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Extraído de «Echo Macaense», I-9 de 12 de Setembro de 1893, p.3

Bernardino de Senna Fernandes, 1.º barão (1889), elevado a visconde (1890) e depois a conde (em duas vidas) em 1893, faleceu a 2 de Maio de 1893. (1) O conde casou pela 2.ª vez, em 11-07-1862 com Ana Teresa Vieira Ribeiro (1846-1929) que fundou (depois de viúva) a firma «Viúva Senna Fernandes & Filhos», com sede na Rua da Praia Grande, n.º 71 onde ela vivia. Em 1901, a firma, com a retirada de duas filhas, ficou para a filha Alina (5.ª filha), casada com Fernando José Rodrigues, dando assim posteriormente à firma «F. Rodrigues & Filhos». (2) (3)

Ana Teresa Vieira Ribeiro, em 20.12-1894, casou pela 2.ª vez com o seu sobrinho, por afinidade Leôncio Alfredo Ferreira. (2) (4)

Thomas Edison com o seu 2.º fonógrafo. Foto de Levin Corbin Handy em 1878. (https://en.wikipedia.org/wiki/Phonograph )

NOTA: O fonógrafo, (depois conhecidos como “gramofone” desde 1887), pequena máquina que gravava e reproduzia sons através de rolos de cera, foi inventado por Thomas Edison em 1877 que com os melhoramentos progressivos, tornaram-se populares na segunda metade da década de 80 do século XIX, espalhando-se pelo mundo. O fonógrafo que no início era reservado a um restrito número de homens ricos, passou a ser mostrado em espectáculos públicos, em que um espectador pagava para poder ouvir uma série de cilindros de fonógrafo por uma ordem pré determinada e conduzida pelo apresentador. (5)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bernardino-de-senna-fernandes/

(2) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, vol. III, 1996, pp. 544 e 994

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/firma-f-rodrigues/

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leoncio-alfredo-ferreira/

(5) https://www.aminharadio.com/radio/historia_fonografo

23-07-1926 – Passagem para Xangai destinada ao Chefe de Esquadra do Comissariado de Polícia Parménio Marques, (1) que ali se desloca para receber, em nome das autoridades portuguesas um preso português, de nome Mendonça acusado de homicídio voluntário” (2)   

(1) Parménio Ocúcio Marques nascido na Sé a 8.3.1890 e falecido na Sé a 1.7.1938. Solteiro, Chefe da P.S.P. Filho de José Maria Marques (1858-1911), Chefe do Serviço Telegráfico de Macau e 2.º sargento do Batalhão Nacional de Macau e de D. Euclídia da Anunciação da Luz . FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume II, ‘p. 571

(2) “A.H.M. – F. A. C. P. n.º 595 – S- P” in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 187.

Vicente de Paulo Salatwichy Pitter (Piter) nascido em Macau, em 10 de Janeiro de 1813 (1) e baptizado em 17 do mesmo mês, (2) (3) (4) faleceu em S. Lourenço a 9 de Julho de 1882. Filho de Pedro Alexandre Salatwichy e Josefa Antónia Favacho.

Extraído de «BPMT», VIII-28 de 15 de Julho de 1882, p. 238

Casou em S. Lourenço em 06-11-1849 com Hermelinda Joaquina Cortela Leiria (15-02-1830/2-08-1855) (5) Deste 1.ª núpcias, teve 4 filhos. Tendo enviuvado casou em S. Lourenço, em 16 de Fevereiro de 1858 com a sua cunhada Eugénia Norberta Cortela Leiria (falecida em 5-07-1902) Deste casamento teve 3 filhos.

Formou-se em medicina na Escola Médica de Goa, praticou na Ala de Medicina do Hospital Real obtendo a carta a 23-04-1839. Regressou a Macau foi nomeado cirurgião ajudante interino do Batalhão de linha e exonerado em 02-05-1865 (OFA n.º 14 de 08-07-1865) conservando no entanto as honras de cirurgião ajudante do mencionado batalhão. Foi também facultativo da superintendência da emigração chinesa.

Extraído de «BGM»,  XI-28 de 10 de Julho de 1865, p. 112

Pelos serviços que prestou gratuitamente às guarnições de vários navios de guerra franceses durante a epidemia de cólera-morbus, que assolou a cidade, foi condecorado com o hábito da Legião de Honra. Mais tarde o governo português agraciou-o com os de Cavaleiros da Legião d´Honra de Cristo e da Conceição e depois de Torre e Espada. («O Macaense, de 13-07-1882)

Ficou com o nome para sempre ligado a um famoso preparado medicinal por ele descoberto e manipulado, o «Sin Cap Dr. Pitter» ou «Chá do Dr. Pitter». (6) Tratava-se de uma infusão de oito espécies (plantas) folhas secas e miudinhas, quase todos específicos contra doenças do tubo digestivo, usados em medicina tradicional chinesa, uma infusão «considerada um bom estomáquico e eupéptico, usava-se como profiláctico, após um chá gordo ou lauto banquete, e era também muito estimada em Macau contra afecções gastro-intestinias de diferentes etiologias»  (6)

NOTA: “Aparentemente o apelido Piter parece ser uma corruptela do nome próprio do pai – Pedro ou seja, Pietro em italiano. Assim, Piter terá funcionado como um autêntico patronímico, logo assumido como apelido em detrimento do próprio apelido original da família.” (3)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/10/noticia-de-10-de-janeiro-de-1813-dr-vicente-pitter/

(2) Segundo Jorge Forjaz (3) foi baptizado em S. Lourenço em 04-01-1813.

(3) TEIXEIRA, Pe. – A Medicina em Macau, Volumes III-IV, 1998, pp.138-142

(4) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume ii, 1996, pp. 464-465

(5) O Dr. Pitter mandou executar uma linda lápide de mármore e alabastro para sepultura de sua esposa que jaz na parede lateral da igreja do Seminário de S. José, à direita de quem entra pela porta principal.

FOTO DO AUTOR 2015

Em cima, em alastro, aparece-nos uma urna encimada pela cruz, com uma caveira e um manto; duas crianças oram junto a uma cruz com uma coroa; na lápide de mármore, estão dois anjos, um com um ramo outro com a coroa do triunfo.(2)

FOTO DO AUTOR 2015

A lápide foi feita em 1860 por A. Bosc, em Nimes, França. Após falecimento em 1855, esteve sepultada no jazigo de família no Cemitério de S. Miguel e depois o bispo autorizou que os ossos fossem transladados para a igreja do Seminário de S. José

FOTO DO AUTOR 2015

(6) “Este famoso chá era ainda preparado em Macau, nos anos 60/70, por D. Maria Tereza Pitter, neta daquele médico. Era vendido em embrulhinhos de papel de seda cor-de-rosa  e apresentava-se sob o aspecto de um pó muito fino , castanho, e fortemente aromático, lembrando o cheiro de limão ou de laranjaAMARO, Ana Maria – Antigas receitas e segredos de Macau. O famoso chá do Dr. Piter e o já esquecido Chá Patrício. Revista da Cultura, Macau, ICM, n.º5, 1988, pp. 25-26 http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30005/1461

Gravura apresentada na revista “A Illustração Luso Brasileira” de 1856, (1) com a legenda:

ILUMINAÇÃO DO PALÁCIO DO CONSUL BRASILEIRO EM MACAU

A gravura não é acompanhada de mais informações. No mesmo número deste jornal, na página 124, encontra-se uma pequena notícia do incêndio do bazar em Macau, notícia essa, com maior desenvolvimento, foi dada pelo correspondente Carlos José Caldeira, no mesmo jornal, número 12 de 22 de Março de 1856. (ver “Grande Incêndio do Bazar Chinez em Macau” na postagem de 04-01-2015) (2)

O cônsul do Brasil em Macau, nesse ano, muito provavelmente terá sido o 1.º Barão do Cercal , Alexandrino António de Mello (1809-1877) . Não tenho informações, qual a data da sua nomeação mas no Almanach Luso-Chinez de 1866”, consta o nome do Barão embora com a indicação de ausente. (3) (4)

O filho António Alexandrino foi posteriormente, em 1875, nomeado cônsul do Brasil em Macau, lugar que foi extinto com a sua morte (5)

A residência (gravura) terá sido, o original edifício, mandado construir pelo Barão do Cercal, em 1849, (arquitecto José Tomás de Aquino) e posteriormente adquirido pelo Governo (actual Palácio do Governo, na Praia Grande).

(1) “A Illustração Luso Brasileira”, n.º 16 de 19 de Abril de 1856, p. 125.

A Illustração Luso-Brasileira”, publicou-se nos anos 1856, 1858 e 1859 (Vol. 1, n.º 1 de 5 Jan. 1856 ao Vol. 3, n.º 52 de 31 Dez. 1859), por iniciativa de António José Fernandes Lopes, também editor do Jornal “O Panorama”. http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/FichasHistoricas/IlustrLusoBr.pdf

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/04/noticia-de-4-de-janeiro-de-1856-grande-incendio-do-bazar-chinez-em-macau/

(3) “Almanach Luso-Chinez de 1866”, p. 45

NOTA: Nesse ano 1866, o cônsul da Itália em Macau era António Alexandrino, 2.º Barão do Cercal (também ausente), filho de Alexandrino António (1.º Barão)

(4) Alexandrino António de Mello (1809-1877): 1.º Visconde (Decreto de 13 de Março e Carta de 5 de Abril de 1867) e 1.º Barão do Cercal (Decreto de 11 de Dezembro de 1851 e Carta de 5 de Janeiro de 1852) em duas vidas. Faleceu no «Hotel Beauvan» em Beauvan, junto a Marselha, a 21-05-1877. (6) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/barao-visconde-do-cercal/

(5)1.º Filho: António Alexandrino de Melo (S. Lourenço 7-06-1837 – faleceu na sua casa na Calçada da Paz em S. Lourenço a 27-05-1885) – 2.º Barão de Cercal. (recebeu o título em 16 de Setembro de 1863. Foi cônsul da Itália em Macau desde 1864.

28-05-1864 – TSYK I-47 de 25 de Agosto de 1864, p. 191

TSYK I-47 de 25 de Agosto de 1864, p. 191

https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-alexandrino-de-melo/

 (6) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol II, 1996, pp. 646-647

Sessão solene no Leal Senado no dia 28 de Maio de 1955, para comemorar o golpe de estado (28 de Maio de 1926) protagonizado por militares e civis antiliberais, comandado pelo general Gomes da Costa, que resultou a queda da Primeira República Portuguesa e a instauração da Ditadura Militar. Depois legitimada na Constituição de 1933, e instauração do Estado Novo.

A mesa que presidiu à sessão solene, vendo-se o Governador Joaquim Marques Esparteiro (1) a discursar
Edmundo Senna Fernandes (2) fazendo a sua conferência sobre o tema «Salazar – A sua política de sempre»

Imagens extraídas de «BGU»,  XXXI-361-362, Julho-Agosto 1955 pp. 382

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joaquim-marques-esparteiro/

(2) Edmundo José de Senna Fernandes (1897-1981), filho de Bernardino de Senna Fernandes Jr (2.º conde) (1867-1911) e Maria Francisca Xavier do Couto. Leccionou na Escola Comercial «Pedro Nolasco», no Seminário de S. José e no Colégio do Sagrado Coração. Presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM) e comendador da Instrução Pública (1979). FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume III. ICM, 1996, p. 552. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/edmundo-de-sena-fernandes/


Extraído de «BGC», VIII- 86/87 AGO/SET 1932 p.187

NOTAS: I – José Pedro Braga nasceu em Hong Kong em 3-8-1871  e faleceu em Macau (como refugiado de guerra de Hong Kong,  vivia com o filho José Maria Braga) em 12-02-1944 Era o 8.º filho de Vicente Emílio Rosa Braga (Macau 2-12-1834- Kobe 1900) e  de Carolina Maria de Noronha. Em 1927 foi o primeiro membro da comunidade portuguesa de Hong Kong a ser eleito para o «Sanitary Board» (hoje «Urban Council») e em 1929 foi convidado pelo Governador, Sir Cecil Clementi, para membro do «Legislative Council». Era cavaleiro da Ordem de Cristo, por decreto de 16-03-1919. Era também membro da Ordem do Império Britânico (O.B.E.) (FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume III, 1996, p.325) + https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jack-m-braga-jose-maria-braga/

II – «A Voz de Macau», periódico republicano, impresso na tipografia do mesmo nome, e publicado às terças, quinta e sábados, começou a 1 de Setembro de 1931, do director Henrique Nolasco da Silva, proprietário e redactor principal Domingos Gregório da Rosa Duque, assumindo este em 18 de Dezembro de 1932 a direcção do jornal de que era fundador e director de facto. Em 1 de Outubro de 1931, passou «A Voz de Macau» a ser diário, que manteve durante 16 anos (o primeiro a manter um jornal tanto tempo em Macau) até à sua morte em 16 de Agosto de 1947. (TEIXEIRA, Pe. Manuel – Imprensa Periódica Portuguesa no Extremo Oriente, ICM, 1999, pp. 144-148)

Ver também em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/a-voz-de-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/domingos-g-da-rosa-duque/   

III – Sobre a Companhia de Cimento da Ilha Verde ver em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fabrica-de-cimento-ilha-verde/ .

Partiu da Rada no dia 23 de Abril de 1862, o navio do Estado “Martinho de Mello” comandado pelo 1.º tenente Álvaro Andrea, com destino a Lisboa, com escalas por Moçâmedes, Benguela e Luanda. Além da carga (1), levava para Lisboa, 16 militares de Timor que regressavam a Portugal, 20 praças do Batalhão de Macau, incapazes para o serviço, 5 civis, sem emprego. Para Luanda, levava 1 preso sentenciado a degredo M. F. Borralho (2) e 3 soldados do Batalhão de Macau que de Luanda seguiriam para Moçambique.

Levava também o 2.º tenente da armada, José Maria da Fonseca (3) finda a sua comissão, com a família.

Extraído de «BGM», VIII-21, de 26 de Abril de 1862, p. 85

(1)

Extraído de «B.G.M.», VIII-16 de 20 de Março de 1862, p.64

(2) Está referenciado nas “Famílias Macaenses” de Jorge Forjaz na p.59, Manuel Francisco Pereira Borralho nascido em Lisboa cerca de 1820 mas com indicação que faleceu em Macau. Este é antepassado do jornalista Leonel Borralho. Ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leonel-borralho/

(3) O 2.º tenente José Maria da Fonseca foi Capitão do Porto de Macau de 1855 a 1861. Acompanhou na qualidade de secretário do governador Isidoro Guimarães na missão ao Sião em 1859.

Extraído de «BGM», VIII-21 de 26 de Abril de 1862
CONTINUA …….. Extraído de «BGM», VIII-18 de 5 de Abril,

Outro anúncio da Farmácia Popular (1) de 1921, que na época já anunciada como sendo “a mais antiga farmácia de Macau, fundada em 5 de Dezembro de 1895” situada no Largo do Senado n.º 16-A. (2)

Na área medicamentosa, era representante do “Laboratório SANITAS” de Portugal (3) e na área da perfumaria, da “L. T. PIVER & Ca.” de Paris. (4)

Proprietário e Director – Henrique Nolasco da Silva (5)

Ajudantes – Delfino do Rêgo (6) e E. J. Cordeiro.

Praticante – António Pinto Marques (7)

Guarda-livros – Maria Teles de Menezes

(1) «Anuário de Macau» de 1921 p. p. VIII

(2) Anteriores referências à «Farmácia Popular” e outros anúncios da mesma, em:

https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/farmacia-popular/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/24/anuncios-da-farmacia-popular-1938-e-1956/

(3) O Laboratório Sanitas foi fundado, em 1911, em Lisboa, propriedade da firma Cortês Pinto & Pimentel, Ldª, tendo-se dedicado praticamente logo desde o início à produção de comprimidos e de ampolas.

(4) “L.T. Piver”, perfumaria francesa desde 1774, considerada uma das primeiras casas comerciais deste género em França. http://www.piver.com/en/our-history

(5) Henrique Nolasco da Silva (1884-1969) – 8.º filho de Pedro Nolasco da Silva (1842-1912) e de Edith Maria Angier (1850-1927), farmacêutico pela Escola Médica de Goa (1906), advogado de provisão na comarca de Goa e comerciante em Macau (fundou a «Farmácia Popular» e a firma «H. Nolasco», além de muitos outros cargos públicos  e privados.  Ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/henrique-nolasco-da-silva/ (8)

(6) Delfino Francisco Xavier do Rego (1878-1924) – ajudante de farmácia. (8)

(7) António Pinto Marques (1903-1979) – filho de Lino Pinto Marques (Valongo 1870- Macau 1918 ; que assentou praça em 1891, desembarcou em Macau 1893, colocado na Guarda Policial de Macau. Passou à disponibilidade em 1897 como chefe de secção da Polícia Marítima)

 (8) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, 1996, Volumes II (pp. 798 e 1065) e III (p. 26)

Extraído de «TSYK», III Ano, n.º 84 de 8 de Fevereiro de 1866, p. 84

João Damasceno Coelho dos Santos, natural de Macau (S. Lourenço 11.05.1800; Sé 2.02.1866), filho de Faustino Coelho dos Santos e de Maria Josefa da Costa Lage , bacharel em Direito (U. C.). Terá sido nomeado em 1826, juiz de fora de Algoso (ex-freguesia portuguesa do concelho do Vimioso – Portugal) ( (1)

Em Macau, foi membro do Senado de Macau (desde 1841) (2 ) e depois Procurador da Cidade, entre 1843 e 1844. Foi delegado do Procurador da Coroa e Fazenda em Macau (1846-1866). (3) Foi um dos fundadores e o 1.º Presidente da direcção do Teatro D. Pedro V. Casou com Eudóxia António Joana Rangel (filha de Floriano António Rangel -1778-1843-  e de Ana Maria Antónia de Jesus Correia de Carvalho), Tiveram 7 filhos (4)

(1) Extraído de «Gazeta de Lisboa», n.º 35 de 10 de Fevereiro de 1826, p. 138

(2) Extraído de «The Chinese Repository», Volume 10, From Jan to Dec, 1841, p. 57

(3) Extraído de MAIA, José António (cirurgião pela Escola Mécio-Cirúrgica de Lisboa) – Memória sobre a franquia do porto de Macao, 1849, p. 85

(4) FORJAZ Jorge – Famílias Macaenses I e II Volumes, 1996

Após prolongado sofrimento que o trazia prostrado no leito há mais dum ano, faleceu, na sua residência n.º 71 da Rua da Praia Grande, vitimado por uma tuberculose pulmonar, no dia 6 do corrente, o Sr. Leôncio Alfredo Ferreira, com 69 anos de idade. O funeral realizou-se no dia seguinte, às 17 e meia horas”.(1)

Nascido em Macau a 15 de Maio de 1849, era filho de D. Maria Gualdina Gonçalves, natural de Macau, e de João Eleutério Ferreira, nascido em Portugal. (2) Fez os seus estudos na «Escola Macaense» e transitou para o Seminário de S. José, onde foi sempre aluno distintíssimo, distinguindo-se em todo o seu curso pela sua aplicação, aproveitamento e comportamento exemplar, ganhando inúmeros prémios e referências elogiosas da imprensa.

Terminado no Seminário de S. José, o seu curso com distinção, dirigiu-se para Goa a fim de estudar Jurisprudência, regressando a Macau depois de formado. Estudioso apaixonado da língua chinesa, conhecedor profundo da mentalidade e psicologia dos chineses, revelou-se não só um valoroso intérprete mas mais especialmente um medianeiro inteligente nas relações destes como nosso governo.

Casou na Sé Catedral de Macau em 27 de Setembro de 1881, com Maria José Pereira (1861-?). Segunda núpcias, em 20 de Dezembro de 1894, com sua tia por afinidade Ana Teresa Vieira Ribeiro (condessa viúva de de Senna Fernandes). Não deixou filhos.

Além de advogado de provisão, professor da Escola Municipal e jornalista, (3) desempenhou os altos cargos públicos, com distinção e aprumo moral que eram o timbre do seu carácter integérrimo, enumerando aqui alguns dos cargos: pela Portaria n.º 82 de 20 de Julho de 1825, foi nomeado Secretário da Comissão Administrativa da Santa Casa de Misericórdia; pela Portaria n.º 106, de 8 de Novembro de 1875, foi nomeado Delegado interino da Comarca de Macau de que, porem, se escusou, em 5 de Julho de 1876

«BPMT», XXII-28 de 8 de Julho de 1876, p. 114

Comentando este caso alguém escreveu no «Jornal de Macau» n.º 29 de 24 de Novembro de 1875: “O Senhor Leôncio Ferreira que exerceu com zello e intelligencia o lugar de procurador da coroa, d´esta vez entendeu que não devia aceitar semelhante cargo porque não quer aferir pela balança por onde são pezados os membros da exma. Junta, que estão no equilíbrio das ilegalidades, em quanto se não justificarem das acusações que lhe hão feito” (1)

Pela Portaria n.º 97, de 23 de Dezembro de 1876, foi nomeado Administrador interino do Concelho de Macau, cargo que anteriormente já vinha desempenhando; em 23 de Setembro de 1879 foi nomeado pela Portaria n.º 118, administrador efectivo.

«BPMT», XXII-52 de 23 de Dezembro de 1876

Pela Portaria n.º 67 de 27 de Julho de 1877, foi exonerado do cargo de secretário da Comissão Administrativa da Santa Casa sendo nomeado Pedro Nolasco da Silva para o substituir (Portaria n.º 75 de 3 de Agosto de 1877); pela Portaria n.º 53 de 14 de Agosto de 1878, foi nomeado Procurador interino dos Negócios Sínicos. Exonerado em Setembro de 1879, para tomar posse, em 23 de Setembro, (Portaria n.º 118) do cargo de Administrador efectivo do Concelho de Macau. (até 1881). (4)

No dia 17 de Maio de 1881, António Joaquim Bastos Junior foi demitido do cargo do procurador dos negócios sínicos, para que havia sido interinamente nomeado por portaria n.º 56. Leoncio Alfredo Ferreira foi nomeado para o mesmo cargo. (BGPMT n.º 21 de 21 de Maio de 1881); pela Portaria n.º 81, de 12 de Novembro de 1881, foi nomeado Presidente da Comissão Administrativa da Santa Casa de Misericórdia; pela Portaria n.º 117 de 27 de Outubro de 1883, foi nomeado cônsul de 1.ª classe, em Shanghai (1883-1884).

Pela sua diplomacia, inteligência e valor demonstrados no desempenho desta missão, foi condecorado pelo Governo Central de Lisboa com o Grau de Oficial da Torre e Espada por Diploma de 23 de Janeiro de 1896.

Pela Portaria n.º 22, de 1 de abril de 1885, foi nomeado vogal do Conselho Inspector de Instrução Pública.; pela Portaria n.º 144, de 20 de Dezembro de 1898, foi louvado pela Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar, pela maneira como se houve durante a epidemia de petes bubónica que assolou Macau, de Fevereiro a Julho desse ano, no desempenho dos serviços de higiene e desinfecção; pela Portaria n.º 145, de 5 de Dezembro de 1902, foi nomeado Vogal do Conselho de Governo da Província.

Dados biográficos extraídos de : «Macau Boletim Informativo», II-27 de 15 de Setembro de 1954, pp. 11-12; FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses Volume I, pp. 1077-1078; e o livro referenciado em (1) 

(1) TEIXEIRA, P. Manuel- Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, p. 449-497.

(2) João Eleutério Ferreira (c.1785 – 1872) nasceu em Coimbra, Portugal, vindo para Macau casou, nesta cidade, pela 1.ª vez em 1830 e pela 4.ª vez com Maria Galdina Fernandes, filha de Vicente José Fernandes e de Ricarda Constantina Fernandes e irmã de Bernardino de Sena Fernandes (1.º Barão, 1.º Visconde e 1.º Conde de Sena Fernandes), de quem teve apenas um filho, Leôncio Alfredo Ferreira.

(3) Em favor dos Jesuítas, expulsos de Macau publicou um opúsculo, intitulado: “Um brado pela verdade ou a questão dos Professores Jesuítas em Macao e a Instrução dos Macaenses, Macau, Tipographia Mercantil, 1872.

(4) Na sua qualidade de Administrador do Concelho fez o relatório sobre a morte trágica co coronel Mesquita. (1)

NOTA 1: A Câmara de Macau decidiu honrar a sua memória atribuindo o seu nome à «Rua Leôncio Ferreira» – começa na Avenida de Sidónio Pais, a entrada da Rua de Silva Mendes, e termina na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida, entre os prédios n.ºs 58-H e 60.

NOTA 2 : Aconselho a leitura dos trabalhos de António Aresta, intitulados ” O Pensamento Moral de Leôncio Alfredo Ferreira, e “A Sinologia Portuguesa: um esboço breve” disponíveis para leitura em: https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/15959.pdf   e http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30032/1963

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