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Extraído do «Diário Illustrado», III Ano, nº  535. 1873

Nesse mesmo dia 18 de Dezembro de 1873, o Governador, Visconde de S. Januário, oficiou ao Vice Rei dos dois Kuangs, protestando contra a proibição da vinda do arroz da China para Macau e nesse mês deu-se por concluída a obra da construção do Hospital Militar de S. Januário.

SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p. 207

Relato sumário das acções realizadas pela Canhoneira “Tejo” desde a saída de Macau no dia 21 de Maio até voltar a 27 de Maio de 1876, período em que esteve, no dia 24 de Maio, em Hong Kong, nos festejos do aniversário natalício da Majestade Britânica (1)

Extraído de «BPMT», XXII – 23 de 3 de Junho de 1876

O primeiro tenente Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, (2) foi nomeado comandante da Canhoneira “Tejo” (3) em despacho de El-Rei de 4 de Março de 1876, em substituição do primeiro tenente da armada Fernando Augusto da Costa Cabral (4)

Extraído de «BPMT», XXII – 24 de 10 de Junho de 1876,

(1) Rainha Vitória (24 de Maio de 1819 – 22 de Janeiro de 1901) do Reino Unido de 1837 até à sua morte

(2) Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, (1844 -1923) (reformado com o posto de Almirante), filho do Governador João Maria Ferreira do Amaral, Tinha 5 anos quando o pai foi assassinado, assentou praça na marinha aos 12 anos de idade; em 1855 era aspirante; e em 1861 completou o curso sendo promovido a guarda marinha em Agosto de 1866 e a primeiro-tenente em 1874. Nesse meio tempo, comandou os seguintes navios: «Penha Firme», o couraçado «Vasco da Gama, em que foi à inauguração do canal de Kiel na Alemanha; imediato da corveta «Mindelo», da fragata «D. Fernando» e comandante da corveta «Duque da Palmela». Como comandante do vapor «Tete» participou na expedição à África Oriental, tomando parte em três combates. Governou S. Tomé e Moçâmedes em 1878 e 1879. Em 1882 nomeado governador de Angola e em 1886 governador da Índia. Ministro da Marinha em 1892 e ministro interino dos Negócios estrangeiros em 1898.

Foi comandante da Estação Naval de Macau de 1876 a 1878. Em 1878 levou a Bangkok na canhoneira «Tejo», o Governador de Macau Carlos Eugénio Correia da Silva, que lá foi em missão diplomática. Esta missão regressou a Macau a 20 de Março de 1878. Ferreira do Amaral que não se dava bem com o governador Correia da Silva, (episódio que relatarei em próxima postagem) recusou receber o mandarim da Província de Cantão que vinha a Macau, em Julho de 1878, pois não podia suportar a afronta à memória do pai. Na véspera entregou o Comando da canhoneira ao oficial imediato e foi para o Hong Kong. O governador vingou-se, pedindo a sua exoneração a El Rei, e Ferreira do Amaral foi exonerado do comando com regresso imediato ao reino. (TEIXEIRA, Mons. Manuel – Marinheiros Ilustres Relacionados com Macau, 1988, pp. 117-118.)

(3) Ver anteriores referências à Canhoneira «Tejo» em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canhoneira-tejo/

Na Revista “O Occidente”, XIII- n.º 418 de 1 de Agosto de 1890, na página 171 aparece um apontamento quanto à duração da estadia em Macau da canhoneira, na nota de rodapé do artigo “Apontamentos sobre a Marinha de Guerra dos Diversos Países – Marinha de Guerra Portuguesa”::

(4) Fernando Augusto de Costa Cabral (1839-1901), filho de António Bernardo da Costa Cabral, 1.º conde de Tomar e 1.º marquês de Tomar, instaurou o “Cabralismo” em Portugal) )   irmão de António Bernardo da Costa Cabral, 2.º conde de Tomar, foi oficial na marinha, contra-almirante, condecorado com a medalha da Crimeia e cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, e foi ajudante de campo do rei D. Carlos. O pai adoeceu gravemente em Nápoles, , em princípios de Setembro de 1885, sendo trzido para Portugal a bordo da corveta Estefânia, então sob o comando do seu filho Fernando Augusto da Costa Cabral. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Bernardo_da_Costa_Cabrall

O governador de Macau, Januário Correia de Almeida, Visconde de S. Januário (1) partiu no dia 1 de Fevereiro de 1874 para Cantão (Guangzhou), a bordo da canhoneira Tejo, para tratar com o vice-rei dos dois Quangs, de negócios de alto interesse para o território.

Extraído de «Gazeta de Macau e Timor», II-20 de 3 de Fevereiro de 1874, p.2
Extraído de «Gazeta de Macau e Timor», II-21 de 10 de Fevereiro de 1874, p.2

O governador rgressou a Macau no dia 8 de Fevereiro a bordo da mesma canhoneira.

Extraído de «Gazeta de Macau e Timor», II-21 de 10 de Fevereiro de 1874, p.2


NOTA: No dia 20 de Março de 1874, terminou a publicação do semanário «Gazeta de Macau e Timor» (20-09-1872 a 20-03-1874; responsável: Francisco de Sousa Placé)  cujo principal colaborador foi o escritor Pedro Gastão Mesnier (1846-1886),  secretário particular do Governador Visconde S. Januário.
Sobre este escritor, aconselho a leitura do artigo de António Aresta no «Jornal Tribuna de Macau» em:
https://jtm.com.mo/opiniao/pedro-gastao-mesnier/
e
artigo do  «Diário Illustrado», n.º 4:685 de 12 de Maio de 1886
http://purl.pt/14328
(1) Anteriores referências:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/januario-correa-de-almeida-visconde-conde-de-s-januario/page/1/

Extraído de «O Independente», XI-1, de 17 de Janeiro de 1889.

Anteriores referências à canhoneira Tejo em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canhoneira-tejo/

O Directório de língua inglesa (1) de 1888 apresentava a lista dos navios portugueses que constituíam a esquadra naval portuguesa na China.
A corveta «Bartolomeu Dias» (2) foi uma corveta mista – com propulsão à vela e a vapor – ao serviço da Marinha Portuguesa, entre 1858 e 1905.
A corveta foi construída, em madeira, no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, em 1858, sendo a primeira corveta da Marinha Portuguesa com propulsão a vapor.
Na sua viagem inaugural, foi responsável por trazer para Portugal D. Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, noiva do Rei D. Pedro V de Portugal. O navio foi comandado desde a sua entrada ao serviço, pelo infante D. Luís, irmão do Rei e oficial da Marinha.
A corveta Bartolomeu Dias foi incendiada em Angola, em 1905, por já não se achar em condições de utilização.
Lançamento:2 de janeiro de 1858
Período de serviço: 1858 – 1905 (desmantelado)
Deslocamento :2377 t
Propulsão: três mastros de velas redondas
Máquina a vapor
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bartolomeu_Dias_(corveta)

Chegada a Lisboa da Rainha Dona Estefânia a bordo da corveta “Bartolomeu Dias”
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bartolomeu_Dias_(corveta)#/media/File:CorvetaBartolomeuDias1859.jpg


As canhoneiras Rio Lima (1875-1910), Rio Vouga (1882-1909), Rio Sado, (1875-1921) e Rio Tâmega (1875-1921) (3) fazem parte da chamada classe «Rio Lima». A canhoneira Rio Vouga foi construída no Arsenal de Marinha em Lisboa, e as restantes em Inglaterra. (4)

A canhoneira Rio Vouga (1882-1909)

Características técnicas:
Deslocamento: 645 toneladas
Dimensões: 45,4 m comp; 8,6 m boca; 3 m calado
Armamento: 2 peças de 9 libras; 2 peças de 4 libras; 1 peça de 3 libras
Propulsão: 2 mastros de velas; 1 maq. de 500 h.p.; 1 maq. 750 h.p.; 1 veio = 10 nós
Guarnição: 100 marinheiros
http://osrikinhus.blogspot.pt/2009/10/canhoneira-rio-vouga-1882-1909.html
A canhoneira Tejo (1869 – 1900) foi construída nos estaleiros do Arsenal da Marinha em Lisboa.
Wenceslau de Morais esteve em serviço nas canhoneiras Tejo (1889 até 1891) e Rio Lima (de 8-07-1888 a 31-09-1889)
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canhoneira-tejo/

Canhoneiras “Guadiana” (1879-1892); Tejo (1869-1900) e “Faro” (1878-1912)
http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2012/07/marinha-de-guerra-no-sec-xix-1.html

O vapor Dilly (1893-1905) foi adquirido em 1891 para operar em Timor. Foi abatido ao efectivo em 1905.
Por Portaria de 17 de Dezembro de 1892 foi determinado que deveria ser considerado relativamente ao Governo de Macau e ao Comando da respectiva Divisão Naval nas mesmas circunstâncias de qualquer dos vapores da flotilha do Zambeze. Em 1899 foi entregue ao Governo do distrito autónomo de Timor.
Por Despacho Ministerial de 17 de Outubro de 1905 foi mandado abater à lista dos navios de guerra.
https://arquivohistorico.marinha.pt/details?id=5257
NOTA: Esquadra de Guerra Portuguesa em 1880:
Corveta-Couraçada: “Vasco da Gama”;
Corvetas: “Bartolomeu Dias”, “Estefânia”, “Duque da Terceira”, “Sá da Bandeira”, “Rainha de Portugal” e “Mindelo”;
Canhoneiras: “Tâmega”, “Sado”, “Rio Lima”, “Tejo”, “Douro”, “Quanza”, “Bengo”, “Mandovi”, “Rio Ave”, “Guadiana”, “Tavira”, “Faro” e “Lagos”;
Transportes à Vela: “África” e “Índia”;
Transportes a Vapor: “Guiné” e “Fulminante”;
Navios-Escola: Fragata “D. Fernando II e Glória”, Corveta “Duque de Palmela” e Corveta “Sagres”.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_navios_de_guerra_portugueses
(1) Retirado de “The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, Straits”, 1888.
https://books.google.pt/books?id=zYpEAQAAMAAJ&printsec=frontcover&hl=pt-PT#v=onepage&q&f=false
(2) Corveta – Antigo navio de guerra com três mastros; moderno navio de guerra dotado de armas antiaéreas e anti-submarinas.
Por Corveta começaram a ser designados no século XVIII os navios de guerra semelhantes às fragatas, mas de menor dimensão. Tal como as fragatas, as corvetas tinham três mastros de velame, mas, ao contrário daquelas, não dispunham de uma bateria inteira coberta de canhões.
http://salvador-nautico.blogspot.pt/2010/04/corveta_14.html
(3) O A canhoneira “Tamega” está referenciada no Directório de Macau de 1885, com a seguintde guarnição:
(4) Uma canhoneira é uma embarcação armada com um ou mais canhões. O termo é bastante genérico e foi aplicado a vários tipos de embarcações de guerra. No entanto, a partir de meados do século XIX, foi usado, sobretudo para designar as embarcações de pequeno e médio porte, usadas pelas grandes potências no policiamento naval das suas colónias.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Canhoneira

Extraído doe «As Colónias Portuguesas», Supplemento n.º 15 de 21 de Setembro de 1890.

A «Gazeta das Colónias, semanário de propaganda e defeza das colónias» publicou no dia 10 de Julho de 1924, (1) na sua primeira página (era habitual em cada número do jornal, publicar um “Monumento Colonial”) uma fotografia intitulada:

«MACAU – A FACHADA DO ANTIGO CONVENTO DE S. PAULO»

Comparando esta foto com uma outra tirada cerca 1875, ainda se vê no lado direito as casas danificadas não pelo violento tufão de 1874, considerado na altura tufão mais violento de que há memória, mas sim pelo fogo que apareceu no dia seguinte, propagado pelo abatimento dos tectos sobre as fornalhas das fábricas de chá e as labaredas sopradas pelo vento. (2)

Ruínas de S. Paulo
1875
Fotografo desconhecido

“… As labaredas sopradas fogosamente pelo vento, que corria sem rumo certo e em desencontradas direcções, ganhavam as casas vizinhas e, dentro em pouco, eram bairros inteiros que ardiam. O clarão, que era enorme, espelhava-se num mar revolto e acendia as nuvens. Era belo e espantoso o espectáculo que os olhos viam, presos de horror e de maldição. Sôbre o fundo vermelho avultavam as paredes tisnadas das casas e as árvores sem copa e sem ramos. A formosa egreja de S. Paulo, edificada pelos jesuítas em louvor da Mãe Deus, numa pequena eminência, logo abaixo da fortaleza do mesmo nome, dominando uma grande parte da cidade, antes de ser tomada pelas chamas, estava deslumbrante, iluminada pelo clarão vivíssimo que a cercava. Parecia que a sua opulenta fachada, de boa fábrica arquitectónica, se afogueava num vermelho translúcido, como que engastada no anel de fogo que a rodeava. Nuvens de fumo e de poeira das derrocadas vizinhas toldavam-na de quando em quando, realçando assim, por contraste, o seu deslumbramento aos olhos de alguns de maior força de ânimo….”
A descrição do tufão e seus efeitos em Macau, baseados nos relatórios oficias de então, relatados pelo Eng. Carlos Alves (ALVES, Carlos – Os Tufões do Mar da China. Separata da Revista «Técnica», 1931, 12 p.)
(1) «GAZETA DAS COLÓNIAS», ANO I, N.º 2, Lisboa, 10 de Julho de 1924.
(2) Foi nos dias 22 e 23 de Setembro de 1874. Causou cerca de 4 000 mortos, (enterrados ou queimados para evitar epidemia), prejuízos da ordem de 1 milhão de patacas, as povoações da Taipa e Coloane quase que desapareceram. Destruiu grande parte do edifício do Leal Senado. A escuna Príncipe Carlos encalhou dentro da Ilha da Lapa; a canhoneira Camões encalhou numa várzea de arroz, a canhoneira Tejo aguentou-se apesar dos encontrões dos barcos desgarrados e foi parar à fortaleza da Barra; as vagas arrasaram a costa desde o forte de S. Francisco até à Barra arrombando das casas da Praia Grande, inundando os andares térreos. Dos estragos do tufão acrescenta-se aos do incêndio. As ruas do bazar só a nado se podia passar e graças às águas da inundação, ajudaram a extinguir os incêndios, tarefa que começou logo que o vento permitiu que as pessoas se aguentassem de pé.
Anteriores referências a este tufão em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1953-te-deum-em-cumprimen-to-do-voto-macau-e-o-tremendo-tufao-de-1874/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-tufao-e-o-farol-da-guia/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-ii-incendio-no-bairro-de-santo-antonio/

Wenceslau de Moraes no JapãoO escritor Wenceslau de Moraes, nascido a 30-05-1854 e falecido em 1 de Julho de 1929, em Tokushima, Japão, (1) esteve ligado a Macau cerca de 10 anos tendo chegado a 7 de Julho de 1888 a bordo do transporte “Índia”. No dia 8 de Julho, Moraes passou do “Índia” para a canhoneira “Rio Lima.” Em 1889 viu pela primeira vez o Japão. Em 31 de Setembro de 1889 passou da canhoneira “Rio Lima” para a canhoneira “Tejo”, tendo posteriormente assumido o comando em 31 de Setembro de 1889.
Wenceslau de Moraes assumiu o comando interino da estação naval de Macau em 20 de Janeiro de 1891 (exercendo o comando somente até Março) tendo regressado na canhoneira Tejo (sob o seu comando) a Lisboa. Voltou a Macau nesse mesmo ano e viveu em Macau até ser exonerado de imediato da capitania de Macau em 8 de Junho de 1898, para ser nomeado encarregado da gerência interina do Consulado Português de Hiogo e Osaka e posteriormente em Kobe e Osaka (de 1899 até 1913). (2)
O seu interesse pela China e por Macau foi escasso ao contrário do Japão que o apaixonaria até á morte.
Em Macau conviveu com Camilo Pessanha por quem tinha «vivíssima estima» , que era correspondido. Camilo Pessanha escreveu e dedicou-lhe, o poema “Viola Chinesa” (3 ) escrito em Macau em Julho de 1898

Pessanha e Wenceslau em HK c.1895Camilo Pessanha e Wenceslau de Moraes, cerca de 1895, em Hong Kong
(Postal – Edição do Instituto Português do Oriente – Macau, 1990)

Foi professor de Matemática Elementar do Liceu Nacional de Macau (posse a 16 de Abril de 1894)
NOTA: anteriores referências a Wenceslau de Moraes em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/wenceslau-de-moraes/
(1) GOMES, L. G. – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(2) DIAS, Jorge – A Presença de Macau na Vida e na Obra de Venceslau de Morais. MACAU- edição do Gabinete de Comunicação Social do Governo de Macau, n.º 1, Maio de 1987.
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/07/01/noticia-de-01-de-julho-de-1929-poesia-viola-chinesa