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Extraído de «BGM», VI-28 de 20 de Junho de 1860
Extraído de «BGM», VI-27 de 9 de Junho de 1860, p. 107

O aniversário do nascimento da deusa «Neong Ma», (1) que se comemora no 23.º dia da 3.ª Lua, (este ano no dia 23 de Abril), é para os marítimos, em Macau, a mais importante festividade religiosa do calendário chinês.

Em Macau, essa festividade celebra-se sobretudo no Pagode da Barra (2) onde ganha foros de acontecimento extraordinário. Todos os marítimos, e muitos outros devotos, ocorrem nesse dia, ao santuário da «Rainha do Céu», levando os mais abastados, valiosas ofertas e os outros a gratidão de seus corações reconhecidos. Colocando no altar da deusa os seus presentes, agradecem a proteção concedida nos últimos doze meses e pedem, na faina que vai recomeçar, ventos favoráveis e que se encham de peixe as redes largas. (3)

Templo de Ma Kok – desenho de R. Von Decker (1860) Litografia colorida de W. Korn & Co (4)

(1) São obscuras as origens da deusa “Neong Ma», também conhecida por «Tin Hau» (Rainha do Céu) e, por isso, muitos historiadores chineses a identificam com a deusa budista Maritch e com a tão popular «Kun Iam», deusas dos taoistas. Em muitos templos, as deusas «Neong Ma» e «Kun Iam» ocupam o mesmo santuário para que os devotos possam dirigir as suas preces àquela que é mais da sua devoção. «Neong Ma» é, no entanto, a deusa por excelência da gente do mar. Em cada embarcação tem ela um altar, no coração de cada marítimo, uma crença inabalável, e em todas as localidades onde haja pescadores um templo que se distingue pela religiosidade dos seus devotos. (3)

(2) Estendendo-se em anfiteatro pela Colina da Barra, virada ao porto interior. O Pagode de Ma-Kok-Miu é uma nota de exotismo que vai morrer nas velas plácidas das lorchas, e na vida íntima dos tancás e sampanas que deslizam nas águas do rio. O Pagode da Barra ou Templo de Ma-Kok-Miu é o recinto sagrado onde a gente do mar rende à deusa «Neong Ma» um culto fervente que a tradição mantém e a crença alimenta e fortifica. (3)

(3) Extraído do artigo não assinado de «MBI», ano III, n.º 67 de 15 de Maio de 1956, pp. 8-10

(4) The Ma Kok Temple, Macao de R.Von Decker (1860) https://artsandculture.google.com/asset/the-ma-kok-temple-macao/TQH3GZ_m3zx3bA

Extraído de «BGM», VI- n.º 18 de 7 de Abril de 1860
Extraído de «BGM», VI- 19 de 14 de Abril de 1860, p. 74

Pedro Germano Marques viúvo, com 75 anos, faleceu na Sé a 15 de Dezembro de 1874. (1) Da 4ª geração da família macaense “Marques” de Macau, nasceu a 21 de Abril de 1799. Foi escrivão da Câmara. Era dotado de grande habilidade para o desenho (2) tendo desenhado e dirigido, entre outras obras, o primeiro projecto para o Teatro D. Pedro V, o primeiro teatro de estilo ocidental na China. Foi inaugurado em 1860 (a actual fachada foi delineada pelo Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo em 1873 e restaurada em 1918 por José Francisco da Silva). Foi sepultado na Igreja de Sto. Agostinho.(3)

Fachada do teatro c. 1971

(1) “ No registo de nascimento é Pedro Germano; no de casamento é Pedro Gregório; e no registo de óbito é Pedro Germano! No entanto a documentação civil que se lhe refere chama-o sempre Pedro Germano” (FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume II, 1996, p. 562

(2) “Pedro Marques não era arquitecto nem engenheiro, mas tinha engenho e arte e foi ele que desenhou e dirigiu a construção do edifício, que saiu apurada. O Teatro D. Pedro V revela uma rara combinação das arquiteturas clássicas grega e romana coma portuguesa, de que resultou uma obra que nos encanta e dignifica” (TEIXEIRA, P.e Manuel – O Teatro D. Pedro V,1971, p.7)

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p. 216

Ver anteriores referências em https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/pedro-germano-marques/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/teatro-d-pedro-v/

Vicente de Paulo Salatwichy Pitter (Piter) nascido em Macau, em 10 de Janeiro de 1813 (1) e baptizado em 17 do mesmo mês, (2) (3) (4) faleceu em S. Lourenço a 9 de Julho de 1882. Filho de Pedro Alexandre Salatwichy e Josefa Antónia Favacho.

Extraído de «BPMT», VIII-28 de 15 de Julho de 1882, p. 238

Casou em S. Lourenço em 06-11-1849 com Hermelinda Joaquina Cortela Leiria (15-02-1830/2-08-1855) (5) Deste 1.ª núpcias, teve 4 filhos. Tendo enviuvado casou em S. Lourenço, em 16 de Fevereiro de 1858 com a sua cunhada Eugénia Norberta Cortela Leiria (falecida em 5-07-1902) Deste casamento teve 3 filhos.

Formou-se em medicina na Escola Médica de Goa, praticou na Ala de Medicina do Hospital Real obtendo a carta a 23-04-1839. Regressou a Macau foi nomeado cirurgião ajudante interino do Batalhão de linha e exonerado em 02-05-1865 (OFA n.º 14 de 08-07-1865) conservando no entanto as honras de cirurgião ajudante do mencionado batalhão. Foi também facultativo da superintendência da emigração chinesa.

Extraído de «BGM»,  XI-28 de 10 de Julho de 1865, p. 112

Pelos serviços que prestou gratuitamente às guarnições de vários navios de guerra franceses durante a epidemia de cólera-morbus, que assolou a cidade, foi condecorado com o hábito da Legião de Honra. Mais tarde o governo português agraciou-o com os de Cavaleiros da Legião d´Honra de Cristo e da Conceição e depois de Torre e Espada. («O Macaense, de 13-07-1882)

Ficou com o nome para sempre ligado a um famoso preparado medicinal por ele descoberto e manipulado, o «Sin Cap Dr. Pitter» ou «Chá do Dr. Pitter». (6) Tratava-se de uma infusão de oito espécies (plantas) folhas secas e miudinhas, quase todos específicos contra doenças do tubo digestivo, usados em medicina tradicional chinesa, uma infusão «considerada um bom estomáquico e eupéptico, usava-se como profiláctico, após um chá gordo ou lauto banquete, e era também muito estimada em Macau contra afecções gastro-intestinias de diferentes etiologias»  (6)

NOTA: “Aparentemente o apelido Piter parece ser uma corruptela do nome próprio do pai – Pedro ou seja, Pietro em italiano. Assim, Piter terá funcionado como um autêntico patronímico, logo assumido como apelido em detrimento do próprio apelido original da família.” (3)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/10/noticia-de-10-de-janeiro-de-1813-dr-vicente-pitter/

(2) Segundo Jorge Forjaz (3) foi baptizado em S. Lourenço em 04-01-1813.

(3) TEIXEIRA, Pe. – A Medicina em Macau, Volumes III-IV, 1998, pp.138-142

(4) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume ii, 1996, pp. 464-465

(5) O Dr. Pitter mandou executar uma linda lápide de mármore e alabastro para sepultura de sua esposa que jaz na parede lateral da igreja do Seminário de S. José, à direita de quem entra pela porta principal.

FOTO DO AUTOR 2015

Em cima, em alastro, aparece-nos uma urna encimada pela cruz, com uma caveira e um manto; duas crianças oram junto a uma cruz com uma coroa; na lápide de mármore, estão dois anjos, um com um ramo outro com a coroa do triunfo.(2)

FOTO DO AUTOR 2015

A lápide foi feita em 1860 por A. Bosc, em Nimes, França. Após falecimento em 1855, esteve sepultada no jazigo de família no Cemitério de S. Miguel e depois o bispo autorizou que os ossos fossem transladados para a igreja do Seminário de S. José

FOTO DO AUTOR 2015

(6) “Este famoso chá era ainda preparado em Macau, nos anos 60/70, por D. Maria Tereza Pitter, neta daquele médico. Era vendido em embrulhinhos de papel de seda cor-de-rosa  e apresentava-se sob o aspecto de um pó muito fino , castanho, e fortemente aromático, lembrando o cheiro de limão ou de laranjaAMARO, Ana Maria – Antigas receitas e segredos de Macau. O famoso chá do Dr. Piter e o já esquecido Chá Patrício. Revista da Cultura, Macau, ICM, n.º5, 1988, pp. 25-26 http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30005/1461

O Governador Isidoro Francisco Guimarães, (1) partiu no dia 6 de Junho de 1860, a bordo do vapor Fei-ma em direcção a Hong Kong, para desta cidade seguir para Shanghai, onde era esperado pela corveta D. João I, para nela seguir para o Japão onde iria assinar o “Tratado de Paz, Amizade e Comércio Entre Portugal e o Japão” (2)

Acompanharam o Governador nessa missão o secretário Gregório José Ribeiro, o adido António Caetano Pereira e o intérprete João Rodrigues Gonçalves

Extraído de «BGM», VI-27 de 9 de Junho de 1860, pp. 105-106

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/isidoro-francisco-guimaraes/

O regresso do Governador e comitiva foi postado em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/09/noticia-de-9-de-setembro-de-1860-chegada-do-governador-no-regresso-do-japao/

(2) 03-08-1860 – Tratado entre Portugal; Macau e o Japão – “ Após um interregno que começou em 1640, é restabelecido o diálogo diplomático, sendo Governador de Macau Isidoro Francisco Guimarães, a quem é legítimo reconhecer o desempenho nesta reaproximação. Reinava no Japão, o Shogun Tokugawa Iemochi (1846-1866; reinou entre 1858 a 1866). Este tratado foi assinado em Iedo no mesmo dia e mês da suspensão de seculo XVII: 3 de Agosto (Ver DIAS, Alfredo Gomes – Macau, Portugal e o Japão no Século XIX- O Tratado de 1860, em RC, edição internacional, 30, Macau, Abril 2009, pp. 104-119 In (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p. 157)

Extraído de «BGM», VI-27 de 9 de Junho de 1860,p. 106.

O mesmo acidente foi publicado nas “Ephemerides” de 4 de Junho de 1860 (1)

NOTA: “La Reine des Clippers” foi um navio fretado pelo governo francês (integrado na “La Flotte de Napoléon III”), para transporte de militares e materil de guerra para a China e afundou-se, em 1860, perto da Ilha da Taipa, conforme a presente notícia. http://www.dossiersmarine.fr/p1.htm

(1) Ephemerides da semana in «BGPMT», XIII-23 de 10 de Junho de 1867, p. 134

Extraído de «BGM», VI-26 de 2 de Junho de 1860, folha rosto