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Programa do lançamento da primeira pedra de 4 de Dezembro de 1904, (dimensões: 45,5 cm x 14 cm), dobrável em cinco páginas (cada página de 9 cm x 14 cm), impresso em ambos os lados (tipo álbum de postais) sendo o “exterior”, constituído por 5 “postais”:
1 – colocação do endereço do convidado.
2 – Programa do Lançamento da primeira Pedra (Ordem das Ceremonias, dentro das ruinas da antiga Egreja) para a reconstrução da Egreja de S: PAULO em Macau por Sua Ex.ª Rev.ma o Sr. D. João Paulino d´Azevedo e Castro, (1) Bispo da antiga e histórica Diocese de Macau. Bacharel formado em Theologia pela Universidade de Coimbra. Do Conselho de sua Mejestade Fidelissima o Rei de Portugal. Etc,     etc,     etc.
Domingo, 4 de dezembro de 1904, às 3 horas da tarde.
Ordem das Ceremonias (dentro das ruinas da antiga Egreja)
I – O Bispo revestido de Pluvial e Mitra benze o sal e a agua.
II – Quando o Bispo põe a Mitra o côro canta a Antiphona – Signum salutis e o Psalmo 83 Judica Me, durante o qual o Bispo benze o lugar em volta da Cruz.
3 – continuação da Ordem das Ceremonias:
III – O Bispo benze a PEDRA, e com a colher faz o signal da cruz em cada umas das faces d´ella.
IV – Estende-se um tapete, o Bispo ajoelha e recita a Ladainha de todos os Santos.
V – O Bispo levanta-se e canta uma Oração; toma a colher de prata e o cimento, e entoa a Antiphona Mane Surgens Jacob, que o côro repete, cantando em seguida o Psalmo 50, Nisi Dominus
VI – O Bispo toca a Pedra, coloca-a na terra e asperge-a com agua benta, dizendo o Asperges me e o Psalmo 50, Miserere.
VII – O Bispo asparge agua benta sobre os alicerces e entoa a Antiphona O quam metuendus est locus iste; o côro continua, canta o psalmo 86 Fundamenta e repete a Antiphona. Entretanto o Bispo vae aspergindo uma terça parte dos alicerces.
VIII – O Bispo canta Oremus e uma Oração, depois entoa o Pax eterna; o côro prossegue e o Bispo asperge a segunda terça parte dos alicerces e canta uma Oração.
IX – O Bispo entoa a antífona Bene fundata est e o côro continua e canta o Psalmo 121 – Lactatus sum, no fim do qual repete a Antiphona. Entretanto o Bispo asperge a ultima parte dos alicerces, voltando ao lugar onde está a primeira Pedra. Depois d´isto o Bispo diz uma Oração
X – O Bispo entoa o hymno Veni Creator Spiritus e o côro prossegue. O Bispo ajoelha-se e levanta-se depois do primeiro versículo.
XI – Terminado o Psalmo o Bispo diz duas Orações.
XII – o Rev. Dr. P. António José Gomes pregará um sermão adequado ao acto ao qual seguirá a bênção do Bispo.
4 – O convite em inglês:
Laying of the Foundation Stone for The Reconstruction of St. PAUL´S Church – Macao, by His Lordsship Don João Paulino d´Azevedo e Castro, D. D. (Coimbra University). Bishop of the historical and ancient Diocese of Macao, and Member of the Council of His Most Faithful Majesty, The King of Portugal.
Sunday, 4th December, 1904, at 3 p.m.
5 – em branco
(1) D. João Paulino Azevedo e Castro (1852-1918) foi nomeado Bispo de Macau em 1902. Fundou o «Boletim do Governo Eclesiástico da Diocese de Macau». Convidou as Franciscanas Missionárias de Maria para dirigirem o Colégio de Santa Rosa e os Salesianos a quem confiou o Orfanato da Imaculada Conceição. Faleceu na residência da Penha, sendo sepultado na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes. Os seus restos mortais foram posteriormente transladados para a terra natal, Pico, Açores.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-joao-paulino-azevedo-e-castro/
(2) Ver próxima postagem referente ao “Sermão Pregado dentro das ruínas da egreja da Immaculada Conceição”.

Um soneto de Manuel da Silva Mendes (1) publicado no n.º 3 de 1 de Dezembro de 1920 na folha mensal  “A Academia”, (2) publicação da associação dos alunos do Liceu Central de Macau, denominada “Academia” (fundada por iniciativa do reitor Carlos Borges Delgado).

«O que quereis, à última da hora,
Rapazes, no jornal que vos escreva?!
Tolices? Todo o tempo não me chega
P´ra corrigir as vossas … Ora …Ora!
 
Demais a mais, sabeis que, muito embora
Eu mestre seja, tendes cá na adega
Quem melhor o licor das musas beba,
Ide, pois, lá. Deixai-me em Paz agora …
 
Ou, se não convidai as raparigas:
Há-as ahi na apolínea lira bela
Mui excelentes mestras em tangê-las.
 
Enfim, se imaginais que com cantigas
Me venceis, trêtas, pândegas, ó Rosa,
No fim do ano apanhais uma raposa».

(1) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-da-silva-mendes/
(2) Fundada em 5 de Outubro de 1920, a folha mensal durou até Junho de 1921 e reapareceu (depois das férias) como revista em Abril de 1922, o nº 10 (o último número segundo o Padre M. Teixeira). Tinha como director, Pedro Correia da Silva (3), editor o reitor, Carlos Borges Delgado e administrador Edmundo Carlos da Silva.
(3) Pedro Belford Correa da Silva (Paço d´Arcos) (1905-1936) advogado e poeta, foi aluno do Liceu de Macau entre 1919 e 1922 (5.º ano ao 7.º ano). Fundador do jornal “A Academia” onde também colaboraram os seus irmãos: Joaquim Belford Correa da Silva (1908-1979), ficcionista, dramaturgo, poeta, conhecido como Joaquim Paço d´Arcos e Henrique Belford Correa da Silva (1906-1993) poeta com o nome de Anrique Paço d´Arcos, Os irmãos chegaram a Macau em 1918, acompanhando o pai, o então capitão-tenente da marinha que tinha sido nomeado governador de Macau, Henrique Monteiro Corrêa da Silva (1878- 1935), nascido em Macau e governador de 1919 a 1922. (4)
(4) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/henrique-monteiro-correa-da-silva/
Extraído de TEIXEIRA, P. Manuel Teixeira – Liceu Nacional Infante D. Henrique, 1969.

No dia 18 de Julho de 1916, foi assaltada pelos piratas, a lancha «Shun Fat» que efectuava a carreira entre Macau e a Taipa. A canhoneira «Macau» interveio e salvou os passageiros da lancha. (1)
Estava-se num período da I Grande Guerra Mundial, com a declaração de guerra da Alemanha a Portugal em 9 de Março de 1916 (2) e instabilidade política na China devida à queda da Monarquia em 1910. (3) O governador de Macau receava a invasão de Macau. (4) Cerca de 400 alemães viviam em Cantão e com uma propaganda anti estrangeiros cada vez mais acentuada em Guangdong, muitos macaenses e mesmos chineses refugiaram-se nesta província em 1916.
A guarnição da lancha-canhoneira «Macau» foi louvada pelo governador José Carlos da Maia (5) pelo auxílio prestado aos passageiros da lancha.

Portaria n.º 143, louvando a guarnição da lancha canhoneira Macau pelos serviços prestados no salvamento dos passageiros da lancha Shun Fat.
«Boletim Oficial do Governo da Província de Macau» Vol. XVI, n.º 30 de 22 de Julho de 1916.

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(2) “11-03-1916 – Telegrama do Governo da República Portuguesa, dando conta da declaração de guerra da Alemanha a Portugal, em 9 de Março, pelas seis horas da tarde”. (1)
(3) Instabilidade porque ninguém tina poder para, sozinho, governar a China.
“7-04-1916 – Carta do General Long Chai Kwong ao Governo de Macau, anunciando a sua eleição para Tuc Toc da Província de Cantão, assim como a proclamação da independência da mesma Província.” (1)
“6-06-1916 – Morre Yuan Shi K´ai e com ela a última monarquia da China. Começa a Era dos Senhores da Guerra, época de instabilidade que se prolonga até 1927″ (Chiang Kai Shek) (1)
(4) Em 31 de Março de 1916, em virtude da guerra com a Alemanha, foram convocados as companhias de voluntários para prestarem serviço militar (P.P.n-º 51 – ). Em Junho de 1916 o governador nomeou uma Comissão de Censura postal e telegráfica, antevendo o agravamento da situação.” (1)…………(BBS
(5) O capitão-tenente José Carlos da Maia tomou posse do cargo em 10-06-1914 e foi exonerado em 19-06-1917 (embora desde 5-09-1916 o governador interino fosse Manuel Ferreira da Rocha) com a nomeação de um Conselho Governativo (Juiz de Direito da Comarca, Dr. Américo Guilherme Botelho de Souza, oficial mais graduado, coronel José David Freire Garcia e o secretário-geral do governo, Manuel Ferreira da Rocha). A nomeação do próximo governador só foi a 2 de Agosto de 1918 – nomeação e posse de Artur Tamagnini de Souza Barbosa. (1)

Extraído de «Arquivo das Colónias» – Vol. II, n.º 11, de 15 de Maio de 1918.

Mais dois “slides” digitalizados da colecção  “MACAU COLOR SLIDES  – KODAK EASTMAN COLOR)”comprado em finais da década de 60 (século XX), se não me engano , na Foto PRINCESA (1)

O Largo do Senado já sem a estátua do Coronel Nicolau Mesquita (após 1966)

O Largo Senado começa na Avenida de Almeida Ribeiro, em frente do edifício do antigo Paços do Concelho (Leal Senado) e termina no Largo de S. Domingos, junto da Travessa de S. Domingos.

Avenida Almeida Ribeiro cruzamento com a Avenida da Praia Grande e um bocado da Avenida do Infante D. Henrique

“Of late years Macao after a period of stagnation has been much improved by new roads laid out over the Campo and about the hills. A grand new avenue to cost $ 300,000 and to lead in direct line from the Inner Harbour opposite the Steamboat Company’s wharf to the Praya Grande, was mooted some years since; but the money has been spent on other improvements.”
BALL, J. Dyer – Macao: the Holy City,  the Gem of the Orient Earth, 1905.

Em 2 de Setembro de 1913 foi designada pelo nome de «Avenida Almeida Ribeiro», a nova Avenida do Bazar. A parte, a poente do Largo do Senado foi inaugurada em 1915. O último troço, a parte que ligou à Praia Grande, só teve o projecto aprovado em 16-10-1918, pelo que só posteriormente é que foi construída, após demolições do pavilhão que existia em frente ao Leal Senado e da casa do rico comerciante Lin Lian (então situada no cruzamento da Av. de Almeida Ribeiro com a Rua da Praia) e expropriações de vários prédios (por 77. 360 patacas; P. P. 82) do Largo de Senado, Travessa do Roquete, Rua da Sé e Pátio da Sé (aprovado por P.P.18 de 23-01-1919).
GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997).
TEIXEIRA, Pe M. – Toponímia de Macau, 1997
(1) Ver anteriores slides desta colecção em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/artes/

Extraído do «BGC»  XXIII – 260, 1947
Funeral do Governador Artur Tamagnini Barbosa em Macau – 1940 

Artur Tamagnini Barbosa filho primogénito de Artur Tamagnini de Abreu da Mota Barbosa (1) e de Fátima Carolina Correia de Sousa. Nasceu em Lisboa em 31-08-1881 e veio para Macau ainda bebé chegando no transporte África a 22-01-1882. Cursou o Seminário de S. José e o Liceu de Macau até à idade de 19 anos, em que regressou a Portugal com a família em 1900.
Governador de Macau por três vezes: de 1-07-1918 a 12-04-1919; 19-06-1926 a 19-11-1930 sendo exonerado a 2-1-1931;  e nomeado em 25-11-1936 para novo mandato que se iniciou a 11-07-1937  até sua morte. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, volume II, 1997)

O governador faleceu pelas 7h30 do dia 10 de Julho de 1940,  no Palácio de Santa Sancha. O cadáver foi depositado no Salão Nobre do Leal Senado da Câmara de Macau até o dia de funeral que se realizou pelas 11 horas do dia 11 de Julho, sendo o féretro conduzido até à Sé Catedral onde ficou depositado até seguir para Portugal. Mas devido à Guerra do Pacífico somente foi transladado para Portugal em 7 de Dezembro de 1946, a bordo do paquete “Quanza” (2)
NOTA: Meu pai que chegou a Macau em 1936 como soldado de artilharia referia muitas vezes que fez parte das sentinelas (nos primeiros dias na Sé Catedral) que revezavam o corpo do Governadornuma das alas/corredor da Sé Catedral onde o corpo estavaassim como esteve integrado na guarda de honra no dia 7 de Dezembro que acompanhou o féretro da Sé Catedral até ao cais, onde os restos mortais foram transportados para o paquete “Quanza
Ver anteriores referências a este Governador em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/artur-tamagnini-barbosa/
(1)  Artur Tamagnini de Abreu da Mota Barbosa (1852 – ?) esteve pela 1.ª vez em  Macau de 1877 a  1880 como 2.º oficial da administração de fazenda militar e depois contador interino da junta de fazenda de Macau e Timor e pela 2.ª vez em Macau e Timor de 1882 a 1897  como quartel mestre do 1.º Batalhão do Regimento da Infantaria. Pertenceu à Comissão de Contas da primeira Direcção do Grémio Militar eleita a 1 de Janeiro de 1880  e foi  eleito vogal efectivo da Direcção a 3 de Janeiro de 1888.
(2) Paquete «Quanza» (1928 – 1968)
Navio de passageiros da Companhia Nacional de Navegação. Deslocava 11 550 toneladas (em plena carga) e media 133,53 metros de comprimento por 16,05 metros de boca. Movia-se graças à força de 2 máquinas, de 4 000 cv, que lhe permitiam navegar à velocidade de 13 milhas/hora. A sua tripulação era constituída por 162 membros. Podia receber a bordo 518 passageiros, distribuídos por várias classes.
http://alernavios.blogspot.pt/2010/11/quanza.html

Extraído de  «Boletim do Governo de Macau» IX-4, 1862.

O salão do Teatro D. Pedro V na década de 70 (século XX)

Os estatutos da Sociedade Teatro D. Pedro V, foram aprovados, a 20 de Abril de 1859 pelo governador Isidoro Francisco Guimarães . O edifício foi delineado por Pedro Germano Marques, em 1858, (a fachada foi alterada em 1873 pelo Barão do Cercal) e restaurada pela primeira vez em 1918 por José Francisco da Silva.
O edifício foi registada na Conservatória a 10 de Outubro de 1873.
Dados de TEIXEIRA, P.e Manuel – O Teatro D. Pedro V, 1971
Sobre o Teatro D. Pedro V. ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/teatro-d-pedro-v/