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Extraído de «BGU» XLI-483, 1965.
Extraído de PEREIRA, A. Marques –  Ephemerides Commemorativas da História de Macau …., 1868.

Em 24 de Setembro de 1865, acendeu–se pela primeira vez, nesta cidade o Farol da Guia, oferecido ao Governador José Rodrigues Coelho do Amaral, pela comunidade estrangeira de Macau, chefiada por H. D. Margesson (1) sendo o primeiro que se acendeu, na costa da China.

AVISO AOS NAVEGANTES 

(1)  H. D. Margesson era negociante/ comerciante em Macau durante mais de vinte anos (até finais da década de 80 do século XIX) e tinha a sua firma na Rua Central, n.° 17. Com o nome de “MARGESSON & CA”. O gerente era Mortimer E. Murray.
Em 1879, trabalhava nessa firma Francisco P. de Senna e António C. da Rocha.
Em 1885, trabalhava (ainda) na firma Francisco P. de Senna e outro funcionário, Themiro Maria Gutierrez. Publicitava como agentes de várias companhias de seguro e de companhias de vapores

Directório de Macau para o anno de 1879
Directório de Macau para o anno de 1885

NOTA: as duas fotografias são da Cristiana, tiradas em Maio de 2017.

Em 7 de Dezembro de 1836, o Governo Português, pela pasta de Marinha e Ultramar, decretou que nas províncias ultramarinas se imprimisse um Boletim, cuja redacção ficasse a cargo do secretário do governo. Dois anos mais tarde, cumpria-se em Macau esta determinação, aparecendo em 5 de Setembro de 1838 o Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor, sendo impresso na Tipografia Macaense, oficina do Dr. Samuel Wells Williams (1). Segundo o mesmo Decreto de 7 de Dezembro de 1836, art. 13.º, o Boletim destinava-se ao aparecimento das ordens, peças oficiais e de tudo o mais que fosse de interesse público; a portaria circular de 14 de Fevereiro de 1855 determinava que nesse se publicassem os documentos mais importantes existentes nos respectivos arquivos. (2) Suspendeu-se a publicação após cinco números, reaparecendo no ano seguinte em 8 de Janeiro de 1840, e continuando (com algumas interrupções) até hoje, assumindo posteriormente diversos outros nomes similares:
O Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor (5 de Setembro de 1838);
Boletim do Governo de Macau;
Boletim do Governo da Província de Macau e Timor;
Boletim do Governo de Macau e Timor;
Boletim da Província de Macau e Timor;
Boletim Oficial do Governo da Província de Macau e Timor;
Boletim Oficial do Governo da Província de Macau (2 de Janeiro de 1897)
Boletim Oficial da Colónia de Macau (7 de Janeiro de 1928)
Boletim Oficial de Macau. (7 de Julho de 1951)
(1) Esta tipografia pertencia ao Dr. Samuel Wells Williams, mas figurava como gerente Manuel Maria Dias Pegado para cumprir as formalidades da lei.
O Dr. Samuel Wells Williams (1812-1884) missionário protestante, linguista e sinologista americano (autor de livros e dicionários inglês- chinês e chinês-inglês e um dos primeiros dedicados ao dialecto cantonense em 1856; primeiro professor nos Estados Unidos da literatura e língua chinesa em 1877) (3)  foi editor de 1848 a 1851, da excelente revista «Chinese Repository» que principiou a publicar-se em Cantão e depois de 1842 até 1844, a revista (volumes XI e XII) foi editada em Macau, com excepção do número correspondente a Dezembro de 1844, por esta revista ter passado a ser impressa em Hong Kong. (4)
Manuel Maria Dias Pegado (1805 – ? ) fundou três jornais em Macau: o semanário «Gazeta de Macao» cujo primeiro número saiu a 17 de Janeiro de 1839 e terminou a 29 de Agosto de 1839, após 32 números; «O Portuguez na China» em 2-10-1839 (durou até até 1843); o «Procurador dos Macaistas» em 06-03-1844 (até 2-09-1845) . É irmão de Guilherme José António Dias Pegado, (1803-1885) professor de Matemática na  Universidade de Coimbra, professor de Física da Escola Politécnica e deputado às Cortes em sucessivas legislatura a começar em 1834,  pelo círculo de Macau)
(2) Retirado de «Breve História do Boletim Oficial» em:
http://bo.io.gov.mo/galeria/pt/histio/boletim.asp
(3) Dois dos livros publicados em Macau
WIILIAMS, S. Wells – Easy lessons in Chinese: or progressive exercises to facilitate the study of that language specially adapted to the Canton Dialect . Macau, printed at the office of The Chinese Repository, 1842, 282 p.
Disponível para leitura em
https://books.google.pt/books?id=djnPbjYGHFIC&printsec=frontcover&source=gbs_ge_summary_r&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false
WIILIAMS, S. Wells – An English and Chinese Vocabulary in the Court Dialect.  Macau, printed at the office of The Chinese Repository, 1844, 440 p.
Disponível para leitura em:
https://books.google.pt/books?id=RQOSGIumLUQC&printsec=frontcover&source=gbs_ge_summary_r&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false
(4) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/the-chinese-repository/


Extraído da «Revista Colonial», Anno IX- 2, 1921.

DESENHOS

Se medito no gozo que promete
A sua boca fresca e pequenina
E o seio mergulhado em renda fina,
Sob a curva ligeira do corpete;

Desejo, num transporte de gigante,
Estreitá-la de rijo entre meus braços,
Até quase esmagar nestes abraços
A sua carne branca e palpitante;

Como, da Ásia nos bosques tropicais,
Apertam, em espiral auriluzente,
Os músculos hercúleos da serpente
Aos troncos das palmeiras colossais. …
Camilo Pessanha (1)

Versão mais concentrada que substituiu ”Lúbrica” (primeira versão) (2)
(1) PESSANHA, Camilo – Clepsidra e Outros Poemas de Camilo Pessanha. Organização e Algumas Variantes por João de Castro Osório. Edições Ática, 6.ª edição, 1973, 210 p. p- 91.
(2)  “Ainda melhor posso agora situá-lo no grupo completo dos «Poemas Iniciais», porque surgiu uma versão nova, encurtada em mais de metade, com emendas por isto necessitadas, ou Já de melhor arte, que parece substituir, e foi, de acordo com a nova forma, intitulada, também mais própria e perfeitamente, « Desejos».
Está datada de 14 de Setembro de 1885, a mais antiga poesia de Camilo Pessanha, com o título “Lúbrica”, composta de catorze quadras e incluída na segunda edição de «Clepsidra». Quatro anos depois das quadras originais, introduziu algumas variantes e, modificando o título primitivo para “Desejos”, reescreveu essa poesia, de que se reproduz o manuscrito inédito e respectiva leitura” (João de Castro Osório – Breve esclarecimento sobre esta edição ) (1)

O Hospício para Lázaros, em Ka Hó, depois de muita resistência e de alterações várias (1) quanto à escolha do local, quer em Macau (D. Maria, Porta do Cerco) quer na Taipa e depois em Coloane, foi entregue pronto no dia 20 de Janeiro de 1885, com guarda e zona circundante delimitada. O apetrechamento só ficaria completo em Maio desse ano. (2)
mapa-de-ka-hoPor portaria Provincial n.º 327 de 13 de Setembro de 1929 foi nomeada uma comissão, a qual cumpriu o seu mandato, fazendo construir no Hospício Ka Hó, cinco pavilhões e uma capela, com dependências anexas para constituírem a residência das Religiosas que venham ali a instalar. Em Ká Hó, com a preparação do terreno, construções dos cinco pavilhões, capela, poço, tanque e valsa de protecção, canalização de água potável e de esgoto e conservação de todas as obras despendeu-se a bela soma de $ 21.478, 19. A capela foi inaugurada e benzida por D. José da Costa Nunes no dia 21 de Outubro de 1934.

pe-teixeira-macau-e-a-sua-diocesse-i-pavilhoes-das-lazaras-de-ka-hoPAVILHÕES DOS LÁZAROS EM KA-HÓ, 1940

A Leprosaria fica na Baía de Ka Hó, construída num promontório na ponta leste de Coloane, perto da chamada aldeia ou povoação de Ká Hó (é um pequeno vale entre montanhas e era o mais cultivado antigamente). Tem uma bela igreja contemporânea dedicada a N.ª Sr.ª das Dores, ostentando um grande crucifixo de bronze sobre a porta norte.
coloane-igreja-de-nossa-senhora-das-dores-ka-ho(1) Os leprosos que durante três séculos estiveram no Hospital S. Rafael, em 1878 são transferidos para a Ilha de D. João na altura sob a administração portuguesa, em Pac Sá Lan. Em 25-11-1896 é extinto o Hospício de S. Lázaro junto à Igreja de S. Lázaro.
“1878 – Os leprosos, recebidos na primeira instituição congénere no Extremo-Oriente – O Hospital de S. Rafael – durante três séculos, são transferidos neste ano para a Ilha de D. João (para homens) sob a administração portuguesa”. (2)
17-03-1894 – O Administrador das Ilhas, Capitão João de Sousa Canavarro, oficia à Secretaria do Governo fazendo uma breve mas expressiva panorâmica da situação dos leprosos. É estudada a construção de novas barracas para o alojamento dos Lázaros em Pac-Sá-Lan e Ká-Hó.” (2)
Mas os constantes assaltos dos piratas (maus tratos e roubos) ao longo da década de 10 a 30 (século XX), (3) (4) à gafaria de Pac Sa Lan instalada na Ilha de D. João, foram transferidos aos poucos para a Gafaria de Ká Hó que com o tempo foi-se ampliando. Em 1933, o director da leprosaria Fernando Dias Costa informava estarem construídos oito pavilhões para o tratamento da lepra. As instalações da leprosaria de Pac Sá Lan foram destruídas pelos militares comunistas em 1953. (5)
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.
(3) 19-06-1912 – Pedido dos leprosos instalados no Hospício de D. João para serem dali retirados a fim de não estarem sujeitos aos constantes assaltos de piratas.(GOMES, Luís G. – Catálogo do M.M., n.º 254)
(4) “24-01-1927 – Queixa apresentada pelos asilados da gafaria de Pac-Sa-Lan, na Ilha de D. João, contra os maus tratos e roubos de que eram vítimas às mãos dos piratas. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997).
(5) “1953 – Destruídas pelos comunistas a leprosaria de Pak-Sa-Lan. Aventou-se a hipótese dos doentes terem sido transferidos para outra ilha, perto de Hong Kong. Mas não se conseguiu confirmar tal notícia, sendo provável que os últimos leprosos tivessem perecido, porque já em 1949 tinham sido ameaçados de morte por Ng Seng, comandante da guarnição chinesa de Man Lei Wai, se não pagassem $500 em notas portuguesas. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998).

Os hospícios em Macau que foram com o tempo construídos para os doentes com lepra, eram sempre afastados das povoações para evitarem o contágio,  e após a fase da instalação dos lazaretos em Macau, foram afastados para as ilhas. Mas tinham sempre problemas para a sua gestão quer no envio de mantimentos e outras necessidades como por exemplo: material para construção das barracas e controle / fiscalização da comida, quer no “policiamento” para evitar que fugissem ( e eram frequentes as fugas) . Mas o principal problema era o constante ataque e roubos praticados pelos piratas.
A 3 de Setembro de 1885, o tenente Lemos (1) enviou um ofício à secretaria do governo:
«Pelas 20 horas da noite do primeiro do corrente (1 de Setembro) assaltaram o hospício de Kao hó, (2) uns doze piratas armados de taifós (espadas curtas) e de pistolas, roubando toda a roupa de inverno das leprosas e o arroz que lhe havia sido distribuído para o rancho até 15 deste mês.
Os piratas dirigiram-se primeiro à casa do guarda, a cuja porta bateram para que viesse apresentar-se ao comandante da Taipa ─ disseram eles que estava ali à sua espera. O guarda foi o primeiro roubado.
Dali foram ao hospício, arrombaram a janela do lado da cozinha por onde entraram, e abriram em seguida uma porta. Roubaram aí a roupa das leprosas e algum dinheiro na importância de sete patacas e 160 cates de arroz.
Pela meia-noite retiraram os piratas embarcando num pequeno sapatião que os esperava na praia.
Já mandei proceder a concertos da janela, em virtude da autorização que recebi para esse fim.»(3)
Os piratas levaram tudo o que encontraram: a ração de géneros e arroz, as roupas das mulheres  e do guarda (vê-se que não tinham medo à lepra), dinheiro e louça. Vivia em Ká Hó um mulher católica, mandada pelas Canossianas, que era a catequista das leprosas.
As suspeitas recaíram em Lao Teng Yao e nos seus companheiros, Leung Con Soy e A Mine, mais conhecido por Pac Tao Fat (“cabelos brancos”) que foram presos cerca de três meses depois em Cantão (notícia de 12 de Dezembro de 1885), por outros crimes de pirataria, praticados na vizinhança de Hong Kong.
O grupo pertencia a uma sociedade secreta, denominada Sam Hap, cujo cabecilha nestes lugares (Coloane) era o Lao Teng Yao. Entre os filiados estavam o Tai Chi Seng (Asseng) e Tai Chi San (Assam) e ainda um terceiro por nome Achi,  (cabecilha duma embarcação de piratas, e com cadastro prisional),  filho do proprietário da firma Ngui Ki. Estes piratas levavam uma existência miserável já que o produto dos roubos iam para o jogo (frequentavam a casa de Tan A Ngok, lugar de jogos ilegais)  e para a frequência das casas de ópio.(3)

MBI I-13 15FEV1954 - Lazareto de Ká HóO Lazareto de Ká Hó em 1954 (4)

(1) O Alferes José Correia de Lemos foi nomeado a 5 de Maio de 1879, Administrador substituto e Ajudante do Comando Militar das Ilhas. Passou a efectivo a 25 de Agosto de 1879. Promovido a tenente em 1882, foi substituído no cargo em 14 de Janeiro de 1890 pela Capitão José Maria Esteves.
(2) O Hospício para Lázaros, em Ká Hó era de construção recente nessa data (1885) pois,  tinha sido inaugurado em 20 de Janeiro desse ano. Para evitar a convivência dos lázaros com a lázaras (desde 1978, os lázaros tanto homens como mulheres, estavam  no lugar de “Pac Sá Lan” na Ilha de D. João)  o Governo (em 1884) mandou construir uma casa de tijolos na Ilha de Coloane,  no lugar de Ká Hó  e em 1885 transferiram para Ká Hó as mulheres, permanecendo os  homens “Pac Sá Lan” .  Em 1884,  Ká Hó, a N.E. da Ilha de Coloane não era habitada e tinha água  e a povoação mais próxima desse local (2 milhas) era uma pequena povoação (Hac Sá) de vinte casebres cujos habitantes empregavam-se na agricultura e nos pesqueiros da areia preta. (3)
“20-01-1885 – O Hospício para Lázaros, em Ka Hó, depois de muita resistência e de alterações várias quanto à escolha do local, quer em Macau (D. Maria, Porta do Cerco) quer na Taipa e depois em Coloane, foi entregue pronto nesta data, com guarda e zona circundante delimitada. O apetrechamento só ficará completo em Maio deste ano” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995).
Em 1886, havia 48 leprosos em Ká Hó e Pac Sa Lan (Ilha de S. João – as barracas dos leprosos neste local achavam-se de todo arruinadas, nesse ano, havendo necessidade de serem construídas novas barracas),sendo 13 mulheres no primeiro lazareto e 35 homens no segundo; e que a despesa feita com eles nesse ano fora de $ 805.631.
(3) TEIXEIRA, Padre Manuel – Taipa e Coloane, 1981.
(4) Com o fim da leprosaria de Pac Sá Lan  (destruída em Maio de 1953 pelas autoridades chinesas; uns dizem que os leprosos forma mortos, outros que eles foram levados para uma ilha perto de Hong Kong, notícia nunca confirmada) os homens diagnosticados com a doença, passaram a ser internados no Lazareto de Ká Hó pelo que o Governo mandou construir dois espaçosos edifícios, um para homens e outro para mulheres (em 1965) (3)

Fortaleza da Guia -1885Fortaleza da Guia em 1885

“01-09-1637 – Principiou a construção da Fortaleza de Nossa Senhora da Guia tendo terminado um ano depois.” (1)
A fortaleza encontra-se no mesmo sítio onde havia uma bateria pois  desde 1622 (2) foram feitos reparos defensivos a um “rudimentar sistema anterior” (bateria), junto da ermida. (3) A fortaleza sofreu várias alterações ao longo do tempo tendo sido ampliada e prolongada dando origem à actual fortaleza.

Planta de Macau final s. XVII chinês - pormenor fortalezasPormenor da Planta de Macau em finais do século XVII
pertencente ao Arquivo Nacional n.º1 da China,  onde se vê três fortalezas,
a Fortaleza de Nossa Senhora da Guia (no topo, com dois canhões),
a Fortaleza do Monte (à esquerda, com 11 canhões) e
a Fortaleza de S. Francisco (à direita, com 4 canhões)

Esta Fortaleza de Nossa Senhora da Guia ou Fortaleza da Guia encontra-se  a Nordeste da Fortaleza de S. Paulo do Monte, e está situada na colina de Nossa Senhora da Guia, com uma altitude de 94 metros, o ponto mais alto da Península de Macau. As cartas desta parte da costa da China indicam que o farol (4) existentes no seu recinto tem as coordenadas de 22° 11´ 51´´ de latitude Norte e 113° 32´48´´.
Esta fortaleza colocada fora das muralhas defensivas da cidade antiga mas em situação dominante foi edificada como defesa contra a ameaça do continente Chinês. Funcionava também como aviso e posto de observação (5) tem um sino (6) que tocava sempre que se avistava um navio ou  se esperava um tufão“. (7)
ESQUEMA Fortaleza da Guia

Compreende uma área de cerca 800 metros quadrados. O seu plano primitivo era mais regular, com a forma de trapézio de área ligeiramente inferior à presente. Possuía um quartel para uma companhia de soldados e uma cisterna de água assim como uma ermida dentro do seu recinto. O portão de entrada ficava na muralha Norte, com casa da guarda por cima. Tinha também armazéns para equipamento e pólvora e uma casa para o Comandante da guarnição. Tinha de início quatro pequenas torres mas restam apenas duas. A torre no cato Norte não é original, é de construção recente em cimento armado.(7)
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(2) A  laje de pedra encaixada sobre o portão de entrada da fortaleza tem gravada uma inscrição que regista que a fortaleza foi erigida e concluída nos anos de 1637-1638.

Fortaleza da Guia - Laje portãoESTE FORTE MANDOV FAZER A CIDADE A SVA
CYSTA PELO CAPITAO DA ARTILHARIA ANT RIBR
RAIA COMESOVSE EN SETEBRO DE 1637 ACABOVSE
EN MARÇO D 1638 SENDO GERAL DA CAMARA
DE NORONHA

A fortaleza de N.ª Senhora da Guia teve princípio em Setembro de 1637 e terminou em Março de 1638. (PEREIRA, J. F. Marques – Ta-Ssi-Yang-Kuo, 1984.)
Padre Manuel Teixeira refere que “vários historiadores, que se limitam a copiar Marques Pereira, afirmam erradamente que a fortaleza da Guia foi construída em 1637 mas afirma que segundo documentos de Bocarro (8) ” Manuel da Câmara Noronha, Capitão-Geral de Macau (1631-1636), demoliu o forte mas, em 1636, foi substituído no governo por seu irmão Domingos da Câmara Noronha, que tinha ideias muito diferentes; este reconstruiu-o com maior perímetro em 1637- 1638, segundo reza a inscrição da fortaleza.” (TEIXEIRA, P.e Manuel – Os Militares e Macau, 1975)
Domingos da Câmara de Noronha foi Capitão-geral de Macau de 1636 a 1638.
(3) No relato da invasão dos holandeses em 22 de Junho de 1622 … Tendo pois o inimigo de passar ao lado d´este bambual, temeu alguma emboscada, e pelo facto de não ver pessoa alguma e estar soffrendo não só os tiros do Monte como tambem descargas successivas do lado da Guia; assim mudou de plano, e diligenciou subir ao alto do oiteiro, sobre o qual já existia uma ermida… (Boletim do Governo de Macau, n.º 30 de 28-06-1862).
(4) O farol é posterior, foi construída por ordem do Governador José Rodrigues Coelho do Amaral em 1864/1865. Acendeu-se pela primeira vez a 24 de Setembro de 1865.
(5) A fortaleza da Guia (e antes a Ermida da Guia) servia durante o dia de guia para os navios  que se dirigiam para Macau e Cantão. Quando aparecia um navio um navio, o governador era avisado da sua aproximação por sinais, e quando se descobre a bandeira, o comandante participava-o por escrito. Se era um a navio português, tocava-se o sino.
(6) O sino que se encontra ao lado da Capela, (mas ali colocada somente em 1707), tem a seguinte inscrição:

ESTE SINO
FOI FEITO PARA UZO DE
STA ERMIDA DE N.S DA GUIA
EM O ANO DE 1707 SENDO
PREZIDENTE DELLA E CAPI
TÃO GERAL DESTA CIDADE
DIOGO DO PINHO TEIXEIRA
Fortaleza da Guia - SINO - 1998Foto de 1998

O italiano Marco d´Avalo diz na «Descrição da Cidade de Macau»: ” Deste último forte recebe a cidade aviso dos navios que se avistam no mar, quer venham do Norte ou do Sul, do Japão ou de Manila, para entrar no seu porto. Logo que se avista qualquer , toca-se o sino na montanha e, segundo as maneiras como for tocado, indica de qual lado eles apparecem”  in  (Ta-Ssi-Yang-Kuo, Vol II).
(7) GRAÇA, Jorge –Fortificações de Macau.
(8) Manuel Tavares Bocarro que possuía uma fundição de canhões em Macau de 1625 a 1664,  informava que em 1635, o baluarte da Guia tinha 5 peças, i. é, uma colubrina, um pedreiro e 3 sagres, todas de metal; Marco d´Avalo afirmava que, em 1638, tinha 4 ou 5 peças.
Anteriores referência à Fortaleza da Guia em:
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