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No dia 26 de Maio de 1885: “O hospício de Kao hó está já prompto a receber mulheres leprosas ….”, informa o Administrador das Ilhas à Secretaria do Governo. Entretanto foram já instaladas, entre 30 de Abril de 3 de Maio as mulheres lázaras da Ilha de João, satisfazendo ordens do Governo. As instalações estavam boas e prova disso foi o roubo perpetrado por cerca de 12 piratas armados de «taifós e pistolas», em Setembro desse ano, aliviando as pobres leprosas de toda a roupa de inverno e do abastecimento de arroz para meio mês (160 cates), além de 7 patacas em dinheiro, fugindo pela praia, num pequeno sapatião perdido na noite. E não foi só dessa vez, porque sabiam o lazareto provido e indefeso.
TEIXEIRA, P. Manuel – Taipa e Coloane, 1981.
TAIFÓ – Espada/adaga chinesa, curta e muito afiada.
SAPATIÃO – barco chinês, pequeno e ligeiro.
Segundo Sebastião Rodolfo Dalgado, no seu «Glossário luso-asiático»:
TAIFÓ: julga o Sr.Pelliot que esta palavra não se pode ligar ao chinês tai-to (em mandarim ta-tao), «grande faca» mas que deve provir dalgum nome cantonês, em mandarim ch´u-ang-tu ou ch´uang-kien.
SAPATIÃO: o Sr. Pelliot prefere derivar o vocábulo do chinês sam-pang-ting, «barco sam-pan ou cham-pana»
Ver referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leprosaria-de-ka-ho/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leprosarias-lazaretos/

Aviso publicado no «Boletim do Governo de Macau e Timor,» XVIII – n.º 20 de 11 de Maio de 1872
Escaler – Pequena embarcação de quilha ordinariamente de remos ou vela, para serviço de um navio ou de uma repartição ou estação marítima. pública.
João Eduardo Scarnichia (1832 – 1888) -斯卡尼西亚capitão-de-mar-e-guerra da Marinha
Aos treze anos, assentou praça na Armada, iniciando-se muito cedo na vida do mar. Após frequência da escola Politécnica, foi promovido a guarda marinha em 1841 e embarca neste posto no vapor Mindelo.

Annaes Maritimos e Coloniaes, 1846
http://library.umac.mo/ebooks/b31365243f.pdf

Em Fevereiro de 1848 completa o curso da Escola Naval sendo promovido a guarda-marinha efectivo. Envolve-se nas lutas liberais que deflagraram em 1846 sendo deportado. É integrado no Exército de operações em Janeiro até Agosto do mesmo ano, voltando a embarcar no Mindelo. E nesse mesmo ano é-lhe concedido o grau de cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada.
Em 3 de Setembro de 1853, passou à corveta D. João I que largou de Lisboa a 6-10-1853 chegando a Macau em 1854 sob o comando do capitão-de-fragata Carlos Craveiro Lopes, levando na viagem 6 meses e vinte e tantos dias (passando pelo cabo de Boa Esperança e Timor).
Em 1854 passou a comandar, no posto de 2.º tenente, a lorcha de guerra Amazona Promovido por distinção (várias expedições contra a pirataria nos mares da China) em 12-11-1854, a 1.º tenente.
Casou em Macau a 15-07-1856 na Sé Catedral com Maria Kikol Goularte (nascida em Macau)
Nomeado Capitão do Porto de 1861 a 1876, sendo nesse tempo promovido a capitão-tenente e capitão-de-fragata e
Comandante da Polícia Marítima de 1868 a 1876. Em 16-08-1876 foi promovido a Capitão-de-mar-e-guerra, Regressou a Portugal em 1877.
Em 1877, (1) foi eleito deputado pelo círculo de Macau cargo que exerceu até à sua morte, em 26 de Fevereiro de 1888 (no posto de contra-almirante) vítima de congestão cerebral.
Informações de TEIXEIRA, Mons. Manuel – Marinheiros Ilustres Relacionados com  Macau, 1988.
Anteriores referências a João Eduardo Scarnichia em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-eduardo-scarnichia/
(1) Foi João Eduardo Scarnichia que, como deputado, teve uma intervenção no parlamento em 1880 chamando a atenção da decadência e incúria do jardim de Camões e da necessidade de aquisição do espaço por parte do Governo. Esta aquisição sé seria concretizada em 1885 com a intervenção do Governador Tomás Roa e do comendador Lourenço Marques
Ver
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/comendador-lourenco-marques/page/3/ 
卡尼西 mandarin pīnyī: sī qiǎ ní xī yà; cantonense jyutping: si1 kaa1 nei4 sai1 ngaa3
Do «Diário Illustrado» de 26 de Setembro de 1878 (n.º 1972) na coluna  “High Life” extraí esta nota social:

Relatório do Director das Obras Públicas da Província de Macau e Timor José Maria de Sousa Horta e Costa (1) relativo ao ano de 1885 e datado de 1 de Julho de 1886. (2)
1885– “No jardim da gruta de Camões, fizeram-se trabalhos mais importantes. Levantou-se um grande muro, que abatera com as chuvas em que se despenderam $430,00. Abriram-se novas ruas, construiu-se um pequeno jardim com canteiros limitados por pedras britadas e de cores differentes, compraram-se em Cantão muitas plantas para o adornar, bettonaram-se muitas ruas, empregando uma dosagem tal, que resistisse ás chuvas, como de facto tem succedido, construiu-se um viveiro com canteiros limitados de tijolo vermelho, levantou-se provisoriamente um kiosque de bambú e óla para a banda de musica, mandaram-se fazer 20 bancos de madeira, que custaram $120,00, picaram-se todos os degráos de cantaria ali existentes, e fizeram-se outros trabalhos para adorno e embellezamento.
Este sítio, ultimamente adquirido pelo governo, não só pela tradição historica, que lhe está ligada, mas por ser um dos pontos mais bellos e pittorescos de Macau, merece que se lhe preste uma grande attenção, e não hesito em confessar, que esta direcção não tem tempo nem pessoal para cuidar devidamente.
É n’este sitio, que se ergue a gruta, onde, si vera est fama, o nosso eminente epico, Luiz de Camões, compôz parte do seu magnifico poema, conhecido hoje em todo o mundo civilizado, e traduzido em quasi todas as linguas.
Esta gruta formosissima achava-se precedida por um portico de alvenaria, e tapada com uma grade de madeira, que a desfeiavam bastante, e sobre ella levantava-se um kiosque de pouco gosto e em máo estado. Tudo isto foi arrancado, conservando-se apenas a obra da natureza, devendo mais tarde este local ser devidamente adornado.
O que ha a fazer aqui? Muito, mas a verba distribuida é tão pequena, que pouco sobrará depois de pagar as despezas ordinarias. E é pena isto. (3) Ha aqui local proprio para se construir um lago, cujas aguas, subindo por meio de bombas, de poços existentes ali, desçam depois formando repuxo. Tem espaço para reter alguns animaes mais raros, e tornar-se assim de curiosidade zoológica, e o viveiro, já mencionado, e magnificamente disposto para ali se dislfibuirem, por classes e familias, differentes plantas, podendo fazer-se assim um attencioso estudo da flora da colonia, o que com certeza é util e instructivo.
Apezar porém de tudo isto, da falta de meios, de tempo e de pessoal, eu jamais descurarei este local, que a cidade de Macau tanto deve appreciar, e que por tantos motivos lhe deve ser caro”.
(1) José Maria de Sousa Horta e Costa que esteve em Macau como Director das Obras Públicas em 1886 (na altura tenente de Engenharia) viria a ser nomeado governador de Macau (1894 – 1896). Ver anteriores referências  em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-maria-horta-e-costa/
(2) José Maria de Sousa Horta e Costa, Director das O. P. — Relatório da Direcção das Obras Públicas da Província de Macau e Timor relativo ao Ano de 1885, datado de 1 de Julho de 1886 — pág. 356 in Boletim da Província de Macau e Timor, de 14 de Setembro de 1886 — Suplemento ao n. ° 36)
(3) O mesmo Director, no Relatório de 1886, voltaria a falar do mesmo jardim.
“1886 – Nos jardins do Chunambeiro, de S. Francisco e da Gruta pouco ou nada se fez de novo. Apenas n’este ultimo se construiu um pequeno tanque onde a agua, vindo d’um reservatorio collocado a grande altura, cahe em forma de repuxo. A despeza pois feita este anno nos jardins foi apenas a despeza de conservação“.
José Maria de Sousa Horta e Costa, Director das O. P. – Relatório Sobre Obras Públicas relativo ao Ano de 1886, datado de 30 de Junho de 1887 –pág. 370 — in Boletim da Província de Macau e Timor, de 3 de Novembro de 1887)

Edição Fac-similada da “Amplificação do Santo Decreto” (1) do Imperador Yongzheng, (2) versão portuguesa e compilação de  Pedro Nolasco da Silva ( Chefe da Repartição Técnica do Expediente Sínico de 1885 a 1892) inserido no 2.º volume do seu livro (edição de Autor, 1903, Tipografia Mercantil, Macau) “Manual da Língua Sinica Escripta e Fallada. Primeira Parte – Língua Sínica Escripta”
Do “PREFÁCIO” assinado por António Aresta, transcrevo:
Sob a capa de um manual escolar de língua sínica escrita, anódino e igual a tantos outros, podem encontrar-se inesperadas surpresas.
É o que sucede com a “Amplificação do Santo Decreto”, onde a para de um didactismo exemplar se empreende a pedagogia de uma ideologia, a pedagogia do neo-confucionismo, cujo remoçado fascínio permanece até à actualidade.
A “Amplificação do Santo Decreto” é um verdadeiro manual de instrução cívica, ética e política, obedecendo aos parâmetros da mais pura ortodoxia confuciana, destinado ao povo chinês (…)
O “ Santo Decreto”, santo com o significado de sábio, foi originalmente redigido prelo imperador Shunzhi, (3) o fundador da dinastia Qing, tendo sido sucessivamente amplificado ou desenvolvido por seu filho Kangxi (4) e por seu neto Yongzheng . Assim, o mesmo corpo doutrinal, o “Santo Decreto”, manteve-se em vigor durante dois séculos. (…)”
Da “INTRODUCÇÃO” de Pedro Nolasco da Silva, retiro o seguinte:
Em 1671, KANG-HSI, segundo imperador da actual dynastia tartara-manchú, publicou um decreto contendo 16 máximas, sendo cada uma escripta com 7 carateres chinezes; e em 1724, YUNG-CHÂNG, filho e sucessor de KANG-HSI, publicou um comentario d´essas 16 máximas, sob o título de Amplificação do Santo Decreto (Xâng-Iu Kuang-hsun).
É este o livro que escolhemos para exercício de traducção, não só porque está escripto em estylo moderno, elegante e claro, mas também porque n´elle se contém um esboço interessante e instructivo dos princípios da moral chineza. (…) “
(1) Amplificação do Santo Decreto do Imperador Yongzh:eng, edição fac-similada da versão portuguesa e organização de Pedro Nolasco da Silva. Prefácio de António Aresta, Fundação Macau, 1995, 145 p., 26,5 cm x 18,5 cm x 1 cm, ISBN: 972-8147-47-3
(2) Imperador Yongzheng (1678-1735) Imperador de 1723 a 1735 – 雍正帝mandarim pinyin: yōngzhèngdì; cantonense jyutping: jung1 zeng3 dai3.

(3) Imperador Shunzhi (1638-1661) Imperador de 1644 a 1661. 治帝mandarim pinyin: shùn chí dì; cantonense jyutping: seon6 ci4 dai3.

4) Imperador Kangxi, (1654-1722) – Imperador de 1661 a 1722. 熙帝帝– mandarim pinyin: Kāngxīdì; cantonense jyutping: hong1 hei1 dai3.

Ver anteriores postagens com as “Máximas do Imperador Kangxi” extraídas deste livro em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/imperador-kangxi/
NOTA: sobre Pedro Nolasco da Silva ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/pedro-nolasco-da-silva/

Macao
Praia Grande, vista da Colina da Penha, c. 1885
Gravura feita após fotografia, colorida posteriormente

A Praia Grande em 1885
O Dr. Augusto Pereira Tovar de Lemos (1) descrevia assim a Praia Grande no «Relatório do serviço médico da província de Macau e Timor referido ao anno de 1885»: (2)
«Esta enorme e larga rua (Avenida da Praia Grande), na maior parte pertencente á freguesia da Sé, é curva e talhada juntamente com a muralha que a limita pelo E, S e SO em amphiteatro. É arborizada. Em curva mais suave, segue-se uma extensa linha de prédios, qual deles o melhor. Ao centro d´esta rua está um bello palácio, que por muito tempo foi residência dos Governadores, acomodando actualmente as seguintes repartições públicas – junta da fazenda, tribunaes judiciaes, europeu e china, com os respectivos cartórios e repartição de decimas. E um bello estabelecimento; em harmonia coma amplidão e elegância das salas está a sua mobília. Estão em decência á altura e dignidade de taes repartições. Apenas há a notar e sentir que algumas salas interiores no rez do chão, e que servem para cartórios da repartição da procuratura, tenham pouco ar e pouca luz, resultando, já se vê, crescimento de humidade, e por tanto insalubres, em especial no tempo invernoso. A sala de tribunal é mais de decente, é magestosa.
Um outro palácio de mais subido gosto, segundo a maioria dos pareceres, se encontra ao seguir da mesma fileira de prédios na Praia Grande o qual olha para o S. ou talvez mais rigorosamente para SO. Todo o palácio, como o seu adorno, está em circunstâncias de receber os mais elevados dignitários estrangeiros, sem quebra de nossa dignidade nacional. N´elle reside o actual Governador (Tomás de Sousa Rosa), a quem se deve tanto o melhoramento do palácio com a útil e grandiosa idea de reunir a maior parte das repartições, não se poupando a esforços para que as referidas repartições, se alojassem com o decido conforto, e decência. Todos os prédios que em graciosa e suave curva limitam pelo N. a praia são belos, e como são pintados ou caiados a diversas cores, o conjunto forma um todo bello. A rua é toda arborizada do lado S No limite E fica um elegante edifício, o Grémio Militar, e por detraz d´este em mais elevado plano o vistoso e bom quartel de S. Francisco. Do lado S.O. fica a montanha arborizada da Penha.
Entre os prédios dos particulares os que mais se distinguem são os do sr. Commendador Senna Fernandes e o Hotel (Macao Hotel ) que é de bom gosto. A apparência  d´estes edifícios não está em geral em harmonia com as divisões das casas, que têem irregularidades, com algum prejuízo para a hygiene».
(1) O Dr. Augusto Pereira Tovar de Lemos ( ? – 1933), chefe de serviço honorário da província de Moçambique, chegou a Macau no transporte «África», no dia 1 de Janeiro de 1882, acompanhando como médico, o 1.º Batalhão do Regimento de Infantaria do Ultramar. A 10 de Maio de 1884, foi nomeado cumulativamente o serviço também do 3.º Batalhão. Foi nomeado de 2 de Maio a 19 de Novembro de 1844, Chefe interino do Serviço de Macau e Timor substituindo o Director, Dr. Lúcio da Silva que esteve nesse período em Portugal de licença graciosa  Foi depois chefe interino algumas vezes  (17 de Janeiro a 1 de Dezembro de 1885; 27 de Junho a 3 de Outubro de 1887 e de 18 de Janeiro a 2 de Julho de 1888) , substituindo o Dr. Gomes da Silva, ausente quer por licença graciosa quer em missão de serviço a Timor e Sião. Seguiu de viagem para Portugal em 15 de Outubro de 1889, para se tratar da saúde, não mais regressou. Faleceu no dia 30 de Janeiro de 1933 segundo « Diário da Manhã» Ano II-n.º 630, 3 Janeiro de 1933.

(2) Publicado no Boletim Oficial, 6 de Maio de 1886, p. 154.

Entrada do Jardim de Camões – Maio 2017

Com uma área de 2,45 hectares (1) é um dos jardins mais antigos de Macau (a par do jardim interior do Leal Senado e do jardim de S. Francisco), situado numa pequena elevação que se estende para norte da Praça de Luís de Camões (2) onde está a entrada. Entra-se por um amplo portão de ferro, visualizando logo à entrada quatro belos exemplares de árvores do pagode (Ficus microcarpa L. f.), com as suas longas e delgadas raízes adejando ao vento. Ao fundo uma escadaria, enquadrada por belos exemplares de palmeiras elegantes ou palmeiras Alexandras, juntamente com palmeiras leque e palmeiras bambus, que conduz à parte superior do jardim, onde se encontra o busto do poeta. (1)

Jardim de Camões – 1950

O local ocupado pelo jardim situava-se nos limites da cidade, sendo ainda a visível na sua parte norte, o que devem ter sido umas antigas muralhas. Era propriedade de um dos homens mais ricos de Macau, o conselheiro Manuel Pereira, tendo-a adquirido em 1815.
A Companhia das Índias Orientais arrendaram a propriedade e forma os ingleses que ao gosto romântico da época que criaram sobre o cerrado arvoredo, estreitas alamedas seguindo a orografia do terreno, para o que mandaram inclusivamente vir jardineiros de Inglaterra. (1)

Jardim de Camões -1960

Segundo Carlos Estorninho (3), os ingleses conseguiram reunir no jardim numerosos e valiosos exemplares da flora da China, Malaca, Java, Manila e Índia que mereceram, nos finais do século XVIII e princípios do século XIX, a atenção dos botânicos ingleses David Stornach,(4) William Kerr (5) e Thomas Beale,(6) tendo este último enviado para o Jardim Botânico de Kew, em Inglaterra, mais de 2500 plantas exóticas. Com a a extinção da Companhia das Índias Orientais, a propriedade voltou a ser administrada pelos familiares do conselheiro Manuel Pereira (falecido em 1826), nomeadamente o seu genro comendador Lourenço Marques (7). A propriedade foi depois vendida ao Governo de Macau em 1885.
(1) ESTÁCIO, António Júlio Emerenciano; SARAIVA, António Manuel de Paula – Jardins e Parques de Macau, IPOR, 1993, 63 p.
(2) A Praça está situada entre a Igreja de Santo António e o Jardim de Camões e tem ligação com a Travessa da Palanchica, a Calçada do Botelho, o Largo de Santo António e a Rua Coelho de Amaral. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I. ICM, 1997).
(3) ESTORNINHO, Carlos – Boletim do Instituo Luís de Camões, Vol. XIV, n.º 1 a 4, Macau, 1980 in (1)
(4) David Stornach, botânico que integrou a 1.ª embaixada britânica à China conhecida como “A Embaixada Macartney” em 1793. A expedição chegou a Macau a 19 de Junho de 1793 e partiu a 21 de Junho para Pequim (Beijing) sem passar por Cantão (Guangzhou).
(5) William Kerr foi jardineiro escocês do Jardim de Kew (Escócia) que foi enviado para a China em 1803 por Sir Joseph Banks (botânico que fez parte da 1.ª viagem do capitão James Cook a bordo do “HMS Endeavour”) tendo estado em Cantão até 1812, a recolher e catalogar plantas dos jardins chineses até então desconhecidas na Europa (a ordem  de Sir Banks  era recolher especialmente as plantas do chá).  Conhecido como o primeiro profissional colecionador de plantas na China , enviou cerca de 238 exemplares de plantas à Europa de Cantão. Em 1812 foi enviado a Colombo (antiga capital do Ceilão; hoje Sri Lanka) como superintendente do jardim botânico colonial (“The Royal Botanic Gardens” aberto em 1810 sob a supervisão de Sir Joseph Banks). Faleceu em 1814 talvez relacionado com a dependência ao ópio.
htps://en.wikipedia.org/wiki/William_Kerr_(gardener)
https://www.helpmefind.com/gardening/l.php?l=18.11352
(6) Sobre Thomas Beale (1775-1841), ver anterior referência neste blogue em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/12/11/noticia-de-11-de-dezembro-de-1841-o-malogrado-thomas-beale/
(7) – Segundo o livro (1) por 35 mil patacas; o Padre Teixeira refere 30 000 patacas, apesar de a Missão Francesa ter oferecido 35 000. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I. ICM , 1997).

Extraído de «Boletim do Governo de Macau» XII, n.º 1, 1 de Janeiro de 1866.

St. Joseph´s Church, Macao (c. 1900)
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Em 1861, o Bispo D. Jerónimo José da Mata recruta em Portugal dois padres jesuítas para voltar a tomar conta do Seminário Diocesano de S. José (1862 a 1871)
O ministro da Marinha deu-lhes passagem para Macau. Embarcaram a 1 de Janeiro de 1862 aportando a Macau a 25 de Março. Quando chegaram ao Seminário, havia apenas 9 externos que estudavam latim e algumas crianças de primeiras letras e um interno, Manuel José Maria Gonçalves da Silva nascido em Ponte da Barca em 1850 (falecido em Macau em 21-10-1885). O reitor do Seminário padre Gouveia, oficiou em 25 de Setembro de 1862 ao Ministro da Marinha e Ultramar:
… Apenas aqui chegaram estes dois professores tão ansiosamente esperados principiou logo a acudir um grande numero d´alumnos externos e outros que pretendiam ser internos pensionistas. Para estes últimos foi-me necessário adaptar a casa, fazendo algumas obras e, por isso, só pude recebe-los em 8 de Junho, (1) havendo n´esse dia  função solemne da abertura do internato a que assistiram as auctoridades civis e eclesiásticas com grande concurso do povo……”
Em 1862, o número dos alunos internos era de 41, sendo todos pensionistas, excepto 7 jovens chineses de Cantão que foram recebidos por conta do fundo das missões. Os externos eram mais de 150, andando ao todo 200, distribuídos todos pelas aulas de primeiras letras, português (1.ª e 2.ª classe), latim, francês, inglês, elementos de matemática, história e geografia, filosofia racional e moral e física além de outras aulas
acessórias como por exemplo a música, instrução pública ou primária do Governo e pilotagem (professor: tenente honorário da Armada Francisco Joaquim Marques).
Em 1864 era no total 216 alunos e em 1870, 377 alunos.
No ano de 1865 chegaram mais dois jesuítas para professores do seminário: padre Domingos Pereira e Padre José Vergili. (2)
(1) Os professores eram:
Padre Francisco Xavier Rôndina (3) que ensinava retórica, filosofia racional e moral e teologia dogmática.
Padre José Joaquim d´Afonseca Matos que ensinava francês, português e literatura.
Padre Faria que ensinava gramática portuguesa e latina
José Martinho Marques (4) que ensinava chinês.
Menorista António Lopes, prefeitos dos alunos dava rudimentos de latim e português.
Padre Tomas Cahil que ensinava inglês.
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982
(3) Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/pe-francisco-xavier-rondina/
(4) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-martinho-marques/