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O “Professor A. Naftaly” em trânsito pelo território, proprietário de um ambulante “Museu Anatomico e Panorama” (em Macau, exposição na Rua do Almirante Sérgio, n.º 1 e 3) manifestou o desejo de vender “os especimens” que possui, em virtude do estado de saúde de sua esposa que não lhe permite continuar a percorrer outros países, como era sua intenção.

Extraído de «Echo Macaense», I-9 de 12 de Setembro de 1893 p. 3
Extraído de «Echo Macaense», I-9 de 12 de Setembro de 1893 p. 4
Extraído de «Echo Macaense», I-9 de 12 de Setembro de 1893, p.3

Bernardino de Senna Fernandes, 1.º barão (1889), elevado a visconde (1890) e depois a conde (em duas vidas) em 1893, faleceu a 2 de Maio de 1893. (1) O conde casou pela 2.ª vez, em 11-07-1862 com Ana Teresa Vieira Ribeiro (1846-1929) que fundou (depois de viúva) a firma «Viúva Senna Fernandes & Filhos», com sede na Rua da Praia Grande, n.º 71 onde ela vivia. Em 1901, a firma, com a retirada de duas filhas, ficou para a filha Alina (5.ª filha), casada com Fernando José Rodrigues, dando assim posteriormente à firma «F. Rodrigues & Filhos». (2) (3)

Ana Teresa Vieira Ribeiro, em 20.12-1894, casou pela 2.ª vez com o seu sobrinho, por afinidade Leôncio Alfredo Ferreira. (2) (4)

Thomas Edison com o seu 2.º fonógrafo. Foto de Levin Corbin Handy em 1878. (https://en.wikipedia.org/wiki/Phonograph )

NOTA: O fonógrafo, (depois conhecidos como “gramofone” desde 1887), pequena máquina que gravava e reproduzia sons através de rolos de cera, foi inventado por Thomas Edison em 1877 que com os melhoramentos progressivos, tornaram-se populares na segunda metade da década de 80 do século XIX, espalhando-se pelo mundo. O fonógrafo que no início era reservado a um restrito número de homens ricos, passou a ser mostrado em espectáculos públicos, em que um espectador pagava para poder ouvir uma série de cilindros de fonógrafo por uma ordem pré determinada e conduzida pelo apresentador. (5)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bernardino-de-senna-fernandes/

(2) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, vol. III, 1996, pp. 544 e 994

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/firma-f-rodrigues/

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leoncio-alfredo-ferreira/

(5) https://www.aminharadio.com/radio/historia_fonografo

Às 8 horas da noite de 12 de Julho de 1893, na rua nova d´El-Rei, (1) foi apunhalado o chinêsLi Hin Teng, cunhado do capitalista Chan Fong (2) que foi outrora cônsul da China em Honolulu.

Extraído de «Echo Macaense», semanário luso-chinez, Ano I- n.º 1 de 18 de Julho de 1893, p 2

NOTA: a notícia nomeia dois médicos (facultativos) 1- Dr. Luís Lourenço Franco, macaense, nascido a 25-8-1849, formado em medicina em Goa em 1875; nomeado facultativo auxiliar do quadro da Saúde a 20-5-1878, para servir em Timor; nomeado em 4-9-1978 para o quadro de saúde de Macau e Timor. Prestou serviço no batalhão de infantaria do ultramar, no Lazareto da Ilha Verde e na Estação Naval; reformado com a guarnição de capitão a 15-01-1895. 2 – Dr. Pinheiro de Almeida (não encontrei biografia disponível).

(1) A Rua Nova de El-Rei, a artéria principal do antigo Bazar, após a implantação da República em Portugal, em 1910, foi dado o nome de “Rua 5 de Outubro”,. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-5-de-outubro-nova-de-el-rei/

(2) Creio que o falecido era irmão de Lee Hong (李杏), 1.ª mulher (na China) de  Chen Fâng (陳芳) negociante, grande filantropo que ergueu empresas/negócios (venda de ópio, transportes, plantações de açúcar e café, etc.) em Honolulu (Hawai), Macau e Hong Kong: Emigrou de Guangdong para Hawai em 1849, adoptando o nome de Chun Afong, em 1850. Casou também em Hawai com Julia Fayerweather Afong. Deixou, ao todo, 20 descendentes. https://en.wikipedia.org/wiki/Chun_Afong

Como forma de regularizar o sistema de transporte – jerinxás/riquexós (1), (2) o governo, optou pela concessão em regime de monopólio mas surgiram nos últimos anos do século 19 várias greves. Para tentar revolver o problema, surgiu a hipótese de municipalizar este serviço, isto é, ficar o Leal Senado com o exclusivo dos serviços de transporte, mas não foi concretizado. (3)

Mas em 7 de Julho de 1909, nova greve de serviço de carros – «jerinxás» – promovida pelos cules. (4)

(1) O primeiro regulamento deste meio de transporte data de 1883, tendo sido alterado em 1888. Incluía questões relacionadas com a sinalização, estacionamento, circulação e preços do respectivo aluguer. Em 27-08-1883, após Sessão da Câmara, o Leal Senado de Macau apresenta ao Conselho da Província um projecto de Postura sobre a circulação, vigilância e preços dos carros chamados «Jin-rik-shás» (riquexós); o projecto é aprovado em 26-09-1883 e publicado integralmente no Boletim N.º 42 de 20 de Outubro.

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Extraído de «BPMT», XXIX-42 de 20 de Outubro de 1883, pp. 370-371

(2) O Jerinxá ou riquexó é um pequeno carrinho, muito leve, de rodas raiadas de arame de aço e guarnecidas de arcos de borracha, com assento para uma pessoa. Possui capota para o sol ou para a chuva, dois delicados varais entre os quais se coloca o cule a puxar; e como se tratasse de qualquer outra carruagem, tinha uma campainha ou guizo e as respectivas lanternas. O jerinxá teve origem no Japão jin-riki-gá (homem-força-carro) os ingleses adoptaram o termo para jin-riki-shá e simplificaram depois para rick-shaw. A grafia “riquexó” terá surgido, pela primeira vez, num texto do escritor macanese contemporâneo Luís Gonzaga Gomes” (informação de CAVALHEIRO, Jorge in “Da Sampana ao Jactoplanador, Da Cadeirinha ao Automóvel”, pp. 42-44)

jin-riki-gá, Japão, c. 1897 (https://en.wikipedia.org/wiki/Rickshaw)

(3) Há uma notícia surgida no semanário luso-chinez «Echo Macaense» (1893-1898) de 3 de Janeiro de 1895 que refere “Estão em greve os conductores dos carros jinrickshas [riquexós]. É a segunda vez que isto acontece. Já estava previsto que o regime de monopolio traria por repetidas vezes estas semsaborias. O monopolista não pode explorar o público, porque não pode alterar a tabella dos preços, visto que se obrigou por contrato a respeitá-la. Resta-lhe portanto explorar o trabalho insano dos pobres conductores…”

(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 38

Ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/riquexos/

Durante as festas religiosas da semana de 12 a 17 de Setembro de 1893, comemorou-se no dia 17 de Setembro a festa na Sé, com missa cantada às 09.30 horas dedicada a “As Dores da SSma Virgem” . Foi orador o cónego Conceição Borges.

Extraído de «Echo Macaense», I-9 de 12 de Setembro de 1893 p. 4.

Para os festejos que se realizaram em Macau, nos dias 17 a 20 de Maio de 1898, (1) em comemoração do 4.º centenário da descoberta do caminho marítimo para a Índia, criou-se uma sub-comissão encarregada de organizar um cortejo cívico para depor uma coroa de bronze junto ao busto de Luís de Camões, a realizar do dia 18 de Maio.

Assim, surgiu esta circular – convite que foi publicado no jornal «Echo Macaense» de 28 de Abril de 1898.

Extraído de «Echo Macaense», V-95 de 8 de Maio de 1898 in http://purl.pt/33024/3/html/index.

(1) O Programa dos festejos de gala para a celebração do IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia foi publicado no Boletim Oficial n-º 20, desse ano. O programa formulado em 1897 foi autorizado pelo governo. Os festejos começaram a 17 de Maio sendo o ponto alto das comemorações no dia 20 de Maio que foi de completo feriado. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)

Parada junto da Sé de Macau

É celebrado um Te-Deum na Sé Catedral, aberta solenemente a Avenida Vasco da Gama, lançamento da 1.ª pedra para o seu monumento no jardim do mesmo nome e publicação do jornal «Jornal Único». https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jornal-unico/

Foi em Junho de 1831 que surgiu o primeiro número do jornal publicado da Companhia Inglesa das Índias – “The Canton Miscellany” – que tinha tipografia em Macau. Publicação mensal e de índole literária, tinha como responsáveis John F. Davis (1795-1890) e C. Marjoribanks (1) (director do «East India Company») conservando-se apenas até Maio de 1832.

The Canton Miscellany N.º 1Canton Miscellany N.º 1 (1831) (2)

Contém muitas informações (do ponto de vista dos ingleses) sobre os portugueses na sua relação com a China (no N.º 3) e sobre Macau, sua história, e a evolução do seu comércio com os países asiáticos (nos N.ºs 4 – 5)

The Canton Miscellany N.º 1 - sumárioSumário do N.º 1

Logo no N.º 1 (2), encontramos  um poema  “The Boatman of Macao” pp. 62 -64. (autor:  John Seaworthy ?)

The Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao IThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao IIThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao IIIThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao IVThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao VThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao VIThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao VIIThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao VIII

The Canton Miscellany N.º 4- sumárioSumário do N.º 4
The Canton Miscellany N.º 5- sumárioSumário do N.º 5

Muitos dos artigos sobre a história de Macau é da autoria do sueco Andrew Ljungstedt pois foi neste periódico que publicou os primeiros passos do que viria a ser o seu livro, publicado em Macau (1832). Os artigos, numa feição mais ampla, foram ainda e depois publicados em «The Chinese Repository,» (3) em seguida deram origem a uma separata (1834) em Cantão e, finalmente, à edição, de novo em livro, em Boston (1836), com o título de «An Historical Sketch of the Portuguese Settlement in China, ando f the Roman Catholic Church and Missions in China». (4) O jornal «Echo Macaense» editou em português esta obra, de 1893 a 1896. Tem-se como maior valor deste livro a circunstância do autor se ter podido servir de documentos do arquivo municipal, entretanto desaparecidos. Parte do texto, referente à «Igreja Católica Romana em Macau» encontra-se em versão portuguesa na Academia das Ciências de Lisboa (Manuscrito Azul 1506).(5)
(1) Charles Marjoribanks,  iniciou a sua carreira em 1811 como escriturário oficial da “East India Company” em Cantão. Promovido  depois a  “supra-cargo”  chegando a Presidente da “Select Committee in China” em 1831.
“Charles Albany Marjoribanks (1794 – c December 1833) was a Scottish Liberal politician who sat in the House of Commons from 1832 to 1833. Marjoribanks was the son of Sir John Marjoribanks, 1st Baronet, MP and Lord Provost of Edinburgh.[1] As a young man he worked for the East India Company in Macao and, aged 30, he became a freeman of the city of Edinburgh. At the 1832 general election Marjoribanks was elected as the Member of Parliament (MP) for Berwickshire. He held the seat until his death the following year in 1833 at the age of 39.”
https://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Albany_Marjoribanks
(2) “The Canton Miscellany”  no. 1-5 (1831)
https://babel.hathitrust.org/cgi/pt?id=nyp.33433010052656;view=1up;seq=9;size=50
The Chinese Repository Vol. 1(3) ” «The Chinese Repository» was a periodical published in Canton between May 1832 and 1851, to inform Protestant missionaries working in Asia about the history and culture of China, of current events, and documents. The Repository, the world’s first major journal of Sinology, was the brainchild of Elijah Coleman Bridgman, the first American Protestant missionary appointed to China. Bridgman served as its editor until he left for Shanghai in 1847, but continued to contribute articles. James Granger Bridgman succeeded him as editor, until September 1848, when Samuel Wells Williams took charge.”
https://en.wikipedia.org/wiki/The_Chinese_Repository
«The Chinese Repository» was a periodical published in Guangzhou [Canton] between 1832 and 1851 for the use of Protestant missionaries working in Southeast Asia.  The founding editor was Elijah Coleman Bridgman (until 1847), from 1848 until 1851, Samuel Wells Williams was the editor.  The periodical was published monthly between May 1832 and December 1851 – and (following BS 2286) there was a second edition of volumes 1-3. Each of the twenty volumes includes a subject index, a general index was published in 1851 (link below refers to 1940 reprint).”
http://www.univie.ac.at/Geschichte/China-Bibliographie/blog/2010/06/19/chinese-repository-1832-1851/”
(4) Ver referência anterior
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/andrew-ljungstedt/
(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.

No dia 1 de Agosto de 1893, o jornal “Echo Macaense”(Ching-Hai Tsung-Pao), sob a direcção de Francisco Hermenegildo Fernandes (da Tipografia Fernandes) dava a notícia ( primeiro periódico a abordar este assunto) da presença em Macau do Dr. Sun Yat Sen. Dr. Sun visitara Macau aos 12 anos (1878). Agora já homem feito, regressava vindo de Hong Kong onde completou o Curso de Medicina e aceitou o Baptismo cristão. Apesar das dificuldades, o ilustre médico procurou introduzir o seu raio de acção a medicina ocidental (1)
O Dr. Sun exerceu clínica em Macau, no Hospital Kiang Wu cerca de 2 anos.  Residia no prédio n.º 19 de Leal Senado (demolido) e tinha também consultório no n.º 48  da  Rua de Estalagens, praticando medicina europeia e onde havia uma Farmácia Chinesa fundada pelo próprio (há uma iniciativa por parte do Instituto Cultural da RAEM para a recuperação desse prédio) (2)

POSTAL - Casa Memorial Sun Yat Sen década de 60POSTAL da década de 60, em inglês.
Residence of Dr. Sun Yat Sen / 澳門國父紀念館 ” (3)
Photo:  Chi Woon Kong (Distributed by Leung Wai Yin)

SUN YAT SEn 1912 - Lou Lim IeocEsta foto já por mim publicado em (4), foi tirada na recepção dada pelo fundador da República Chinesa, Dr. Sun Yat Sen, em Maio de 1912, em Macau, no Pavilhão Iong Sam Tóng da residência de Lou Cheok Chin ou Lou Kao e seu filho Lou Lim Iok (hoje Jardim Lou Lim Ieoc), onde esteve hospedado duas noites.
Na primeira fila, sentados, à esquerda da foto, Camilo Pessanha e ao centro da foto, ao lado do Dr. Sun Yat Sen, a esposa do Governador, e o Governador Álvaro de Melo Machado. Do lado esquerdo do Dr. Sun, a sua filha mais velha, Sun Wan e Francisco Hermenegildo Fernandes.

POSTAL - Casa Memorial Sun Yat Sen 1986Postal em inglês (copyright  Dept. of Tourism – D. S. T.) de 1986
Sun Yat Sen Memorial House (founder of the People Republic of China)”

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995.
(2) Outros locais em Macau relacionados com o Dr. Sun:
AGOSTO de 1905 – O Dr. Sun Yat-sen funda no Japão a Tong Meng Hui – Associação dos Revolucionários Chineses (também chamada: Liga Unida Revolucionária) que se estenderá a Macau em 1909 com sede no n.º 41 da Rua da Praia Grande. Além da Sede a associação contará com uma biblioteca – Le qun na Rua do Volong e outra na Rua do Hospital (hoje, Rua Pedro Nolasco da Silva) em frente ao ainda existente Capitol (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4, 1997).
(3) Leio muitas vezes, artigos de jornalistas e mesmo de académicos apontando este edifício como “onde residiu o Dr. Sun Yat Sen“. LU Muzhen mulher de Sun Yat SenEsta é uma casa Memorial em sua homenagem (e não sua residência) mandada  fazer em 1912/1913, pela viúva Lu Muzhen e pelo filho,  Sun Fó /孫科, situado na Rua de Silva Mendes, na Flora. A chamada “mansão de Sun” foi reconstruída em 1933 e em 1958 tornou-se Casa Memorial e aberta ao público.
Lu Muzhen / 盧慕貞 (1867- 1952), primeira mulher de Sun Yat Sen que se divorciou em 1915 do marido, viveu em Macau nessa mansão de 1915 até o seu falecimento em 1952 (aos 85 anos de idade), com as duas filhas Sun Yan /  孫延, Sun Wan/ 孫琬.  (https://en.wikipedia.org/wiki/Lu_Muzhen) (4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/10/10/noticia-de-10-de-outubro-de-1911-leitura-macau-e-sun-iat-sen/
NOTA: anteriores referências a Dr. Sun Yat Sen em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/sun-yat-sen/
e aconselho leitura do artigo de Ricardo Pinto, no jornal “Ponto Final” de 13-01-2012, intitulado “SunYat-sen, herói e vilão”, disponível em:
http://pontofinalmacau.wordpress.com/2012/01/13/sun-yat-sen-heroi-e-vilao/

23-03-1759 – data de nascimento de Andrew Ljungstedt, (1) mercador da companhia sueca «East India», escritor sueco, historiador e autor de «An Historical Sketch of the Portuguese Settlements in China, and of the Roman Catholic Church and Mission in China, Boston, 1835» (2) (esboço histórico sobre os estabelecimentos portugueses na China), obra póstuma e raríssima (3), por ter sido o primeiro trabalho estrangeiro (escrita em inglês) que se publicou sobre a história de Macau. Não obstante a parcialidade do seu autor, as inúmeras inexactidões que o desvalorizam em grande parte e as precipitadas conclusões que levaram vários autores estrangeiros a formarem juízos erróneos sobre diversos acontecimentos referentes à história de Macau, foi, no entanto, noutros tempos, obra de muito apreço, pois não existia outra que versasse, como o mesmo desenvolvimento, idêntica matéria (4) (5)

Fei Chengkang no prefácio para a versão inglesa do seu livro “Macao 400 Years“, (6) refere que o Padre Manuel Teixeira, apesar de reconhecer que o sueco compilou muitos erros na sua história, reconhece no entanto que ao contrário de muitos historiadores contemporâneos, adoptou uma visão “in sticking to truth
The Portuguese historians that came afterwards borrowed from him; but instead of declaring thus indebtedness to him, attacked him violently. The reason is this: Ljungstedt, based in historical documents, asseretd that Macau was chinese territory. They denied it, declaring that the Emperor of China gave it to Portuguese, which he never did. Therefore Ljungstedt was right and they are wrong

Segundo Padre Teixeira, Ljungstedt utilizou os documentos pertencentes ao Bispo D. Joaquim de Souza Saraiva, Bispo de Pequim para escrever o livro.

                        Andrew LjungstedtRetrato de Andrew Ljungstedt pintado por George Chinnery

 (1) Andrew Ljungstedt (龍思泰; pinyin: Lóng Sītài; cantonense jyutping: lung4 (dragão) si3 (pensador) taai3 (grande). Com a idade de 38 anos (em 1797), encontrou colocação na Companhia Sueca da Índia Oriental e embarcou para a China (Cantão/Guangzhou) no barco «The Queen». Em 1804 , foi nomeado representante da Companhia em Macau. Quando a companhia sueca liquidou os seus negócios na China, Ljungstedt estabeleceu-se definitivamente em Macau. Faleceu aí a 10-11-1835. Está sepultado no Cemitério dos Protestantes. Na “wikipédia” encontra-se registado como “Anders Ljungstedt“.
(2) LJUNGSTEDT, Andrew. An Historical Sketch of the Portuguese Settlements in China, and of the Roman Catholic Church and Mission in China; a Supplementary Chapter, Description of the City of Canton. Boston: James Munroe & Co., 1836. Reprint, Hong Kong: Viking Hong Kong Publications, 1992.
Poderá ler este livro em:
http://books.google.pt/books/about/An_Historical_Sketch_of_the_Portuguese_S.html?id=Q7gNAAAAIAAJ&redir_esc=y
(3) A obra original «Contribution to an Historical Sketch of the Portuguese Settlements in China principally of Macao, of the Portuguese Envoys &Ambassadors to China, of the Roman Catholic Mission in China and of the Papal Lagates to China, Macau, 1832” é de excepcional raridade, já que do prelo local só saíram 100 exemplares. Após o seu falecimento, publicou-se, em Boston, em 1836, uma nova edição, porém, inteiramente refundida com o título referido em (2)
A 2.ª edição do trabalho de Ljungstedt foi vertida para português e publicada em folhetins, no hebdomadário «Echo Macaense», propriedade de Francisco Hermenegildo  Fernandes, cuja administração estava situada na Rua da Casa Forte, n.º 3. Esta tradução foi publicada na íntegra pela Imprensa Nacional de Macau, em 1909 com o título « Impressão Confidencial e Reservada dos Documentos Respeitantes à península de Macau e suas dependências»
(4) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de Macau, 2010, 358 p. ISBN: 978-99937-45-38-9
(5)  SENA, Teresa – Da Polémica à História in MACAU, n.º 28, 1990, pp. 55-58.
(6) FEI Chengkang – Macao 400 Years. The Publishing House of Shanghai Academy of Social Sciences, 1996, 360 p. ISBN 7-80618-266-7

NOTA: anterior referência a esta personalidade em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/andrew-ljungstedt/