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O Jornal de Macau publicava neste dia, 17 de Julho de 1930, um artigo que relembra os belos tempos do Jardim de S. Francisco:
“ O tempora! Ó mores! … em que ali  à noite se via o Governador da Província com sua família, a sociedade elegante, dando-se rendez-vous em quanto a Banda Policial ia tocando a gazza ladra de Rossini e outras melodias avoengas que se por si não despertavam atenção constituíam no entanto um motivo e dos mais belos para tornar aquele jardim num ponto de reunião de fina flor da sociedade.
– Ali se conversava, se discutia passeando até perto da meia-noite. porque algumas vezes os pingos anunciadores do aguaceiro obrigavam a uma fugida, não era raro ver instantaneamente organizava uma soirée no Grémio Militar./em>
O tempora! Ó mores! Em que o Jardim de S. Francisco era como um grande salão onde se combinavam salsifrés e piqueniques” (1)
O jardim de S. Francisco que foi murado, c. de 1860, constituindo um belíssimo campo de lazer, com três portões e uma porta pequena em frente do Convento de St. Clara, em 1927, foram desmantelados os muros, parte dos canteiros e o caramanchão, abrindo-se nele duas vias alternativas ao trânsito da rua principal, para facilitar o tráfego com o Porto Exterior. Ficou o quiosque. (2)

Quartel de S. Francisco ao fundo. Caminho interior do Jardim de S. Francisco c. 1890
O mesmo caminho interior do Jardim de Francisco, em direcção à Rua do Campo (contrária ao anterior postal). Hoje Rua de Santa Clara c. 1920.

Em 1890, no arco de entrada, na parte inferior do actual Jardim de S. Francisco havia um lago com crocodilos e uma jaula com macacos para as pessoas visitarem. Actualmente só resta o arco.

Por volta de 1930, existiam gaiolas para macacos no desvão das arcadas do jardim de S. Francisco, sendo que no interior de uma delas ainda pode encontrar sinais de ali ter existido uma casa de banho! A este propósito note-se também a reduzida escala dos canteiros da parte inferior desse jardim “ (3)
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol. I, 1999, pp. 207-208.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4,1997.
(3) in MACAU, encontros de divulgação e debate  em estudos sociais, p. 202.

A Associação Promotora da Instrução dos Macaenses APIM) que foi fundada em 17 de Setembro de 1871 (1) para preencher a lacuna deixada no ensino pela retirada dos professores jesuítas do Seminário de S. José nesse ano, fundou a Escola Comercial (inicialmente “Collegio Comercial”) que começou a funcionar a 8 de Janeiro de 1878. (2)

«Boletim da Província de Macao e Timor» 1871, XVII – 40.

Os Estatutos da APIM foram aprovados por Portaria Provincial n.º 51 de 29-09-1871 do governador António Sérgio de Sousa e publicados no «Boletim da Província de Macao e Timor» de 2-10-1871. Tinha 15 artigos sendo de salientar:
Art. 2.º. O fim da associação era fundar e manter sob a denominação de “Collegio Comercial”, uma casa de educação e de instrução ….
Art. 3.º. (…) …  O capital proveniente de 40 acções de $ 500 cada uma…
Art. 4.º. O valor das acções poderá ser pago imediatamente, ou em 5 soluções anuais de $ 100, pagáveis no começo do ano.
A comissão administrativa com a data de 02-10-1871 publicava um anúncio no «Boletim da Província de Maca0 e Timor» XVII-42 de 16 de Outubro, convidando o público a subscrever as acções desta Associação. Os sócios accionistas foram 31 que entraram com a prestação de cem patacas: alguns pagaram por uma vez a quantia total, outros, em prestações anuais durante 5 anos.
O total da quantia dos accionistas fundadores totalizou $11 000. Juntou-se a esse capital o remanescente dos fundos da “Nova Escola Macaense”, entregue por Alexandrino António de Melo, Visconde do Cercal, na importância de $ 9 417,53. (3)
A Escola Comercial (depois denominada Escola Comercial “Pedro Nolasco”, por este, Pedro Nolasco da Silva, ter sido a alma do empreendimento e seu grande dinamizador) começou a funcionar no dia 8 de Janeiro de 1878 sob a chefia de João Eleutério d’Almeida, numa casa particular.
A lista dos primeiros professores:
José Vicente de Jesus – classe elementar de Português, Geografia, História, Aritmética, Álgebra. Escrituração Comercial  e Catecismo.
Theodosio Rodrigues – classe superior de Português, História e Geografia, classe inferior e superior de Ingês.
João de Lycopolis de Faria Marçal – língua chinesa.
Ly Langshan – língua chinesa.
Câncio Jorge – caligrafia.
Dr. Bernardo Maria das Neves d´Araújo Roza – prelecções sobre rudimentos de ciências naturais (duas vezes por semana)
O edifício situado no alto da Calçada do Gamboa, na Praça do Gamboa n.º 2, construído em 1920, foi sede da Escola Comercial até o ano 1966, ano da inauguração do edifício (actual Escola Portuguesa) no cruzamento das Avenidas D. João IV e do Infante D. Henrique (projecto de arquitectura de Raul Chorão Ramalho e executado pelo construtor civil Osseo Acconci)
Outras referências à Escola Comercial
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/escola-comercial/
(1) Acta da instalação da associação promotora da instrução dos macaenses:
Aos 17 de Setembro de 1871, em Macau, e na residência do cidadão Maximiano António dos Remedios, senior, estando reunidos os abaixo assignados, se resolveu por unanimidade instalar a “Associação Promotora da Instrução dos Macaenses”, cujos estatutos foram n´este acto lidos, discutidos, e aprovados; e tendo-se procedido à eleição da comissão administrativa, foram eleitos por aclamação os seguintes cavalheiros:
Maximiano António dos Remedios, senior, presidente
João Joaquim Braga, tesoureiro
Pedro Nolasco da silva, junior, secretário
Lourenço Marques, vogal
Vicente de Paulo Portaria, vogal
António Manuel Pereira, vogal
Filomeno Maria da Graça, vogal
Além dos eleitos assinaram esta data:
Joaquim Braga, Domingos Clemente Pacheco, José Homem de Carvalho, José Elleuterio d´Almeida, Antonio dos Remedios, José A. dos Remedios, Albino António da Silva, Miguel Aires da Silva e Maximiano Antonio dos Remedios, junior.
De salientar que do grupo fundador da Associação, estavam representados os comerciantes portugueses de Hong Kong nomeadamente Maximiano Antonio dos Remedios, João Joaquim Braga, Filomeno Maria da Graça e os capitalistas de Macau, Lourenço Marques, António Manuel Pereira e Vicente de Paulo Portaria.
Entre os membros fundadores há quatro da família Remédios: o 1.º presidente da APIM, Maximiano António dos Remédios (12-09-1808/ 1-02-1875) e os seus três filhos: António dos Remédios (14-11-1839), José António dos Remédios (19-03-1842) e Maximiano, júnior (26-05-1872). Só a família Remédios contribuiu com a quantia de $1400 patacas. (António -$200; José – $500; Maximiano senior- $400; Maximiano Junior- $300.
Por isso o Padre Teixeira (  ) refere o seguinte:
Concordamos inteiramente com esta palavras tão justas ( elogio e gratidão ao benemérito Maximiano António d Remédios por essa iniciativa por parte de Leôncio Ferreira num jornal local) ; mas o facto é que o nome de Maximiano dos Remédios foi totalmente obliterado e hoje só é lembrado o do secretário, (na altura, um jovem) Pedro Nolasco da Silva. Pois bem, não há hoje nada que recorde o seu nome , sendo salientados outros que ficam muito aquém destes. Esperamos que a Associação venha a reparar esta ingratidão
TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1981
(2) Francisco da Silva Magalhães insinuou no seu jornal “O Oriente” que na projectada organização da escola comercial, a APIM não tinha em vista a instrução, mas fim um fim oculto e um motivo meramente político, nomeadamente o pretexto para chamarem de volta a Macau os jesuítas.
A APIM reagiu publicando um anúncio no «Boletim do Governo de Macau e Timor» XVIII- 10, 1872, em forma de “PROTESTO”:
(3) Alguns cavalheiros opuseram-se à transferência das quotas dos remanescentes da “Nova Escola Macaense” para a nova associação. Ver anterior referência à «Nova Escola Macaense» em;
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/05/noticia-de-5-de-janeiro-de-1862-nova-escola-macaense/

Duas cédulas de DEZ AVOS e uma de UM AVO emitidos pelo Banco Nacional Ultramarino, (1) não datadas (2) e manualmente assinadas (3)

大西洋國海外滙理銀行 (4)

As duas cédulas de DEZ AVOS foram emitidas em 1920 (esverdeada) e a outra com a mesma tonalidade, entre 1941 – 1945 dado que a emissão de 1946 já apresentava a assinatura do Gerente do banco e do Director.

Cédula – DEZ AVOS N.º 122262 (9,8 cm x 5,5 cm) de 1920
Razoável estado de conservação
Cédula – DEZ AVOS N.º 122262 (9,8 cm x 5,5 cm) – verso
Cédula – DEZ AVOS N.º 147788 (9,8 cm x 5,5 cm) de
Razoável estado de conservação, com manchas
Cédula – DEZ AVOS N.º 147788 (9,8 cm x 5,5 cm) – verso
Cédula – UM AVO N.º 707244 (7,4 cm x 4,1 cm)
De cor castanha com assinatura do mesmo gerente (não legível) do publicado em (1), de 1942
Razoável estado de conservação.
Cédula  – UM AVO N.º 707244 (7,4 cm x 4,1 cm) – verso

(1) Denominam-se cédulas os documentos de papel emitidos em representação das moedas metálicas divisionária e de trocos. Na cunhagem destas moedas eram utilizados metais inferiores como o cobre, o níquel ou ligas destes metais tendo geralmente um valor nominal inferior ao real ou intrínseco.
Quando o custo destes metais subiu demasiadamente, como aconteceu durante e depois da I Grande Guerra Mundial (1914-1918) a fim de se evitarem as despesas da cunhagem daquelas moedas recorreu-se, em Portugal, à estampagem de cédulas às quais foi conferido curso legal.
Em 1919, a falta de moeda para trocos provocou em Macau uma situação crítica que levou o Governo do Território a introduzir pela primeira vez, no meio circundante local, este instrumento monetário – as cédulas. Foi então decidido emitir cédulas de 5, 10 e 50 Avos.
As cédulas deixaram de ser emitidas com o aparecimento em 1952 das primeiras moedas privativas de Macau e assim progressivamente foram recolhidas todas até 1953.
(Emissões de Papel-Moeda do banco Nacional Ultramarino Para Macau. Banco Nacional Ultramarino SA e Chaves Ferreira, Publicações, SA, 1997, 270 p., ISBN 972-9402-33-7)
(2) Inicialmente as emissões de cédulas não eram datadas, só a partir de 1946 passaram a apresentar data impressa.
(3) As primeiras emissões de cédulas  assinadas pelo Gerente da Filial do Banco Nacional Ultramarino em Macau, foram as de 1920 manuscrita e as seguintes com chancela, como estes exemplares.
(4) – 大西洋國海外滙理銀行 – Daxiyangguo (大西洋國- Grande Reino do Mar do Ocidente); 海外–Haiwai (ultramarino); 滙理- Huili (câmbio);   銀行- Yinghang ou mais conhecido como 大西洋銀行 – Daxiyang Yinghang ( Banco do Grande Reino do Mar do Ocidente)
Em cantonense jyutping: Daai6 sai1 joeng4 gwok3 hoi2 ngoi6 wui6 lei5 ngan2 hong4
Sobre Banco Nacional Ultramarino e um outra nota de UM AVO (N.º 360440) já publicado ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/banco-nacional-ultramarino/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/07/10/papel-moeda-macau-i/

Um artigo sobre Macau numa revista portuguesa de 1922, escrito por Silvestre de Santa Martha (1)

NOTA: A foto que acompanha o artigo, já tinha sido apresentada pela mesma revista em 1920 com o título “PROVÍNCIA DE MACAU – Praia Grande (Vista geral)”.
(1) SANTA MARTHA, Silvestre – MACAU in «Revista Colonial»,  Ano X, II série, n.º 8, Fevereiro de 1922, pp. 235/236.

Em Fevereiro de 1918, registaram-se, em Macau, alguns casos da epidemia de meningite cerebro-espinal, vinda de Hong Kong por contágio de forças australianas em trânsito para o teatro da guerra em França” (1)
A doença “Meningite Cerebro-Espinal” afectou as tropas australianas estacionadas nos campos rurais na cidade de Victória em 1915 e espalhou-se para todos os estados da Austrália em 1916 e 1917, determinando medidas de isolamento e quarentena em toda a Austrália.
meningite-cerebroespinal-1918-iEm 1934, na revista científica médica, (2) William W. Cadbury publicou um artigo “Epidemic Cerebrospinal Meningitis in China” em que apresentava um quadro com a incidência da meningite cérebroespinal (números de casos e de mortes) em cinco cidades da China, de 1918 a 1932. Em 1918, Macau teve quatro casos de meningite (dados recolhido do relatório de Dr. Peregrino da Costa de 1932). (3)
meningite-cerebroespinal-1918-iiUm das primeiras epidemias meningiocócica na China foi em 1918. (4)
O primeiro caso foi declarado em 9 de Fevereiro de 1918 em Hong Kong mas provavelmente teria havido casos em Janeiro. A máxima incidência ocorreu em Março depois um decréscimo rápido durante o mês de April. Reportaram-se 1 232 casos com uma mortalidade de 76 %. (968 mortes) Durante este período nenhum caso foi declarado oficialmente  em Cantão mas durante o ano de 1918, 1 caso fatal num Hospital em Cantão. (5)
Nos anos seguintes, os casos diminuíram em Hong Kong (nenhum caso em Macau) verificando-se novo aumento progressivo a partir de 1926.  Nova epidemia,  em 1932, que se iniciou no distrito vizinho de Chung San atingiu Macau e  a causa foi atribuída aos milhares de refugiados que foram para Macau, Hong Kong e Cantão devido ao ataque de Shanghai pelos japoneses.
Em Macau esta epidemia assumiu proporções (cerca de 600 casos  com uma mortalidade de 58%)  que vieram a ser detalhadamente descritos pelo Dr. Pedro J. Peregrino da Costa. (3)
(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(2) CADBURY, William W –  Epidemic Cerebrospinal Meningitis in China. American Journal of Public Helth and meningite-cerebroespinal-1918-iiiThe Nation´s Health Vol 24, September, 1934, Number 9
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1558731/pdf/amjphnation00920-0009.pdf
(3) COSTA, P. J. P. da – Relatório da Epidemia de Meningite Cerebro-Espinal em Macau.  Macau, 1932.
Relatório que mereceu o seguinte despacho do Encarregado do Governo, João de Magalhães de 15-06-1932 : «Aprecio muito este relatório do Sr. Dr. Peregrino da Costa, a quem louvo pelos seus relevantes serviços.» O relatório foi publicado no Boletim Oficial e foi traduzido em inglês, de que se tirou separata.
TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, Volumes III-IV, 1998p.344
Dr. Pedro Joaquim Peregrino Francisco da Costa (1890) tenente-médico em 29-07-1916, embarcou para Macau a 9 de Outubro de 1916 tendo chegado a este território em 12 de Dezembro. Regressou a Portugal em 1919 e de novo foi colocado em Macau em 1920, chegou somente a 12 de Março de 1921. Entre outros cargos em Macau, foi director do Laboratório Bacteriológico e director dos Serviços de Saúde e Higiene da colónia. É também autor dos Relatórios da epidemia de cólera de 1937 e 1938. Reformado no posto de tenente-coronel em 1937, esteve em Macau 14 anos e 14 dias.
(4) Quarentena em Hong Kong
Public Health Reports (1896-1970),Vol. 33, No. 35 (Aug. 30, 1918), pp. 1470-1476
https://www.jstor.org/stable/4574878?seq=1#page_scan_tab_contents
(5) Em Macau, uma das medidas foi a construção em 13 de Março de 1918, de um pavilhão destinado ao isolamento e tratamento de doenças epidémicas, na Colina de D. Maria. Em 6 de Abril de 1918 foi publicada em Boletim Oficial, as medidas profilácticas contra a doença. (1)

apostolado-da-oracao-p-teixeira-paroquia-de-s-lourenco“Cincoentenário do Apostolado da Oração no Centro de S. Lourenço” (1)

O Apostolado da Oração tem como finalidade unir‐se aos pensamentos de Jesus (“a verdadeira devoção ao Sagrado Coração”) e rezar pelas intenções do Papa. A partir de 1910, na sequência dos novos decretos do Papa Pio X, o Apostolado da Oração procura favorecer a comunhão das crianças e convida‐as a interceder pela paz durante a guerra europeia e, depois, mundial. Em 1914, no Congresso Eucarístico Internacional, em Lourdes, faz um apelo a “uma grande liga eucarística dos pequenos que suscitará, a começar na infância, um movimento geral para a Hóstia”. Animados pelo Congresso Eucarístico, alguns grupos organizam‐se. Fala‐se de “Ligas Eucarísticas” e de “cruzadas de oração infantil”. Alguns desses grupos vinculam‐se ao Apostolado da Oração. (2)

cruzada-eucaristica-p-teixeira-paroquia-de-s-lourencoCruzada Eucarística no Centro de S. Lourenço (1)

É no seio da Cruzada de Bordéus, fundada a 13 de novembro de 1915 pelo Padre Albert Bessières e Geneviève Boselli, que tem origem a “Cruzada Eucarística” enquanto tal. O secretariado do Apostolado da Oração, com sede em Toulouse, coordena, nos meses seguintes, as atividades das Cruzadas que se desenvolvem em França. Pouco a pouco, a Cruzada Eucarística vai‐se inserindo no Apostolado da Oração e torna‐se a secção das crianças dos 6 aos 14 anos. O lema é “Reza, comunga, luta e conquista” e, mais tarde, “Reza, comunga, sacrifica‐te, sê apóstolo”.
Em 1960, por ocasião do 50º aniversário do Decreto de Pio XI sobre a comunhão frequente, diante de mais de 3200 delegados do Movimento, o Papa João XXIII não pronuncia a palavra “cruzada”, mas utiliza a expressão “movimento eucarístico”. Em 1962 é oficialmente reconhecida a designação “Movimento Eucarístico Juvenil” pela Assembleia de cardeais e bispos de França (2)
d-jose-da-costa-nunes-1880-1976-bispo-1920-40O Bispo D. José da Costa Nunes/高若瑟 (1880- 1976) que chegou a Macau em 4 de Junho de 1903 como secretário particular do Bispo D. João Paulino e ordenado sacerdote em Macau, foi nomeado bispo de Macau em 1920 embora sagrado a 20 de Novembro de 1921 na Matriz da Horta, por D. Manuel Damasceno da Costa, bispo de Angra; deu entrada solene em Macau como bispo em 4 de Junho de 1922 tomando posse da sua diocese. Restaurou o Colégio de Santa Rosa de Lima, a capela de Nossa Senhora da Penha, a Sé Catedral e o Paço Episcopal. Construiu a igreja de Sta. Clara. Entregou de novo o Seminário de S. José aos jesuítas. Fundou várias escolas católicas: «Pui Cheng», «Mong Tak», «Kung Chon» e o Colégio S. José. Como bispo de Macau (1920-1940) fez imensas peregrinações apostólicas visitando as Missões da China, da Índia, do Indostão, de Singapura e Malaca, e as Missões de Timor.
Uma dessas missões foi dias após a cerimónia referida (Cinquentenário do Apostolado da Oração no Centro de S. Lourenço), no dia 14 de Novembro de 1935 , parte para a China voltando a 6 de Janeiro de 1936.
Nomeado pelo Papa Pio XII, Arcebispo de Goa e Damão em 12 de Dezembro de 1940 e Patriarca das Índias Orientais (1940-1953). Elevado a Cardeal em 1962.
(1) Fotos in TEIXEIRA, Pe. Manuel – Paróquia de S. Lourenço. Macau, sem data.
(2) http://www.popesprayer.net/wp-content/uploads/2016/03/01-MEJ_histo%CC%81ria.pdf
Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/08/10/noticia-de-10-de-agosto-de-258-morte-de-s-lourenco-e-leitura-paroquia-de-s-lourenco/

Bol. Soc. Geografia n.º 7-8-1930 -MACAU Jaime do Inso (I)

Continuação do artigo de Jaime do Inso publicado no Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa  (1)

INDÚSTRIAS
“ARTEFACTOS DE MALHA  – Há 5 fábricas destes artigos dos quais a mais importante pertence ao capitalista Iong Moc Tong que, com uma tenacidade notável e por si próprio, conseguiu montar, em 1899, uma fábrica de meias; depois de longos anos de persistente trabalho, aperfeiçoou-a, estando provida hoje dos mais modernos maquinismos, tendo 100 teares accionados por motores eléctricos e empregando cerca de 300 operários, principalmente mulheres.
A produção mensal, que anda actualmente por 10 a 12 mil dúzias de pares, num valor de cerca de 4 150.000 por ano já atingiu $ 300.000. Os seus produtos são muito perfeitos e são exportados não só para a China como para muitos países distantes da Europa e America, colónias portuguesas, Persia, Índia e Índias Neerlandesas. Os rótulos indicam que o fabrico é em Macau.
CONSERVASExistem em Macau 8 fábricas de conservas de peixe, marisco, frutas e patos. Uma das mais importantes é da firma Kueng Mi Chan que emprega uma média de 150 operários de ambos os sexos en produz anualmente mais de 10.000 caixas de 48 latas cada uma, o que representa um valor de cerca de $ 10.000. Para o peixe, emprega-se o azeite de amendoim e para a fruta, uma calda de assucar mascavado. As fabricas de conserva trabalham alternadamente com peixe ou fruta conforme as épocas e os productos de que dispões.
É uma importante industria local que representa $ 789.198,94 no quadro das exportações, que se fazem quasi na totalidade para Singapura e California.
VINHOS CHINESES O vinho chinês não é mais do que o producto da distinção do arroz levado a diferentes graus e a que se juntam certas substancias de infusão para lhes dar paladares e até efeitos medicinais.
Aquelas substancias podem ser vegetais, como frutos e flôres, ou animais, como cobras, lagartos, lebres, etc.
Esta industria é tão importante que sustenta em Macau 54 fábricas, sendo o valor da produção só das cinco principais cerca de 4 1.000,000 por ano.
A fábrica principal, Sang -Hong, produz para cima de 10.000 boiões de 28 cates (um cate tem 604,55 gr.) por ano.
Os resíduos da destilação são empregados na alimentação do gado suino.
Acaba de fundar-se em Macau uma fábrica chinesa, Harrison Company , de bebidas espirituosas , tipo conhaques, whisky e outras, por meio de processos especiais, empregando uvas sêcas importadas da America e varias essenciais, tendo já lançado no mercado alguns dos seus productos, que são muito bem apresentados.
AZEITE DE AMENDOIM Há 6 fabricas deste azeite, sendo a principal a da firma Tong-Saa que tem uma produção de perto de 300 toneladas anuais, que exporta para Hong Kong , China, Singapura, e América, sendo de perto de $ 400.000 o seu movimento anual. Esta fábrica, emprega mais de 40 operários, é a unica que possue um motor para moagem do amendoim. Nas restantes o amendoim  é esmagado por meio de pesados pilões de maneira manobrados com os pés.A extração do oleo faz-se por meio de prensas especiais, muito primitivas, constituídas por grandes troncos escavados onde se introduz a massa do amendoim, depois de aquecida, em forma de delgadas rodelas, que é comprimida por meio de cunhas batidas a maço. Por este processo, consegue-se extrair de 300 cates de amendoim, 120 de oleo e 140 de resíduos. O oleo vende-se a 30 ou 40 avos o cate e os resíduos, que se empregam como adubo, a $7.20 o pico.
Esta industria é importante porque o consumo do azeite de amendoim é muito grande visto ser o empregado vulgarmente, tanto nas conservas como na cosinha chinesa. Tem tambem  bastante aplicação o azeite de ostras e o de côco. Há duas casas que fabricam azeite de côco, que é principalmente usado na comida pelos mouros e africanos.
UN de Macau no ano XIV da Revolução -Fábrica de Algodão

Interior de um fábrica de tecidos de algodão (1940)

TECIDO DE ALGODÃONesta industria trabalham duas fábricas, sendo a mais importante a da firma Tong-Ha, na Rua da Tercena, que tem 100 teares e 300 operarios de ambos os sexos. O fabrico é manual e produz exclusivamente fazendas baratas que chegam a vender-se a 20 avos a jarda. A exportação , que excede $ 100.000 anuais, faz-se principalmente para as regiões visinhas de Macau.
Como industria, está muito espalhado o fabrico de toalhas em teares de mão.”                                                                                                                                                                continua………
(1) INSO, Jaime do – Macau, extrato de uma monografia. Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, n.º 7-8, Julho -Agosto, Série 48.ª, 1930, pp. 157- 717.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/06/11/leitura-macau-extrato-de-uma-monografia-do-capitao-tenente-jaime-do-inso-i/