Archives for posts with tag: Jardim de S. Francisco

jardim-de-s-francisco-poema-iNuma cavaqueira com um amigo, falando de Macau, este referiu que gostava dos versos de Camões que estavam no Jardim de S. Francisco.
Perguntei-lhe: – Tens a certeza … os versos são de Camões?
Resposta pronta: – Mas é o que diz lá na placa.
Bem, apesar de muita gente, mesmo em Macau, continuar a atribuir estes versos a Camões, e assim faz supor a indicação nessa placa que foi colocada em 1883 numa parede lateral de pedra, à direita, logo após os primeiros degraus de pedra para quem sobe o actual Jardim de S. Francisco, (1) a partir da Rua de Santa Clara. Na verdade, pertencem a Almeida Garrett.  Fazem parte do livro de poesia « Camões. Poema» escrita por Almeida Garrett (1799-1854) , publicado em 1825. (2)

O “poiso” referido no poema é a Gruta do Patane «Nas penhas dessa ilha abriu natura, cava na rocha, solitária gruta…»
jardim-de-s-francisco-poema-iijardim-de-s-francisco-poema-iii

(1) O jardim de S. Francisco estava murado desde c. de 1860 e era um belíssimo campo de lazer, com três portões e uma porta pequena em frente do Convento de St. Clara. Nos finais do século XIX era local de passeio, com vista para o mar, fresco e agradável para os dias de maior calor e pontualmente com apresentação de bandas de música. Em 1927­, os muros foram-se abaixos assim como parte dos canteiros e o caramanchão, para se abrirem nele duas vias alternativas ao trânsito da rua principal, para facilitar o tráfego com o Porto Exterior. Ficou o quiosque, «falando do passado, e pouco mais» (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997).
(2) Canto IV na primeira edição do livro publicado em Paris, nas pp. 87-88. Edições e revisões posteriores, Canto XIV)
GARRETT, João Baptista da Silva Leitão d´Almeida – Camões. Poema. Paris, Livraria Nacional e Estrangeira,1825, 216 p.
Disponível para leitura em:
http://purl.pt/16/4/cam-423-p_PDF/cam-423-p_PDF_24-C-R0150/cam-423-p_0000_1-236_t24-C-R0150.pdf
“A obra «Camões» de Almeida Garret é um poema lírico-narrativo, escrito provavelmente durante o primeiro exílio do escritor e é considerada a primeira obra romântica da história da literatura portuguesa. O tema desta obra é a vida de Luís de Camões, em particular, os momentos em que Camões escreveu «Os Lusíadas»”.
http://www.livros-digitais.com/almeida-garret/camoes/sinopse
Anterior referência a este poeta em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-bsl-almeida-garrett/

Mais dois postais da década de 70 (século XX) com fotografias de Chi Woon Kong (1) e emitidos por Leung Wai Yin (Macau) Tel. 71281.
Os postais intitulados “POST CARD-MACAO” numerados, tem legendas em chinês, inglês e japonês. E na barra inferior a seguinte citação:
“The Lord shall preserve thy going out and thy Coming in from this time forth , and even for  evermore
Os postais custaram na altura $1.50 (uma pataca e meia) cada.

postal-chi-woon-kong-a-small-chinese-stylepostal-chi-woon-kong-a-small-chinese-style-library-verso12 – A small Chinese-style library at the Public Garden
postal-chi-woon-kong-fountainpostal-chi-woon-kong-fountain-verso313 – Fountain

(1) Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/10/22/postais-da-decada-de-70-seculo-xx-chi-woon-kong-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/10/27/postais-da-decada-de-70-seculo-xx-chi-woon-kong-ii/

Bilhetes Postais Antigos LOGOContinuação da apresentação dos postais da colecção (1) (2) (3) (4)

Bilhetes Postais Antigos LOGO chinês

古董明信片中的澳門
Macau em Bilhetes Postais Antigos
Macau in Historical Postcards

Bilhetes Postais Antigos Jardim de S. Francisco c 1890“Macao, Public Garden”
Jardim de S. Francisco (por volta de 1890)

Bilhetes Postais Antigos Rua da Felicidade c 1890“Macao, China Town”
Rua da Felicidade (por volta de 1890)

NOTA: estes mesmos postais vêm referenciados em LOUREIRO, João – Postais Antigos de Macau, com a data: cerca de 1900, sendo emitidos originalmente em Hong Kong por M. Sternberg.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/02/21/postais-macau-em-bilhetes-postais-antigos-i/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/03/23/postais-macau-em-bilhetes-postais-antigos-ii/
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/04/17/postais-macau-em-bilhetes-postais-antigos-iii/
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/04/22/postais-macau-em-bilhetes-postais-antigos-iv/   

Foi determinado em acta do Leal Senado de 11 de Maio de 1940, a inauguração de algumas vias públicas nesse ano, atribuindo-lhes o nome de figuras históricas dentro do programa das comemorações do Duplo Centenário da Independência e da Restauração (oitavo centenário da Independência e terceiro centenário da restauração de Portugal),
Era Governador do território, o Capitão de Fragata Gabriel Maurício Teixeira.

Inauguração Av. Afonso Henriques Inauguração da Avenida de D. Afonso Henriques

 A Avenida de D. Afonso Henriques, começa na Avenida de Lopo Sarmento de Carvalho, em frente da Avenida do Infante D. Henrique e termina perto do Reservatório.
Foi inaugurada a 4 de Junho de 1940.
Afonso Henriques filho de D. Henrique de Borgonha e de D. Teresa, foi o 1.º rei de Portugal (1128-1185).

Inauguração Av. Lopo Sarmento de Carvalho Inauguração da Avenida de Lopo Sarmento de Carvalho

 Começa entre a Rua da Praia Grande, e a Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, em frente da Estrada de S. Francisco, e termina na Avenida da Amizade. Foi inaugurada a 25 de Junho de 1940.
Lopo Sarmento de Carvalho, natural de Bragança, estabeleceu-se em Macau, em 1615, casando com Maria Cerqueira, natural de Macau (falecida a 26 de Outubro de 1639, sepultada em S. Paulo, na capela de Jesus).
Foi o último Capitão-Mor da viagem de Japão no governo de Macau (1617/18 e 1621/22), pois a 7 de Julho de 1623, o primeiro Governador e capitão-geral, D. Francisco de Mascarenhas, tomava posse.
Obteve grandes lucros da viagem ao Japão, em 1617, de maneira que em 1920 comprou três viagens de Japão. Das três viagens que comprou só pode realizar uma em 1621(com 6 galeotas e de lá trouxe muita seda, de que auferiu grande lucro). Foi o herói da vitória contra os holandeses em 24 de Junho de 1622 (1).
Um filho seu, Inácio (Macau 1616 – Goa 1676) foi capitão-geral da Armada e da Costa do Norte, governador e capitão-geral de Diu e capitão-geral de Moçambique, e tem perpetuado, em Macau, o seu o nome: Travessa de Inácio Sarmento de Carvalho.

 Inauguração Av. D. João IV (II)Inauguração da Avenida de D. João IV

A Avenida de D. João IV começa na Rua da Praia Grande, em frente do Jardim de S. Francisco e termina na Avenida da Amizade (nessa altura, Dr. Oliveira Salazar). Foi inaugurada a 1 de Dezembro de 1940.
D João IV (1604-1656), 8.º duque de Bragança, foi coroado a 15 de Dezembro de 1640, após o golpe do 1.º de Dezembro, Rei de Portugal (1640-1656)

Inauguração Av. D. João IV (I)Inauguração da Avenida de D. João IV (outro aspecto)

 Fotos do Anuário de Macau, 1940-1941 e informações de TEIXEIRA, P.. Manuel – Toponímia de Macau, Volume II.
(1) Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/monumento-da-vitoria/

Livro de António Júlio Emerenciano Estácio e António Manuel de Paula Saraiva, de 1993, (1) responsáveis pelo pelouro das zonas verdes das duas câmaras do território nessa altura e dedicado “À memória de quantos como Tancredo Caldeira do Casal Ribeiro e Alfredo Augusto de Almeida, dedicaram grande parte das suas vidas e do seu saber em prol dos Zonas Verdes do território de Macau”.

Jardins e Parques de MacauDa “Introdução” retiro:
Alguns jardins têm uma grande carga histórica e mesmo científica, como, por exemplo, os jardins de Camões e da Flora, enquanto outros encerram um simbolismo muito especial como sucede em relação ao Jardim de Lou Lim Ioc.
A par dos jardins propriamente ditos possui a península de Macau, sete colinas – Guia/S. Jerónimo (S. Januário), Barra, Monte, Mong-Há, D. Maria, Penha e Ilha Verde – as quais, por terem sido utilizadas para fins militares ou por instituições religiosas, se mantiveram como Zonas Verdes.
Por serem colinas, são visíveis de muitos pontos – isto é, são zonas dominantes da paisagem – contribuindo, em parte, para que Macau se apresente com uma certa imagem de enquadramento verde.
No entanto, e muito lamentavelmente, as Zonas Verdes têm sofrido, nos últimos anos, um autêntico cerco imobiliário que a continuar, poderá transformá-las em “jardins interiores” – o que constituirá uma perda para a imagem do território, nomeadamente na cidade de Macau.”
Os autores descrevem de forma sucinta, a realidade histórica, social, botânica e paisagística, ilustrando com fotografias coloridas, os seguintes Jardins: Camões, Lou Lim Ioc, de S. Francisco, da Flora, da Montanha Russa, de Vaco da Gama, da Vitória, de Santa Sancha, Interior do Leal Senado, e ainda os Parques, Dr. Sun Iat Sen e da Guia.
(19 ESTÁCIO, António J. E; SARAIVA, António M. P. – Jardins e Parques de Macau. 1.ª Edição. Instituto Português do Oriente, 1993, 62 pp., ISBN 972-8013-06-X, 32 cm x 23,5 cm

Roteiro do Ultramar Av. Alm. RibeiroAvenida Almeida Ribeiro, em Macau

 “Começa na Rua da Praia Grande, em frente da Avenida Infante D. Henrique e termina na Rua do Visconde de Paço de Arcos, em frente da ponte cais n.º 16. Esta avenida foi rasgada em 1915 pelo Eng. Director das Obras Públicas, António Pinto de Miranda Guedes. Porque tem esse nome? Pura e simplesmente porque esse homem quando ministro das colónias (1913-1914) sancionou a verba para a expropriação das casas para a abertura da avenida.” (1)
Os chineses chamam à Avenida, San Má Lou (新馬路) e por vezes, Tai Má Lou (大馬路) (2)

Roteiro do Ultramar Hotel Kuoc ChaiModerno Hotel «Grand» em Macau

 O hotel «Grand» ou Grande Hotel, mais conhecido por Hotel Kuok Chai. Ver referências em anterior “post”:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-kuok-chai-grande-hotel/

Roteiro do Ultramar Baía da Praia Grande “Baía da Praia Grande, em Macau”

 A Praia, ao norte, terminava no Forte de S. Francisco. Com a construção do porto, fizeram-se grandes aterros, que engoliram o pedaço de mar desde o sopé das colinas de S. Januário e da Guia e de D. Maria até à marginal do Porto; e desde o Clube Militar e do Jardim de S. Francisco até à Esplanada em frente do Liceu (nesta foto ainda não existente).  A única coisa que nos resta são as árvores seculares do Jardim de S. Francisco, que, com as da Praia Grande (as centenárias árvores do pagode – «banyan trees») continuam a agitar os seus braços possantes e a murmurar entre si os seus segredos e a afagar-nos coma sua sombra maternal.” (3)
Fotogravuras do livro de
GONÇALVES, Manuel Henriques – Roteiro do Ultramar. Lisboa, 1958, 131 p.
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume II. ICM, 1997, 560 p
(2) 新馬路mandarim pinyin: xin ma lù; cantonense jyutping: san1 maa5 lou6) tradução literal – avenida/rua nova para cavalos.
大馬路mandarim pinyin: dà ma lù; cantonense jyutping: daai6 maa5 lou6) – tradução literal- grande avenida para cavalos.
(3) TEIXEIRA,  P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I. ICM, 1997, 667 p.

Continuação da reprodução dos mapas de Macau, já apresentados em anterior “post”(1), do Boletim da Agência Geral das Colónias de 1929 (2)

Mapa de Macau e Arredores 1929 (AGC) II“Macau – O novo pôrto de Macau e a sua situação no Extremo Oriente”

 O mapa de Macau e a Ilha da Taipa com a escala de 1 / 80.000 e a outra com a escala de 1/100.000.000.
Assinalado a duração da carreira marítima para Cantão de 8 horas e para Hong Kong de 4 horas. No mapa à esquerda, a indicação do chamado “Porto Novo” com os aterros desde a Fortaleza de S. Francisco até à praia de Cacilhas(posteriormente chamados aterros do Porto Exterior)

Mapas de Macau 1929 Projecto aterroMapa com o projecto para o aterro da parte norte da enseada da Praia Grande e prolongamento e rectificações das ruas e avenidas existentes.

Assinaladoas neste mapa, algumas propostas interessantes, de espaços, avenidas e edifícios públicos, mas que nunca foram concretizadas: uma “Avenida de Portugal” (paralela a norte da Avenida Almeida Ribeiro com indicação de “trenvias e eléctricas” (instalação de «eléctricos») (3) passando por uma “Praça Afonso de Albuquerque” com um “Lago” e um “Tribunal”;  um “Museu” sensivelmente à frente de Sta Clara (Colégio de Santa Rosa de Lima), uma “Avenida da Catedral” que ligaria  a Sé Catedral à Rua das Estalagens e Ruínas de S. Paulo.

Propostas que foram concretizadas: prolongamento da “Avenida Almeida Ribeiro para os novos aterros da Praia Grande, a rectificação da “Rua Conselheiro Ferreira de Almeida (depois classificada como Avenida), o prolongamento da “Avenida Sidónio Paes”

Algumas sinaléticas também interessantes no mapa: atrás do “Cinema Victória” existia um “Hotel Presidente”; atrás do “BNU” estava um “Hotel”; uma “Calçada de Sta Clara” (hoje Jardim S. Francisco).

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/03/12/mapas-de-macau-de-1929-i/  
(2) Boletim da Agência Geral das Colónias, Ano V, N.º 53, Novembro de 1929, 236 p., + |8|.
Sobre este número, dedicado a Macau, ver anterior “post”
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/10/leitura-macau-no-boletim-da-agencia-geral-das-colonias-1929/
(3) “Tranvia electrica” – caminho de ferro de carris, pelo sistema americano (do castelhano tranvia, do inglês tramway) (Dicionário da Língua Portuguesan de Cândido de Figueiredo.