteve em Timor em comissão de serviço de 18-10-1885 a 16-11-1885 e de 12-08-1894 a 8 -10-1894.

Em 06-03-1888 foi ao reino com licença da junta da saúde, regressando a Macau a 04-01-1890. Deixou de exercer as funções de inspector a 11-09-1895 por ter sido transferido para a Fazenda da Índia. Seguiu por isso para o reino em 1-10-1893. Mas voltou a Macau em 22-05-1897 por ter ficado sem efeito a sua transferência. Nomeado em 14-04-1900 (P. n.º 36) interinamente secretário geral do governo e em 14-04-1900, expediente da Legação de Portugal na China, Japão e Sião. A 21-04-1900 o governador Eduardo Augusto Rodrigues Galhardo foi nomeado pra governador geral da Índia, fez a entrega do governo ao Conselho Governativo composto do bispo D, José Manuel de Carvalho, juiz Albano de Magalhães, tenente coronel Cirilo Leopoldo da Costa e Andrade e o Conselheiro Tamagnini, secretário geral interino. Por Decreto de 22-03-1900 foi nomeado secretário geral do governador Alfredo Pinto Lelo que tomou posse a 21-05-1900. Em 30-07-1900 seguiu para o reino, um ano de licença, não tendo voltado a Macau. (informações de FORJAZ, Jorge- Famílias Macaenses, Volume III); TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume II, 1997)

Extraído de « O Correio Macaense», Vol VI, n.º 15 de 24-05-1889, p. 2

Denominava-se “maratha”, o “mouro” que prestava serviço na Policia de Macau. Os primeiros 41 praças mouras que chegaram em 1873 (1) deviam pertencer à casta “Maratha” pois muitos desta casta pertenciam ao exército do império Mogul (1526-1540 e 1555-1857) e depois nos diversos sultanatos da Índia.

SALGADO, Sebastião Rodolfo – Glossário Luso-Asiático

 (1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/04/30/noticia-de-30-de-abril-de-1873-brigue-concordia-e-o-contingente-de-mouros-i/

Extraído de «O Correio Macaense», Vol V, n.º 230, de 17 de Fevereiro de 1888

A Rua de Inácio Baptista começa na Rua de S. Lourenço, à entrada da Travessa do Hospital dos Gatos, e termina na Calçada do Januário, entre as Ruas do Barão e das Alabardas. Há uma Travessa com o mesmo nome.
Inácio Baptista Cortela de Sousa e Albuquerque nasceu em Macau a 31-07-1750 e faleceu a 2-09-1827. Filho de Lourenço Baptista Cortela e Albuquerque (1730 – faleceu a 05-10-1793, sendo sepultado na Igreja do Convento de S. Francisco) e de Esmeralda Soares (8-08-1721-faleceu a 09-04-1780 sendo sepultada no Mosteiro de Santa Clara)
Inácio Baptista Cortela casou com Mariana da Silva Faria de quem teve 13 filhos.
Foi depositário geral dos cofres de Macau e tesoureiro dos Defuntos e Ausentes durante 27 anos, proprietário e negociante na praça de Macau, sócio da «Casa de Seguros de Macau», vereador do Leal Senado (1823), cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa (1825) e cavaleiro da Ordem de Cristo (1) (2)
Anteriores referências à Rua de Inácio Baptista e à família Cortela
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-de-inacio-baptista/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-vicente-cortela/
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau Volume II, 1997
(2) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses Volume I, 1996

Extraído de «O Correio Macaense» de 25-11-1887, Vol V, n.º 218, p. 4
O “O.S.S. Telamon”, de 2,292 toneladas, da empresa “Ocean Steam Ship Company Limited “ (a maior companhia que efectuava navegação da Inglaterra para a China e Médio Oriente, desde 1864) operou de 1885 a 1897, depois foi transferido para a “Nederlandsche Stoomboot Maatschappij ‘Ocean” (NSMO-Dutch) e foi desmantelado em 1902. Da mesma empresa com este nome “Telamon” existiu em 1904 um de 4 509 toneladas (vendido e desmantelado em 1933) e outro de 1960 (construído em 1950 com o nome «Teucer») vendido ao Chipre em 1971 («Aegis Epic»).
A “Blue Funnel Line” onde estava integrado o “Telamon” , de 1869-1980 efectuava a rota: Liverpool – Suez – Penang – Singapura- Hong Kong – Shanghai – Japão.
http://www.theshipslist.com/ships/lines/bluefunnel.shtml
NOTA: não consta nos documentos consultados que o navio efectuasse paragem em Lisboa pelo se desconhece onde foram embarcados as caixas do “Moscatel”

Anúncio publicado na imprensa em Macau, em 1888, da Farmácia Lisbonense (1)

«O Correio Macaense» Vol V, n.º 230 de 17-02-1888, p. 4.

Além da venda de drogas medicinais e medicamentos, na Farmácia Lisbonense também se vendia, artigos de toilette e rapé meio gordo da fábrica portuguesa Xabregas (2)
(1) Desconheço a data de inauguração desta farmácia. A “Pharmacia Lisbonense” a partir de 10 de Agosto de 1866, ficou sob a direcção e maneio dos seus novos proprietários Joaquim das Neves e Sousa & C.ª. Joaquim das Neves e Sousa era proprietário e farmacêutico. Terá fechado na década de 90 do século XIX. Os anuários /directórios a partir de 1900 já não apresentam referência a esta farmácia.

«B. G. M.» XII-33. 13 de Agosto de 1866, p. 134

Anterior referência a esta farmácia em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/farmacia-lisbonense/
(2)

Anúncio de 1880
Diário Illustrado” de Lisboa, Ano 9 – n.º 2:535 de 7 de Junho de 1880.

A Rua Direita de Xabregas passou pelo Edital municipal de 8 de junho de 1889 a ter a sua denominação simplificada para Rua de Xabregas, A Rua de Xabregas, que liga a Calçada de Dom Gastão à Rua da Madre de Deus, albergou nos séculos XIX e XX uma Fábrica de Tabacos, onde antes fora o Convento de São Francisco de Xabregas e hoje encontramos o Teatro Ibérico… (…)
A Fábrica de Tabacos da Rua de Xabregas existiu desde 1845 no que fora o Convento de São Francisco de Xabregas, destruído pelo terramoto de 1755 e reconstruído/ ampliado, com uma fachada monumental e o pórtico principal encimado pelo brasão de armas do rei  D. José I de Portugal…. (…)
A partir de 1927, passou a denominar-se Companhia Portuguesa de Tabacos e em 1962, a Fábrica mudou-se para um novo edifício na Avenida Marechal Gomes da Costa, sendo qu as instalações de Xabregas foram em finais de novembro de 1980 destinadas ao Teatro Ibérico.”
https://toponimialisboa.wordpress.com/2018/02/06/a-fabrica-de-tabacos-da-rua-de-xabregas/

“O Correio Macaense,” Vol. V, n.º 230, 17-02-1888,  (1)

Os Estatutos do “Club União” (autoria de Pedro Nolasco da Silva)  foram aprovados em 28 de Agosto de 1879 (Portaria Provincial n.º 99) depois, reformados pela Portaria Provincial  n.º 58 de 13 de Abril de 1887. Esta Associação transformou-se em duas posteriormente: “Associação dos Proprietários do Teatro D.Pedro V” e “Associação do Club União” – estatutos aprovados pelo Governo em 9 de Julho de 1896 – Portaria Provincial n.º 89 (Boletim Oficial n.º 28). Mais tarde, a Associação “Club União” dissolveu-se , sendo substituída pelo “Clube de Macau”. (2)
Do «Directório de Macau de 1885», retiro o seguinte:
e do «Directório de Macau» de 1890
(1) O semanário político, literário e noticioso «O Correio Macaense» apareceu a 2 de Setembro de 1883, fundado por António Gomes da Silva Teles, tendo sido suspenso, em 1888.(3)
Do Directório de Macau, 1885
(2) TEIXEIRA, M. – Galeria de Macaenses Ilustres, 1942, p. 297
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.

“O Correio Macaense“, V-230 de 17 de Fevereiro de 1888

A “Herbert Dent & Ca.” foi uma empresa em Macau ligada a negócios com a China (seda, chá e  ópio) e por isso, como agentes, ligada às companhias seguradoras e empresas de navegação.
O representante em Macau era D. da Roza (muito possivelmente Daniel Francisco António Campos da Rosa.(1)
A empresa , em 1888, estava na Rua da Sé; em 1910 na Rua dos Prazeres n,º 2 e 4
Em 1910, apresentava-se em Macau como:
No mesmo ano, em Cantão
Herbert Fullartoon Dent foi baptizado a 5 de Fevereiro de 1849 (Londres). Faleceu a 6 de Fevereiro de 1920 com 71 anos de idade. Foi Comissário das alfândegas chinesas (sedas e chás) e fundador da companhia “Herbert Dent and Company”, para comércio com a China (principalmente com o ópio que introduzia em Cantão). Vivia com a família entre Cantão e Macau.(2)
Herbert Fullartoon Dent é da família DENT que fundou “Dent & Co.”  ou “Dent’s” que foi uma das maiores firmas britânicas (rival directa das outras duas mais conhecidas, a «Jardine, Matheson & Co» e a «Russell & Co.»), que com o comércio do ópio com a China, levaram à entrega de Hong Kong e onde depois sediaram e prosperaram.
O seu antepassado Thomas Dent foi o  fundador da firma . Chegou a Cantão em 1823 e com o sócio fundaram a «Davidson & Co».  Em 1824, Davidson saiu e a firma passou a denominar-se “Dent & Co.”. A firma “Dent & Co.” foi à falência em 1867. (2)

“The London Gazette, 9 September, 1921”

Herbert Dent adquiriu o Palacete de Santa Sancha em 1893, aos herdeiros do Barão do Cercal (neta) após o falecimento da Viscondessa do Cercal (em 16 de Dezembro de 1892.) por 8.000 patacas.
Em 1896, teve um processo entre a Administração e o proprietário, Herbert Dent, processo esse que envolveu a Direcção Geral das Obras Públicas, que não cedia que o proprietário murasse a propriedade.
A 28 de Janeiro de 1923, William Herbet Shelly Dent, filho de Herbert Dent vendeu essa propriedade ao Governo de Macau (governador Rodrigo José Rodrigues) por $32.500. Nesse ano 1923, um tufão provocou estragos consideráveis, levando à execução de obras no palácio.

A Chácara de Santa Sancha vista da Penha – c. 1925

(1) Daniel Francisco António Campos da Rosa (1850-1916), comerciante de chá e cônsul de França em Foochow (China). Faleceu em Macau na sua casa da Praça Lobo de Ávila.
FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol III, 1996
(2) http://www.thepeerage.com/p3627.html 

Como curiosidade, um anúncio publicado em “O Correio Macaense” em 1888 (1)
(1) «O Correio Macaense», V-230 de 1888.